quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O DÓLAR FURADO (1965)


Você sabe que fez parte da Era de Ouro do VHS no Brasil se alguma vez o seu pai chegou em casa com a velha fitinha do bangue-bangue O DÓLAR FURADO - aquela mesma que ele já havia assistido e reassistido inúmeras vezes em outras oportunidades -, e o tema inconfundível de Gianni Ferrio ecoou pela sala em glorioso som mono, cheio de chiado, mas mesmo assim assobiado a plenos pulmões pelo seu velho.

Considerado um clássico do western spaghetti, O DÓLAR FURADO na verdade tem bem pouco em comum com outras obras bem mais famosas do ciclo - além, é claro, do óbvio fato de também ter sido produzido na Itália.

O filme foi dirigido por Giorgio Ferroni (recém-saído dos "peplums", aquelas aventuras épicas baratas produzidas na Terra da Bota) em 1965. No ano anterior, 1964, Sergio Leone lançara "Por um Punhado de Dólares", considerado por muitos pesquisadores a epítome, a obra inaugural, a pedra fundamental do western spaghetti, e largamente imitado a partir de então.


O DÓLAR FURADO, entretanto, não teve tempo de pegar carona no ciclo, e seus realizadores ainda imitavam a fórmula bem-sucedida (e bem mais comportada) daqueles westerns norte-americanos certinhos do período, como "Os Brutos Também Amam" (1953) e "Sete Homens e um Destino" (1960). Assim, não há anti-heróis cafajestes vestidos de negro e com barba por fazer, nem tiros pelas costas, nem violência nua e crua, nem sujeira e roupas em farrapos, muito menos a ironia que marcou os verdadeiros western spaghetti.

O herói comportado, limpinho e bem barbeado é encarnado por Giuliano Gemma, considerado o primeiro grande astro do faroeste italiano, aqui em seu primeiro papel em filmes do gênero, também saído das produções "peplum" com Hércules e Macistes genéricos.


Como o filme tenta se passar por produção norte-americana ("estratégia de marketing" muito comum na época), todo mundo esconde seus nomes de batismo com pseudônimos em inglês. Gemma optou por "Montgomery Wood", nome pomposo que só usaria em mais dois filmes antes de assumir o seu nome verdadeiro.

Embora não siga de perto os cânones do western spaghetti, o diretor Ferroni (rebatizado "Calvin Jackson Padget" nos créditos iniciais!) copia pelo menos as vinhetas animadas nos créditos iniciais, que se tornariam um referencial do subgênero depois de "Por um Punhado de Dólares".


O DÓLAR FURADO começa com o final da Guerra da Secessão, entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos. Gary (Gemma) e Phil O'Hara (Nazzareno Zamperla, ou "Nick Anderson") são dois irmãos confederados (os sulistas, lado derrotado da batalha) que estão entre os diversos soldados libertados de um campo de prisioneiros de guerra.

Como uma espécie de humilhação, os nortistas (vencedores da guerra) devolvem aos derrotados seus revólveres com os canos serrados - o que arruína completamente a mira da arma.


Sem perspectivas de vida após o final do conflito, os irmãos se separam: Phil resolve seguir para o Oeste em busca da sorte grande, e Gary volta para seu velho rancho, onde reencontra a esposa Judy (Ida Galli, ou "Evelyn Stewart").

Algum tempo depois, Gary também resolve tentar a sorte e segue os passos do irmão até a cidade de Yellowstone, dominada por um figurão, McCory (Pierre Cressoy, ou "Peter Cross"), que está forçando os pequenos fazendeiros a venderem suas propriedades a preço de banana - coisa típica de vilão de western.


Num argumento parecido com tragédia grega, Gary é engambelado por McCory e convencido a matar um "sanguinário bandido" chamado Black Eye, que, na hora H, descobre ser seu próprio irmão Phil!

