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sexta-feira, 10 de junho de 2011

WET WILDERNESS (1976)


Até a década de 1960, filmes sensacionalistas sobre sexo (os famosos "sexploitation") limitavam-se a produções baratas e quase inofensivas com mulheres nuas e cenas implícitas, até bem comportadas. Eram os chamados "nudies". Porém, já a partir da metade desta década - em grande parte por causa da sensação "the dream is over" provocada por desgraceiras como a Guerra do Vietnã -, os nudies deram lugar aos "roughies", filmes mais sérios e pesados que mostravam, sem pudor, cenas de violência contra mulheres, geralmente envolvendo sequestro, estupro e assassinato.

Diretores famosos como Russ Meyer, Herschell Gordon Lewis e Wes Craven dirigiram seus próprios roughies - respectivamente "Lorna" (1964), "Scum of the Earth" (1963) e "Aniversário Macabro/Last House on the Left" (1972) -, e a partir dos anos 70 começariam a surgir as primeiras obras explícitas nessa linha, como "Forced Entry" (1973) e "Hot Summer in the City" (1976), ambos pornôs sobre estupros e estupradores, sendo que este último supostamente é o filme pornográfico preferido de um tal de Quentin Tarantino...


Produzidos para platéias de depravados interessados em temas moralmente discutíveis, os roughies eram tão baratos e mal-feitos (geralmente filmados às pressas e de forma amadora) que hoje não chocam mais nem a vovó; pelo contrário, podem ser vistos como comédias involuntárias, retratos de uma década marcada pelo exagero e pelo sensacionalismo.

Uma bela introdução (ui!) ao subgênero é WET WILDERNESS (em português literal, algo como "Lugar ermo molhado"!!!), um pornô bagaceira que até meses atrás eu nem sabia que existia, mas me foi fortemente recomendado pela leitora assídua e fã de filmes de sacanagem Daniela Monteiro - que o considera um dos seus cult movies e já reviu infinitas vezes, a ponto de saber os diálogos de cor.


Sabe-se lá se algum dia WET WILDERNESS chocou alguém, mas hoje a abordagem sensacionalista do filme e a tosquice geral da produção mais provocam risos do que náuseas. Curto e grosso, o "roteiro" conta a "história" de uma família que vai passar as férias num bosque isolado da civilização e topa com um psicopata mascarado armado com um enorme machete (e com insaciável apetite sexual, lógico).

Parece até coisa séria, e se vocês virem o trailer produzido recentemente para o relançamento da obra em DVD (na janelinha no fim da resenha), podem até ser enganados e pensar que é um terrorzão pesado. Mas não é: o amadorismo e a falta de recursos permeia cada fotograma, e é impossível não rolar de rir em toda e qualquer cena que supostamente deveria ser chocante.


WET WILDERNESS começa com créditos ao som da trilha sonora chupada de "Psicose", de Alfred Hitchcock (e tenho certeza que o mestre ADOROU a homenagem). Misteriosamente, a música fica "pulando" como se o disco estivesse riscado...

Em seguida, vemos a tal família chegando ao bosque - família que na verdade se resume a um grupo de anônimos manés olhando deslumbrados ao redor e recitando diálogos decoradinhos como "Olhe como é lindo! Olhe todas essas árvores!".


A filha e sua amiga (não tem como saber quem é quem, já que os créditos não identificam os personagens) vão dar uma voltinha no bosque e uma começa a tirar fotos desinibidas da outra (leia-se: sem roupa). E daí para rolar um rósqui-fósqui entre as moças é um pulo.

(Por sinal, a amiga da filha tem um cabelo black power tão imenso que parece esconder um universo paralelo, à la "Homens de Preto". E seu suvaco é tão peludo que pode até ser confundido com uma segunda vagina!)


Enquanto as moças curtem um sexo oral bem tímido (umas lambidinhas inofensivas), surge nosso vilão armado de facão, com uma máscara de esqui amarela onde lê-se, ironicamente, a palavra "love" escrita na testa! Ele ameaça as moças com seu fálico machete e "força" ambas a fazerem sexo oral com ele. Forçar está entre aspas porque logo fica bem claro que elas estão curtindo muito tudo aquilo...

