WebsiteVoice

sábado, 11 de fevereiro de 2012

EXTERMINADOR 2 (1984)


"O Exterminador" (1980), de James Glickenhaus, foi um dos filmes que melhor aproveitou a figura do vigilante que mata criminosos de uma maneira tão brutal que acaba se tornando muito parecido com os vilões que combate. O resultado é quase um filme de terror estilo "Maniac" disfarçado de aventura na linha de "Desejo de Matar": mais do que um herói, ou um justiceiro, seu protagonista é um verdadeiro psicopata sedento de sangue.

Levaria apenas quatro anos para que John Eastman, o Exterminador de Glickenhaus, ganhasse uma nova aventura, dessa vez produzida pela famigerada Cannon Films, que tratou de transformar aquele exploitation-quase-filme-de-horror numa aventura barulhenta e explosiva, bem na linha das produções classe B de ação que realizava.

Assim, EXTERMINADOR 2 está separado do original por um abismo tão grande quanto o que separa, por exemplo, "Desejo de Matar 1" de "Desejo de Matar 3" - e, coincidentemente, a terceira aventura do vigilante vivido por Charles Bronson também seria produzida pela Cannon!


Robert Ginty, simpático astro de ação do terceiro escalão, está de volta como o vigilante John Eastman, que tinha sido gravemente ferido no final de "O Exterminador", mas sobreviveu e continuou limpando as ruas de Nova York. Quando reencontramos nosso "herói", ele está monitorando o rádio da polícia em busca de vilões para exterminar.

Em quatro anos, muita coisa mudou na vida de Eastman. Tudo bem, ele continua matando bandidos pelas ruas de Nova York, mas agora o faz quase como um trabalho diário, e usando um lança-chamas para facilitar a "limpeza"!


Só que nosso herói parece estar cansado de trabalhar como vigilante e aos poucos busca uma vida normal outra vez. Consegue emprego com um amigo dos tempos da Guerra do Vietnã, Be Gee (Frankie Faison), como motorista de caminhão de lixo. Consegue, também, uma bela namorada: a go-go girl Caroline (Deborah Geffner), que sonha em ser dançarina da Broadway, mas, enquanto isso não acontece, ganha uns trocados rebolando num bar fuleiro.

Parece que a coisa está entrando nos eixos para nosso amigo John Eastman, certo? Mas, no mundo do cinema, vigilantes só precisam de um pequeno empurrãozinho para voltar à ativa. E isso acontece quando uma gangue de punks espanca Caroline violentamente num parque, condenando a dançarina a ficar presa a uma cadeira-de-rodas ao invés de virar estrela da Broadway. Payback time.


Agora, reflita aqui comigo: John Eastman é um sociopata que passa a maior parte dos seus dias monitorando a frequência da polícia em busca de marginais para tostar com um lança-chamas - e consigo imaginar bem poucas coisas mais cruéis do que ser queimado vivo! Ok, tudo considerado, isso é um herói ou um vilão?

Sabendo que a linha entre os dois era bem tênue, conforme Glickenhaus já havia mostrado no filme original, os realizadores de EXTERMINADOR 2 trataram de criar bandidos ainda mais sádicos e filhos-da-puta do que o protagonista, de modo que mesmo o espectador mais pacifista vai pegar-se torcendo para que o Exterminador use logo o seu lança-chamas naqueles animais, e de preferência matando-os lentamente!


Não é brincadeira: os bandidos de EXTERMINADOR 2 estão entre os mais desgraçados e sedentos de sangue já mostrados pelo cinema de ação. São punks que se divertem espancando velhinhos e depois matando-os a tiros; que assistem, entre risadas, um piloto de helicóptero queimando vivo quando a aeronave explode; que sequestram uma garota inocente apenas para usá-la como cobaia de uma nova carga de heroína, matando-a de overdose sem cerimônia; que apunhalam lentamente uma vítima inocente e ainda comentam que adoram ver "o olhar aterrorizado da vítima enquanto morre", e por aí vai. Enfim, uns filhos-da-puta incorrigíveis que jamais poderão ser "reintegrados à sociedade", e que merecem MESMO morrer queimados vivos!


O líder da trupe é X (!!!), um sujeito hilário que parece refugo de alguma cópia italiana de "Mad Max 2". Ele se veste com umas tiras de couro, tem um penteado bizarro e fica fazendo poses de rockstar enquanto dá discursos mulambentos do tipo "Nós vamos estabelecer uma nova ordem nessa cidade. Eu sou o Messias, e vocês são os meus guerreiros!".

O que torna tudo mais engraçado é o fato de X (hahaha) ser interpretado por Mario Van Peebles, filho do cineasta Melvin Van Peebles, aqui em sua estreia no cinema. Mario conseguiu certa notoriedade DEPOIS como ator em filmes bem melhores, e também como diretor de produções "socialmente engajadas", tipo "New Jack City - A Gangue Brutal" e "Os Panteras Negras" (uma espécie de Spike Lee menos talentoso). Por isso tudo, é hilário vê-lo aqui como vilão estereotipado em sua grande estreia (sim, isso foi ironia) como protagonista.


