terça-feira, 16 de março de 2010

Tudo que você sempre quis ler sobre GLAUBER ROCHA, mas tinha preguiça de procurar


Uma das coisas mais chatas para quem estuda/estudou Comunicação ou Cinema é que os professores tentarão desesperadamente te vender a idéia de que Glauber Rocha é um gênio, um deus, o intelectual dos intelectuais, uma criatura abençoada vários degraus acima de nós, pobres mortais. Isso é sagrado, e se você não concordar com eles é porque a sua ignorância lhe cega, o seu preconceito lhe oprime, e não lhe permite enxergar a beleza e a genialidade do "maior cineasta brasileiro de todos os tempos"!

Pessoalmente, Glauber Rocha para mim sempre foi um chato de galocha e um caso clássico de "Não vi, não gostei", como escrevi nas minhas breves linhas sobre "Deus e o Diabo na Terra do Sol" alguns posts abaixo. Sim, eu conhecia algumas cenas dos seus filmes mais famosos, li muito sobre o homem e a obra, mas sempre que tentei ver algum dos seus filmes, não consegui ir muito além dos primeiros minutos. Vai ver a genialidade do Glauber é demais para a minha pobre cabecinha ignorante e acostumada ao "lixo cinematográfico" mais tradicional, mas juro que não consigo entender a grande contribuição glauberiana para o cinema brasileiro, quem dirá para o cinema mundial!

Enfim, neste ano eu resolvi que ia dar uma chance ao "gênio", forçando-me a agüentar bravamente uma revisão da sua obra. Acabei chegando à conclusão de que o culpado não sou eu. O cinema glauberiano pode até ter seus méritos (imagens e planos belíssimos, algumas ótimas idéias, o aproveitamento da cultura regional, do misticismo do Nordeste...), mas no fim seus filmes não me descem nem à força. EU NÃO CONSIGO GOSTAR DE GLAUBER ROCHA, e sempre me pareceu que a obra de Glauber é exageradamente super-estimada - "suportar" seus filmes até o fim só me confirmou esta suspeita.


É comum se sentir um alienígena por pensar assim, já que a maioria absoluta dos pensadores/pesquisadores/professores/críticos de cinema do Brasil (e alguns do exterior também) acha Glauber um Deus. Tente discutir a obra do cara com um daqueles metidinhos a cinéfilo-cult para ver o que acontece – só não vá armado! E foi justamente por me sentir um alienígena que vibrei de satisfação ao encontrar, por acaso, esta velha crítica de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", escrita à ocasião do lançamento do filme, em 1964.

Pois vejam só: a crítica traz tudo aquilo que eu sempre quis ler sobre Glauber Rocha! Podia muito bem ser usada como contraponto, nas universidades, àqueles textos do Ismail Xavier que tratam tudo que vem do Glauber como pura genialidade.

O autor é B.J. Duarte, crítico de cinema que, à época, era inimigo declarado de Glauber por causa das bobagens que o baiano disse e escreveu sobre o cinema paulista. Em alguns de seus artigos, Duarte referiu-se a Glauber e seus colegas cinema-novistas como "cabeludos sem asseio, desmazelados críticos e realizadores, praticantes de um cinema incerto e inculto, pasticheiros incorrigíveis", e outras maravilhas com as quais eu concordo quase 100%. Melhor ainda: escreveu que Glauber e sua turma praticavam "um cinema confuso, mosaico feito com cacos da nouvelle vague, os cacos de muito aparvalhado e a cacologia dos servis imitadores de Godard e Antonioni, de Zavattini e do japonês Oshima". Alguém realmente não concorda com isso?

