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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

WHOOPS - APOCALYPSE JÁ! (1986)


Minha infância e pré-adolescência foi na década de 80. À época, eu estava muito ocupado me divertindo para entender os graves problemas daquele período, como a hiperinflação (que fazia os preços mudarem de um dia para o outro, às vezes até no mesmo dia) ou a lenta abertura da Ditadura para a Democracia, com o movimento Diretas Já!

Mas mesmo não sabendo direito o que era a Guerra Fria (entre Estados Unidos e União Sovitética), eu sabia que vivíamos tempos paranóicos e terríveis, em que a qualquer momento um dos lados podia apertar um botão vermelho e explodir o mundo inteiro, inclusive quem, como eu, não tinha nada a ver com a história (e imagine o que faz esse medo na cabeça de uma CRIANÇA, principalmente depois que vi o chocante "O Dia Seguinte" na Globo).


Hoje a gente olha para trás e respira aliviado, até dá risada daquela tenebrosa corrida armamentista que parece tão distante (embora as bombas nucleares ainda estejam estocadas por aí).

E uma das melhores maneiras de lembrar/rir do medo da Terceira Guerra Mundial é uma obscura comédia inglesa que quase ninguém viu, mas eu considero uma das mais geniais dos anos 80, e uma verdadeira síntese do que foi aquela década: WHOOPS - APOCALYPSE JÁ!

O título original (apenas "Whoops Apocalypse!", algo como "Opa, Apocalipse!") já ironiza a iminência de uma guerra nuclear por qualquer bobagem, dependendo do humor de quem estava com o dedo no botão vermelho - medo muito comum na época em que o filme foi feito.


Lançado em VHS no Brasil pela saudosa Hipervídeo, WHOOPS - APOCALYPSE JÁ! pode ser descrito como uma caótica mistura de "Dr. Fantástico", do Kubrick, com o humor do grupo inglês Monty Python.

Se Stanley Kubrick já tinha feito piada com a Guerra Fria e com o medo da bomba lá em 1964, a comédia de Tom Bussmann (quem?) atualiza esse mesmo medo para a caótica década de 80, a famigerada Era Reagan/Thatcher, oscilando entre inteligente sátira política e humor nonsense.

O filme começa quando Santa Maya, uma pequena (e fictícia) colônia britânica na América Central, é invadida pelo (igualmente fictício) país vizinho, Maguadora, num golpe militar encabeçado pelo terrível general Mosquera (Herbert Lom).


O caso faz referência a um triste episódio verídico: a Guerra das Malvinas, em 1982, quando Argentina e Inglaterra disputaram no tiro o domínio das ilhas de mesmo nome. Os hermanos, claro, se deram mal, num capítulo ainda traumático de sua história (se você visitar a Argentina, verá várias placas dizendo "As Malvinas são argentinas" espalhadas pela estradas!).

A invasão logo se transforma num delicado incidente internacional, que põe em rota de colisão os líderes das principais nações. O primeiro-ministro inglês, Sir Mortimer Chris (Peter Cook), quer aproveitar sua enorme popularidade para bombardear Maguadora e recuperar a colônia para a Inglaterra. O político é tão popular que basta passar em frente a uma janela, em qualquer momento do filme, para ser ovacionado pelo povo!

Por outro lado, os Estados Unidos tentam fazer papel de mediador do conflito sem a necessidade de uma guerra. Entra em cena a vice-presidente Barbara Adams (Loretta Swit), uma boçal que assumiu o comando da nação depois da morte do titular, que era ex-palhaço de circo (numa brincadeira com o passado de ator do presidente norte-americano da época, Ronald Reagan).


Só que, para complicar a situação, o terrorista internacional Lacrobat (Michael Richards, o Cosmo Kramer do seriado "Seinfeld") sabota todas as tentativas de negociar a paz, levando os países a um conflito que pode ser o estopim para a Terceira Guerra Mundial. Principalmente quando os russos entram na jogada com uma base de mísseis secreta, e a princesa inglesa Wendy (uma gozação com a então ingênua princesa Diana) é sequestrada por Lacrobat e Maguadora leva a culpa!

