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quinta-feira, 12 de março de 2020

BRADDOCK 3 - O RESGATE (1988)


(No último 10 de março, o grande Carlos Ray Norris – nosso querido Chuck Norris – completou OITO DÉCADAS DE VIDA! Uma daquelas raras pessoas alçadas ao status de lenda ainda em vida, Chuck aparece com frequência aqui no blog através de seus filmes, e esta resenha é o nosso presente para ele! Que venham mais 80, Chucko! Afinal, segundo os hilários “Chuck Norris Facts”, a Morte não vai ter coragem de vir te buscar tão cedo!)

No imaginário popular, o terceiro filme de uma franquia geralmente é ou o episódio mais fraco, ou aquele que acaba com a série para sempre. Exemplos não faltam: “O Retorno de Jedi” (enquanto terceiro episódio da trilogia original de “Star Wars”, claro; porque depois saiu coisa bem pior), “Amityville 3”, “Superman III”, “Mad Max – Além da Cúpula do Trovão”, “Robocop 3” (que enterrou a franquia), “Matrix Revolutions”, entre tantos outros. Há quem defenda que mesmo obras que passam longe de serem ruins, como “O Poderoso Chefão 3”, enfraquecem horrores quando comparadas com os capítulos precedentes.

Mas toda regra tem sua exceção: assim como existem diversas Partes 3 bem decentes, tem algumas poucas que inesperadamente são muito melhores que tudo que veio antes, incluindo o filme original. E BRADDOCK 3 – O RESGATE, quem diria, é um desses raros pontos altos de uma trilogia, embora muito raramente (e injustamente) seja lembrado como tal.


Qualquer filme em que o herói use frases como “Eu não piso no calo de ninguém, eu piso em pescoços!” já deveria ter seu lugarzinho garantido no coração dos cinéfilos de gosto duvidoso. Para além dos diálogos espirituosos, BRADDOCK 3 – O RESGATE ainda é o melhor produzido da série, com excelentes cenas de ação, tiros e explosões aos montes e a história mais interessante até então – o que talvez não seja nenhum mérito, pela pobreza do roteiro dos anteriores.

Não bastasse tudo isso, este é o filme da série que recebeu a distinção de ser imortalizado num grande clássico da literatura! Acredite se quiser, mas no livro “Trainspotting”, de Irvine Welsh (que deu origem ao popularíssimo filme homônimo), o protagonista Renton assiste BRADDOCK 3 – O RESGATE em vídeo para curtir a fossa, num sábado à noite em que está sem dinheiro para comprar heroína ou sair pra balada!


Considerando que as Partes 1 e 2 foram filmadas back-to-back (ao mesmo tempo), este terceiro filme ironicamente teve uma gestação lenta e problemática. O astro Chuck Norris sequer queria voltar a “interpretar” um de seus personagens mais populares, pois julgava o assunto (Vietnã) morto e enterrado. Além disso, ele não gostou muito da forma como os críticos o lincharam publicamente pelas aventuras anteriores, tachadas de preconceituosas e excessivamente ufanistas.

Um momento particularmente traumático para ele foi uma participação no polêmico programa de TV de Phil Donahue, em 1986. Norris foi convidado para falar sobre “cinema de ação”, porém descobriu apenas ao entrar no estúdio, ao vivaço, que seria sabatinado por outros convidados numa daquelas reportagens sensacionalistas sobre a violência no cinema afetando as pobres criancinhas. Suas duas aventuras como Braddock, claro, levaram chumbo grosso: “Esses filmes estão destruindo os nossos filhos!”, bradou o entrevistador, e esse foi um dos comentários mais elogiosos!

Por isso, depois de mais algumas aventuras cheias de patriotadas (como “Invasão USA” e “Comando Delta”), Chucko resolveu dar uma repaginada na carreira e interpretar personagens desafiadores, que fossem mais humanos do que o velho Braddock, menos violentos e mais divertidos. Isso explica seu primeiro flerte com a comédia no desastroso “Os Aventureiros do Fogo”, cópia vagabunda (e ruim) das aventuras de Indiana Jones lançada em 1986.


O terceiro “Braddock” acabou surgindo como um favor para os primos israelenses Menahem Golan e Yoram Globus, os cabeças da Cannon Films, responsáveis pelas outras aventuras da série e por transformarem Norris num dos grandes astros de ação dos anos 1980.

A produtora/distribuidora andava mal das pernas devido ao naufrágio nas bilheterias de algumas de suas produções mais ambiciosas (especialmente “Força Sinistra”, de Tobe Hooper), e à quantidade absurda de dinheiro investida em outras superproduções, como “Superman IV – Em Busca da Paz”. Golan & Globus precisavam desesperadamente de um sucesso para voltar a ter fluxo de caixa.


Como “Missing in Action” era uma de suas séries mais populares e lucrativas junto com “Desejo de Matar”, eles decidiram fazer novas sequências para ambas. Até porque corriam boatos de que Sylvester Stallone também pensava em fazer outra aventura de seu herói mais popular num futuro “Rambo III”. E... bem, a série “Braddock” praticamente nasceu por causa de “Rambo 2”!

Inclusive, pela primeira vez, neste terceiro filme o nome do herói foi colocado no título original em inglês. Aqui no Brasil a série sempre foi chamada de “Braddock” porque nossas distribuidoras adoravam colocar o nome do herói no título (vide “Rambo – Programado para Matar” em um filme chamado “First Blood”...), mas nos EUA o título oficial costumava ser apenas “Missing in Action”. Já esta terceira aventura virou “Braddock – Missing in Action III”, finalmente identificando o protagonista no título (e em destaque!), como já faziam os brasileiros sempre lançando tendência...


