domingo, 9 de maio de 2010

O tal do "24 Horas" brasileiro


Eu queria muito poder dizer aos meus nobres leitores que SEGURANÇA NACIONAL é o filmaço de ação made in Brasil que eu estou esperando há anos (até porque o trailer era promissor). Queria muito, também, que ele se tornasse um estrondoso sucesso de bilheteria no boca-a-boca, à la "Bezerra de Menezes", o que certamente levaria mais diretores, produtores e roteiristas a investir no gênero aqui no país.

Mas não, SEGURANÇA NACIONAL não é um filmaço, muito menos um bom filme de ação. Com todos os seus defeitos, o "Besouro", por exemplo, é bem melhor.

E não, não vai ser um estrondoso sucesso de bilheteria. Pelo menos a sessão que eu vi, em plena tarde de sábado na Avenida Paulista, tinha apenas três pessoas além de mim...

Antes de mais nada, queria mandar um tapão na orelha para todos os críticos desinformados que escreveram que SEGURANÇA NACIONAL é uma das primeiras tentativas de se fazer cinema de ação no Brasil. Obviamente estes sujeitos nunca ouviram falar em Tony Vieira, Rubens Prado ou mesmo Afonso Brazza, nem sabem que existe até um filme de kickboxing feito no país, "A Gaiola da Morte". Ou então eles consideram "cinema brasileiro" apenas o que saiu da Retomada para cá, visão típica de criticozinho arrogante e ignorante.

Enfim...


SEGURANÇA NACIONAL, segundo informam vários sites, começou a ser produzido em 2006 e foi finalizado apenas agora, a um custo estimado em R$ 5 milhões. Vendo o filme, dá para entender a demora na conclusão: é uma produção relativamente barata que deve ter enfrentado muitos problemas, principalmente na realização das cenas de ação. Os efeitos dos tiros, por exemplo, nunca convencem, seja na sonoplastia (o som dos disparos é muito baixinho), seja nos efeitos digitais do clarão dos disparos das armas (qual é o problema com balas de festim?).

Nestes quatro anos em que a produção vinha sendo finalizada, bem que alguém poderia ter dado uma boa olhada no material para perceber a quantidade de equívocos que viriam a se tornar o filme que agora chega aos cinemas, e quem sabe tentar corrigir alguns deles, ou ao menos cortar as diversas cenas que estão sobrando.

Pois se como filme de ação SEGURANÇA NACIONAL deixa a desejar, ele certamente faz rir mais que muita comédia. Principalmente pelo exagerado tom ufanista. Não tenho nada contra a bandeira do Brasil nos uniformes dos soldados ou tremulando ao vento. Afinal, isso é comum em qualquer filme norte-americano de quinta categoria. Mas depois da décima-oitava cena da bandeira verde-amarela tremulando em câmera lenta, a coisa começa a ficar xarope. E não é só: até o Hino Nacional foi incluído na trilha sonora (!!!) numa cena sem qualquer razão de existir!


O roteiro de Bruno Fantini, Daniel Ortiz e do diretor Roberto Carminati (vindo das novelas da Globo) não esconde sua grande inspiração: a série de TV "24 Horas". Thiago Lacerda interpreta Marcos Rocha, um agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que é obviamente calcado no modelo Jack Bauer, embora menos truculento. Já Milton Gonçalves é o presidente negro do Brasil, à la Barack Obama e à la presidente Palmer, de "24 Horas".

A trama de SEGURANÇA NACIONAL se passa em 2004 e tem a ver com o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e com a Lei do Abate, ferramentas que concederam ao Governo Brasileiro poderes para vigiar a principal entrada de aviões de narcotraficantes no país. Um deles, Hector Gazca (interpretado pelo mexicano Joaquín Cosio), resolve enfrentar o governo para desativar o Sivam, promovendo do seqüestro de políticos brasileiros à ameaça com bombas nucleares - planos sempre frustrados por Marcos, que é o nosso Ethan Hunt, da série "Missão Impossível".

Até há um bom filme em SEGURANÇA NACIONAL, e a própria trama não é das piores, tentando fugir dos clichês do gênero. Terroristas no Brasil? Uau, isso sim é novo! O início do filme - que mostra uma ação do exército contra traficantes no coração da Amazônia - também é muito bom e promissor, e mesmo os créditos iniciais com caracteres "tridimensionais" têm seu charme.


