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quarta-feira, 18 de maio de 2011

ROBOJOX - OS GLADIADORES DO FUTURO (1990)


Há algum tempo, quando escrevi sobre o trashaço "A Batalha Final", de David A. Prior, aqui no FILMES PARA DOIDOS, ironizei a estupídez de um roteiro em que o destino da humanidade era decidido através do simples duelo corpo a corpo entre dois homens que representavam "o melhor" de duas superpotências, nesse caso Estados Unidos e a extinta União Soviética.

Então, por esses dias, revi a ficção científica ROBOJOX - OS GLADIADORES DO FUTURO, uma daquelas produções classe C da produtora Empire que quase ninguém lembra que existe, e muito menos que foi dirigida por Stuart Gordon (é capaz de o próprio Gordon ter esquecido que fez esse filme).


Eu mesmo tinha algumas memórias bem esparsas sobre o filme, e me surpreendi ao constatar que ele tem uma história tão tosca quanto a de "A Batalha Final" - embora, nesse caso aqui do filme do Gordon, levada bem menos a sério.

A trama se passa 15 anos após uma guerra atômica, e as duas superpotências (EUA e União Soviética, como sempre) decidiram que iriam resolver suas diferenças não mais com bombas nucleares, mas sim com o duelo corpo a corpo entre seus "campeões" (chamados Robojox), estilo "A Batalha Final".

A diferença é que os campeões de cada superpotência não lutam pessoalmente, mas sim "pilotando" enormes robôs gigantes!!!


Você não leu errado, e é claro que quando você passa dos 13 anos de idade toda a proposta do filme se demonstra uma idiotice desde o começo. Afinal, se as superpotências do futuro têm recursos e tecnologia para construírem robôs gigantes avançadíssimos e cheios de armas e equipamentos, por que diabos precisam colocar SERES HUMANOS dentro deles ao invés de programar os robôs para lutarem sozinhos - eliminando, assim, a possibilidade de "falha humana"?

Seja como for, e fechando um olho para a estupidez do conceito, ROBOJOX revela-se um filme razoavelmente divertido, que lembra até, com certo saudosismo, aqueles velhos seriados japoneses com robôs gigantes feitos de plástico, como "Jaspion" e "Changeman".


A trama começa com o Western Market (novo nome dos Estados Unidos) perdendo um de seus principais competidores, que é esmagado pelo robô gigante do grande campeão da Confederação Russa - um psicopata chamado Alexander (interpretado pelo eterno vilão Paul Koslo, de "Projeto Mortal" e "Mr. Majestyk").

Com isso, sobra para o maior campeão do mundo ocidental, Achilles (Gary Graham), a missão de derrotar Alexander e conquistar novos territórios para os EUA. Acontece que, como num gigantesco jogo de War, as lutas entre os robôs determinam a posse dos territórios do mundo para a nação vencedora do confronto robótico (!!!).


Só que a batalha entre os dois arquiinimigos acaba mal: o robô de Alexander dispara um míssil contra as arquibancadas que ficam ao redor do campo de batalha, repletas de inocentes espectadores. Achilles tenta usar seu próprio robô para abafar o impacto da explosão, mas mesmo assim tomba sobre uma das arquibancadas, matando 300 pessoas no desastre!!!

Traumatizado com o incidente, o campeão norte-americano decide parar de lutar. No seu lugar, o Western Market coloca Athena (Anne-Marie Johnson), uma garota que faz parte de um time de jovens manipulados geneticamente para serem guerreiros infalíveis (!!!).

Sabendo que ela não tem nenhuma chance contra o psicótico Alexander, e apaixonado pela moça, Achilles resolve sair da aposentadoria para uma batalha final de robôs gigantes.


Como eu sempre escrevo em relação à maioria dos filmes analisados aqui no FILMES PARA DOIDOS, é preciso fechar um olho (às vezes até os dois) para curtir ROBOJOX.

Na verdade, o filme é bem pior do que eu me lembrava nas minhas memórias de infância, mesmo que tenha algumas coisas muito legais e seja razoavelmente curto, terminando antes de começar a realmente incomodar - embora a conclusão seja abrupta e sem maiores explicações sobre o destino dos personagens e dos conflitos, como se o dinheiro tivesse acabado de repente, ou talvez as ideias...


Stuart Gordon é mais lembrado pelos seus terrores escatológicos inspirados em H.P. Lovecraft, como "Reanimator" e "Do Além", do que pelos filmes de ação/ficção científica que fez nos anos 90. Este foi o primeiro deles, e depois viriam ainda "A Fortaleza" (1992) e "Space Truckers - Piratas do Espaço" (1995), sendo que, na minha humilde opinião, apenas o filme com o Christopher Lambert presta.

