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sábado, 26 de outubro de 2013

PROBLEMAS MODERNOS (1981)


Poderes telecinéticos eram o assunto do momento entre a metade dos anos 1970 e o início da década de 80. Talvez o sucesso do "paranormal" israelense Uri Geller, que naquela época aparecia direto na TV entortando talheres com a "força da mente", tenha desencadeado a febre (depois descobriu-se que Geller era apenas um ilusionista dos bons, mas ele enganou as pessoas durante muito tempo).

São dessa época livros de horror e ficção científica como "Carrie", de Stephen King (publicado em 1974), e "A Fúria", de John Farris (1976), ambos coincidentemente adaptados para o cinema por Brian DePalma (respectivamente em 1976 e 1978), Também no cinema, filmes como "Patrick" (1978, de Richard Franklin), "Armadilha para Turistas" (1979, de David Schmoeller) e "Scanners" (1981, de David Cronenberg) mostravam o lado assustador (e destrutivo) dos poderes telecinéticos quando usados para o Mal.


E não demorou nada para que alguém resolvesse usar o mesmo tema para fazer graça. Assim, em 1981 - o mesmo ano de "Scanners" e suas cabeças explodidas com a força da mente -, chegava aos cinemas PROBLEMAS MODERNOS, de Ken Shapiro, estrelado por um jovem Chevy Chase.

Quem é da nova geração e cresceu vendo caras como Adam Sandler e Will Ferrell pode até não acreditar, mas houve um tempo em que Chevy Chase era um dos caras mais engraçados da comédia norte-americana. E quando você entrava na locadora e topava com um filme estrelado por ele, podia alugar sem medo porque sabia que o nome do astro na capinha era sinônimo de "filme engraçado pra caralho".


Chevy (cujo nome de batismo é, acredite se quiser, Cornelius!!!) começou a brilhar na 1ª temporada do programa humorístico de TV "Saturday Night Live". E isso em 1975, quando o elenco do programa era composto por gênios da comédia como Dan Aykroyd, John Belushi e Gilda Radner. No começo da 2ª temporada, ele já era tão popular nos EUA que resolveu abandonar o programa (foi substituído por outro futuro astro, Bill Murray!) para investir no cinema.

O problema é que o rapaz nunca foi muito esperto para escolher projetos. E após uma estreia bastante promissora com "Golpe Sujo" (1978), onde era praticamente um coadjuvante da verdadeira estrela Goldie Hawn, Chevy passou a intercalar comédias muito divertidas, tipo "Clube dos Pilantras" (1980) e "Férias Frustradas" (1983), com outras nem tanto. PROBLEMAS MODERNOS, feita bem no meio destas duas citadas, se encaixa na categoria "Nem tanto".


Curioso é que PROBLEMAS MODERNOS é aquele típico filme que você vê quando garoto e acha o máximo. Eu tinha gravado da TV, nos longínquos tempos do videocassete, e lembro que costumava reunir os amiguinhos na sala de casa para reassistirmos essa tralha diversas vezes. Todo mundo se mijava de dar gargalhada - e isso que algumas piadas não são exatamente compreensíveis para a faixa etária, se é que vocês me entendem.

Aí você cresce e começa a perceber que aquele clássico da sua infância na verdade é bem ruinzinho. O que, nesse caso específico, não é demérito, já que PROBLEMAS MODERNOS se revela um filme tão errado, e tão - desculpem o trocadilho - PROBLEMÁTICO que se torna até divertido quando você volta a reunir a turma envelhecida e se põe a reassistir, só que dessa vez rindo dos defeitos e da falta de graça generalizada da coisa toda.


No roteiro escrito a seis mãos pelo diretor Shapiro (em seu segundo e último filme) mais Tom Sherohman e Arthur Sellers, Chevy interpreta um estressado controlador de voo nova-iorquino chamado Max Fielder, que está passando por dias complicados: seu trabalho é um horror, seu carro está caindo aos pedaços (o teto solar não fecha justamente numa tarde de chuva torrencial) e sua namorada, Darcy (a gracinha Patti D'Arbanville), acabou de lhe dar um belo pé na bunda, acusando-o de ser excessivamente dominador e ciumento (o que, conforme veremos ao longo do filme, não é nenhuma injustiça por parte da moça!).

A cena inicial de PROBLEMAS MODERNOS é bastante feliz ao apresentar a rotina caótica do protagonista como controlador de voo em um grande aeroporto, onde a discussão do preço de um sanduíche de atum é interpretada pelo piloto como as coordenadas que deve seguir para pousar, e um copo de café derrubado num monitor provoca um pequeno incêndio que o colega ao lado se recusa a apagar - pelo contrário, ele acende seu cigarro usando a chama!