(Mais um parêntese: os efeitos sonoros da chupação são tão exagerados que lembram as onomatopéias dos quadrinhos da Disney, tipo SLURP! Devem ter gravado uma menininha chupando picolé para dublar os boquetes...)

A filha foge enquanto o psicopata enraba sua amiga black power. Para se vingar, o vilão diz à pobre amiguinha: "Tenho uma surpresa para você. Deite e feche os olhos". E não é que a garota obedece? Pimba! Toma uma faconada na barriga pra aprender a não ser besta - e o "efeito especial" é tão obviamente feito com um facão serrado no meio que até meus filmes caseiros parecem mais realistas nesse quesito!


Quando a filha reencontra o resto da família (mãe e irmão), explica o acontecido e eles tentam escapar. Mas o vilão volta a aparecer e força todo mundo a comer todo mundo. Detalhe: quando a garota revê o estuprador, solta um nada emocionado "Not again...", ou "De novo não", como se tivesse pisado pela segunda vez em cocô de cachorro, e não encontrado pela segunda vez um perigoso assassino estuprador!!!

Nosso vilão mascarado "obriga" a mamãe a chupar seu pinto e ordena que a irmã faça o mesmo com o irmão - "Crianças aprendem com as mães", sugere. Depois, "obriga" (sempre entre aspas porque ninguém parece muito contra a vontade ali) a mãe a chupar o filho, e é de doer a barriga de rir o momento em que a mulher dá uma olhada para o pau do rapaz e lamenta com um "Sorry, son" antes de cair de boca com gosto!


Um salto absurdo na edição leva o espectador a imaginar que o vilão matou o filho enquanto mãe e filha fugiram. De qualquer jeito, elas encontram um sujeito anônimo amarrado numa árvore (negro, para justificar alguns comentários racistas). Tentam ajudá-lo, mas logo o vilão aparece pela terceira vez e força as duas mulheres a transar com o prisioneiro, antes de matá-lo a machadadas!

Por fim, nosso "estuprador" tenta completar o serviço com mãe e filha. Mas, enquanto a coroa cai de boca no malvado, a filha aproveita um momento de distração dele para fazer o que devia ter feito ainda na primeira cena, lá no começo do filme: pega o machete que o sujeito deixou esquecido de lado e...

O FILME TERMINA! Com um "The End" tosco e mais nada, deixando subentendido que a garota salvou a mãe matando ou capando o perigoso estuprador. Ou será que, numa reviravolta inesperada, a garota matou a mãe e fugiu com o vilão mascarado, à la "Assassinos por Natureza"? Você decide!


Não pensem que estes saltos na edição e a ausência de cenas são opção estética ou narrativa dos realizadores: como muitos pornôs baratos do período, WET WILDERNESS foi feito para ser exibido em cinemas fuleiros e drive-ins, sem nenhuma pretensão de que um dia fosse relançado para o formato doméstico (videocassete ainda era novidade na época, imagine então DVD e blu-ray).

Assim, as poucas cópias desse tipo de obra ainda disponíveis geralmente encontram-se em péssimo estado, e muitas vezes com partes inteiras faltando porque os projecionistas dos cinemas daquele período costumavam cortar e guardar pedaços para suas "coleções particulares". Isso talvez explique a ausência de um final propriamente dito, e também a curta duração da obra (54 minutos).


WET WILDERNESS foi escrito e dirigido por um tal de Lee Cooper (o IMDB informa que este é seu terceiro e último filme). Hoje não dá pra saber ao certo quais eram as intenções do sujeito, mas como engolir uma obra supostamente séria em que as mulheres estupradas logo passam do choro e da lamentação para a imediata excitação, inclusive se masturbando enquanto são "violadas" pelo psicopata?

O filme também tenta provocar comoção através de cenas como a que o vilão obriga a irmã a fazer sexo oral no irmão, ou o filho a fazer sexo com a mãe. Mas qualquer tentativa de criar polêmica em cima de tabus como o incesto cai por terra quando o filho come a mãe com vontade, beija de língua e ainda goza nos peitos dela; ou quando a irmã lambe a porra do irmão depois da ejaculação - aham, parece mesmo que estão fazendo a coisa à força e contra a vontade...


