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sábado, 4 de abril de 2009

Os filhotes do "filme visionário"


Lembra quando eu escrevi, lá atrás, que sempre achei a graphic novel "Watchmen" infilmável, e que mesmo com a fidelidade mostrada no filme de Zack Snyder continuava pensando do mesmo jeito?

Pois agora os produtores da versão cinematográfica estão começando a lançar os primeiros filhotes do "filme visionário" (sim, isso é uma ironia), ou "spin-offs" de WATCHMEN - O FILME, com o objetivo de ampliar o universo fantástico concebido por Alan Moore e Dave Gibbons. Especialmente para aqueles que nunca leram os quadrinhos e, de certa forma, devem ter ficado boiando no cinema, ou pelo menos não entenderam certas coisas como deveriam.

Para estes: "Watchmen", no gibi, não era apenas uma historinha de super-heróis, muito pelo contrário. Ao final de cada um dos 12 capítulos, os autores apresentavam trechos de livros, páginas de revistas com entrevistas, correspondências, reproduções de jornais... Enfim, um monte de material fictício envolvendo os personagens da história, e que ajudava a mergulhar o leitor naquele mundo bizarro através de TONELADAS de textos (inclusive confesso que, quando li a minissérie pela primeira vez, isso no começo dos anos 90, pulei vários destes textos por pura impaciência, e só fui lê-los agora, ao adquirir a "Edição Definitiva" encadernada).


Na ordem de publicação, as 12 edições originais da graphic novel traziam, como "material extra", capítulos do livro "Sob o Capuz", escrito pelo primeiro Coruja, Hollis Mason, narrando sua carreira como super-herói e o surgimento (e os podres) do grupo de mascarados que ele integrava, os Minute Man; um ensaio de um certo professor Milton Glass sobre a importância do Dr. Manhattan na Guerra Fria, chamado "Dr. Manhattan: O Super-Homem e as Superpotências"; um capítulo de um livro chamado "A Ilha do Tesouro - A Tesouraria dos Quadrinhos", exclusivamente sobre a criação da HQ "Contos do Cargueiro Negro" (que um personagem secundário lê em vários capítulos da graphic novel); documentos retirados do arquivo policial sobre Walter Kovacs (o Rorschach), reproduzindo inclusive redações e desenhos que ele escreveu na infância, quando estava internado em um orfanato; o artigo "Sangue dos Ombros de Palas", publicado por Daniel Dreiberg (o segundo Coruja) num jornal de ornitologia; um exemplar do jornal de direita New Frontiersman defendendo a existência dos heróis mascarados, e com uma reportagem sobre o desaparecimento do escritor dos "Contos do Cargueiro Negro" (um detalhe essencial na graphic novel, mas não-aproveitado no filme com a mudança do final); recortes de jornal e cartas guardadas por Sally Júpiter, a primeira Espectral; cartas de Adrian Veidt ao seu departamento de marketing, sugerindo o desenvolvimento de novos produtos; e finalmente uma entrevista com Veidt num exemplar da revista Nova Express de 1975.

Precisa dizer que pouco ou nada deste material foi aproveitado em WATCHMEN - O FILME? No caso, um dos grandes problemas do filme é a ausência dos capítulos de "Sob o Capuz", que deixou beeeem no ar as histórias sobre o primeiro grupo de heróis e como a experiência acabou mal (o que é mostrado de maneira bem resumida na brilhante seqüência de créditos iniciais do filme, ao som de "The Times They Are A'Changin", de Bob Dylan).


Além disso, o filme não traz a história de piratas "Contos do Cargueiro Negro", que invadia a ação em diversas partes da graphic novel, através de um rapaz que aparece lendo a revista ao lado de um jornaleiro durante a iminência da guerra nuclear entre EUA e Rússia (por sinal, tanto o rapaz quanto o jornaleiro mal aparecem no filme, apenas de relance no final, e devem ter sua participação aumentada na "director's cut").

Eis, então, que agora surgem os "extras" de WATCHMEN para tentar preencher o vazio deixado pela inexistência deste material extra da graphic novel. E em breve estará chegando em DVD no Brasil WATCHMEN - OS CONTOS DO CARGUEIRO NEGRO, que de lambuja também traz o documentário SOB O CAPUZ.