Quando parece que sua vida não pode piorar, Max é exposto ao lixo radioativo despejado de um caminhão. E ao invés de transformar-se num monstro mutante, ou derreter tipo aquele vilão de "Robocop", o protagonista ganha incríveis poderes telecinéticos. Usando o poder da mente, Max pode mover facilmente objetos e pessoas, além de provocar as reações mais extremas nos seres humanos.

E é óbvio que o pobre Max utilizará esses poderes para recuperar Darcy e ainda se vingar de seus rivais, principalmente o careca escroto que está tentando pegar sua ex (interpretado por Mitch Kreindel). Naquela que é disparado a melhor cena do filme, Max usa seus novos poderes para provocar um exagerado sangramento nasal no rival durante um jantar romântico num restaurante chique, em cena cujo mau gosto lembra a explosão do gordão em "O Sentido da Vida", do Monty Python (que saiu dois anos depois, em 1983).


Mas parece que Max não sabe direito o que fazer com seus novos poderes. E - vejam só que coisa - o diretor e co-roteirista Ken Shapiro também não. Por isso, PROBLEMAS MODERNOS praticamente desmorona depois de um início promissor. Da metade para o final (principalmente depois dos primeiros 40 minutos), o roteiro se perde completamente e parece até que estamos vendo outro filme. E bem sem graça.

Este ponto de virada na qualidade começa quando Max e Darcy, agora novamente juntos, são convidados para passar um final de semana na casa de praia dos amigos Brian (Brian Doyle-Murray, irmão de Bill Murray) e Lorraine (Mary Kay Place), ele um veterano do Vietnã confinado a uma cadeira-de-rodas, e ela a ex-esposa do próprio Max. Também aparece para o final de semana um famoso e arrogante escritor de livros de auto-ajuda, o "guru" Mark Winslow (Dabney Coleman), que irá bater de frente com o protagonista.


Esta segunda metade do filme é tão ruim que chega a ser constrangedora: sem nenhum motivo aparente, considerando que já recuperou sua amada, Max entra em depressão profunda e perde o controle sobre seus poderes. Durante a crise, descarrega sua frustração sobre Mark durante o jantar com os amigos. O tom é de um filme de horror, inclusive com o escritor humilhado arrumando um revólver para tentar deter a "ameaça" de Max.

A única parte digna de nota dessa segunda metade do filme é outro dos poucos momentos memoráveis de PROBLEMAS MODERNOS: Dorita (Nell Carter), a empregada haitiana que vive na casa, tenta "exorcisar" Max e faz um círculo com "pó mágico" ao redor dele; pois o protagonista aspira alucinadamente todo o pó branco do chão, como se fosse uma gigantesca carreira de cocaína (esta cena geralmente era cortada nas reprises do filme à tarde)!

"I like it!!!"



O diretor Shapiro é o grande culpado pela comédia de erros que é PROBLEMAS MODERNOS. Como escrevi lá em cima, este é o seu segundo e último filme; antes, ele só havia dirigido uma comédia chamada "The Groove Tube" (1974), também com Chevy Chase (em pequena participação). Só que não era bem um longa, e sim uma coletânea de esquetes sem relação, na linha de "The Kentucky Fried Movie" e "As Amazonas na Lua" (mas anterior aos dois).

Isso talvez explique porque PROBLEMAS MODERNOS, mesmo narrando uma história única e linear, sofra de uma perceptível falta de coesão. Não são apenas dois atos bem distintos (o primeiro, bom, com Max recuperando sua amada, e o segundo, ruim, com Max perdendo o controle sobre seus poderes, estilo "Carrie, A Estranha"); em vários momentos, Shapiro se perde na estrutura de "esquetes soltas" do seu trabalho anterior.


Para exemplificar: existe uma cena, sem nenhuma relação com a trama ou seus personagens, em que Max vai a um restaurante, e os casais em três mesas estão flertando um com o(a) acompanhante do(a) outro(a), através de trocas de olhares e piscadelas. É uma verdadeira sinfonia de sedução, com uma bela e rápida montagem das trocas de olhares, mas é um momento que só funciona "per se", e que não tem nada a ver com o resto do filme!

Por causa dessa narrativa episódica, alguns personagens até desaparecem sem maiores explicações. No ato final, por exemplo, o que acontece ao casal Bill e Lorraine depois que Max fica descontrolado? Não se sabe; talvez eles tenham ficado com medo e fugido para um filme melhor do que este. O personagem de Mark também some da história de repente, deixando o restante do show para Chevy, Patti e Nell Carter.


PROBLEMAS MODERNOS é mais um daquelas comédias que são engraçadas justamente pela falta de graça, e onde só podemos lamentar o potencial desperdiçado. Afinal, o personagem de Chase tem poderes fantásticos que poderiam render momentos muito divertidos, mas o diretor-roteirista Shapiro parece nunca saber o que fazer com seu personagem ou com suas habilidades.

