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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

OPERAÇÃO SOL NASCENTE (2005)


Quem acompanha meus textos há anos (será que existe alguém assim?) deve lembrar que essa resenha aqui não é exatamente original: ela já foi publicada, em 2008, no meu velho e desativado Multiply - uma espécie de rede social que não deu certo porque exigia que os usuários escrevessem demais, e todo mundo gosta é de figurinha e joguinho.

Bem, dentro da proposta dessa MARATONA STEVEN SEAGAL, resolvi resgatar três resenhas publicadas originalmente no Multiply sobre filmes do ídolo, e essa é a primeira delas. Duvido que alguém tenha lido lá em 2008; mas, se for o seu caso, eu reescrevi quase tudo...

É até uma pena seguir a resenha de um filme legal e divertido, como "Resgate Sem Limites", com uma bomba tipo esse OPERAÇÃO SOL NASCENTE. Infelizmente, o próprio Seagal só fez bombas após a bela parceria com Siu-Tung Ching: foi até uma espécie de vilão em "Clementine/Desafio Final", um filme sul-coreano de 2004, portanto seis anos ANTES de "Machete".


OPERAÇÃO SOL NASCENTE é o primeiro de uma série de filmes terríveis que Seagal fez praticamente um atrás do outro. Quando loquei o DVD, lá em 2008, eu já não via um filme do "ator" desde "Rede de Corrupção" (2001). Tudo que eu esperava era uma diversão masoquista para curtir num domingão de chuva. Uns tiroteios, uns braços quebrados e ação suficiente para não precisar pensar muito.

Enfim, tudo aquilo que se espera de um filme estrelado por Steven Seagal, certo?

Acredite se quiser, mas não foi o que encontrei...


A capinha do DVD de OPERAÇÃO SOL NASCENTE não poderia ser mais chamativa: Seagal, gordão, com seu indestrutível rabo-de-cavalo e vestindo um sobretudo preto arrastando no chão, carrega uma gigantesca metralhadora nas costas (que NÃO aparece no filme) e caminha com uma explosão ao fundo.

O diretor é um videoclipeiro chamado "mink" (assim mesmo, com letra minúscula), o que confirma minhas suspeitas de que videoclipeiros têm tanta merda na cabeça que preferem ser chamados por um único nome porque não têm capacidade para lembrar do seu sobrenome (veja o caso do igualmente péssimo "McG").


A propósito, nada contra os videoclipeiros (afinal, David Fincher era um videoclipeiro), desde que eles entendam que cinema e videoclipe para a MTV são duas mídias BEM diferentes - coisa que alguns deles, como esse tal "mink" (nome de batismo: Christopher Wingfield Morrison), parecem não saber.

OPERAÇÃO SOL NASCENTE se passa no Japão e traz todos aqueles clichês do cinema de ação que você espera num filme de Steven Seagal: o herói luta contra a máfia japonesa (a Yakuza) e, no processo, perde dois parceiros e a namorada. Aí resolve arregaçar as mangas, "entregar o distintivo" e resolver o problema por conta própria.


Sim, o enredo não é propriamente Shakespeare, mas nem era isso que eu esperava. Poxa, eu só queria boas cenas de ação e o Seagal quebrando braços, lembra?

O problema é que as cenas de ação, aqui, não são apenas horríveis: são inexistentes. E isso que o tal "mink" fica usando cortes rápidos e trilha pauleira o tempo todo, talvez para que o espectador não pegue no sono. Mas não funcionou: cochilei três vezes.


Seagal "interpreta" Travis Hunter, um agente da CIA no Japão. No prólogo, ele chacina um pelotão de plantadores de heroína em Mianmar (alguns anos antes do Stallone aparecer por lá e acabar com o PIB do país em "Rambo 4").

Durante a ação, o parceiro de Travis - que não é indestrutivel como o herói - toma um balaço e morre enquanto eles fogem de helicóptero. Aí "mink" nos brinda com aquele clássico take do helicóptero voando em direção ao sol, aqui mostrado através de uma ridícula cena feita em computação gráfica!


