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sábado, 8 de janeiro de 2011

VIOLENT COP (1989)


Imagine a surpresa que você teria se fosse ao cinema para ver "Tropa de Elite" e descobrisse que o implacável Capitão Nascimento não é mais interpretado por Wagner Moura, mas sim por Renato Aragão. Ou pelo Sergio Mallandro.

Deve ter sido um choque semelhante aos espectadores japoneses que, em 1989, foram ao cinema ver VIOLENT COP, o primeiro filme escrito, dirigido e estrelado por Takeshi Kitano. Afinal, até então Kitano era apenas um humorista e apresentador da TV japonesa, daquele tipo que ninguém consegue levar a sério, e ri só de olhar para a cara do sujeito.

Só que VIOLENT COP não tem o menor pingo de humor. E imagine os fãs do humorista entrando no cinema para rir das macaquices de Kitano e vendo uma cena como essa:


Contrariando totalmente a sua consagrada imagem televisiva, o ator aparece em cena não só como um policial violento (eis o título), mas também como um completo sociopata que distribui tiros e pancadas em todo mundo, não só nos bandidos, e que chega a chocar pela sua crueldade - perto dele, o Capitão Nascimento, citado no início do texto, não passa de um escoteiro.

Antes de mais nada, permitam-me dizer que sou apaixonado por Takeshi Kitano. Para mim, ele é mais um dos poucos cineastas contemporâneos cuja obra nunca decepcionou (até agora) e que vale a pena acompanhar religiosamente.


Conheci o trabalho do cineasta praticamente por acaso em 1998. À época fã de filmes policiais vindos do Oriente (por causa das obras de John Woo e Ringo Lam), topei com a fita de "Hana-Bi - Fogos de Artifício" na locadora da minha cidade.

Não tinha muitas referências (é bom lembrar que a internet ainda engatinhava em 1998), mas resolvi dar uma chance pela imagem da capinha, que mostrava aquele sujeiro durão (Kitano) apontando uma arma contra a câmera. Foi amor à primeira vista, e "Hana-Bi" virou imediatamente um dos meus filmes preferidos de todos os tempos.

Diferente do que eu esperava como fã de Woo e Lam, "Hana-Bi" é lento e introspectivo, como praticamente toda a obra do cineasta. A diferença é que não é chato nem artístico, como podem fazer supor os dois adjetivos anteriores. Pelo contrário: lentamente, Kitano prepara o espectador para levar uma porrada no meio da cara.


VIOLENT COP, sua estréia no cinema, já é um verdadeiro soco na boca - e olha que posso falar com conhecimento de causa, porque sei como é levar um soco na boca! Trata-se, assim, de mais um autêntico FILME PARA DOIDOS POR CINEMA, porque nem só de tranqueira vive esse blog.

Takeshi inicialmente iria apenas estrelar o filme, que seria dirigido pelo veterano Kinji Fukasaku ("Battle Royale"). Doente e desanimado ao saber que só teria o astro durante 10 dias (por causa de seus compromissos com programas de TV), o diretor saltou fora.

Kitano assumiu a produção e fez uma revolução: originalmente, VIOLENT COP seria uma comédia estilo "Um Tira da Pesada". Marcado como comediante na TV, o ator queria mudar sua imagem, portanto reescreveu todo o roteiro de Hisashi Nozawa para tirar o humor.


Numa análise simplista, poderíamos dizer que Azuma, o "policial violento" interpretado por Kitano no filme, é uma espécie de Dirty Harry japonês. Olhando mais de perto, entretanto, percebemos que Azuma tem pouco ou nada de heróico, ao contrário do tira vivido por Clint Eastwood na série norte-americana.

Se nos filmes policiais "comuns", como "Perseguidor Implacável" e o próprio "Tropa de Elite", o policial violento é apenas o reflexo de um mundo violento (para males extremos, soluções extremas), isso não acontece em VIOLENT COP, onde o próprio policial é o catalisador da violência, não raras vezes o provocador.