Mas a partir daí é um festival de equívocos que qualquer roteirista saberia contornar facilmente, e não sei porque TRÊS não conseguiram! Por exemplo, por que o vilão Gazca fica apelando para planos cada vez mais mirabolantes para derrubar o Sivam ao invés de simplesmente encontrar uma rota alternativa?

Outra bobagem descomunal é o fato de o super-agente Marcos namorar Fernanda (Viviane Victorette), uma garota que não sabe que seu amado é agente da Abin. Ao mesmo tempo, nosso herói não sabe que sua amada é filha da diretora da Abin (!!!!), interpretada de maneira caricatural por Ângela Vieira. Ou seja, se o super-agente não sabe nem que sua sogra é a sua própria patroa, temos um sinal evidente de que a Inteligência Brasileira vai muito mal das pernas...

Os TRÊS (ênfase) roteiristas também não conseguem contornar a enxurrada de clichês, como o bandidão malvado que passa o filme inteiro matando seus comparsas quando nervoso, mas nunca consegue matar o herói, e no final apela para o velho plano de seqüestrar a namorada do mocinho para se vingar. Mas o uso do Código Morse foi uma bela sacada, ainda que meio inverossímil no contexto todo da situação.


Além dos defeitos técnicos nas cenas de tiroteio, SEGURANÇA NACIONAL tem lutas frouxas e uma trilha sonora absurda repleta de musiquinhas pop-românticas, que tocam nos momentos mais inadequados. E o personagem do presidente é uma comédia: numa cena, ele visita uma escola infantil e, ao ver seus seguranças tentando conter o avanço dos alunos, faz questão de impedi-los e de abraçar cada uma das criancinhas, só para mostrar como é um bom sujeito.

E se SEGURANÇA NACIONAL não funciona como filme de ação, como comédia involuntária, pelo menos, agrada. Afinal, o que pensar de um "terrorista" que decide explodir o Palácio do Governo de Santa Catarina (Estado que colaborou financeiramente com a produção, é claro...) ao invés do Palácio do Planalto? É bem possível que, daqui uns 20 anos, os netos do "Filmes Para Doidos" estarão fazendo piadinhas desse filme como eu faço com as produções da Boca do Lixo...

Agora, verdade seja dita: mesmo com todos seus incontáveis defeitos, SEGURANÇA NACIONAL tem algumas qualidades que certos críticos preferiram ignorar, como as ótimas cenas aéreas envolvendo caças do exército (acho que isso nunca foi feito no cinema brasileiro; aliás, queria ver o que o Tony Vieira faria com estes recursos) e uma perseguição automobilística ladeira abaixo que inclui diversas explosões no percurso, provavelmente o ponto alto do longa.


Isso sem contar que a imagem de não uma, mas duas explosões nucleares NO BRASIL é aquele tipo de coisa que a gente não está acostumado a ver no cinema nacional!

O galã de novelas Thiago Lacerda não está de todo mal como mocinho. No começo é até engraçado ouvi-lo dizer frases pomposas como "A base inimiga foi neutralizada", ou "Afirmativo", mas depois ele não faz feio. Infelizmente, faltam-lhe cenas de ação numa produção que se perde num bla-bla-bla quase interminável.

Divertidíssimo, o elenco bizarro da película é um show à parte: além de todos os já elencados, aparecem também Aílton Graça (!!!) como parceiro do herói (numa cena, o "negão de tirar o chapéu" encara um avião em decolagem apenas com uma moto e um revólver!); Gracindo Jr. como senador corrupto e até Sônia Lima (sim, aquela antiga jurada do Show de Calouros!!!) e a ex-dançarina do Tcham Sheila Mello! É tanta cara conhecida em papéis "diferentes" que quase parece um "Machete" tupiniquim!

Mas infelizmente parece que faltou grana e recursos técnicos para que as lutas e tiroteios não parecessem tão apressadas e mal-coreografadas. Ou talvez brasileiro não saiba filmar cenas de ação sem uma ajudinha dos gringos (como aconteceu em "Tropa de Elite" e "Besouro"). Feitas por conta própria, as perseguições de carro, por exemplo, parecem saídas de novelas - como visto recentemente também no intragável "Salve Geral".

Algo que certamente merece maior atenção do próximo corajoso interessado em fazer um filme brasileiro de ação - quem sabe uma nova aventura do agente Marcos Rocha que passe a borracha nessa primeira.