Entram os créditos animados ao estilo James Bond e "mink" entrega mais um punhado de cenas aéreas do Japão mescladas com computação gráfica, talvez para lembrar-nos de que é um videoclipeiro brincando de cineasta.

Finalmente, o governador de Tóquio, Takayama (Mac Yasuda), que está querendo aprovar uma lei para deportação de imigrantes ilegais, é assassinado por integrantes da máfia chinesa Tong num atentado armado por um jovem membro da Yakuza, Kuroda (Takao Osawa).

O assassinato não tem qualquer motivação política: é apenas a forma encontrada por Kuroda para desviar as atenções de um grande esquema de distribuição de heroína que ele está armando. Mas vem cá, ô meu chapa: não seria mais simples "desviar a atenção" de outra forma que não fosse matando um importante político e alertando todas as autoridades do país?!?


O FBI entra em ação, e não me pergunte porque os japas não podem resolver o caso sozinhos sem a ajuda do FBI. O agora ex-agente Hunter, por ser grande conhecedor da cultura oriental e viver no Japão, é designado para comandar as investigações, acompanhado de um novo e jovem parceiro, o agente Sean (Matthew Davis, de "Bloodrayne").

O rapaz é uma piada: parece um surfistinha, dispara a própria arma por acidente, não entende bulhufas da cultura japonesa e nem fala japonês (chega a pedir uma cerveja em espanhol num bar de Chinatown!!!). Enfim, é um completo mistério o porquê de ele ter sido escalado para uma missão importante como essa num país que desconhece totalmente.


Hunter, claro, não quer ser babá de ninguém, por isso manda Sean fazer tarefas burocráticas, enquanto passa o filme todo andando de carro, conversando com pessoas e realmente investigando o crime, ao invés de distribuir socos e quebrar braços, como todo mundo espera de um personagem interpretado por Steven Seagal.

Aí acontece o inevitável: acidentalmente, Sean descobre o plano de Kuroda, e por isso é assassinado brutalmente pelos homens do vilão. Depois é a vez de Jewel (Juliette Marquis), informante e "quase namorada" de Hunter, ser morta pela quadrilha, em represália por ter liberado importantes informações para o herói.


Puto dos cornos (embora sua expressão facial não mude em momento algum), Hunter une-se a um amigo japonês e, armados com espadas samurais, partem para enfrentar Kuroda e seus homens.

OPERAÇÃO SOL NASCENTE é inacreditavelmente ruim. Já virou pleonasmo dizer que Seagal está gordo como um porco ("Seagal" e "gordo como um porco" já são praticamente sinônimos), mas é difícil não repetir isso quando o sujeito aparece praticamente deformado de tão largo, usando um ridículo sobretudo preto abotoado até em cima para esconder a pança e a papada.


A primeira cena de ação do ex-astro só acontece aos 25 minutos, depois de intermináveis diálogos e voltinhas de carro pelas ruas de Tóquio. Ele dá uns socos bem fuleiros num bando de marginais e nem quebra braços e pernas, como fazia no passado.

Não pense que vai melhorar: a coreografia das cenas de luta é inexistente, e Seagal é filmado sempre em close; quando é de longe, um dublê assume a pancadaria, como virou tradição em seus filmes recentes. Até mesmo as lutas com espada são ridiculas e mal-filmadas.

E cadê as frases de efeito? Cadê as bobagens para a gente rir involuntariamente? Por que todo mundo está levando a bagaça tão a sério? OPERAÇÃO SOL NASCENTE tem uma única cena divertida que, para poupar o precioso tempo de vocês, vou até postar aqui embaixo, comprovando que Steven Seagal é mortal até mesmo comendo sushi!


Mas é dose vê-lo brincando de ninja, falando japonês e filosofando sobre a cultura oriental como se fosse um grande sábio, passando a maior parte do filme conversando em japonês com TODOS os personagens secundários, enquanto caminha por belas paisagens de Tóquio sem surrar ninguém.

Sério, é tanto blablabla e paisagem japonesa em detrimento da ação que pensei estar vendo um remake de "Encontros e Desencontros" estrelado por Steven Seagal! Como ele é co-autor do roteiro, o resultado é uma verdadeiro "ego trip" do balofo, apresentado como "o cara" o tempo inteiro.


