WebsiteVoice

terça-feira, 16 de março de 2010

Tudo que você sempre quis ler sobre GLAUBER ROCHA, mas tinha preguiça de procurar


Uma das coisas mais chatas para quem estuda/estudou Comunicação ou Cinema é que os professores tentarão desesperadamente te vender a idéia de que Glauber Rocha é um gênio, um deus, o intelectual dos intelectuais, uma criatura abençoada vários degraus acima de nós, pobres mortais. Isso é sagrado, e se você não concordar com eles é porque a sua ignorância lhe cega, o seu preconceito lhe oprime, e não lhe permite enxergar a beleza e a genialidade do "maior cineasta brasileiro de todos os tempos"!

Pessoalmente, Glauber Rocha para mim sempre foi um chato de galocha e um caso clássico de "Não vi, não gostei", como escrevi nas minhas breves linhas sobre "Deus e o Diabo na Terra do Sol" alguns posts abaixo. Sim, eu conhecia algumas cenas dos seus filmes mais famosos, li muito sobre o homem e a obra, mas sempre que tentei ver algum dos seus filmes, não consegui ir muito além dos primeiros minutos. Vai ver a genialidade do Glauber é demais para a minha pobre cabecinha ignorante e acostumada ao "lixo cinematográfico" mais tradicional, mas juro que não consigo entender a grande contribuição glauberiana para o cinema brasileiro, quem dirá para o cinema mundial!

Enfim, neste ano eu resolvi que ia dar uma chance ao "gênio", forçando-me a agüentar bravamente uma revisão da sua obra. Acabei chegando à conclusão de que o culpado não sou eu. O cinema glauberiano pode até ter seus méritos (imagens e planos belíssimos, algumas ótimas idéias, o aproveitamento da cultura regional, do misticismo do Nordeste...), mas no fim seus filmes não me descem nem à força. EU NÃO CONSIGO GOSTAR DE GLAUBER ROCHA, e sempre me pareceu que a obra de Glauber é exageradamente super-estimada - "suportar" seus filmes até o fim só me confirmou esta suspeita.


É comum se sentir um alienígena por pensar assim, já que a maioria absoluta dos pensadores/pesquisadores/professores/críticos de cinema do Brasil (e alguns do exterior também) acha Glauber um Deus. Tente discutir a obra do cara com um daqueles metidinhos a cinéfilo-cult para ver o que acontece – só não vá armado! E foi justamente por me sentir um alienígena que vibrei de satisfação ao encontrar, por acaso, esta velha crítica de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", escrita à ocasião do lançamento do filme, em 1964.

Pois vejam só: a crítica traz tudo aquilo que eu sempre quis ler sobre Glauber Rocha! Podia muito bem ser usada como contraponto, nas universidades, àqueles textos do Ismail Xavier que tratam tudo que vem do Glauber como pura genialidade.

O autor é B.J. Duarte, crítico de cinema que, à época, era inimigo declarado de Glauber por causa das bobagens que o baiano disse e escreveu sobre o cinema paulista. Em alguns de seus artigos, Duarte referiu-se a Glauber e seus colegas cinema-novistas como "cabeludos sem asseio, desmazelados críticos e realizadores, praticantes de um cinema incerto e inculto, pasticheiros incorrigíveis", e outras maravilhas com as quais eu concordo quase 100%. Melhor ainda: escreveu que Glauber e sua turma praticavam "um cinema confuso, mosaico feito com cacos da nouvelle vague, os cacos de muito aparvalhado e a cacologia dos servis imitadores de Godard e Antonioni, de Zavattini e do japonês Oshima". Alguém realmente não concorda com isso?

Segue, na íntegra, os escritos do sujeito sobre "Deus e o Diabo...", e não é preciso concordar 100% com ele, mas reparem que o autor faz observações pertinentes que muitos "entendidos" relevam frente à sua cega paixão (ou seria idolatria?) glauberiana. Muitas vezes, simplesmente por puro medo de fazer feio diante de seu círculo de amiguinhos cinéfilos! Portanto, abram a cabeça e deleitem-se:


"Ao afirmar, desde logo, que não me agradou o filme de Glauber Rocha – Deus e o Diabo na Terra do Sol – não quero, com essa apreciação preliminar e radical, negar a inteligência de seu realizador, nem menosprezar seu entusiasmo de jovem, no manuseio dessa história de cangaço e misticismo, na sua ambição de realizar algo definitivo nesse indefinido 'Cinema Novo', de que é ele o campeão insuperável e o guarda-costas mais fiel.