WHOOPS - APOCALYPSE JÁ! é um filme que vi ainda garoto, e obviamente não entendi direito toda a parte da sátira política, mas mesmo assim curti pelo seu humor negríssimo, do tipo "Seria cômico se não fosse trágico".


Acompanhe: a trama também envolve um almirante inglês durão, mas homossexual (Ian Richardson), que é a peça-chave para o final brilhante, uma das conclusões mais absurdas e surpreendentes da história do cinema - daquelas em que você se pega olhando para os créditos finais subindo e pensa: "Puta que o pariu!".

Outra alfinetada política vai para o ex-presidente norte-americano Richard Nixon (na época, ainda vivo), satirizado no filme através do personagem do ex-presidente Jack "Mate os Comunistas" Preston (Murray Hamilton), que é procurado na cadeia (!!!) pela sua sucessora em busca de conselhos políticos.


Quem viveu nos anos 80 certamente vai achar o filme muito mais engraçado. Herbert Lom, por exemplo, faz uma caricatura daqueles generais das repúblicas das bananas, que estavam sempre nas capas dos jornais por darem um golpe de estado por semana.

Numa cena hilária, ele se reúne com sua cúpula e todos na sala usam enormes óculos escuros, até a imagem de uma santa num pedestal, brincando com a imagem desses ditadores sul-americanos (como Pinochet e até o nosso Costa e Silva), que sempre apareciam em público com enormes óculos escuros e caras de buldogue.


Mas quem rouba a cena é Peter Cook como o dócil primeiro-ministro que, na metade do filme, subitamente enlouquece, mas é tão popular que suas ordens continuam sendo inquestionavelmente seguidas pelo povo - mesmo quando ele sugere combater o desemprego atirando 10 mil pessoas empregadas de um penhasco para liberar suas vagas nas empresas! O personagem parece uma versão inglesa do general Jack Ripper, de "Dr. Fantástico".

Lá pelas tantas, com a ajuda da CIA, seus aliados políticos tentam matá-lo num atentado mirabolante envolvendo ácido na banheira, mas só conseguem corroer sua mão (que ele pôs na água para testar a temperatura). Pois o enlouquecido primeiro-ministro até fica feliz em substituir a mão perdida por um gancho de pirata (!!!), e começa a crucificar seus conselheiros em praça pública!


Entre os hilários momentos "não-políticos" de WHOOPS - APOCALYPSE JÁ!, o auge da loucura é quando os líderes mundiais descobrem que a princesa sequestrada está sendo mantida refém num museu de cera. Uma unidade do exército inglês é enviada para o resgate, e simplesmente entram no local atirando e destruindo tudo.

No final, o comandante faz a contagem de cadáveres e comemora: "Perdemos 11 homens, mas os bonecos perderam 28". A cena completa, hilária e repleta de humor negro, pode ser vista no vídeo abaixo e já dá uma idéia do tom do filme:

A invasão ao museu de cera


Outras gags visuais envolvem a presidente dos Estados Unidos, sempre acompanhada de dois seguranças brutamontes, mesmo quando está nadando ou deitada em sua cama. Os brucutus espancam todos que tentam se aproximar da presidente, incluindo uma pobre menininha que vai oferecer um ramalhete de flores à governante!

Mas é bom não falar muito mais para não estragar as surpresas. Afinal, esse é mais um daqueles filmes tão obscuros e desconhecidos que dá gosto de "descobri-los" - uma entre inúmeras pérolas perdidas e/ou esquecidas do nosso mercado de vídeo.


Pesquisando para escrever essa medíocre resenha, descobri que WHOOPS - APOCALYPSE JÁ! é uma espécie de remake de um seriado de TV britânico exibido em 1982, e que tinha o mesmo nome, "Whoops Apocalypse!".

Com seis episódios de meia hora, a série também brincava com a idéia de uma Terceira Guerra Mundial, mas a história pegava ainda mais pesado (mostrando uma explosão atômica em Israel e com a participação do Irã, um dos maiores inimigos do "mundo ocidental" na época). O elenco era todo diferente, com o ex-Monty Python John Cleese interpretando o terrorista Lacrobat. Isso me deixou curioso para ver a série.


