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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

PÂNICO (1976)


Um cientista contaminado por um vírus transforma-se em um monstro assassino que sai matando pelas ruas de uma pequena cidade. Quantas vezes você já viu este argumento antes, com pequenas variações (na profissão do contaminado, no tipo de contaminação e no tamanho da cidade, por exemplo)? Mas esqueça os outros filmes que você já viu com este mesmo enredo: nenhum deles jamais será tão absurdamente tosco e divertido quanto o trash italiano classe Z PÂNICO, uma daquelas bombas de rir do início ao fim que comprovam que até o cinema ruim pode entreter.

Claro que não estou aqui falando daquele filme extremamente comum feito nos anos 90 pelo Wes Craven e alçado a "clássico de uma geração" justamente por uma geração desprovida de maiores referências cinematográficas. Me refiro ao PÂNICO produzido em 1976 por Tonino Ricci (com o pseudônimo Anthony Richmond), numa produção conjunta entre Espanha e Itália. Apesar de ter sido iniciado em 1976, o filme só foi concluído e lançado em 1982. Além de Ricci/Richmond, o cinegrafista do filme, Giovanni Bergamini, dirigiu ele mesmo algumas cenas. Por aí já dá para ter uma idéia do tamanho do orçamento que os caras tinham - e da qualidade do resultado final da película.

PÂNICO se chama PÂNICO no Brasil, mas foi lançado com diferentes títulos no mundo inteiro, provavelmente para confundir os espectadores e vender o mesmo filme ruim várias vezes. Na Itália, por exemplo, tem um título mais pomposo: "I Vivi Invidieranno I Morti". Em outros países da Europa, foi batizado "Bakterion". Nos EUA é "Panic". E por aí vai. Mas a tralha é a mesma. Quando eu a vi pela primeira vez, tinha lá meus 11 anos de idade. Foi, provavelmente, um dos primeiros filmes de horror que vi. E como vi! Só na infância, umas 10 vezes - adorava pegar para rever com os amigos, porque tinha um montão de mulher pelada. Batata: acabou virando "guilty pleasure", uma daquelas besteiras que você pode ver com qualquer idade e vai achar divertido.


E convenhamos: como não gostar de um filme onde um cara de rosto deformado sai matando italianas e espanholas peladas numa história que supostamente se passa na Inglaterra? Como não gostar de um filme onde Lucas encontra Betty, os dois conversam por três segundos e na cena seguinte já estão transando no banco de trás do carro (isso aos três minutos de filme rolando!!!)? Como não gostar de um filme estrelado por David Warbeck, provavelmente o melhor e mais bacana dos heróis do cinema italiano (você já o viu em "The Beyond", "Os Caçadores da Serpente Dourada", "The Last Hunter" e uma cacetada de outros), interpretando um cara chamado Capitão Kirk Dude? Pois é, uma brincadeira infame com o nome "Capitão Kirk" pelo menos 20 anos antes do pavoroso "House of the Dead" tentar fazer a mesma coisa! E finalmente: como não gostar de um filme onde a gostosa Janet Agren ("Os Vivos Serão Devorados", "Keruak - O Exterminador de Aço") interpreta uma cientista disposta a salvar o colega transformado em monstro, mesmo depois de ele matar umas 10 pessoas inocentes?

PÂNICO começa com um mal-editado acidente numa companhia química chamada simplesmente Chemical (sacou a furada? traduzindo, fica "companhia química Química"!!! É tão imbecil quanto "posto de combustíveis Combustível", ou "restaurante Restaurante"!). A empresa supostamente produz vacinas e antibióticos em uma cidadezinha inglesa (qua, qua, qua!) chamada Newton. Os cortes desta cena de abertura são tantos e tão ligeiros que lembram um filme de Michael Bay (mas parece que só foi feito assim para não mostrar escancaradamente as limitações do orçamento). Logo, tudo que vemos de "contaminação" são uns ratinhos pulando e um cara berrando enquanto esconde o rosto com as mãos esverdeadas e esfumaçantes.

Através da personagem de Janet Agren, a dra. Jane (ô criatividade...), ficamos sabendo o que aconteceu: um vírus que estava em desenvolvimento "vazou", através de uma cobaia (um rato) que escapou. A única pessoa que pode falar sobre o tipo de vírus e o risco de contaminação é o professor Adams (Roberto Ricci, irmão do diretor), que, adivinhe, está desaparecido. O proprietário da Chemical, o dr. Milton (Franco Ressel), sugere que todos abafem a história, especialmente a parte do "risco de contaminação", até que o prof. Adams seja localizado.