Shapiro teria declarado, na época do lançamento, que seu filme era uma mistura de "Carrie" e "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa". Só que Chevy Chase não é Woody Allen, portanto não há nenhuma razão para dar-lhe um personagem que passa a maior parte do tempo introspectivo, na fossa ou com cara-de-cu - em outras palavras, sem ser engraçado.


O próprio Chevy Chase hoje assume que o filme é muito ruim, e deve ter péssimas memórias da sua realização, já que quase morreu durante as filmagens. Isso aconteceu na gravação de uma cena de pesadelo, em que Max vê a si mesmo como se fosse um avião em pleno voo. O ator teve luzes presas ao corpo, com fios que passavam por baixo da sua roupa. Quando os fios elétricos entraram em curto circuito, Chevy foi eletrocutado e chegou a ficar inconsciente, à la Lasier Martins naquele famoso vídeo da Festa da Uva!

E embora Chevy seja um sujeito naturalmente engraçado, que não precisa de um roteiro genial para provocar gargalhadas, em PROBLEMAS MODERNOS a direção lhe deu muita liberdade, e ele aparece careteiro demais, estilo Jim Carrey em "Ace Ventura". Sempre que Max usa seus poderes, o espectador não apenas é bombardeado com ridículos efeitos sonoros cômicos, mas ainda precisa aturar as caretas exageradas do ator - mas vem cá: se os poderes são mentais, por que ele precisa fazer aquelas caras e bocas ao invés de simplesmente usar a força do pensamento?


Com tantos defeitos, é até curioso constatar que PROBLEMAS MODERNOS acabou servindo de base para várias outras comédias, de ontem e de hoje, que exploram tema similar - ou seja, o sujeito comum que leva uma vida ordinária e de repente recebe poderes fantásticos, mas os utiliza principalmente para ridicularizar os rivais. "Click" (2006), com Adam Sandler, e "Todo Poderoso" (2003), com Jim Carrey, só para citar dois exemplos populares, são exatamente assim.

Inclusive "Todo Poderoso" tem uma cena muito parecida com PROBLEMAS MODERNOS: em ambos os filmes, os protagonistas usam seus super-poderes para fazer "sexo sem contato" com suas namoradas. Aqui, Chevy dá orgasmos múltiplos a Darcy apenas olhando para ela e fazendo suas caretas! Pena que Patti D'Arbanville não apareça pelada, enquanto Dabney Coleman (pasmem) aparece!


No fim, eu diria que esta comédia é muito mais divertida enquanto explora verdadeiramente os "problemas modernos" do protagonista (o estresse no emprego, os problemas com o carro), do que quando Max finalmente adquire seus poderes telecinéticos. Os efeitos especiais continuam eficientes (ainda mais considerando que já têm mais de 30 anos de idade), mas é de se lamentar a falta de criatividade de todos os envolvidos por não conseguirem criar situações mais interessantes envolvendo Max e seu "dom".

E embora eu já não ache PROBLEMAS MODERNOS tão engraçado quanto achava na minha infância, confesso que ainda prefiro um Chevy Chase fraquinho do que qualquer coisa desses "comediantes" de hoje (Adam Sandler, Will Ferrell, Kevin James, Danny McBride e cia). Até porque o filme termina sem dar nenhuma lição de moral: Max não aprende nada durante sua "jornada", e provavelmente continuará sendo um escroto ao perder seus poderes - além de tomar um belo processo judicial do personagem de Dabney Coleman pelas agressões sofridas!


Chevy só encontraria seu rumo e o verdadeiro sucesso no cinema com o filme seguinte, "Férias Frustradas". A partir de então, ele engatou uma comédia hilária atrás da outra, onde interpretava ou o patriarca atrapalhado, ou o tipo sedutor e malandrão. Para quem quer ver o homem no auge do talento, sugiro deixar esse de lado e procurar por "Os Espiões que Entraram Numa Fria", "Os Três Amigos" e "Assassinato por Encomenda", filmaços de afastar qualquer mau humor, e todos melhores e mais inteligentes do que qualquer comédia que se faça hoje.

Infelizmente, na vida real Chevy não era um cara legal como nos seus filmes. Diz-se que era insuportável de tão arrogante, e até teria trocado socos com Bill Murray nos bastidores do "Saturday Night Live". Depois de tentar dar um novo rumo à sua carreira, com o mais sério "Memórias de um Homem Invisível" (1992), ele mergulhou direto para o ostracismo, e hoje aparece em alguma pontinha aqui ou acolá, ou como coadjuvante no seriado "Community".

E fico até triste em dizer isso de um dos meus ídolos da juventude, mas hoje Chevy Chase está tão sem graça que nem mesmo os poderes telecinéticos de PROBLEMAS MODERNOS poderiam salvar sua carreira...