E EXTERMINADOR 2 é mais uma daquelas aventuras que funciona pelos motivos errados. Se como cinema o filme é uma atrocidade - mal-dirigido, mal-escrito e mal-interpretado, além de uma péssima desculpa para "continuar" uma história que já estava suficientemente bem resolvida -, como trashão para ver com os amigos é uma verdadeira obra-prima, no mesmo nível do semelhante "Desejo de Matar 3", que foi realizado dois anos depois. Aliás, uma Sessão Dupla com os dois filmes seria algo inesquecível!

Se você já achava o original "O Exterminador" de uma brutalidade sem tamanho (e realmente é, um daqueles filmes "feios, sujos e malvados" como não se faz mais), saiba que EXTERMINADOR 2 é uma ode a tudo que é mais casca-grossa e violento, sem um pingo de sutileza ou "finésse". Quase todos os seus personagens são brucutus que só pensam em matar e que merecem morrer, perambulando por cenários pobres e sujos que às vezes até lembram uma aventura pós-apocalíptica.


O comandante dessa tosqueira é Mark Buntzman, em seu primeiro e único filme. Ele também roteirizou e co-produziu, e, para quem não lembra, foi o produtor do original.

Entretanto, o IMDB e vários sites informam que houve intervenções de um segundo diretor, William Sachs, de "O Incrível Homem que Derreteu" e "Galaxina". Nos créditos finais, Sachs aparece como "diretor de cenas adicionais".


A história é meio complicada e ainda não consegui averiguar o quanto da culpa de EXTERMINADOR 2 é de um ou de outro. Algumas fontes afirmam que Sachs foi o primeiro diretor contratado, mas estava conduzindo o filme numa levada mais sombria e realista, no estilo do original; foi então afastado pelos produtores, que queriam uma aventura barulhenta e absurda, e substituído por Buntzman, que fez exatamente o que vemos no produto final.

Outras fontes dizem que foi o contrário: Buntzman entregou um filme tão medíocre que Sachs foi chamado às pressas na pós-produção para gravar novas cenas e mais ação para tentar "melhorar" o resultado final.


Sabendo que William Sachs foi um célebre "consertador" de filmes alheios (ele gravou cenas adicionais para várias outras produções assinadas por outros, como "Joe" e "O Duende"), eu diria que a hipótese mais correta é esta segunda. Até porque Buntzman aparece dirigindo e comentando o filme num interessante making-of que pode ser encontrado no YouTube.

Agora, até onde chegam os "remendos" de Sachs... esse é outro mistério. Alguns sites juram que todas as cenas que mostram o Exterminador usando seu lança-chamas para matar bandidos foram gravadas depois que o filme já estava pronto, e com um dublê no lugar do astro Robert Ginty, que já tinha terminado seu trabalho e voltado para casa - o que de certa forma justifica o fato do personagem usar uma máscara de soldador que cobre o seu rosto nestas cenas!


Alegam estas fontes que Buntzman teria feito um filme mais lento, em que o Exterminador deixava de matar e só voltava à ativa no final, quando a gangue de X começava a lhe complicar a vida.

Os enxertos com o vigilante usando seu lança-chamas realmente parecem deslocados na narrativa (o herói mascarado simplesmente aparece do nada, torra os vilões e sai de cena), e nunca vemos um único take com Ginty colocando a máscara ou pegando o lança-chamas - fortes evidências para sustentar esta versão.


Buracos gigantescos na narrativa evidenciam cortes. No final, X chama John pelo nome, mas em nenhum momento do filme é mostrado como o vilão descobriu a identidade do Exterminador.

Além disso, durante toda a cena final, o Exterminador usa a tal máscara que esconde o seu rosto, como se fosse um super-herói que não pode revelar a identidade. Ou seja: a conclusão inteirinha deve ter sido refeita com um dublê no lugar de Ginty!

O próprio confronto final entre Eastman e X foi modificado: cenas do making-of mostram herói e vilão em luta corporal (foto abaixo), enquanto na conclusão "oficial" do filme eles nem chegam a ficar frente a frente! Como será que era o final original?


E há relatos de que muitas outras coisas teriam sido mudadas em relação ao corte original de EXTERMINADOR 2. Se você assistir o trailer (vídeo abaixo) logo depois de ver o filme, vai perceber que o preview tem uma porção de cenas que não chegaram ao corte final, como a explosão de uma bomba no clube onde Caroline dança.

Isso tudo apenas alimenta a mitologia de EXTERMINADOR 2: não bastasse o negócio já ser toscamente divertido, fica ainda melhor quando você reassiste tentando descobrir quais cenas foram adicionadas à montagem na pós-produção, e em que momentos Ginty foi substituído pelo tal dublê (Shane Dixon e Artie Nay interpretam o vigilante mascarado nas cenas enxertadas).