Segue, na íntegra, os escritos do sujeito sobre "Deus e o Diabo...", e não é preciso concordar 100% com ele, mas reparem que o autor faz observações pertinentes que muitos "entendidos" relevam frente à sua cega paixão (ou seria idolatria?) glauberiana. Muitas vezes, simplesmente por puro medo de fazer feio diante de seu círculo de amiguinhos cinéfilos! Portanto, abram a cabeça e deleitem-se:


"Ao afirmar, desde logo, que não me agradou o filme de Glauber Rocha – Deus e o Diabo na Terra do Sol – não quero, com essa apreciação preliminar e radical, negar a inteligência de seu realizador, nem menosprezar seu entusiasmo de jovem, no manuseio dessa história de cangaço e misticismo, na sua ambição de realizar algo definitivo nesse indefinido 'Cinema Novo', de que é ele o campeão insuperável e o guarda-costas mais fiel.

Uma longa conversa com Glauber Rocha antes de assistir ao filme foi-me muito benéfica, na antecipação da análise da obra, e as declarações prestadas por seu realizador a respeito de suas idéias, gerais e particulares, sobre Deus e o Diabo, a abarcar o panorama do cinema brasileiro atual, firmaram posições, definiram pontos de vista e esclareceram satisfatoriamente algumas contradições e incoerências de atitudes encampadas no livro de Glauber 'Revisão Crítica do Cinema Brasileiro', sobre o qual eu escrevera exaustivamente neste jornal. E, como após a leitura desse livro, a impressão que fica, ao acender das luzes de Deus e o Diabo na Terra do Sol, é a de que Glauber Rocha deu um passo maior do que as pernas, claudicando grosseiramente ao fim desse esforço no campo áspero do cinema.

Seu filme é algo de deplorável em matéria de linguagem cinematográfica, apenas a demonstrar por parte do autor o desejo de colocar o cinema do Brasil na órbita de um movimento 'artístico' surgido na Europa ultimamente (embora as idéias que o configuram sejam antiquadas e superadas), chamado na França de 'cinema-verité', aqui caricaturado a expensas do nosso 'Cinema Novo', também esse, como é sabido, sem ostentar nenhuma novidade digna de atenção e de respeito. De fato até agora, tudo quanto apregoa o 'Cinema Novo' brasileiro ou é algo de muito velho, ou algo de muito ruim.
(Nota do Felipe: Este parágrafo merecia ser emoldurado e pendurado nas salas de aula de cursos de Cinema ao redor do país!)


Suas derivações mais recentes, Glauber Rocha as contou, em prosa inflamada, na sua 'Revisão Crítica', nesse livro tentando a árdua empresa de ordenar e expor o 'modus faciendi' da técnica de suster uma câmara na mão, sem apoio de tripé, sem os óculos dos filtros, sem a reverberação compensatória dos rebatedores, coisa de adolescentes que, pela primeira vez, conseguiram ter à mão uma câmara de amador e que, através do visor restrito, descobrem um mundo novo, configurado por uma técnica que desconheciam. Acontece que o mundo, para eles novo, continua a ser o mundo velho sem as porteiras de sempre e o que o aparelho consegue captar são imagens capengas e canhestras, só formativas da obra característica de aprendizes. Aprendizes de feiticeiros, que ao final, ou ao meio da produção, não sabem como situar-se no tumulto que criaram, nem como terminar a empreitada que a princípio lhes parecia tão fácil.

Deus e o Diabo na Terra do Sol é bem um exemplo disso. Projeção trêmula, quadros trepidantes, incríveis vaivéns de panorâmica sem função, desrespeito absoluto pelas regras mais elementares da técnica cinematográfica, iluminação precária da fotografia (não raro fora de foco) totalmente apartada da dramaturgia cinematográfica, desintegração total da unidade dramática, ausência de qualquer elemento criador na montagem narrativa fragmentada, descosida, tantas vezes incompreensível, eis o espetáculo de Deus e o Diabo na Terra do Sol, algo a que se assiste com enfadonha e fadiga, cujo final se recebe com alegria e desafogo.

