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domingo, 8 de maio de 2011

DELINQUENT SCHOOLGIRLS (1975)


Se você pretende iniciar-se nas produções sexploitation dos anos 60-70, o filme DELINQUENT SCHOOLGIRLS é uma boa escolha e um perfeito representante daquele saudoso período. Afinal, esta produção barata de 1975 tem tudo de bom e de ruim do ciclo: dos atores exagerados às atrizes peitudas frequentemente mostrando seus "dotes artísticos"; dos diálogos exagerados (quando não tosquíssimos) à exploração de todo e qualquer fetiche sexual possível e imaginável, de "bondage" e estupro a cobras vivas enfiadas na vagina!!!

Não pense, entretanto, que DELINQUENT SCHOOLGIRLS é uma daquelas produções pesadas que chegam a dar asco no espectador, tipo "Calígula", de Tinto Brass, ou "Emanuelle in America", de Joe D'Amato.


Na verdade, e isso chega a ser curioso, o tom adotado pelo diretor Greg Coratito (responsável por pérolas como "Wanda, the Sadistic Hypnotist") é de humor negro. Assim, mesmo as cenas mais "pesadas", como a da cobra, acabam se tornando mais engraçadas (pelo absurdo) do que propriamente chocantes. E isso que um dos títulos alternativos da película é "Carnal Madness" (mais sensacionalista, impossível!).

O roteiro, escrito por Corarito, Maurice Smith e John Lamb, é um primor. Existe uma escola particular exclusiva para garotas onde TODOS são depravados: tanto as adolescentes exageradamente peitudas (apenas modelos de seios enormes foram contratadas para estes papéis) quanto os professores com cara (mas só cara) de inocentes.


O lance mais hilário da trama é o fato do professor de biologia, um doce e inocente velhinho chamado Sr. Smith (Ralph Campbell), na verdade ser um tarado que leva as alunas para sua casa somente para drogá-las (!!!), hipnotizá-las (!!!) e fazer "experimentos sexuais", como a tal serpente viva enfiada na vagina (cena que, felizmente, é apenas sugerida). Aí você pensa: se o doce Sr. Smith diverte-se enfiando cobras nas suas alunas drogadas e hipnotizadas, o que esperar dos outros?

Para economizar dinheiro com figurantes, os roteiristas inventaram que todas as alunas da escola foram liberadas para passar o feriadão com suas famílias. Menos, é claro, meia dúzia de gatinhas que, supostamente por "mau comportamento", são obrigadas a ficar na escola como castigo.


Entre as moças temos delícias daquela época, como Collen Brennan - que começou fazendo filmes como este e o blaxploitation "Foxy Brown", com Pam Grier, antes de virar atriz pornô hardcore nos anos 80 - e a falecida Roberta Pedon, que posteriormente mostraria seus "atributos" em filmes singelos como "Big Bust Superstars".

É claro que ficar de castigo não vai apagar o fogo das "colegiais delinquentes", que passam a maior parte do filme fumando maconha, praticando lesbianismo soft, fazendo massagem uma na outra ou provocando o diretor da escola, o sr. Baxter (John Alderman), ao tirarem os sutiãs durante a aula de educação física!


Mas as moçoilas não perdem por esperar: eis que nas proximidades da escola existe um manicônio para criminosos insanos, onde um trio da pesada divide a mesma cela: Carl C. Clooney (o excelente Michael Pataki) é um mímico frustrado que tornou-se assassino psicopata; Dick "Flasher" Peters (o dublê Bob Minor, até hoje trabalhando em blockbusters) é um jogador de futebol americano viciado em sexo e estuprador, e Bruce Wilson (o falecido Stephen Stucker, que interpretou o controlador de vôo gay em "Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu...") é um estilista de moda gay e psicótico.

Esse, acredite ou não, é o nosso trio de "vilões", que está mais para "Os Três Patetas" do que para um grupo de criminosos assustadores como os de "Last House on the Left", por exemplo. E quando eles escapam do manicônio, iniciando uma onda de crimes sexuais, o espectador já espera pelo pior... Mas, quem diria, o filme começa a acentuar o seu tom mais cômico, revelando desde cedo que não é preciso temer por cenas mais fortes ou violentas.


A cena-chave que marca a divisão entre a "seriedade" da proposta e o "avacalho" da execução é o primeiro ataque do trio de fugitivos, na casa de um casal sexualmente frustrado composto por um bebum importente (o antológico George "Buck" Flower) e por uma esposa ninfomaníaca (Julie Gant).

Confesso que já esperava pelo pior, já que os três bandidos até então eram representados no filme como terríveis ameaças. Só que aí a coisa parte para o lado do humor, principalmente quando Dick leva a esposa reprimida para o quarto e ela não parece nada interessada em resistir ao "estupro", enquanto os outros dois bandidos bebem e cantam animadamente com o marido corno!!! Uma cena que só vendo para acreditar...


Finalmente, quando Clooney, Dick e Wilson chegam à escola, DELINQUENT SCHOOLGIRLS se transforma num festival de fetiches e cenas absurdas, que incluem uma luta "até a morte" entre duas garotas rolando na lama (com direito a camisetas rasgadas para que os peitos possam aparecer melhor) e a tentativa de Clooney de obrigar as meninas a dançarem cancam sem calcinha (um momento tão ridículo que se torna hilariante!).

Mas o mais engraçado é que as colegiais franzinas logo se revelam bem menos indefesas do que pareciam no começo, enfrentando de igual para igual o trio de estupradores, inclusive com golpes de karatê - uma tipo de vingança feminista que Quentin Tarantino homenagearia 30 anos depois com seu "À Prova de Morte".


DELINQUENT SCHOOLGIRLS poderá ser frustrante para quem espera uma coisa mais pesada, já que as cenas de sexo são muito tímidas e a nudez se resume aos melões gigantescos de fora.