Algumas das regravações ficam bem evidentes pelo fato de o cabelo de Van Peebles mudar radicalmente: em pelo menos três momentos diferentes, o topetão armado de X vira uma singela franjinha, porque as cenas foram filmadas na pós-produção, quando Mario já tinha cortado o cabelo para estrelar o musical "Rappin' e os Selvagens", também realizado pela Cannon (dá para perceber bem a diferença de penteado, e até de figurino, nas fotos abaixo, que mostram dois momentos diferentes do filme).


A pobreza franciscana de EXTERMINADOR 2 também ajuda a aumentar o fator trash da produção: repare nos cenários toscos do night club e do consultório médico, nas gratuitas cenas de dança de Caroline (talvez uma tentativa de explorar o sucesso de "Flashdance", lançado no ano anterior) e na patética cena de sexo entre Ginty e Deborah Geffner, uma das coisas mais brochantes já filmadas.

Porém nada pode preparar o espectador para o confronto final, uma daquelas cenas de fazer o espectador rolar de rir pelo chão da sala. Pois o Exterminador transforma o caminhão de lixo do seu amigo Be Gee em tanque de guerra (!!!), blindando-o e adicionando metralhadoras de grosso calibre e lança-foguetes na fuselagem.


Epa, peraí: onde ele conseguiu as armas? Acredite ou não, Be Gee tinha tudo guardado num depósito. "Eu estava esperando o momento certo para usar", justifica ele. Chega a doer a barriga de tanto rir, e lembra até o personagem de Martin Balsam no posterior "Desejo de Matar 3", que levou duas metralhadoras para casa como "lembrança" da Guerra da Coréia. Ah, esses roteiristas dos anos 80...

E como desgraceira pouca e bobagem, o filme inteiro é embalado pela i-na-cre-di-tá-vel trilha sonora de sintetizador composta por David Spear. O troço é tão ruim e repetitivo que lembra as musiquinhas dos velhos jogos de Master System ou Nintendinho!


Não faltam, portanto, motivos para condenar EXTERMINADOR 2. É realmente uma sequência sem nenhuma razão de existir, que não leva o personagem a lugar algum, nem acrescenta nada ao que já havia sido mostrado de maneira muito mais realista por James Glickenhaus no filme original. E todos os departamentos do filme vão do ruim ao lamentável.

Mas quer saber? Aí é que está o charme desse autêntico "Filme para Doidos", uma tranqueira mais engraçada que muita comédia, e surpreendentemente divertida nesses tempos politicamente corretos em que mocinho tem que prender o bandido, e de preferência sem judiar muito dele.


Pois aqui o "herói" não quer nem saber de frescura e prepara bandido assado com seu lança-chamas, dando uma banana para os defensores dos direitos humanos e pregando, como em todo bom filme de ação dos anos 1980, que marginal bom é marginal morto.

Isso pode até colocá-lo no mesmo patamar dos vilões, mas e daí? Não tem como recriminar um cara que combate o crime com um lança-chamas e um caminhão de lixo blindado - literalmente "limpando o lixo" das ruas, numa metáfora nada sutil. Aliás, não é toda hora que se vê um herói... LIXEIRO!!!

E vamos combinar que um vigilante que mata bandidos com um LANÇA-CHAMAS é foda demais.

Pena que os tempos mudaram para pior, os filmes de ação ficaram mais fru-frus, Robert Ginty morreu e nunca veremos um "Exterminador 3"...


PS 1: Infelizmente, EXTERMINADOR 2 nunca foi relançado em DVD em nenhum país do mundo. Hoje circulam cópias tiradas de VHS, mas é preciso ter cuidado para não baixar uma das versões bastante cortadas pela censura. A fita lançada no Brasil pela saudosa América Vídeo estava intacta, mas atualmente é peça de colecionador. Na internet, fãs do filme circulam uma petição pedindo para que seja lançada em DVD também a "workprint" com a versão original, antes da gravação de novas cenas.

PS 2: Todo ator respeitado tem que começar por algum lugar, certo? Pois John Turturro, figurinha carimbada nos filmes dos Irmãos Coen e na série "Transformers", começou por aqui. Ele "interpreta" um figurante chamado "Guy nº 1", e sinceramente nunca consegui enxergar ninguém nem parecido com Turturro nas várias vezes que revi o filme. Talvez sua cena esteja entre as muitas que foram cortadas quando o filme precisou ser remontado.

Trailer de EXTERMINADOR 2



*******************************************************
Exterminator 2 (1984, EUA)
Direção: Mark Buntzman (e William Sachs)
Elenco: Robert Ginty, Mario Van Peebles, Deborah Geffner,
Frankie Faison, Scott Randolf, Reggie Rock Bythewood,
Irwin Keyes, Arye Gross e Bruce Smolanoff.


