terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um osso muito mais duro de roer


Assisti TROPA DE ELITE 2 na primeira sessão do dia do seu lançamento nacional (8 de outubro de 2011). Saí abobado do cinema. Nem percebi a viagem de ônibus de volta para casa, de tanto que estava imerso no filme que acabara de ver.

A prova é que somente hoje, cinco dias depois, consegui finalmente escrever algumas mal-traçadas linhas sobre o novo petardo do José Padilha.

TROPA DE ELITE 2 é uma cacetada na cabeça. E provavelmente o filme mais corajoso já feito no Brasil, ou pelo menos no pós-Retomada (o que também não é muito difícil). Duvido que alguém seja macho para fazer algo mais corajoso do que isso nos próximos dez ou vinte anos. Se "Tropa de Elite" enfiava o dedo na ferida, este segundo filme enfia a mão inteira na ferida, e ainda taca sal em cima depois.

Ainda me lembro de quando começava a se falar no original, na época em que o filme começava a vazar na internet. Alguém, não vou lembrar quem, postou nos comentários do blog do Caraça que "Elite Troop" (na época do vazamento, ainda era conhecido pelo título em inglês) era obrigatório.

Baixei sem nem saber o que era e fiquei louco. "Tropa de Elite" era o filmaço brasileiro que eu esperava há anos para ver. Não aquela beatificação do papel do bandido que cineasta brasileiro (vulgo "sociólogo") adora fazer, mas um filme sem frescuras sobre os problemas pessoais e a violência do dia-a-dia dos que tentam manter a lei no Rio de Janeiro.


Pra quê? Obra, personagens e diretor foram acusados até de fascistas!

Enfim, gostei tanto do "Tropa de Elite" original que gravei vários DVDs piratas e distribuí para todos os meus amigos dizendo que eles PRECISAVAM ver aquele filme. Dito e feito: virou febre ANTES de chegar aos cinemas. Só eu vi no mínimo umas 15 vezes.

(Desculpe, José Padilha, pelo meu ato de pirataria. Mas pode estar certo de que quase todos os meus amigos que viram esse DVD que eu distribuí depois foram conferir "Tropa de Elite" na telona, pelo menos uma vez!)

Com o sucesso do original, começavam a pipocar os boatos sobre o que seria do Capitão Nascimento, personagem principal do filme, e os soldados durões do Bope. Falava-se em transformar "Tropa de Elite" em seriado de TV, com uma missão diferente por episódio, idéia que não era de todo desprezível. Falava-se até em criar uma franquia nos moldes das aventuras hollywoodianas, transformando Nascimento em herói casca-grossa à la "Stallone Cobra", outra idéia nada desprezível.


E o que faz José Padilha?

Acredite se quiser, mas TROPA DE ELITE 2 é um filme ABSOLUTAMENTE DIFERENTE do primeiro.

Quem só quer ver o Bope invadindo morro e passando fogo nos traficantes poderá até ficar decepcionado, já que esta sequência é uma história de intrigas palacianas, onde os tiroteios no morro foram trocados pelas guerras de interesses (não menos violentas) em gabinetes.

Assim, ao invés de fazer o descerebrado filme policial ou de ação que seria natural após "Tropa de Elite" e suas dezenas de frases de efeito ("Bota na conta do Papa", "Pede pra sair", "Você é um fanfarrão", e por aí vai...), Padilha preferiu entregar um filme que, como já foi escrito por aí, lembra aqueles filmes policiais introspectivos e lentos do cinema italiano, tipo "Confissões de um Comissário de Polícia", do Damiano Damini, em que um policial de boa índole vai enfrentar o "Sistema" e acaba sendo destruído por ele.

Se no primeiro filme o Capitão Nascimento e seus homens enfrentavam o tráfico de drogas no Rio de Janeiro, enquanto Padilha e o roteirista Bráulio Mantovani apontavam o dedo acusando a classe média de financiar o mesmo tráfico, agora o enfoque é diferente. A frase no cartaz de TROPA DE ELITE 2 já alerta: "O inimigo agora é outro". E mais perigoso do que o original.


