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sábado, 22 de janeiro de 2011

O JOGADOR (2008)


Quando a carreira de um ex-astro de filmes de ação está quase morta e enterrada, o pobre coitado tem dois caminhos a seguir: ou cai no inferno dos filmes "direct-to-DVD", com pouca e às vezes nenhuma visibilidade, ou tenta reinventar sua imagem e voltar às luzes da ribalta, mesmo que às vezes apenas pela curiosidade mórbida.

Não faltam exemplos bem-sucedidos recentes dessa segunda alternativa. Sylvester Stallone, por exemplo, chegou a cair no inferno dos filmes direto para locadora ("Missão Perigosa", de 2002) e até fez um patético vilão em "Pequenos Espiões 3D" antes de reciclar-se com os excelente "Rocky Balboa" e "Rambo 4",

O belga Jean-Claude Van Damme também estava destinado a penar em produções bagaceiras quando estrelou um excelente filme policial, ainda pouco conhecido, chamado "Até a Morte", em que interpretava um anti-herói em busca de redenção. Acabou reencontrando seu público e passou a estrelar alguns filmes melhorzinhos, como o interessante "JCVD" e o divertido "Soldado Universal 3".


Chegamos então a Steven Seagal e O JOGADOR. O ex-astro caiu no inferno do "direct-to-DVD” em 2002, depois de "No Corredor da Morte" (seu último filme a ganhar lançamento nos cinemas). Mesmo seus fãs mais fanáticos pararam de acompanhar sua filmografia, tal o baixo nível da maioria dos filmes.

Para piorar, o próprio ator descuidou-se e engordou demais, tornando-se uma figura patética que não convence mais nem lutando, sendo geralmente substituído por dublês. E como ele nunca conseguiu realmente INTERPRETAR, o que sobra quando o sujeito não convence lutando? Quem quer ver Steven Seagal "interpretar"? Pois é...


Ao contrário de Stallone e Van Damme, entretanto, Seagal parece nunca ter se importado com sua visível decadência. Mesmo gordo, mesmo estrelando produções cada vez mais bagaceiras, ele continua firme e trabalhando, fazendo de quatro a cinco produções por ano, todos elas desovadas direto na prateleira das locadoras.

Mas O JOGADOR, que ele produziu e estrelou em 2008, parece ser uma primeira (e mal-sucedida) tentativa do ex-astro reinventar sua imagem, como antes fizeram Van Damme e Stallone. Pode-se até dizer que o filme é o "Até a Morte" de Steven Seagal, que aqui aparece, talvez pela primeira vez, como um personagem cheio de defeitos, vícios e questionamentos morais - um autêntico anti-herói, em resumo.


Infelizmente, Seagal não é Van Damme. Sua notória incapacidade de mudar de expressão facial não ajuda nada quando você estrela um filme que inclui vários lances dramáticos, interpretando um personagem alcoólatra em busca de redenção. Não é exagero dizer que O JOGADOR poderia ter sido um filmaço com outro ator no lugar do barrigudo Seagal.

Ele "interpreta" Matt Conlin, um policial afastado do departamento por suspeita de ter roubado uma bolada em dinheiro do tráfico. Como Van Damme em "Até a Morte", Matt se transforma numa caricatura de herói: viciado em jogo, perde toda sua grana nas mesas de pôquer e depois enche a cara e dorme com prostitutas em pensões baratas.


Porém, ao contrário de Van Damme naquele filme, Seagal não teve coragem de mostrar com detalhes a decadência do seu personagem. Sim, vemos Matt jogando pôquer e perdendo; sim, vemos Matt segurando copos de uísque na mão (e cheirando e fazendo cara feia), mas nunca vemos o RESTO da viagem do "herói" ao inferno, algo que é somente comentado por outros personagens ao longo do filme.

Enfim, abandonado pela esposa e pela filha, Matt acumula uma dívida imensa no pôquer e provavelmente vai acordar algum dia com a boca cheia de formiga. Mas subitamente aparece uma organização secreta, liderada por um misterioso sujeito conhecido apenas como Old Man (Lance Henriksen!!!!), e paga todas as suas promissórias. Com uma condição: Matt deve fazer uns "servicinhos" para eles.


Serviços de execução, no caso. Como pistoleiro contratado pela organização, o "herói" recebe fotos de alvos que deve apagar, supostamente bandidões que escaparam da justiça e devem receber o merecido castigo. Ele cumpre algumas das missões, mas começa a se questionar: estará fazendo a coisa certa? Principalmente quando descobre que um dos alvos exterminados tinha uma filha da mesma idade que a dele.