* E a quem interessar possa, eis a capinha do VHS brasileiro do filme - mais uma daquelas antológicas capas azuis com estrelinhas brancas da extinta e saudosa América Vídeo!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

CRACKING UP - AS LOUCURAS DE JERRY LEWIS (1983)


(Esta resenha é dedicada à minha amiga Patricia Stefani, que durante anos foi a única pessoa, além de mim, que eu sabia que amava CRACKING UP de paixão. Já rimos muito lembrando de algumas das cenas do filme. Talvez agora, com a publicação do post, apareçam outros fãs dessa pérola esquecida...)

Quem foi moleque nos anos 1980 certamente deve boa parte da sua formação cinéfila a Jerry Lewis. Pois o baixinho atrapalhado era figura constante nas tardes da TV aberta: lembro que "O Professor Aloprado" e seus filmes em parceria com Dean Martin eram reprisados religiosamente na Sessão da Tarde da Globo, enquanto o SBT costumava exibir com bastante frequência "O Mensageiro Trapalhão" e "O Mocinho Encrenqueiro", duas pérolas.

É difícil explicar, para a geração atual, a importância de Jerry Lewis em sua época. Ele foi um verdadeiro gênio da comédia, no nível de sujeitos como Charles Chaplin, Jacques Tati e Peter Sellers, e chega a me ferver o sangue quando alguém escreve uma abobrinha do tipo "Jim Carrey é o novo Jerry Lewis" - talvez uma cópia inferior no humor físico, e definitivamente sem a genialidade do original.


Para quem não tem muita intimidade com o cinema de Lewis, um bom ponto de partida são os mais conhecidos e já citados "O Mensageiro Trapalhão", "O Mocinho Encrenqueiro" e "O Professor Aloprado" (que ganhou uma refilmagem constrangedora estrelada por Eddie Murphy). Agora, se um amigo pedisse a sugestão de uma comédia de Jerry que o fizesse rolar de rir do começo ao fim, eu não pensaria duas vezes em recomendar CRACKING UP.

Este é o último longa escrito, dirigido e estrelado por Jerry, quando ele começava a entrar numa fase de ostracismo, já envelhecido e meio gorducho. Seu humor nonsense e inofensivo deve ter parecido meio deslocado em 1983, quando o filme foi lançado, pois era a época das comédias de humor mais grosseiro e repletas de mulheres peladas.


Mesmo assim, CRACKING UP é engraçadíssimo, e aqui o astro atinge um nível bem distante daquele humor mais ingênuo dos seus trabalhos dos anos 60 e 70. As gags visuais se sucedem numa velocidade impressionante, e cada vez mais absurdas, lembrando as comédias de Mel Brooks e do trio ZAZ (como "Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu"). Tem desde pistoleiros do faroeste que passa na TV atirando através da tela, até quadros que criam vida num museu!

Jerry interpreta Warren Nefron, um típico perdedor que, de tão azarado, não consegue nem mesmo cometer suicídio. Ele então procura um psiquiatra, o Dr. Jonas Pletchick (Herb Edelman), em busca de ajuda. Em diversas sessões, vai contando a história de seus igualmente azarados antepassados - e as piadas durante a Revolução Francesa poderiam muito bem estar em "A História do Mundo - Parte 1", de Mel Brooks. Paralelamente, Warren se mete em diferentes confusões.


Não há muita história para contar no roteiro escrito a quatro mãos por Lewis e Bill Richmond. Depois de estabelecer a situação básica (o looser procurando ajuda psiquiátrica), o filme entrega-se a uma sucessão ininterrupta de piadas com pouca ou nenhuma relação, quase como se fosse uma coletânea de esquetes já prontos - tipo um "O Melhor de Jerry Lewis".

Lá pelas tantas, o ator até aparece interpretando outros papéis, escondido atrás de perucas, bigodes e maquiagem carregada: um médico que virou guru, um ladrão de banco e um patrulheiro rodoviário. Ahá, e você pensando que o Eddie Murphy era original quando interpretava 10 personagens no mesmo filme, não é?


Como reunião de esquetes que é, CRACKING UP rivaliza entre momentos muito engraçados, outros nem tanto, e alguns que ficam no limite entre a genialidade e a idiotice - nessa última categoria se encaixam a sequência em que assaltantes invadem um banco apenas para fazer um número de dança diante das câmeras de segurança, ou a participação especial de King Kong (bem, na verdade só da sua mão...).

Mas quando Jerry acerta, é para fazer o cara se mijar de rir. Sem dó nem piedade.


