domingo, 25 de outubro de 2009

Bem mais críticas rápidas para pessoas nervosas


VÍCIO FRENÉTICO (Bad Lieutenant - Port of Call New Orleans, 2009, EUA. Dir: Werner Herzog)
Quando o diretor alemão Werner Herzog anunciou, ainda em 2008, que pretendia fazer uma refilmagem de "Vício Frenético", um filme policial perfeito dirigido por Abel Ferrara em 1992, muita gente quis a cabeça do sujeito. Inclusive o próprio Ferrara, que, entre outras palavras carinhosas, disse que todos os responsáveis pelo remake deveriam "morrer no inferno"!!! O fato de Herzog ter escalado Nicolas Cage para o papel que originalmente pertenceu a Harvey Keitel inclusive parecia anunciar uma iminente bomba. Aí é que vem a surpresa: este novo filme, apesar do mesmo título, não tem absolutamente nada a ver com o original de Abel Ferrara, além da presença de um policial corrupto e viciado em drogas. São dois filmes totalmente diferentes, e até agora estou tentando adivinhar o que tinha no cachimbo que o diretor alemão fumou quando resolveu fazer uma obra com o mesmo nome de outra, mas sem que as duas tenham qualquer relação (UPDATE: Acabei de ler uma entrevista do Herzog explicando que o título foi imposição dos produtores, mas que, para ele, o nome do filme seria apenas "Port of Call New Orleans"). Enfim, o que vale é que o novo "Bad Lieutenant", exibido na Mostra de Cinema de SP com o mesmo título nacional do filme de Ferrara, "Vício Frenético", é muito bom, desde que o espectador não compare com o outro, bem entendido. Enquanto Ferrara fez um drama deprimente e sério, o filme de Herzog está mais para uma comédia de humor negro sobre um policial viciado em drogas (Cage) que, injustamente condecorado como herói por sua atuação durante o caos provocado em New Orleans pós-furacão Katrina, é promovido a tenente e investiga uma chacina comandanda por traficantes de drogas. Mas, durante 120 minutos, o "herói" faz de tudo - acumula dívidas de jogo, inferniza a vida da namorada prostituta interpretada por Eva Mendes, desvia droga da sala de evidências da delegacia... -, MENOS investigar o crime que deveria investigar. A atuação exagerada e caricatural de Cage é perfeita para o tipo de filme que Herzog está dirigindo, e o espectador até ri de nervoso nas cenas em que o "herói", completamente chapado, vê iguanas sobre a sua mesa ou ameaça atirar em duas velhinhas indefesas. A trama toma rumos imprevísiveis, e o inferno em que o personagem do ator mergulha acaba prendendo a atenção até o final fraquinho, que tenta descambar para uma absurda conclusão moralista. Resumindo: não compare com o maravilhoso policial dirigido por Abel Ferrara em 1992 e divirta-se!




DISTRITO 9 (District 9, 2009, EUA/Nova Zelândia. Dir: Neill Blomkamp)
Eis um ótimo filme que merece todos os numerosos elogios que recebeu (não, não é mais um caso de "hype" injustificado). "Distrito 9" é uma versão ampliada do curta-metragem feito pelo mesmo diretor, Neill Blomkamp, em 2005 (chamado "Alive in Joburg"). Em forma de "mockumentary", aquele curta apresentava, em 6 minutos, a tensa relação entre humanos e seres extraterrestres que chegaram à Terra e começaram a morar em Johannesburg, na África do Sul. O prólogo de "Distrito 9", que dura quase meia hora, apresenta a mesma situação através de várias câmeras "amadoras" (de segurança, de uma equipe de documentaristas, de televisão...), também tentando criar um clima de realismo para uma situação no mínimo interessante: o fato de uma raça alienígena estar vivendo à margem da sociedade e hostilizada pelos humanos em uma gigantesca favela na África do Sul. A reviravolta acontece quando uma multinacional decide desapropriar a favela (chamada de Distrito 9) e deportar todos os aliens para um local distante, onde viveriam em uma espécie de campo de concentração. Ao entregar as ordens de desapropriação, o burocrata Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley, engraçadíssimo) é infectado por um organismo alienígena e começa a sofrer mutação, transformando-se em um dos extraterrestres, e obviamente sendo perseguido pelos humanos, que pretendem estudá-lo "a fundo". Ele terá que vencer o próprio preconceito e buscar a ajuda dos aliens que vivem no Distrito 9. O roteiro de Blomkamp e Terri Tatchell logo deixa a sátira e a crítica social (a metáfora para o "apertheid"; o fato praticamente inédito de vermos aliens no Terceiro Mundo, e não nos EUA) para entrar no terreno da ação e violência. É um amálgama de situações de vários outros filmes ("Missão Alien", "Inimigo Meu", a nojenta metamorfose de "A Mosca"), mas de uma forma criativa e muito original. E o fato de o cineasta Peter Jackson assinar a produção deve ter contribuído para que os burocratas de Hollywood não colocassem suas mãos no projeto e estragassem a história. Indiscutivelmente, um dos melhores filmes do ano: uma estranha combinação de aventura, ficção científica, humor negro, violência e crítica social, que milagrosamente funciona do início ao fim.




