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sábado, 18 de abril de 2009

48 HORAS DE SEXO ALUCINANTE (1986)


Embora tenha ficado imortalizado com o seu personagem Zé do Caixão, nas produções de horror que realizou em meio século de carreira, o brasileiro José Mojica Marins foi obrigado a dirigir alguns filmes pornográficos durante uma época de vacas magras nos anos 80. Ironicamente, estes quatro filmes explícitos - "A Quinta Dimensão do Sexo" (1984), "24 Horas de Sexo Explícito" (1984-85), "Dr. Frank na Clínica das Taras" (1986) e 48 HORAS DE SEXO ALUCINANTE (1986) - são de longe as obras mais assustadoras da sua carreira!

Muitos podem, hoje, condenar Mojica por ter dirigido estas produções paupérrimas, alegando que elas representam uma espécie de suicídio para a carreira de qualquer cineasta sério. O que estes moralistas-de-cuecas esquecem é que o mercado cinematográfico brasileiro dos anos 80 tinha se rendido à sacanagem, e qualquer diretor mais ou menos sério estava investindo na putaria, e até as produções mais classudas da época, se não traziam as cenas explícitas dos pornôs da Boca do Lixo, pelo menos tiravam a roupa de suas estrelas sem nenhum pudor. Bons tempos aqueles em que o sujeito ia ao cinema para ver Sônia Braga, Christiane Torloni, Vera Fisher e Cláudia Ohana peladas...


Além disso, a carreira de Mojica já parecia morta e enterrada. Ele realizava filmes por encomenda desde os anos 70 (inclusive algumas paupérrimas pornochanchadas que, envergonhado, assinou com o pseudônimo "J. Marreco"), e sua última produção realmente autoral foi "Perversão", de 1978. Sem grana para filmar o tão sonhado "Encarnação do Demônio" (que só foi sair em 2007!) e sem incentivos fiscais do governo, como outros cineastas bem mais medíocres do período, o pobre Mojica viu-se perdido no universo do sexo explícito graças ao amigo-da-onça e produtor Mário Lima.

48 HORAS DE SEXO ALUCINANTE é a seqüência do trabalho pornográfico mais famoso da dupla Mojica/Lima: "24 Horas de Sexo Explícito", um dos grandes fenômenos de bilheteria de 1985 (ficou mais de 20 semanas em cartaz em pleno centrão de São Paulo!). E isso que Mojica tentou fazer o pornô mais sujo e tosco de todos os tempos, com um elenco de jaburus de dar dó e até a primeira cena explícita de zoofilia do cinema nacional, entre o pastor-alemão Jack e a veterana do pornô Vânia Bournier. Esta cena não tem nada a ver com a "trama" principal, e só está no filme porque o diretor sabia que, com aqueles bagulhos que tinha no elenco, só mesmo um cachorro transando para atrair público.


Apesar dos protestos de Mojica (ele chegou a dizer que fez o filme tão tosco porque queria que o sujeito saísse do cinema e nunca mais quisesse fazer sexo na vida!), o sucesso comercial de "24 Horas de Sexo Explícito" encheu os bolsos de Mário Lima, e o produtor convenceu o amigo a rodar uma continuação. Assim surgiu 48 HORAS DE SEXO ALUCINANTE, que é bem mais interessante do que o anterior por trazer um argumento metalingüístico (já explico), e também porque os bagulhos do filme anterior foram substituídos pela nata do pornô da Boca do Lixo (com dinheiro na mão é outra coisa, não é?).

Com argumento e roteiro do próprio Mário, o filme começa mostrando as filas nos cinemas paulistas que exibem "24 Horas de Sexo Explícito". Em seguida, vemos o próprio Mojica (vestido de terno e gravata, posando de grande magnata do cinema) e o próprio Mário Lima (com uma berrante jaqueta vermelha, e dublado com uma cômica voz de galã) sendo levados para um encontro com uma famosa psiquiatra num casarão chique. Detalhe é que ambos são conduzidos por um motorista numa velha perua caindo aos pedaços, já que não havia limusine à disposição da produção!