“Eu não queria fazer um terceiro”, confessou Norris numa entrevista ao jornal St. Louis Post em agosto de 1988, quando BRADDOCK 3 – O RESGATE finalmente chegou aos cinemas norte-americanos. Mas a fidelidade a Golan & Globus, que produziram todos os seus filmes desde 1984, falou mais alto: “Os dois primeiros ‘Braddock’ colocaram a Cannon na Bolsa de Valores de Nova York. Com um pouco de sorte, este novo vai tirá-los da enrascada financeira em que estão”.

Aaron Norris, irmão mais novo e dublê de Chuck desde os tempos de “Comboio da Carga Pesada” (1977), também foi peça importante para convencê-lo a retornar ao personagem. Enquanto pensavam em argumentos para o terceiro filme da série, Aaron lembrou de um artigo que havia lido sobre as crianças amerasians (amereurasiáticas, em bom português), uma das heranças da Guerra do Vietnã: milhares de filhos mestiços de soldados norte-americanos com mulheres asiáticas, concebidos durante o confronto, e que viviam marginalizados naquele país.


Chuck viu potencial dramático no assunto e juntou-se ao roteirista James Bruner, que escreveu o primeiro “Braddock”, para usá-la em BRADDOCK 3 – O RESGATE.

Enquanto eles trabalhavam no roteiro, outro golpe de sorte: o astro viu um especial do programa jornalístico 20/20 sobre um soldado norte-americano que se apaixonou por uma garota vietnamita durante a guerra. Com o fim do confronto, ele foi forçado a voltar para os EUA e ela ficou para trás, sozinha e grávida. Durante os 14 anos seguintes, o pai tentou encontrar o filho no Vietnã e tirá-lo do país, o que eventualmente aconteceu. Norris ficou tão sensibilizado com a história real que resolveu fazer dela a espinha dorsal do seu novo filme.

(Vale destacar que histórias reais, como esta que inspirou o terceiro “Braddock”, seguem acontecendo até hoje, conforme atesta esta reportagem de 2014 da BBC sobre um veterano do Vietnã em busca do filho no Vietnã!)


Até esse momento tudo parecia estar correndo bem, e ninguém esperava que o processo de tirar Braddock da aposentadoria fosse se tornar uma grande dor de cabeça. Ainda mais considerando como tudo foi rápido e fácil com “Braddock” 1 e 2.  Mas o projeto, quem diria, parecia estar amaldiçoado – e teve até mortes reais durante as filmagens, conforme veremos mais adiante.

Segundo um anúncio publicado no Hollywood Reporter, as filmagens foram marcadas para outubro de 1986 (quase um ano antes de Stallone começar a filmar seu “Rambo III”). O filme também marcaria o retorno de Joseph Zito à série – ele que assinou “Braddock – O Super Comando” e também dirigiu Norris em “Invasão USA” pouco depois.


E este foi um dos primeiros problemas de BRADDOCK 3 – O RESGATE: durante as filmagens de “Invasão USA”, o astro e Zito tiveram uma briga violenta porque Chucko sugeriu uma determinada comediante em ascensão, de quem acabara de ver um show de stand-up, para um dos papeis principais daquele filme. O diretor, entretanto, vetou a indicação após um bate-boca com seu astro. A humorista em ascensão indicada por Norris era ninguém menos que Whoopi Goldberg, que meses depois filmaria “A Cor Púrpura” com Steven Spielberg e se tornaria uma grande estrela. Chuck nunca perdoou Zito pela burrada e garantiu que jamais trabalharia com ele novamente (chegou a dedicar um capítulo inteiro ao episódio em sua autobiografia “Against All Odds: My Story”).

É de se imaginar, portanto, que o clima estava pesado nos bastidores quando a Cannon sugeriu a reunião dos dois. E de fato, pouco tempo depois do anúncio oficial da equipe, a saída de Zito do projeto foi confirmada oficialmente, com o veterano Jack Smight entrando em seu lugar e as filmagens sendo adiadas para o início de 1987.


À época com 62 anos de idade, Smight era uma escolha curiosa para comandar uma aventura de Chuck Norris. Nos áureos tempos ele havia dirigido alguns blockbusters de sucesso com grandes astros e estrelas (como “Aeroporto 75” e “A Batalha de Midway”), só que desde o começo dos anos 1980 não fazia mais nada, e foi um dos muitos veteranos “ressuscitados” pela Cannon para trabalhar em suas produções B.

Pois Smight também não aguentou a barra e, alegando problemas de saúde, abandonou a produção com as filmagens já iniciadas. A Cannon lhe deu um trabalho mais barbadinha (dirigir o policial-clichê “Tiras Especiais”, com Robert Carradine e Billy Dee Williams) e tratou de tapar o buraco. Por alguns meses, o próprio Menahem Golan cogitou dirigir a terceira aventura de Braddock. Não se sabe se alguma das cenas filmadas por Smight durante sua curta passagem pelo set acabaram no corte final.


Num artigo da revista Reader publicado na época da estreia de BRADDOCK 3 – O RESGATE, em janeiro de 1988, um traumatizado Norris disse que seis diretores chegaram a estar envolvidos na produção em algum momento, e que as filmagens foram um autêntico pesadelo. “Um deles sofreu um ataque cardíaco, outro largou tudo duas semanas antes do início das filmagens”, lembrou.