GAROTA INFERNAL (Jennifer's Body, 2009, EUA. Dir: Karyn Kusama)
A ex-stripper Diablo Cody ganhou o Oscar de Melhor Roteiro original pela comédia romântica "Juno", em 2008. Considerando que no roteiro daquele filme ela citava, com muita propriedade, obras de diretores como Dario Argento e Herschell Gordon Lewis, não deixa de ser um tanto frustrante este seu novo trabalho, "Garota Infernal", dirigido por Karyn Kusama. Vendido como horror adolescente, realmente não passa disso: um "terrir" PG-13 cuja idéia (a garota mais cobiçada da escola é possuída por um demônio e começa a devorar, literalmente, os colegas) nem é das mais originais, lembrando filmes como "Decoys" (2004) e o bastante superior "Possuída" (2000). A grande vedete da coisa toda é a linda Megan Fox ("Transformers"), no papel principal de "garota infernal". Mas o excesso de cenas "Vejam como sou gostosona", com a moça desfilando em câmera lenta, ou aparecendo apenas de calcinha e blusas decotadas, chega a cansar. Sim, Megan Fox É gostosa, mas depois do milésimo take dela caminhando em câmera lenta, até o mais tarado dos admiradores da atriz acaba cansando. Isso sem contar que ela só ameaça, mas nunca aparece pelada, o que seria uma das grandes atrações do filme. O que sobra é uma historinha bem-humorada de horror feita para adolescentes, com muito sangue e nojeira, mas pouquíssima violência. Para quem passou dos 20 anos (de idade física e mental), "Garota Infernal" já não assusta e nem surpreende; até diverte, mas não passa de "bonzinho". Resta, então, apreciar o corpitcho da srta. Fox e algumas boas sacadas do roteiro (como a cachoeira misteriosa), além de citações a obras como "Evil Dead" e "The Rocky Horror Picture Show" ("Não gosto de filmes sobre boxe", responde a moça convidada a ver este filme!). E por falar em citação, será que o título original, "Jennifer's Body", tem alguma coisa a ver com o giallo "What Are Those Strange Drops of Blood Doing on Jennifer's Body?" (1972, dirigido por Giuliano Carnimeo) ou foi apenas uma feliz coincidência?