Mas, perto dali, Betty e Lucas estão transando no banco de trás do carro. O professor Adams não é mais o professor Adams, agora ele é um monstro assassino, cujo rosto não aparece até os 40 minutos finais (então, o que você vê inicialmente é a manjada câmera em primeira pessoa, a tal "visão do monstro"). Ele esquarteja o casal de namorados, chamando a atenção da polícia local, liderada pelo Sargento O´Brien (José Lifante), e também do Serviço de Segurança Inglês, que envia o Capitão Kirk (hahahahaha) para Newton, com a missão de investigar o que está acontecendo.


É óbvio que Kirk e Jane trabalharão em conjunto - mas não vão se apaixonar nem trocar beijinhos, contrariando o clichê máximo.Eles descobrem que Henry Miles, o guarda-costas (!!!) do professor Adams também está morto, e que uma outra moça peladona foi morta enquanto tomava banho (nudez frontal e tudo mais, em outro caso de pobre menina seduzida pelo mundo do cinema, que não conseguiu nada mais do que mostrar a "perseguida" em cena e falar meia dúzia de frases). Somando A + B, a dupla dinâmica percebm que há uma estranha substância verde nos corpos das vítimas, e que o assassino supostamente bebeu seu sangue.

Então as coisas começam a ficar claras! O professor Adams não está desaparecido! Ele se transformou num monstro mutante que precisa beber o sangue de suas vítimas (como se isso tivesse alguma lógica), mas também pode contaminá-las com o mesmo vírus que o transformou no que ele é. Só que a Defesa Civil já sabe de tudo isso. Em Londres, eles estão se reunindo com o primeiro-ministro e avaliando as chances da contaminação se espalhar para fora de Newton. Eles (os políticos) sabem que Adams não estava trabalhando em vacina coisa nenhuma, mas sim num vírus perigoso e indestrutível para usar em guerra bacteriológica (claro!). Decidem iniciar a quarentena, isolando todas as entradas e saídas da cidade com forças militares, cortando transportes e comunicação, e já planejando largar uma bomba sobre a cidade em 12 horas, varrendo qualquer evidência do tal vírus, a não ser que o monstro mutante seja encontrado e destruído a tempo.

Como a polícia é burra, o professor Adams continua agindo, entrando nas casas das pessoas pelo esgoto, atacando até em um cinema - onde o diretor Ricci contorna o orçamento irrisório filmando com a luz apagada, ou seja, no meio da escuridão, quando só escutamos os urros do monstro e os gritos apavorados das pessoas. Coisa que se o Spielberg faz é gênio, mas se o Tonino Ricci faz, é um sem-vergonha!

E o filme avança com a dose de violência diminuindo, mas a dose de bobagens aumentando. O povo de Newton começa a ficar apavorado e quer fugir da cidade, entrando em conflito com os militares que sitiaram o local. E a dra. Jane, tentando salvar seu pobre prof. Adams, sintentiza em meia hora um antídoto para, supostamente, transformar o monstro assassino novamente em um bom cientista. Mas o Capitão Kirk (hahahaha) prefere armar-se com uma pistola de gás venenoso (sério!) e caçar o bicho feio no esgoto.


Bem, bem, bem... Vamos tentar listas algumas abobrinhas dessa maravilha da sétima arte ("algumas", porque "todas" seria impossível). Numa cena, a polícia ouve grunhidos atrás de um carro e vai averiguar; começa aquele suspense barato de filme classe Z, mas é apenas um bêbado que está, acreditem ou não, grunhindo como o monstro, sabe-se lá porquê! Em outra cena, Kirk e O´Brien abrem uma tampa de esgoto e encontram o tal rato-cobaia desaparecido que deu início à contaminação, e agora está tão grande quanto um cachorro, em uma colagem absurda sobre o próprio fotograma da película (só vendo para crer); então, O´Brien fala "oh, my God", e o monstrinho é completamente esquecido pelo roteiro!. E o que dizer do "caça-bombardeiro" que decola em Londres com a bomba para destruir Newton? Trata-se de um velho teco-teco maquiado para parecer um super-caça. hahaha. Eles só filmam closes do cockpit para disfarçar! E nas cenas do avião voando, colocaram um caça de brinquedo e pensaram que ninguém ia perceber! E outra: o filme exibido no cinema, antes do monstro atacar, mostra apenas um mané dirigindo um carro, com uma musiquinha xarope no fundo... e a galera toda no cinema fingindo que está vendo aquilo com todo o interesse!!!!