No fim, quem segurou o rojão foi o próprio Aaron Norris, em seu primeiro trabalho como diretor. Como dublê particular do astro, ele já substituía o irmão nas cenas perigosas desde os anos 1970, sabia bem como esse tipo de filme funcionava, e pôde acompanhar caras como Ted Post, Andrew Davis e J. Lee Thompson dirigindo Chuck em suas aventuras anteriores. Logo, uma coisa ou outra deve ter aprendido sobre como dirigir ele próprio.

As filmagens finalmente começaram em março de 1987 (“Rambo III” começaria a ser rodado em agosto daquele ano), novamente nas Filipinas (mesma locação do filme original), e com um orçamento de 9 milhões de dólares – o maior da série.


BRADDOCK 3 – O RESGATE é eletrizante desde o início: uma legenda anuncia que estamos na Saigon, a capital do Vietnã do Sul, em 29 de abril de 1975 – a véspera da histórica “Queda de Saigon”. Uma rápida aula de história, porque o Filmes para Doidos também é cultura: embora os Estados Unidos tenham começado a retirar suas tropas do país e cessado as ofensivas ainda em 1973, encerrando oficialmente a desastrosa Guerra do Vietnã, ainda havia alguns militares e cidadãos norte-americanos vivendo em Saigon e dando apoio às tropas do Vietnã do Sul contra seus inimigos comunistas do Vietnã do Norte.

Estes últimos, por sua vez, reagruparam as forças e prepararam um ataque final marcado para março de 1975, prometendo que não parariam por nada até chegar a Saigon, já que a cidade ainda era vista como um símbolo da resistência. O governo dos EUA correu contra o relógio para retirar os cidadãos norte-americanos – bem como milhares de vietnamitas em busca de asilo político no Ocidente – antes da chegada dos tanques inimigos.


A queda da capital aconteceu em 30 de abril de 1975, quando os tanques finalmente invadiram Saigon e tomaram conta do palácio do governo, unificando os dois Vietnãs na rebatizada “República do Vietnã”, enomeando a capital como Ho Chi Minh (nome que nunca pegou), e encerrando de uma vez por todas a longa e traumática guerra.

Historicamente, o último dia antes da chegada do inimigo foi um completo caos, com o que restava dos americanos em Saigon enchendo helicópteros para fugir da cidade (já que não havia mais aviões) e milhares de cidadãos locais tentando invadir a embaixada para fugir junto com eles. BRADDOCK 3 – O RESGATE consegue representar muito bem o clima infernal daquele dia, numa introdução que, sozinha, já é melhor que as Partes 1 e 2 inteirinhas.


Em meio ao desespero, encontramos o Coronel James Braddock – de bigodinho, porque a barba ele só começou a cultivar depois da guerra, e faixa na testa à la Rambo. Ele se prepara para deixar o país, e só precisa ir até o centro da cidade para buscar sua esposa, a tradutora da embaixada norte-americana Lin (Miki Kim, que já havia enfrentado as agruras da Guerra do Vietnã em “The Last Hunter”).

E aqui precisamos abrir um rápido parêntese: é óbvio que esta cena inicial não tem qualquer respeito pela cronologia anterior da série e simplesmente desconsidera tudo que se sabia até então sobre o personagem! Em “Braddock 2 – O Início da Missão”, é relatado que o herói virou ‘missing in action’ e prisioneiro de guerra em 1972, por um período que a série nunca se preocupou em esclarecer, embora diferentes sinopses estimem entre sete e 10 anos. “Braddock 2” inclusive sugere que o protagonista AINDA possa estar preso no ano de 1984, graças à inserção de imagens de um pronunciamento oficial do Presidente Reagan em maio daquele ano, pouco antes de reencontrarmos Braddock num campo de prisioneiros no Vietnã. Sendo assim, o que diabos ele está fazendo livre, leve, solto e voltando para os Estados Unidos em 1975?


Outra informação que não bate é o fato de Braddock ter uma esposa vietnamita nunca citada antes nos filmes anteriores – e certamente uma tática do astro para tentar tornar o personagem menos “racista” que nas outras duas aventuras. Ora, em “Braddock 2” o herói é informado que sua esposa, que ficou nos Estados Unidos (logo devia ser uma cidadã norte-americana), está prestes a casar novamente porque pensa que ele está morto! Seria Braddock um bígamo, com uma esposa no Vietnã e outra nos EUA? Não, é melhor pararmos de quebrar a cabeça com qualquer coisa próxima de uma cronologia porque não faz o menor sentido...


Enfim: Braddock vai até o apartamento para escoltar Lin até a embaixada, e tudo que encontra é um cadáver terrivelmente desfigurado após um bombardeio, que ele identifica como sendo sua esposa por causa das roupas que usa. Trata-se, na verdade, de uma amiga de Lin que ganhou o vestido como presente da moça, e surrupiou uma pulseira (muito amiga, né?) de lambuja.

A jóia tinha sido um presente de Braddock para a esposa, conforme descobrimos num flashback absolutamente constrangedor, e ao vê-la no braço da defunta carbonizada nosso herói não tem dúvidas de que está diante do cadáver de Lin. Vida que segue...


Enquanto isso, a verdadeira Lin tenta desesperadamente embarcar no helicóptero que a levará à liberdade; mas, dada como morta e sem os documentos (roubados no caminho até a embaixada, porque desgraça pouca é bobagem), fica para trás enquanto seu marido deixa o país. Braddock sequer está consciente, pois embarcou num helicóptero após ser gravemente ferido pelo tiro disparado por outro desesperado cidadão asiático, que tentava embarcar à força na aeronave.