O INFERNO DE CLOUZOT (L'Enfer D'Henri-Georges Clouzot, 2009, França. Dir: Serge Bromberg e Ruxandra Medrea)
Stanley Kubrick foi um diretor maluco e publicamente conhecido pela sua obsessão por detalhes e por infernizar a vida de seus atores e atrizes. Porém, perto do francês Henri-Georges Clouzot durante as filmagens de sua obra-prima inacabada, "L'Enfer", Kubrick fica parecendo um cordeirinho. Este interessante documentário francês, outra das atrações da Mostra Internacional de Cinema de SP, resgata imagens do filme nunca-lançado de Clouzot (diretor de clássicos como "O Salário do Medo"), acompanhadas de relatos de integrantes da equipe que viveram aquele pesadelo ao vivo durante todo o ano de 1964. Explicando para quem não conhece a história: Clouzot escreveu um roteiro sobre um homem (Serge Reggiani) consumido pelo ciúme doentio que sofria pela sua bela esposa (Romy Schneider). Embora fosse um filme com pouquíssimos atores e locações, o diretor torrou meses de filmagens (e muita grana também) só fazendo testes de efeitos para filmar as alucinações sofridas pelo personagem principal - principalmente trucagens fotográficas e efeitos de iluminação, numa época em que não havia CGI. Quando as filmagens da obra em questão finalmente iniciaram, Clouzot forçou seus atores ao limite, até que Reggiani, puto dos cornos, abandonou a produção, e o próprio diretor sofreu um ataque cardíaco quase fatal, decidindo, então, arquivar as 15 latas de negativos (com horas e horas de cenas e testes de filmagens), deixando "L'Enfer" inacabado e nunca exibido até a realização deste documentário. O trabalho de Bromberg e Medrea é bastante reverente a Clouzot (que morreu em 1977). Aliás, às vezes é reverente DEMAIS, e os diretores parecem tão preocupados em exibir as imagens inéditas de "L'Enfer" que esquecem de cuidar do ritmo do filme, obviamente pesado com a repetição "ad nauseum" das cenas e fragmentos filmados por Clouzot. O que sobra é um retrato bastante lúcido da loucura de um cineasta extremamente detalhista e perfeccionista, e do pesadelo que se tornou o seu sonho de fazer um filme perfeito (é uma pena que jamais vejamos uma versão finalizada de "L'Enfer", já que, pelas imagens exibidas no documentário, a obra tinha tudo para ser realmente genial). Acho que, em termos de megalomania cinematográfica, "O Inferno de Clouzot" fica na mesma linha de "Final Cut" (2004, dir: Michael Epstein), sobre as filmagens do mega-desastre "O Portal do Paraíso", de Michael Cimino, em 1980. Mas há um porém: este documentário francês, tão didático quando o tema é a pré-produção e as filmagens de "L'Enfer", falha ao não trazer explicações, na conclusão, sobre porquê, afinal, o filme foi cancelado. Também não informa que o mesmo roteiro de Clouzot foi filmado, em 1994, por seu colega Claude Chabrol, transformando-se no ótimo, mas pouco conhecido, "Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo", em que a musa Emmanuelle Béart assumia o papel que fora de Romy Schneider. Mesmo assim, para quem curte documentários sobre os bastidores do mundo cinematográfico, este é obrigatório.




PACTO SECRETO (Sorority Row, 2009, EUA. Dir: Stewart Hendler)
Refilmagem de um interessante slasher de 1983 ("The House on Sorority Row", de Mark Rosman), "Pacto Secreto" não só é um dos piores remakes do ano, como um dos filmes de horror mais estúpidos dos últimos tempos. Para começo de conversa, o roteiro deste suposto "remake" não tem nada a ver com o original, além do fato de a história se passar em uma casa de fraternidade. Analisando friamente, parece mais uma refilmagem de "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado" do que qualquer outra coisa. A trama é sobre fúteis garotas de uma fraternidade que, durante uma brincadeira que dá errado, provocam a morte de uma amiga. Resolvem ocultar o crime, apenas para serem aterrorizadas por um psicopata durante a sua festa de formatura. Nada de novo no front, hein? O original já não era nenhuma maravilha, mas pelo menos divertia e tinha um final-surpresa muito legal, com um assassino idem. Neste remake, resolveram partir para o vale-tudo, incluindo um absurdo "final Pânico" em que um dos personagens principais se revela o assassino, mas com um motivo tosco e absurdo para cometer os crimes. E se a bengala usada pelo assassino no filme de 1983 já era uma arma ridícula, o que dizer da CHAVE-DE-RODA NINJA usada pelo assassino agora, que funciona tanto para apunhalar pessoas quanto como arma de arremesso? O resultado é um filme patético, cheio de furos de roteiro, clichês e piadinhas fora de lugar, que poderia ser lançado com o título "Todo Mundo em Pânico 5". Dá até pena de Carrie Fisher, velha, acabada e decadente, numa "participação especial" que é o fundo do poço. (E se você ainda não está convencido da ruindade do filme, clique aqui para ler minha crítica na Boca do Inferno.)