PÂNICO é pobre em tudo, inclusive no ritmo arrastado, mas em compensação tem este grande número de divertidas abobrinhas, de ataques do monstro e de mulheres peladas, algumas poucas e boas cenas sangrentas e uma ótima trilha sonora de Marcello Giombini (colaborador habitual de Joe D'Amato, com quem trabalhou em "Antropophagus" e "Le Notti Erotiche dei Morti Viventi"). Também contorna a pobreza da produção com bons efeitos especiais (dentro do possível, claro). O rosto do monstro é escondido até o final, mas finalmente mostrado em close grotesco, ressaltando as feridas purulentas pulsando - a maquiagem foi feita por Rino Carboni e os efeitos especiais por Galliano Cataldo (que trabalhou com Dario Argento em "4 Moche di Velluto Grigio", de 1971).

O problema é que, hoje, a geração DVD provavelmente vai suar para encontrar PÂNICO. Mas quem, como eu, viveu no auge do VHS no Brasil, certamente deve ter visto até gastar a fita lançada pela velha e boa Poletel (mesma distribuidora que colocou no nosso mercado uns 99% das tralhas italianas). Atualmente, o filme do Ricci é tão obscuro que nos Estados Unidos os colecionadores de tralhas italianas costumam se matar para arranjar uma cópia. Recentemente até saiu por lá uma versão tosca em DVD, de onde foram eliminadas todas as cenas de nudez - e como tem MUITA mulher pelada no filme, perdeu totalmente a graça. Para quem é garimpeiro, vale a dica: dê aquela voltinha básica nas revendas de fitas usadas da sua cidade que com certeza encontrará uma das velhas fitas da Poletel a uns justos R$ 1,99!

Para fechar, que já me alonguei demais: sim, o filme é bobo, trash e muito engraçado. Mas é para públicos específicos, ou seja, só para os iniciados em tralhas italianas como essa. Pois estes, e só estes, irão dar risada do aviso no final dos créditos, que alerta: "O que você viu pode acontecer realmente... TALVEZ JÁ ESTEJA ACONTECENDO!". Já os outros espectadores, ao invés de rir, provavelmente sentirão vontade de quebrar a fita em mil pedaços - e elas já são raras demais para que uma barbaridade dessas aconteça!

Cena inicial de PÂNICO



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I Vivi Invidieranno I Morti/Panic/Bakterion
(1976, Itália/Espanha)

Direção: Anthony Richmond (Tonino Ricci)
Elenco: David Warbeck, Janet Agren, Franco
Ressel, Roberto Ricci, José Lifante, Miguel
Herrera e Ilana Maria Bianchi.

sábado, 29 de novembro de 2008

NINJA, A MÁQUINA ASSASSINA (1981)


Um ninja bonzinho foge pela selva perseguido por incontáveis ninjas malvados. O herói está vestido com uma roupa totalmente branca, o que certamente não traz nenhum benefício ao fator camuflagem... Mas isso não faz muita diferença, considerando que os trajes usados pelos malvados são vermelhos! Após matar uns 20 ou 30 inimigos (milagrosamente sem sujar seu traje impecavelmente branco com o sangue que esguicha dos ferimentos), nosso heróico ninja chega a uma casa, e então descobrimos que a matança não passou de uma espécie de "prova final" do "curso avançado de ninjas", e era tudo de brincadeirinha - todos os ninjas vermelhos que ele "matou" estão vivos e bem, apesar de ele inexplicavelmente ter cortado gargantas, atravessado corpos e até decepado cabeças durante o teste! E é quando o ninja branco finalmente tira a sua máscara, revelando um bigodudo Franco Nero (sim, o ator italiano de "Django" e "Keoma"!), que você percebe estar diante de um filme no mínimo diferente.

É assim que começa NINJA, A MÁQUINA ASSASSINA, produção norte-americana de 1981 que serviu como iniciação nos "filmes de ninja" para boa parte do mundo ocidental, lançando a "moda ninja" que perduraria pelos anos 80. Este filme B também iniciou os brasileiros no mundo do nin-jitsu, já que foi incontáveis vezes reprisado pela Globo naqueles áureos tempos em que a programação da TV pelo menos era divertida.


Fica clara a intenção dos produtores de faturar em cima do sucesso das produções de ação orientais desde o título original, "Enter the Ninja" - um óbvio plágio de "Enter the Dragon" ("Operação Dragão", sucesso de Bruce Lee lançado em 1973).