Mas a coisa complica de vez quando Matt recebe a missão de matar seu melhor amigo, um policial recém-promovido que, para piorar, é o atual marido da ex-mulher do protagonista - e padrasto da sua filha. A organização secreta argumenta que o tira é corrupto e deve morrer, mas Matt aposta sua vida na integridade do sujeito. Inicia-se o dilema.


Se O JOGADOR tem um ponto positivo, este é a reviravolta no terceiro ato do filme. Tudo se encaminha para um nojento clichê (Matt recusando-se a matar o melhor amigo e combatendo a própria organização que o contratou), até que o filme tem coragem de revelar que o tal melhor amigo é, sim, um policial corrupto e bandidão, e não o cara inocente que Matt imaginava!

Porém, tirando esse contra-clichê, há bem pouco de interessante, ou de novo, para se ver em O JOGADOR. Se essa era uma tentativa de dar um novo rumo à carreira de Seagal, com um personagem um pouco mais complicado e cheio de conflitos, o resultado é medíocre e decepcionante.

E olha que ele fez quase tudo certo: descartou aqueles diretores de segunda com quem vinha trabalhando e chamou o holandês Roel Reiné para comandar a câmera. A direção de Reiné (do divertido "A Encomenda") dá uma certa sofisticação ao filme e à história batida, mas esbarra nas limitações da produção e do ex-astro.


Afinal, qual é a lógica de você encher um filme de ação com cenas "dramáticas", que mostram seu protagonista dividido e martirizado, se o astro da bagaça não tem a menor condição de "atuar" e demonstrar seus problemas? E quem engole que um brutamontes que quebra braços e explode cabeças a tiros tenha inspiração religiosa, vivendo na igreja em conversas filosóficas com um padre?

Toda e qualquer cena em que Seagal tenta mostrar que está "amargurado" tem resultado patético, quando não engraçado. Ao perder uma bolada no pôquer, por exemplo, tudo que ele faz é colocar a mãozinha na testa, mas mantém a mesma expressão facial de sempre!

O mesmo vale para todos os momentos em que ele supostamente precisava demonstrar seu alcoolismo - nunca vemos o ator bebendo, apenas segurando copos de uísque nas mãos e fazendo caretas.


Esse talvez seja o grande pecado de O JOGADOR: parece até que Seagal recusou-se a abandonar totalmente a sua tradicional imagem de "fodão", preferindo não apresentar literalmente os defeitos do seu personagem (ao contrário do que fez Van Damme).

Uma pena, pois interpretar (ou tentar, pelo menos) um personagem cheio de defeitos e pontos fracos, e não o FDP invencível e seguro de si que ele faz sempre, seria um belo diferencial na sua filmografia.

Já as cenas de ação são razoáveis, bem filmadas e sem muitas firulas, apenas em menor número do que se espera num filme de ação com Steven Seagal. Ele atira mais do que bate (e, quando chuta, mal consegue levantar a perna, de tão fora de forma), mas protagoniza algumas cenas interessantes por mostrar-se mais implacável que a média dos heróis "politicamente corretos" de hoje (executa a sangue-frio um alvo desarmado, por exemplo).


O tiroteio final é num cemitério, com música clássica e uma infinidade de cenas em câmera lenta que parecem cópia do que John Woo fazia 20 anos atrás (em outras palavras, estão mais datadas que disquete de computador).

Num plano bem legal, Seagal está se protegendo atrás de uma lápide quando um tiro arranca um pedaço do bloco de pedra; ainda no ar, o estilhaço é atingido por outro tiro e rodopia em câmera lenta!


Se a parte dramática não funciona, as cenas de ação são poucas e rotineiras e Steven Seagal não convence, o que sobra em O JOGADOR para merecer uma resenha tão longa aqui no FILMES PARA DOIDOS?

Nesse caso, o fator trash. O tal de J.D. Zeik, que escreveu o roteiro, estava inspiradíssimo e colocou na boca dos personagens diálogos totalmente sem-noção, que, para piorar (ou melhorar) são falados a sério.

A cena campeã nesse quesito é aquela em que o herói Matt se aproxima de um vilão moribundo e pergunta: "Você quer ser enterrado ou cremado?". Como últimas palavras, o sujeito murmura: "Enterrado". Sem nem esperar o cara morrer direito, Matt atira seu corpo para dentro de um carro e explode o veículo a tiros. Olhando para as chamas, grita: "Você foi cremado, seu filho da puta!".