SALVE GERAL (idem, 2009, Brasil. Dir: Sérgio Rezende)
O diretor Sérgio Rezende gosta de fazer filmes que têm como tema momentos da história do Brasil, como "Lamarca" (1994), "Mauá - O Imperador do Brasil" (1999) e "Zuzu Angel" (2006). Pois seus filmes parecem exatamente isso: uma aula de história, e das mais chatas, que nunca envolve nem emociona o aluno, ou melhor, o espectador. Rezende sempre esquece que o cinema tem que ser cinema, e não Telecurso Segundo Grau, e volta a repetir este erro em "Salve Geral" - que, como os bandidos do PCC retratados na história, atira para todos os lados, mas raramente acerta o alvo. Com roteiro do diretor e de Patrícia Andrade, o filme aborda o famoso mega-ataque do PCC que parou a cidade de São Paulo em 2006, agora sob a ótica de uma mãe de classe média (Andréa Beltrão), cujo filho, preso por um "homicídio acidental", está num dos presídios rebelados. Se fosse só isso, talvez "Salve Geral" encontrasse algum foco para desenvolver sua narrativa. O problema é que o roteiro de Rezende e Patrícia tenta criar um caleidoscópio de personagens e fatos, estilo "Crash - No Limite". Assim, o filme se transforma num festival de pequenas histórias que nunca chegam a envolver o espectador, mas que, sozinhas, até poderiam render bons filmes, tipo a relação da mãe desesperada com o Professor, um dos líderes do PCC (elemento tão gratuito na trama que podia ter ficado no chão da sala de edição), o policial linha-dura que aproveita a rebelião para sair fuzilando bandidos à la Capitão Nascimento, ou a forma como a mãe descobre o funcionamento do PCC fora dos presídios. Até um filme "men in a mission" com os bandidos ligados ao PCC aterrorizando São Paulo ficaria melhor que essa mistureba feita por Rezende. Mas, tudo junto, a coisa não funciona, e mortes como a do amigo do filho da protagonista (no início) ou a do Professor são tão repentinas e sem graça que o espectador acompanha tudo muito distante. O melhor do filme são as cenas que recriam os ataques do PCC, principalmente as longas tomadas aéreas da cidade "parada". Fora isso, é pura rotina: um novelão mal-dirigido e com um roteiro que tenta abraçar o mundo, mas não consegue nem deixar o espectador interessado. Tanto que, quando os créditos finais sobem, o mais comum é você se pegar perguntando: "Tá, e daí?". Além disso, enche o saco o fato de quase todos os bandidos mostrados no filme serem bonzinhos ou bem-intencionados - parece até um "Carandiru 2 - A Missão"!!!




A COLHEITA MALDITA (Children of the Corn, 2009, EUA. Dir: Donald P. Borchers)
"A Colheita Maldita" é um filme dirigido por Fritz Kiersch em 1984, inspirado num ótimo conto curto de Stephen King ("As Crianças do Milharal"), e que deu origem a seis continuações (!!!). Assisti todos os filmes para fazer um artigo no site Boca do Inferno e, sinceramente, é tudo muito ruim, inclusive o original, que adquiriu uma inexplicável aura de "cult movie" com o passar do tempo. Nunca gostei da adaptação de 1984, que destruía os melhores elementos do conto de King e ainda tinha um absurdo final feliz. Tudo isso foi corrigido com este novo "A Colheita Maldita", agora dirigido pelo produtor do filme de Kiersch, Donald P. Borchers, como produção para um canal de TV a cabo. O melhor de tudo é que não se trata de um remake do fraquinho filme de 1984, mas sim de uma readaptação fidelíssima do conto de Stephen King, com pouquíssimas liberdades poéticas. Torna-se, assim, a melhor coisa que já saiu com o título "A Colheita Maldita". A nova versão mostra um casal em crise, Burt e Vicky, viajando de carro pela zona rural do Nebraska nos anos 70. Após atropelar um garotinho que fugia do milharal, Burt resolve pedir ajuda na cidade mais próxima, Gatlin, apenas para descobrir que o local está deserto - ou quase, já que ali existe uma sinistra seita de crianças fanáticas. O restante é uma versão "live action" do conto sem tirar nem pôr, com muito sangue e violência, e resultado bastante corajoso para os padrões atuais, principalmente ao mostrar o "herói" matando crianças a sangue-frio e até uma cena de sexo, entre adolescentes rodeados de crianças, DENTRO DE UMA IGREJA. Nestes tempos em que até "Last House on the Left" é refilmado com final feliz, o novo "A Colheita Maldita" pode até não ser nenhum filmaço ou clássico do gênero, mas é muito superior ao filme original e uma das melhores adaptações de Stephen King feitas nos últimos anos.