Ao que parece, Zack Snyder e sua trupe filmaram uma quantidade absurda de material extra justamente para tentar adaptar o máximo possível do universo dos quadrinhos. Além destes dois filminhos que estão saindo em DVD, há inúmeros outros jogados diretamente no YouTube, como dezenas de comerciais de TV fictícios dos produtos das empresas Veidt (um deles apresenta o Método Veidt de fisicultura, conforme existia nos quadrinhos); um filme-educativo de 1977 intitulado "The Keene Act and You", que tenta justificar o ato político que encerrou oficialmente a atividade de heróis mascarados nos Estados Unidos; e cenas retiradas do noticíario NBS Nightly News de 1970, falando sobre os fantásticos poderes do Dr. Manhattan, entre outros. Acredito que tudo isso será reunido numa futura "Ultimate Edition" em DVD triplo, só pra faturar uns cobres da galera.

Mas vamos à análise dos primeiros filhos bastardos de WATCHMEN: os quadrinhos "Contos do Cargueiro Negro" foram adaptados para o cinema em forma de desenho animado, neste caso uma animação de 25 minutos escrita por Zack Snyder e Alex Tse (diretor e roteirista do filme) e dirigida por Mike Smith e Daniel DelPurgatorio.


Fica meio estranho assistir assim, deslocado da trama do filme, e confesso que fiquei curioso para saber se a narrativa iria funcionar caso fragmentos da animação fossem incluídos na montagem de WATCHMEN, mais ou menos como acontecia na graphic novel, em que o gibi invadia o gibi. Em todo caso, é uma curiosidade para quem não leu os quadrinhos e quer conhecer a famosa historinha de piratas.


A animação relata o drama de um marinheiro solitário (dublado por Gerald Butler, astro de "300", também dirigido por Snyder) após seu navio e sua tripulação serem destruídos pelo diabólico Cargueiro Negro. Perdido numa ilha no meio do oceano e rodeado apenas pelos cadáveres dos companheiros, ele resolve construir uma "jangada de mortos" (idéia brilhante) para retornar à cidade onde vive e alertar os moradores, especialmente sua esposa e filhos, sobre a iminente chegada dos sanguinários piratas. À medida que atravessa mil perigos, o marinheiro vai enlouquecendo e encaminhando a trama para um final trágico.


Em primeiro lugar, a violência da narrativa original na HQ foi quintuplicada, com muito sangue e detalhes nojentos dos cadáveres decompostos se esfacelando. Uma "liberdade poética" da adaptação são as conversas do náufrago com o cadáver de um dos seus companheiros, de quem, após um ataque de tubarões, o protagonista só consegue salvar a cabeça decepada, que guarda obsessivamente como única companhia na viagem (uma versão escatológica do "Wilson" de "Náufrago", talvez?). Mas a animação ficou realmente muito boa. É uma pena que acabou não sendo encaixada em momento algum do filme.


SOB O CAPUZ na verdade é um episódio do programa (fictício, claro) "The Culpeper Minute", que teoricamente teria sido exibido nos anos 80 e traz uma entrevista com Hollis Mason sobre sua autobiografia, "Sob o Capuz", e assim aproveita para traçar um histórico sobre o surgimento e desaparecimento do primeiro grupo de heróis mascarados dos Estados Unidos, os Minute Man, usando uma tonelada de fotos falsas e filmes de época.

O filminho tem 37 minutos e diversos "intervalos comerciais" com produtos da época (como relógios digitais da Cassio) e outros fictícios, relacionados ao universo da graphic novel (é o caso do perfume Nostalgia, das indústrias Veidt). Foi dirigido por Eric Matthies e escrito por Hans Rodionoff, que se baseou nos capítulos de "Sob o Capuz" reproduzidos na graphic novel e numa entrevista de Sally Júpiter que também aparecia nos quadrinhos.


Embora seja fraquinho como "falso documentário", já que os atores falham em passar a impressão de aquilo tudo é real (principalmente Carla Gugino na sua entrevista como Sally Júpiter), SOB O CAPUZ vale principalmente por apresentar o universo do Minute Men a quem não leu os quadrinhos e portanto não recebeu muitas informações sobre eles através do filme de Snyder.

Utilizando ótimos filmes de época em preto-e-branco, finalmente são mostrados os gloriosos atos dos primeiros heróis dos anos 40 e 50, como Dollar Bill (interpretado por Dan Payne), Capitão Metrópolis (Darryl Scheelar) e Justiça Encapuzada (Glenn Ennis), entre outros.