A psiquiatra é a dra. Margareth, interpretada pela veterana do pornô nacional Andréa Pucci (de "O Delicioso Sabor do Sexo" e "Hospital da Corrupção e dos Prazeres"). Ela explica à dupla que viu "24 Horas de Sexo Explícito" várias vezes (!!!), e acredita que ambos seriam as pessoas mais qualificadas (hahaha) para dirigir um novo filme pornográfico sob encomenda, desta vez com "fins científicos", já que a psiquiatra é uma pesquisadora do comportamento sexual humano (esqueça isso, porque não faz a menor diferença).

Em seguida, vemos Mojica e Mário em plena pré-produção do próprio 48 HORAS DE SEXO ALUCINANTE, quando o roteiro tenta nos convencer de que ambos são tão organizados ao planejar os mínimos detalhes da película, mas, como sabe qualquer um que conhece um mínimo da carreira do diretor, ele não tinha nada de organizado! A dupla constrói um cenário luxuoso, contrata os grandes astros da Boca, submete todos a rigorosos exames médicos (hahahaha) e em seguida propõe uma grande maratona sexual para escolher o novo campeão do sexo.



Quem viu "24 Horas de Sexo Explícito" lembra que a história era mais ou menos a mesma, com a diferença de que lá a maratona era de apenas um dia, e não dois (dãããã...). E dois atores deste primeiro filme, Sílvio Júnior (de "Sexo Erótico na Ilha do Gavião") e Antônio Rody ("Sexo dos Anormais"), inclusive voltam para a maratona. Além deles, participam nomes famosos dos pornôs da Boca, como Walter e Eliane Gabarron, Oswaldo Cirillo e Priscila Muller, entre outros.

O vencedor, claro, será o homem que gozar mais vezes (as ejaculações são somadas num computador!!!), e a competição é controlada por garotas vestidas como bandeirinhas de futebol (uma delas na verdade é um traveco que, lá pelas tantas, participa da ação) e pelo mesmo juiz gay de "24 Horas de Sexo Explícito", aqui vestido de imperador romano e assessorado por um papagaio boca-suja que também apareceu no pornô anterior de Mojica - e que fica fazendo piadinhas sem graça entre todas as cenas de sexo!

Perto do final, a dra. Margareth finalmente revela a Mojica e Lima seu trauma: ela é frustrada sexualmente porque sua grande fantasia é fazer sexo com um touro (!!!). Para realizar o desejo da pesquisadora, Mojica manda construir uma vaca mecânica (!!!) e, no final antológico, coloca a garota nua no interior do bicho, tentando atrair algum touro safado para fazer o serviço. Felizmente, apesar de várias cenas de touros trepando com vacas e de cavalos com éguas enxertadas na edição, nenhum animal verdadeiro se assanha para cima da vaca falsa, e a solução é mandar um cara vestido de Bumba-meu-Boi para realizar a missão! A cena é simplesmente surreal, e parece saída do universo bizarro de David Lynch! (Clique na colagem abaixo para vê-la ampliada.)


Como todos os pornôs dirigidos por Mojica, 48 HORAS DE SEXO ALUCINANTE é uma porquice: desafio qualquer pessoa normal a ficar excitada diante dos closes feios e toscos de pintos moles e pererecas peludas. As cenas de sexo explícito, quem diria, são o pior deste que é um FILME PORNOGRÁFICO! Confesso que me diverti bem mais com Mojica e Mário bancando os "bambambans" do cinema nacional e com as cenas que mostram os bastidores da filmagem de uma produção pornográfica do que com as trepadas, que afinal são a razão do filme existir.

Mojica, definitivamente, não nasceu para a pornografia. Como muito bem observou Ruy Gardnier no livro "José Mojica Marins - 50 Anos de Carreira", "as cenas de carnes batendo uma contra a outra não cumprem função nem de erotismo, nem de excitação sexual. Os filmes de sexo [de Mojica] não têm muita coisa de sexual". Assim, as trepadas são apenas uma seqüência de closes, que não permitem identificar quem está comendo e quem está dando - seguidas por takes im-pa-gá-veis dos sujeitos fazendo exageradas caras de prazer!!!