Trailer de PROBLEMAS MODERNOS



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Modern Problems (1981, EUA)
Direção: Ken Shapiro
Elenco: Chevy Chase, Patti D'Arbanville,
Dabney Coleman, Nell Carter, Mary Kay Place,
Brian Doyle-Murray e Mitch Kreindel.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

UMA ESCOLA ATRAPALHADA (1990)


Tenho amigos cinéfilos com ódio mortal por essas comédias modernas para "consumo popular" produzidas/distribuídas pela Globo Filmes, que já foram apelidadas de "Globochanchadas", e que são estreladas pelos nomezinhos de destaque no momento (independente de terem ou não talento). Ok, eu confesso que também passo longe de coisas como "De Pernas Para o Ar" e "Vai que Dá Certo", mas vamos combinar que este fenômeno não é recente.

Afinal, se hoje temos filmes de gosto duvidoso estrelados por pseudo-celebridades de gosto duvidoso como Leandro Hassum, Marcelo Adnet, Freddy Mercury Prateado e a turminha do Porta dos Fundos, no passado produções de gosto tão ou mais duvidoso eram estreladas por pseudo-celebridades de gosto tão ou mais duvidoso, como Faustão, Carla Perez, Sergio Mallandro, Fofão ou, no caso específico da obra aqui em análise, Supla e Angélica! Ou seja: filme ruim com pseudo-celebridades não é de agora, e espaço na mídia sempre foi mais determinante que talento para se estrelar um filme no Brasil!


Na minha modesta opinião, UMA ESCOLA ATRAPALHADA é um dos piores filmes brasileiros DE TODOS OS TEMPOS. E se eu não consegui suportá-lo nem mesmo quando era moleque e vi pela primeira vez, imagine minha cara ao revê-lo hoje. A diferença é que a passagem do tempo transformou essa bomba numa espécie de "túnel do tempo da vergonha alheia".

Sabe quando você encontra um álbum de fotografias da sua juventude nos anos 1980 e morre de vergonha ao se ver usando mullet ou ombreiras? Pois é mais ou menos essa a sensação de assistir UMA ESCOLA ATRAPALHADA hoje, mais de 20 anos depois do seu lançamento, e se deparar com cenas tipo um jovem Supla posando de "bad boy" com camisetas cortadas que deixam seu umbigo à mostra (argh!), ou o (morto e enterrado) Grupo Polegar tocando a música (morta e enterrada) "Sou Como Sou", e depois pegando um avião da (morta e enterrada) Vasp!


Lançado em 1990, UMA ESCOLA ATRAPALHADA representa um marco histórico do cinema popular brasileiro, já que traz a última aparição no cinema do grupo humorístico Os Trapalhões (Didi, Dedé, Mussum e Zacarias) como quarteto. Mauro Gonçalves, o Zacarias, morreu durante a pós-produção do filme, que inclusive é dedicado a ele com uma mensagem dos demais Trapalhões nos créditos iniciais.

Ironicamente, este não é um "filme dos Trapalhões" oficial: o grupo faz apenas uma participação especial, apesar da referência no título ("Atrapalhada" - "Trapalhões", pegou?). Até então, durante duas décadas, Os Trapalhões eram os reis das bilheterias do cinema brasileiro, estrelando praticamente um filme por ano. Em 1989, por exemplo, "Os Trapalhões na Terra dos Monstros" levou 3,2 milhões de espectadores aos cinemas, mas nos bons tempos eles vendiam mais de 5 milhões de ingressos.


UMA ESCOLA ATRAPALHADA representou uma espécie de ponto de virada na trajetória do quarteto, já que suas produções nos últimos anos (notoriamente entre 1987-89) estavam excessivamente infantis, e eles queriam atingir um público um pouquinho mais velho - os adolescentes.

Carinhas jovens da moda até já vinham aparecendo em seus filmes como coadjuvantes (tipo o Grupo Dominó em "Os Fantasmas Trapalhões", "Os Heróis Trapalhões", "O Casamento dos Trapalhões" e "Os Trapalhões na Terra dos Monstros", ou o Trem da Alegria em "A Princesa Xuxa e os Trapalhões"). Mas, pela primeira vez, o quarteto resolveu deixar a molecada em destaque e ficar em segundo plano, só para "sentir o mercado".


Embora não tenha dado muito certo (diversos espectadores sentiram-se enganados, pois o título e a presença dos Trapalhões no pôster indicavam que era justamente um "filme dos Trapalhões" tradicional), UMA ESCOLA ATRAPALHADA rendeu uma bela bilheteria (cerca de 2,5 milhões de espectadores) e umas novecentas reprises na TV. Além, claro, de marcar a despedida do quarteto.