Passado nos tempos atuais (e não em 1997, como o original), este segundo filme traz um envelhecido Capitão Nascimento, agora Tenente-coronel Nascimento, soberbamente interpretado por Wagner Moura.

A primeira cena do filme na verdade é quase o final. Nascimento é emboscado por um grupo de inimigos armados (não numa favela, mas no meio da cidade) e tem seu carro completamente metralhado. Com sua tradicional narração em off, ele diz "É na hora da morte que a gente entende a vida", e põe-se a contar como acabou daquele jeito.

O público fica em suspense até perto da conclusão, quando a cena é retomada: terá Nascimento realmente morrido?

A narrativa volta no tempo alguns meses, quando o Bope foi chamado para controlar uma rebelião de presos em Bangu I e acabou provocando um massacre ("Bandido bom é bandido morto", lembra?). Na imprensa, os tradicionais defensores dos direitos humanos caem matando e pedindo a cabeça de Nascimento.

(Esta cena lembra dois dramáticos fatos verídicos recentes da história brasileira: a desastrada ação do Bope no caso do sequestro do ônibus 174 e o massacre no Carandiru.)


Só que, para o horror dos defensores dos direitos humanos, o cidadão comum festeja a ação do Bope e a chacina dos marginais. Isso coloca o governador do Rio de Janeiro numa sinuca: não pode simplesmente demitir Nascimento, para não provocar a fúria da opinião pública. Solução: nosso "herói" sai do Bope, mas é "encaixado" como subsecretário de Segurança Pública.

Ali, Nascimento tem a chance de tentar lutar contra o Sistema por dentro do próprio Sistema. Transforma o Bope numa máquina de guerra, e praticamente limpa o tráfico dos morros. Mas é quando surge um novo problema: a corrupção na polícia militar carioca, que se organiza em milícias para "vender segurança" na favela.

Convém não falar muito mais sobre a história para não estragar as surpresas, como fizeram outros críticos "profissionais" por aí. Só vá ao cinema sabendo que o "novo inimigo" citado no cartaz não são os traficantes semi-analfabetos e truculentos de "Tropa de Elite", mas sim a corrupção.


E aí sobra para todo mundo: políticos, polícia militar e imprensa. Padilha, Mantovani e o Tenente-coronel Nascimento miram para todos os alvos e dão balaços certeiros em cada um deles, mas sempre deixando bem clara a impotência de um único homem "honesto" contra um Sistema podre e corrupto.

Acredite: é um osso muito mais duro de roer. E se Nascimento saía-se razoavelmente bem contra os marginais na favela, quando podia usar livremente armamento pesado e técnicas de tortura, contra políticos corruptos a solução não é assim tão "simples".

TROPA DE ELITE 2 traz de volta velhos conhecidos, como o agora capitão do Bope Matias (André Ramiro), o covarde Capitão Fábio (Milhem Cortaz), dessa vez promovido a coronel, e o Major Rocha (Sandro Rocha), que no original tinha apenas uma ceninha (onde dizia o bordão "Pra rir, tem que fazer rir", citado aqui outra vez em cena impagável), e agora foi alçado ao papel de terrível vilão.



A ex-mulher de Nascimento, Rosane (Maria Ribeiro), também volta, e agora há um drama secundário com a figura do filho adolescente do casal, que não concorda com o "trabalho" do pai.

E surgem novos e ótimos personagens, como o ativista dos direitos humanos Diogo Fraga (Irandhir Santos) e o apresentador sensacionalista de televisão Fortunato (André Mattos), que manipula as massas e defende que não se investigue nada "em ano de eleição". Eles estão entre as melhores coisas deste segundo filme.

Pela cena inicial, eu temia que o papel de Irandhir fosse se transformar naquele típico mala que fica o filme todo incomodando o protagonista. Mas o "Che Guevara" (como Nascimento apelidou Fraga) mostra-se um personagem muito mais rico e interessante, principalmente da metade para o final.