O amadorismo também rola solto, com grosseiros erros de continuidade (tipo o lençol xadrez que se transforma em lençol preto entre os cortes de uma cena de trepada, como vocês podem conferir nas fotos acima) e uma falta de cuidado que parece proposital. Ao mostrar o cadáver do cara morto a machadadas, por exemplo, o diretor filma por tempo suficiente para que o "ator" respire e comece a se mexer, ao invés de cortar segundos antes!

Em outra cena hilária, mãe e filha fazem um ménage a trois "forçado" com o prisioneiro enquanto o vilão assiste. Pois as atrizes nem tentam fazer a menor cara de revolta ou comoção. Inclusive a filha assiste a mãe trepando enquanto despreocupadamente espanta algumas formigas que começam a subir pela sua perna! Estão tão à vontade que parece que são "estupradas" e "forçadas" a transar com desconhecidos uma vez por semana!!!


Outrora um roughie que, quem sabe, até chocou espectadores mais sensíveis, hoje WET WILDERNESS é indiscutivelmente uma engraçadíssima (embora bizarra) comédia involuntária. Óbvio que não para todos os públicos, mas não deixa de ser hilário imaginar uma sessão dessa podreira com os amigos, regada a cerveja ou substâncias ilícitas para "entrar no clima".

Não que assistir cenas de estupro, humilhação e incesto seja exatamente o meu ideal de diversão. Mas é que a coisa aqui é tão fuleira, tão exagerada, tão mal-feita - em suma, tão idiota! - que é impossível deixar de assistir e rir muito! E é exatamente isso que caracteriza este "clássico" como um autêntico "Filme para Doidos"...


PS 1: Alguns leitores contumazes devem ter percebido que volta-e-meia eu tenho aberto espaço para filmes pornográficos aqui no FILMES PARA DOIDOS. Não é que eu seja tarado e sedento por sacanagem (tá, eu sou, mas isso não vem ao caso). Acontece que as postagens mais acessadas do blog são justamente as de filmes de putaria, sendo que as três recordistas do momento são as de "48 Horas de Sexo Alucinante" (100.106 visualizações até o momento em que escrevo esta resenha), "O Império do Sexo Explícito" (72.532 visualizações) e "Coisas Eróticas" (60.002 visualizações). Sendo assim, para manter o ibope em alta, vou tentar falar de pelo menos um pornozão por mês. Mas é claro que tem que ser um "Pornô para Doidos"...

PS 2: Nenhum dos quatro atores creditados apareceu em outro filme além deste e da obra anterior do mesmo diretor. É compreensível, embora a gata peituda que interpreta a filha seja bem jeitosinha...

PS 3: Uma salva de palmas para a Daniela Monteiro por descobrir e divulgar essas podreiras. E ainda confessar, sem medo da possível humilhação em grupos de cinéfilos, que gosta MESMO do filme!

Trailer de WET WILDERNESS



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Wet Wilderness (1976, EUA)
Direção: Lee Cooper
Elenco: Daymon Gerard, Alice Hammer,
Faye Little e Raymond North.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Filmes de mentirinha que eu queria ver - Final

COCKPUNCHER
Anos antes de brincar com sua própria imagem interpretando o vilão do decepcionante "Machete", o astro em decadência Steven Seagal já havia feito sátira no trailer falso de "Cockpuncher" (em tradução literal, "Socador de Pintos"). Esse trailer faz parte de uma comédia nonsense chamada "The Onion Movie" (2008, dir: Tom Kuntz e Mike Maguire). Ironicamente, "The Onion Movie" foi filmado em 2003, quando Seagal ainda era um astro do primeiro time começando a cair para a segunda divisão, mas a obra acabou engavetada durante anos e foi lançada comercialmente apenas cinco anos depois. Em "Cockpuncher", o ator "interpreta" um lutador que, desde criança, foi treinado por um sábio mestre oriental para dominar a arte do "cockpunching" - o que significa, claro, dar socos no saco dos inimigos. O trailer falso é rápido, mas repleto de cenas hilárias (como o "treinamento" do herói e sua roupa com um galo desenhado nas costas!!!) e frases de efeito ("You don't have the balls!"). Agora que Seagal partiu para o vale-tudo, bem que ele podia estrelar uma comédia demente satirizando os filmes de ação ao estilo "Cockpuncher", outra obra de mentirinha que eu adoraria ver!