Com a morte de Zacarias, e a experiência um tanto frustrada de atuarem como coadjuvantes para uma nova geração de "estrelas", os Trapalhões reminescentes tentaram retomar o trono de reis da bilheteria. Mas não deu muito certo: as produções seguintes do agora trio ("O Mistério de Robin Hood" e "Os Trapalhões e a Árvore da Juventude") nem chegaram aos dois milhões de ingressos vendidos. Os tempos estavam definitivamente mudando...


Voltando a UMA ESCOLA ATRAPALHADA: a trama escrita por Luis Carlos Góes e Tania Lamarca (a partir de um argumento de Renato Aragão e Paulo Aragão Neto) se passa numa escola particular para filhinhos-de-papai, a Matheus Rosé (que, na vida real, é o Colégio Marista São José, do Rio de Janeiro). Ali, adolescentes riquinhos, brancos e de corpo perfeito agem como adolescentes de cinema enquanto professores e diretores são todos muitos liberais, simpáticos e compreensivos com a garotada.

O ano letivo está começando e novos alunos chegam ao Matheus Rosé, tipo a garota misteriosa e rebelde Tami, interpretada por Angélica (e sabemos que ela é misteriosa e rebelde porque ela entra em cena com ar blasé, óculos escuros e faz mais cara-de-bunda por minuto do que a Kristen Stewart na série "Crepúsculo"!).


A atual Sra. Luciano Huck já havia participado de dois filmes anteriores dos Trapalhões ("Os Heróis Trapalhões" e "...na Terra dos Monstros"), mas ainda era uma apresentadora de programa infantil da TV Manchete. Inclusive no ano seguinte (1991) estrelaria a novela "O Guarani" na extinta emissora, no papel de Ceci.

Sua participação em UMA ESCOLA ATRAPALHADA acabou carimbando-lhe o passaporte para voos mais altos. Angélica logo trocaria a Manchete pelo SBT, onde apresentou um programa infantil de sucesso (Casa da Angélica), além do popular Passa ou Repassa no lugar do apresentador habitual, Gugu Liberato. Mais tarde, em 1996, ela venderia o passe para a Globo, onde também chegou a ter seu próprio programa infantil (Angel Mix), e estrelou mais algumas "Globochanchadas", tipo "Zoando na TV" (1998) e "Um Show de Verão" (2004), ao lado do futuro maridão.


Outros novatos são os quatro garotos vindos do interior (e sabemos que eles vêm do interior porque entram em cena num carro coberto de lama, e todos vestem a mesma camisa quadriculada estilo "Jeca Tatu"). O Dominó, que havia aparecido nos quatro filmes anteriores dos Trapalhões, já tinha perdido sua popularidade e espaço na mídia na época; assim, a solução foi substituí-los pelo Polegar (Alex, Alan, Ricardo e o notório Rafael Ilha, ou "Rafael Pilha").

Tanto Dominó quanto Polegar foram grupos criados e empresariados pelo então apresentador do SBT Gugu Liberato (que também está no elenco do filme), então duvido que alguém tenha realmente percebido a diferença. E Nill, ex-Dominó, faz uma "participação especial" aqui como irmão de Angélica, talvez como agradecimento aos "serviços prestados" pelo seu ex-grupo.


O que os alunos novos não tardarão a descobrir é que a escola é "dominada" por um rapaz encrenqueiro, Carlão (Supla, quem mais?). E se hoje o popular Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy é motivo de piada para a maior parte dos seres humanos, na época ele era uma verdadeira promessa de astro pop: ex-vocalista da banda Tokyo, havia recém gravado seu primeiro disco solo e tinha até pegado a famosa roqueira alemã Nina Hagen, para quem dedicou o hit "Garota de Berlim".

Carlão/Supla é o líder de uma turminha de filhinhos-de-papai mimados e "rebeldes" que inclui ainda o chatíssimo Renan (ninguém menos que Selton Mello, em sua estreia no cinema!), a queridinha Paula (Maria Mariana, que depois alcançaria relativo sucesso com o livro/seriado "Confissões de Adolescente", antes de mergulhar de volta para a obscuridade), e um montão de outros anônimos que não fedem e nem cheiram, tipo uma riquinha metida a bicho-grilo interpretada por Patrícia Perrone.


Aí o loirão platinado se interessa pela "misteriosa" Tami. Só que eles se odeiam, e passarão o restante do filme brigando, discutindo ou competindo um com o outro. Os conflitos amorosos se estendem aos garotos do Polegar, que também encontram suas paixonites dentro da escola. Um deles (não me pergunte qual, pois são todos iguais!) se apaixona pela namorada do Selton Mello, o que renderá ainda um chatíssimo triângulo amoroso.

