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sábado, 15 de janeiro de 2011

DETERMINADO A MATAR (2003)


Quer companhia melhor para as férias de janeiro do que Steven Seagal em sua fase gordão, fora de forma e "direct-to-DVD"?

(Sim, isso foi uma ironia...)

Ironias à parte, joguei no lixo uma semana das minhas férias de janeiro assistindo um punhado de filmes baratos e sem maiores referências estrelados pelo ex-astro Steven Seagal. Alguns dirão que sou masoquista, mas ver filmes do Steven Seagal na praia me parece muito mais divertido que se lambuzar de bloqueador solar fator 40 e ficar melecado disso (mais areia e suor) à beira do gelado e sujo mar gaúcho...


Aproveitando a deixa, resolvi brindar meus nobres leitores (sim, a parte do "brindar" também foi uma ironia) com uma autêntica MARATONA STEVEN SEAGAL: durante uma semana e um dia, teremos atualizações diárias do FILMES PARA DOIDOS com resenhas das produções bagaceiras e decadentes estreladas por Steven Seagal depois que ele deixou o cinemão "classe A" (pós-"Rede de Corrupção") para fazer qualquer porcaria que surgisse na frente.

Acompanhem o cronograma das atualizações:
DETERMINADO A MATAR (Out for a Kill, 2003)
RESGATE SEM LIMITES (Belly of the Beast, 2003)
OPERAÇÃO SOL NASCENTE (Into the Sun, 2005)
LADO A LADO COM O INIMIGO (Submerged, 2005)
HOJE VOCÊ MORRE (Today You Die, 2005)
MERCENÁRIO (Mercenary for Justice, 2006)
JUSTIÇA URBANA (Urban Justice, 2007)
O JOGADOR (Pistol Whipped, 2008)


E quem tem um mínimo de intimidade com a carreira de Seagal "pós-mainstream" sabe que ele só fez produções baratas, bagaceiras e, na maioria dos casos, ruins de doer. Sem a menor vergonha na cara, o velho "quebra-braço" vem estrelando de três a quatro filmes por ano, sem se preocupar em esconder a falta de vontade de estar participando de alguns deles.

É o caso desse DETERMINADO A MATAR, sua segunda obra produzida direto para as videolocadoras, sem lançamento nos cinemas (a primeira foi "O Estrangeiro", também de 2003), já dando mostras da decadência da carreira do "ator".

Agora, pense comigo: se já é difícil engolir o Steven Seagal gordão e fora de forma como policial, soldado ou mercenário (os três papéis que ele geralmente "interpreta"), imagine acreditar que o cara possa personificar um respeitado arqueólogo (!?!) e professor de cultura chinesa (!?!).


Pois é isso mesmo: em DETERMINADO A MATAR, Seagal tem seus cinco minutos de Indiana Jones antes de sair distribuindo porrada em tudo e todos. Ainda bem que são só cinco minutos, porque a idéia de ver Steven Seagal procurando relíquias, visitando templos antigos e desfilando seu conhecimento da cultura chinesa não me animou em momento algum...

Ele interpreta Robert Burns, um premiado arqueólogo (cof, cof, cof) norte-americano que está fazendo escavações em antigas ruínas no leste da China. E imaginar Seagal manuseando antiguidades com sua costumeira "delicadeza" já rende as primeiras gargalhadas involuntárias da película.


Para o azar do professor, bandidos ligados à máfia chinesa aproveitam as buscas arqueológicas para esconder drogas no interior das relíquias e poder contrabandeá-las facilmente através da fronteira.

Quando Burns descobre a falcatrua, os bandidos resolvem se livrar dele. Mas, durante uma perseguição de carros, matam apenas a assistente do professor, que, por sua vez, é absurdamente preso por todos os crimes - tanto pelo assassinato da assistente (embora o carro que ele dirija esteja crivado de balas PELO LADO DE FORA) quanto pelo contrabando de drogas (já que Burns assinou todos os documentos relacionados às peças com "brindes" em seu interior, e para a polícia isso serve como prova).


Pelo menos o pobre arqueólogo não fica muito tempo na cadeia, já que dois agentes do DEA (o órgão norte-americano de combate às drogas) negociam sua libertação com o governo chinês,

A ideia é usá-lo como isca para chegar até os cabeças da organização criminosa. Só que os marginais cometem o erro fatal de matar a esposa de Burns (Kata Dobó, de "Instinto Selvagem 2") num atentado a bomba.