O saldo da brincadeira é que Phil/Black Eye é morto pelos homens de McCory, e Gary acaba sendo mortalmente atingido com um disparo no coração, mas salvo milagrosamente por uma moeda de dólar que levava no bolso e que desviou a trajetória da bala - o "dólar furado" do título.


De volta do mundo dos mortos, Gary corta a barba e o bigode e, de cara limpa, infiltra-se no bando de McCory para semear a discórdia e acabar com todos os facínoras. Mas a situação se complica quando a "viúva" Judy aparece na cidade em busca de notícias do marido.

Muito diferente dos filmes de Leone, Corbucci e cia, O DÓLAR FURADO tem um clima de ingenuidade que às vezes chega a irritar, principalmente porque o mocinho interpretado por Giulianno Gemma é bonzinho DEMAIS. Até mesmo sua vingança lhe é roubada na cena final, quando a população da cidade impede que Gary mate um desafeto desarmado, e os próprios cidadãos fazem justiça com suas pistolas.


Embora o filme de Ferroni seja muito bem dirigido, contornando com habilidade as limitações de orçamento e produção, a narrativa é excessivamente lenta, dando ao herói pouquíssimas oportunidades de sacar seu revólver para passar chumbo nos bandidos. Pelo contrário, Gary prefere usar a astúcia, jogando os criminosos uns contra os outros e deixando que os próprios se matem!

Mesmo assim, há algumas coisas bem interessantes neste "pré-western spaghetti", como a idéia dos canos serrados das armas, uma curiosa alusão à castração e à perda de masculinidade. Embora faltem bons tiroteios no filme, o duelo final entre O'Hara e McCory, envolvendo um destes revólveres sem o cano, é antológico - talvez a coisa mais memorável de O DÓLAR FURADO depois da música-tema.


E num filme que é bem comportado na maior parte do tempo (sem sangue ou buracos de bala nas trocas de tiros, algo que só viraria moda anos depois), duas cenas surpreendem pela violência.

A primeira é a morte de um dos capangas de McCory, que leva uma punhalada no pescoço. A segunda é o espancamento de O'Hara pelos bandidos, que culmina com uma tortura sádica e inusitada: o herói é deixado amarrado ao sol com a boca cheia de... sal!!!

O DÓLAR FURADO foi um sucesso estrondoso na Itália e alavancou a carreira de Giulianno Gemma, que a partir de então se tornaria figurinha carimbada dos faroestes feitos no país.


No mesmo ano, ele apareceria também em "Adiós Gringo", dirigido por Giorgio Stegani. Com o pseudônimo "George Finlet", Stegani escreveu O DÓLAR FURADO ao lado de Ferroni, e levou para "Adiós Gringo", além de Gemma, boa parte do elenco deste filme: Ida Galli, Pierre Cressoy e vários figurantes (sabe como é, em time que está ganhando não se mexe...).

A verdade é que o astro faria produções muito melhores nos anos seguintes, especialmente "O Dia da Ira", e Tonino Valerii, e "Quem Dispara Primeiro?", de Giulio Petroni.


E, como aconteceu com Terence Hill e Trinity, Gemma ficou associado eternamente ao personagem "Ringo": embora tenha interpretado Ringo em único filme ("Uma Pistola Para Ringo"), vários de seus trabalhos posteriores ganharam títulos "alternativos" como o nome Ringo, mesmo que interpretasse personagens com outros nomes.

Uma das produções posteriores dirigidas por Ferroni e estreladas por Gemma, por exemplo, chama-se "Per Pochi Dollari Ancora" (Por Alguns Poucos Dólares), mas no Brasil o título foi "Ringo Não Perdoa" (1966).

Por sinal, "Per Pochi Dollari Ancora" é considerado uma espécie de continuação de O DÓLAR FURADO - neste caso seria uma "prequel", já que o personagem de Gemma é um soldado confederado durante a guerra (e também se chama Gary, embora tenha outro sobrenome, Diamond).