Em meio a tudo isso, há ainda um sub-plot envolvendo misteriosas sabotagens e ameaças à escola, pois uma imobiliária pretende comprar o terreno. A diretora idealista (Jandira Martini) se recusa a desfazer-se da escola, mas um sabotador infiltrado - Anselmo, o inspetor da escola, interpretado de maneira exagerada e caricatural pelo ótimo Ewerton de Castro - começa a aprontar altas confusões para atrapalhar o ano letivo e forçar a venda do local.


Mas e onde entram os Trapalhões nessa história toda? Bom, como eu já havia alertado, eles fazem apenas pontas bem curtinhas. Mussum aparece como o impagável "Mago Mumu", cuja barraquinha de leitura de tarô fica bem em frente à escola (que conveniente!); já Dedé e Zacarias interpretam "caça-bombas", que entram em cena quando há uma ameaça de bomba no colégio.

Quem tem mais tempo em cena, claro, é Didi, no papel do "serviços gerais" da escola (que se chama, obviamente, Didi). Renato Aragão "interpreta" o mesmo personagem de sempre, o cearense boa-vida e espertalhão (sua entrada em cena é deitado numa rede no bagageiro de um ônibus que chega à cidade!) por quem todo mundo morre de amores.


Como também é clichê na obra dos Trapalhões, ele vive um amor platônico por uma das professoras (Cristina Prochaska), que já está de rolo com o professor de educação física (Marcelo Picchi, que nos velhos tempos apareceu em "Exorcismo Negro", do Zé do Caixão!).

O curioso é que Renato aproveita para interpretar uma versão estereotipada de si mesmo: um cearense humilde cujo sonho é ser astro de cinema! A cena final, em que ele reaparece vestido como mendigo (mas com direito a uma surpresa), é talvez a parte mais bem bolada (e bonita) do filme inteiro.


UMA ESCOLA ATRAPALHADA antecipa a fórmula do seriado global "Malhação" (que estreou em 1995 e já está no ar há inacreditáveis 18 anos!!!), com namoricos, brincadeiras bobas e intriguinhas entre adolescentes, mas sempre num nível cartunesco e infantilóide demais (e o que esperar de roteiros "para adolescentes" escritos por quarentões?).

Embora em certos momentos o filme até acerte em resgatar aquele clima de "adolescência no final dos anos 1980", como quando mostra um bailinho dos jovens com música lenta (e quem é da época vai lembrar que essa era a hora estratégica para dançar de rostinho colado com as meninas!), esses momentos representam, no máximo, 1% da narrativa. O resto é ocupado pelos romances desinteressantes entre Supla e Angélica e entre os "Polegares" e seus casinhos, mais as poucas cenas de trapalhadas com os Trapalhões.


Por sinal, quem diria que os Trapalhões do começo dos anos 1990 (sua fase mais chata e infantilóide) seriam o ponto alto do filme. Como não há graça nenhuma na interação entre os chatíssimos personagens jovens, recai sobre os ombros do famoso quarteto a difícil tarefa de fazer o espectador rir ao invés de pegar no sono. E como os quatro veteranos aparecem muito pouco, suas poucas cenas são realmente engraçadas e não torram o saco.

Didi copia sem a menor vergonha na cara uma piada de "Crocodilo Dundee" (aquela do "That's not a knife. THAT's a knife", quando apresenta uma "peixeira cearense" de tamanho monumental a um ladrão que tenta assaltá-lo com um canivete). E quando uma bomba explode na Kombi dos "caça-bombas", onde por coincidência estão reunidos os quatro Trapalhões, Didi ironiza: "Quem mandou invadir filme dos outros?".


Os "outros", no caso, são Supla, Angélica e cia., que não têm nem talento e nem carisma para segurar um filme sozinhos. Mesmo os fãs mais apaixonados do loirão Suplicy (são poucos, mas eles existem) têm que dar à mão à palmatória e concordar que o rapaz entrega uma performance simplesmente constrangedora, tentando compor um personagem "rebelde" que é apenas chato e insuportável, e está sempre gritando e agindo como um estúpido (chega a dar um soco na cara de Angélica).

Mas, sabe-se lá por que cargas d'água, o filme tenta forçar o espectador a gostar dele, já que Carlão não é o vilão, mas sim O HERÓI DO FILME!!! Lá pelas tantas, ele até aparece treinando boxe com um saco de areia, em cena que deve estar no filme apenas por causa da semelhança física de Supla com Ivan Drago, o personagem de Dolph Lundgren em "Rocky 4" (no cabelo, não nos músculos)!


Bem, se alguém realmente torceu para o Supla se dar bem no filme, eu recomendo que procure ajuda psiquiátrica imediatamente. Porque é duro aguentar o cara com camisa do Superman cortada acima do umbiguinho, fazendo pose de "bad boy" e tentando dar lição de moral e "discurso sociológico" para cima de Tami: "Ser pobre não é o maior problema do mundo não! Qualquer um é o que é!".