Enquanto o helicóptero lotado se afasta separando os dois pombinhos, a câmera aérea dá uma dimensão do horror acontecendo pelas ruas de Saigon prestes a ser ocupada, e a voz rouca de Lenny McDaniel (uma espécie de Nick Cave dos pobres), cantando a música “Freedom Again”, questiona: “A luta acabou, mas a guerra está apenas começando / Será que você vai encontrar a liberdade outra vez?”. Puta que o pariu, que cena!


Registre-se ainda que, julgando por esta belíssima introdução, nem parece que a Cannon enfrentava dificuldades financeiras na época: além de um mínimo de reconstituição de época, as cenas se passam em ruas inteiras fechadas e tomadas por um batalhão de figurantes que aparece saqueando e incendiando lojas, casas e automóveis. Parece que estamos vendo imagens de um documentário!

Em frente à embaixada, uma multidão ensandecida tenta derrubar os portões guardados por soldados armados, e lá pelas tantas chegam a jogar um caminhão contra o muro – dá para ver direitinho os pobres dublês rolando sobre arame farpado aparentemente real! Se os outros dois “Braddock” tinham uma cara de produção pobretona e improvisada, aqui percebe-se que realmente teve dinheiro investido.


Corta para 12 anos depois, a “atualidade” na época da produção (1987, embora o filme só tenha chegado aos cinemas em 1988). Um envelhecido e amargurado Braddock está num bar, tomando sua cervejinha direto no gargalo, quando é abordado por um missionário (Yehuda Efroni, figurante habitual nas produções da Cannon). E a cara de surpresa de Chuck ao ser abordado por um homem de batina é de gargalhar alto!

Identificando-se como Reverendo Polanski (será homenagem?), diretor de um orfanato para crianças amereurasiáticas na agora República do Vietnã (Polanski, crianças... se era homenagem, virou humor sem noção já!), ele traz a chocante notícia de que Lin está viva e criando um filho de Braddock, agora com 12 anos de idade. Ambos vivem em condições extremamente precárias, pois a mulher foi severamente punida pelo regime por ter ajudado o inimigo e ainda concebido um filho mestiço!


Nosso herói não acredita na história e Polanski volta para o seu país. Mas a coisa toda acaba se confirmando quando entram em cena os tradicionais agentes malvados da CIA, tentando convencer Braddock a pegar leve e esquecer a história. Provavelmente os agentes têm medo de que ele volte ao Vietnã e provoque um novo incidente internacional – afinal, cronologicamente, passaram-se apenas três anos desde que foi ao Vietnã libertar prisioneiros de guerra que o país jurava não ter, conforme visto em “Braddock – O Super Comando”.

Ao constatar que a história do padre é real, Braddock faz exatamente o que a CIA não quer que ele faça. E como tudo acontece fácil e rápido demais neste terceiro filme (o que contrasta com a morosidade e lentidão do original), em menos de 20 minutos de tempo corrido Chuck já está de volta a Bangkok, na Tailândia.

Uma curiosidade: enquanto ele caminha pelo agitado centro da cidade, ouve-se a mesma música de Chris “The Glove” Taylor e Ice-T que já tocava nas “cenas tailandesas” em “Braddock – O Super Comando”, e que foram originalmente compostas para a trilha sonora de “Breakin'” (1984), outro sucesso da Cannon. Será que os caras ganharam algum adicional por terem feito uma música para um filme reaproveitada em outros dois? E a reutilização da música aqui será apenas uma questão de economia ou também um comentário crítico, sugerindo que Bangkok era uma cidade tão atrasada que em 1987 ainda tocava as mesmas músicas de 1984? Você decide...


Ali, Braddock pede ajuda para Mik (Ron Barker), um velho amigo dos tempos da guerra que ficou por lá mesmo e virou um putanheiro de marca maior. O personagem não passa de uma nova encarnação do Tuck interpretado por M. Emmet Walsh no original; como mataram o coitado no final daquele filme, tiveram que inventar outro veterano do Vietnã com as mesmas características neste aqui!

Mik ajuda Braddock a conseguir armas, equipamentos e até uma lancha (e de onde diabos o herói tira a verba para suas operações militares particulares, ninguém sabe). Após uma longa perseguição de carros fugindo da polícia local, Mik também ajuda o parça a sobrevoar a fronteira com o Vietnã, largando o herói à própria sorte.


Felizmente, Braddock não tem grandes dificuldades para encontrar primeiro o orfanato de Polanski, e depois a tenda miserável onde vive sua família. O momento em que Chucko se esgueira pelas vielas da aldeia para reencontrá-los é hilário porque, como disfarce, o herói é obrigado a usar um daqueles tradicionais chapéus de bambu usados pelos camponeses no Vietnã – logo ele que, nos “áureos tempos”, enchia de pipoco qualquer um que aparecesse usando o mesmo chapéu! E dane-se se o resto da roupa é ocidental e o herói tem uma barbona inconfundível: com o chapéu, ele fica “disfarçado” e ninguém o percebe caminhando pelas ruas!


Mas chega de lero-lero que a esta altura estamos em outra das grandes cenas de BRADDOCK 3 – O RESGATE: a do breve reencontro do casal Braddock mais de uma década depois, num dos raros momentos emotivos da trilogia – revelando um lado mais humano e sentimental do personagem que, nos dois filmes anteriores, não passava de uma inexpressiva e raivosa máquina de matar vietnamitas.

Vivendo num casebre sem água nem eletricidade, envelhecida e judiada por anos de abusos, Lin afasta-se do maridão após um abraço apertado e, olhando para o chão, tenta fazer seu papel de esposa oriental submissa: “Desculpe por não estar mais bonita pra você”. Braddock, surpreendentemente galanteador e HUMANO, faz com que ela erga o olhar e responde: “Pra mim você sempre será linda”, antes de abraçá-la forte mais uma vez. A trilha triste sobe, e não tem nada de errado se cair um cisco no olho de vocês e de repente começar a lacrimejar, tá bom, machões?