Ainda que visivelmente datado, e lento demais na maior parte do tempo, O DÓLAR FURADO continua tendo o mérito de ter iniciado toda uma geração (este que vos escreve inclusive) no ciclo do western italiano, graças às já citadas fitinhas VHS que foram um verdadeiro fenômeno nos primórdios do vídeo no Brasil. Locadora que se prezasse tinha que ter o filme do Ferroni na estante, ou perdia dinheiro.

Em DVD, o filme ganhou algumas edições péssimas e uma surpreendente cópia de ótima qualidade lançada por uma revista virtual, a Showtime. Essa é a única que vale comprar: traz o áudio original em italiano e imagem cristalina em widescreen, sem os abomináveis cortes laterais para a imagem "caber na tela", que muitas distribuidoras ainda adotam (esquecendo que a Era do VHS já acabou faz anos).


Enfim, é aquele tipo de filme antológico que é obrigatório conhecer, nem que seja para ficar assobiando a inesquecível música-tema, que posteriormente foi parar em filmes tão díspares quanto "Patricia Gennice" (uma produção independente dirigida por... eu mesmo!) e "Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino - mas que fique registrado que eu usei a música antes dele!!!

PS: Embora lembrado com carinho pelos fãs de western spaghetti, hoje Giuliano Gemma vive meio abandonado lá na Terra da Bota, fazendo pequenas participações em minisséries e filmes da TV italiana. Ele completou 72 anos no começo de setembro, e merecia um pouco mais de consideração por ter sido um ídolo para diversas gerações.

Trailer de O DÓLAR FURADO



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O Dólar Furado (Un Dollaro Bucato/
One Silver Dollar1965, Itália/França)

Direção: Calvin Jackson Padget (Giorgio Ferroni)
Elenco: Montgomery Wood (Giuliano Gemma), Evelyn
Stewart (Ida Galli), Peter Cross (Pierre Cressoy) e
Max Dean (Massimo Righi).

27 comentários:

Jack, The Ripper disse...

Sou fã destes westerns, nem sei como não havia ouvido falar desta película.

Eric @eschmrein disse...

Esse aí foi um dos poucos westerns spaghetti que eu assisti, fora os do Leone, e tive uma impressão exatamente igual à sua. Eu, que estava acostumado à sujeira e falta de ética dos heróis e vilões do Leone, me senti ludibriado pelo bom-mocismo do Gemma, além do visual limpo demais, mas tirando esses "pequenos" detalhes achei o filme ótimo, mesmo sendo um pouco lento.
Sabes onde esse filme foi filmado? Eu lembro de ter achado as locações bem bonitas, na maior parte do tempo fugiam um pouco do padrão desértico dos westerns...
Acho que é a primeira vez que eu comento aqui (me senti encorajado por ser um dos poucos filmes que eu já tinha visto hehehe) mas já leio seu blog desde o final do ano passado, gosto muito do valor que você dá a filmes geralmente ridicularizados e o respeito com o qual você os trata.
Abraço!

Felipe M. Guerra disse...

ERIC, sinta-se livre para comentar sempre que quiser. O objetivo do blog é esse mesmo: comentar com carinho aqueles filmes que ninguém costuma respeitar ou dar o devido valor.

Quanto às locações do Dólar Furado, o fantástico Dicionário de Western Italiano nos informa que o filme foi rodado na região de Lazio.

Vagno Fernandes disse...

Que post hein Guerra, me passou até um ar de melancolia, rs.

Lembro vagamente desse filme, na década de 80 esse tipo de western costumava passar na Record numa sessão chamada BANG-BANG À ITALIANA. Era show!

Agora tenho que parabenizá-lo, na hora que começei a ler o texto, pensei: Caramba, por onde esse Giuliano Gemma, e no final da resenha, você prontamente nos deu o paradeiro do cara. Valeu Guerra.

Daniel I. Israel disse...