Fugindo do estilo que caracteriza a maior parte da sua filmografia, Gordon não abusa da violência e nem do humor negro em ROBOJOX: o filme não passa de uma aventura quase inofensiva voltada ao público infanto-juvenil, e se digo "quase inofensiva" é por causa de uma breve cena de nudez (uma bundinha que aparece bem rápido) e de algum sanguinho aqui e ali.

(E com certeza as crianças veem coisas bem piores no YouTube hoje em dia...)


A indefinição do público-alvo do filme parece ser um dos seus principais problemas. Às vezes ele tenta ser adulto e sarcástico (os guerreiros geneticamente manipulados, por exemplo, foram apelidados de "tubbies" pelos humanos "normais", e quase todos os personagens têm nomes de mitos greco-romanos, como Aquiles, Atenas, Alexandre, Ajax e Hércules). Mas, na maior parte do tempo, o negócio todo é apenas infantil, quase inocente.

Essa indefinição chegou a motivar brigas entre o diretor Gordon e o roteirista do filme, o autor de livros de ficção científica Joe Haldeman, aqui em seu primeiro e único trabalho para o cinema.


Acontece que Gordon queria, abertamente, fazer um filme para crianças, enquanto Haldeman escreveu um roteiro adulto sobre soldados durões que enfrentavam-se até a morte nos duelos com robôs gigantes. Furioso com o resultado do projeto, o autor chegou a declarar que ROBOJOX era como um filho que nasceu saudável e de repente teve morte cerebral!!!

Uma das principais críticas de Haldeman foi em relação aos personagens do filme, que teriam sido transformados em estereótipos pelo diretor. Realmente, além do campeão (ianque) de bom coração e do seu rival (comunista) psicopata, temos um treinador texano que se chama Tex (!!!), que anda sempre com chapéu de caubói, e um cientista chamado Matsumoto - japonês, é claro.


Para piorar o negócio, o herói sem sal interpretado por Gary Graham compromete qualquer identificação do espectador com o que está acontecendo.

O elenco secundário traz alguns colaboradores habituais de Gordon, como Robert Sampson (o reitor de "Reanimator") e Jeffrey Combs (numa participação rapidíssima); o próprio diretor aparece em ponta como o barman do que parece ser o único bar do mundo pós-apocalíptico, já que TODOS os personagens, heróis e vilões, sempre se encontram ali na mesma hora!

Destaque também para uma pequena participação de Hilary Mason, a assustadora médium cega de "Inverno de Sangue em Veneza", aqui interpretando uma cientista sem maior destaque.


Agora, a principal qualidade de ROBOJOX são, claro, as lutas com robôs gigantes. Produzidas através de miniaturas e de efeitos em stop-motion, elas recuperam aquele clima ingênuo de Sessão da Tarde, num trabalho eficiente do saudoso Dave Allen (um dos grandes magos dos efeitos especiais do cinema B da época, falecido em 1999).

Ao ver aqueles robôs lutando em stop-motion, e os criativos truques utilizados pelos realizadores para que o espectador realmente acredite que aquelas miniaturas são robôs GIGANTES (entre eles, o bom e barato chroma-key), eu não pude deixar de pensar em como filmes tipo "Transformers" seriam muito mais charmosos e divertidos com esse tipo de efeito simples e barato, e não com computação gráfica de videogame. (Você pode conferir uma das lutas entre robôs no vídeo abaixo)

Transformers produzido por Charles Band



É uma pena, portanto, que ROBOJOX não funcione do jeito que deveria. Não se sabe quem é o verdadeiro culpado pelo que se vê na tela (o roteirista ou o diretor), mas é duro de engolir que o destino de países esteja nas mãos de dois guerreiros lutando a bordo de robôs - até porque os caras parecem não fazer praticamente nada antes de receber as ordens de seu treinador e equipe via rádio, embora sejam, em teoria, os grandes campeões de cada superpotência!!!

A conclusão moralista para a luta mortal entre Achilles e Alexander (bem parecida com o desfecho de "A Batalha Final") também não ajuda.

E mesmo que a pobreza de ROBOJOX esteja estampada em cada cena da película, esta foi a produção mais cara da Empire Pictures, a produtora de Charles Band, tendo custado cerca de 10 milhões de dólares (uma mixaria perto de um "Transformers", por exemplo).