No Brasil, não lembro de WHOOPS - APOCALYPSE JÁ! ter tido grande repercussão na época do seu lançamento. Só lembro das críticas do Guia de Filmes Nova Cultural (com apenas uma estrelinha, detonando a produção) e de uma surpreendente resenha positiva escrita pelo super-mala Rubens Ewald Filho, que também comparou o filme a "Dr. Fantástico".

Engraçado era ler, no verso da capinha da Hipervídeo, a escabrosa propaganda falsa: "A gloriosa direção é de Tom Bussman (sic), cuja fama como diretor de humor é notória". Tão notória que o sujeito só fez esse filme, e antes havia dirigido um único episódio de um seriado de humor lá na Inglaterra. Se isso bastou para ter uma "fama notória", o que aconteceria se Bussmann tivesse feito outro filme? Sua fama viraria "lendária"?

Embora às vezes seja mais bagunçado/caótico do que propriamente engraçado, WHOOPS - APOCALYPSE JÁ! é um filme que eu recomendo com louvor, e que colocaria sem pensar duas vezes em qualquer lista das comédias imperdíveis dos anos 80.


E se parecerá mais divertido para quem viveu na época - e lembra de coisas como a Era Reagan e a Guerra das Malvinas, e personagens como Margaret Thatcher e a princesa Diana -, hoje também serve como brilhante retrato satírico de uma época de paranóia e medo nuclear, que por muito pouco não teve a mesma conclusão do filme. Acredite: não seria nada engraçado!

Encerro com uma dica: se "Dr. Fantástico" e WHOOPS - APOCALYPSE JÁ! representaram tão bem os problemas políticos e medos de suas épocas, já está mais do que na hora de alguém com muita coragem fazer uma comédia anárquica sobre esses nossos tempos atribulados (programa nuclear do Irã, ocupação do Iraque, o fiasco das "armas de destruição em massa" inexistentes).

Afinal, às vezes é melhor rir para não chorar...

Trailer de WHOOPS - APOCALYPSE JÁ!


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Whoops - Apocalypse Já! (Whoops
Apocalypse!, 1986, Inglaterra)

Direção: Tom Bussmann
Elenco: Loretta Swit, Peter Cook, Herbert Lom,
Murray Hamilton, Shane Rimmer, Ian Richardson,
Michael Richards e Rik Mayall.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A NOIVA E A BESTA (1958)


(Aproveitando o "gancho símio" da última atualização - com "The White Gorilla" -, preparem seus cachos de bananas que hoje tem mais macacos tarados e/ou assassinos aqui no FILMES PARA DOIDOS!!!)

O lendário Edward D. Wood Jr., ou simplesmente Ed Wood, é reconhecidamente um dos piores diretores da história da sétima arte, responsável por filmes tão ruins e baratos que se tornaram divertidíssimos clássicos trash, como "Bride of the Monster" e o já clássico "Plan 9 From Outer Space".

Agora responda rápido: o que pode ser pior que um filme dirigido por Ed Wood?

Ora, um roteiro escrito por Wood e filmado por um cara ainda pior do que ele!


Por mais incrível que possa parecer, considerando a qualidade nula de seus filmes mesmo para os padrões da época, Wood foi roteirista contratado para diversas produções de terceiros, que são ainda piores do que as pérolas dirigidas pelo próprio Ed.

Entre seus trabalhos exclusivamente como roteirista estão bombas do calibre de "The Violent Years" (1956, dirigido por William Morgan), sobre delinqüência juvenil; "Orgia da Morte" (1965, de A.C. Stephen), sobre shows de striptease feitos por assombrações (!!!) num cemitério, e "One Million AC/DC" (1969, dirigido por Ed De Priest), onde homens pré-históricos lutam contra ridículos dinossauros de borracha.


Mas uma das obras mais antológicas de Ed Wood como roteirista chama-se "The Bride and the Beast, ou, no Brasil, A NOIVA E A BESTA, de 1958. Este filme barato de aventura e horror é o único dirigido por Adrian Weiss, que contratou Wood para escrever o roteiro baseado numa idéia original sua.

(Ainda não consegui descobrir se Adrian tinha algum parentesco com George Weiss, um famoso produtor de filmes "sexploitation" daquela época, que entrou para a história como o homem que deu a primeira chance a um então iniciante Ed Wood, financiando seu debut como diretor, o lendário "Glen or Glenda?", de 1953.)