Confesso, porém, que foi uma experiência divertida entrar num cinema de shopping, entre exibições de "Homem de Ferro 2" e do péssimo remake de "A Hora do Pesadelo", para ver um filme brasileiro de ação. Me imaginei de volta aos anos 70/80, entrando numa sala de cinema de rua para ver um longa do Tony Vieira na tela grande. Quem sabe, SEGURANÇA NACIONAL seria um sucesso popular naqueles tempos de cinema de rua com preços populares. E talvez agora vire hit nos camelôs, entre as novas produções B do Steven Seagal e do Dolph Lundgren. É esperar para ver...

Triste foi abrir a Folha da sexta-feira, data de estréia nacional do longa, e ver o filme sendo destruído em meia-dúzia de linhas, enquanto na mesma edição o péssimo "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo", um dos piores filmes brasileiros que eu já vi na vida, era tratado com ares de obra-prima da cinematografia nacional.

E o que esperar de críticos-malas que ainda vivem à sombra de Glauber Rocha, aquele super-mala falecido há quase 30 anos e que condenava/odiava o sistema de produção comercial e o cinema de gênero, que combatia o cinema popular das chanchadas (talvez porque qualquer chanchada meia-boca tenha dado mais bilheteria do que toda a filmografia dele...)?

Enquanto esses críticos pedantes continuarem "no poder", obras "populares" como SEGURANÇA NACIONAL serão sempre condenadas como algo pior do que a pedofilia ("Filme de ação no Brasil? NÃO!!!!"). Ao mesmo tempo, filmezinhos cult tipo "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo" e "Os Famosos e os Duendes da Morte" ganham deslumbradas resenhas de página inteira, quando não a capa dos cadernos de cultura. Afinal, filme brasileiro, para a crítica brasileira, precisa ser tratado de sociologia ou filme de arte, e não diversão. Quanto menos voltado para as massas, melhor.

Não sei vocês, mas entre estes citados eu ainda fico com o Jack Bauer brasileiro. Mesmo com todos os seus defeitos, porque pelo menos ele me fez rir - e não sair do cinema rosnando de raiva por excesso de pretensão artística, como é comum quando vou encarar certas produções nacionais...

28 comentários:

Matheus Ferraz disse...

Eu não gostava do Lacerda até vê-lo interpretando Calígula. Mas enfim, é necessário o nosso cinema tentar novos gêneros, mas não dá pra forçar a barra para falar bem de filmes fracos só por isso. Mesmo que, com todos os defeitos, adorei Confronto Final e achei Besouro bacana.

Felipe M. Guerra disse...

Bem lembrado, MATHEUS: eu colocaria "Segurança Nacional" no mesmo patamar de "Confronto Final". São dois filmes cheios de defeitos, comprometidos por algumas falhas de produção, mas que divertem justamente pelo inusitado das suas propostas.

Afinal, Jackson Antunes como vingador à la Charles Bronson e Thiago Lacerda enfrentando traficantes colombianos e explosões nucleares não é todo dia que a gente vê!!!

Também acho que não se deve falar bem de filmes fracos só porque são brasileiros, ou porque são "diferentes", mas acho que o mínimo é ressaltar as qualidades positivas da obra, como eu tentei fazer, e não sentar o pau pura e simplesmente, como vocês podem ler nos jornais.

Matheus Trunk disse...

Prezado Felipe: seu texto é extremamente brilhante. Brilhante porque ele toca o dedo na ferida e fala o que ninguém fala: "quanto menos voltado para as massas, melhor". Pra eles quanto menos o povo for no cinema, melhor. Esse problema não é somente no cinema: é no jornalismo cultural como um todo. Isso acontece também na música, na literatura, tudo. Gostei muito das suas comparações ao Tony Vieira e ao Alex Prado, dois homens acima da média. Espero ver o Segurança Nacional por todas as qualidades (e defeitos que você falou) e também por causa da grande musa e atriz de personalidade Sônia Lima.

Matheus Trunk
www.violaosardinhaepao.blogspot.com

Felipe M. Guerra disse...