O filme inclusive teria sido responsável pela falência da Empire: rodado em 1988, ficou na geladeira por dois anos até que o material foi adquirido por outra produtora (Epic Productions) e finalmente finalizado.

Enquanto isso, Band fundou outra empresa (a Full Moon) e dedicou-se a tentar recuperar o prejuízo obtido com ROBOJOX, reutilizando as mesmas miniaturas em outros dois filmes (!!!) sobre robôs gigantes, os divertidos "Rebelião no Século 21" (1990, dirigido pelo próprio Charles) e "Robot Wars" (1993, dirigido pelo seu pai Albert Band).

Ambos foram vendidos como sequências de ROBOJOX em algumas partes do mundo, e, dos três, "Rebelião no Século 21" é o melhor e mais divertido.

Trailer de ROBOJOX - OS GLADIADORES DO FUTURO



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Robojox - Os Gladiadores do Futuro
(Robot Jox, 1990, EUA)

Direção: Stuart Gordon
Elenco: Gary Graham, Anne-Marie Johnson, Paul
Koslo, Robert Sampson, Danny Kamekona, Hilary
Mason, Michael Alldredge e Jeffrey Combs.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

TUBARÃO 3 (1983)


Bem, enquanto vocês se recuperam do choque e da overdose de gargalhadas de ver TUBARÃO 3 aqui no blog, permitam-me dizer que esta obra bisonha foi um autêntico "guilty pleasure" da minha infância/adolescência, um filme que eu assistia com gosto toda vez que passava na TV e, acreditem ou não, GOSTAVA!

Foi só revendo agora, depois de "adulto", em DVD com imagem cristalina e sem aquela dublagem pavorosa da Globo, que eu finalmente percebi como o filme é ruim, com uma trama absurda e desinteressante, total ausência de suspense e/ou violência, atores conhecidos pagando mico e cenas estúpidas. Um autêntico FILMES PARA DOIDOS, em suma, e é por isso que agora ele está aqui nas "páginas" do blog!


Antes de falarmos da película em si, é bom traçar um rápido contexto da época: depois que o "Tubarão" original de Steven Spielberg foi um estrondoso sucesso de crítica e bilheteria em 1975, a Universal não perdeu tempo e financiou "Tubarão 2", em 1978, uma sequência bem interessante que foi mal recebida na época, mas só cresceu com o tempo (inclusive considero "Tubarão 2" um filmaço, e se bobear vi até mais vezes que o original!).

O segundo filme não foi mal nas bilheterias, mas frustrou os produtores, que esperavam um repeteco do sucesso arrasador do filme de Spielberg. Resolveram, então, deixar os predadores oceânicos em paz. Até que, em 1981, um italiano chamado Enzo G. Castellari dirigiu uma cópia de "Tubarão" chamada "O Último Tubarão", que ironicamente tornou-se um gigantesco imã de bilheteria nos Estados Unidos!

Os engravatados da Universal não pensaram duas vezes: processaram Castellari e os produtores italianos por plágio, conseguiram tirar o filme de cartaz e, com muitos cifrões nos olhos, trataram de produzir seu próprio novo filme sobre tubarões, julgando que o público ainda tinha interesse nisso.


Ironicamente, a primeira ideia era fazer uma sátira ao original de Spielberg, estilo "Todo Mundo em Pânico", que se chamaria "Jaws 3 x People 0" (!!!), uma comédia sobre as filmagens de uma nova sequência de "Tubarão". Dois nomes proeminentes da comédia oitentista, Matty Simmons e John Hughes, entraram no projeto, Joe Dante iria dirigir (!!!), e a cena inicial mostraria o escritor Peter Benchley (autor do livro que deu origem a "Tubarão") sendo morto pelo assassino aquático na piscina da sua casa!!!

Aí algum produtor mal-humorado resolveu desistir da ideia e fazer uma continuação "séria", porém aproveitando uma ferramenta que estava se tornando uma febre entre os filmes de ficção científica e horror da época: o 3-D. Tudo que era terceiro filme produzido naqueles anos acabava eventualmente filmado em 3-D para aproveitar o trocadilho com o número 3 no título - "Sexta-feira 13 Parte 3" e "Amityville 3-D" são da mesma época. Inclusive, nos cinemas, TUBARÃO 3 chamava-se "Jaws 3-D"!


Bem, ao tal produtor mal-humorado que achou melhor fazer um filme "sério" do que uma comédia, deixo a seguinte mensagem: não adiantou nada! TUBARÃO 3 é tão ruim e sem-noção que hoje passa como verdadeira comédia involuntária. Em várias oportunidades me peguei rindo sozinho do filme que outrora me assustava/emocionava.