Angélica, por sua vez, está apagada como "mocinha" e nunca faz nada digno da posição. A química entre Supla e Angélica é tão inexistente que, no final, quando o casal finalmente resolve assumir seu romance, não há nem sequer a tradicional cena do beijão apaixonado na boca. Pelo contrário, o máximo que vemos de "contato físico" é... Supla chupando o dedo de Angélica?!? Puta merda!


Quando os Trapalhões não estão em cena (e eles raramente estão), as poucas tentativas de se fazer humor são frustradas ou pelas piadas do arco-da-velha do roteiro de Góes e Tania, ou pela falta de timing do diretor Antonio (Del) Rangel, o mesmo responsável por um dos piores filmes do quarteto, "O Trapalhão na Arca de Noé" (estrelado apenas por Renato Aragão, na época em que ele havia brigado com os três parceiros).

Essas "piadas" são coisas como o personagem de Gugu Liberato, um professor de música malucão chamado "Chopin Luiz" (ai, ai...), que usa bermudas e cabelos arrepiados, ou a professora de artes que se chama "Portinara" (ai, ai...), e que protagoniza, pela milésima vez, a gag da senhora surda que entende tudo trocado. O nível é tão baixo que nem o pessoal do Zorra Total faria essas piadas.


Há, também, um momento sem-noção em que o vilanesco inspetor Anselmo leva um dos garotos para um porão escuro e raspa seu cabelo à força por "desrespeito à bandeira nacional".

É óbvio que se trata de uma referência aos torturadores nos porões da Ditadura Militar, mas ô piada de mau gosto para ser feita quando o país recém havia entrado numa democracia plena (Collor foi eleito presidente em 1989), e as feridas da Ditadura ainda estavam bem abertas e doendo.


A verdade é que eu nunca consegui entender a que público exatamente o filme se destina. Porque se o objetivo era vender UMA ESCOLA ATRAPALHADA como comédia para o público adolescente, o tiro passou longe do alvo: a ambientação e alguns personagens até lembram as comédias norte-americanas sobre adolescentes aprontando altas confusões numa escola, mas o tom do filme é tão infantil que dificilmente terá algum interesse para pessoas com mais de oito anos de idade, físicos ou mentais.

Até tem um pouquinho de ousadia por mostrar as meninas mais "à vontade" do que nos filmes dos Trapalhões, nas cenas que se passam no dormitório feminino (onde podemos ver Maria Mariana seminua, além das moças de calcinha e pernocas de fora - menos Angélica, porque ela é a "mocinha").


Mas não passa muito disso: o clima do filme é tão inocente e infantil que irrita. A escola do filme é uma escola de conto-de-fadas, onde nenhum dos jovens aparece usando drogas, fumando ou sequer bebendo uma cerveja.

Para não ser injusto, o personagem de Selton Mello enche a cara lá pelas tantas, mas o filme faz questão de mostrar isso como algo extremamente negativo (e ele ainda toma uma "tortada" na cara do Supla para aprender!).


Apesar do inspetor Anselmo viver reclamando que a diretora é muito liberal, filme e personagens são completamente assexuados, e mal vemos uns beijinhos entre os jovens, quem dirá cenas de sexo. Por isso é até surpreendente que, lá pelas tantas, pinte um clima mais dramático, com a possibilidade de que uma das garotas esteja grávida do seu novo namoradinho (embora eu desconfie que seja coisa do Espírito Santo, já que ninguém trepa nesse filme!).

Só que a gravidez não passa de um alarme falso: logo a menina faz um teste que dá negativo, então foi apenas um "sustinho bobo" e uma tentativa de enganar o espectador com dramalhão de terceira - diferente da coragem de, por exemplo, "O Último Americano Virgem", que tem uma sub-trama bem pesada envolvendo gravidez indesejada.


Curioso é que apesar de todo esse moralismo e inocência, UMA ESCOLA ATRAPALHADA acaba passando diversos maus exemplos sem perceber. Numa cena que hoje seria considerada politicamente incorreta, a vice-diretora interpretada por Fafi Siqueira dá em cima de um aluno com metade da idade dela, passando a mão no peito sem camisa do rapaz (abaixo). Quando ele foge da azaração da coroa, ela reclama aos berros: "Bicha!".

Pior é o caso da personagem de Angélica. Ela sofre bullying dos colegas riquinhos porque eles pensam que a garota é pobre. E se inicialmente o filme tenta mostrar como isso é feio e errado por parte dos coleguinhas, o tiro logo sai pela culatra quando vemos Tami se enturmando com seus "bullies" das formas menos nobres possíveis - tipo passar cola para uma das meninas que a ridicularizava, assim todos podem ver como a mocinha é "legal". Bela mensagem, não?