Porém é preciso lembrar que certos temas tratados no filme, como a promiscuidade sexual das adolescentes, ainda eram tabu na época em que o filme foi feito. Detalhes que hoje soam muito ingênuos, bem como certos diálogos pretensamente feministas, como aquele em que uma das garotas enche Dick de porrada e grita: "Tente tirar minha calcinha agora, seu porco chauvinista!".


No fim, a ingenuidade da trama e o sexo recatado são compensados por cenas maravilhosamente toscas e absurdas, como aquelas envolvendo o "doce" Sr. Smith abusando das aluninhas, ou aquela em que uma garota seminua foge e tenta buscar ajuda na estrada, apenas para acabar na van de dois sujeitos mais perigosos do que os próprios estupradores!

Quem conseguir enxergar além da overdose de peitões de fora vai se divertir muito, também, com as atuações canastríssimas e completamente deslocadas de Pataki (um ator multifacetado que eu adoraria ver num filme do Tarantino) e de Stucker. O primeiro passa o filme todo falando frases desconexas entre risadas forçadas de "vilão de James Bond", enquanto o segundo faz o mesmo papel de "gay engraçadinho" depois repetido em "Apertem os Cintos...". Ambos estão impagáveis e roubam o filme.


Mesmo que não possa ser citado entre os melhores "sexploitation" daquela fase áurea (talvez nem mesmo entre os mais memoráveis), DELINQUENT SCHOOLGIRLS certamente é um belo cartão de visitas para quem quer conhecer melhor esse tipo de filmes.

Com o acréscimo de que, hoje, ele pode ser visto mais como uma "quase inocente" comédia juvenil do que como filme violento ou chocante.

Prepare-se, então, para babar diante do festival de seios gigantescos e para rir muito do absurdo das situações e das interpretações esdrúxulas do trio de "vilões".

PS: Esta é a 200ª postagem do FILMES PARA DOIDOS. Nada mal para um blog que eu achei que já nascia morto e que está com uma média de visitação surpreendente (ah, se eu ganhasse só um centavinho por acesso...).

Trailer de DELINQUENT SCHOOLGIRLS



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Delinquent Schoolgirls (1975, EUA)
Direção: Greg Corarito
Elenco: Michael Pataki, Bob Minor, Stephen
Stucker, Colleen Brennan, Brenda Miller,
e George "Buck" Flower.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

FUTURE KILL (1985)


Se você é um verdadeiro fã de horror e vê um cartaz de filme com uma fan-tás-ti-ca arte cyberpunk do mestre H.R. Giger e a frase "Os astros de 'O Massacre da Serra Elétrica' estão de volta", nada mais importa: você PRECISA ver aquele filme, não importa se é uma história de horror classe Z ou um drama lacrimoso produzido no Afeganistão.

Entretanto, o que você certamente não espera é que o tal cartaz pertença a um filme bizarro, que mistura gêneros sem muito critério, parecendo mais uma mistura de "Mad Max", "Porky's", "The Warriors - Os Selvagens da Noite" e "Fuga de Nova York". Pode acreditar: tal disparate, que parece até um delírio saído de alguma produção de Bruno Mattei baseada em roteiro de Jess Franco após tomar LSD, existe e possui certa fama underground. Trata-se de FUTURE KILL, obra produzida em Austin, no Texas, no hoje longínquo ano de 1985.


Nada faz muita lógica no roteiro de FUTURE KILL, e toda vez que revejo o filme (foram três vezes no total, verdadeiro prazer sadomasoquista!) fico perguntando a mim mesmo como é que nem o diretor, nem os produtores, nem os atores perceberam a lambança que estavam fazendo.

Não falta nem aquele festival de figurinos e maquiagens berrantes que representam, supostamente, o nosso futuro não muito distante - ou a visão que os figurinistas dos anos 80 tinham do nosso futuro não muito distante. (Bem, se no futuro todos teremos que nos vestir com aquelas roupas espalhafatosas e pintando nossos rostos com maquiagem colorida, como se fossemos todos figurantes de "Mad Max 2", então espero não viver muitos anos mais...)

FUTURE KILL chegou a ser lançado no Brasil, nos primórdios do VHS, com o péssimo título "A Violência do Futuro". Era uma daquelas primeiras fitas nacionais, com legendas horríveis que surgiam com atraso e não traduziam nem 60% dos diálogos, além de repletas de erros de tradução ("freaks", por exemplo, foi traduzido para "aleijões" ao invés de "aberrações").


Produzido com uma merreca, FUTURE KILL é o primeiro e único filme de Ronald W. Moore, que, na faixa de comentário do DVD importado da obra, teve a humildade de dizer: "Eu sou o diretor deste filme, se é que podemos chamá-lo assim".

Nossa história começa num laboratório futurista (leia-se: cenário pobre repleto de maquinário pobre, luzes neon e placas com o símbolo de radiação). Ali, um personagem bizarro chamado Splatter (Edwin Neal, o caroneiro de "O Massacre da Serra Elétrica") discute com outro personagem bizarro chamado Eddie Pain (Doug Davis). Torna-se necessário explicar desde já que Pain é líder de um movimento de jovens punks contrários ao uso de radiação, após um acidente nuclear acontecido dois anos antes naquela região. Estes jovens vestem-se com roupas berrantes, pintam o rosto com maquiagem colorida e chamam a si mesmos de "Mutantes", embora nenhum deles tenha, realmente, algum tipo de mutação.


Já Splatter é o principal "soldado" do movimento, um brutamontes que teve a maior parte do corpo destruída por lixo radioativo no tal acidente nuclear de dois anos antes, e, portanto, sobrevive graças a implantes biônicos - leia-se: uma bagaceira armadura feita de plástico. Ah sim: Splatter também tem garras de metal nas mãos, à la Wolverine ou Freddy Krueger, como você preferir.