Este extra também dá mais tempo em cena para o ator Stephen McHattie, que interpreta Mason, o primeiro Coruja, e foi praticamente ignorado no filme (inclusive seu trágico destino nos quadrinhos nem aparece na versão cinematográfica, a não ser que esteja nas cenas a mais que veremos na director's cut de Snyder).


É ele quem mais aparece no documentário, contando ao "repórter" Larry Culpeper (interpretado por Ted Friend) como iniciou sua carreira como policial e resolveu tornar-se herói mascarado para combater o crime após o surgimento do pioneiro Justiça Encapuzada. Seguindo fielmente o texto da graphic novel, Mason relata as dificuldades da época, o surgimento do nome Coruja e até o processo de criação do uniforme, chegando finalmente à formação dos Minute Men.

Na segunda parte do documentário, fala-se sobre a polêmica Lei Keene e seu trágico efeito sobre os heróis mascarados, também seguindo fielmente o texto da graphic novel. Aparecem ainda entrevistas com o psiquiatra que, no filme, é responsável por acompanhar Rorschach após sua prisão; com o marido e empresário de Sally Júpiter, Lawrence Shexnayder; com o ex-vilão Moloch, e com o cientista e amigo do Dr. Manhattan, Wally Weaver, além de uma "tentativa de entrevista" com o Comediante. Todos os atores do filme aparecem de volta aos seus papéis, o que torna o trabalho bastante interessante.


Mas o melhor de SOB O CAPUZ, como escrevi lá atrás, é a reconstituição do universo dos mascarados como se fosse real, tal a riqueza de detalhes, fotografias e filmes de época mostrando os atos dos Minute Men. Fico imaginando o custo e o trabalho que deu para fazer tudo isso APENAS para utilizar num documentário de meia hora, o que dá uma idéia do carinho que o "visionário" Snyder tem pela graphic novel e a sua louvável tentativa de adaptar o máximo possível do texto da HQ para o cinema - embora, infelizmente, eu acredite que apenas uma pequena parcela do público de cinema de WATCHMEN vá perseguir este material extra.

O roteiro de SOB O CAPUZ também toma algumas liberdades poéticas em relação ao texto original escrito por Alan Moore nos quadrinhos, e sempre que o faz é com resultado negativo. Por exemplo, ao abordar a tentativa de estupro da primeira Espectral pelo Comediante (algo que aparece no filme), o documentário mostra uma entrevista com a moça e também com seu marido Lawrence, onde ambos negam veementemente o acontecido. Mas, nos quadrinhos, Sally Júpiter não apenas reconhecia a tentativa de estupro, como ainda perdoava o Comediante numa entrevista.


Infelizmente, o documentário não se aprofunda no triste fim da primeira leva de heróis mascarados, sem mostrar o assassinato de Dollar Bill durante um assalto a banco (porque sua capa ficou presa na porta giratória da entrada!), nem o fato de o Traça ter sido internado num manicômio por problemas relacionados ao alcoolismo (imagens destes acontecimentos são representadas nos créditos de abertura de WATCHMEN, mas é uma pena que não estão aqui também).

Enfim, o que importa é que tanto OS CONTOS DO CARGUEIRO NEGRO quanto SOB O CAPUZ funcionam como inteligentes e riquíssimos materiais extras para ampliar a trama de WATCHMEN aos não-iniciados na graphic novel. E certamente será muito legal ver uma futura edição especial em DVD reunindo todo este material extra e também os vídeos do YouTube, o que dará aos nerds deste planeta material suficiente para uma vida inteira de comparações entre filme e HQ.


Pessoalmente, acho que Snyder e sua trupe fizeram um belo trabalho produzindo este material para poder trabalhar com fatos e informações que não seria possível incluir no filme - a não ser que, como eu escrevi na minha análise anterior, a HQ tivesse sido adaptada na forma de uma minissérie luxuosa em capítulos, o que permitiria trabalhar com todo este material extra integrado à edição. Dado o desrespeito de alguns outros realizadores com a fonte que adaptam (vide "Constantine" e, principalmente, "A Liga Extraordinária"), o esforço do "visionário" (hahahaha) Snyder deve ser reconhecido.