O filme começa com um grupo de jovens espancando um mendigo na rua. Um dos garotos volta para sua confortável casa de classe média-alta, e logo o policial Azuma bate na porta. A mãe do garoto atende. Cordialmente, Azuma pede para subir e conversar com seu filho. Chegando no quarto do garoto, a máscara de simpatia cai: o policial espanca o adolescente com socos, chutes e tapas, e ordena que ele se entregue à polícia no dia seguinte.

Essa cena, sem relação com a trama principal, já dá o tom do filme. E foi feita quase 20 anos antes do Capitão Nascimento tratar estudantes maconheiros de classe média-alta do mesmo jeito, no primeiro "Tropa de Elite".

Como tratar marginaizinhos mimados (em espanhol!)



Mas há um novo comandante na delegacia, o delegado Higuchi (Hiroyuki Katsube). Muito mais novo que Azuma, ele não concorda com os métodos truculentos do subordinado; por outro lado, sabe que o "violent cop" já vivenciou coisas demais em seus muitos anos de carreira, e que não tem cacife para repreendê-lo. Portanto, apenas recomenda que Azuma entre na linha ou faça as coisas "por baixo dos panos", pelo menos por um ano, quando o delegado será promovido para outro distrito.

Num daqueles clichês dos filmes policiais, o veterano ganha um parceiro novato com a intenção de controlá-lo, Kikuchi (Makoto Ashikawa). Não adianta nada, claro. Até que, acidentalmente e por puro acaso, a dupla esbarra no caso do assassinato de um traficante. O responsável é Kiyohiro (Hakuryu), um assassino da Yakuza, que será obsessivamente perseguido por Azuma até um sangrento desfecho.


Eu sou fã de policiais durões e de personagens cheios de defeitos, que tenham problemas de moral e conduta como a maioria das pessoas normais. Mas o Azuma de Takeshi Kitano exagera: é praticamente impossível simpatizar com o personagem, tão ou mais violento que os bandidos que persegue (e eventualmente mata).

Queria só ver a cara daqueles malas que chamaram "Tropa de Elite" de reacionário e fascista caso eles assistissem VIOLENT COP e suas "cenas de interrogatório". O saco plástico dos homens do Bope parece um colírio perto dos métodos de Azuma.


Numa cena, o policial começa a dar tapas no rosto de um suspeito para saber o nome do assassino que procura. A câmera fixa acompanha o "interrogatório" durante uns bons 50 segundos: Kitano não pára de esbofetear o homem, e percebe-se nitidamente que ele está batendo no ator DE VERDADE! O rosto do sujeito começa a ficar cada vez mais vermelho em função dos tabefes recebidos, até que ele (o personagem e talvez o próprio ator, cansado de apanhar) finalmente fala o que o "herói" quer saber.

Mais tarde, Azuma finalmente põe as mãos em Kiyohiro (uma prisão ilegal, com entorpecentes "plantados") e leva-o para "interrogatório" no vestiário da delegacia.


Inicialmente, tudo o que vemos é o parceiro novato parado em frente à porta fechada do vestiário, para impedir alguém de entrar. Mas também escutamos os sons abafados de porradas e gemidos que vêm de dentro da sala.

Quando a câmera finalmente permite que o espectador entre no vestiário, o suspeito está caído no chão todo arrebentado, os armários repletos de manchas de sangue do brutal espancamento!


E não é só isso: Azuma também espanca brutalmente um rapaz apenas porque ele saiu com sua irmã (que é deficiente mental), atropela de propósito um suspeito em fuga (!!!) e começa a chutar o próprio parceiro Kikuchi quando ele tenta proteger um suspeito do espancamento! Tudo isso faz do policial Azuma um dos maiores anti-heróis do cinema policial de todos os tempos!

Para quem não conhece a obra do mestre Takeshi Kitano, este primeiro filme é um perfeito cartão de visitas. Tudo o que caracteriza a sua filmografia já aparece aqui: o protagonista durão de poucas falas que tem vários closes silenciosos, as longas cenas que mostram apenas os personagens caminhando, e o clima lento e silencioso que apenas prepara para um explosivo confronto final.


Como na maioria dos filmes de Kitano, também, a violência é realista e incômoda, sem aquele glamour típico do cinema de ação. Quando alguém leva um tiro, o efeito não é "bonitinho": não há música, câmera lenta ou efeitos estilizados.