Pronto: agora a "isca" passará o restante do filme quebrando braços e pescoços!


DETERMINADO A MATAR é aquela velha e batida historinha de vingança já tantas vezes narrada pelo cinema. Os caras não conseguiram pensar nem mesmo num título menos genérico ou minimamente criativo.

Talvez conscientes disso, os produtores resolveram entregar o material a um diretor com olhar videoclipeiro, que "enfeitou" a trama clichezenta para parecer mais moderninha e atrativa do que verdadeiramente é.

O tal diretor, Michael Oblowitz (que havia feito "O Forasteiro" com Seagal e depois dirigiu, hã, "Sharkman"!!!), atira para todos os lados, mas raramente acerta algum alvo, ou convence o espectador.


Na maior parte do tempo, Oblowitz tenta emular Guy Ritchie, com seus cortes rápidos e vilões engraçadinhos.

A cena em que Seagal pega um voo de volta aos Estados Unidos, mostrada com cortes rápidos do passaporte sendo carimbado e do avião decolando, lembra MUITO as várias viagens do gângster interpretado por Dennis Farina em "Snatch", que eram apresentadas e editadas da mesma forma.


Além disso, os 11 cabeças da máfia chinesa são sempre mostrados ao redor de uma mesa, fumando e rindo, enquanto legendas explicativas informam ao espectador nome, atividade criminosa e hobby (!!!) de cada um deles.

E, à medida que os sujeitos vão sendo mortos pelo herói, a mesa volta a aparecer em cena cada vez mais vazia, numa piadinha de humor negro que funcionaria num filme de Ritchie, mas soa deslocada aqui.


Outro toque "Ritchieniano" é o fato de que todos os vilões combatidos por Seagal têm uma palavra diferente tatuada no pulso (!!!), e no final estas palavras formam um provérbio chinês (!!!), outro toque excêntrico/engraçadinho que talvez fizesse mais sentido num filme de Guy Ritchie ou Quentin Tarantino, mas aqui não serve para absolutamente nada.

Oblowitz às vezes também lembra um Michael Bay ou Zack Snyder dos pobres, abusando tanto daquele recurso de "câmera acelerada que corta para câmera lenta" que torra a paciência do espectador - se isso já é chato na "obra" de Bay ou Snyder, imagine num subproduto deles!


Aliás, tem tanto detalhe em câmera lenta no filme, inclusive uns bem gratuitos, que às vezes o uso do recurso parece até desculpa para esticar o tempo de duração do filme, que já é curto (oitenta e poucos minutos). Aposto que, se ele fosse editado em "velocidade normal", ficaria com uns 45 minutos, se chegar a isso.

Mas a pior coisa de DETERMINADO A MATAR é Steven Seagal. O astro decadente não convence em momento algum, e às vezes até parece completamente perdido (ou sem vontade) no filme. Podiam inclusive mudar o título para "Determinado a Matar Sua Carreira".

O roteiro nunca se preocupa em explicar como é que um respeitado arqueólogo (cof, cof, cof) também é especialista em artes marciais, usa espada como se fosse ninja e atira com mira perfeita - embora, lá pelas tantas, alguém surja com informações sobre o passado do personagem como ladrão de relíquias e ex-agente da CIA!!!


Sem contar que o arqueólogo Robert Burns mais parece um fantasma, pois sempre aparece de repente quando os tais agentes do DEA que o estão seguindo (Corey Johnson e Michelle Goh) se metem em encrencas.

Tipo: bandidos sequestram os agentes? Ora, Burns estava passeando por ali naquele exato momento para salvá-los. Bandidos trocam tiros com os agentes? Pois Burns aparece literalmente do nada (!!!), e já com a arma em punho, para matar os bandidos. É tão forçado e absurdo que não tem como não rir: parece que, além de arqueólogo, Burns é um autêntico anjo da guarda dos caras!


Para piorar (ainda mais), o diretor usa várias ferramentas narrativas completamente desnecessárias, como a narração da história feita pela agente do DEA ou as inúmeras (e chatíssimas) legendas informando a hora e o lugar em que se passa determinada cena (já que o filme teoricamente acontece na China, nos EUA, na Bulgária e em Paris!).