Por isso, se você procura um filme de ação bagaceiro, com roteiro imbecil e muita pancadaria para se divertir num domingão de chuva, como eu fiz, acredite: deixe OPERAÇÃO SOL NASCENTE na prateleira e pegue "Resgate Sem Limites", que entrega tudo o que promete.

Esse aqui não: é um filme de ação que dá sono, um filme de ação onde quase nada acontece. E ainda consegue ser confuso, com uma multidão de personagens inúteis. Mais da metade do filme mostra os japas se matando entre eles (porque os membros mais velhos da Yazuka não concordam com os atos de Kuroda, por isso as duas facções vivem brigando). Como japa é tudo igual, você raramente entende quem está matando e quem está morrendo.


E não dá para engolir as ações patéticas dos personagens. Por exemplo: ao chegar na cena do crime do assassinato do governador, repleta de policiais e agentes japoneses, Seagal olha para uma câmera de segurança que existe no recinto e ordena: "Quero as imagens daquela câmera analisadas AGORA", como se ninguém tivesse pensado nisso antes - e, acredite ou não, NINGUÉM PENSOU!

Nosso amigo "mink" nunca mais filmou nada depois de OPERAÇÃO SOL NASCENTE, o que é totalmente compreensível. Afinal, por que dar trabalho a um cara que desperdiça até atores conhecidos - como a gatinha Chiaki Kuriyama, de "Kill Bill" e "Battle Royale", ou William Atherton, vilão de "Os Caça-Fantasmas" - em inexpressivos papéis secundários?


Aliás, quem vai dar trabalho para um moleque que fica entrando nos fóruns de discussão do próprio filme, no IMDB, para xingar os usuários que falam mal dessa bomba? Muito adulto, "mink", muito adulto mesmo...

E espero que a ruindade dessa obra não afaste ninguém de continuar acompanhando a MARATONA STEVEN SEAGAL, que continua diariamente nos próximos dias, seguindo o cronograma abaixo:
DETERMINADO A MATAR (Out for a Kill, 2003)
RESGATE SEM LIMITES (Belly of the Beast, 2003)
OPERAÇÃO SOL NASCENTE (Into the Sun, 2005)
LADO A LADO COM O INIMIGO (Submerged, 2005)
HOJE VOCÊ MORRE (Today You Die, 2005)
MERCENÁRIO (Mercenary for Justice, 2006)
JUSTIÇA URBANA (Urban Justice, 2007)
O JOGADOR (Pistol Whipped, 2008)

Trailer de OPERAÇÃO SOL NASCENTE



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Operação Sol Nascente (Into the Sun,
2005, EUA)

Direção: mink
Elenco: Steven Seagal, Matthew Davis, Takao
Ohsawa, Eddie George, William Atherton,
Juliette Marquis e Chiaki Kuriyama.

domingo, 16 de janeiro de 2011

RESGATE SEM LIMITES (2003)


Sabe "Carga Explosiva", aquela série (até o momento, trilogia) em que Jason Statham protagoniza cenas de ação cada vez mais absurdas e malucas, deixando o espectador sem fôlego de tanto rir? Pois, curto e grosso, RESGATE SEM LIMITES é o "Carga Explosiva" do nosso amado e decadente ex-astro Steven Seagal.

A comparação não é gratuita: não bastassem as pilhas de cadáveres deixadas para trás pelo herói (mortos a tiros ou pancadas), Seagal vai protagonizando cenas cada vez mais hilárias de tão sem-noção. Como uma imagem (ou umas imagens) vale mais que mil palavras, deixo a sequência abaixo de exemplo:


(Só para constar: além desse absurdo embate "tiro versus flecha", logo depois o herói fica sem munição e é obrigado a usar uma espada contra uma flecha, "simplesmente" cortando a flecha ao meio quando ela está a poucos centímetros da sua cabeça!!!)