O mesmo vale para as cenas em que alguém apanha, geralmente filmadas em plano-sequência, e apenas com os ruídos dos socos e chutes como trilha sonora, algo que mexe com o espectador porque na vida real acontece EXATAMENTE ASSIM, sem edição videoclipeira, trilha sonora ou coreografia elaborada.


Por isso, eu recomendo VIOLENT COP para todos os fãs do bom cinema policial contemporâneo, mas não àqueles que gostam de filmes mais visuais, com firulas e enfeites (tipo os de John Woo), e muito menos às pessoas sensíveis, que não terão estômago para suportar esse soco na boca desferido por Kitano.

O primeiro de muitos, no caso, já que toda a filmografia de Takeshi Kitano é composta por repetidos e cada vez mais impactantes socos na boca do seu espectador - um verdadeiro espancamento cinematográfico, como aqueles que seu policial Azuma adora promover em VIOLENT COP.

Trailer de VIOLENT COP



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Violent Cop (Sono Otoko, Kyôbô
ni Tsuki, 1989, Japão)

Direção: Takeshi Kitano
Elenco: Takeshi Kitano, Maiko Kawakami, Makoto
Ashikawa, Shirô Sano, Sei Hiraizumi, Mikiko
Otonashi, Hakuryu e Ittoku Kishibe.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Melhores, piores e decepções de 2010

OS MEUS MELHORES DE 2010
(sem ordem de preferência)



"Tropa de Elite 2"
Não só por ser um filmaço, mas ainda por ter conseguido bater o recorde de bilheteria do cinema nacional (o xoxo "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de 30 anos atrás) em tempos de poucos cinemas e pirataria a rodo.


"Kick Ass - Quebrando Tudo"
Uma engraçada aventura que comprova algo que eu sempre defendi: que os filmes de super-heróis não precisam se levar tão a sério assim, como querem super-malas tipo Christopher Nolan e Bryan Singer.


"Popatopolis"
Talvez o filme mais divertido que vi em 2010, além de uma ode apaixonada ao cinema independente. Pena que Ed Wood morreu antes que fizessem um documentário como esse estrelado por ele...


"O Escritor Fantasma"
O veterano Roman Polanski comprova que ainda é "o cara" e ensina como fazer suspense a essa geração atual mal-acostumada com efeitos sonoros e edição videoclipeira.


"A Estrada"
Violenta e triste visão de um futuro sem nenhuma esperança, onde apenas o amor de um pai parece representar um mínimo sopro de humanidade. Incômodo, mas obrigatório.


"Four Lions"
Brilhante comédia que ri da desgraça alheia (ao enfocar o "cotidiano" de atrapalhados homens-bomba), e ao mesmo tempo questiona a estupidez de morrer por qualquer ideal.


"REC 2"
Odiada por meio-mundo, essa continuação não faz feio e ainda expande a mitologia do original, numa espécie de versão "reality show" de "O Príncipe das Sombras", de John Carpenter.


"I Saw the Devil"
Mais uma história sul-coreana de vingança. Em outras palavras: sangue a rodo, arrepiantes mutilações corporais e reviravoltas de arregalar os olhos a cada meia hora.


"Tucker e Dale Enfrentam o Mal"
Os fãs de "Pânico" saúdam o filme do Wes Craven como se fosse o grande exemplo de obra que brinca com os clichês do horror. Mas essa engraçadíssima comédia, que subverte um dos maiores clichês do gênero (os caipiras malvados), mostra que está na hora de eles reverem seus conceitos.


"Tudo que Amo"
A primeira vez a gente nunca esquece. A primeira rebeldia contra o "Sistema" e a primeira banda punk também não, como defende esse sensível retrato da adolescência na Polônia dos anos 80.


"Amargo"
Uma obra-de-arte que passou batida na Mostra de SP e foi redescoberta graças ao Fantaspoa 2010. Homenagem aos filmes "giallo" feitos na Itália, contada através de planos-detalhe, direção de arte brilhante e com um mínimo de diálogos.


"La Yuma"
Uma espécie de versão terceiro-mundista do filme "Menina de Ouro", dessa vez representando o esporte como uma válvula de escape para um cotidiano pobre e violento.