Desafio qualquer um, mesmo o espectador mais mal-humorado e impaciente para comédias, a assistir impassível a longa sequência de abertura, em que o astro enfrenta as agruras do piso excessivamente encerado do consultório do psiquiatra. O cara ri dessa cena até durante um velório, pois é comédia física na sua melhor forma - e demonstra que caras como Jim Carrey e Adam Sandler ainda precisam comer muito feijão com arroz para passar da categoria "careteiros" para "sucessores de Jerry Lewis".

Outro momento genial, que parece ter saído do programa de TV do grupo inglês Monty Python, é aquele em que Warren vai a um restaurante e é torturado pela garçonete, que, com sua voz irritante, vai citando sem parar as diversas opções do cardápio!

A garçonete irritante (legendado)



Finalmente, há uma piada que parece ter sido inspirada pelo conto "Ex-Fumantes Ltda.", de Stephen King (adaptado para o cinema no longa "Olhos de Gato", de Lewis Teague): Warren vai procurar uma clínica para deixar de fumar, e a partir de então, em diferentes momentos ao longo do filme, levará um soco na cara toda vez que tentar acender um cigarro!

E embora Lewis invista bem mais no humor físico e nas gags visuais, ele não deixa de fazer uma divertida brincadeira de metalinguagem durante os créditos iniciais: a trilha sonora pára de tocar no momento em que aparece a legenda anunciando o nome do compositor Morton Stevens, e uma segunda legenda informa que a canção do título é interpretada pelo famoso mímico francês Marcel Marceau (obviamente, a música é apenas instrumental!).


Se o show é todo do ator, que aparece em 100% do filme, não dá pra deixar de destacar algumas presenças ilustres, como o comediante Milton Berle (no papel de um travesti), Sammy Davis Jr. "interpretando" ele mesmo e Zane Buzby como a garçonete de voz enjoada. Para quem não lembra, a moça também deu uma amostra de seu dom vocal irritante em "Up in Smoke", da dupla Cheech & Chong (ela é a doidona que fica gemendo na traseira da van, numa cena antológica do filme).

CRACKING UP chamava-se, originalmente, "Smorgasbord" - que é uma palavra secreta usada pelo psiquiatra para hipnotizar Warren. O título foi trocado na hora do lançamento, e portanto numa das piadas, que mostra os atores indo ao cinema para assistir ao próprio filme, o título na fachada ainda é "Jerry Lewis' Smorgasbord".


No Brasil, o título nacional ficou "As Loucuras de Jerry Lewis". Porque nossos criadores de títulos adoravam colocar o nome do autor do negócio no título, mesmo quando ele não interpreta a si próprio. Aconteceu o mesmo com "Silent Movie", de Mel Brooks, que aqui virou "A Última Loucura de Mel Brooks", e "Nice Dreams", da dupla Cheech & Chong", batizado como "Altos Sonhos de Cheech & Chong" em nossos cinemas. Ainda bem que o sujeito que fazia esses títulos perdeu o emprego antes de inventar coisas como "As Férias Frustradas de Chevy Chase" ou "Eddie Murphy, Um Tira da Pesada"...

E muita gente deve ter CRACKING UP na sua memória afetiva das duas ou três exibições na Rede Globo, exatamente com esse título desengonçado de "As Loucuras de Jerry Lewis". Lembro que gravei uma dessas exibições e quase gastei a fita de tanto reassistir e mostrar para os meus amigos.


Oficialmente, entretanto, o filme permanece inédito no país, tanto em vídeo quanto em DVD. Também desapareceu da grade de programação da TV aberta há pelo menos duas décadas, como quase todos os outros trabalhos de Jerry Lewis, e volta-e-meia passa apenas na TV por assinatura.

Para alguns cinéfilos (eu incluso), é injusto que CRACKING UP não tenha feito o devido sucesso na época do seu lançamento e alavancado a carreira de Lewis para que continuasse escrevendo e dirigindo suas próprias obras. Porque, naqueles tempos, o astro passava por uma fase decadente nos Estados Unidos. Inclusive o filme estreou antes na Europa (os franceses até hoje consideram Jerry Lewis um gênio), e somente dois anos depois, em 1985, nos EUA.


Também era uma fase difícil para o artista, que estava afastado das telas há quase uma década. Em 1970, ele dirigiu e estrelou a comédia "Qual é o Caminho para a Guerra?", onde fazia piada com a Segunda Guerra Mundial. O tema perseguiu-o dois anos depois, quando embarcou em seu projeto mais polêmico: o lendário drama "The Day the Clown Cried", que também dirigiu, escreveu e estrelou, no papel de um palhaço que divertia crianças judias num campo de concentração, durante a Segunda Guerra, antes de levá-las à câmara de gás. Com fama de maldito, o filme nunca foi lançado e a única cópia existente é guardada pelo próprio Jerry - e nem mesmo caras influentes, como Quentin Tarantino, conseguiram acesso ao material.