Mas recomendo que ninguém compre o DVD caça-níqueis com estes dois "spin-offs" do filme, já que tudo está disponível livremente na internet. É melhor esperar pela futura edição especial que, acredito, não vá demorar muito a sair. Pelo menos no exterior, porque aqui todos sabemos como estas coisas funcionam...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

THE KENTUCKY FRIED MOVIE (1977)


É incrível a quantidade de boas comédias que ficaram inéditas em nossas videolocadoras, nunca ganharam uma segunda chance em DVD e hoje são praticamente desconhecidas para toda uma geração. É o caso deste THE KENTUCKY FRIED MOVIE, que, pelas minhas memórias, chegou a passar algumas vezes na extinta Sessão Comédia da Globo (aquela que era exibida no horário mais ingrato possível, às três da matina das segundas-feiras), mas nunca foi comercialmente lançado no país.

Uma pena, considerando que este foi o filme que lançou, de uma única vez, as carreiras do diretor John Landis (que vinha de uma obscura comédia de baixo orçamento, "Schlock", mas ficou famoso a partir daqui) e do "trio ZAZ" (os irmãos David e Jerry Zucker e o amigo Jim Abrahams). Todos eles seriam os grandes nomes da comédia da década de 80, Landis com filmes como "Trocando as Bolas", "Os Três Amigos" e "Os Irmãos Cara-de-Pau", e o trio ZAZ com suas célebres sátiras "Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu", "Top Secret", "Corra que a Polícia Vem Aí!" e "Top Gang" - sátiras que deram origem a incontáveis imitações recentes sem um pingo do talento.

Bem, em primeiro lugar, minhas desculpas aos que gostam de ler textos ilustrados com fotos, mas este é o tipo de filme que você precisa postar vídeos dos momentos mais engraçados, e eu realmente sugiro que vocês assistam estes vídeos - são curtinhos e muito, MUITO DIVERTIDOS! Eles já dão uma boa idéia do que esperar do conjunto, e depois desta amostra grátis vocês com certeza vão querer correr atrás do filme na íntegra.

Um cinema com "Feel-a-Round"


THE KENTUCKY FRIED MOVIE tem este título porque os Zucker e Abrahams tinham, desde 1971, um grupo humorístico chamado “The Kentucky Fried Theater” (gozação com uma famosa marca de frango frito norte-americana chamada Kentucky Fried Chicken). Eles eram especialistas em escrever e encenar esquetes satíricos, de humor negro ou apenas comicamente idiotas, no estilo do que faziam, na mesma época, os ingleses do grupo Monty Python (embora sem chegar aos pés dos geniais Pythons). E é exatamente disso que se trata o longa-metragem de estréia do grupo no cinema: uma seqüência de esquetes sem história definida, satirizando programas de TV, trailers de filmes, comerciais e com algumas besteiras no meio.

Quem já conhece outras obras do Trio ZAZ vai perceber de cara que isso aqui é mais obra deles do que de Landis. Em primeiro lugar, ao contrário de supostas sátiras cinematográficas recentes, que são uma bosta, esta aqui consegue fazer piada de filmes e de seus clichês de maneira genérica, sem obrigar o espectador a assistir outros 30 filmes para entender as piadas. Em segundo lugar, já existem aqui aqueles trocadilhos de duplo sentido que eles cansaram de usar em seus filmes posteriores - no esquete que se passa durante um julgamento, por exemplo, o promotor diz que os jurados irão "ouvir uma fita", referindo-se ao som da fita adesiva arrancada do rolo!

Os momentos mais geniais do filme são os falsos trailers de filmes exploitation, blacksploitation e filmes-desastre (este gênero o Trio ZAZ se encarregaria de esculhambar posteriormente em "Apertem os Cintos..."). Prepare-se para rolar de rir com os inspirados previews de, na ordem, "Catholic High School Girls in Trouble" (frases como "Mais racista que Mandingo! Mais erótico que Garganta Profunda!" aparecem sobre cenas de mulheres nuas passando fio-dental nos dentes ou jogando tortas de merengue no traseiro de cavalos!!!), "Cleopatra Schwartz" (sobre uma negra valentona estilo Foxy Brown e seu marido judeu!!!) e "That's Armageddon" (com George Lazenby, Victoria Carroll e Donald Shuterland!!!). Estes três trailers são mais divertidos que qualquer um daqueles trailers falsos feitos para "Grindhouse", de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

Trailer de THAT'S ARMAGEDDON



Trailer de CLEOPATRA SCHWARTZ


Além disso, o segmento mais longo do filme é justamente um falso filme que brinca com os clichês das produções de pancadaria de Hong-Kong, que estavam na moda na época, e é uma clara sátira a "Operação Dragão", o clássico de Bruce Lee. Chama-se "Por Um Punhado de Ienes", e mostra um lutador de kung-fu e agente secreto (Evan Kim) infiltrando-se na organização do maléfico Dr. Klahn (Bong Soo Ham), que na luta final usa uma afiada garra metálica estilo "Operação Dragão".