CHE PARTE 1 - O ARGENTINO/CHE PARTE 2 - A GUERRILHA (Che Part One/Che Part Two, 2008, EUA/Espanha/França. Dir: Steven Soderbergh)
É praticamente impossível avaliar separadamente os dois capítulos da saga de Steven Soderbergh sobre o guerrilheiro Che Guevara, já que eles se complementam à perfeição. Seria o mesmo que analisar "Kill Bill" Volume 1 e Volume 2 como duas aventuras diferentes. Penso até que algum editor eficiente poderia juntar sem muita dificuldades os dois filmes para fazer um só, com umas três horas de duração (bastaria cortar as incontáveis cenas dos guerrilheiros perambulando pela selva, ou os longos apertos de mão e apresentações entre os personagens, por exemplo). O que importa é que, com a história separada em dois filmes, cada "episódio" acaba narrando etapas bem distintas da vida de Che, perfeitamente representado por Benicio Del Toro. A primeira parte, que tem o subtítulo "O Argentino", se passa em 1956, e mostra o argentino Ernesto "Che" Guevara integrando a tropa de revolucionários cubanos que pretende depor o ditador Fulgencio Batista. Após fantásticas batalhas contra o exército cubano, a Revolução sai vitoriosa e Fidel Castro assume o comando do país. Já a segunda parte, "A Guerrilha", apresenta fatos ambientados em 1967: Che abandona sua vida de regalias no governo de Cuba para tentar dar um novo golpe de estado, agora na Bolívia - só que dessa vez ele se dá mal, como contam os livros de história. Só a interpretação hipnótica de Benicio já faria valer os dois filmes, que somam quase 5 horas de duração. Mas há vários outros pontos positivos, como o tom humano e realista adotado pelo diretor Soderbergh (que só torna mais dramática a queda do protagonista no final do segundo filme), a belíssima fotografia, e ainda o fato de serem duas produções norte-americanas totalmente faladas em espanhol - ao contrário do "Che!" dirigido por Richard Fleischer em 1969. Acredito até que o tempo (e o lançamento em DVD) irá fazer mais justiça aos filmes, que no Brasil chegaram aos cinemas com um enorme intervalo entre um e outro, ao contrário do que acontecia lá fora. Na Europa, por exemplo, você podia sair de uma sessão da Parte 1 e já entrar direto na da Parte 2!




A ÓRFÃ (Orphan, 2009, EUA. Dir: Jaume Collet-Serra)
Casal em crise adota uma menininha sinistra, Esther, para viver com seus outros dois filhos biológicos. Coisas terríveis começam a acontecer. Quando a mãe adotiva percebe que há algo errado com Esther e tenta alertar o marido, quem passa por louca é ela. Afinal, como aquela inocente garotinha poderia ser malvada? Em resumo, "A Órfã" é só isso. O trailer até tenta vender um novo "A Profecia", mostrando uma criancinha demoníaca que apronta horrores. Mas não passa de um preview exagerado e que não condiz com a realidade, já que a trama do filme está mais para "O Anjo Malvado" (aquele suspensezinho descartável com Macaulay Culkin). O final dá uma guinada bizarra, com uma reviravolta que até surpreende o espectador, mas também destrói todo o conceito (e principalmente toda a coragem que o filme demonstrava até então). O que importa é que este novo trabalho do diretor Jaume Collet-Serra (diretor do legalzinho "A Casa de Cera") até diverte, especialmente se você estiver com pouca ou nenhuma expectativa. Apesar daquele climão de telefilme do Supercine, ele reserva alguns momentos escabrosos, como a pequena Esther matando uma freira a marteladas. O filme alterna momentos bastante corajosos (o destino do pai boa-pinta, essa cena da freira...) com outros de extrema covardia (por que Esther nunca consegue matar seus irmãos adotivos, mesmo quando sufoca um deles num hospital até ele ter uma parada cardíaca?). E a "reviravolta final", ainda que interessante e surpreendente, só torna tudo ainda mais covarde. O achado de "A Órfã" é a atriz mirim Isabelle Fuhrman, de apenas 12 anos, compondo uma daquelas vilãs que deixam o espectador morrendo de raiva. Com uma performance "adulta" e assustadora em vários momentos, ela inscreve sua Esther entre as grandes vilãs infantis da história do cinema. Pena que o filme esteja muito distante de outros contos com crianças assassinas, e abuse do tradicional "susto-TCHAM", motivado simplesmente pelo aumento da trilha sonora.

16 comentários:

Leandro Caraça disse...

Você também viu INFERNO e VÍCIO FRENÉTICO na mostra, felipe ?

Dica de um ótimo filme sobre pirralhos homicidas: THE CHILDREN.

Felipe M. Guerra disse...