'Uma ópera popular primitiva, brasileira e sem rebuscamentos', eis como define sua obra o próprio Glauber Rocha, ao referir-se a Deus e o Diabo na Terra do Sol, em entrevista concedida a este jornal. Primitivo, sem dúvida, seu filme o é; mas, primário seria melhor qualificação. Primário na exposição do tema, primaríssimo em sua feitura e em seu acabamento, uma negação total de seu próprio título. Não há Deus, nem Diabo, nem Sol, nessa terra em que Glauber Rocha erigiu o cenário de sua ópera. O seu Deus é um pobre diabo negro, enfático e declamador, incapaz de convencer o mais bronco dos sertanejos. O seu Diabo é um deus caricato, cabeludo, metido a filósofo do sertão e bailarino das caatingas. E o Sol brilha por sua ausência, nessa terra que deverá estar crestada por ele, nesse chão sofrido que os cantadores populares descrevem como algo ressequido e morto. Pois a paisagem de Deus e o Diabo, ainda que árida, se apresenta sob o foco (ou fora de foco) da 'câmara na mão' de Glauber Rocha, sempre sob um céu nublado, nunca sapecado pelo sol abrasador.


Nesse pano de fundo não raro neutro e sem características maiores, movem-se os personagens da 'ópera': Manuel e Rosa, Sebastião e Corisco, os camponeses do Nordeste, os escravos da gleba, o cego Julio, os minguados cabras de Corisco, o Antônio das Mortes, chapelão texano, capa preta a envolver esse 'Zorro' do sertão. Tudo isso pode ter sido concebido de modo metafórico, alegórico, simbólico, aceito de bom grado essa possibilidade na expressão de Deus e o Diabo. Tais recursos, entretanto, sempre foram utilizados pelo homem, desde que, antes de ter uma câmara na mão, pôde segurar um estilete, ou uma pena para pôr na pedra, no papiro, ou no papel suas idéias, sua sensibilidade, e assim descrever os abismos de sua alma, ou figurar os anseios da sua condição humana.

Mas é preciso que tais recursos - metáforas, alegorias, símbolos - sejam propostos no momento exato, conforme as circunstâncias e de modo funcional. Um homem vestido de capa preta, chapéu de aba larga, lenço ao pescoço, espingarda à mão, a andar de lá pra cá, a correr ou a saltar no campo cinematográfico, sem integrar-se na linha, no cenário, no âmago da ação dramática e na compreensão da história, só continuará a ser um homem de capa preta, simbolizando talvez um tenório em Caxias, ou um 'zorro' ao tempo das missões na Califórnia, nunca a expressar um 'coro', ou um 'prólogo' das tragédias antigas, ou mais simplesmente o 'Antônio das Mortes', matador de cangaceiros, no sertão de Cacorobó...

Não sinto nenhum prazer, senão apenas um sentimento de melancólica decepção ao ter de comentar o filme de Glauber Rocha, não de modo metafórico, mas às claras e sem preconceitos. Admiro a inteligência do jovem cineasta baiano e tenho-o na conta de alguém capaz de muitas coisas no cinema brasileiro. Falta-lhe contudo a maturidade dos velhos, a experiência dos que envelheceram sob a luz dos refletores, desse instrumental cinematográfico que Glauber tanto condena. Mas, isso não é irremediável. O passar do tempo lhe dará tudo e mais alguma humanidade, que é coisa de muita importância na realização do cinema legítimo, desse cinema que tanto ele quanto eu próprio almejamos para o Brasil. Vamos esperar, por isso." (04 e 05/09/1964)



CLAP, CLAP, CLAP, CLAP, CLAP, CLAP!!!


33 comentários:

Fabio Rockenbach disse...

Puta post.... show

Fernando disse...

A única coisa legal do Glauber Rocha é que ele chamou o Mojica de gênio...

Rafael Medeiros Vieira disse...

Eu já tinha lido uma crítica num site chamado Almanaque virtual, se não me engano, que já pregava Glauber Rocha como uma farsa e seus filmes ruins pra burro e que envelheceram mal, até Edu Torelli, especialista em 007 já considerou odiar seus filmes.

Marcos disse...

Muito boa essa sua iniciativa de desenterrar essa crítica da época do lançamento do filme. Gostei bastante do texto e o achei muito sóbrio e equilibrado em suas considerações e análises sobre o filme.