Felipe, me diz, com tanto gosto pelo genero western, nao estah na hora de vc produzir um filme, digamos, um "Chimarrao Western" ou "Churrasco Western"? Ou ainda melhor, fazer um "Chimarrao Western" baseado na guerra dos farrapos com uma populacao de canibais zumbis que tentam comer soldados? Vai a ideia. Lol

Vitor disse...

Eu amo esse filme,mas eu concordo com vc Felipe.Realmente Dia da ira é melhor que dolar furado,falando nesse filme vc pretende escrever sobre ele?

Felipe M. Guerra disse...

DANIEL, eu na verdade tenho um roteiro pronto para uma homenagem aos western spaghetti, uma história que se passaria nos tempos da imigração italiana no Rio Grande do Sul. Entretanto, é um projeto que não pode ser filmado do meu jeito bagaceiro tradicional, pois envolve reconstituição de época, figurinos, armas cenográficas antigas, efeitos especiais para os tiros que explodem roupas, etc etc. Por isso está engavetado até algum produtor maluco me dar grana para fazer, sozinho eu não consigo tocar esse filme pra frente!

Junior disse...

Felipe, o que você acha de Shane? E dos filmes de John Ford? Você gosta?

Zebu disse...

Nossa, fazia tempo que não passava por aqui, gostei muito de ver isso, bateu identificação total com a tua descrição. Meu "mentor" de westerns qdo eu era guri foi meu tio (que é de origem italiana), e sempre citava este como um dos que iniciou o estilo na itália, mas é isso que tu falou, tem mais a ver com os faroestes tradicionais do que com os italianos. Só não entendo como esse filme tem popularidade tão baixa no IMDB (menos de 250 votos) enquanto alguns filmes da trilogia dos dólares do Leone tem mais de 100.000!

Zebu disse...

PS: eu acho Shane uma tremenda porcaria! hahahahaha =D

Artur disse...

pra mim o melhor Western de Giuliao Gemma e o meu preferido, desde de que o vi pela primeira vez, fiquei fã do Gemma, mas diferente do que a maioria acha, esses westerns feitos aos moldes dos faroestes americanos, também tem muito dos Westerns italianos, como O Dólar Furado, não me incomoda o fato do persongem de Gemma ser bonzinho, e achei até bom Macory morrer crivado de balas como ele e seus aceclas fizeram com o irmão de Gary,acho que esses Pré-Spaghetti eram deitos sem o mesmo romantismo que os Westerns americanos

Artur disse...

"PS: eu acho Shane uma tremenda porcaria! hahahahaha"

discordo plenamente

Felipe M. Guerra disse...

Olha, para falar bem a verdade, a minha praia é o western spaghetti. Eu sempre achei o western "oficial", o norte-americano, muito chatinho, muito certinho e muito limpinho.

Só vi "Os Brutos Também Amam" uma vez, e não gostei muito não; reconheço a qualidade da obra, gostei de algumas cenas, mas no conjunto é mais drama do que um western do jeito que eu gosto. Os do John Ford idem: excepcionalmente bem filmados, mas essa não é a minha praia.

Eu prefiro os westerns norte-americanos dos anos 70 em diante, os do Peckinpah, ou filmes tipo "Os Imperdoáveis" e "O Portal do Paraíso" - aquele western mais sujo e covarde, mais encharcado de sangue, menos romântico, menos cowboys contra índios e mais pistoleiro contra pistoleiro. Mas gosto é gosto, não é verdade?

Artur disse...

" Eu sempre achei o western "oficial", o norte-americano, muito chatinho, muito certinho e muito limpinho."

nem sempre é assim

Thomas Alex disse...

Dizem que foi O DOLAR FURADO que popularizou os Western spaghetti em terras tupeniquins, não sei até que ponto essa informação é verdadeira, mas acho O DOLAR FURADO um bom filme.

Daniel I. Israel disse...