Splatter, como o nome já indica, prefere utilizar de violência e métodos pouco ortodoxos para prostestar contra a radiação, mesmo que isso envolva torturar e matar os próprios membros da gangue quando eles falam com repórteres. Mas Eddie Pain, o líder dos Mutantes, odeia violência e quer que o grupo faça manifestações pacíficas para ser melhor compreendido pela sociedade, sem qualquer derramamento de sangue.


FUTURE KILL simplesmente dá um corte maluco e nos leva diretamente a uma alegre e colorida fraternidade americana, típica de comédias do período.

Belas gatinhas com pouca roupa jogam em máquinas de pinball (e isso que estamos, supostamente, no futuro!), enquanto rapazes bobalhões com péssimos cortes de cabelo enchem a cara com cerveja e olham, admirados, para os peitões das moçoilas. Pelo que se percebe, nosso futuro não será nem um pouco diferente do "presente". Já o choque entre o clima "dark" e futurista da primeira cena com esta segunda é tão grande que o espectador chega a imaginar que está vendo outro filme!

A festa na fraternidade introduz nossos "heróis", cinco jovens cabaços chamados Paul (Gabriel Folse), Steve (Wade Reese, em seu único filme), Tom (Barton Faulks), Jay (Robert Rowley, em seu único filme) e George (Jeffrey Scott).


O quinteto recebe uma missão do presidente da sua fraternidade: ir até o bairro pobre onde vivem os Mutantes (apelidado de "FreakCity", uma terra de ninguém onde nem a polícia pisa, tipo "Fuga de Nova York") e raptar um dos punks para levar até uma festa da fraternidade.

Para dar mais realismo à missão, os cinco estudantes se disfarçam de Mutantes (e não estamos falando do famoso grupo musical brasileiro), com roupinha punk e toneladas de maquiagem colorida no rosto e nos olhos, e vão até FreakCity em busca de um punk para seqüestrar. Para complicar a coisa, resolvem levar justamente o líder do movimento, Eddie Pain. Eis que enquanto os jovens tentam agarrar o sujeito surge, do nada, o cruel Splatter, que não sabe que o "seqüestro" é de mentirinha. Portanto, achando que o lance é pra valer, chega sentando a mão na orelha da galera.

Quando o presidente da fraternidade sai do seu esconderijo para acalmar os ânimos e explicar que é tudo brincadeira, Splatter se enfurece e responde: "Quero ver você rir disso!", ao mesmo tempo em que crava suas pontiagudas garras metálicas na garganta do sujeito.


Com seu amigo morto, os cinco jovens bobocas ficam completamente estupefatos e desnorteados - e finalmente percebem a roubada em que se meteram! Eddie Pain dá uma bronca em Splatter, mas, revoltado com a xaropeação do chefe, o vilão resolve "pedir demissão" - neste caso, matando também o agora ex-patrão. E, obviamente, joga a culpa do assassinato na garotada da fraternidade, que àquela altura resolveu fugir para salvar a própria pele.

Pelo restante de FUTURE KILL, os cinco jovens tentarão voltar para casa atravessando um lugar hostil ("Fuga de Nova York" + "The Warriors"), e sendo perseguidos por Splatter, que precisa eliminar de qualquer jeito as testemunhas.

Diretor e roteirista de primeira viagem, Moore ainda inventa viagens como cenas em câmera lenta inseridas na montagem sem muito critério, perseguições repetitivas (espere só para ver o milésimo take dos rapazes correndo pelas ruas escuras com suas sombras refletidas no asfalto ou nas paredes, algo que o diretor deve ter achado lindo, pois repete a cada 10 minutos!!!) e momentos estapafúrdios, como aquele em que os jovens, perseguidos e ameaçados de morte por metade do bairro, simplesmente param num clube noturno e ficam assistindo tranqüilamente a um show de punk rock - ao mesmo tempo em que tentam chegar na mulherada e se dar bem, esquecendo que estão fugindo de metade do bairro!


Segundo narra na faixa de comentário do DVD importado, Moore filmou todo o roteiro que tinha à disposição e acabou com apenas 50 minutos de material nas mãos; com isso, obrigou-se a criar novas cenas e "enrolar" para fechar o tempo total de 85 minutos. Isso justifica alguns momentos difíceis de engolir, como o tal show da banda e as intermináveis perseguições.

O maior pecado de FUTURE KILL é misturar gêneros sem nunca decidir-se por um deles. Não há nenhum problema em mesclar horror e comédia, como o diretor/roteirista fez. Aliás, é válido destacar, a história começa no terreno "comédia adolescente" e da metade em diante se transforma num pesadelo sangrento, mais ou menos da mesma forma que fez, exatos 20 anos depois, Eli Roth em seu "Hostel". O problema é que Moore, ao contrário de Roth, exagerou na comédia-pastelão.


Ele também não consegue escolher entre fazer um filme pós-apocalíptico (já que os detalhes "futuristas" são escassos e praticamente resumem-se à presença do cibernético Splatter), um filme de ação (já que a "ação" se resume às cenas de correrias e algumas poucas pancadarias entre os heróis e os Mutantes) ou um filme de horror (já que o sadismo de Splatter é pouco explorado, e as cenas sangrentas são poucas, embora interessantes).

Com tanta mistureba, FUTURE KILL é exatamente o que parece: uma colagem com um pouquinho de tudo, mas menos do que seria satisfatório em cada gênero - há pouca ação, pouco terror, pouco humor e pouca ficção científica.


Mas algumas cenas são tão grotescas que chegam a se tornar engraçadas. Minha preferida é aquela onde dois Mutantes, armados de fuzis, perseguem os jovens até um beco escuro. Ali, escutam um barulho, mas é apenas um simpático gatinho saracoteando entre as lixeiras - um clichê cinematográfico mais velho que o próprio cinema. Mas então, num saboroso anti-clichê, um dos vilões fica furioso e descarrega sua metralhadora no bichano, e no take seguinte vemos o que restou da carcaça do felino crivado de balas!