É até estranho ouvir ou ler algo negativo sobre Glauber, já que é padrão idolatrar (cegamente?) sua filmografia. E ai de quem fizer o contrário.

Se pra gostar ou simplesmente entender seus filmes eu preciso estar num estágio avançado de sofisticação cultural, bem, posso dizer que eu ainda sou uma ameba nesse sentido, porque eu nunca compreendi nem muito menos gostei de nada feito por esse sujeito.

Valeu, Felipe. Continue o bom trabalho.

TITARA BARROS disse...

O ciema de Glauber também não desce na minha cabeça de nordestino...

Felipe M. Guerra disse...

E isso que você faz parte do público-alvo dele, TITARA... hehehehe!

Cesar Almeida disse...

Eu tinha essa resenha em um livro bilíngue lançado pela Folha de São Paulo.

Não detesto Glauber Rocha. Gosto muito do "Dragão da Maldade" e acho o "Deus e o diabo" interessante. Mais por causa do personagem Antonio das Mortes do que pelos filmes em si.

Glauber estragou o cenário cinematográfico brasileiro. Fez uma geração inteira rejeitar o cinema popular. Ele é o rei dos intelectuais metidos a besta.

Sinceramente, temos que deixar o Glauber para trás. Não precisa ser esquecido completamente, mas também não deve mais ser parâmetro pra ninguém.

Felipe M. Guerra disse...

CESAR, inclusive foi você que me recomendou o "Dragão da Maldade...", eu vi esses dias e tive que agüentar firme para não desistir. Confesso que a última meia hora é muito legal (quando ele envereda pro lado do western), mas o começo e a metade eu achei um porre, sofrido mesmo de agüentar. Toda aquela cantoria, aquela gritaria, aquela batucada... Não, obrigado, não faz o meu estilo!

osvaldo neto disse...

"Glauber estragou o cenário cinematográfico brasileiro. Fez uma geração inteira rejeitar o cinema popular. Ele é o rei dos intelectuais metidos a besta." (2)

É por essas e outras que sempre prefiro encarar um direto pra DVD do Seagal no lugar de qualquer coisa do sujeito.

Matheus Ferraz disse...

Eu me achava uma aberração por não ter suportado 10 minutos de Terra em Transe. Agora fico satisfeito de ver que não estou sozinho. Glauber não é só "o rei dos intelectuais metidos a besta"[3], ele também é citado por toda uma laia que nunca viu um de seus filmes, mas que o usa como símbolo de "gênio". E continuo sem vontade de assistir o resto de Terra em Transe, mesmo tendo a fita antiga em casa, da mesma forma que desisti, depois da última Mostra de Tiradentes, de acompanhar o cenário cinematográfico brasileiro atual. Não assisto mais nada desta cepa que não seja altamente recomendada ou altamente trash.

É exatamente o que o Tiranossauro Roy dizia: "Se eu não consigo entender uma coisa, então eu a considero inteligente."

Leandro Caraça disse...

>Eu me achava uma aberração por não ter suportado 10 minutos de Terra em Transe.

E eu que não passei dos primeiros 5 minutos de "Câncer" ?

Alexandre Gil disse...

Felipe,
o problema não é o Glauber, ele de fato fez algumas coisas interessantes (gosto bastante do Deus e o Diabo) e como lembrou o colega foi um dos primeiros a elogiar e legitimar o cinema do Mojica (que tem inclusive alguns elementos do que ele defendia como cinema nacional autêntico). O problema são os seguidores dele, que de fato são muito chatos. Acontece algo parecido com outros cineastas de "arte" como Godard do qual adoro alguns filmes (A Chinesa, Alphaville) e acho outros uma merda. Seus seguidores acabam contaminando nossa idéia sobre o autor.

Anônimo disse...

Mal comparando é igual a fã dos Los Hermanos...

Ricardo Pereira disse...