Realmente divertidas, portanto, são cenas absurdas como a do sujeito que, em meio à maratona, tem um princípio de infarto e cai estatelado no chão - e Mojica incentiva os outros atores a continuarem transando, dizendo que aquilo é "um acidente normal de trabalho", enquanto médicos retiram o pobre coitado de cena! Ou a "pausa para o lanche" da maratona, com o pessoal pelado comendo aperitivos que, muito provavelmente, acabaram cobertos de pentelhos (hahahaha).

Ou, ainda, uma cena nada a ver com sexo em que Mojica, Mário, a dra. Margareth e seu futuro noivo vão jantar numa churrascaria (!!!), e somos brindados com uma nada erótica "participação especial" do cantor Carlos Lombardi, cantando o tango "El Dia que Me Quieras", de Gardel, coisa que combina 100% com um filme pornô (e tenho certeza que o próprio Lombardi "adorou" ser incluído como participação especial numa produção X-Rated!).

E se as cenas de sexo são genéricas, sem-graça e bem nojentas, com uma trilha sonora de pomposas músicas românticas que só piora tudo, em alguns momentos a coisa é tão tosca que também se torna divertida. Como quando Sílvio Júnior, na véspera de encerrar as 48 horas da maratona, não consegue gozar mesmo sufocado de mulheres nuas, e então afasta todas e diz: "Vou ter que usar minha arma secreta!". Põe-se, então, a descascar a banana enquanto faz uma expressão concentradíssima de monge budista, um momento tão constrangedor quanto engraçado.



O roteiro escrito por Lima também reserva alguns diálogos simplesmente brilhantes, como "Pra ganhar esse campeonato eu meto em qualquer buraco" ou a poética frase "Eu vou é comer o cu desse filha da puta, ele vai é se foder!". E num momento em que Mojica e Mário discutem no filme, é impossível não lembrar de o quanto os dois brigavam na vida real: "Mas você foi se comprometer com esse tipo de coisa? Eu acho que você quer é arruinar a nossa vida! Você endoideceu, Mário!".

E graças a esta curiosa brincadeira de metalinguagem (a dupla produzindo uma continuação de seu sucesso; Mojica "dirigindo" as cenas de sexo), e à bizarra fantasia sexual envolvendo a vaca mecânica, 48 HORAS DE SEXO ALUCINANTE é um daqueles raros filmes pornográficos que valem mais pela "história", se é que dá para chamar assim, do que propriamente pelo "sexo alucinante", que está mais para sexo BROXANTE do que para qualquer outra coisa.


Infelizmente, a seqüência não teve o mesmo impacto do original. Enquanto em "24 Horas de Sexo Explícito" a novidade era a cena de zoofilia, quando a continuação saiu, apenas um ano depois, já estava ultrapassada (!!!), pois todos os produtores da Boca do Lixo abriram as portas do zoológico para faturar em cima da nova febre - "Mulheres Taradas por Animais", que Ody Fraga dirigiu em 1985, trazia cenas com bode, anta, cavalo e até um leão, que felizmente só assistia.

Resultado: a bilheteria foi bem abaixo do esperado e não sobrou grana para Mojica filmar seu tão sonhado "Encarnação do Demônio" (Mário Lima tinha prometido investir o lucro que tivessem num novo filme do Zé do Caixão).

48 HORAS DE SEXO ALUCINANTE fica, então, como um impagável registro de uma era que não volta mais, reunindo algumas das caras (e genitais) mais conhecidas da Boca do Lixo, e alguns momentos entre o genial e o bizarro que só podiam ter saído da cabeça de José Mojica Marins, aqui visivelmente mais preocupado em contar uma história sobre as dificuldades de fazer cinema (mesmo pornô) no Brasil do que em mostrar penetrações e gozadas (estas aparecem como "brinde", e não como atração principal).