Mas não se engane, caro leitor: NINJA, A MÁQUINA ASSASSINA é um autêntico FILME PARA DOIDOS, uma bobagem tão ruim e ao mesmo tempo tão engraçada e divertida que pode muito bem ser taxada de trash. E isso por uma série de fatores, mas principalmente pelo fato de trazer um cowboy dos spaghetti western fazendo papel de ninja (!!!).


Claro, os produtores só esqueceram um pequeno detalhe: os olhos azuis de Franco Nero podem até ficar "cool" na roupinha de ninja branco, mas o negócio dele é atirar e cavalgar, e não lutar nin-jitsu!

A solução encontrada foi substituir o italiano pelo dublê Mike Stone (também coreógrafo das cenas de ação) na maior parte do filme. Por isso, toda vez que o herói aparece lutando de costas para a câmera, não é desleixo do diretor, mas sim o dublê Stone assumindo o comando!


Bem, esta produção dirigida por Menahem Golan (o israelense que era o cabeça da famigerada Cannon Films, ao lado do parceiro de longa data Yoram Globus) pode até não ter sido a primeira obra ocidental a trazer ninjas, considerando que "Elite de Assassinos" (1975), de Sam Peckinpah, e "Octagon" (1980), estrelada por Chuck Norris, vieram antes, e já traziam os hoje populares guerreiros mascarados.

Porém foi NINJA, A MÁQUINA ASSASSINA quem popularizou o "estilo ninja" no Ocidente: não só suas roupinhas características, mas também clichês como as bombas de fumaça para aparecer/desaparecer, as armas típicas (shurikens, nunchakus...) e a fama de assassinos invencíveis.


Voltando ao filme: estávamos na formatura do personagem de Franco Nero, chamado Cole, na tal "academia avançada de ninjas" do Japão. E embora sua habilidade seja elogiada pelos colegas e pelo seu mestre, um dos alunos não está satisfeito com o fato de um "ocidental" ser considerado ninja.

Ele é Hasegawa (Sho Kosugi), o tradicional ninja preto desse tipo de filme, o que significa que ele é o vilão. Mas, infelizmente, o personagem é esquecido até o final, e a história segue outro rumo.


Cole vai para as Filipinas visitar Frank Landers (Alex Courtney), um velho amigo dos tempos da guerra, que está com uma bela propriedade em Manila (capital do país) e uma bela esposa, Mary Ann (a inglesa Susan George, de "Sob o Domínio do Medo").

Só que o reencontro com o velho amigo não será dos mais tranqüilos: uma quadrilha de gângsters anda pressionando Frank para vender suas terras, já que, veja você, descobriram que há um grande poço de petróleo naquela área.

Como o cabeça-dura não quer vender a propriedade, os bandidões partem para a violência - e a sorte de Frank é que o ninja branco Cole chegou para ajudá-lo. Então o herói passa o filme inteiro exterminando facilmente todos os vilões, até que o grande chefão, Charles Venarius (o canastrão Christopher George, de "O Terror da Serra Elétrica), contrata o ninja preto Hasegawa para um reencontro nada amigável com seu ex-colega de academia, na tradicional luta final entre ninjas.


Contando assim, NINJA, A MÁQUINA ASSASSINA pode até parecer um filme sério. Mas não é. Há um senso de humor que permeia a película toda, às vezes de propósito, mas às vezes involuntário.

Por exemplo: os vilões, descontando o ninja de respeito interpretado por Sho Kosugi, estão entre os maiores palermas já mostrados pelo cinema de ação em todos os tempos. O chefão de tudo, Venarius, é apresentado com trejeitos homossexuais, e a interpretação de George não ajuda em nada - tanto que sua exagerada e caricatural cena de morte em câmera lenta corre pelo YouTube como "a pior cena de morte de todos os tempos".

Indiscutível: a pior cena de morte da história!



Venarius é assessorado por um tal de "mister Parker" (Constantin de Goguel), que faz tudo para o chefe (tente contar quantas vezes Venarius chama "Mister Parker" durante o filme todo), e por um alemão com um gancho no lugar de uma das mãos (!!!), Siegfried, interpretado por Zachi Noy (que era sempre o gordinho atrapalhado nas comédias da série israelense "Lemon Popsicle", uma delas lançada no Brasil nos tempos do VHS com o enganoso título "O Último Americano Virgem 2").