Uma longa conversa com Glauber Rocha antes de assistir ao filme foi-me muito benéfica, na antecipação da análise da obra, e as declarações prestadas por seu realizador a respeito de suas idéias, gerais e particulares, sobre Deus e o Diabo, a abarcar o panorama do cinema brasileiro atual, firmaram posições, definiram pontos de vista e esclareceram satisfatoriamente algumas contradições e incoerências de atitudes encampadas no livro de Glauber 'Revisão Crítica do Cinema Brasileiro', sobre o qual eu escrevera exaustivamente neste jornal. E, como após a leitura desse livro, a impressão que fica, ao acender das luzes de Deus e o Diabo na Terra do Sol, é a de que Glauber Rocha deu um passo maior do que as pernas, claudicando grosseiramente ao fim desse esforço no campo áspero do cinema.

Seu filme é algo de deplorável em matéria de linguagem cinematográfica, apenas a demonstrar por parte do autor o desejo de colocar o cinema do Brasil na órbita de um movimento 'artístico' surgido na Europa ultimamente (embora as idéias que o configuram sejam antiquadas e superadas), chamado na França de 'cinema-verité', aqui caricaturado a expensas do nosso 'Cinema Novo', também esse, como é sabido, sem ostentar nenhuma novidade digna de atenção e de respeito. De fato até agora, tudo quanto apregoa o 'Cinema Novo' brasileiro ou é algo de muito velho, ou algo de muito ruim.
(Nota do Felipe: Este parágrafo merecia ser emoldurado e pendurado nas salas de aula de cursos de Cinema ao redor do país!)


Suas derivações mais recentes, Glauber Rocha as contou, em prosa inflamada, na sua 'Revisão Crítica', nesse livro tentando a árdua empresa de ordenar e expor o 'modus faciendi' da técnica de suster uma câmara na mão, sem apoio de tripé, sem os óculos dos filtros, sem a reverberação compensatória dos rebatedores, coisa de adolescentes que, pela primeira vez, conseguiram ter à mão uma câmara de amador e que, através do visor restrito, descobrem um mundo novo, configurado por uma técnica que desconheciam. Acontece que o mundo, para eles novo, continua a ser o mundo velho sem as porteiras de sempre e o que o aparelho consegue captar são imagens capengas e canhestras, só formativas da obra característica de aprendizes. Aprendizes de feiticeiros, que ao final, ou ao meio da produção, não sabem como situar-se no tumulto que criaram, nem como terminar a empreitada que a princípio lhes parecia tão fácil.

Deus e o Diabo na Terra do Sol é bem um exemplo disso. Projeção trêmula, quadros trepidantes, incríveis vaivéns de panorâmica sem função, desrespeito absoluto pelas regras mais elementares da técnica cinematográfica, iluminação precária da fotografia (não raro fora de foco) totalmente apartada da dramaturgia cinematográfica, desintegração total da unidade dramática, ausência de qualquer elemento criador na montagem narrativa fragmentada, descosida, tantas vezes incompreensível, eis o espetáculo de Deus e o Diabo na Terra do Sol, algo a que se assiste com enfadonha e fadiga, cujo final se recebe com alegria e desafogo.

'Uma ópera popular primitiva, brasileira e sem rebuscamentos', eis como define sua obra o próprio Glauber Rocha, ao referir-se a Deus e o Diabo na Terra do Sol, em entrevista concedida a este jornal. Primitivo, sem dúvida, seu filme o é; mas, primário seria melhor qualificação. Primário na exposição do tema, primaríssimo em sua feitura e em seu acabamento, uma negação total de seu próprio título. Não há Deus, nem Diabo, nem Sol, nessa terra em que Glauber Rocha erigiu o cenário de sua ópera. O seu Deus é um pobre diabo negro, enfático e declamador, incapaz de convencer o mais bronco dos sertanejos. O seu Diabo é um deus caricato, cabeludo, metido a filósofo do sertão e bailarino das caatingas. E o Sol brilha por sua ausência, nessa terra que deverá estar crestada por ele, nesse chão sofrido que os cantadores populares descrevem como algo ressequido e morto. Pois a paisagem de Deus e o Diabo, ainda que árida, se apresenta sob o foco (ou fora de foco) da 'câmara na mão' de Glauber Rocha, sempre sob um céu nublado, nunca sapecado pelo sol abrasador.