Trailer de COCKPUNCHER





THE MOMMY
"Os Olhos da Cidade São Meus" (1987, dir: Bigas Luna) começa contando a história de um oculista que está ficando cego (Michael Lerner) e que, dominado hipnoticamente pela sua mãe (Zelda Rubinstein, a baixinha de "Poltergeist"), passa a assassinar pessoas para arrancar-lhes os olhos. Lá pela metade, numa reviravolta simplesmente genial, a câmera "se afasta" e descobrimos que na verdade isso não é a trama principal, mas sim "The Mommy", um filme dentro do filme que os personagens de "Os Olhos da Cidade São Meus" estão assistindo numa sala de cinema - e ali um psicopata "real" irá atacar, supostamente também hipnotizado pela "mãe" da obra falsa. O irônico dessa história toda é que, metalinguagem à parte, a trama do filme falso, "The Mommy", é muito mais interessante que a do filme "verdadeiro", e confesso que até fiquei chateado por não saber como terminava a trama do oculista assassino (embora desconfie que acabe de forma semelhante ao próprio "Os Olhos da Cidade São Meus"). Até porque Lerner e Zelda estão FANTÁSTICOS! Então taí: alguém devia fazer uma versão completa de "The Mommy", talvez o próprio José Mojica Marins, que desde os anos 60 promete um filme com ideia semelhante chamado "O Devorador de Olhos"!!!





LA FIN ABSOLUE DU MONDE
Em "O Chamado" (o original japonês, não aquele patético remake norte-americano), Hideo Nakata explorou de maneira genial a curiosidade mórbida do espectador: existe uma fita amaldiçoada que quem assiste morre sete dias depois, mas mesmo assim os personagens não resistem a ver a dita cuja. O mesmo conceito foi retrabalhado por John Carpenter em "Cigarette Burns" (2005), seu episódio para a primeira temporada da série de TV "Masters of Horror" (lançado no Brasil em DVD com o título "Pesadelo Mortal"). Na trama, um detetive é contratado por um colecionador de filmes raros para encontrar a única cópia existente de uma obra maldita, "La Fin Absolue du Monde", dirigida por Hans Backovic em 1971 e exibida uma única vez no Festival de Cinema Fantástico de Sitges, com resultados catastróficos: as imagens perturbadoras provocaram uma epidemia de loucura nos espectadores, que passaram a matar uns aos outros. É óbvio que a mesma coisa acontecerá aos personagens de "Cigarette Burns" no momento em que eles colocarem as mãos (e os olhos) na tal obra maldita. Esperto, Carpenter mostrou apenas uns 30 segundos de "La Fin Absolue du Monde" durante o episódio, só para atiçar a curiosidade do espectador, e é aí que percebemos como "O Chamado" faz sentido. Porque, mesmo sabendo dos supostos efeitos colaterais mortais, dá a maior vontade de ver o filme falso na íntegra...

Cenas de LA FIN ABSOLUE DU MONDE





STARKILLER
Vejam só que coisa: Joe Dante, que já havia aparecido na outra atualização com "Mant!", agora retorna à lista com outro filme falso, "Starkiller", uma ficção científica classe C cujas cenas vemos no maravilhoso "Viagem ao Mundo dos Sonhos" (1985). "Starkiller" traz o eterno coadjuvante Robert Picardo (!!!) interpretando o herói Starkiller com uma bizarra peruca loira. Acompanhado pela gata (já falecida) Karen Mayo-Chandler, ele aparece explodindo naves pra lá de fakes enquanto dispara frases de efeito como "Burn in hell, alien maggots! You shall not possess our women, slime-bred vermin!". Ou seja, "Starkiller" é "Machete" feito 25 anos antes, inclusive com a mesma ideia de um coadjuvante feio sendo alçado à protagonista (e dando uns pegas numa gostosa). Tem como não querer ver o filme? E, como todos os nerds do mundo devem saber, há uma citação nada sutil a "Star Wars": originalmente, Luke Skywalker iria se chamar Luke STARKILLER!!! (E, no filme falso, Starkiller tem até uma frase do tipo "He was like my father", para deixar bem clara a homenagem!!!)