A NOIVA E A BESTA é aquele tipo de zorra total que só pode ter saído da cabeça de um lunático como Wood - e que só encontra espaço nobre num blog como o FILMES PARA DOIDOS.

Sua história mistura elementos dos "gorilla movies" tradicionais do período (com sujeitos metidos em ridículas fantasias de macaco), de aventuras sobre a vida na selva (neste caso, os ataques de dois tigres indianos que fugiram do zoológico) e até, acredite se quiser, uma inacreditável trama sobre reencarnação, onde uma inocente garota descobre que, numa vida passada, foi... um gorila!!!


O filme começa apresentando os recém-casados Dan Fuller (interpretado por Lance Fuller) e Laura (Charlotte Austin). Ele é um experiente caçador que tem a mansão repleta de troféus de caça, como animais selvagens empalhados, e ela é uma garota meio maluca com fetiche por materiais felpudos, como o angorá.

O casal Fuller irá comemorar sua lua-de-mel com... um safári na África! Mas Dan resolve passar a noite anterior à viagem em sua própria casa. Ali, acredite se quiser, há uma câmara subterrânea secreta, onde o caçador guarda enjaulado um gigantesco gorila chamado Spanky (!!!!), que ele aprisionou quando ainda era filhote.


É nesse momento que começam os problemas: Spanky (hahahaha) parece se apaixonar por Laura, e, durante a noite, escapa de sua jaula, sai milagrosamente da câmara subterrânea secreta e sobe até o quarto onde o casal de recém-casados dorme em camas separadas (!!!).

Ali, começa a acariciar e cheirar a pobre Laura, que sente-se estranhamente atraída pelo gorila e resolve não gritar por socorro. Mas Dan acorda e, talvez com medo de levar corno de um símio, saca seu revólver, enchendo Spanky de tiros.


No dia seguinte, o pobre marido chama até sua casa um amigo médico, o dr. Carl Reiner (interpretado por William Justine; curiosamente, um conhecido diretor de comédias dos anos 80-90 também se chama Carl Reiner!), para examinar Laura.

O doutor resolve hipnotizar a garota e tentar uma experiência de regressão, quando ele e Dan descobrem, estupefatos, que a inocente garota havia sido um feroz gorila numa outra vida!


Reiner então desperta Laura do seu transe, mas não fala nada sobre o que descobriram com a regressão. Ele também orienta ao marido que evite levá-la para a África, devido aos traumas recentes, mas é claro que Dan não escuta.

Fielmente seguidos pelo escravo africano do caçador, Taro (Johnny Roth, branco maquiado para parecer um nativo, que fica o filme inteiro repetindo "Yes, bwana!"), Dan e Laura chegam à África (obviamente, as cenas foram todas gravadas em um matagal qualquer na Califórnia mesmo).



Mas não há tempo para lua-de-mel, pois Dan é imediatamente recrutado pelo capitão Cameron (Gil Frye) para capturar ou matar a tal dupla de ferozes tigres fugitivos, que anda devorando nativos nas redondezas. Enquanto o marido se ocupa da difícil função, Laura se vê às voltas com seu misterioso passado como gorila, exercendo um estranho fascínio sobre estes animais.

Quem gosta de trash e de filmes na linha "quanto pior, melhor" (o público do FILMES PARA DOIDOS, enfim) não pode perder A NOIVA E A BESTA, possivelmente uma das maiores bobagens já filmadas.

Se já parece impossível levar a sério a história de uma garota que é reencarnação de um gorila (!!!), espere só para ver momentos como Dan lutando corpo a corpo com um tigre visivelmente empalhado, ou a conclusão completamente sem pé nem cabeça que Wood inventou para o drama de Laura - digamos apenas que é de rolar de rir.


Muitos filmes baratos do período costumavam roubar cenas de outras produções mais endinheiradas para economizar dinheiro - quem leu minha resenha de "The White Gorilla" já sabe bem disso. Pois é mais ou menos a mesma coisa em A NOIVA E A BESTA: Weiss e sua trupe contornam o problema de nunca terem pisado na África utilizando, na edição, cenas roubadas de outros dois filmes, "Man-Eater of Kumaon" (dirigido por Byron Haskin em 1948) e "Bride of the Gorilla" (dirigido por Curt Siodmak em 1951).