Outro momento lindo é aquele em que uma prostituta assanhada inventa de fazer um boquete em Splatter - e não consigo imaginar o que ela vê de excitante num monstro robótico como aquele. Subitamente, a garota faz uma cara de assustada e o vilão agarra seus cabelos, gritando: "Se encontrar alguma coisa aí, pode começar a chupar, sua vagabunda!", antes de matá-la violentamente!


Há também resquícios de brutalidade à la "O Massacre da Serra Elétrica", como quando Splatter atinge um dos rapazes com um faconaço e ele cai no chão se contorcendo violentamente antes de morrer, algo bem semelhante à morte de Kurt no filme de Tobe Hooper.

A conclusão é o ponto alto de FUTURE KILL, com um longo confronto entre os rapazes da fraternidade e Splatter e seus mutantes num velho laboratório abandonado - onde, sem querer entregar demais, o vilão tem um destino bastante sangrento e nojento.

Por sinal, mais que um filme independente e ruim, FUTURE KILL funciona como uma verdadeira reunião de pessoas envolvidas no clássico "O Massacre da Serra Elétrica" (o original de 1974, obviamente).


Além de Edwin Neal e de Marilyn Burns (cuja passagem pelo filme é meramente decorativa, com uma pequena participação no final como a Mutante Dorothy Grim), há a presença de Robert A. Burns, que foi diretor de arte na produção de Tobe Hooper e aqui assina os efeitos especiais ao lado de Kathleen M. Hagan.

(Curiosamente, um dos capangas de Splatter é interpretado por um ainda anônimo Bill Johnson, que no ano seguinte (1986) seria convidado para interpretar o próprio Leatherface em "O Massacre da Serra Elétrica 2", que Tobe Hooper dirigiu para a Cannon Pictures!)

E se FUTURE KILL é uma bela de uma bomba (daquele tipo tão ruim que tem seu charme), uma coisa é indiscutível: a arte do cartaz é fan-tás-ti-ca. Eu até sugeriria que os curiosos comprassem a fita, jogassem fora a dita cuja e guardassem apenas a capinha com a arte do Giger!

Trailer de FUTURE KILL



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Future Kill - A Violência do Futuro
(Future Kill, 1985, EUA)

Direção: Ronald W. Moore
Elenco: Edwin Neal, Marilyn Burns, Gabriel
Folse, Wade Reese, Barton Faulks, Rob Rowley,
Craig Kanne e Jeffrey Scott.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

RESGATE DE RISCO (2005)


- Shep, era necessário atirar o suspeito pela janela?
- É que eu precisava de um pouco de ar...


Frases de efeito entre uma troca de porradas ou um tiroteio? Confere. Expressão de buldogue mal-humorado que teve o osso roubado e prepara-se para estraçalhar o outro cachorro? Confere. Atuação incapaz de expressar qualquer sentimento que não seja o de fúria? Confere. Roteiro estapafúrdio que apenas empilha lutas e tiroteios? Confere.


Senhoras e senhores, sem sombra de dúvidas, THE CUTTER (no Brasil, RESGATE DE RISCO) é um autêntico filme de CHUCK NORRIS. E se você não entende o porquê de eu grafar o nome dele em maiúsculas, certamente não sabe que CHUCK NORRIS é DEUS e está acima de nós, pobres mortais.

Você nunca leu os hilariantes CHUCK NORRIS Facts? Não sabe que o Papai Noel existia, até esquecer de trazer o presente para CHUCK NORRIS? Não sabe que o mijo de CHUCK NORRIS é engarrafado e vendido como Red Bull? CHUCK NORRIS, caro leitor, não é uma pessoa ou um ator, mas uma força da natureza. Que consegue escapar ileso de tiroteios, lutas, terroristas, e até de filmes desastrosos como este THE CUTTER.


Se na teoria THE CUTTER é um autêntico filme do mestre, na prática o que se vê é uma obra tristemente comum, bem diferente dos "clássicos" estrelados pelo ator nos anos 80, como "Invasão USA" e "Braddock - O Super Comando". E considerando que CHUCK NORRIS estava afastado do cinema desde 1996 (quando fez o horrível "O Protetor"), era de se esperar mais do retorno de uma lenda viva do cinema de ação barulhento e sem-noção.

Porém, infelizmente, CHUCK NORRIS ficou tempo demais estrelando o seriado televisivo "Walker Texas Ranger" (onde quase não matava ninguém!), se converteu num religioso xarope, que prefere dar sermões a tiros, e perdeu a mão para a coisa. Perdeu, também, o posto de "ídolo das produções B direct-to-video" para vários outros atores de menor grandeza, como Steven Seagal e Jean-Claude Van Damme - mais recentemente, Jason Statham tem assumido o posto de "herói de ação do século 21".


E é lamentável que THE CUTTER seja o "canto de cisne" do ex-astro (até agora, seu último filme). Ao invés de sair por cima, CHUCK NORRIS aposentou-se com um filme apenas convencional, tedioso, comum. E, como diz a loirinha Mena Suvari em "Beleza Americana", não tem nada pior que ser comum...

A trama começa no Deserto do Sinai, onde arqueólogos desenterram uma múmia (!!!) antes de ser barbaramente assassinados por um homem conhecido apenas como Dirk (Daniel Bernhardt, que tentou ser um imitador de Van Damme estrelando as seqüências de "O Grande Dragão Branco", de 2 a 4). Dirk quer uma placa cheia de pedras preciosas que estava no peito da múmia, e que vem a ser um raro e cobiçado artefato religioso. O que interessa, entretanto, são os enormes diamantes de vários quilates escondido no fundo da placa.