Como já escrevi, isso tudo parece uma tentativa desesperada de dar certa sofisticação a um material batido e sem novidades. Não funciona, claro - mas eu confesso que gostei de uma cena em que a câmera "acompanha" as balas disparadas pelos bandidos até elas chegarem no carro do herói, mesmo que o CGI da cena em questão seja de lascar...


Talvez o filme até funcionasse sem Steven Seagal no papel principal. Se fosse um ator desconhecido e minimamente carismático, quem sabe fosse mais fácil levar DETERMINADO A MATAR a sério.

Mas se já é difícil acreditar que Steven Seagal possa ser um arqueólogo especialista em matar de todas as formas possíveis, pior ainda é acreditar que um Steven Seagal gordão (sempre com casaco comprido e abotoado para esconder as banhas) possa fazer tanto estrago. E, como é de praxe, ele não muda de expressão facial uma única vez durante o filme todo!!!


Embora algumas lutas sejam bem filmadas, a edição caótica trata de estragar toda e cada cena de ação, sempre apelando para cortes rápidos e planos de detalhe, provavelmente para esconder o fato de que o astro está muito fora de forma. De tão exageradas e absurdas, as pancadarias acabam ficando até cômicas.

Eis uma amostra disso, e repare na ma-ra-vi-lho-sa continuidade que alterna cabelo solto, cabelo preso e o dublê de Seagal:

Baleia Assassina vs. Homem-Aranha



Assim, o resultado dessa aventura barata de Steven Seagal - a segunda de uma longa série de bombas - é um tanto constrangedor. Não convence, não empolga, e às vezes até tem certo valor como comédia involuntária (inegavelmente, é muito ENGRAÇADO ver a Baleia Seagal lutando!).

O que estraga são as irritantes tentativas de "enfeitar" o filme com modernismos narrativos que não combinam em momento algum com o material apresentado. Ou será que alguém achou "cool" ou "artístico" ver o rosto de Seagal refletido no olho de um bandido antes de ele tomar uma porrada?


O resultado é um filme bem chulé, que até pode divertir numa tarde chuvosa ou noite de insônia, mas somente se suas expectativas estiverem EXTREMAMENTE baixas.

E ainda que seja melhor que muita porcaria estrelada por Seagal no seu período pançudo (tipo o execrável "Operação Sol Nascente"), qualquer produção bagaceira com Gary Daniels, Joe Lara ou Jeff Wincott é muito melhor que essa bobagem levada a sério demais.

O ator bem que poderia aproveitar sua experiência como "arqueólogo" para desenterrar sua carreira, já que hoje ela se encontra beeeem no fundo do poço...

Trailer de DETERMINADO A MATAR



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Determinado a Matar (Out For a Kill, 2003, EUA)
Direção: Michael Oblowitz
Elenco: Steven Seagal, Michelle Goh, Corey
Johnson, Tom Wu, Ozzie Yue, Bruce Wang,
Chike Chan e Hon Ping Tang.

sábado, 8 de janeiro de 2011

VIOLENT COP (1989)


Imagine a surpresa que você teria se fosse ao cinema para ver "Tropa de Elite" e descobrisse que o implacável Capitão Nascimento não é mais interpretado por Wagner Moura, mas sim por Renato Aragão. Ou pelo Sergio Mallandro.

Deve ter sido um choque semelhante aos espectadores japoneses que, em 1989, foram ao cinema ver VIOLENT COP, o primeiro filme escrito, dirigido e estrelado por Takeshi Kitano. Afinal, até então Kitano era apenas um humorista e apresentador da TV japonesa, daquele tipo que ninguém consegue levar a sério, e ri só de olhar para a cara do sujeito.

Só que VIOLENT COP não tem o menor pingo de humor. E imagine os fãs do humorista entrando no cinema para rir das macaquices de Kitano e vendo uma cena como essa:


Contrariando totalmente a sua consagrada imagem televisiva, o ator aparece em cena não só como um policial violento (eis o título), mas também como um completo sociopata que distribui tiros e pancadas em todo mundo, não só nos bandidos, e que chega a chocar pela sua crueldade - perto dele, o Capitão Nascimento, citado no início do texto, não passa de um escoteiro.