Por essas e por outras, O JOGADOR até mantém a atenção. Embora seja um dos filmes melhorzinhos que Steven Seagal fez de dez anos para cá, ainda assim é fraco e cheio de defeitos, principalmente os "tempos-mortos dramáticos" arruinados pela incapacidade do ex-astro de atuar.

Ah, e não se espante com o nome de Lance Henriksen nos créditos, pois ele faz uma participação meramente decorativa e não aparece em cena nem cinco minutos. Outro que aparece no esquema "piscou, perdeu" é o astro de quinta categoria Matt Salinger, que no passado foi o Capitão América naquele filme sofrível do Albert Pyun (e aqui interpreta a banca no jogo de pôquer do início).


Talvez eu possa recomendar O JOGADOR como um filme para você ver com seu pai fã do Domingo Maior. Ele é até capaz de ficar entretido com os (poucos) tiroteios e pancadarias, afinal já viu coisa bem pior, enquanto você vai no mínimo dar umas boas gargalhadas com a "atuação" de Seagal e com os diálogos bisonhos de J.D. Zeik.

E se O JOGADOR não funcionou como tentativa de reinventar a imagem de Seagal, e quem sabe resgatar sua carreira do fundo do poço, depois dele o "ator" começou a atirar para todos os lados: fez piada com a própria imagem num trailer falso da comédia "The Onion Movie", lutou contra vampiros em "Escuridão Mortal", fez um ex-mafioso russo (!!!) em "Conduzido para Matar" (espécie de "Senhores do Crime" da Cannon Films, e um belo filme, quem diria...) e uma marcante e hilária participação como vilão em "Machete", de Robert Rodriguez.


É esperar para ver o que todas essas doideiras vão trazer ao ator: um pouquinho de glória ou o fim definitivo do que restou da sua "carreira"? De todo jeito, se continuar assim, Seagal tem papel certo num futuro remake de "Free Willy"...

Mas bem que os roteiristas dos novos filmes do "ator" poderiam explorar melhor a questão da idade e da gordura de Seagal, escrevendo-lhe personagens mais complexos, com limitações e defeitos (como Stallone em "Rocky Balboa", por exemplo), talvez até dificuldades para lutar.

Afinal, não dá mais para engolir uma baleia assassina matando suas vítimas fora da água.

Trailer de O JOGADOR


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O Jogador (Pistol Whipped, 2008, EUA)
Direção: Roel Reiné
Elenco: Steven Seagal, Bernie McInerney, Antoni
Corone, Paul Calderon, Lance Henriksen, Renee
Goldsberry e Mark Elliot Wilson.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

JUSTIÇA URBANA (2007)


Há um bom motivo para ir atrás de JUSTIÇA URBANA, um dos filmes mais passáveis da filmografia recente de Steven Seagal: com algumas pequenas mudanças aqui e ali, esta produção é uma refilmagem disfarçada - e bem mais comedida, claro - de "Desejo de Matar 3", apenas trocando um velho e acabado Charles Bronson por um gordo e acabado Steven Seagal. O resto é tudo igual. Irresistível, não?

Só para constar nos autos, essa é a terceira e última resenha resgatada do meu aposentado Multiply, e publicada originalmente em outubro de 2008. Outra vez, mudei e adaptei quase tudo aqui para a nossa MARATONA STEVEN SEAGAL.


Bom, quem está acompanhando a Maratona deve ter percebido que já virou clichê dizer que o ex-astro Seagal afundou sua carreira, que está gordo que nem um porco, que interpreta sempre o mesmo personagem, bla bla bla. Portanto, vou poupá-los desta lenga-lenga - até porque acho que já usei todas as piadinhas sobre a gordura do Seagal.

Vamos direto ao assunto, que é o que vale: o Steven Seagal de JUSTIÇA URBANA é o mesmo Steven Seagal filha-da-puta e furioso de clássicos dos anos 80-90, como "Fúria Mortal" e "Marcado para a Morte".

Aquele Seagal desgraçado que dá porrada em quem vem pela frente ao invés de fazer discursos medíocres sobre ecologia e paz mundial; aquele Seagal que quebra braços e narizes como se esta fosse a sua forma normal de dialogar; aquele Seagal que não precisa de dublês nas lutas e nem de cenas retiradas de outros filmes e encaixadas na edição; enfim, aquele Seagal que mata a sangue-frio e acha que "bandido bom é bandido morto".