Já o garoto Van (interpretado por Roland Harrah III) não demonstra o mesmo carinho pelo pai que acabou de conhecer, pois acredita que Braddock abandonou propositalmente ele e a mãe para viverem como párias. Se nos dois primeiros filmes o herói só precisava matar a maior quantidade de inimigos que lhe cruzavam o caminho, e desviar de balas e explosões, aqui ele tem um novo desafio: conquistar o respeito do filho que acaba de conhecer.


Infelizmente,  a reunião da Família Braddock é muito breve (dez minutos de tempo corrido, na duração do filme): enquanto tenta levar Lin e o garoto para a lancha que tirará os três do Vietnã, o herói é cercado pelas sanguinárias tropas do país, que devem estar querendo vingança pela humilhação sofrida em “Braddock – O Super Comando”.

E o maquiavélico General Quoc (Aki Aleong), que é o grande vilão deste terceiro filme, parece particularmente interessado em arrancar o couro do herói. Em nenhum momento fica claro se eles já tinham se topado nos tempos do Vietnã, ou se Quoc quer simplesmente acertar o placar pelo que Braddock aprontou em seu país três anos atrás. Oras, ele deveria estar agradecido, já que na época Chuck matou o General Tran (James Hong) e abriu a vaga para uma promoção-relâmpago de Quoc!


O caso é que, numa trilogia onde os vilões são marcados pelo sadismo e pela crueldade (vide o pérfido Coronel Yin em “Braddock 2”), Quoc consegue ultrapassar todos os níveis de filha-da-putice imagináveis. Primeiro ele encerra prematuramente o reencontro entre marido e esposa ao colocar uma bala na cabeça da Sra. Braddock (com direito ao indefectível “Noooooooo!” em câmera lenta do herói); depois, o terrível arquiinimigo prepara uma longa e tensa sessão de tortura para o herói, em que ele deve manter-se na ponta dos pés para não acionar a espingarda que explodirá a cabeça de Van – e isso enquanto toma porrada e choque elétrico! Haja condicionamento físico...


Quando Braddock finalmente consegue fugir, deixando para trás mais uma grande quantidade de cadáveres para envergonhar o exército vietnamita, Quoc decide direcionar sua fúria para as crianças mestiças do orfanato de Polanski, aprisionando-as junto com Van e forçando o protagonista a partir para o “resgate” anunciado pelo subtítulo brasileiro.

E se até este ponto BRADDOCK 3 – O RESGATE já era uma aventura acima da média, é a partir daqui que vira filmaço dos bons. Primeiro, o herói invade o campo de prisioneiros onde está a molecada armado com um trabuco descomunal que eu jurava que nem existia no mundo real – e que, segundo o Internet Movie Firearms Database, é uma Heckler & Koch G3A4 modificada com um lançador de explosivos acoplado!

Então, não bastasse disparar rajadas de grosso calibre, a armona de Chucko também lança mísseis e ainda tem uma baioneta embutida, que o herói utiliza num momento oportuno para não apenas empalar um inimigo, mas também lançá-lo quilômetros pelos ares com um dos projéteis explosivos!


Ao lembrarmos que Aaron Norris era um novato comandando uma produção tão ambiciosa, o resultado parece mais impressionante: estas cenas do resgate da criançada são as melhores e mais bem dirigidas da série! “Ele salvou o filme”, destacou Chuck, que a partir de então começaria a escalar o irmão para dirigir quase todos os seus filmes posteriores – foram mais seis até a aposentadoria do astro, além de diversos episódios de “Walker Texas Ranger” para a TV.

Pode ser que o trabalho pregresso de Aaron como coordenador de dublês o tenha preparado para usar a câmera, ou então seu veterano diretor de fotografia (o brasileiro João Fernandes, que também filmou “Braddock – O Super Comando”) deu uma mãozinha – o mais provável, já que o irmão de Chuck nunca mais foi tão bem em seus outros trabalhos como cineasta.


Seja de quem for a paternidade do negócio, o que importa é que vemos o herói dizimando dezenas de soldados, explodindo guaritas, cabanas e veículos, num festival de slow motion e coreografias dos dublês onde não faltam nem estilosos planos de detalhe das cápsulas vazias saindo da metralhadora gigante do protagonista, e até dos pingos de suor voando quando Braddock sacode sua cabeleira entre os disparos (acima)!

E mesmo sabendo que é tudo de mentirinha, algumas cenas de ação ficam no limite da insanidade, com bombas explodindo MUITO PERTO de crianças dentro de um caminhão em alta velocidade. Ok, nas cenas filmadas por fora percebe-se claramente que a traseira está vazia; mas nos planos filmados por dentro, com explosivos detonando ao redor, dá para ver que o medo estampado na cara da molecada não é interpretação! O resultado é impressionante, ainda que visivelmente colocando em risco dublês e figurantes.


Resgate concluído, o restante do filme mostra o herói quase sempre rodeado de crianças. Trata-se de um risco enorme numa aventura violenta produzida para adultos; é justamente nesse momento que “Mad Max – Além da Cúpula do Trovão” e outras produções com crianças pentelhas começam a ficar ruins e/ou chatas.

Ufa! Não é o caso aqui: o roteiro consegue contornar espertamente qualquer possibilidade de “infantilizar” a narrativa ao transformar o ato final num autêntico survival movie, em que dois adultos (Braddock e Polanski) e duas dezenas de crianças precisam cruzar quase cem quilômetros pela floresta para chegar à segurança do outro lado da fronteira do Vietnã com a Tailândia!