Continuando a seqüência de bobagens, a substituição de Franco Nero pelo dublê nas cenas de ação é tão evidente ao longo do filme que chega a provocar gargalhadas. Numa das mais toscas, o ninja branco está sob uma árvore (interpretado pelo dublê Stone), e desce do galho com uma pirueta. É então substituído por Franco Nero, que sai de trás de uma moita como se tivesse pulado ele mesmo da árvore. Só que é possível ver, ao fundo, o dublê vestido com a mesma roupa branca deitado no chão!!!


E por mais que você se esforce, não tem como engolir Django no papel de guerreiro ninja. Na primeira vez que o velho Franco tira a máscara, e você vê aqueles olhos azuis e o bigodão característicos do ator, parece até coisa do Village People - não sei como a famosa banda gay não incorporou um personagem ninja à sua formação após o sucesso deste filme!

Para piorar, as seqüências de luta, embora bem realizadas e filmadas (principalmente na formatura do herói, no início), são muito pobres mesmo para os padrões da época: somente o (rápido) duelo final entre ninja branco e ninja preto provoca alguma emoção no espectador, enquanto o restante dos adversários o herói tira de letra facilmente.


O destaque dado pelo diretor Golan não é para as lutas e para a habilidade dos lutadores, mas sim para a violência, com uma contagem de cadáveres altíssima: há incontáveis cenas de shurikens, punhais e flechas atingindo coadjuvantes, inclusive no rosto, e as sangrentas espadadas de praxe (dê uma olhada no trailer).

A conclusão é particularmente exagerada: encarnando uma espécie de Rambo ninja, o herói usa todo o arsenal de armas que tem à disposição para despachar os homens de Venarius, ao invés de optar por uma única arma! E sempre sem sujar a sua roupinha branca (o cara deve gastar muito Omo no uniforme).


Se NINJA, A MÁQUINA ASSASSINA serviu para alguma coisa, além de tornar os ninjas populares também no Ocidente, foi para colocar em evidência o ótimo Sho Kosugi. O ator japonês havia feito apenas três filmes baratos em Hong-Kong (um deles foi o clássico trash "Bruce Lee Fights Back From the Grave", em 1976!!!), e foi "importado" para os EUA após o sucesso de "Enter the Ninja" - mais ou menos como os estúdios norte-americanos fazem até hoje, com Jet Li, Jackie Chan, Chow-Yun Fat e muitos outros.

Nos EUA, Sho ganhou destaque em uma série de filmes muito melhores do que este, inclusive duas continuações sem relação com o original, "A Vingança do Ninja" (1983) e o clássico "Ninja 3 - A Dominação" (1984), sempre interpretando personagens diferentes.

(Curioso: se os três filmes não têm relação entre si, por que não lançá-los como produções independentes ao invés de forçar uma relação? Sho está na ativa até hoje, embora não mais tão famoso quanto nos anos 80, e em 2009 integrou o elenco da produção norte-americana "Ninja Assassin", dirigida pelo mesmo James McTeigue de "V de Vingança".)


Se formos analisar "Enter the Ninja", "A Vingança do Ninja" e "Ninja 3" como uma franquia sólida, este primeiro é, de longe, o mais fraco dos três. Mas ainda assim é bastante divertido, desde que o espectador consiga desligar o cérebro e assisti-lo sem levar a sério.

No final, quando Franco Nero dá uma piscadinha diretamente para a câmera, é como se ele estivesse confirmando que tudo não passa de uma grande brincadeira, ou uma grande bobagem, e o essencial é dar umas boas gargalhadas com a ruindade do filme.

E como os americanos não aprendem a lição, quatro anos depois a mesma Cannon Films saiu-se com outro clássico do Domingo-Maior, "American Ninja", de Sam Firstenberg, igualmente estrelado por um outro ator ocidental (aqui o projeto de astro Michael Dudikoff) que não convence como ninja e nem sabe lutar. Mesmo assim, e isso é irônico, "American Ninja" também foi um sucesso, e até deu origem a uma série de filmes!

Uma prova de que o público daqui gostava mesmo era das estilosas roupinhas ninja, sem ligar muito para as lutas desajeitadas dos atores ocidentais...

Trailer de NINJA, A MÁQUINA ASSASSINA



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Enter the Ninja (1981, EUA)
Direção: Menahen Golan
Elenco: Franco Nero, Susan George, Sho Kosugi,
Christopher George, Alex Courtney, Will Hare,
Zachi Noy e Constantin de Goguel.