Me lembro de tentar assistir um filme dele,juntamente com dois amigos meus,que passou durante a mostra do Alejandro Jodorowsky no CCBB.Era o "Cabeças cortadas",rodado na Espanha...nós não aguentamos muito...rsrsrs!
Realmente,se você for discutir com alguém que ama o cinema de Glauber,prepare-se pra ouvir muito
"papo-cabeça"...rsrsrs!
Como diria um dos Guerreiros do filme de Walter Hill,não lembro qual personagem agora,na dublagem de quando passava na globo: "É muita geometria pra cabeça do malandro aqui!!!"...é o que eu acho do cinema do Glauber.
Mudando de assunto,em relação ao post anterior,do filme "O executor final",alguém já viu um filme chamado "Exterminators of the year 3000"? Encontrei o vhs...entre os envolvidos nesta pérola,estão Dardano Sacchetti e Gino De Rossi...hehehe!

Felipe M. Guerra disse...

MAIS SOBRE GLAUBER: Acabei de ver, nos últimos dias, o "documentário" chamado "Di Cavalcanti Di Glauber" e o "épico" chamado "A Idade da Terra", os dois últimos trabalhos de Glauber Rocha, e que revelam que, no fim da vida, ele já estava completamente louco (provavelmente, de tanto puxassaquismo que havia, Glauber achava-se com a liberdade de fazer QUALQUER COISA que mesmo assim seria agraciado pela intelectualidade da época!).

"Di Cavalcanti Di Glauber" é simplesmente Glauber fazendo um escarcéu no velório do pintor Di Cavalcanti, filmado em closes dentro do caixão enquanto o diretor narra como conheceu o artista e músicas carnavalescas tocam ao fundo. Se qualquer outro for filmar o velório de uma pessoa com tamanha indiscrição, será taxado de um milhão de coisas, menos de gênio. Mas vá procurar os comentários sobre este curta para ver as maravilhas que falam só porque é do Glauber...

Já "A Idade da Terra" é uma prova de fogo para qualquer ser humano, quase três horas de cenas desconexas, longos takes em que nada acontece, cenas repetidas infinitamente (como se todos os takes de uma mesma cena fossem montados em seqüência), batucadas, gritos, barulheira... Enfim, uma balbúrdia sonora e visual insuportável que eu só vi até o fim porque me propus a ver onde aquilo iria acabar - o fato de o "filme" não ter começo e nem final, e nem um fio narrativo para seguir, já dá uma idéia do tormento que foi.

Sinceramente? Glauber Rocha, que Deus o tenha... e o detenha!!!

Leandro Caraça disse...

Isso daqui é legal :

http://colunas.digi.com.br/michelleferret/glauber-rocha-em-xeque/

Leiam também os comentários.

Fotograma Digital disse...

O pior Felipe, é que tudo que você disse nos primeiros paragrafos é a mais pura verdade.

Professores universitarios na área de comunicação adoram puxar o saco de Glauber. Acho tudo muito chato, e um dos responsáveis (diretos) para que hoje o Brasil não tenha cinema de genero. Todo mundo (cineastas) quis fazer o mesmo que o "gênio" e a crítica (maioria) idolatra o cara.

Sério... alguém pode me dizer o plot de algum de seus filmes ? É tudo tão complexo e confuso que você nem sabe sobre o que é a história. Socorro.

João do caminhão disse...

Caro Felipe,
Mais um texto muito bom como sempre, e compartilho de sua opinião sobre o "não vi, e não gostei" e particularmente depois desse seu texto tenho menos vontade ainda de ver.

Bom mudando de assunto, você como conhecedor de filmes B, talvez possa me esclarecer algo:
Tenho uma lembrança de um filme, que na verdade nem sei se esse filme realmente existe pois todo mundo que eu pergunto ninguém sabe ninguém viu, mas era sobre um grupo de amigos meio punks, meio rockeiros, e tinha um deles que usava um moicano e se chamava Biscoito...Eu não sei porque que cargas d'água eles são massacrados e só sobra essa tal de Biscoito, e um outro carinha, e eles resolvem se vingar...O filme tem um estilo meio western. Sabe o nome do filme?