Só nestes cinco primeiros minutos, já temos dois erros grosseiros: quando Dirk apunhala uma cúmplice, percebe-se claramente que ele está apenas forçando o punho fechado (sem faca alguma) na barriga da moça; e apesar de ter atingido a barriga, no take posterior, em close, vemos uma faca enterrada no meio dos peitos da vítima! Ora, o que você esperava de uma produção barata da Nu Image feita direto para o mercado de vídeo?

Finalmente, entra em cena CHUCK NORRIS, mas em Washington, bem longe do Deserto do Sinai. Ele interpreta John Sheperd, que todos chamam "Shep", um heróico policial que se aposentou após concluir que o trabalho na polícia era muita burocracia e pouca ação. Shep transformou-se, então, num detetive particular especializado em resolver casos de seqüestros antes da polícia.

Na sua primeira aparição em cena, por exemplo, vemos Shep dando uma de Stallone Cobra e invadindo o prédio onde uma garota é mantida como refém. Ele não só fuzila, com um revolvinho comum, três capangas que usavam metralhadoras Uzi, mas ainda enche de porrada um quarto bandido que tem o triplo do seu tamanho!!! Ao ver que a refém está morta, nosso herói fica puto e atira o sujeito desarmado e indefeso pela janela, matando-o numa queda de sabe-se lá quantos andares - e segue-se o diálogo que eu transcrevi lá no início do texto.


Vale dizer que a primeira vez que CHUCK NORRIS entra em cena é um verdadeiro choque, pois, apesar da barba fechada e da tradicional cara de buldogue, até um cego percebe que o pobre coitado ESTÁ VELHO DEMAIS! Mesmo assim, milagrosamente, CHUCK NORRIS mostra uma vitalidade tão grande ao longo do filme (e seu dublê nas cenas de luta é tão convincente) que o espectador até engole, e esquece o fato do ex-astro ser agora um sessentão que provavelmente sofre de artrite e reumatismo.

Mas voltemos ao filme: ressentido por não ter salvo a refém do seu contrato anterior, Shep logo ganha uma nova missão: Dirk (o vilão do começo do filme, lembra?) seqüestrou Isaac Teller (Bernie Kopell), que é um velho lapidador de diamantes (o "cutter" do título).


O motivo: o empregador de Dirk quer que Isaac use uma técnica impecável de corte de diamantes, que só ele conhece, para lapidar as duas pedras roubadas no Deserto do Sinai. Talvez fosse mais fácil pedir "por favor" ou pagar uma grana para o velhote, mas os bandidos preferem ir pelo lado mais difícil e seqüestram Isaac antes de tentar uma alternativa mais prática.

Para ter a certeza de que o lapidador não vai criar problemas, Dirk e seus amigos decidem, então, seqüestrar Liv (Joanna Pacula), sobrinha de Isaac. O problema é que a moça é ajudada por Shep, e Shep é interpretado por CHUCK NORRIS. Logo, eles terão muito trabalho pela frente.


Diz o IMDB que o roteiro de THE CUTTER demorou 10 anos para sair do papel (teria passado por três estúdios e foi reescrito umas cinco vezes antes de conseguir um produtor). Bem, do jeito que está, deveria ter continuado no papel por pelo menos mais uns 10 anos!!! Ora, se os caras demoraram uma década para tirar "isso" do papel, bem que podiam ter dado um pouco mais de atenção à história, já que o roteiro é um festival de pontas soltas e cenas sem razão de existir.

Há, por exemplo, um agente da Interpol interpretado por Aaron Norris (irmão de CHUCK NORRIS) que participa ativamente dos 20 primeiros minutos da trama, mas é morto por Dirk sem dizer a que veio!!! Sua presença não acrescenta absolutamente nada à história, e ele nem faz falta quando tem a garganta cortada de orelha a orelha.

Em uma cena sem nenhuma razão de existir, Shep vai dar uma olhada na casa de Isaac e o tal agente da Interpol está lá. O sujeito usa uma arma daquelas de choque para fazer o herói desmaiar, e fica por assim - na cena seguinte, Shep já está acordado e em outro lugar, e jamais se menciona novamente o ocorrido!


Mais adiante, um dos capangas do vilão surge disfarçado de funcionário da companhia elétrica, entra no apartamento do herói e sai na porrada com ele. Após apanhar como cachorro magro na porta do açougue, o bandido simplesmente LEVANTA E SAI CORRENDO, e Shep nem ao menos vai atrás dele para descobrir quem o mandou ou o porquê - o bandido foge e, novamente, fica por assim!!!

E por mais que CHUCK NORRIS seja DEUS, não tem como engolir a cena em que Shep corre pelas ruas da cidade munido apenas de um telefone celular e IDENTIFICA O BARULHO NUMA MENSAGEM DEIXADA EM SEU TELEFONE (!!!), encontrando o esconderijo onde os vilões estão com a maior facilidade!!!

Não bastasse tudo isso, durante uns 30 minutos no meio do filme, acredite se quiser, CHUCK NORRIS pára de dar tiros e socos para "investigar". Só que essa atitude não combina com um sujeito conhecido justamente por sua truculência, e ver CHUCK NORRIS procurando pistas e navegando na internet é tão deslocado quanto ver Charles Bronson tocando violino na Filarmônica de Viena!


O pior é que a trama escrita por Bruce Haskett (único crédito) é simples e rasa, mas ele insiste em tentar transformar a história em algo mais sofisticado do que ela realmente é, incluindo referências religiosas e até ao Holocausto (Isaac é sobrevivente de Auschwitz e passa o filme todo sofrendo com flashbacks da sua juventude no campo de concentração).

Haskett também consegue a façanha de incluir inúmeros flashbacks de coisas que aconteceram 10 MINUTOS ANTES!!! Muitas vezes, repete toda a maldita cena, como se o espectador não lembrasse de algo que viu 10 ou 15 minutos antes... Do jeito que está, até aquele cara do filme "Amnésia", que perdia toda a memória após cinco minutos, poderia assistir THE CUTTER sem problemas!!!