Felipe, eu moro em Israel jah a muitos anos, e sou grande fan do blog, desse tipo de entreternimento que eh considerado ultrapassado, mas que na minha concepcao eh simplesmente o maximo, divercao acima de tudo. Como se faz pra adquirir os teus filmes, ou outros filmes de producoes intependentes brasileiros?

Pedro Pereira disse...

Bem, este foi o primeiro spaghetti que assisti, por isso guardo-lhe um carinho muito especial. Não é top no género, mas vale a pena ser visto.

Só uma nota, Gemma participou em dois Ringos: Uma pistola para Ringo & O regresso de Ringo

É sempre um prazer ler os teus textos sobre westerns-spaghetti.

Abraço,


--

Pedro Pereira

por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
filmesdemerda.tumblr.com

Felipe M. Guerra disse...

> Só uma nota, Gemma participou em dois Ringos: Uma pistola para Ringo & O regresso de Ringo.

Ops! Falha nossa. É fato! Obrigado pela correção, PEDRO.

DANIEL, parei de vender meus filmes faz um tempinho, porque só me dava incomodação, mas dinheiro, que era bom, nada. hahaha. Cinema no Brasil é só pra louco mesmo!

Daniel I. Israel disse...

Entao, cmo se faz pra ver as tuas producoes?

corisco disse...

ola..tenho um blog chmado chiadosecanudos..se puder adicione ele ai na sua lista..o seu ja faz parte da minha lista..um abraço.

Daniel I. Israel disse...

FELIPE, Como havia dito antes, eu jah vivo em Israel jah a mais de dez anos. Eu nao sei se vc tem acesso ou conhece um pouco do cinema daqui, mas com certeza conhece nomes como Yoram Globus e Menahem Golam, antigos donos da estinta Cannon Group, a produtora de inumeras producoes das decadas de 70, 80 e 90 priscipalmente no genero de acao.
Pos bem, eu tenho certeza que vc jah viu o filme de 1982 "O Ultimo Americano Virgem" que passava antigamente no SBT, que na verdade eh uma versao americana do filme israelense "Eskimo Limon" de 1978, dirigida pelo tambem israelense Boaz Davidson, produzida por Globus e Golan e distribuida pela Cannon. Bem, alem desses filmes (verdadeiros FILMES PARA DOIDOS) nao sei se vc conhece mais sobre o cinema israelense dessa epoca entre a decada de 70 e 80, que como no Brasil, era uma verdadeira passarela para filmes, digamos, "sacanas" (sem chegar logicamente aos niveis de sacanagem das pornochanchadas brasileiras da mesma epoca). Na verdade essas producoes sao reconhecidas pela influencia para um estilo que se tornou muito comum na epoca, com filmes como os da serie "Porky's", "Ferias do Barulho" e mais recentemente "American Pie". Essa eh a era de ouro do cinema israelense chamado de "Sertei Bourekas" ou "Filmes Bourekas", na traducao literal (em alusao a um prato tipico dessa regiao, de alguns paises como Turkia e Israel).
Bem, um filme que eu gostaria muito te indicar se chama "Hagiga B'Snuker" ou na traducao literal "Festa na Snooker" simplesmente o maior classico do genero aqui em Israel e um filme que valhe a pena ser comentado aqui no blog.
Abracos.

marcelo miranda lamy disse...

Assisti ontem este filme.
Pena que era uma versão mutilada (tela 4X3)e com corte de 15 minutos (!!!) no filme, além de trechos sem tradução.

Vou atras de uma versão decente.
Abraço

Sérgio disse...

Hoje, no Cineclube Lima Barreto, em Casa Branca - SP, estaremos exibindo O DÓLAR FURADO, no ciclo mensal de filmes de western. Entrada gratuita.

sitedecinema@sitedecinema.com.br disse...