Fernando disse...

João,
O tal biscoito era meio gordo e usava um moicano todo colorido?

Anônimo disse...

Glauber fazia filmes cujo o publico alvo era os "intelectuais", se falar que os filmes dele é ruim voce seria taxado de burro, como já aconteceu comigo, só porque eu achei os filmes dele um pé no saco.

Lui

Anônimo disse...

Embora tenha visto no geral,mais coisas positivas do que negativas em "DEus e o Diabo na Terra do Sol" me surprendir com a critica, pois consequiu ser muito boa, mesmo que a opinião do autor tenha sido parcial demais, se bem que essa é a função, ou objetivo das criticas não é mesmo...

Todavia, tão vazio, chato, insuportavel, ou burro, como os fanaticos fãs de Glauber, são os anti-Glauber, pois toda a unanimidade é burra, seja pró, ou contra.

Antes que achem que spu um dos 'intelectuas' fãns burros, ou fanaticos de Glauber, friso que PRA MIM, ou NA MINHA OPINIÃO, o melhor diretor de cinema do Brasil é Fernando Meirelles, simplesmete porque consquistou públicos de dentro e fora do país e principalmente é muito bem pago pra fazer filmes, qualidade ou proeza que seus colegas de profissão nacionais do cinema-novo ou não, nunca tiveram muito.

João do caminhão disse...

Fernando,
Justamente o tal Biscoito era um cara meio gordo e com um moicano colorido....Esse filme é da época que passavam coisas boas na sessão da tarde como Repo Man, Ninja 3 e etc...

Pedro Bueno disse...

Nunca pensei que fosse achar um texto assim. Concordo com tudo. Eu faço cinema na PUC-Rio, e é impressionante como não só os professores, mas os alunos também acham ele um gênio. Certa vez fomos obrigados por um professor a assistir um filme dele (não me lembro o nome) e único pensamento que me veio a cabeça foi o de achar qualquer coisa afiada para cortar os pulsos. E quando você tenta conversar com esses pseudo cults e intelectuais sobre outros filmes popularesm a cara com que olham para você é de um desprezo misturado com riso. Enfim, excelente texto.

Valter JR disse...

E, pelo jeito, Glauber não aprendeu a fazer cinema, pq "A Idade da Terra" é uma tranqueira enorme, pseudo até o talo!

Me xingue, mas eu curto pra caramba "Terra em Transe", acho um grande filme. Mas, depois disso ele foi desandando e se achando mais do que era. Ficou um chato que vomitava conhnecimentos filosóficos sem profundidade, mas que os intelectuais adoram.

E isso não é exclusividade nossa. O mundo tá cheio de cineastas picaretas aclamados pela crítica. Glauber entrou no rol dos queridinhos por ser o primeiro a querer fazer um filme mostrando o "povo brasileiro" como é. Virou gênio pq falava muito e provocava mais ainda, mas como cineasta não era melhor nem entre o "Cinema Novo" (Joaquim Pedro de Andrade é muito melhor que Glauber).

E assim vamos indo! Palmas para a crítica e tente explicar para os pseudos que tem até nome, os "glauberianos" Eu já tentei, m as não deu muito certo...

artur disse...

bem, não sou lá fã do Glauber mas também não sou detrator, mas por enquanto prefiro os filmes do Mazza, do Roberto Carlos e dos trapalhões, hehehehe

Fernando disse...

João,
Eu tenho a lembrança desse personagem e de ter assistido esse filme na tv, provavelmente na sessão da tarde, mas já revirei minha memória e não consigo me lembrar mais nada...
Se por acaso você lembrar, escreva aqui!

Bacal disse...

O Glauber Rocha foi o pai do cinema crítico brasileiro (que, alias, sumiu...). Não que ele seja um gênio, muito pelo contrário: A qualidade do cinema dele é pobre.
A única sacada (que era algo ótimo) era o fato de ele usar personágens (nem sempre) fictícios e re-criar, por exemplo, o governo Jânio (como no caso de Deus e Diabo na Terra do Sol) ou o golpe militar.
Prestem atenção que vocês verão.