Talvez o ex-astro estivesse se recuperando da sua traumática colaboração com a Millenium Films, que rendeu-lhe alguns dos piores filmes de sua carreira ("Determinado a Matar", "Hoje Você Morre" e "Mercenário").

Após o fim do contrato com aquela produtora (em "Mercenário"), ele pulou de cabeça em três produções baratíssimas rodadas em Bucareste, na Romênia (!!!): respectivamente "O Homem Sombra", "Força de Ataque" e "O Vôo da Fúria" (todas filmadas em 2006).

Voltando para os Estados Unidos, reencontrou-se com o diretor Don E. FauntLeRoy, responsável por alguns de seus piores filmes ("Hoje Você Morre" e "Mercenário"), e aparentemente lhe deu outra chance ao invés de quebrar seu braço em "agradecimento". A surpresa é que dessa vez o trabalho dos dois funciona, talvez por estarem longe do pessoal da Millenium Films!


JUSTIÇA URBANA é uma produção barata e nada hollywoodiana; logo, passa longe daqueles roteiros "socialmente engajados". E ao contrário de outros filmes que Seagal fez no período, este não é repleto de escaramuças, traições e reviravoltas, como se o roteiro tivesse sido escrito por John LeCarré.

Trata-se, isso sim, da simples e boa trama de vingança, e amém. Ainda quer continuar? Então vamos adiante.

Nossa história começa com um daqueles policiais honestos e incorruptíveis típicos do cinema de ação norte-americano. Ele se chama Max Ballister (Cory Hart), e acaba futricando onde não deve quando, num dia de tocaia, flagra colegas corruptos negociando com traficantes de drogas.


Sem pensar duas vezes, Max fotografa os policiais sujos, mas, antes que possa entregar as fotos à corregedoria, é convocado para uma missão noturna num bairro barra-pesada e baleado à traição, morrendo bem no meio da rua. Queima de arquivo, lógico.

Ficaria por isso mesmo, se fosse no Brasil (como vimos em "Tropa de Elite 2"). Mas, para o azar dos tiras corruptos, o finado Max era filho de um ex-soldado das forças especiais, Simon Ballister (Seagal, obviamente). No funeral do filho, Simon promete à sua ex-esposa que vai encontrar o assassino de Max e dar um jeitinho nele. Olho por olho, dente por dente.


A primeira parada de Simon é a delegacia onde o finado trabalhava. Ali, nosso herói encontra o responsável pela investigação, o detetive Frank Shaw (Kirk B.R. Woller, que trabalhou com Spielberg em "A.I" e "Minority Report"). Para Shaw, Max foi morto por uma bala perdida numa guerra de gangues, já que o bairro onde aconteceu a tragédia é dominado por duas violentas quadrilhas de traficantes de drogas.

Ainda sem suspeitar que há sujeira na jogada, Simon decide que a única forma de encontrar o culpado é fazer como Charles Bronson em "Desejo de Matar 3": mudar-se para o bairro violento onde o filho morreu, ficar morando lá por uns dias e enfrentar a bandidagem na cara-dura até encontrar os responsáveis.

Das duas quadrilhas que lutam pelo domínio do bairro, uma é formada por latinos e chefiada por El Chivo (Danny Trejo!!!); a outra é formada por negros e liderada por Armand Tucker (o comediante Eddie Griffin), que é apaixonado por "Scarface" e passa o tempo todo citando frases e cenas do filme de Brian DePalma, numa piada já fraquinha que logo perde a graça.


Simon muda-se para um pulgueiro administrado pela bonitinha Alice Park (Carmen Serano; e como são bonitas as mulheres latinas!). Logo na chegada, é obrigado a quebrar os ossos do "comitê de boas-vindas" enviado por uma das gangues.

Aos poucos, ele vai comprando briga com os dois grupos, surrando seus integrantes até começar uma guerra particular. Quando o próprio El Chivo garante não ter nada a ver com a bronca, Simon intensifica a pressão sobre a quadrilha de Tucker, e descobre que os negros estão associados ao tal grupo de policiais corruptos, chefiado por ninguém menos que o detetive Shaw!


Escrito por Gilmar Fortis II e Gil Fuentes (nunca vou entender porque roteiros rasos como este precisam de dois autores...), JUSTIÇA URBANA não faz feio no quesito ação. A não ser, lógico, que você procure algo diferente de um filme direto para locadora.