1-Isso de querer classificar Spaghetti Western (expressão meio pejorativa, criada provavelmente por críticos de cinema de fora da Itália que zombavam dos baixos orçamentos desses filmes...na Itália eles são chamados simplesmente de EuroWesterns), como filmes com uma estética suja, com protagonistas traiçoeiros e muito sangue é uma definição limitante e até simplista desse maravilhoso subgÊnero. Pq seria O DóLAR FURADO um exemplo ´MENOR´ desses filmes (Gemma é, também, um dos principais nomes dos faroestes italianos, mesmo com cara limpa e nobres intenções0? Esse título foi um sucesso estrondoso de público ao redor do mundo e colocou todo o ´faroeste made in Italy´ num patamar alto junto das platéias. O mesmo pode se dizer de outros títulos (SELA DE PRATA, outro clássico estrelado por Gemma, realizado pelo lendário Lucio Fulci), e o popular TEXAS ADEUS, do injustamente esquecido Ferdinando Baldi, com uma trama ´careta´ e um herói tbm (Franco Nero, com estrela de xerife e tudo).
Vários clássicos norteamericanos tbm apresentavam uma estética mais ´suja´, e me refiro aos que não foram influenciados pelo faroeste italiano (sim, vários westerns americanos, pós-sucesso de Leone, sofreram influÊncia da Trilogia do Dólar> EL CONDOR, 100 RIFLES, A MARCA DA FORCA, CHARRO e até um pouco de O úLTIMO PISTOLEIRO com john Wayne)

sitedecinema disse...

2-Alguns dos faroestes clássicos mais sujos com personagens-e clima-mais sujos q temos pré-explosão Leone são RIO BRAVO-ONDE COMEÇA O INFERNO e até EL DORADO (tudo bem, é de ´66).
Por sinal, o filme q até pode ser chamado como o primeiro ´Spaghetti´ (foi rodado no deserto da Almeria com técnicos italianos e espanhóis0, apesar de realizado por um inglÊs, foi financiado com capital parte proveniente da Espanha tal qual muitos EuroWesterns), foi TIERRA BRUTAL-THE SAVAGE GUNS, rodado em 1960, estrelado por Richard Basehart.
O meu ponto é que O DóLAR e Gemma não são menos significativos/representativos aos Faroestes italianos do q outors títulos e atores, muito pelo contrário.

Pastorelli disse...

Excelente blog, encontrei ao procurar uma critica do filme O Dólar Furado, mas poderia ter uma busca assim acharmos a critica sobre determinado filme, por exemplo: procuro uma critica sobre o filme A Lenda do Pianista do Mar, e não sei se aqui tem, e não vou ficar olhando item por item para procurar, não é? se tivesse uma busca seria excelente.

aprigiohistoria disse...

Discordo quando se diz que O dólar furado foi feito nos moldes dos faroestes americanos e que as personagens são limpinhas.Observem os personagens do bando de McCory, são quase todos barbados, e sujos o tempo todo. Observem a cena em que Gary (Gemma) apanha. É tudo bem realístico, vemos o suor escorrer pela face dos bandidos e o sangue misturado à poeira escorrendo pela face daquele. Os cenários e as personagens não são realmente tão sujas como os do chamado spaghetti típico- ou legítimo, digamos assim- de leone, Corbucci, etc. No entanto ele esta´bem distante do visual dos americanos tudo muito limpinho e arrumado. Ocorreram alguns americanos, citados aqui inclusive, que apresentaram ambientes mais de acordo com a realidade do velho oeste como Onde começa o inferno e alguns mais empoeirados, mas nunca semelhante ao que vemos nesse exemplar italiano. É sempre uma sujeira muito certinha;as roupas nunca ficam muito amarrotadas;os coldres e chapéus sempre na posição certa. A verdade é que os diretores americanos não tinham (ou não se preocupavam em ter) essa visão de realismo e os atores sempre gostavam_como ainda hoje- de apresentar o lado mais bonito do rosto, etc. etc. Para mim "O dólar furado" é um grande representante do faroeste italiano.