MOSQUITO!, THE AMAZING ELECTRIFIED MAN e THE POSSESSOR
Para fechar essa tosquice que só serviu para me livrar de escrever novas resenhas de filmes (mas acabou dando tanto trabalho quanto), a cereja do bolo! "Popcorn" (1991, dir: Mark Herrier e Alan Ormsby) é um genial slasher metalinguístico injustamente esquecido, e que eu acho muito, mas muito melhor que a série "Pânico", por exemplo. Na trama, estudantes que promovem um festival de filmes de horror antigos num velho cinema são mortos por um psicopata. Mas o melhor de "Popcorn" são as cenas dos filmes falsos exibidos durante a trama, entre um assassinato e outro:

"Mosquito!" é uma brincadeira com aqueles filmes dos anos 50 sobre animais gigantes produzidos pela radiação, e mostra um mosquitão de plástico voando pelo cenário e sugando LITERALMENTE suas pobres vítimas.


"The Amazing Electrified Man" também remete àqueles títulos pomposos dos anos 50 (com adjetivos como Amazing, Colossal, Incredible), e conta a história de um condenado à cadeira elétrica (Bruce Glover, um dos vilões gays de "007 - Os Diamantes São Eternos") ganhando mortíferos poderes elétricos - o que me fez pensar como "Shocker", de Wes Craven, poderia ter ficado divertido...


Finalmente, temos "The Stench", um filme japonês colorido sobre um "aroma" mortal, e "The Possessor", um horror experimental setentista repleto de imagens chocantes com um ator-diretor malucão confessadamente inspirado em... José Mojica Marins!!!


"Popcorn" mostra poucas cenas de "The Stench" para ter me deixado com vontade de vê-lo, mas os outros filmes falsos são apresentados com tantos detalhes (inclusive vinhetas falsas dos estúdios que supostamente os produziram) que dá até um desânimo saber que nunca veremos os filmes completos (principalmente os divertidíssimos "Mosquito" e "Electrified Man").

Cenas de THE AMAZING ELECTRIFIED MAN





E com isso me despeço dessa brincadeira sobre filmes falsos, deixando ainda duas menções honrosas: a série "Scorcher", mostrada em "Trovão Tropical" (2008, dir: Ben Stiller), que tem Ben Stiller como absurdo herói de ação (inclusive enfrentando desastres naturais, como uma nova Era Glacial), e "Dead World", o falso filme podreira de horror e ficção científica que o protagonista produz na esquecida comédia "Cercar e Destruir" (1995, dir: David Salle), e que traz a gatíssima Tahnee Welch com pouca roupa enfrentando um gosmento alienígena com uma serra elétrica (ISSO SIM eu queria ver!!!). Infelizmente, não achei fotos/vídeos desses dois para ilustrar...

ATUALIZAÇÃO: Meu amigo Osvaldo Neto, do blog Vá e Veja, mandou o vídeo com as cenas de "Dead World", para que vocês todos possam ver Tahnee Welch contra o alien gosmento! Valeu, Osvaldão!!!

Cenas de DEAD WORLD




ATUALIZAÇÃO 2: E agora é a vez do Cristiano mandar o trailer do sexto filme da série "Scorcher". Eu não engulo o Ben Stiller, mas satirizar a imbecilidade das franquias de ação modernas (como "Velozes e Furiosos" e o escambau) daria material para uma bela comédia.