Com uma trama descomplicada, muita pancadaria e sangrentos tiroteios (cada tiro resulta num exagerado esguicho de litros de sangue do corpo da vítima), o filme na verdade é surpreendentemente divertido, ainda mais para quem não esperava coisa alguma depois dos péssimos "Hoje Você Morre" e "Mercenário".


O próprio Seagal parece estar se divertindo muito no papel. Destaque para a cena em que Tucker aponta uma pistola para o desarmado Simon e diz: "Então você é o filho da puta que vem dando socos numa briga de armas?". Após arrancar o revólver das mãos do bandido, com um golpe rápido como um raio, o herói aponta a arma para seu antagonista e responde: "Sim, sou eu".

Claro, falta muito para chegar no mesmo nível "cult" do hoje clássico "Desejo de Matar 3", mesmo que as histórias dos dois filmes sejam bem semelhantes. A maior falha do filme de FauntLeRoy é levar tudo a sério demais, coisa que Winner não fazia naquela aventura maluca estrelada por Bronson.


Seria melhor ter partido logo para o exagero e colocar Seagal metralhando os delinqüentes sem dó nem piedade. Mas, pelo contrário, o roteiro aqui gasta um tempão mostrando a investigação de Simon pelos verdadeiros culpados do assassinato do filho, ao invés de simplesmente botar o herói para pipocar todos os marginais que lhe cruzam o caminho.

Uma diferença bem politicamente incorreta: ao contrário do velho Paul Kersey naquele clássico dos anos 80, o personagem de Seagal tem um rígido código de conduta em relação aos bandidos. Uma das diretrizes é não matá-los sem um bom motivo e nem estragar seu "negócio"; tudo que ele quer é chegar ao assassino do filho.


Ou seja, desde que os caras não tenham matado o rapaz, eles estão livres para continuar ameaçando inocentes e vendendo drogas para crianças! Porque em JUSTIÇA URBANA Seagal não é um homem da lei e nem o amigão da vizinhança, apenas um pai louco por justiça.

Quando descobre que o verdadeiro culpado é Shaw e seus policiais corruptos, por exemplo, o "herói" libera tanto El Chivo quanto Tucker de receberem o merecido castigo por serem maus meninos!

É claro que eu preferia ver o herói dizimando os dois lados do confronto, à la Justiceiro (o bairro, pelo menos, ficaria mais seguro). Mas confesso que achei bastante divertida (e corajosa) essa ideia de não se meter com a bandidagem a não ser quando provocado.


E se "Desejo de Matar 3" tinha cenas de ação que não convenciam, devido à idade avançada de Bronson, JUSTIÇA URBANA surpreende ao mostrar um Seagal gordo, mas ao mesmo tempo ainda rápido e mortal.

Acredite se quiser: o homem convence nas cenas de luta, distribuindo chutes altos (algo que não fazia há séculos) e socos a granel. E aqui é ele mesmo, e não um dublê lutando, como você pode ver na foto abaixo. Sobra até para quem não tem nada a ver com a história, tipo o grupo de skinheads que cai de pára-quedas no filme apenas para render mais uma cena de quebra-pau.


Às vezes o filme nega fogo, como numa longa e nada interessante perseguição automobilística pessimamente filmada e editada. E Seagal e Danny Trejo não lutam, apenas conversam, algo meio estranho depois que se assiste "Machete".

Mas estes probleminhas são compensados no tiroteio final, em que Ballister mata mais da metade do elenco, e até demonstra sua fúria descarregando o pente inteiro do revólver em alguns deles (lembrando os velhos filmes de John Woo, que devem ter sido a inspiração do diretor FauntLeRoy)!


Portanto, sem pensar duas vezes, eu diria que JUSTIÇA URBANA é o mais perto de um bom filme de Steven Seagal que vi da safra recente do Free Willy com rabinho-de-cavalo. Tanto que foi cogitado o seu lançamento nos cinemas, o que só não se concretizou pela falta de verba da produtora (o último filme estrelado pelo ex-astro exibido na tela grande foi "No Corredor da Morte", em 2002).

Mas talvez seja melhor assim, porque JUSTIÇA URBANA é aquele típico filme de locadora ou de Domingo Maior, para ver sem grandes pretensões e esquecer tudo horas depois. Aliás, sobre que filme eu estava escrevendo mesmo???

Trailer de JUSTIÇA URBANA



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Justiça Urbana (Urban Justice, 2007, EUA)
Direção: Don E. FauntLeRoy
Elenco: Steven Seagal, Eddie Griffin, Carmen
Serano, Cory Hart, Liezl Carstens, Kirk B.R.
Woller e Danny Trejo.