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48 Horas de Sexo Alucinante (1986, Brasil)
Direção: José Mojica Marins
Elenco: Mojica, Mário Lima, Andrea Pucci
Oswaldo Cirilo, Sílvio Júnior, Antônio Rody,
Walter Gabarron e Eliane Gabarron.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

OS CLONES DE BRUCE LEE (1977)


A carreira cinematográfica do astro chinês Bruce Lee foi relativamente curta, se começarmos a contar da sua primeira aparição com papel principal na tela grande (em "O Dragão Chinês", de 1971) até sua morte prematura em 1973. A bem da verdade, ele só participou de quatro filmes completos ("O Dragão Chinês", "A Fúria do Dragão", "O Vôo do Dragão" e "Operação Dragão"), e filmou uns 15 minutos de outro antes de bater as botas (este foi completado com a ajuda de dublês após sua morte, transformando-se em "O Jogo da Morte").

Mas Bruce Lee é um daqueles casos raros em que a lenda é maior que o homem. Só isso pode explicar a existência de pelo menos 48 filmes com "Bruce Lee" no título, sabendo-se que ele atuou oficialmente em apenas quatro - ou cinco, com muita boa vontade.

Nos primórdios do FILMES PARA DOIDOS, eu resenhei uma pérola trash chamada "Bruce Lee Fights Back From the Grave", e lá expliquei sobre a brucesploitation, a exploração da fama do falecido Bruce Lee em uma série de filmes bagaceiros estrelados por sósias do astro, apropriadamente batizados como Bruce Le ou Bruce Li. Estes filmes normalmente eram vendidos como produções estreladas pelo verdadeiro Bruce Lee. Além de sem-vergonhice da grossa, a tática era inquestionavelmente mórbida: imagine família e amigos do falecido ator sendo obrigados a engolir filmes como "The Death of Bruce Lee", que inclusive trazia uma foto do verdadeiro cadáver do ator, feita no seu funeral, num canto do cartaz de cinema!!!


Porém o golpe mais apelativo da brucesploitation foi uma preciosidade inestimável chamada OS CLONES DE BRUCE LEE (que no Brasil ainda recebeu o subtítulo "As Réplicas Mortíferas" na época de seu lançamento em VHS). Entre todos os "elogios" que já escreveram sobre o filme, estão frases como "o Monte Rushmore da brucesploitation" ou "o 'Plan 9 From Outer Space' dos filmes de ação de Hong-Kong". Acredite: todos estes "elogios" são merecidos: o "filme" é tão ruim, tão mal-feito, tão tosco, tão apelativo, tão cretino em todos os níveis que acaba se tornando engraçado. Isso, claro, se você for um apreciador de FILMES PARA DOIDOS. Caso contrário, assisti-lo será tão divertido quanto fazer uma colonoscopia com arame farpado. Nem o Uwe Boll se esforçando muito conseguiria fazer algo tão ruim.

OS CLONES DE BRUCE LEE foi cometido pelo diretor Joseph Velasco (com o pseudônimo "Joseph Kong") e pelo produtor norte-americano Dick Randall em 1977, com a intenção de faturar uns cobres no auge da brucesploitation, até porque o mercado de filmes de pancadaria made in Hong-Kong estava dando bastante dinheiro no Ocidente. Velasco já havia dirigido ele mesmo alguns filmes para aproveitar o filão, como "Bruce's Deadly Fingers", de 1976, e "Ninja Versus Bruce Lee/Return of Bruce", de 1977, ambos estrelados por Bruce Le, um dos muitos imitadores de Bruce Lee.

Este aqui, como o título já denuncia, é uma pérola da apelação, pois Bruce Lee e sua morte são citados abertamente o tempo inteiro. Além disso, o filme parte de uma idéia que não deixa de ser genial: juntar numa única produção quatro imitadores do falecido astro - Dragon Lee (aka Vyachaslev Yaksysnyi), Bruce Le (aka Kin Lung Huang), Bruce Lai (aka Chang Yi Tao) e Bruce Thai (aka ???????).