O pior é que a capinha do DVD nacional de RESGATE SEM LIMITES não faz justiça ao quanto o filme é divertido. Genérica, parece ter sido "photoshopada" pelo estagiário da distribuidora em 15 minutos, e tem até um carrão em alta velocidade em destaque (será para tentar forçar a semelhança com "Carga Explosiva"?), sendo que o filme não tem NENHUMA cena de perseguição automobilística!!! Por isso, coloquei o pôster oriental aí em cima, muito mais bonitão.


O roteiro, escrito por James Townsend (possivelmente sob efeito de drogas pesadas), é uma mistura de "Busca Implacável" com um sucesso do passado de Seagal, "Marcado para a Morte", em que ele enfrentava uma quadrilha de traficantes jamaicanos que usavam magia negra contra seus desafetos.

Seagal interpreta Jake Hopper, um agente da CIA que, durante uma missão "de rotina" na Tailândia, salva a vida do parceiro oriental Sunti (Byron Mann, de "O Combate - Lágrimas do Guerreiro"), quando o coitado é gravemente ferido por um dos vilões.


Só que, no mesmo tiroteio, Sunti matou uma mãe diante da filha por acidente, e assim resolve abandonar o trabalho e tornar-se monge budista (!!!), à la Stallone em "Rambo 3". Já Hopper volta aos Estados Unidos, se aposenta e começa a cumprir missões para a CIA "por fora".

Quatro anos depois, a (gostosa) filha adolescente de Jake (interpretada pela delícia Sara Malakul Lane) vai para a Tailândia em férias com a amiga, que é filha de um importante senador norte-americano, e seus respectivos namorados.

Já no primeiro dia, os rapazes são executados e as garotas sequestradas por soldados do exército tailandês, que fazem uma encenação para parecer que o crime é ação de um grupo extremista islâmico.


Como Liam Neeson em "Busca Implacável", Seagal volta à Tailândia para caçar (e executar) os responsáveis pelo crime, e libertar a filha antes que ela seja morta pelos sequestradores. Descobre que tudo é uma farsa armada por mafiosos para eliminar rivais no tráfico de armas, ou alguma besteira do gênero. Não importa.

Desnecessário dizer que, assim que chega na Tailândia, Hopper faz questão de tirar o ex-parceiro Sunti do mosteiro, para que formem um "exército de dois" contra centenas de inimigos muito melhor armados e equipados, que logo tombam como moscas diante da pontaria e dos golpes certeiros da dupla de heróis.


Ao contrário de outras produções bem ruinzinhas do período "Seagal gordão", RESGATE SEM LIMITES é divertidíssimo porque não se leva a sério em momento algum, e, em seus exageros (tipo o massacre final à la "Comando para Matar"), lembra muito aquelas produções absurdas dos anos 80, estilo Cannon Films.

Além disso, o filme é dirigido por um chinês, Ching Siu Tung, que bota Seagal para suar e consegue arrancar do balofo algumas cenas de luta bem decentes.

Mesmo que seja fácil de identificar o dublê do astro (mais magro, menos cabeçudo e com uma perceptível pança falsa!) nas cenas com golpes "mais difíceis", Seagal se sai muito bem nas diversas oportunidades em que precisa encarar a ação por conta própria.


E ainda que esteja longe dos seus melhores momentos, ele convence bem mais que em outras das suas produções recentes, distribuindo estilosos golpes de apkido e quebrando braços, como de costume.

Os destaques do filme são a luta com vários adversários numa feira, o combate contra uma gangue de bandidos armados com espadas, o quebra-pau com uma vilã boa de briga (que praticamente voa pelo cenário com o auxílio de um chicote!) e o esperado confronto final com o vilão inexpressivo (Tom Wu, que apanhou de Seagal também em "Determinado a Matar"), quando temos as já citadas cenas dos tiros e espadadas contra flechas certeiras, que você pode ver abaixo:

Quem é gordo demais para lutar, improvisa!


Curioso e de certa forma estupefato com a coreografia bem decente das lutas - ainda mais considerando que essa é uma produção barata feita direto para o mercado de DVD -, acabei de ver o filme e fui direto pesquisar mais sobre o diretor Siu Tung.