Já Fortunato, que grita, dança e esbraveja em seu programa de TV "Mira Geral", lembra um cruzamento de Wagner Montes com Datena.

Quando digo que TROPA DE ELITE 2 é um filme corajoso, não é exagero meu. Padilha e sua trupe jogam na tela, sem rodeios ou maquiagem, que a culpa pela violência urbana é dos políticos, e que a violência no morro é apenas a ponta de um iceberg que envolve os palácios dos governos e a própria Brasília.

Se no original víamos o traficante Baiano executando friamente dois adolescentes no "microondas", como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, agora Padilha nos mostra políticos participando de banquetes ou relaxando na sauna enquanto seus "aliados" matam personagens principais da trama sem dó nem piedade (prepare-se para ficar puto ao sair do cinema).


Por sinal, é esse belo jogo de contrastes que torna TROPA DE ELITE 2 tão rico, e muito superior ao primeiro filme - que já era um filmaço, é bom que se ressalte.

Se em "Tropa de Elite" o povo vibrava ao ver o Capitão Nascimento torturando e espancando marginais no morro, aqui a cena aplaudida com mais entusiasmo é aquela em que o Tenente-coronel Nascimento faz a mesma coisa com um político corrupto. O cinema vem abaixo: é como se fosse uma vingança contra a corrupção que já virou praticamente um sinônimo da política brasileira.

Outro momento marcante é a primeira vez em que vemos Nascimento voltando para a sua casa após um dia de "trabalho". Pois a câmera está posicionada da mesma forma no mesmo cenário da casa do personagem em "Tropa de Elite", e ele novamente vai para a cozinha servir-se de um copo de água gelada, como fazia no original, comprovando que absolutamente nada mudou para o protagonista de 1997 para cá.

Finalmente, a cena em que o Capitão Matias, agora no comando do Bope, espanca um traficante e depois tortura, com a ajuda do tradicional saco plástico, ilustra a transformação do policial idealista visto no primeiro filme no seu mentor Nascimento, que fazia exatamente a mesma coisa em "Tropa de Elite". Neste cena, Matias não assume apenas o manto de Nascimento, ele SE TRANSFORMA em Nascimento.


(E é no mínimo triste ver como o Capitão Nascimento fodão de "Tropa de Elite", aquele que atirava antes e perguntava depois, agora dá espaço a um Tenente-coronel Nascimento preso a burocracias e entraves políticos, sem a menor possibilidade de ganhar a briga "do seu jeito". Isso fica muito claro na cena em que todo o seu argumento contrário a uma missão é desconsiderado com um simples telefonema para uma "autoridade")

Mesmo que boa parte do filme se passe em gabinetes e escritórios, TROPA DE ELITE 2 consegue criar aquele suspense tenso que faz o espectador roer as unhas. Desta vez os protagonistas não estão marchando pelas ruas e becos dos morros na mira de traficantes, mas ironicamente lidam com inimigos tão perigosos quanto - e que também atiram pelas costas.

Não dá pra deixar de citar o personagem de Milhem Cortaz, novamente roubando a cena sempre que aparece, agora com um bigodinho e jeitão cafajeste que lembram o saudoso Jece Valadão. Seu Coronel Fábio tem algumas das melhores falas do filme, incluindo a já clássica "Se quer me foder, me beija".

Talvez o único ponto fraco do filme seja Rafael, o filho adolescente de Nascimento. A impressão que fica era que o personagem deveria ter um espaço maior no filme, mas talvez suas cenas tenham sido limadas pela inexpressividade do ator-mirim Pedro Van-Held. Todas as cenas com o garoto ficam aquém do seu potencial, mesmo a singela "conversa" entre pai e filho num ringue de artes marciais.


Todo o resto é irrepreensível, ainda mais para quem jurava que o raio não poderia cair duas vezes no mesmo lugar e dificilmente Padilha, Wagner Moura e cia. fariam algo tão legal quanto o primeiro "Tropa de Elite".