domingo, 29 de maio de 2011

Filmes de mentirinha que eu queria ver - Parte 2


MANT!
Se alguém duvida que Joe Dante é um dos cineastas mais criativos da geração de pupilos de Roger Corman, "Matinee - Uma Sessão Muito Louca" (1993) é um belo argumento para mudar de ideia. Neste filme, que se passa em 1962, Dante resgata o clima nostálgico das sessões de cinema dos anos 50-60, e principalmente das exibições de produções baratas de horror e ficção científica. Ele também reverencia um especialista do gênero - o produtor-diretor William Castle - na figura do fictício Lawrence Woosley (interpretado por John Goodman, que imita Castle nos mínimos detalhes. Na trama, Woosley está numa pequena cidade lançando seu novo trabalho, "Mant!", a assustadora história de uma criatura metade homem, metade formiga. Na vida real, William Castle costumava utilizar truques ("gimmicks") para tornar as sessões de seus filmes mais divertidas; em "Matinee", Woosley coloca um rapaz vestido de homem-formiga para invadir a sessão de "Mant!" e assustar os adolescentes na plateia. Visionário, Joe Dante não se contentou em filmar apenas trechos do filme falso dentro do filme: anos antes de existirem os extras de DVD, o cineasta gravou um trailer completo (e hilário) para "Mant!", e também um curta-metragem inteiro, com começo, meio e fim, do que seria a produção de Lawrence Woosley. Abaixo você pode ver os três vídeos (e repare que, numa cena, o monstro-formiga invade um cinema e os espectadores olham diretamente para a câmera, numa brincadeira de metalinguagem que remete a "Força Diabólica", de William Castle). Repare, também, que o filme dentro do filme é estrelado por vários atores veteranos dos clássicos sci-fi dos anos 50-60, como Kevin McCarthy, Robert Cornthwaite e William Schallert. A propósito, é bom lembrar que, nas legendas do VHS nacional de "Matinee", "Mant!" foi traduzido como... err... "Hormiga!".

Trailer de MANT!



MANT! - Parte 1



MANT! - Parte 2





HABEAS CORPUS
"O Jogador" (1992, dir: Robert Altman) é uma brilhante e cínica visão dos bastidores da indústria de cinema de Hollywood e da influência de produtores e donos de estúdio na destruição de projetos, digamos, autorais. No começo do filme, o roteirista Tom Oakley (Richard E. Grant) procura o estúdio com uma ideia para um drama intimista, "sem astros e em preto-e-branco", sobre um promotor que condena uma jovem à morte na câmara de gás, mas se apaixona pela moça e resolve investigar para tentar provar sua inocência. No final do roteiro original de Oakley, o protagonista descobre que a garota era inocente, mas não consegue 6salvá-la da execução - "Ele matou a mulher que amava", repete várias vezes o roteirista. Bem, no final de "O Jogador", são exibidas cenas de "Habeas Corpus", o filme feito a partir do roteiro "intimista", e é então que percebemos que o estúdio destruiu a ideia original em busca do final feliz: a moça condenada é interpretada por Julia Roberts e o promotor por Bruce Willis, que invade a câmara de execução dando tiros para salvar a amada da morte certa. Enquanto sai com a garota no colo, tem até espaço para uma última piadinha: "Por que demorou tanto?", pergunta Julia; "O trânsito estava horrível", responde Bruce. Quando uma das funcionárias do estúdio questiona o roteirista sobre as drásticas mudanças na proposta original, ele responde: "Ninguém gostou nas exibições de teste. Refizemos tudo e agora todos adoram!". E assim, por algum motivo inexplicável (curiosidade mórbida?), confesso que gostaria de ver uma bobagem como "Habeas Corpus" sabendo que ela foi concebida como um filme sério e sem final feliz. Afinal, assim é Hollywood! (A propósito, o filme dentro do filme também tem Susan Sarandon, Peter Falk e Ray Waltson, e isso que o roteirista de "Habeas Corpus" não queria astros nem atores conhecidos!!!)





TRIO
Imagine um filme de ação reunindo três dos astros mais badalados dos anos 90, mesmo que um não tenha nada a ver com o outro: Sylvester Stallone, Whoopi Goldberg e Jackie Chan! Pois esta é a ideia de "Trio", o filme dentro do filme na comédia "Hollywood - Muito Além das Câmeras" (1997, dir: Arthur Hiller). Na trama dessa comédia - que, como "O Jogador", satiriza os bastidores de Hollywood -, um cineasta inglês chamado Alan Smithee (Eric Idle) é contratado para dirigir o tal blockbuster estrelado por Stallone, Whoopi e Chan, mas, furioso com as interferências do estúdio e dos atores, foge com o filme pronto e ameaça destruí-lo. A única coisa que vemos é um trailer de "Trio" que mostra as três estrelas virando para a câmera, disparando um tiro e dizendo: "Don't fuck with us!", entre cenas de explosões e perseguições de carro retiradas de "Duro de Matar - A Vingança". Embora a ideia de "Trio" fosse satirizar o exagero das produções de ação dos anos 90 e o uso completamente deslocado de celebridades (quem engoliria Whoopi Goldberg como parceira de Stallone?), até que não seria nada mau ver uma produção desmiolada com um trio tão diferente quanto este - parecendo até uma visionária versão satírica do posterior "Os Mercenários", escrito, dirigido e estrelado pelo próprio Stallone mais de uma década depois de "Trio" (e que não tem Jackie Chan, mas tem Jet Li no elenco)!