Não que esses detalhes façam qualquer diferença no filme, já que a história logo se encaminha para a luta final entre CHUCK NORRIS e o vilão - rápida e pouco emocionante, já que nosso herói não consegue chutar alto como nos áureos tempos. Na verdade, um dublê substitui CHUCK NORRIS na maior parte das cenas de luta (artifício usado também por Steven Seagal em vários dos seus filmes recentes), e a edição em estilo videoclipe, com cortes rápidos, disfarça um pouco o negócio...


Alguns podem dizer que THE CUTTER ficou do jeito que ficou porque CHUCK NORRIS está velho - tinha 65 anos na época das filmagens. Ora, isso não é desculpa! Charles Bronson tinha 64 quando fez "Desejo de Matar 3" e estava com 68 quando estrelou "Kinjite - Desejos Proibidos", e estes são dois filmaços, muito mais machos que THE CUTTER.

O grande problema é que CHUCK NORRIS mudou e não parece mais tão feliz em ser o herói mal-humorado e briguento que costumava interpretar nos velhos tempos. Sua cara de má vontade (ou preguiça) é visível nas cenas de ação (repare nas fotos desta resenha). Talvez ele prefira mostrar que tem bom coração, como na cena em que devolve à família da refém morta o dinheiro que lhe pagaram e sugere que invistam a grana numa bolsa de estudos para algum jovem carente; talvez ele prefira mostrar que é um homem mudado pela fé, como quando mostra seus conhecimentos religiosos em frente a um historiador.

Infelizmente, estas cenas retardam aquelas onde vemos o bom e velho CHUCK NORRIS saindo no pau com a bandidada e enchendo eles de tiros mesmo quando estão desarmados. E muita gente vai pegar no sono antes de ver a melhor parte, aquela onde Shep senta-se ao lado de Dirk num ônibus lotado e dispara: "Vai me dizer onde está Isaac Teller ou vou ter que arrancar de você?", antes de ambos trocarem catiripapos no meio dos passageiros!!!


Se CHUCK NORRIS realmente quer voltar a fazer filmes de ação - nem que seja contra a vontade, só para pagar a pensão da ex-mulher -, que tome antes um banho de loja e aprenda um pouco com seus imitadores e ex-colegas dos anos 80. Steven Seagal começou a fazer filmes exagerados imitando as produções de ação made in Hong-Kong; Stallone preferiu não esconder que está velho e fez de "Rocky Balboa" e "Rambo 4" dois filmaços.

Quem sabe CHUCK NORRIS não poderia nos surpreender com um "Braddock 4" qualquer hora dessas? Talvez lhe falte um diretor melhorzinho, já que THE CUTTER é assinado por William Tannen, que já havia dirigido o astro num de seus filmes mais convencionais e descartáveis, "Um Herói e Seu Terror".

Uma coisa é certa: se é para aparecer em produções medíocres e simplistas como este THE CUTTER, seria melhor que o ex-astro continuasse aposentado. Pois, se continuar nesse nível, teremos que começar a escrever CHUCK NORRIS em letras minúsculas, uma verdadeira ofensa!!!


- CHUCK NORRIS FACT nº 10.866: CHUCK NORRIS sofreu um acidente e entrou em coma por dois meses; neste ínterim, filmou todas as suas cenas em THE CUTTER!!!

PS: Mais assustador que as rugas na cara de CHUCK NORRIS é ver as outrora sex symbols Joanna Pacula e Tracy Scoogins (que fez filmes da Full Moon, tipo "Brinquedos Diabólicos", e era uma das minhas musas) velhas, feias e "embagulhadas", um verdadeiro choque para quem lembra das moçoilas no auge, fazendo tórridas cenas de sexo simulado!!! Envelhecer, definitivamente, é chato - tanto para quem envelhece, quanto para quem vê...

Trailer de RESGATE DE RISCO



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Resgate de Risco (The Cutter, 2005, EUA)
Direção: William Tannen
Elenco: Chuck Norris, Joanna Pacula, Daniel
Bernhardt, Bernie Kopell, Todd Jensen, Aaaron
Norris e Tracy Scoggins.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Anotações sobre uma semana cinematográfica


Nos últimos dias, estive afastado do blog (e praticamente de casa) por estar envolvido em dois eventos únicos: a Mostra Cinema de Bordas promovida pelo Itaú Cultural, que chegou à sua terceira edição, e "Páscoa Sarnenta", um projeto conjunto com a lenda do cinema independente brasileiro Petter Baiestorf.

Algumas considerações sobre ambos, pois sempre acho que vale a pena dividir pequenos fragmentos de memórias cinematográficas com leitores de um blog sobre cinema...


1. Cinema de Bordas
Infelizmente, neste ano não pude acompanhar o Cinema de Bordas todos os dias por causa deste projeto com o Baiestorf. Mesmo assim, o evento no Itaú Cultural proporcionou uma daquelas raras oportunidades de reencontrar velhos amigos e fazer novos.

Estiveram presentes realizadores como Rodrigo Aragão, Joel Caetano, Sandro Debiazzi, Rodrigo Brandão e o próprio Baiestorf, mas quem roubou a cena foram duas lendas vivas do cinema underground nacional: Manoel Loreno, conhecido como Seu Manoelzinho, e Aldenir Coty, ninguém mais ninguém menos que o Rambú da Amazônia!!!

Seu Manoelzinho é a própria encarnação do chamado "Cinema de Bordas", e realizou filmes ingênuos e muito divertidos feitos em VHS, com roteiros improvisados (o realizador é analfabeto), situações sem pé nem cabeça e uma montagem que beira o surreal.