Bingo: o cara foi coreógrafo de cenas de ação de obras bem marcantes e conhecidas, como "O Clã das Adagas Voadoras" e "Herói", além de ter dirigido alguns filmes bem decentes produzidos por Tsui Hark e estrelados por Jet Li! Resumindo: não é uma cabeça-de-bagre qualquer, como esses que vêm "dirigindo" Seagal na última década...


Assim, ao contrário de bobagens como "Mercenário" e "Determinado a Matar", RESGATE SEM LIMITES não tenta enrolar o espectador com histórias complexas, narrativa "moderninha" ou grandes reviravoltas.

Prefere usar seu tempo ideal de duração (não passa de 90 minutos) para empilhar cenas de ação - de brigas de bar a tiroteios exagerados que lembram os bons tempos de John Woo.


É uma pena que Seagal tenha "bad timing", pois o filme provavelmente faria mais sucesso nos anos 90, quando diversos diretores orientais foram aos EUA fazer filmes de ação - alguns dos melhores filmes de Van Damme, por exemplo, foram dirigidos por John Woo, Ringo Lam e Tsui Hark, cineastas orientais "importados" por Hollywood.

E se Siu Tung não tem a mesma habilidade narrativa e estética dos já citados Woo, Lam e Hark, pelo menos dá conta do recado. Afinal, é preciso dar um pouco de mérito para um diretor que filma um ângulo como esse:


Para completar a diversão, RESGATE SEM LIMITES parece citar "Marcado para a Morte" no finalzinho, quando um velho feiticeiro é convocado pelos vilões para fazer vodu contra o herói (!!!).

Felizmente, Seagal tem do seu lado um exército de monges budistas (!!!), que rezam para combater a magia negra, numa cena simplesmente hilária e impossível de levar a sério.

Ou seja, nem com vodu você consegue vencer Steven Seagal! Vodu é pra jacu, já dizia o Pica-Pau...


Por tudo isso, pela nudez gratuita, pela violência estilizada (com câmera lenta a rodo e armas que disparam mais de 50 tiros SEM a necessidade de trocar o pente de munição), e também pela pancadaria bem filmada, RESGATE SEM LIMITES é um daqueles cada vez mais raros bons filmes na filmografia recente de Steven Seagal.

O próprio "ator" está bem menos ruim (e mais convincente) do que em seus últimos trabalhos, "interpretando" pela enésima vez o sujeito durão que peita todo mundo e sai distribuindo bolachas e tiros ao invés de apertos de mão e abraços.


Com tantas qualidades, fica até mais fácil perdoar os óbvios defeitos da produção, como o interesse romântico do herói, uma lindinha (Monica Lo) que ele salva de um valentão numa boate e no momento seguinte já está afofando. É uma personagem que cai de pára-quedas na trama, e cujo romance com Seagal jamais convence. Provavelmente foi ideia de algum produtor, pensando naquele velho fetiche por garotas orientais.

É uma pena que, para cada filme divertido como esse, o balofão estrele dez ou quinze bombas feitas a toque de caixa. Enquanto RESGATE SEM LIMITES tem tudo para virar clássico do Domingo Maior, outras bombas do ex-astro feitas no mesmo período deveriam ser enterradas, ou incineradas.


Bem que ele podia ter um pouco de vergonha na cara e parar de estrelar filmes apenas para garantir o dinheiro do aluguel. Se mantivesse o padrão de qualidade desse RESGATE SEM LIMITES, suas aventuras seriam pelo menos divertidas - daquele tipo para reunir os amigos, ver bêbado (ou chapado) e rolar de rir.

E como eu não gosto de perder piada pronta, o título original da película é "Belly of the Beast", ou "O Ventre da Besta". Não poderíamos ter título mais apropriado para uma aventura estrelada por Steven Seagal obeso!