Passando-se alguns anos após as tragédias em Amity narradas nos dois filmes anteriores, TUBARÃO 3 agora muda a localização geográfica para um parque aquático na Flórida, onde trabalha Mike Brody (Dennis Quaid, ainda com cara de adolescente!!!), que é um dos filhos do personagem de Roy Scheider em "Tubarão" 1 e 2.


O local, financiado por um figurão chamado Calvin Bouchard (Louis Gossett Jr.!!!), será inaugurado em alguns dias, e tem como grande atração um complexo submarino onde os visitantes poderão ver a vida marinha através de túneis envidraçados. Mas é claro que logo aparecerá a ameaça de mais um gigantesco tubarão branco...

Tudo que é clichê possível e imaginável do subgênero "animais assassinos" aparece aqui, do ambicioso dono do parque que minimiza a ameaça para não perder dinheiro ao caçador experiente que subestima a periculosidade do tubarão ao tentar enfrentá-lo sozinho. Sem contar, claro, o tradicional momento em que todo o elenco do filme corre em disparada gritando "Saiam da água!" para tentar salvar banhistas de seu triste destino no momento em que o tubarão ataca...


Quem comandou a patuscada foi Joe Alves, diretor de segunda unidade em "Tubarão" e "Tubarão 2". Esse é o seu único crédito como diretor, algo plenamente justificável considerando a ruindade do filme. E como seria bom se, hoje, os estúdios também limassem diretores ruins baseados apenas em seu primeiro filme ruim, pois assim nunca veríamos outras bombas do Rob Zombie!

TUBARÃO 3 falha em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Os efeitos especiais de 1983 são piores que os do original, inclusive com a utilização de um gigantesco tubarão que nem move a cauda ao nadar (parece um submarino!!!). Não há cenas de tensão, de suspense ou de violência, e a bem da verdade não acontece nada até os 50 minutos do filme - nesse ínterim, precisaram criar cenas totalmente dispensáveis para que o público não dormisse, como a aparição de dois "ladrões de coral" que são devorados off-screen pelo tubarão e nunca mais são citados, em cena provavelmente filmada e incluída na edição de última hora.


Pior é a quantidade de besteiras jogadas na cara do espectador por minuto. Em certo momento, por exemplo, um perigoso tubarão branco é exposto ao público numa piscina comum e sem NENHUMA proteção nas laterais (como você vê na foto acima), permitindo que qualquer espectador pudesse cair sem dificuldade no tanque de uma das criaturas mais mortais da natureza!

Mas nada pode ser mais trash que a conclusão: o cadáver do corajoso caçador de tubarões, que havia sido devorado pelo monstro horas antes, AINDA ESTÁ INTACTO DENTRO DA BOCA DO BICHO, e segurando uma granada na mão para que os heróis possam puxar o pino e explodir o bicho. Cá entre nós: será que o tubarão confundiu o mergulhador com uma bala (já que ele estava de roupa vermelha) e estava chupando o cadáver do sujeito ao invés de engolir de uma vez? Ou será que os tubarões, como as vacas, ficam ruminando o alimento?


O roteiro está repleto de problemas, e não são só esses dois. Lá pelas tantas, o irmão mais novo de Mike, Sean Brody (John Putch, atualmente diretor de tralhas como as sequências bastardas de "American Pie"), aparece na história, mas ele não faz absolutamente nada para justificar sua presença. O próprio Mike Brody é provavelmente o "herói" mais incompetente da história do cinema, pois passa pelo filme inteiro sem fazer nada até o minuto final.

A bem da verdade, o roteiro de TUBARÃO 3 parece não se decidir entre quem é o verdadeiro protagonista do filme: Brody ou o tal caçador experiente, um inglês chamado Philip FitzRoyce (interpretado por Simon MacCorkindale, que é a cara do Aaron Eckhart!!!).


Ambos disputam o coração da mocinha Kathryn (Bess Armstrong), mas FitzRoyce é o único com coragem para enfrentar o tubarão várias vezes até encontrar seu fatídico destino - porque nesse tipo de filme é sempre o animal assassino que resolve os triângulos amorosos, geralmente comendo uma das suas pontas.

Ah, quase esqueci: TUBARÃO 3 também tem um casal de golfinhos espertinhos (barbaridade...) que, lá pelas tantas, salvam os heróis de um ataque do tubarão, no grande momento "vergonha alheia" da película - sem contar que algo semelhante acontecia no final do trashão italiano "Tentáculos" (1977), de Ovidio G. Assonitis.