Com direito a uma série de divertidas citações feitas pelo roteirista Mantovani, pescando frases não apenas do original ("Você é um moleque!", "Pra rir, tem que fazer rir"), mas de outros trabalhos que ele escreveu (tem uma fala que remete ao diálogo "Quem disse que a boca é tua?", de "Cidade de Deus").

Como escrevi no começo, eu saí da sala de cinema literalmente abobado, entre os aplausos do público que lotara a sessão. Mas também saí preocupado com um possível fracasso comercial do filme, justamente por tocar num tema mais espinhoso, sem os tiros, espancamentos e bem-humoradas frases de efeito do original.



Pelo jeito, não é o que vai acontecer: os números de bilheteria estão nas alturas, crítica e público estão amando a obra com igual intensidade, e TROPA DE ELITE 2 tem tudo, mas tudo mesmo, para ser o melhor filme do ano.

De minha parte, espero revê-lo em breve, outra vez no cinema, e (tomara!) outra vez num cinema lotado, para vibrar com a sala toda na cena do espancamento do político corrupto.

Quem sabe o povão não começa a abrir os olhos com filmes como esse, principalmente depois da arrepiante cena em que uma câmera aérea passeia por Brasília enquanto a voz em off de Nascimento explica, sem rodeios, quem é o verdadeiro inimigo.

Que, como eu já escrevi, é um osso muito mais duro de roer.

22 comentários:

Paulo disse...

Rapaz, estou arrepiado so de ler tua sintese... e louco pra ver logo o filme!

Luiz Fernando Riesemberg disse...

Bravo, Felipe! E eu não tinha me tocado daquela fala que remetia à de Cidade de Deus.

Vou pedir um espaço para divulgar um sorteio que estou fazendo de uma miniatura do veículo Caveirão do BOPE. Basta seguir meu blog e mandar um e-mail. Sorteio no final do mês: http://grafiasnoturnas.blogspot.com/2010/10/sorteio-caveirao-do-bope.html

Andarilho disse...

Assisti esse filme também na estréia e vou te dizer que saí igualmente embasbacado. Eu já esperava algo grandioso vindo do corajodo diretor José Padilha, mas não sabia que ele ia tão longe, dando nome aos bois e apontando o dedo na cara dos poíticos imundos do Brasil e dizendo com todas a letras: "A maioria de vocês devia estar na cadeia" e assumo que também vibrei ao ver o espancamento do político corrupto. Pretendo ir ao cinema de novo pois ver isso no cinema vai ser dificil novamente. Como vc disse, Guerra, duvido que daqui 20 anos saia um filme mais corajoso. Abraços, Andarilho.

Vagno Fernandes disse...

Guerra, lamento não poder compartilhar da mesma opinião que você sobre o filme TROPA DE ELITE 2, (calma, é que não vi o filme ainda, hehe). Espero assistir em breve.

Agora quanto ao lance da pirataria no primeiro, lembro que o pessoal que tinha comprado o filme nas banquinhas começou a procurar o diretor para saber como pagar pelo filme pois se sentiam com a "consciência pesada" por terem visto uma obra tão boa sem pagar o preço justo.

Aí o diretor com o seu pessoal acho que criaram uma conta pra ser depositado o dinheiro pra usarem em causas sociais ou coisas do tipo.

Muito boa iniciativa aliás (do diretor e das pessoas).

Thomas Alex disse...

O que ue mais gostei desse filme é que ele não é de esquerda e nem de direita, e sim, de centro.Eu não falo bem nem de filme direitista nem de filme esquerdista.
Em tropa 2 bandido não é bonzinho, logo COMO o filme pode ser de esquerda? Há um personagem de esquerda no filme mas o Capitão Nascimento NÃO SIMPATIZA COM ELE, se vê no meio do sujo da esqeuarda que defende bandidagem e da direita acéfala.
E outra:Colocaram o filme depois das eleições de propósito, sabem porque?
Pra quem já viu o filme, agora nós podemos tirar as nossas proprias conclusões sobre esta decisão. Com certeza iria dar muita merda para o Sergio Cabral (quem viu o filme vai entender porque) e para os politicos corruptos... Pena que eles adiaram, muitas mascaras íriam cair de vez para a sociedade., principalmente no PT e suas alianças.