Sim, vi os dois este domingo no CineSesc. Você estava nas mesmas sessões? hahaha.

O nosso "crítico preferido", cujo nome não pode ser pronunciado aqui, estava duas fileiras na minha frente na sessão do Inferno, fiquei até tentado a dar um tapão na orelha do mané!

Leandro Caraça disse...

Assisti aos dois junto da Laura. O filme do Herzog nós vimos no sábado no Shopping pompéia, mas ontem também estávamos no Cinesesc. Se soubesse da sua presença, a gente aproveitava e pegava o mané na saída. ;)

Também pegamos uma sessão de SEDE DE SANGUE. O filme é excelente.

Matheus Ferraz disse...

Ontem eu assisti a uma entrevista com o Ivan Cardoso na TV (isso mesmo, entrevistaram o Ivan Cardoso na TV aberta!) e ele disse uma frase que eu acho que resume perfeitamente os filmes tanto do Resende quanto de vários outros cineastas brasileiros. Ele disse algo como:
"No Brasil, o cara faz cinema para provar que é Godard, e acaba fazendo um filme que nem a esposa nem o filho dele querem assistir. Eles preferiam ver os meus filmes."
Perfeito!

Iesus Filho disse...

desses comentados, vi só o che parte um (pseudo-vi) e a órfã.
Che, como presumido, eu quase morri para ver uma hora... chatíssimo! - na verdade eu estava com bastante sono e, bem, não é um tema que me agrada em demasia. Mas duas coisas são interessantes: a interpretação do del toro (apesar de del toro sempre ser bem... del toro) e as cenas abruptas do futuro (em preto e branco) entre as cenas do presente.
Quanto "órfã", você soube exprimir muito bem o que é o filme. só que eu achei o filme bem divertido. Tudo bem, tudo bem, eu me enquadro no grupo "eu não esperava porra nenhuma, só o tédio" e me surpreendi com a violência e a tara do diretor em deixar tudo (mas tudo!) na tela, explícito que é uma beleza, e isso, numa produção dessa, já foi motivo de felicidade no momento (acordei quando a menina caí do brinquedinho do parque - violência dinâmica).
Mas sim, o filme vive de sustinhos vazios, a câmera seguindo os personagens, quando na verdade não há NADA! mas ok, ok, tem a freira pra amenizar! Agora, sim, sim, é decepcionante e bem broxante a covardia na parte final do filme, onde o irmão dela vira quase um ser bíblico que "ressucita", pois quando está debilitado e é morto pela russa e tals tals, a mãe acorda e o pai, com cara de tranquilidade e sorridente, diz entre outras coisas, que o menino tá bem e vivo, mesmo não mostrando o guri o resto do filme.
E sim, transformar a menina em... naquele desfexo do filme perde muuuuito em coragem, fazendo perder o peso e o choque do que poderia ter sido; mas vá, pelo menos é um final bem bizarro e acerebrado, totalmente "porra, temos que inventar o final pra amenixar a situação "evil kid", porque acho que colocar ela como russa ainda a deixa como criança... e pode chocar alguém, eu acho. Então... há, coloca aí que ela.... porque neste lado do mundo toda bizarrice é possível e estaremos legitimados". Tudo bem que nem é grande filme, mas é diversão garantida para um domingo morno!

Allan Verissimo disse...

Felipe, eu não acredito que o senhor chegou a ficar cara a cara com o PV e não teve vontade de tirar uma com ele!

Só por curiosidade, ainda não vi JUNO e gostaria de saber se esse filme realmente mereceu todo esse festival de elogios.

Matheus Ferraz disse...

Allan, falando por mim, Juno é um filme bonitinho que foi estragado por esta vontade de vendê-lo como uma obra prima.

A propósito, vou reafirmar a minha bronca, porque Garota Infernal não foi lançado fora do circuito Rio-SP, culpa, obviamente, da Playarte.