Lembrando ainda que nossa exclusiva MARATONA STEVEN SEAGAL continua, com atualizações diárias pelos próximos dias, conforme o cronograma abaixo:
DETERMINADO A MATAR (Out for a Kill, 2003)
RESGATE SEM LIMITES (Belly of the Beast, 2003)
OPERAÇÃO SOL NASCENTE (Into the Sun, 2005)
LADO A LADO COM O INIMIGO (Submerged, 2005)
HOJE VOCÊ MORRE (Today You Die, 2005)
MERCENÁRIO (Mercenary for Justice, 2006)
JUSTIÇA URBANA (Urban Justice, 2007)
O JOGADOR (Pistol Whipped, 2008)

Trailer de RESGATE SEM LIMITES



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Resgate Sem Limites (Belly of the Beast,
2003, Canadá/Hong-Kong/Inglaterra)

Direção: Siu-Tung Ching
Elenco: Steven Seagal, Byron Mann, Tom Wu,
Monica Lo, Sara Malakul Lane, Patrick Robinson,
Vincent Riotta e Elidh MacQueen.

sábado, 15 de janeiro de 2011

DETERMINADO A MATAR (2003)


Quer companhia melhor para as férias de janeiro do que Steven Seagal em sua fase gordão, fora de forma e "direct-to-DVD"?

(Sim, isso foi uma ironia...)

Ironias à parte, joguei no lixo uma semana das minhas férias de janeiro assistindo um punhado de filmes baratos e sem maiores referências estrelados pelo ex-astro Steven Seagal. Alguns dirão que sou masoquista, mas ver filmes do Steven Seagal na praia me parece muito mais divertido que se lambuzar de bloqueador solar fator 40 e ficar melecado disso (mais areia e suor) à beira do gelado e sujo mar gaúcho...


Aproveitando a deixa, resolvi brindar meus nobres leitores (sim, a parte do "brindar" também foi uma ironia) com uma autêntica MARATONA STEVEN SEAGAL: durante uma semana e um dia, teremos atualizações diárias do FILMES PARA DOIDOS com resenhas das produções bagaceiras e decadentes estreladas por Steven Seagal depois que ele deixou o cinemão "classe A" (pós-"Rede de Corrupção") para fazer qualquer porcaria que surgisse na frente.

Acompanhem o cronograma das atualizações:
DETERMINADO A MATAR (Out for a Kill, 2003)
RESGATE SEM LIMITES (Belly of the Beast, 2003)
OPERAÇÃO SOL NASCENTE (Into the Sun, 2005)
LADO A LADO COM O INIMIGO (Submerged, 2005)
HOJE VOCÊ MORRE (Today You Die, 2005)
MERCENÁRIO (Mercenary for Justice, 2006)
JUSTIÇA URBANA (Urban Justice, 2007)
O JOGADOR (Pistol Whipped, 2008)


E quem tem um mínimo de intimidade com a carreira de Seagal "pós-mainstream" sabe que ele só fez produções baratas, bagaceiras e, na maioria dos casos, ruins de doer. Sem a menor vergonha na cara, o velho "quebra-braço" vem estrelando de três a quatro filmes por ano, sem se preocupar em esconder a falta de vontade de estar participando de alguns deles.

É o caso desse DETERMINADO A MATAR, sua segunda obra produzida direto para as videolocadoras, sem lançamento nos cinemas (a primeira foi "O Estrangeiro", também de 2003), já dando mostras da decadência da carreira do "ator".

Agora, pense comigo: se já é difícil engolir o Steven Seagal gordão e fora de forma como policial, soldado ou mercenário (os três papéis que ele geralmente "interpreta"), imagine acreditar que o cara possa personificar um respeitado arqueólogo (!?!) e professor de cultura chinesa (!?!).


Pois é isso mesmo: em DETERMINADO A MATAR, Seagal tem seus cinco minutos de Indiana Jones antes de sair distribuindo porrada em tudo e todos. Ainda bem que são só cinco minutos, porque a idéia de ver Steven Seagal procurando relíquias, visitando templos antigos e desfilando seu conhecimento da cultura chinesa não me animou em momento algum...

Ele interpreta Robert Burns, um premiado arqueólogo (cof, cof, cof) norte-americano que está fazendo escavações em antigas ruínas no leste da China. E imaginar Seagal manuseando antiguidades com sua costumeira "delicadeza" já rende as primeiras gargalhadas involuntárias da película.