Do ambito mais conservador, foi uma decisão correta para não gerar problemas pra eles, mas para o resultado das eleições, foi lastimavel. Isto faria as pessoas refletirem mais na hora do voto e não votariam em Garotinho, Tiririca, Mulher Pera, Romário, Lindberg, Collor, Wagner Montes e outras varias figuras já conhecidas.

Só para vocês terem uma idéia, a Mulher Pera queria legalizar a entrada de maiores de 16 anos nos motéis (Ou melhor, na zona). O Tiririca vai fazer o que no plenário, se ele mal sabe ler e escrever? Lindberg fudeu com Nova Iguaçu e foi o senador mais votado do RJ. Esqueceram de avisar pro Romário que na camara dos deputados não tem bola de futebol.
Enfim, se continuar assim, nós estamos entregues a própria sorte!

Gélikom disse...

Filme fodasso! E como é bacana ver filas quilométricas pra ver um filme nacional e de qualidade, não digo em termos de produção(que é nota mil também) e sim em termos de conteúdo.

Leonardo disse...

Concordo em gênero, número e grau, Felipe. Um filme muito, mas muito superior ao primeiro. Um filme mais inteligente, mais imersivo, mais bem feito, enfim, em tudo supera o primeiro. Capitão Nascimento, simplesmente um personagem dos mais espetaculares, evolui de uma forma incrível. A realidade é mostrada de forma mais complexa, sem aquele mata-mata do primeiro. E o mais foda é: o filme consegue passar um clima mais violento e pesado do que o primeiro sem mostrar metade da violência explícita do primeiro! Dá para entender o porquê de o primeiro filme ser taxado de fascista (seus personagens realmente o são em determinados momentos), mas isso de nada tira o mérito da obra. Saí do cinema satisfeitíssimo como poucas vezes, sensacional. E é porque eu entrei de perna esquerda, não esperava absolutamente nada.. Abraços.

Bernardo disse...

pqp, como o Capitão Nascimento é um personagem simplesmente fenomenal! Padilha constrói o personagem e o filme de forma incrível, levando muito além das obviedades e das frases de efeito e construindo uma história complexa, inteligente e bem amarrada.

gostei muito mais desse filme por ter bem mais "história" que o primeiro, que para mim pecava por ser meio episódico demais. essa é uma saga completa, em crescendo constante, com bem mais consistência.

se tiver o Tropa de Elite 3, pode apostar que será a grande trilogia policial brasileira - assim como Godfather é dos EUA.

e podescrer que ainda tem pano pra manga!

o André Mattos está genial. mesmo sendo uma paródia, não chega a ser muito diferente da triste realidade. e minha cidade mergulha cada vez mais no caos com essa verdadeira máfia...

ainda bem que tem cineastas competentes e corajosos feito o Padilha para fazer o povo refletir em grande escala. e que venha mais um Urso de Berlim!

mais um belo texto, Guerra. analisou muito bem cada aspecto do filme, mesmo ele não sendo "para doidos", hehe.

um abraço!

Matheus Ferraz disse...

Assisti ontem e foi a sessão de cinema mais infernal da minha vida. Não por causa do filme, que é genial, mas por causa de pais irresponsáveis que deixam crianças de 7 a 8 anos entrar no cinema para ver um filme classificação 16. Tinha três fedelhos do meu lado que não calaram a porra da boca durante o filme todo,e eu acabei perdendo momentos importantes. E imaginar que foi o mesmo Cinemark que não me deixou assistir Encarnação do Demônio porque faltavam duas semanas para eu compltar 18 anos.