Este episódio é impagável e faz piadas divertidíssimas com cenas comuns aos filmes de Hong-Kong, como o uso excessivo de câmera lenta e a necessidade que o herói tem de aparecer sem camisa nas cenas de luta - Evan Kim inclusive faz uma paródia impagável daquele jeitão do Bruce Lee.

Cena de POR UM PUNHADO DE IENES



(Tanto este filme falso comos os trailers falsos são anunciados como produções de "Samuel L. Bronkowitz", uma brincadeira com os nomes dos produtores Samuel Bronston e Joseph L. Mankiewicz!)

Outras duas piadas memoráveis são a sessão de cinema com "Feel-a-Round" (um funcionário do cinema fica atrás do espectador fazendo com que ele sinta na pele as ações executadas na tela!!!) e um falso filme educativo, "Óxido de Zinco e Você", que mostra "o que aconteceria" se o óxido de zinco não existisse (várias coisas vão desaparecendo do cenário, com resultados catastróficos).

"Óxido de Zinco e Você!"


Além dos nomes já citados, THE KENTUCKY FRIED MOVIE tem pequenas participações dos próprios Zucker, Abrahams e Landis (este último lutando com o gorila no episódio do programa de TV), de Bill Bixby, da estrelinha blacksploitation Marilyn Joi, da linda (e obviamente pelada) Tara Strohmeier (de "Hollywood Boulevard"), de Forrest J. Ackerman (editor da revista "Famous Monsters of Cineland), do maquiador Rick Baker, de Leslie Nielsen e do ator Henry Gibson interpretando ele mesmo, num comercial da organização "United Appeal For The Dead", que defende levar uma vida normal com familiares já falecidos (e que é um pequeno clássico do humor negro).

United Appeal For the Dead



Não vou enganar o leitor dizendo que THE KENTUCKY FRIED MOVIE é alguma obra-prima ou genialidade, mas inegavelmente é um filme bastante divertido, daqueles que imploram para serem vistos em turma e bebericando uma cervejinha gelada. Há esquetes estúpidos, como o já citado do julgamento e outro em que um gorila escapa durante a transmissão ao vivo de um programa de TV e acaba invadindo vários trechos do telejornal. O comercial de uma refinaria de petróleo, anunciando que está retirando óleo das acnes do rosto de adolescentes, dos pentes usados pelos italianos e da fast-food comercializada nos EUA, também é sem graça.

Porém, sendo rápido, curto e engraçado na maior parte do tempo, principalmente para fãs de cinema e dos filmes de Landis e do Trio ZAZ, THE KENTUCKY FRIED MOVIE é uma prova de como antigamente até as comédias bestas eram inteligentes, e como hoje, infelizmente, vivemos numa era de sorrisos amarelos e piadas repetidas. A não ser que alguém queira me convencer de que pretensas "comédia" como "Os Espartalhões" são divertidas.

PS 1: Alguns sites consideram a igualmente divertida (porém superior) comédia "As Amazonas na Lua", de 1987, como sendo seqüência deste filme. Não achei confirmação oficial, mas o formato de ambas (seqüência de esquetes satirizando filmes e a programação televisiva) e a presença de John Landis como um dos diretores em "As Amazonas na Lua" são a principal relação entre as duas produções.

PS 2: Ia terminar o texto resmungando que não fazem mais comédias episódicas assim, até que descobri um tal de "The Onion Movie", lançado em 2008 e realizado no mesmo formato de THE KENTUCKY FRIED MOVIE. Ainda não vi para conferir, mas tem até Steven Seagal no trailer falso de um filme chamado "The Cock Puncher"!!! Acho que vale procurar...

John Landis fala sobre THE KENTUCKY FRIED MOVIE



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The Kentucky Fried Movie (1977, EUA)
Direção: John Landis
Elenco: Marilyn Joi, David Zucker, Robert
Starr, Tara Strohmeier, Jim Abrahams, Jerry
Zucker, George Lazenby, Donald Shuterland,
Bill Bixby, Rick Baker e muitos outros.