Os primeiros cinco minutos de OS CLONES DE BRUCE LEE são, ao mesmo tempo, uma aula de cinema exploitation e trash: um sósia de Bruce Lee é levado à UTI de um hospital chinês, já à beira da morte - e no caminho todas as enfermeiras suspiram coisas do tipo: "Ai meu Deus, é o Bruce Lee", para não deixar dúvidas no espectador. Em poucos minutos, provavelmente graças à inexperiência dos médicos, o pobre Bruce acaba morrendo. Era esperado, dadas as condições da UTI em que foi operado: vamos dizer apenas que a sala de cirurgia tem janelas (!!!), e com os vidros abertos ainda por cima, e não há nem mesmo um monitor de freqüência cardíaca, pois o médico escuta os batimentos do coração de Bruce Lee com um simples estetoscópio!!!! Será que o pobre coitado foi atendido pelo SUS?

Eis que surge em cena o agente Collins, do SBI (Special Branch of Investigation, olha a inteligência do roteiro!), que convoca um cientista, o Prof. Lucas, para encontrá-lo no hospital onde "Bruce Lee" acabou de morrer. Pois sem qualquer autorização da equipe médica ou da família do falecido astro, o cientista retira uma amostra de sangue e células do cadáver para, vejam só, construir clones de Bruce Lee, já que o SBI pretende utilizar estas cópias do mestre das artes marciais como agentes secretos em missões perigosas ao redor do mundo.


Calma lá, calma lá: que sentido faz clonar um conhecido e popularíssimo astro de cinema como Bruce Lee para usar como AGENTE SECRETO? Bom, claro que isso acaba não fazendo muita diferença no filme, até porque os "clones" não saem assim tão parecidos com o verdadeiro Lee (o único que tem certa semelhança física é Dragon Lee). Onde já se viu clone sair diferente do original? Ah, deixa pra lá...

Além disso, em nenhum momento do filme qualquer um dos vilões desconfia estar diante de uma cópia de Bruce Lee, mesmo quando um dos clones é mandado para se infiltrar secretamente... num estúdio de cinema que está produzindo um filme de artes marciais!!!



Prontos os clones, que atendem pelos criativos nomes de Bruce Lee One (Dragon Lee), Bruce Lee Two (Bruce Le) e Bruce Lee Three (Bruce Lai, o menos parecido do trio), o cientista faz com que eles passem por uma bateria de treinamentos de artes marciais, para poderem lutar como o Bruce Lee original. E isso inclui aulas com Bolo Yeung, que foi aluno do verdadeiro Lee e chegou a lutar contra ele no filme "Operação Dragão".

Após o treinamento, os clones são enviados para missões que soam como episódios curtos dentro do filme. Bruce Lee One é o tal enviado como agente secreto para um estúdio de Hong-Kong, onde deve investigar um produtor chamado Chai Lo, que nas horas vagas é traficante de ouro. Lo acaba suspeitando do novato e pede que seus capangas dêem um fim nele. O diretor do filme dentro do filme sugere matá-lo diante das câmeras para depois faturar horrores de bilheteria - morbidamente, o filho do verdadeiro Bruce, Brandon Lee, morreu em frente às câmeras durante as filmagens de "O Corvo", nos anos 90! Mas é claro que Bruce Lee One está preparado e, após detonar todos os assassinos, acaba pessoalmente com Chai Lo, justo quando ele estava fugindo com seu ouro (um monte de tijolos comuns porcamente pintados com tinta dourada).

Corta para a segunda missão, agora com Bruce Lees Two e Three lutando juntos contra um cientista malvado chamado Dr. Nye (Dr. No, alguém?), que não apenas tem um harém particular de mulheres nuas, como ainda pretende dominar o mundo (começando pela Tailândia!!!) usando sua fórmula que transforma homens comuns em lutadores indestrutíveis feitos de bronze (no caso, um monte de figurantes de sunguinha e o corpo coberto com a tinta dourada que sobrou da pintura dos tijolos do segmento anterior).


Para ajudar os dois clones, entra em cena um outro agente do SBI chamado Chuck, que é interpretado também por um imitador de Bruce Lee, Bruce Thai. E, embora ele não apareça oficialmente como clone no filme, ironicamente o cara é o MAIS PARECIDO com o verdadeiro Bruce Lee dos quatro! Dá pra acreditar?