É uma missão literalmente impossível, já que, na vida real, o Vietnã NÃO FAZ FRONTEIRA com a Tailândia (tem o Laos no meio para atrapalhar). Mesmo assim, quem diria, Braddock consegue fazê-lo! Isso daria um novo Chuck Norris Fact: o mapa-múndi se adapta a Chuck Norris, e não o contrário!

Quoc, que ainda não superou o fato de o herói ter escapado de suas garras, persegue o grupo incansavelmente, tentando evitar que eles voltem para casa; mas Braddock fará o seu melhor via caminhão, avião e até a pé.

Justamente na ponte que divide os dois países (hehehe) é que se desenrola o duelo final entre Chucko e todo o Vietnã, com o exército norte-americano esperando “do lado seguro” e sem poder mover um dedo para ajudar o herói, por medo de gerar um incidente diplomático – embora a mera presença de Braddock do “lado inimigo” já representasse um bendito incidente diplomático, oras!


BRADDOCK 3 – O RESGATE chegou aos cinemas norte-americanos em janeiro de 1988 (quatro meses antes de Stallone e seu “Rambo III”, assim como “Braddock – O Super Comando” tinha estreado antes de “Rambo 2 – A Missão”). No Brasil, estreou apenas em dezembro do mesmo ano, enfrentando produções para a família toda como “O Casamento dos Trapalhões” e “Willow – Na Terra da Magia”.

Não há dados sobre a bilheteria brasileira do filme; em seu país de origem, entretanto, o espectador já não parecia tão interessado nas aventuras do herói quanto estava lá em 1984-85. O fato de histórias sobre o Vietnã terem voltado a ganhar um escopo mais dramático e realista graças aos filmes de Oliver Stone e Stanley Kubrick (“Platoon” em 1986 e “Nascido para Matar” em 1987) deve ter contribuído para afastar o público de mais uma fantasia ufanista onde um grande herói ianque, sozinho, ganha a guerra contra um país inteiro.


Considerando esta soma de fatores, BRADDOCK 3 – O RESGATE, mesmo sendo disparado o melhor dos três, também foi o menos rentável, ajudando a empurrar a Cannon para a falência.

O resultado pífio nas bilheterias enfureceu o próprio Chuck Norris, que culpou a Cannon por não ter caprichado mais na campanha de marketing do filme. “Foi provavelmente o melhor filme que eu já fiz”, alegou ele em entrevista na época da première, quando ameaçou quebrar o contrato com Golan e Globus se eles não caprichassem na divulgação das próximas aventuras que fizessem juntos.


Como eu disse/escrevi lá no começo, BRADDOCK 3 – O RESGATE parecia amaldiçoado, e duas notas tristes acompanham o projeto. Em 30 de maio de 1987, durante a filmagem de uma das muitas cenas de ação aéreas, um helicóptero alugado do exército filipino caiu a caminho do set, matando quatro militares a bordo e ferindo uma pessoa ligada à produção.

A tragédia lembrou outras mortes envolvendo helicópteros em filmes (especialmente o episódio envolvendo a morte de Vic Morrow e duas crianças no set de “No Limite da Realidade”). E esta zica seguiu perseguindo Chuck: num de seu filmes imediatamente posteriores, “Comando Delta 2 – Conexão Colômbia” (1990), outra queda de helicóptero matou atores e equipe técnica!

A segunda nota triste envolve o ator-mirim Roland Harrah III, que interpreta o filho de Braddock. Depois deste filme, e após tentar carreira na música, ele acabou cometendo suicídio em janeiro de 1995, aos 21 anos – apenas algumas semanas antes do seu aniversário.


Esquecendo as tragédias de bastidores e a recepção morna na época do seu lançamento, BRADDOCK 3 – O RESGATE deve ser reavaliado e celebrado como, provavelmente, o último grande filme “à moda antiga” estrelado por Chuck Norris. Porque depois desse ele deu uma repaginada ainda maior na carreira, fazendo alguns poucos filmes de ação cascudos, geralmente ruinzinhos (tipo “Comando Delta 2”), e prioritariamente aventuras “censura livre”, como a fábula infanto-juvenil “Unidos para Vencer” (1992) e a comédia policial “Top Dog – Uma Dupla Animal” (1995), em que contracena com um buldogue, numa época em que essas aventuras com policiais e cachorros estavam na moda (vide “K9 – Um Policial Bom pra Cachorro” e “Turner & Hooch – Uma Dupla Quase Perfeita”).


Neste terceiro filme, Chuck parece muito mais humano que nas aventuras anteriores, diferente do “super-herói” Rambo – que no mesmo ano, em “Rambo III”, apareceria cauterizando ferimentos graves com pólvora praticamente sem piscar. Lembrando mais o John McClane de Bruce Willis no primeiro “Duro de Matar” (que, por coincidência, também estreou no mesmo ano), o Braddock desta terceira aventura sangra muito, sente dor, se esfola e, nos minutinhos finais, está tão arrebentado que precisa ser amparado por Van para conseguir ficar de pé e encarar o “vilão final”.

Puxando de memória, creio também que esta é uma das raras aventuras dos anos 1980 que terminam com o herói super-macho espichado numa maca, literalmente sem forças para continuar lutando, ao invés de caminhando glorioso rumo ao pôr-do-sol, soltando alguma piadinha de encerramento para o espectador sair gargalhando do cinema. Braddock não é de aço, afinal...