Ver aquele sujeito humilde e desajeitado, lavrador e faxineiro de cinema em Mantenópolis (interior do Espírito Santo), apenas confirmou a famosa frase de Werner Herzog que adoro citar em benefício próprio: "O cinema não é uma arte de eruditos, mas de analfabetos".

Também me deu a certeza de que esses estudantes de cinema de hoje são tudo uns chorões, porque se um analfabeto de Mantenópolis consegue pegar uma câmera e fazer 20 longas-metragens, e eles não conseguem nem ao menos terminar seus curtas, é porque alguma coisa está MUITO errada...

Fiz questão de tirar foto e comprar DVDs com filmes de Seu Manoelzinho, entre eles o clássico western "O Homem Sem Lei", que tem cenários mostrando apenas a fachada de estabelecimentos como delegacia e saloon, e tiroteios filmados através de bombinhas acesas diretamente no cano dos "revólveres"!!!

Também dei um furo ao pedir autógrafos nos DVDs sem lembrar que o célebre Loreno não é versado no dom da escrita: mesmo assim, o esforçado realizador fez dois garranchos completamente diferentes em cada caixinha!

Teste para "Os Mercenários da Amazônia"?


Já Rambú roubou a cena quando apareceu no Itaú Cultural vestido com calça militar, chinelos-de-dedo e faixa vermelha amarrada na testa, como manda o figurino de seu personagem calcado no Rambo de Stallone.

Percebi que Coty realmente acredita ser uma espécie de sósia do famoso Sylvester, tanto que na Mostra estava exibindo sua nova produção, "Roquí - O Boxeador da Amazônia", um curta hilário que já está no YouTube.

Assista "Roquí - O Boxeador da Amazônia"



Bastante assediado e exigido para fotografias, o astro amazonense já revelou que deverá estrelar também uma versão genérica de "Stallone Cobra" - que, pela lógica dos títulos anteriores, deverá se chamar "Cobrá da Amazônia" (já deixo a sugestão)! Vai ser engraçado vê-lo com óculos espelhados e falando "Você é um cocô" com sotaque de Manaus...

Na quinta-feira, 21, teve a exibição conjunta de meu curta "Extrema Unção" e do filme do Baiestorf "O Doce Avanço da Faca", que teve alguns cortes nas cenas de sacanagem exigidos pelos organizadores.

Eu já tinha visto o filme do Petter e não me importei com a retirada do sexo gratuito, mas foi uma pena eliminarem a bela história em quadrinhos exibida no começo do curta e até O FINAL da obra, mutilando completamente a obra do realizador!

Depois da exibição, rolou um bate-papo meu e do Baiestorf com o moderador Lúcio Reis. Já fiz um lance parecido no Fantaspoa alguns anos atrás e sabia que o Petter fala sem parar, então fiquei servindo de escada para ele e fizemos inúmeras piadinhas que levaram o público às gargalhadas. Parecia até show de stand-up comedy, só que sentados.

O mais surpreendente foi a presença de dois estudantes de cinema que fizeram perguntas. Pensei que eles iriam nos detonar, pois isso é bem do feitio desse tipo de estudante, mas eles na verdade elogiaram nossa iniciativa de "fazer por conta" e reclamaram da faculdade, que não lhes dá a liberdade de fazer o mesmo.

Aí eu e o Petter aproveitamos para dar nosso pitacos sobre o tema, em trecho que foi filmado pelo amigo Fritz e você pode ver no vídeo abaixo.

"Sit-down comedy" com Baiestorf e eu



Infelizmente, não pude ver a estreia do média-metragem "O Tormento de Mathias", de Sandro Debiazzi, onde apareci como ator ao lado do Joel Caetano e outras feras (ô loco, bicho!). Queria ver a reação do público ao filme e à minha interpretação tenebrosa, mas naquele momento eu já estava a caminho de Palmitos, interior de Santa Catarina, para filmar com o Baiestorf.


2. Páscoa Sarnenta
Logo após o bate-papo no Cinema de Bordas, tivemos uma reunião sobre um possível projeto cinematográfico conjunto que juntará, no mesmo filme, eu, Rodrigo Aragão, Baiestorf e Joel Caetano. Não vou dar detalhes enquanto isso não sai do papel, mas a reunião deixou todo mundo otimista.

Petter então lembrou que precisávamos pegar o avião para Santa Catarina bem cedinho no dia seguinte, e pediu para voltarmos cedo para casa - porque ele ia dormir num colchão na minha sala, para chegarmos mais rápido ao aeroporto.

Claro que na prática não foi bem assim: acabamos a noite num bar na Augusta onde ficamos bebendo até quase cinco da manhã, entre risadas e doideiras como o telefonema em que Fernando Rick supostamente falou comigo e eu estava em casa, embora eu estivesse no bar e nunca tenha recebido nenhuma ligação dele!!!

E o Petter queria ir dormir cedo...


No dia seguinte, mortos de sono e de cansaço, finalmente pegamos o avião para Chapecó e o puto do Baiestorf aproveitou para explorar meu medo de voar: sentado na porta de emergência da aeronave, ficava ameaçando abrir aquela merda durante todo o voo!

Chegamos em Chapecó sem maiores problemas (apesar das sacanagens do Petter) e pegamos carona com Carli Bortolanza para Palmitos, onde parte da equipe do Baiestorf já esperava para o início do Projeto Páscoa Sarnenta.

Vou explicar rapidamente o que foi esse negócio: há alguns meses, fuçando no YouTube, descobri o trailer de um documentário chamado "Lado B - Como Fazer um Longa Sem Grana no Brasil", de Marcelo Galvão.

O título é chamativo e a sinopse diz: "Longe das verbas milionárias, o filme revela as dificuldades enfrentadas por quem não dispõe de recursos para realizar um projeto".