Assim, Jerry Lewis só voltaria a dirigir, escrever e estrelar uma comédia em 1980, com o mal-sucedido "Um Trapalhão Mandando Brasa", fracasso de bilheteria que quase enterrou de vez a sua carreira. Talvez a história fosse diferente se o retorno às telas fosse com CRACKING UP, uma comédia bem mais inteligente e inspirada.


Vale lembrar que, durante as filmagens, em dezembro de 1982, Jerry teve um ataque cardíaco fulminante e chegou a ser declarado clinicamente morto, antes de recobrar a consciência e sofrer uma cirurgia delicada no coração. Definitivamente, ele estava com alguma zica braba naquela época...

Também é, como escrevi lá no começo, a última comédia escrita por ele, que desde então apenas aparece em papéis mais dramáticos nos filmes dos outros - como "O Rei da Comédia", de Martin Scorsese, e "Arizona Dream - Um Sonho Americano", de Emir Kusturica.


Será que um dia veremos Jerry Lewis voltar à luz da ribalta, com um novo filmaço escrito, dirigido e estrelado por ele? Acredito que não, e ele provavelmente também vai levar o polêmico "The Day the Clown Cried" para o túmulo. Talvez seja a melhor assim, numa época em que os "comediantes" são gente tão sem graça quanto Jack Black e Ben Stiller.

Um triste fim de carreira para um gênio da comédia? Nem tanto: nós sempre teremos seus filmes hilários, como "O Mensageiro Trapalhão" e CRACKING UP, para nos fazer rir por gerações, e gerações, e gerações. Porque bobagens tipo "Uma Noite no Museu" não demoram a ser esquecidas, mas os clássicos nunca morrem! Só falta alguma distribuidora brasileira tomar vergonha na cara e finalmente lançar esse filme em DVD no país...

PS: Descobri que "Smorgasbord" é uma palavra sueca para designar um bufê formado pela mistura de diferentes pratos da culinária de lá. Pode ser viagem minha, mas em sua próprio mistureba de gags, piadas e situações, Jerry Lewis fez aqui um verdadeiro "Smorgasbord cinematográfico".

Cena inicial de CRACKING UP
(Jerry Lewis vs. piso encerado)



*******************************************************
Cracking Up / Smorgasbord (1983, EUA)
Direção: Jerry Lewis
Elenco: Jerry Lewis, Herb Edelman, Sammy Davis Jr.,
Milton Berle, Foster Brooks, Zane Buzby, Dick Butkus,
Francine York e Donna Ponterotto.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

EXECUÇÃO SUMÁRIA (1986)


Michael Paré. Hoje o nome é digno de pena, daqueles que você pronuncia com um tantinho de embaraço. Afinal, o cara topa tudo por dinheiro e virou figurinha carimbada no elenco dos filmes do Albert Pyun e do Uwe Boll, isso quando não é figurante de luxo nas novas aventuras vagabundas do Steven Seagal! Paré poderia até estar dando seminários para novos astros sobre como jogar sua carreira no lixo.

Mas nos anos 1980 a história era diferente. Michael Paré era um nome "quente", que, a despeito da completa inabilidade para interpretar, vinha sendo talhado a ferro e fogo para transformar-se no grande astro do momento - mais ou menos como Sam Worthington hoje, embora Paré pareça um ator shakesperiano perto desse sujeito aí. E vamos combinar que saber atuar não era pré-requisito para ser astro nos anos 80...


Em 1983 e 1984, o sujeito engatou uma série de sucessos como protagonista, de "Eddie, O Ídolo Pop" a "Projeto Filadélfia", chegando ao ápice com o fantástico "Ruas de Fogo", de Walter Hill. Talvez por causa desse último, tentaram transformar Paré em herói de ação. E em 1986 apareceu EXECUÇÃO SUMÁRIA, uma aventura que, em teoria, era o veículo perfeito para transformar o sujeito em novo astro do gênero, para competir com Stallone e Schwarzenegger.

Só que a estratégia não funcionou, o filme naufragou e a carreira de Michael Paré começou a decair progressivamente até atingir o fundo do poço do "direto para vídeo/DVD", e finalmente o estágio atual de "ex-astro decadente" nas produções de Uwe Boll e Albert Pyun.


Se não funcionou na época, hoje, pelo menos, EXECUÇÃO SUMÁRIA é uma aventura divertidíssima - mais pelo fator trash inerente às produções de ação daquela década do que pelo seu valor como obra cinematográfica em si. E comprova que, sim, Paré era muito, mas muito ruim.

Nesse filme escrito, produzido e dirigido por um tal de Craig T. Rumar, que surgiu do nada e voltou ao lugar nenhum (este é o seu único crédito), o ator "interpreta" Scott Youngblood, um sargento dos Marines (o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos) que tem uma ficha invejável e é o novo candidato a Rambo do momento.