Felipe, vendo Pacto Secreto, eu fiquei rindo da sua cara, por causa do que você afirmou no artigo do Colheita Maldita original, reclamando que eles usavam uma chave de roda como se fosse a melhor arma do mundo. Parece que só de sacanagem fizeram um filme inteiro do "maníaco da chave de roda".

artur disse...

porque será que não estou surpriendido com o que o Ivan Cardoso disse a respeito do nosso cinema de hoje, depois ficam vendendo ingréssos a quatro reais só pra dar lucro e depois reclamam que o cinema brasileiro não dá público, hoje em dia as pessoas tem que aprender a fazer cinema popular, não essas porcarias de hoje, vejam O Alto Da Compadecida por exemplo (tirando aquela parte que a Nossa Senhora fala sobre a pobreza nordestina) o filme tem uma linguagem popular, até mesmo usando literatura de cordel interpretadas brilhantemente por Selton Mello com seu personagem Chicó, esse filme é bem diferente de muitos filmes brasileiros que tem por ai e muito engraçado,e sobre tentarem ser Glauber Rocha como o Felipe diz, é bobagem, porque o cara conseguia agradar gregos e troíanos, pois fazia filmes folosóficos e populares ao mesmo tempo, não vou dizer que já vi um filme do diretor inteiro, vi o final de O Dragão da Maldade contra O Santo Guerreiro, e termina com um tiroteio bem violento com direito tirambaços e muito sangue, nem por isso as pessoas daquela época copiavam sua fórmula de fazer filmes, esquecam o crítico pit-bicha, é um idiota que diz coisas sem fundamento nenhum, e usa palavras dificeis só pra dizer que é intelignte, o cara só fala besteira, bem, sobre o resto da lista quero ver os filmes do Che Guevara e Distrito 9.

Allan Verissimo disse...

Felipe, tem um perfil no Twitter com o seu nome, as suas informações e o seu endereço do blog. O problema é que não há nenhuma postagem. É o senhor mesmo ou algum fake?

alexandre de barros disse...

melhor filme sobre crianças assassinas ,na minha humilde opinião é o espanhol quien puede matar a un nino. quem não conhece vale a pena conferir. infelizmente inédito no brasil

Felipe M. Guerra disse...

MATHEUS e ARTUR - Coincidentemente, fui numa cabine de imprensa de "Um Lobisomem na Amazônia" segunda-feira. Esse filme do Ivan está pronto desde 2005, mas só agora ele consegue lançar. Claro que eu já tinha visto, até achei divertido, mas é uma pena que um filme como este jamais encontrará seu público nos "cinemas de shopping", mesmo com a Danielle Winits de peitos de fora. Se ficar mais que duas semanas em cartaz é lucro.

MATHEUS - Também lembrei desse meu comentário sobre a chave-de-roda como arma eficaz nos textos sobre "A Colheita Maldita". Eu e minha boca grande...

ALLAN - Fiz aquele twitter justamente para ninguém criar um com meu nome e sair falando bobagem. Mas não tenho nenhum interesse em twittar, sou prolixo demais para ficar preso ao formato de cento e poucas palavras.

T.K disse...

Esse Sérgio Rezende tem que ser assaltado e humilhado por um noia para ele parar de endeusar bandido no cinema.

Outro otario é o Bruno Barreto dá vontade de enfiar o rolo de filme do Onibus 174 naquele cu dele! Sobre o caso do busão, tem que ver o documentario do Padilha, ai lá mostra como é o VERDADEIRO sequestrador do onibus, um filho da puta desgraçado que merecia ser morto e não tratado como um coitadinho.

É, os "diretores" brasileiros tem que parar de fazer filme em que o marginal é o héroi, já virou até cliche!

artur disse...

oise é felipe, infelizmente hoje em dia está maio díficil fazer filmes assim hoje em dia, V.K falou tudo, eu sobe que tem um filme do Rubens Da Silva prado a.k.a alex Prado sobre o maníaco do parque.

Felipe M. Guerra disse...

A propósito, aquele crítico cujo nome está proibido aqui escreveu uma resenha bem semelhante à minha sobre "O Inferno de Clouzot".

Já estou acionando meus advogados.

Isma-El Kavallera disse...

Felipe, sabe onde consigo essa versão da "Colheita Maldita"?

Nunca me interessei pelo filmes, até porque tu explicou exatamente "do que se tratava" no Boca do Inferno rsrs

Mas esse aí me interessou....sabe onde conigo baixar?

JFelepe McQuade disse...

Comecei a assistir Distrito 9, ainda vou terminar hj. Até agora tá "bonzinho", pra mim, não que isso. Rpzzzz, pra velhos chatos como eu - tenho 27 anos - essa gama por essa "câmera-verdade" é o que enche o saco. Na verdade, o que eu acho é que isso é uma coisa chata pra cacete, e que nao substitui a falta de estilo - "presença" - dos filmes do momento.