Antes de mais nada, permitam-me dizer que sou apaixonado por Takeshi Kitano. Para mim, ele é mais um dos poucos cineastas contemporâneos cuja obra nunca decepcionou (até agora) e que vale a pena acompanhar religiosamente.


Conheci o trabalho do cineasta praticamente por acaso em 1998. À época fã de filmes policiais vindos do Oriente (por causa das obras de John Woo e Ringo Lam), topei com a fita de "Hana-Bi - Fogos de Artifício" na locadora da minha cidade.

Não tinha muitas referências (é bom lembrar que a internet ainda engatinhava em 1998), mas resolvi dar uma chance pela imagem da capinha, que mostrava aquele sujeiro durão (Kitano) apontando uma arma contra a câmera. Foi amor à primeira vista, e "Hana-Bi" virou imediatamente um dos meus filmes preferidos de todos os tempos.

Diferente do que eu esperava como fã de Woo e Lam, "Hana-Bi" é lento e introspectivo, como praticamente toda a obra do cineasta. A diferença é que não é chato nem artístico, como podem fazer supor os dois adjetivos anteriores. Pelo contrário: lentamente, Kitano prepara o espectador para levar uma porrada no meio da cara.


VIOLENT COP, sua estréia no cinema, já é um verdadeiro soco na boca - e olha que posso falar com conhecimento de causa, porque sei como é levar um soco na boca! Trata-se, assim, de mais um autêntico FILME PARA DOIDOS POR CINEMA, porque nem só de tranqueira vive esse blog.

Takeshi inicialmente iria apenas estrelar o filme, que seria dirigido pelo veterano Kinji Fukasaku ("Battle Royale"). Doente e desanimado ao saber que só teria o astro durante 10 dias (por causa de seus compromissos com programas de TV), o diretor saltou fora.

Kitano assumiu a produção e fez uma revolução: originalmente, VIOLENT COP seria uma comédia estilo "Um Tira da Pesada". Marcado como comediante na TV, o ator queria mudar sua imagem, portanto reescreveu todo o roteiro de Hisashi Nozawa para tirar o humor.


Numa análise simplista, poderíamos dizer que Azuma, o "policial violento" interpretado por Kitano no filme, é uma espécie de Dirty Harry japonês. Olhando mais de perto, entretanto, percebemos que Azuma tem pouco ou nada de heróico, ao contrário do tira vivido por Clint Eastwood na série norte-americana.

Se nos filmes policiais "comuns", como "Perseguidor Implacável" e o próprio "Tropa de Elite", o policial violento é apenas o reflexo de um mundo violento (para males extremos, soluções extremas), isso não acontece em VIOLENT COP, onde o próprio policial é o catalisador da violência, não raras vezes o provocador.


O filme começa com um grupo de jovens espancando um mendigo na rua. Um dos garotos volta para sua confortável casa de classe média-alta, e logo o policial Azuma bate na porta. A mãe do garoto atende. Cordialmente, Azuma pede para subir e conversar com seu filho. Chegando no quarto do garoto, a máscara de simpatia cai: o policial espanca o adolescente com socos, chutes e tapas, e ordena que ele se entregue à polícia no dia seguinte.

Essa cena, sem relação com a trama principal, já dá o tom do filme. E foi feita quase 20 anos antes do Capitão Nascimento tratar estudantes maconheiros de classe média-alta do mesmo jeito, no primeiro "Tropa de Elite".

Como tratar marginaizinhos mimados (em espanhol!)



Mas há um novo comandante na delegacia, o delegado Higuchi (Hiroyuki Katsube). Muito mais novo que Azuma, ele não concorda com os métodos truculentos do subordinado; por outro lado, sabe que o "violent cop" já vivenciou coisas demais em seus muitos anos de carreira, e que não tem cacife para repreendê-lo. Portanto, apenas recomenda que Azuma entre na linha ou faça as coisas "por baixo dos panos", pelo menos por um ano, quando o delegado será promovido para outro distrito.