"Triângulo do Medo"
O mais perto de um pesadelo que o cinema de horror chegou nos últimos anos, com um festival de imagens perturbadoras sem abusar de sangue ou efeitos digitais.


"Cisne Negro"
Um horror cerebral e perturbador que aproxima Darren Aronofsky de Stanley Kubrick - e que incomoda o espectador sem a necessidade de banhos de sangue ou "sustos tcham!".


"Abismo do Medo 2"
Uma daquelas raras continuações que realmente continuam, resgatando episódios e personagens do primeiro filme, e que não passa vergonha na comparação com o original, mesmo ao descambar para o excesso de sangue e nojeira.

Menções honrosas: "Massacre Esta Noite", "A Ilha do Medo", "O Último Exorcismo", "Not Quite Hollywood", "Red Hill - Busca Sangrenta", "Homem de Ferro 2", "Scott Pilgrim Contra o Mundo", "Atração Perigosa", "Elvis e Madona", "8th Wonderland" e "O Homem que Virá"


OS MEUS PIORES DE 2010
(sem ordem de "não-preferência")



"Um Olhar do Paraíso"
Peter Jackson chega ao fundo do poço nesse constrangedor "momento Spielberg" (embora nem os piores filmes do Spielberg sejam tão piegas e insuportáveis).


"Os Famosos e os Duendes da Morte"
Curta-metragem esticado, em mais uma amostra daquele cinema fanfarrão que tenta ser artístico e "cabeça" mesmo quando não tem nenhuma história para contar - e que infelizmente acaba encontrando seu público.


"Cabana do Inferno 2"
O primeiro é divertidíssimo, mas essa sequência problemática é apenas... estranha. E insuportável. Os raros achados no meio do caos não justificam a existência do filme.


"A Ilha dos Mortos"
Melhor que o péssimo "Diário dos Mortos", mas ainda assim um fiasco em comparação com o resto da série dos mortos-vivos de Romero - aqui num de seus momentos mais constrangedores, rendendo-se até a piadinhas estúpidas e CGI de quinta categoria.


"O Contestado - Restos Mortais"
Um documentário sobre um fato histórico quase desconhecido da história do Brasil (!!!) e com três horas de duração (!!!)? E que traz depoimentos dos falecidos no conflito (!!!) através de médiuns em transe (!!!)? Next!


"Perpetuum Mobile"
Um filme sobre o nada em que nada funciona (nem mesmo o enquadramento de câmera, como comprova a imagem acima). Mas foi premiado em vários festivais ao redor do mundo e incensado por cinéfilos pseudo-cults, então deve ser bom (e eu devo ser um idiota por não ter entendido).


"Robin Hood"
Se mudassem o título para "Gladiador 2", ou "Gladiator Begins", talvez essa bobagem até enganasse. Mas é difícil engolir um filme sobre Robin Hood que altera totalmente a história clássica do personagem, e ainda traz como herói Russell Crowe gordo que nem um porco!


"A Hora do Pesadelo"
No ano 2050, quando um professor de cinema quiser mostrar aos seus alunos todos os pontos negativos de se fazer um remake de filme de horror, poderá economizar saliva exibindo essa refilmagem simplesmente patética.


"The Possession of David O'Reilly"
Péssimo sub-produto de "Atividade Paranormal", que atormenta o espectador com quase 40 minutos de escuridão, talvez para disfarçar o fato de não ter qualquer história para contar.


"Skyline - A Invasão"
Misture o "Guerra dos Mundos" do Spielberg com "O Nevoeiro", adicionando umas pitadas de "Distrito 9", e o resultado será explosivo - como comprova essa bomba mal-dirigida e pessimamente interpretada.


"A Epidemia"
Não bastou pegar "O Exército do Extermínio", um dos melhores filmes de George Romero, e transformar em filme de zumbis à la "Extermínio". Não, o diretor também teve que alterar totalmente o foco do original, colocando os militares como figurantes. Parabéns: mais um para a lista de piores remakes do século!


"Segurança Nacional"
Minhas esperanças de ver ressuscitar o cinema nacional de ação se diluem mais e mais a cada novo trabalho tosco e preguiçoso como esse, que só funciona mesmo como comédia involuntária.