SCHWARZENEGGER'S HAMLET
"Ei Claudius... Você matou meu pai. GRANDE ERRO!", diz o príncipe Hamlet interpretado por Arnold Schwarzenegger enquanto acende um charuto e prepare-se para matar incontáveis inimigos com espadadas e... TIROS DE METRALHADORA!!! Esta insana versão de "Hamlet", de William Shakespeare, sai da imaginação do garoto Danny (Austin O'Brien) em "O Último Grande Herói" (1993, dir: John McTiernan), um filme muito divertido que foi incompreendido na época do seu lançamento. Sim, eu admito que a proposta é completamente sem pé nem cabeça, mas eu realmente adoraria ver uma versão deturpada de um clássico da literatura, como esta, com o Hamlet de Schwarzenegger disparando tiros e frases de efeito que fariam Shakespeare se revirar no túmulo - como "Ser ou não ser? Não ser!", antes de explodir o castelo do inimigo!!! De certa forma, esta brincadeira com Hamlet foi feita anos antes de outras experiências semelhantes e parecidas, como o filme "Romeu & Julieta" de Baz Luhrmann (que colocou os personagens nos tempos atuais, lutando com armas automáticas ao invés de espadas) ou o livro "Orgulho e Preconceito e Zumbis", em que Seth Grahame-Smith incluiu mortos-vivos no clássico romance escrito por Jane Austen no século 19. E vamos admitir que seria hilário se alguma produtora picareta, como a The Asylum, fizesse versões estúpidas e absurdas de livros clássicos como este "Schwarzenegger's Hamlet"... Epa, peraí: eles já estão fazendo bobagens como "2010: Moby Dick" e "The War of the Worlds" com C. Thomas Howell! Tá bom, então só falta eles começarem a fazer versões estúpidas, absurdas mas também DIVERTIDAS de livros clássicos.

Trailer de SCHWARZENEGGER'S HAMLET





THRILLER
Sim, todo mundo lembra do clássico videoclipe "Thriller", que John Landis dirigiu para o popstar Michael Jackson em 1983. Todo mundo lembra dos zumbis saindo das sepulturas, de Michael virando ele próprio um morto-vivo e dos cadáveres decrépitos dançando a música-tema no meio da rua. O que pouca gente lembra é que, antes da dança dos mortos iniciar, o rei do pop e sua namorada (Ola Ray) estão no cinema vendo um filme de lobisomem estrelado pelo próprio Michael Jackson. Conforme nos informa o anúncio na fachada do cinema quando o casal está saindo, este filme de lobisomem se chama "Thriller", e é estrelado por... Vincent Price!!! Assim, embora todo mundo lembre dos zumbis e da música, eu gostaria mesmo era de ver "Thriller", o filme de lobisomem, com Michael Jackson virando homem-lobo e sendo perseguido, talvez, por Vincent Price (que não chega a aparecer nas cenas do filme dentro do filme, ou filme dentro do videoclipe, mas é o narrador da obra). Por sinal, a transformação de Michael em lobo é melhor que tudo que é feito hoje em matéria de lobisomens, e mostrada através de efeitos práticos do mestre Rick Baker - que, dois anos antes, havia feito o clássico "Um Lobisomem Americano em Londres". Tudo bem, Jackson e Price já morreram e jamais veremos "Thriller", o filme de lobisomem. E é melhor não ficar falando muito no caso para que ninguém tenha a idéia de fazer algo do gênero com Justin Bieber...