Este segmento é de longe o mais trash do filme inteiro. Os homens-bronze indestrutíveis têm como único ponto fraco a ingestão de uma erva venenosa, que os heróis precisam enfiar na goela deles, rendendo cenas constrangedoras como estas aí embaixo:



Como os tais homens de bronze são apenas uns manés pintados com tinta dourada, os Bruces também acabam com as mãos e braços dourados a cada golpe que dão neles! E há uma cena sem qualquer fundamento em que Bruce Lai e Bruce Thai vão à praia de sunguinha apenas para encontrar um grupo de garotas completamente peladas, que não faz nada além de passar bronzeador no corpo em close! O termo "nudez gratuita" nunca caiu tão bem...

E eis que OS CLONES DE BRUCE LEE termina com o Prof. Lucas ficando maluco e sonhando ele próprio com a dominação mundial, no que é o terceiro e último segmento do filme. Para concretizar seu plano, e vá entender o porquê disso, o cientista resolve escolher o mais forte dos três clones para ser seu capanga, ao invés de usar o trio completo, e acaba mandando os Bruces lutarem entre si até a morte. É o ponto alto do filme: a oportunidade de conferir três imitadores de Bruce Lee, cada um com suas próprias características de luta, trocando porradas! Definitivamente, algo que não se vê todo dia...


Infelizmente, como filme de artes marciais, OS CLONES DE BRUCE LEE é bem fraquinho. As lutas se resumem ao tradicional "bate-bloqueia-bate", e após as duas ou três primeiras pancadarias o repeteco perde toda a graça. E olha que é um festival de surras e porradas: há uma luta a praticamente cada cinco minutos! Claro que a história poderia ter ficado interessante se enfocasse detalhes como a forma de pensar e o sentimentos dos clones. Exemplo: Como eles se sentem sendo cópias de um astro morto? Quanto das memórias de Bruce Lee eles tinham, se foram obrigados a reaprender a lutar? Mas é óbvio que não era esta a proposta do filme.

Assim, o melhor de tudo é o clima trash dessa aventura pobre e tosca. Começa com os supostos clones, que tentam imitar Lee nos mínimos detalhes, dos gritinhos afeminados durante as lutas ao cacoete que Bruce tinha de ficar coçando o nariz enquanto provocava os rivais. Também tem uma cena impagável em que três imitadores do astro (Bruce Le, Bruce Lai e Bruce Thai) aparecem em cena juntos usando óculos escuros de modelo igual ao do verdadeiro Bruce, o que só serve para confundir mais o espectador, que não sabe quem é quem. Isso sem contar os erros à la Bruno Mattei. Lá pelas tantas, por exemplo, uma mulher completamente nua puxa uma faca do nada para atacar um dos clones. Agora eu me pergunto: de onde ela tirou essa faca? (E a provável resposta chega a me dar arrepios...)



Já a pobreza franciscana da produção e da direção, com cenários horríveis e objetos de cena idem (o "laboratório" onde são criados os clones consegue ser pior que qualquer cenário já elaborado por Ed Wood), é uma atração à parte. Tanto que o filme termina abruptamente, sem qualquer desfecho para a trama e sem sequer ter créditos finais (vai ver faltou grana na finaleira da produção).

Assim, ficamos sem saber o que foi feito dos clones de Bruce Lee: será que continuaram trabalhando como agentes secretos para o SBI ou abandonaram a vida de 007 para seguir carreira como astros de cinema, na ausência do verdadeiro Bruce?

A julgar pela quantidade de filmes brucesploitation que todos eles ainda estrelariam, imagino qual é a resposta para esta pergunta...

Trailer de OS CLONES DE BRUCE LEE


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The Clones of Bruce Lee (1977, Hong-Kong)
Direção: Joseph Kong (Joseph Velasco)
Elenco: Bruce Le, Dragon Lee, Bruce Lai,
Bruce Thai, Jon T. Benn, Tao Chiang,
Siu-Lung Leung e Bolo Yeung.



A pedidos, a morte de Bolo Yeung