"Zona Verde"
Se não tivesse um certo diretor conhecido (Paul Greengrass, ou "Greeng-argh") no comando, essa bobagem seria lançada direto em DVD e ficaria perdida no meio dos novos filmes do Steven Seagal ou Dolph Lundgren. Mas como tem...


"O Último Romance de Balzac"
Mais um belíssimo argumento para aqueles que odeiam o cinema nacional e acham que qualquer filme brasileiro é porcaria. Ao ver bombas como essa, dá até vontade de concordar.


"A Ressaca"
Estou até agora tentando entender como é que um trailer engraçadíssimo se transformou numa comédia tão sem graça, em que quase todas as piadas erram o alvo e até Chevy Chase é desperdiçado.

Menções desonrosas: "Jogos Mortais - O Final", "Simplesmente Complicado", "Porto dos Mortos", "Strigoi", "Ponto Org", "Enquanto a Noite Não Chega", "Giallo - O Assassino", "Par Perfeito", "Glen, O Robô Voador", "Não Se Pode Viver Sem Amor" e "O Último Mestre do Ar"


MINHAS DECEPÇÕES DE 2010
(não são bons nem ruins, só ficam
muito abaixo da expectativa criada)



"Os Mercenários"
Parece que Stallone desaprendeu tudo que mostrou anos antes com os excelentes "Rocky Balboa" e "Rambo 4". E o sujeito que editou o filme deve ter feito o curso de montagem com Michael Bay.


"Machete"
Rodriguez repete a piada de mau gosto que foi "Era Uma Vez no México": enche seu filme de atores famosos encarnando personagens legais, e assim deixa o protagonista em segundo, até terceiro plano. E o trailer é muito mais divertido que esse longa burocrático e levado mais a sério do que deveria.


"Esquadrão Classe A"
Os realizadores parecem se divertir muito ao fazer uma cena de ação mais absurda, exagerada e incoerente que a anterior. Pena que o espectador não se divirta tanto quanto eles.


"Avatar"
Onde estará a suposta revolução do cinema prometida por James Cameron (e que muitos críticos e espectadores engoliram)? Será que é a revolução do aumento do preço dos ingressos (por causa do 3D), ou simplesmente o revolucionário desconforto gerado pelas quase três horas (desnecessárias) de explosões e efeitos por computador?


"Piranha 3D"
Porque uma única cena legal (o massacre no lago) não justifica os chatíssimos 45 minutos iniciais e nem as piadas infames. Alguns incensaram o filme somente pela quantidade de tetas e tripas, mas, se é assim, 90% dos slashers dos anos 80 são clássicos do cinema.


"Vida e Morte de uma Gangue Pornô"
Mais um exemplar de uma verdadeira peste moderna: o cinema "Sou revoltadinho e quero chocar o espectador de qualquer jeito". Alguns podem considerar diversão ver um travesti chupar o pau de um cavalo, mas definitivamente essa não é a minha praia (e o cinema pornô brasileiro dos anos 80 tem coisa bem pior, para quem acha que esses caras de agora estão inventando a roda).


"Federal"
Tinha tudo para ser um belo filme policial made in Brazil (e algumas cenas até empolgam, como a morte inesperada, à la Friedkin, de certos personagens principais). Mas, no geral, parece uma cópia infeliz de "Tropa de Elite", mesmo que a produção tenha começado um ano antes.


"Tron Legacy"
O primeiro nunca foi um clássico, como alguns críticos e fãs fazem parecer. Mas pelo menos era divertido e até visionário em suas ideias. Trinta anos depois, essa continuação não traz nenhum novo conceito e apenas "maquia" o primeiro filme - com sérios problemas de ritmo e de roteiro.


"O Lobisomem"
Prejudicado por uma edição porca feita pelo estúdio (a que eu vi no cinema), o filme tem algumas coisas muito boas, mas também inúmeros momentos patéticos e mal-explorados (como esse aí da foto, que é constrangedor). Ainda preciso ver a "versão estendida" lançada em DVD.

Menção honrosa: "A Centopeia Humana"