Para o azar do professor, bandidos ligados à máfia chinesa aproveitam as buscas arqueológicas para esconder drogas no interior das relíquias e poder contrabandeá-las facilmente através da fronteira.

Quando Burns descobre a falcatrua, os bandidos resolvem se livrar dele. Mas, durante uma perseguição de carros, matam apenas a assistente do professor, que, por sua vez, é absurdamente preso por todos os crimes - tanto pelo assassinato da assistente (embora o carro que ele dirija esteja crivado de balas PELO LADO DE FORA) quanto pelo contrabando de drogas (já que Burns assinou todos os documentos relacionados às peças com "brindes" em seu interior, e para a polícia isso serve como prova).


Pelo menos o pobre arqueólogo não fica muito tempo na cadeia, já que dois agentes do DEA (o órgão norte-americano de combate às drogas) negociam sua libertação com o governo chinês,

A ideia é usá-lo como isca para chegar até os cabeças da organização criminosa. Só que os marginais cometem o erro fatal de matar a esposa de Burns (Kata Dobó, de "Instinto Selvagem 2") num atentado a bomba.

Pronto: agora a "isca" passará o restante do filme quebrando braços e pescoços!


DETERMINADO A MATAR é aquela velha e batida historinha de vingança já tantas vezes narrada pelo cinema. Os caras não conseguiram pensar nem mesmo num título menos genérico ou minimamente criativo.

Talvez conscientes disso, os produtores resolveram entregar o material a um diretor com olhar videoclipeiro, que "enfeitou" a trama clichezenta para parecer mais moderninha e atrativa do que verdadeiramente é.

O tal diretor, Michael Oblowitz (que havia feito "O Forasteiro" com Seagal e depois dirigiu, hã, "Sharkman"!!!), atira para todos os lados, mas raramente acerta algum alvo, ou convence o espectador.


Na maior parte do tempo, Oblowitz tenta emular Guy Ritchie, com seus cortes rápidos e vilões engraçadinhos.

A cena em que Seagal pega um voo de volta aos Estados Unidos, mostrada com cortes rápidos do passaporte sendo carimbado e do avião decolando, lembra MUITO as várias viagens do gângster interpretado por Dennis Farina em "Snatch", que eram apresentadas e editadas da mesma forma.


Além disso, os 11 cabeças da máfia chinesa são sempre mostrados ao redor de uma mesa, fumando e rindo, enquanto legendas explicativas informam ao espectador nome, atividade criminosa e hobby (!!!) de cada um deles.

E, à medida que os sujeitos vão sendo mortos pelo herói, a mesa volta a aparecer em cena cada vez mais vazia, numa piadinha de humor negro que funcionaria num filme de Ritchie, mas soa deslocada aqui.


Outro toque "Ritchieniano" é o fato de que todos os vilões combatidos por Seagal têm uma palavra diferente tatuada no pulso (!!!), e no final estas palavras formam um provérbio chinês (!!!), outro toque excêntrico/engraçadinho que talvez fizesse mais sentido num filme de Guy Ritchie ou Quentin Tarantino, mas aqui não serve para absolutamente nada.

Oblowitz às vezes também lembra um Michael Bay ou Zack Snyder dos pobres, abusando tanto daquele recurso de "câmera acelerada que corta para câmera lenta" que torra a paciência do espectador - se isso já é chato na "obra" de Bay ou Snyder, imagine num subproduto deles!


Aliás, tem tanto detalhe em câmera lenta no filme, inclusive uns bem gratuitos, que às vezes o uso do recurso parece até desculpa para esticar o tempo de duração do filme, que já é curto (oitenta e poucos minutos). Aposto que, se ele fosse editado em "velocidade normal", ficaria com uns 45 minutos, se chegar a isso.

Mas a pior coisa de DETERMINADO A MATAR é Steven Seagal. O astro decadente não convence em momento algum, e às vezes até parece completamente perdido (ou sem vontade) no filme. Podiam inclusive mudar o título para "Determinado a Matar Sua Carreira".