Grandes momentos do jornalismo brasileiro
(Folha de SP, 07/05/2010)

Sobre SEGURANÇA NACIONAL:
"Fantasiosa é o mínimo que se pode dizer de 'Segurança Nacional' (...). O incômodo nem é a maneira pomposa de mostrar as Forças Armadas, próxima do ufanismo da ditadura, mas a absoluta falta de medida das situações. (...) Tudo é mentirinha nesta propaganda do governo travestida em constrangedor filme que só chama a atenção pelo humor - involuntário.
Cotação: * (1 estrela)"

Sobre VIAJO PORQUE PRECISO...
"Trata-se, sim, de 'mais um filme sobre o sertão', mas também de um poema audiovisual no qual este espaço se mostra como símbolo social e subjetivo, signo territorial e afetivo. (...) São imagens carregadas de luminosidades e texturas, contrastes que reiteram a aridez dos lugares e dos sentimentos, e que, em seu movimento incessante, nos impedem o gozo inútil diante da miséria.
Cotação: **** (4 estrelas)"

Não dá vontade de vomitar?

João do caminhão disse...

Eis aí um filme que provavelmente eu não vou ver...Não por preconceito, acho mesmo que o cinema nacional tem que tentar a sorte em outros gêneros que não sejam "favela movies" ou "sertão movies".
Mas cá entre nós...bomba atômica explodindo no Brasil já é um tanto demais, e pior por duas vezes....
Talvez se não tivessem tentado fazer uma cópia de filmes made in EUA, esse Segurança Nacional se saísse melhor.

Junior disse...

Sempre achei esse Lacerda um chato... Nunca gostei de nenhum personagem que ele fez! rs

Outra coisa: Felipe, o que você acha do Mazzaropi? É só por curiosidade mesmo... hehe

Matheus Ferraz disse...

Você tinha que ver a última mostra de Tiradentes: além de "Viajo porque preciso..." ser o filme principal do festival (e do qual escapei graças a você), eu tive que aguentar algumas abominações com um curta de 16 minutos que era só uma câmera apontada para a diretora enquanto um bando de pessoas falava dela em filipino!!! Isso não é cinema, é uma maldito vídeo do Youtube que ninguém assistiria num festival. E ainda foi parar num festival! E aplaudido!!!

Resultado, passei o resto da mostra visitando os pontos turísticos da cidade. Melhor que aguentar essa programação.

Mas realmente, Felipe, se Segurança Nacional não se encaixa como o tal "filmaço de ação made in Brasil", me parece que se encaixa naqueles filmes de ação bizarros que nós, frequentadores deste nobre blog, tanto adoramos.

Felipe M. Guerra disse...

JUNIOR, eu adoro o Mazzaropi, como adorava os filmes antigos dos Trapalhões, e sinto muita falta destas comédias populares hoje. Tudo bem, temos "Se Eu Fosse Você" e todos aqueles subprodutos televisivos (A Grande Família, Os Normais...), mas faz a maior falta esse tipo de comédia burlesca de outrora, que talvez nem tivesse mais espaço no universo multiplex de hoje. Também é uma pena que o Didi tenha virado um chato que faz filmes cada vez mais infantis, enquanto os filmes dos Trapalhões de antigamente miravam num público muito mais amplo, inclusive com algumas piadas que, hoje, certamente tornam algumas das obras impróprias para menores.

Laura disse...

bom demais esse texto, Felipe! e realmente a sua abordagem dele foge ao que a grande imprensa (que não conhece quase nada de cinema brasileiro) tem dito sobre o filme. mal posso esperar pra ver! tomara que siga em cartaz até sexta!

eduardo disse...

Felipe,

Adorei o texto principalmente as citações dos filmes kbça tupiniquins, concordo tb com Glauber "Mala" Rocha, fiquei curioso e vou assistir mesmo sendo ruim dever ser bem melhor do que as produções nacionais em cartaz.

Abraços,

E.

sheila disse...

Muy bueno!! Parabéns Felipe, assino embaixo.
Abraço
Sheila Amaral

Felipe M. Guerra disse...

Cara, o pior é que ontem eu estava rolando na cama sem conseguir dormir e lembrei de uma das cenas mais toscas do filme, que esqueci de falar na resenha, então vai aqui mesmo:

O vilão passa o filme inteiro querendo matar o herói, mas quando finalmente consegue agarrá-lo, prefere deixá-lo vivo e amarrado... dentro de uma oficina e bem do lado de uma serra circular!!!!!!!

Ailton Monteiro disse...