Confesso que a primeira coisa que pensei foi: "Ué, por que não me entrevistaram para esse negócio?". Afinal, fiz um curta de 40 reais ano passado. Aí vi o trailer de "Lado B" e descobri que eles usaram depoimentos de cineastas como Fernando Meirelles e Ugo Giorgetti, choramingando por terem feito curtas com APENAS 90 mil reais.

Gisele Ferran protagoniza cena de amor


Fiquei tão puto que resolvi realizar um verdadeiro documentário sobre "como fazer cinema sem grana no Brasil", e entrei em contato com o Baiestorf sugerindo que ele filmasse um curta-metragem de baixíssimo orçamento num final de semana enquanto eu acompanhava os bastidores, estilo "Popatopolis", em que Clay Westervelt acompanhou Jim Wynorski enquanto ele fazia um filme em três dias.

O Petter gostou da ideia, mas, como ele é um sem noção, resolveu fazer não um, mas QUATRO curtas nos três dias do feriadão de Páscoa: "Pampa'Migo", uma espécie de western sangrento; "O Monstro Espacial", com efeitos e monstrinhos elaborados por Rodrigo Aragão; "Filme Político Número Um", um curta experimental com pintos e pererecas em close, e finalmente seu próprio documentário sobre o documentário que eu estava filmando!

César Souza, o Django de Palmitos


Enfim, nos acomodamos no sítio da família Baiestorf, em Palmitos, para engraçadíssimos três dias sobre os quais não vou dar muitos detalhes, mas que vão render um filme divertidíssimo sobre os bastidores da produção independente nacional.

Conheci gente que só conhecia de nome e de fama, como a nova estrela das produções de Petter, Gisele Ferran, e a lenda viva Jorge Timm, entre outros. Dividi uma cama de casal com Gurcius Gewdner, responsável por algumas das maiores gargalhadas dos três dias de filmagem, principalmente por tentar censurar o documentário após emitir opiniões polêmicas sobre pessoas conhecidas e ex-namoradas.

E, finalmente, descobri que há um ano estou acreditando numa mentira contada pelo Petter, de que o seu diretor de fotografia, o australiano Daniel Yencken, havia sido um dos atores-mirins de "Mad Max - Além da Cúpula do Trovão", algo que o Baiestorf me contou ainda em 2010 e que o próprio Daniel fez questão de negar - e eu que estava até pensando em entrevistá-lo sobre suas experiências com Mel Gibson e George Miller!

Qual deles será Daniel Yencken?


No fim, Baiestorf conseguiu concluir apenas dois dos curtas planejados, "Pampa'Migo" e "Filme Político", em virtude da chuva que estragou um dia inteiro de filmagens.

Participei como figurante em "Pampa'Migo", interpretando um personagem batizado "Cagão", que posteriormente também deveria aparecer numa espécie de suruba entre sangue e tripas no curta não-filmado "O Monstro Espacial" - mas não foi dessa vez que protagonizei uma cena erótica no cinema, para a sorte dos espectadores!

Mais detalhes sobre o Projeto Páscoa Sarnenta no blog do Petter.

Ao fundo, eu como Cagão em "Pampa'Migo"


Depois, fiquei duas noites hospedado na casa do Baiestorf com o Gurcius até a longa viagem de volta, de ônibus, para o Rio Grande do Sul, onde estou nesse momento para os festejos do Dia das Mães. Vimos muitos filmes entre risadas e cervejas.

Achei que o Petter iria me bombardear com filmes tipo "Nekromantik", mas, para minha total surpresa, passamos esses dias vendo ingênuos filmes de praia estrelados por Frankie Avalon e Annette Funicello, e rindo como completos imbecis!

Quem diria: Filme de cabeceira de Petter Baiestorf!!!


Também teve uma hilária, mas hilária mesmo, sessão de "Invasão USA", do Chuck Norris, que se transformou numa comédia involuntária total diante dos comentários meus, do Gurcius e do Petter. E vimos "O Espantalho Assassino", do Seu Manoelzinho, numa experiência verdadeiramente mágica.

Despedi-me de Palmitos e de sua fauna de pessoas excêntricas (sem dúvidas, a verdadeira Twin Peaks brasileira) e embarquei para o RS na manhã de terça-feira.


3. Sobre viagens longas e leituras
Para voltar para casa, eu teria que utilizar três meios de transporte: ônibus de Palmitos a Chapecó, então esperar quatro horas até o ônibus de Chapecó para Porto Alegre, e então pegar uma carona com uma amiga de volta a Carlos Barbosa.

Como eu sou hiperativo, sabia que jamais iria aguentar essa maratona toda de viagens, até porque só a ida de Chapecó a Porto Alegre duraria quase 15 HORAS! Desesperado e sem companhia para conversar, resolvi comprar um livro na esperança de que ler no ônibus me desse sono e eu dormisse parte da viagem - porque, acreditem ou não, eu não consigo dormir no ônibus, nem numa viagem de 15 horas!

Foi aí que descobri que o confinamento em um ambiente sem outras opções (como cinema e internet) e sem possibilidade de fuga permite que você leia muito e sem parar. A edição de bolso de "A Hora do Vampiro", de Stephen King (livro cuja leitura eu estava adiando há décadas), foi devorada em cerca de oito horas, e estamos falando de um livro de 580 páginas!

Aí lembrei da semana que passei internado no hospital com intoxicação alimentar e, sem poder sair da cama, tinha que escolher entre ler ou ver o Programa do Ratinho na TV. Naquela semana, li um livro por dia.

Todos sabem que não gosto de aviões, mas gosto menos ainda de perder tempo. Porém a viagem de Santa Catarina ao RS me fez perceber que longas viagens de ônibus são uma excelente oportunidade para ler sem parar e sem ser interrompido por coisas como a internet.

Tanto que vou fazer a experiência de voltar a São Paulo de ônibus, com vários livros na mochila, para ver se consigo colocar a leitura em dia!

E assim fiquei no final de tudo isso...