Embora na superfície pareça menos racista que os dois “Braddock” anteriores, inventando até uma família oriental para o herói, é perceptível que não há qualquer química “romântica” entre Norris e a atriz oriental que interpreta sua esposa. O casal não troca um único beijinho, nem mesmo na cena de flashback que mostra os dois felizes na cama antes da porradaria começar – em que a intimidade de marido e mulher é deixada para a imaginação quando o astro puxa o lençol por cima deles.

A bem da verdade, já há algum tempo o astro vinha evitando interesses românticos em suas aventuras. Depois de dar uns pegas em Barbara Carrera no clássico “McQuade, O Lobo Solitário” (1983), Chuck “interpretou” heróis praticamente assexuados, que não tinham o menor contato com o sexo oposto, nos dois primeiros “Braddock”, em “Comando Delta” e em “Invasão USA” – machões ocupados demais salvando o mundo para distribuir bitocas e carinhos, que acabavam invertendo aquele famoso ditado para “Faça a guerra, não faça amor”.


Mesmo tentando dar uma suavizada no herói e naquela ideia já ultrapassada de “perigo amarelo” (no final dos anos 1980 o inimigo já era outro), dificilmente alguém vai torcer pelos vilões do filme, que continuam sanguinários e cruéis como sempre: autênticos calhordas que atiram na cabeça de mulheres desarmadas, dão porrada em garotinhos e colocam um orfanato inteiro num campo de prisioneiros!

Braddock não se faz de rogado e passa chumbo grosso nos malvadões; umas duas vezes parece até utilizar a tradicional estrelinha vermelha que ornamenta o capacete dos soldados como alvo para atingir fulminantes tiros na cabeça!


Resumindo, os vilões vietnamitas de BRADDOCK 3 – O RESGATE são aqueles legítimos “comunistas comedores de criancinhas” que o público ocidental da época amava odiar. E um deles, pelo menos, é literalmente um comedor de criancinhas: um sentinela da prisão tenta estuprar uma menina antes de Braddock surgir para salvá-la (uma cena que seria copiada por Stallone em “Rambo 4”, mostrando que havia uma curiosa sintonia não-declarada entre as duas séries!).


Mas, curiosamente, BRADDOCK 3 – O RESGATE dispensa o tradicional “combate mano a mano” com o vilão final, o famigerado Quoc – que a interpretação afetada de Aki Aleong quase transforma em comédia com seus punhos cerrados e os repetidos gritos tipo “Braaaaadock! I will kill you, Braaaaaadock!”.

Era de se esperar que o sujeito que matou a esposa do herói e deu um soco no seu filho sofresse uma morte lenta e terrível, tendo cada osso do seu corpo partido em câmera lenta – por muito menos, o Coronel Yin de “Braddock 2” tomou uma coça-de-pau de respeito. Só que não, ele parte dessa para uma melhor (ou pior, já que comunistas vão direto para o inferno no imaginário popular) com relativa rapidez e facilidade, numa explosão de helicóptero muito parecida com as que igualmente despacham os vilões finais de “Rambo 2” e “Rambo III” (olha ele aí de novo...).


Como última curiosidade, uma carinha conhecida é vista rapidamente na cena da Queda de Saigon: interpretando o soldado que tenta impedir a multidão de entrar na embaixada norte-americana está ninguém menos que Keith David, numa participação bem pequena.

Ele ficou mais popular com o tempo, mas no final dos anos 1980 só fazia essas pontas estilo “entra mudo e sai calado” em filmes de ação como “Matador de Aluguel”. Não dá para entender porque, já que Keith fora um dos nomes principais do elenco em “O Enigma de Outro Mundo” (1982). Ele só começaria a ser percebido a partir de “Bird”, de Clint Eastwood, e de seu segundo trabalho com John Carpenter em “Eles Vivem”.


É uma pena que BRADDOCK 3 – O RESGATE seja o filme menos bem-sucedido e menos lembrado da trilogia, já que também é o melhor deles e uma das grandes aventuras de Chuck Norris. O próprio Aaron Norris nunca mais dirigiria nada sequer parecido (seus filmes seguintes com o irmão-astro ou com Michael Dudikoff são bem convencionais). E com esta tendência atual de resgatar heróis de ação do passado para aventuras nostálgicas e revisionistas (vide Stallone com suas versões geriátricas de Rambo e Rocky; Van Damme com os novos “Soldado Universal”; Schwarzenegger com os novos “Terminator”), haveria espaço para um improvável retorno de James Braddock?

Um enrugado Chucko aparece tocando o terror em “Mercenários 2”, só que os roteiristas perderam a chance de mostrar que aquele personagem era um aposentado Braddock (preferiram batizá-lo Booker, numa possível referência a uma aventura antiga e esquecida do astro, “Os Bons Se Vestem de Negro”).


O problema é que, ao contrário de Rambo, que buscou a guerra (ou fugir dela) em diferentes partes do globo, Braddock sempre foi um sujeito de uma luta só, tendo passado três filmes a fugir e/ou voltar ao Vietnã. Por isso, não faria qualquer sentido uma quarta incursão ao país em pleno século 21, quando já não há mais nem poeira de qualquer “prisioneiro de guerra” que por ventura tivesse sobrevivido ao conflito nos anos 1970, e nenhum grande vilão comunista a ser derrotado (sem contar os que povoam a cabeça de certos retardados mentais que estão no governo brasileiro, claro).

As coisas hoje em dia são tão diferentes que o governo norte-americano até já fez as pazes com seus arquiinimigos: os EUA restabeleceram relações diplomáticas com o Vietnã ainda em 1995!