Chega a ser deprimente ler, nos créditos iniciais, o nome de Richard Matheson (sim, "o" Richard Matheson) como um dos roteiristas, mas ele alega que seu roteiro original foi totalmente reescrito por Michael Kane e pelo ator-diretor Carl Gottlieb (que já havia "contribuído" nos roteiros de "Tubarão" e "Tubarão 2" a pedido da Universal). O argumento é de Guerdon Trueblood, na época um especialista em "terror animal" (escreveu "Formigas Assassinas", "Tarântulas" e dois filmes sobre abelhas assassinas!).

No geral, TUBARÃO 3 é um daqueles filmes em que absolutamente NADA deu certo. Todos os atores estão péssimos, completamente perdidos de tão mal-dirigidos, e dá pena de ver principalmente Gossett Jr. pagando esse micão - até porque no ano anterior, 1982, ele tinha ganhado o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por "A Força do Destino". Como se sabe, o Oscar de Coadjuvante tem alguma tenebrosa maldição por trás (que o digam Cuba Gooding Jr., Marisa Tomei e tantos outros), e Gossett Jr. acabou fazendo papel de "sidekick de luxo" em produções como "Asas de Águia" e "O Justiceiro" antes de sumir do mapa.


Sem nenhum orgulho do seu trabalho, Dennis Quaid hoje se refere a TUBARÃO 3 com a inevitável pergunta "Qual foi mesmo o 'Tubarão' que eu fiz?". E o elenco também traz Lea Thompson em seu segundo papel no cinema. Depois ela faria a mãe de Marty McFly na trilogia "De Volta para o Futuro".

Hoje, um dos poucos atrativos de TUBARÃO 3 é rir do que deveriam ser os efeitos 3-D - no caso, coisas apontadas ou atiradas diretamente contra a câmera. Numa cena, o personagem de Dennis Quaid dispara um arpão contra o "público", e é interessante observar como aquilo deve ter ficado legal "saindo da tela", embora perca todo o sentido em 2-D (como 99% dos filmes em 3-D produzidos hoje, vale ressaltar).

Braços decepados e peixes parcialmente devorados também são atirados contra o espectador, mas o auge do grotesco é a cena final, em que o tubarão explode e os pedaços de suas enormes mandíbulas também são arremessados contra a tela, num efeito que deve ter provocado um festival de gargalhadas nas salas de cinema da época!


Ironicamente, TUBARÃO 3 copia, na maior cara-de-pau, várias coisas de "O Último Tubarão", aquele pequeno filme italiano que os engravatados da Universal fizeram questão de tirar de circulação dois anos antes. O tamanho do tubarão (35 metros) e o som que ele faz ao atacar (mais parecido com um leão ou tigre feroz!) saíram diretamente do filme de Castellari, bem como a conclusão em que o bicho engoliu alguém com uma bomba e o herói só precisa detoná-la pelo lado de fora!

Com tantos problemas e besteiradas, TUBARÃO 3 provavelmente é mais engraçado, para o público de hoje, do que seria a tal sátira assumida "Jaws 3 x People 0", cogitada lá no começo dos anos 1980.

Confesso que não lembrava de o filme ser tão ruim, mas pelo menos ele continua razoavelmente divertido nos seus inúmeros defeitos, e ainda me rendeu algumas boas gargalhadas - embora seja muito enrolado e demore uma eternidade até alguma coisa de interessante acontecer.


Felizmente, para Joe Alves e sua trupe, Joseph Sargent fez o favor de dirigir uma continuação AINDA PIOR em 1987, o infame "Tubarão - A Vingança", e de certa forma esse terceiro filme parece até um pouquinho melhor em comparação ao que o precedeu.

Mas não foge à regra (ou maldição, para alguns) de que o terceiro filme de uma série geralmente é o mais fraco e o início da decadência. Exemplos não faltam, de "Amityville 3-D" a "Robocop 3", de "Jogos Mortais 3" a "O Retorno de Jedi".

Também serve, atualmente, como um belíssimo argumento da inutilidade do 3-D, que no fim só vai deixar um montão de filmes repletos de cenas com objetos sendo jogados contra a câmera, e que perdem todo o sentido quando vistos em casa no formato normal...

Trailer de TUBARÃO 3



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Tubarão 3 (Jaws 3-D, 1983, EUA)
Direção: Joe Alves
Elenco: Dennis Quaid, Bess Armstrong, Louis
Gossett Jr., Lea Thompson, Simon MacCorkindale,
John Putch e P.H. Moriarty.