Já na cena inicial, Scott arrebenta três terroristas que estavam preparando um atentado contra o embaixador dos Estados Unidos em Paris. Em retribuição, além das honras militares de praxe e de uma promoção para trabalhar em Tóquio, ele ganha do embaixador uma pistola de luxo - que, ao contrário do que parece, não terá nenhum grande papel na trama posteriormente.

O Marine também tem uma bonita irmã, Kim (Lynda Bridges), que vive em Madri, na Espanha, e secretamente trabalha como garota de programa para uma quadrilha de traficantes barra-pesada. Ao perceber que não terá vida longa, a moça telefona para o irmão herói e pede ajuda - em vão, pois é assassinada logo depois. Sem pensar duas vezes, Scott embarca num avião para a Espanha em busca de Kim, apenas para descobrir que ela está morta e a polícia não dá a mínima para o caso.


O resto é aquela rotina nas produções do gênero: o herói ianque alia-se a um espertinho que era amigo da finada, o fotógrafo Jake (Peter Crook), e juntos começam a investigar os responsáveis pelo crime: o traficante Silke (Eddie Avoth) e seu braço-direito Dutch (Scott Del Amo), que foi quem matou a pobre Kim.

Daí para arranjar armas pesadas e desbaratar a quadrilha toda é um pulo, certo?

Errado!

Pois embora EXECUÇÃO SUMÁRIA tenha o título original "Instant Justice" (Justiça Instantânea, em tradução literal), não tem nada de instantâneo no "olho por olho, dente por dente" aplicado por Scott. Pelo contrário, ele perambula por Madri sem fazer grande coisa durante a maior parte do tempo, e o acerto de contas acontecerá apenas nos vinte minutos finais - uma justiça nada instantânea, portanto.


Tanto que no Reino Unido o título do filme é "Marine Issue", bem melhor do que o oficial, e relacionado a uma frase que o embaixador diz ao dar a pistola de presente para o herói: "This is Marine Issue".)

No meio-tempo entre a chegada do herói à Espanha e a vingança propriamente dita, o roteiro enche linguiça colocando Scott para brigar com valentões num bar e depois com traficantes de armas (entre eles, o pobre Aldo Sambrell), quando tenta adquirir pistolas e munição para combater a quadrilha de Silke.

Também gasta um tempão apresentando o interesse romântico do herói, Virginia (a deliciosa Tawny Kitaen, mulher de Tom Hanks em "A Última Festa de Solteiro"), uma das novas garotas do harém de Silke, e a quem Scott irá proteger como uma espécie de compensação por não ter conseguido salvar a vida da irmã.


Há um aspecto interessante em EXECUÇÃO SUMÁRIA que é o desenvolvimento do personagem principal. Quando Scott percebe que suas ações irão ferir o código de honra dos fuzileiros, ele entrega suas plaquetas de identificação (o equivalente ao policial entregar seu distintivo) a um superior, o Major Davis (Charles Napier, garantindo o dinheiro do aluguel). Assim, fica livre para agir "fora da lei" e punir os assassinos da irmã.

Essa evolução progressiva para o "lado negro" lembra a transformação de Paul Kersey em vigilante no primeiro "Desejo de Matar", já que Scott leva um tempão para finalmente virar justiceiro e sair passando fogo nos bandidos (o que novamente coloca em dúvida o título original, "Justiça Instantânea").


Só que Michael Paré não é Charles Bronson, e por isso EXECUÇÃO SUMÁRIA não funciona tão bem como poderia. O coitado nem sequer é capaz de dizer duas frases sem que o texto pareça decoradinho e desprovido de emoção. Em alguns momentos, ele parece até estar lendo as falas de cartões escritos posicionados atrás da câmera!

Menos mal que não dá o show de canastrice sozinho: praticamente todo o elenco parece estar disputando quem é o pior intérprete, da pobre Tawny ao bandido Del Amo, que faz umas caretas vilanescas de doer a barriga de tanto rir. Uma cena romântica entre Paré e Tawny, pré-banho de chuveiro entre os pombinhos, é tão ruim, mas tão ruim, que parece saída de alguma sátira estilo "Corra que a Polícia Vem Aí", e que os atores estão fazendo aquilo de propósito!

(A saber: o herói interrompe uma discussão no meio dizendo que vai tomar banho, a mocinha começa a choramingar que não quer ficar sozinha e corre para baixo do chuveiro com ele, mas ainda VESTIDA!)


Para piorar, o penteado e o figurino anos 80 usados por Tawny são literalmente um horror, conseguindo transformar uma garota linda numa baranga de chorar. O cabelão armado da moçoila é tão exagerado que parece que uma raposa morreu em cima da sua cabeça (é até um alívio quando ela molha o cabelo na cena do chuveiro e ele fica "normal"); já as ombreiras gigantes lembram uma armadura ou roupa de astronauta. E pensar que isso era moda naquela década maldita...