Num daqueles clichês dos filmes policiais, o veterano ganha um parceiro novato com a intenção de controlá-lo, Kikuchi (Makoto Ashikawa). Não adianta nada, claro. Até que, acidentalmente e por puro acaso, a dupla esbarra no caso do assassinato de um traficante. O responsável é Kiyohiro (Hakuryu), um assassino da Yakuza, que será obsessivamente perseguido por Azuma até um sangrento desfecho.


Eu sou fã de policiais durões e de personagens cheios de defeitos, que tenham problemas de moral e conduta como a maioria das pessoas normais. Mas o Azuma de Takeshi Kitano exagera: é praticamente impossível simpatizar com o personagem, tão ou mais violento que os bandidos que persegue (e eventualmente mata).

Queria só ver a cara daqueles malas que chamaram "Tropa de Elite" de reacionário e fascista caso eles assistissem VIOLENT COP e suas "cenas de interrogatório". O saco plástico dos homens do Bope parece um colírio perto dos métodos de Azuma.


Numa cena, o policial começa a dar tapas no rosto de um suspeito para saber o nome do assassino que procura. A câmera fixa acompanha o "interrogatório" durante uns bons 50 segundos: Kitano não pára de esbofetear o homem, e percebe-se nitidamente que ele está batendo no ator DE VERDADE! O rosto do sujeito começa a ficar cada vez mais vermelho em função dos tabefes recebidos, até que ele (o personagem e talvez o próprio ator, cansado de apanhar) finalmente fala o que o "herói" quer saber.

Mais tarde, Azuma finalmente põe as mãos em Kiyohiro (uma prisão ilegal, com entorpecentes "plantados") e leva-o para "interrogatório" no vestiário da delegacia.


Inicialmente, tudo o que vemos é o parceiro novato parado em frente à porta fechada do vestiário, para impedir alguém de entrar. Mas também escutamos os sons abafados de porradas e gemidos que vêm de dentro da sala.

Quando a câmera finalmente permite que o espectador entre no vestiário, o suspeito está caído no chão todo arrebentado, os armários repletos de manchas de sangue do brutal espancamento!


E não é só isso: Azuma também espanca brutalmente um rapaz apenas porque ele saiu com sua irmã (que é deficiente mental), atropela de propósito um suspeito em fuga (!!!) e começa a chutar o próprio parceiro Kikuchi quando ele tenta proteger um suspeito do espancamento! Tudo isso faz do policial Azuma um dos maiores anti-heróis do cinema policial de todos os tempos!

Para quem não conhece a obra do mestre Takeshi Kitano, este primeiro filme é um perfeito cartão de visitas. Tudo o que caracteriza a sua filmografia já aparece aqui: o protagonista durão de poucas falas que tem vários closes silenciosos, as longas cenas que mostram apenas os personagens caminhando, e o clima lento e silencioso que apenas prepara para um explosivo confronto final.


Como na maioria dos filmes de Kitano, também, a violência é realista e incômoda, sem aquele glamour típico do cinema de ação. Quando alguém leva um tiro, o efeito não é "bonitinho": não há música, câmera lenta ou efeitos estilizados.

O mesmo vale para as cenas em que alguém apanha, geralmente filmadas em plano-sequência, e apenas com os ruídos dos socos e chutes como trilha sonora, algo que mexe com o espectador porque na vida real acontece EXATAMENTE ASSIM, sem edição videoclipeira, trilha sonora ou coreografia elaborada.


Por isso, eu recomendo VIOLENT COP para todos os fãs do bom cinema policial contemporâneo, mas não àqueles que gostam de filmes mais visuais, com firulas e enfeites (tipo os de John Woo), e muito menos às pessoas sensíveis, que não terão estômago para suportar esse soco na boca desferido por Kitano.

O primeiro de muitos, no caso, já que toda a filmografia de Takeshi Kitano é composta por repetidos e cada vez mais impactantes socos na boca do seu espectador - um verdadeiro espancamento cinematográfico, como aqueles que seu policial Azuma adora promover em VIOLENT COP.

Trailer de VIOLENT COP



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Violent Cop (Sono Otoko, Kyôbô
ni Tsuki, 1989, Japão)

Direção: Takeshi Kitano
Elenco: Takeshi Kitano, Maiko Kawakami, Makoto
Ashikawa, Shirô Sano, Sei Hiraizumi, Mikiko
Otonashi, Hakuryu e Ittoku Kishibe.