Vou ter que esperar o DVD...

pseudo-autor disse...

Seu texto é tão fantástico quanto o filme! Padilha entre definitivamente pro rol de cineastas brasileiros que ainda fazem com que a produção nacional seja vista com bons olhos! E, definitivamente, o Wagner Moura está no papel da vida dele.

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Felipe M. Guerra disse...

Reassisti TROPA DE ELITE 2 no cinema hoje, dia 14 de outubro de 2011. Fiquei 25 minutos na quilométrica fila para comprar ingresso - e olha que o filme está passando em QUATRO SALAS em horários diferentes!

Nessa sessão percebi que na minha frente tinha um pessoal esperando algo mais "tiroteio e porrada" no nível do primeiro, mas nem eles se decepcionaram com o filme, pelo contrário.

Créditos finais subindo, novamente a maior parte da sala aplaudiu o filme.

Peguei dois diálogos interessantes.

O casal ao meu lado saiu com a mulher resmungando: "Esse país é uma merda mesmo!".

Já o pessoal da minha frente, aqueles que queriam tiro e porrada, e aparentavam ser de classe média baixa, tiveram o seguinte diálogo:

- Queria que o Nascimento tivesse matado o governador no final.
- Ah não, aí ia ser coisa de filme americano!!!

Artur disse...

um ótimo filme, não achei nem melhor nem pior que o primeiro, não esperva tanto tiroteio quanto o primeiro, mas também achei o cap/cel. Nascimento muito controladinho, também não gostei da partiçipação "relâmpago" do Seu Jorge mas gostei dessa mistura de filme poilicial com filme de máfia e filme politíco, e também o tradicional recurso dos filmes policiais para desbaratar um esquema: os grampos e escutas, também gostei da sátira aos apresentadores do MIra Geral (que inclusive me lembrou o apresentador Raimundo Varella daqui de Salvador) eefim um ótimo filme.

Felipe M. Guerra disse...

ARTUR, eu adorei que o Seu Jorge apareceu pouco, porque me dá nos nervos esse cacoete de cineasta brasileiro de colocar Seu Jorge (que é "cult") pra fazer "negro malvado" e Lázaro Ramos (que é "engraçadinho") pra fazer "negro bonzinho/malandro". Parece que não existem outros atores negros no Brasil, via-de-regra aparecem esses dois, e sempre fazendo os mesmos papéis.

Rodrigo Seixas disse...

Grande Felipe! Excelente resenha como sempre!! Fiz um post no meu blog sobre o Filmes para Doidos, tô fazendo campanha pra esse espaço ser mais conhecido!! Parabens!!

http://olharcabuloso.blogspot.com/2010/10/mais-uma-etapa-pre-making-of-e-novos.html

spektro72 disse...

nao assisti ainda TROPA DE ELITE 2 mas deve ser um filmaço nao igual ao primeiro mas serve de alerta para ver nos politicos que a gente vota O DIRETOR PADILHA vai fazer o filme " NUNCA NA HISTORIA DESTE PAIS" Sobre um certo politico dos trabalhadores, fanfarao que digamos " NAO SABIA DE NADA " sobre o mensalao etc.. numa tal "REPUBLICA DAS BANANAS ",o povo é engracado sai do cinema falando " que merda de pais " ué ! quem e que coloca os politicos la no planalto.. nao é o proprio povo .. infelizmente povo daqui merece os politicos que tem em brasilia, ver so as figurinhas que ganharam as eleicoes ... renan calheiros,mentor,vacarezza,paulo cunha,TIRIRICA É DEMAIS " NAO EXISTE VOTO DE PROTESTO " ANULEM " .. etc,etc.
Quando povo daqui acordar e votar direito nao e politicos artista, ex-operarios sindicais ou politicos carimbados e demagogos em escandalos ,ai sim podemos nos orgulhar e dizer " ADORO ESTE PAIS TENHO ORGULHO DE SER BRASILEIRO " mas enquanto continuar assim ou ate mesmo piorar caso ganhem um partido da estrela vermeha , dai sim as coisas so piorem.. pois nao vejo futuro e dai podemos sair de sala de cimenas ou ate vendo televisao e pensarmos ou ate falamos " QUE MERDA DE PAIS ".. PARABENS DIRETOR PADILHA POR SER CORAJOSO !