O roteiro nunca se preocupa em explicar como é que um respeitado arqueólogo (cof, cof, cof) também é especialista em artes marciais, usa espada como se fosse ninja e atira com mira perfeita - embora, lá pelas tantas, alguém surja com informações sobre o passado do personagem como ladrão de relíquias e ex-agente da CIA!!!


Sem contar que o arqueólogo Robert Burns mais parece um fantasma, pois sempre aparece de repente quando os tais agentes do DEA que o estão seguindo (Corey Johnson e Michelle Goh) se metem em encrencas.

Tipo: bandidos sequestram os agentes? Ora, Burns estava passeando por ali naquele exato momento para salvá-los. Bandidos trocam tiros com os agentes? Pois Burns aparece literalmente do nada (!!!), e já com a arma em punho, para matar os bandidos. É tão forçado e absurdo que não tem como não rir: parece que, além de arqueólogo, Burns é um autêntico anjo da guarda dos caras!


Para piorar (ainda mais), o diretor usa várias ferramentas narrativas completamente desnecessárias, como a narração da história feita pela agente do DEA ou as inúmeras (e chatíssimas) legendas informando a hora e o lugar em que se passa determinada cena (já que o filme teoricamente acontece na China, nos EUA, na Bulgária e em Paris!).

Como já escrevi, isso tudo parece uma tentativa desesperada de dar certa sofisticação a um material batido e sem novidades. Não funciona, claro - mas eu confesso que gostei de uma cena em que a câmera "acompanha" as balas disparadas pelos bandidos até elas chegarem no carro do herói, mesmo que o CGI da cena em questão seja de lascar...


Talvez o filme até funcionasse sem Steven Seagal no papel principal. Se fosse um ator desconhecido e minimamente carismático, quem sabe fosse mais fácil levar DETERMINADO A MATAR a sério.

Mas se já é difícil acreditar que Steven Seagal possa ser um arqueólogo especialista em matar de todas as formas possíveis, pior ainda é acreditar que um Steven Seagal gordão (sempre com casaco comprido e abotoado para esconder as banhas) possa fazer tanto estrago. E, como é de praxe, ele não muda de expressão facial uma única vez durante o filme todo!!!


Embora algumas lutas sejam bem filmadas, a edição caótica trata de estragar toda e cada cena de ação, sempre apelando para cortes rápidos e planos de detalhe, provavelmente para esconder o fato de que o astro está muito fora de forma. De tão exageradas e absurdas, as pancadarias acabam ficando até cômicas.

Eis uma amostra disso, e repare na ma-ra-vi-lho-sa continuidade que alterna cabelo solto, cabelo preso e o dublê de Seagal:

Baleia Assassina vs. Homem-Aranha



Assim, o resultado dessa aventura barata de Steven Seagal - a segunda de uma longa série de bombas - é um tanto constrangedor. Não convence, não empolga, e às vezes até tem certo valor como comédia involuntária (inegavelmente, é muito ENGRAÇADO ver a Baleia Seagal lutando!).

O que estraga são as irritantes tentativas de "enfeitar" o filme com modernismos narrativos que não combinam em momento algum com o material apresentado. Ou será que alguém achou "cool" ou "artístico" ver o rosto de Seagal refletido no olho de um bandido antes de ele tomar uma porrada?


O resultado é um filme bem chulé, que até pode divertir numa tarde chuvosa ou noite de insônia, mas somente se suas expectativas estiverem EXTREMAMENTE baixas.

E ainda que seja melhor que muita porcaria estrelada por Seagal no seu período pançudo (tipo o execrável "Operação Sol Nascente"), qualquer produção bagaceira com Gary Daniels, Joe Lara ou Jeff Wincott é muito melhor que essa bobagem levada a sério demais.

O ator bem que poderia aproveitar sua experiência como "arqueólogo" para desenterrar sua carreira, já que hoje ela se encontra beeeem no fundo do poço...

Trailer de DETERMINADO A MATAR



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Determinado a Matar (Out For a Kill, 2003, EUA)
Direção: Michael Oblowitz
Elenco: Steven Seagal, Michelle Goh, Corey
Johnson, Tom Wu, Ozzie Yue, Bruce Wang,
Chike Chan e Hon Ping Tang.