Parece que apontar os defeitos do filme aumentou a minha vontade de vê-lo. hehehe. Claro que se tivesse a Sheila Mello pelada passeando pela tela o filme fosse mais atraente, mas nem sempre se pode ter tudo...

Fotograma Digital disse...

Mesmo que fosse pior que filme da Xuxa é NECESSÁRIO que as pessoas que tem a $, abram os olhos e percebam que podem fazer filmes nacionais fugindo do tratado de sociologia. Filme de gênero nacional chegando as grandes massas, é mais raro do que sorvete de pitanga (que existe, é bom mais bem dificil de achar).

Abraço.

alexandre disse...

Olá Felipe,
normalmente gosto muito das suas resenhas, mas tenho uma crítica a uma certa linha "denuncista" dos fãs de cinema de gênero no Brasil (entre os quais me incluo). Cinema de arte e cinema popular não são coisa incompatíveis, a Itália de pasolini, Felini e De Sica também era a Itália de Castellari, Argento e Leone. Aliás os dois tipos de cinema, popular e de arte, foram para o saco lá ao mesmo tempo.
Tu esqueces que o Glauber foi o primeiro cara a valorizar o Mojica como cineasta e vc mesmo elogiou certos aspectos de "Deus e o Diabo", que os fãs do cara sejam chatos (e ele mesmo também) por si só não é motivo de desqualificação.
Em relação ao filme, considero "Besouro" ou mesmo "Tropa de Elite" bem mais eficazes como cinema de gênero por um motivo simples: são verossímeis. Filme de ação com capoeira ou com o Bope faz sentido, agora a Abin como uma espécie de CIA nacional? Fica ridículo e isso transparece no filme.
De resto continuo admirador do blog e das suas resenhas.

Felipe M. Guerra disse...

Mas ALEXANDRE, não escrevi nada além da verdade: a desqualificação que fiz foi aos críticos de cinema brasileiros que, verdadeiros necrófilos, ainda seguem cegamente os "ensinamentos" do Glauber e atacam com ferocidade qualquer outro tipo de cinema feito no país com um teor mais comercial e menos artístico ou cult.

Creio que o Glauber tem sim sua importância na filmografia brasileira (embora já tenha confessado várias vezes que não sou fã do sujeito), mas isso não muda o fato que, sim, ele era um super-mala, seus filmes perdiam feio para as chanchadas em bilheteria, e ele também era um preconceituoso e hipócrita (porque condenava o cinema de gênero, mas seguidamente fazia citação de western, gênero tipicamente ianque, em seus filmes!).

Também acho que cinema de arte e cinema de gênero são coisas compatíveis. O problema é que, para a maioria dos realizadores brasileiros, não é. Quase todos fazem filmes para participar de festival, e não para divertir o espectador.

Enfim, não sei se me expliquei ou enrolei mais, mas é por aí...

Thomas Alex disse...

Bela crítica, Felipe, pensei que o filme fosse melhor, mas serve como diversão.
Sabe oque é mais gozado nisso tudo?
A Globo,onde a maior parte do elenco do filme trabalha, não passou uma única vez a propaganda desse filme.(Pelo menos eu não vi nada a respeito).
Aliás, nenhuma emissora de TV aberta passou a propaganda do filme.
Lembrando que em breve também lançarão Tropa de Elite 2 nos cinemas.

Felipe M. Guerra disse...

Pois é, THOMAS ALEX, é que para passar propaganda na TV precisa comprar espaço de mídia, e acredito que a produção do filme não tinha grana para isso. É como eu sempre digo: fazer filme é relativamente fácil; difícil, principalmente aqui no Brasil, é lançá-lo - e isso inclui toda a questão do marketing, trailer na TV, copiagem, distribuição, etc etc etc...

Infelizmente, vai ser difícil do SEGURANÇA NACIONAL engatar uma segunda semana em muitas salas de cinema (deve cair para umas duas ou três, no máximo). O próprio "Um Lobisomem na Amazônia", do Ivan Cardoso, ficou em cartaz apenas duas semanas, e em alguns poucos cinemas de São Paulo e Rio.

Enquanto isso, um "Chico Xavier" da vida, com toda a máquina de marketing da Globo Filmes por trás, vai bem, obrigado.

Thomas Alex disse...