A coisa funciona mais ou menos assim: na sua selva fuleira feita em estúdio, os atores que interpretam Dan e Laura olham assustados em direção à câmera; aí pimba!, corta para uma fantástica cena roubada de "Man-Eater of Kumaon" onde um tigre de verdade luta contra um crocodilo de verdade bem no meio do rio (graças à boa edição de George M. Merrick e Samuel Weiss, parece que os atores do filme de Weiss REALMENTE estão testemunhando aquele momento que foi simplesmente retirado de uma outra produção).


Em outra cena, closes dos dois atores dentro de um caminhão são editados com cenas de uma caçada a girafas que obviamente também não foi filmada por Weiss, mas sim retirada de um dos outros filmes. Assim fica fácil, não é?

Por esse motivo, é até difícil avaliar o filme no conjunto. Por exemplo, eu ia escrever que o diretor de primeira e única viagem Adrian Weiss tinha conseguido escapar da mediocridade com algumas belas cenas, como a luta do tigre com o crocodilo, ou o plano em que um dos tigres espreita o caçador iluminado pela luz da lua (abaixo), mas depois descobri que talm cena foi tirada de "Man-Eater of Kumaon"!


E como a maior parte das cenas boas de A NOIVA E A BESTA deve realmente ter saído destes dois outros filmes citados, fica difícil tentar avaliar a direção de Weiss - mais fácil é congratular os editores Merrick e Samuel pela sua hábil costura.

Já o roteiro de Wood é péssimo como de costume. Não bastasse a total falta de coerência e de ligação entre os vários elementos da trama (garota que é reencarnação de um gorila, tigres assassinos, regressão a vidas passadas, pesadelos, gorilas apaixonados), nosso amigo Eddie simplesmente não consegue resistir a escrever diálogos horríveis, como "Animais não brigam comigo! Eu tinha um macaco quando criança, e ele me amava, mas odiava todo mundo".


A citação a um suéter angorá em certo momento do filme é a marca registrada do roteirista, que tinha fetiche por esse tipo de roupa (e, como todos devem saber, adorava se vestir de mulher, embora não fosse homossexual).

Isso tudo se soma a um caminhão de incoerências que desafiam a lógica, como o porão secreto da casa de Dan, que é iluminado por uma tocha eternamente acesa, mas ironicamente também tem um freezer que funciona com eletricidade (e se há eletricidade, o local poderia ter luz elétrica, e não a iluminação com uma tocha!!!!).


Ou a longa e redundante cena da hipnose, operada por um médico (!!!) que usa termos científicos mirabolantes para tentar convencer o espectador de que a regressão a vidas passadas é possível e tão simples quanto o filme mostra!

Enfim, é o tipo de coisa que faz esta aventura na selva rápida e rasteira (com menos de 1h20min de duração) tornar-se uma daquelas engraçadíssimas comédias involuntárias digna dos nomes envolvidos, mas especialmente do incompetente Ed Wood. Encare de bom humor (ou sob efeito de drogas) e prepare-se para umas boas gargalhadas!


Como última curiosidade, todos os gorilas de A NOIVA E A BESTA foram "interpretados" por Steve Calvert. Falecido em 1991, Calvert era um especialista em pagar mico (literalmente) dentro de roupas de gorila, tendo interpretado macacões em sete dos 11 filmes que fez na vida - entre eles, "Bela Lugosi Meets a Brooklyn Gorilla" (1952) e "Panther Girl of the Kongo" (1955). Bela carreira, hein?

Em tempo, esse filme saiu em DVD nos Estados Unidos num programa duplo com "The White Gorilla" - trasheira total, para detonar todos os neurônios e talvez regredir ao estado de gorila!!!

Trailer de A NOIVA E A BESTA



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A Noiva e a Besta (The Bride and
the Beast, 1958, EUA)

Direção: Adrian Weiss
Elenco: Charlotte Austin, Lance Fuller, Johnny
Roth, William Justine, Gil Frye, Jeanne Gerson
e Steve Calvert com roupa de gorila.