Lis disse...

Penso em ver o filme, ainda não vi o primeiro, pura falta de oportunidade.

Mas lendo a crítica me surge um ponto de desacordo com o "sistema". Esta manjada histórica e cultural tentativa do brasileiro sempre empurrar culpa para político é a mais imatura das conversas fiadas.
Claro que cada um tem lá seus direitos de apontar o dedo torto para o que achar melhor. Mas fossem os políticos os culpados das mazelas era fácil, bastava-nos trocá-los, o que com eleições de quatro em quatro anos não seria algo terrivelmente difícil.
A estrutura de todas estas mazelas sociais, é o povo brasileiro. Os políticos brasileiros e todo este sistema de corrupção são só um reflexo do povo brasileiro, nada mais.
Um povo corrupto por natureza no seu eterno "jeitinho".

Ailton Monteiro disse...

Vi o filme pela segunda vez no domingo, Felipe. Lotadíssimo. Cheguei às 2 da tarde e só consegui comprar para a sessão das 7! Maravilha ver o quanto o filme está fazendo sucesso e mexendo com nossas emoções. Parabéns pela análise!

Luciano Milhouse disse...

Pô, Felipe, agora só tá faltando vc fazer uma resenha do primo pobre do Tropa de Elite, o "ROTA COMANDO", rsrsrsrsrs!!

Vc já assistiu? O que achou?
abraço!

Arthur disse...

Adorei o artigo, concordo com sua excitação quanto ao filme, demais mesmo!

Eu assisti duas vezes, sendo que na segunda foi a sessão Encontros O Globo... muito foda, depois houve um debate com o próprio Padilha, Wagner Moura, Marcelo Freixo, Ignácio Cano (sociólogo da Uerj) e Luiz Eduardo Soares (sociólogo e roteirista)!!! Foi orgasmático.

Perdi até o aniversário da minha mãe pra conseguir um lugar na sessão. Também saí, como na primeira vez que o assisti, revoltado com a situação social e política carioca e brasileira, mas ao menos com uma maior compreensão das origens de das possíveis soluções de nossos problemas. Fica a dica, se alguém quiser procurar na internerd, vale muito a pena buscar as opiniões desses figurões do cinema, da política e da sociologia.

Gatts disse...

Caralhooo Guerra.....genial critica tb...resumiu minha cara qdo acabou o filme...nao é um soco na nossa cara...e um espancamento do diretor em todos nós.
E ate redundante falar sobre a atuação de Moura, so me resta aplaudir.

Vagno Fernandes disse...

Fla Guerra, finalmente assisti TROPA DE ELITE 2 (sim, sou da turma que torce o nariz pra filme brasileiro), e nem vou me estender muito, dou dez caveiras sem medo de ser feliz.

Aliás, vi um filme esses dias chamado QeA - SEM LEI, SEM JUSTIÇA, com o Nick Nolte, dirigido por Sydnei Lumet ( Sérpico, Um dia de Cão). Tem uma temática bem semelhante. Não tem muita ação, mas as falas dos personagens, principalmente as do Nick Nolte são sensacionais.

Ainda não vi se já foi falado aqui no Blog, se não, recomendo com todas as forças.

Juan disse...

Eu adorei o primeiro filme, mas como fiquei sabendo das "mudanças" neste segundo eu perdi completamento o tesão de assistir.
Nem lendo sua crítica elogiando o filme me empolga em assistir... aliás... eu diria até pelo contrário pois estava pensando em deixar para ver daqui um ano quando saisse em dvd, mas pelo jeito não vou querer ve-lo mais.