O pior é que vc está certo disso.
Mudando de assunto, você sabe a data de estréia de Tropa de Elite 2nos cinemas?
E como eu sei que você é cineasta, gostaria de saber oque você faria com um orçamento desses?
Aposto que saíria uma obra de arte do Terror que ia deixar o Zé do Caixão morrendo de inveja.

Felipe M. Guerra disse...

Nada disso, meu velho, eu nem sonho trabalhar com grandes orçamentos. Prefiro fazer filmes baratinhos com histórias menos pretensiosas. Se me desse os 5 milhões do SEGURANÇA NACIONAL, eu provavelmente faria uns 50 filmes diferentes... hehehe.

Teily disse...

Felipe, poe críticas como esta que te considero "o cara". Os pseudo-críticos brasileiros só batem palma pra filme com crítica social ou filme pra se dormir assistindo. No Brasil parece ser pecado fazer cinema-pipoca. Filme policial só presta se tiver muito drama, miséria, policial corrupto e bandido "bonzinho". Vide Carandiru, onde todos ali pareciam ser gente boa e inocente e os policiais um bando de marginais da pior espécie. Parece ser heresia um filme onde o bandido é bandido e as policias e exércitos os "Good Guys". A gente precisava sim, de mais filmes como este, onde a ação e o divertimento prevalecem. Afinal, que mal tem um país ter seu próprio Jack Bauer.

Takeshi disse...

Não basta meter bronca, é preciso conhecer. Os críticos da imprensa devem ler essa sua resenha e aprender alguma coisa! Parabéns pela argumentação.

Anônimo disse...

Interessante...
Você detona o filme e depois ainda sobre espaço pra detonar quem detonou o filme.
Pelo pouco que li nos seus textos, seu lance é chilicar contra a crítica. Pura picuinha besta.
Um dos seus "argumentos" brilhantes pra detonar as críticas ao Segurança Nacional, é o fato de que existem cenas legais no decorrer desse fiasco cinematográfico. Pergunto: e daí? Meia-dúzia de cena boa não faz um filme. Você deveria saber disso. Alías, acho que você tá cansado de saber. Mas como a picuinha com os críticos fala mais alto...
Enfim, boa sorte na sua carreira de blogueiro que late mas não morde.

Felipe M. Guerra disse...

> Meia-dúzia de cena boa não faz um filme.

- É verdade, mas ainda assim é um saldo de cenas boas mais positivo que o dos filmes brasileiros atualmente queridinhos dos críticos, como "Viajo Porque Preciso..." e "Os Famosos e os Duendes da Morte". E o SEGURANÇA NACIONAL é mais divertido do que ambos, como escrevi aí em cima.


> Enfim, boa sorte na sua carreira de blogueiro que late mas não morde.

- Muito obrigado! E prefiro continuar latindo mesmo. Morder eu deixo para os cachorros, para os críticos de cinema brasileiros e para os Anônimos.

alexandre disse...

Fala pouco e falo bonito

esse cara ae deve ser mais um seguidor(cego)do glauber.tsc tsc
é bom saber que o brasil ta apostando mais nos filmes de ação que não sejam em favela,vindo do proprio força tarefa da globo,que aposto que uns anos atras nen sonhava em colocar um serido made in brasil na sua programação =D

Recurso Zero Produções disse...

Eu não estava muito entusiasmado em assistir esse filme, mas agora fiquei curioso, pois, apesar de tudo, eu gosto muito de "Confronto Final", se for tão divertido quanto, já vale a pena!!!

Parabéns pelo texto!!!

Joel Caetano

renzomora disse...

Grande Felipe:
O filme estava fora dos meus planos, mas depois da tua avaliação, fui obrigado a rever meus planos.
Puro preconceito: Esse negócio ufanista sempre me provocou repulsa, mas não tinha visto a coisa pelo teu ângulo.
Mas, nesse caso, como em diversos outros, tenho a sensação de que a tua opinião é melhor (e mais bem escrita) do que o filme que a inspirou.
Abração
Renzo

celiosg disse...

Cara, nunca fui fã de cinema brasileiro, evitava até mesmo as produções pornôs (que melhoraram bastante). O brasileiro possui muita criatividade mas é reprimido pelo tal "jornalismo cultural". Cinema também é diversão, como os antigos filmes dos trapalhões que o Felipe citou. Acho que "o cheiro do ralo" mereceria uma resenha no blog...como certeza é filme para doidos...