Felipe M. Guerra disse...

BACAL, nem precisa prestar atenção, porque ele despeja a sua visão política daquele período na tela sem nenhuma sutileza - quer prova maior que o "Terra em Transe", onde o José Lewgoy aparece interpretando o Jango? Só acho que existe uma diferença muito grande entre o cara ser um bom "fazedor de alegorias" e um bom "fazedor de cinema" - que o diga "A Idade da Pedra", para quem não percebe o contraste entre uma coisa e outra...

Luiz Alberto disse...

Graças ao Gláuber temos um monte de "cineastas" que acham que o governo tem a obrigação de financiar seus devaneios artísticos. Esse povo foge da palavra "retorno financeiro" como o diabo foge da cruz!

O pior é quando filmes como Cidade de Deus ou Tropa de Elite fazem sucesso, a turma do Gláuber fica louca da vida e sai por aí vomitando bobagens.

Quando o Marcelo Madureira disse que os filmes do Gláuber eram "uma merda" teve até ato de desagravo na ABI! AS viúvas queria processar e censurar o cara que não fez nada além de expressar a sua opinião.

BUTTZ disse...

João, o seu filme só pode ser o DUDES, da Penelope Spheeris (não me lembro do título em português).

Sobre o Glauber: para mim ele é o Lars Von Trier brasileiro. Ou seja, um realizador de filmes xaropes e insuportáveis, defendidos cegamente por uma cambada de chatos.

James Wilker disse...

Resgatando esse debate aqui, gostei da crítica, acho super pertinente opiniões contrárias justamente para provar que "a verdade sempre está lá fora".

Nem os pseudos intelectuais que o idolatram nem a maioria aqui que o detrata estão 100% certos. Eu sou fã e muito fã do cara, mas não sou fanático, e minha simpatia com seus começou na adolescência, aos 14/15 anos, onde eu nem discutia sobre cinema, nem sabia quem era Glauber, Cinema Novo. Mas a histórias, as interpretações, o sertão violento, revolucionário, algo me encantou e me encanta até hoje (já assisti milhares de vezes) em Deus e o Diabo na Terra do Sol e posteriormente em Terra em Transe.

Só vim conhecer os outros filmes depois que entrei para faculdade. Estou fazendo minha monografia sobre Deus e o Diabo na Terra do Sol. Cheguei a esse texto procurando justamente críticas ao filme, porque acho isso de fundamental importância. Não há o filme perfeito, o olhar de cada um é que vai definir se a gente se apega mais aos pontos positivos ou aos negativos. Mas respeito opiniões contrárias e até as admiro, assim a essência e liberdade humana se manifesta. Parabéns pelo blog.

bonfim0alex disse...

Fui aluno do Ismail Xavier e em seu curso,ele nunca endeusou o Glauber Rocha,mas salientava a importância do Cinema Novo, mas sem fanatismos. Este CN realmente rompeu com o Cinema Popular, todavia as futuras gerações de cineastas ficaram comprometidas em seus projetos. Fazer a síntese disso tudo e criar novas rupturas é a tarefa dos cineastas que virão.

Luciano Monteiro disse...

Meu post chega atrasado, mas, ainda asssim, eu recomendo a autobiografia de Alselmo Duarte, chamado "Adeus Cinema". Nesse livro o diretor do clássico O Pagador de Promessas e único brasileiro ganhador da Paula de Ouro em Cannes conta, em detalhes, como sofreu com as perseguições do patrulhamento estético de Glauber e da turma do Cinema Novo. Conta, também, como Glauber usava e abusava de suas influências (inclusive como funcionário do Itamaraty para se autopromover e destruir a carreira de outros cineastas que não estivessem alinhados com sua visão estética. Glauber foi um gênio da autopromoção e da articulação política em prol de se vender uma auto-imagem de gênio, sem necessariamente ser um.