A não ser que o octogenário James Braddock voltasse ao Vietnã para curtir a aposentadoria plantando arroz e café, ou largadão no sol em alguma das belas praias do país...



Trailer de BRADDOCK 3 – O RESGATE

16 comentários:

Daniel I. Dutra disse...

O nome do ator de "Eles Vivem" é Keith David, não David Keith.

Falar nisso, "Eles Vivem" é um filme que merecia uma resenha no filmes para doidos.

Felipe M. Guerra disse...

DANIEL, consertado! Sempre confundo os dois quase homônimos!

spektro 72 disse...

Sensacional essa resenha e encerrando á trilogia Braddock,eu gosto muito desse filme e assisti ele em sua primeira exibição na TV junto com o meu falecido pai e esse filme "Braddock III - O Resgate" foi exibido na TELA QUENTE em 13/01/1992 e reprisado no mesmo em um sábado á tarde as 16:00 no CINEMA ESPECIAL em 06/06/1992, isso nos bons tempos da TV Aberta por que hoje em dia quase não nada de bom para assistir ,o que você escreveu é verdade entrou crianças em algum filme estes ficam uma merda como " MAD MAX - ALEM DA CÚPULA DO TROVÃO", mas " O RETORNO DE JEDI ' consegue ser pior ,por que aquelas criaturinhas chatas chamados Eworks são piores do que qualquer filme com criança na tela ,o pior é que George Lucas insistiu em coloca-las no filme e estragando-o e fazendo esse filme ser lembrado por isso ,mas Chuck Norris tambem fez um filme muito infantilizado que passou muitas vezes na SESSÃO DA TARDE chamado " O DEFENSOR " no qual ele (Norris) é espirito que protege uma floresta que esta ameaçada de ser destruída por uma empresa de construção civil e então uns garotos tentam impedir que essa floresta desapareça por completo e descobre que á uma lenda em espirito, que quando é invocado ele surge para proteger esse lugar , o vilão desse filme é ator Terry Kiser que fez os filmes "UM MORTO MUITO LOUCO 1 & 2 ",MANEQUIM 2 "e "SEXTA-FEIRA 13 PARTE VII - A MATANÇA CONTINUA " .
Ate os heróis tambem tem sentimentos para demostrar ,que para o amor não importa o quanto ele foi ausente, pois ele sempre está presente mesmo que se passe os anos á paixão volta á despertar .. pena que á esposa de Braddock morreu,mesmo assim valeu o rencontro dos dois em uma cena deixa qualquer machão com uma lagrima correndo nos olhos.. eu quis escrever um cisco no olho.. o que há !!
Excelente postagem um abraço de Spektro 72

Anônimo disse...

Sobre trilogias há as exceções: Três Homens em Conflito, Army of Darkness, O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

Anônimo disse...

Gosta dos filmes de Harry Porra?

Anônimo disse...

Tem análise aqui do filme Vampiros de John Carpenter?

Anônimo disse...

Salve, Felipe!
Pronto, agora sim a ÉPICA (nada menos que isso) série "TUDO O QUE VOCÊ QUERIA SABER SOBRE BRADDOCK, MAS NÃO TINHA PRA QUEM PERGUNTAR", está (para alegria dos leitores pra lá de doidos) completa❗
Uma missão sobre o legado d"O CARA" que não foge de uma GUERRA só podia ser cumprida por um cabra que tem ela no nome. Hummm... deixa pra lá essa última parte.����‍♂️
Resumindo: VALEU, FELIPE❗
Ah, na "comédia policial “Top Dog – Uma Dupla Animal” (1995), em que contracena com um buldogue", na realidade o cão é um Pastor-de-Brie.
Ah (2), o nosso titânico astro dará o ar, transbordante de testerona, de sua sua portentosa graça no próximo 03 de abril no último episódio final da série HAWAII FIVE-0 (https://www.omelete.com.br/amp/hawaii-five-0-2/chuck-norris-em-hawaii-five-0). Eita, o Havaí nunca correu tanto risco de de vir abaixo, nem com o ataque de Pearl Harbor.

Alaor Silveira - "leitor e doido"

Anônimo disse...

Seria legal um filme com Keith David e David Keith em "David And Keith".

spielberg disse...

Oba! Agora sim! Fechou as resenhas de Braddock com chave de ouro! A espera valeu a pena!

spielberg disse...

Só uma sujestão... Que tal agora umas resenhas grandonas que só você, meu caro Felipe, sabe fazer sobre os filmes do COMANDO DELTA?

Anônimo disse...

"Chuck “interpretou” heróis praticamente assexuados, que não tinham o menor contato com o sexo oposto", deve ser porque o Chuck Norris na vida real é um evangélico fanático.

Anônimo disse...

"Polanski, crianças..." Hehehe. Filmes para doidos em velha e boa forma.

Judd Cruz disse...

Confesso que adorava esses filmes do Bradock, até mais do que os "Rambos". Gostaria de ver uma outra trilogia oitentista, sendo analisada por vc.

Anônimo disse...

Cara, sei que vc não curte muito Youtubers mas acho que um canal que tu iria curtir: "Trasheira Violenta". Um canal sobre análises de filmes de terror e trash.

Link: https://www.youtube.com/channel/UCnXD_lUxCSPF-GqeXHcjqCA

Ismael Monteiro disse...

Braddock 3 é uma das raras exceções de terceiros filmes bons de uma franquia e como sempre excelente resenha,abraço !!!

Leonardo Peixoto disse...

Acho que o único modo plausível (ou quase) de Braddock voltar ao Vietnã seria pra , ironicamente , ajudar o ex-país inimigo contra a China pela posse de ilhas disputadas por chineses e vietnamitas .