Gosto de comparar UMA ESCOLA ATRAPALHADA com o clássico da rebeldia juvenil "Rock'n'Roll High School", de Allan Arkush, que foi feito mais de dez anos antes (em 1979). Enquanto no filme norte-americano a mensagem era absolutamente "anti-Sistema" e pró-sexo, drogas e rock-and-roll, aqui tudo é careta e moralista, os alunos adoram seus professores e vice-versa, e até ajudam a proteger a escola da ameaça de demolição.

Para piorar, enquanto a cena final de "Rock'n'Roll High Scholl" trazia a banda punk Ramones ajudando os alunos rebeldes a mandar sua escola para os ares (literalmente!) ao som da música-tema, aqui o filme termina com a escola inteirinha e pronta para um novo ano letivo, e o punk de botique Supla perdendo o festival de bandas do colégio para o Polegar cantando "Sou Como Sou"!!! Sabe como é, cada país tem os "adolescentes rebeldes" que merece...


E há, claro, o jabá. Àquela altura do campeonato, os filmes voltados ao público infanto-juvenil já tinham perdido a vergonha na cara e faziam merchandising de produtos e artistas na maior cara-dura. Vá lá que não é nada tão constrangedor quanto os filmes posteriores da Xuxa (em que a narrativa é interrompida a cada cinco minutos para que uma banda que ninguém lembra mais toque um hit que ninguém lembra mais), mas mesmo assim o jabá está presente em UMA ESCOLA ATRAPALHADA e é de rolar de rir.

Supla, por exemplo, aparece cantando "Pisa em Mim" num videoclipe afetado e bastante deslocado do tom do restante da produção, já que aparece entre cruzes de neon e estátuas religiosas decapitadas, de calça de couro vermelha e sem camisa, rolando besuntado de óleo num colchão enquanto repete o refrão "E só pisa em mim / E me deixa assim!". Queria demonstrar uma "atitude" inexistente, o que deixa tudo ainda mais engraçado.


"E só pisa em mim! E me deixa assim!"



No caso de Angélica, o marketing é duplo: ela canta uma música chamada "Angelical Touch" (nossa, quanta criatividade!), que também era o nome de uma linha de cosméticos que ela lançou logo depois. Por isso, muita gente dizia que a música era, na verdade, um jingle disfarçado. E funcionou: a tal linha de cosméticos foi um sucesso de vendas. Mas o videoclipe é abominável, com Angélica exagerando nas caras e bocas estilo "Quero ser sexy" - e sem conseguir ser sexy, claro.


"O meu Angelical Touch..."



Mesmo sendo uma bela porcaria, UMA ESCOLA ATRAPALHADA foi um relativo sucesso de bilheteria na época, e até hoje está numa honrosa 63ª posição entre os filmes brasileiros mais vistos de todos os tempos (na frente de "Pixote, a Lei do Mais Fraco" e "Tropa de Elite"!!!).

Por isso, outras produções destinadas ao público infanto-juvenil foram filmadas rapidamente para tentar aproveitar o filão, mas sem repetir o sucesso. Entre elas, "Sonho de Verão" (1990), com Sergio Mallandro, Paquitos e Paquitas, e "Gaúcho Negro" (1991). Todas são tão péssimas quanto UMA ESCOLA ATRAPALHADA, e compartilham do mesmo tom infantilóide, excesso de merchandising e aquela cara de "episódio mais longo de Malhação".


Demorou vários anos para que começassem a sair os primeiros filmes realmente interessantes produzidos com e para adolescentes. Entre eles, destaco as comédias românticas "Houve uma Vez Dois Verões" (2002), do gaúcho Jorge Furtado, e "As Melhores Coisas do Mundo" (2010), de Laís Bodanzky. Desnecessário dizer que nenhum deles têm Xuxa, Angélica ou as bandinhas da moda, embora esse último traga Fiuk (argh!) em "papel dramático". Mas sem jabá ou narrativa interrompida por videoclipes, como se fazia antigamente.

E mesmo que eu considere UMA ESCOLA ATRAPALHADA um filme execrável, tanto como "produto de consumo de massa" como enquanto "mensagem", é impossível não parar para pensar que, se fosse feito hoje, ele seria ainda pior. Afinal, no lugar de Supla e Angélica provavelmente teríamos Michel Teló e Anytta (aquela do "Pre-pa-ra..."). Já os garotos do Polegar seriam substituídos pelos sertanejos universitários do momento, enquanto Fábio Porchat e Bruno Mazzeo apareceriam no lugar dos Trapalhões.

Ou seja: nada está tão ruim que não possa piorar!


Veja UMA ESCOLA ATRAPALHADA na íntegra



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Uma Escola Atrapalhada (1990, Brasil)
Direção: Del Rangel
Elenco: Supla, Angélica, Grupo Polegar, Ewerton
de Castro, Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum,
Zacarias, Selton Mello e Maria Mariana.