Pela inépcia dos atores e do diretor, e pelo excesso de enrolação para um suposto filme de ação, EXECUÇÃO SUMÁRIA passou de "grande veículo para o estrelato de Michael Paré" a constrangimento para o estúdio que o produziu - ninguém menos que a Warner! É só comparar com produções muito mais baratas da mesma época, tipo os filmes da Cannon, para perceber como o negócio não funciona.


A solução encontrada foi cancelar o lançamento nos cinemas e mandar o filme direto para as videolocadoras no ano seguinte (1987), com uma capinha que explorava ao mesmo tempo o sucesso de Paré em "Ruas de Fogo" e a nova febre do momento, que eram as aventuras à la "Ases Indomáveis"! (A capinha da fita nos EUA dizia: "The star of 'Streets of Fire' unleashes a fury of Top Gun entertainment"!!!)

Hoje, o filme vale principalmente pelas risadas involuntárias. Além das péssimas interpretações, é impossível não rir com a nudez gratuita (num "ensaio sensual" que só existe para mostrar a pobre figurante pelada!) e com as frases de efeito em cenas como a pancadaria no bar, que termina com o herói jogando uns dólares sobre o balcão e anunciando aos sujeitos nocauteados: "Tomem uma na conta do Tio Sam!".


Em tempos de superpatriotismo (era a época do Governo Reagan), o diretor-roteirista Rumar também escreveu um diálogo constrangedor e hoje hilário: quando Scott questiona Jake se ele não vai ajudá-lo, já que "também é americano", o rapaz responde dizendo que não fica "sacudindo bandeiras". Impassível, com aquele olhar de peixe morto à la Stallone, o herói responde: "Bem, mas eu sim!".

E como levar a sério um filme em que o herói invade uma base militar norte-americana (em busca de um novo fuzil experimental) apenas roubando um uniforme e gritando ordens estapafúrdias para todo e qualquer soldado que encontra pelo caminho? Ah, como eram estupidamente divertidas essas aventuras dos anos 80...


O final inclui uma perseguição automobilística razoavelmente interessante na pista de pouso de um aeroporto, talvez o grande momento do filme, com direito a avião pousando sobre um carro e outro veículo capotando e destruindo vários jatinhos convenientemente enfileirados na pista de pouso.

É a melhor cena de ação da película, pois no restante do tempo vemos apenas Paré atravessando vidraças e disparando tiros e sopapos sem muita convicção. Impossível não rir horrores com o trecho em que o herói penetra (opa!) na fortaleza dos vilões e subitamente dá de cara com... um chefe de cozinha karateka! Que bate nele com uma frigideira!


Conseguirá Scott Youngblood encontrar e castigar os assassinos da sua irmã? Conseguirá Virginia abandonar sua vida boa de prostituta de luxo para ficar com o herói? Conseguirá o diretor-produtor-roteirista Craig T. Rumar uma outra oportunidade para mostrar seu talento (ou falta de), considerando que não filmou mais nada de 1986 para cá ?

São perguntas cujas respostas você encontrará, ou não, em EXECUÇÃO SUMÁRIA, uma aventura razoavelmente dirigida e pessimamente interpretada, mas que hoje tem muito valor como comédia.

Portanto, reúna os amigos na sala, prepare a cerveja e ria muito com esse novo clássico do "cinema macho", uma tosqueira no mesmo nível de "Missão Resgate" (aquele com o Brandon Lee) e "Gymkata - O Jogo da Morte".


Quanto a Michael Paré... Bem, ele pode até não ter virado o grande herói de ação da época (quem sabe por culpa desse filme tosquíssimo), mas pelo menos continuou trabalhando, e até hoje tem presença garantida em filmes classe B e C, ganhando honestamente o dinheiro do aluguel e o leitinho das crianças. Envelhecido, até atua um pouquinho melhor (alguém o viu em "Tunnel Rats", do Uwe Boll?).

E ele certamente tem coisas bem mais vergonhosas no seu currículo para lamentar. Afinal, é bom lembrar, o coitado conseguiu a façanha de aparecer nos TRÊS FILMES da série "Bloodrayne"! Perto disso, EXECUÇÃO SUMÁRIA parece até material digno do Oscar!

Dá até vontade de apelar para um trocadilho infame: "Pare, Paré!!!".

PS: Talvez pelo fracasso na época do lançamento, talvez pela ruindade geral, o filme continua inédito em DVD no mundo inteiro. Nos sites de compartilhamento de arquivos, encontra-se apenas uma versão ripada de VHS, e portanto em tela cheia e com imagem apenas razoável. Será que um dia veremos uma versão decente disso? E será que alguém realmente se importa?

A grande cena de EXECUÇÃO SUMÁRIA



*******************************************************
Instant Justice (1986, EUA)
Direção: Craig T. Rumar
Elenco: Michael Paré, Tawny Kitaen, Peter Crook,
Charles Napier, Eddie Avoth, Scott Del Amo, Lynda
Bridges, Aldo Sambrell e Tessa Hewitt.