Nesse pano de fundo não raro neutro e sem características maiores, movem-se os personagens da 'ópera': Manuel e Rosa, Sebastião e Corisco, os camponeses do Nordeste, os escravos da gleba, o cego Julio, os minguados cabras de Corisco, o Antônio das Mortes, chapelão texano, capa preta a envolver esse 'Zorro' do sertão. Tudo isso pode ter sido concebido de modo metafórico, alegórico, simbólico, aceito de bom grado essa possibilidade na expressão de Deus e o Diabo. Tais recursos, entretanto, sempre foram utilizados pelo homem, desde que, antes de ter uma câmara na mão, pôde segurar um estilete, ou uma pena para pôr na pedra, no papiro, ou no papel suas idéias, sua sensibilidade, e assim descrever os abismos de sua alma, ou figurar os anseios da sua condição humana.

Mas é preciso que tais recursos - metáforas, alegorias, símbolos - sejam propostos no momento exato, conforme as circunstâncias e de modo funcional. Um homem vestido de capa preta, chapéu de aba larga, lenço ao pescoço, espingarda à mão, a andar de lá pra cá, a correr ou a saltar no campo cinematográfico, sem integrar-se na linha, no cenário, no âmago da ação dramática e na compreensão da história, só continuará a ser um homem de capa preta, simbolizando talvez um tenório em Caxias, ou um 'zorro' ao tempo das missões na Califórnia, nunca a expressar um 'coro', ou um 'prólogo' das tragédias antigas, ou mais simplesmente o 'Antônio das Mortes', matador de cangaceiros, no sertão de Cacorobó...

Não sinto nenhum prazer, senão apenas um sentimento de melancólica decepção ao ter de comentar o filme de Glauber Rocha, não de modo metafórico, mas às claras e sem preconceitos. Admiro a inteligência do jovem cineasta baiano e tenho-o na conta de alguém capaz de muitas coisas no cinema brasileiro. Falta-lhe contudo a maturidade dos velhos, a experiência dos que envelheceram sob a luz dos refletores, desse instrumental cinematográfico que Glauber tanto condena. Mas, isso não é irremediável. O passar do tempo lhe dará tudo e mais alguma humanidade, que é coisa de muita importância na realização do cinema legítimo, desse cinema que tanto ele quanto eu próprio almejamos para o Brasil. Vamos esperar, por isso." (04 e 05/09/1964)



CLAP, CLAP, CLAP, CLAP, CLAP, CLAP!!!


sábado, 13 de março de 2010

O EXECUTOR FINAL (1984)


Você já parou para pensar como o mundo seria triste caso o australiano George Miller não tivesse dirigido o clássico "Mad Max 2" em 1981? Primeiro, porque não teríamos esse FILMAÇO (um dos tantos na minha lista de melhores filmes de todos os tempos). Segundo, porque não teríamos todas aquelas maravilhosas e engraçadíssimas cópias trash de "Mad Max 2" feitas na Itália, como "Guerreiros do Futuro", de Enzo G. Castellari, e "O Guerreiro do Mundo Perdido", de David Worth (dois filmes que merecem seu espaço em breve aqui no FILMES PARA DOIDOS).

Nenhuma delas chega aos pés do original, é claro. Mas convenhamos que parecia relativamente fácil fazer clones de "Mad Max 2", pois não só os italianos, como também muitos norte-americanos e até outros australianos, investiram nas suas "versões genéricas". O visual pós-apocalíptico garantia até certa economia aos realizadores, já que poderiam usar cenários semi-desmontados e figurinos esfarrapados, além de veículos em cacarecos.


O EXECUTOR FINAL é uma destas inúmeras cópias trash italianas do clássico de George Miller. A diferença para as outras é que a trama, escrita por Roberto Leoni (de "A Cruz dos Executores"), não tem cara de clone de Mad Max e traz pouquíssimos elementos das aventuras pós-apocalípticas. A bem da verdade, o roteiro parece ter sido adaptado apenas para faturar em cima da onda, e as poucas cenas "pós-apocalípticas" destoam do resto do filme, como se tivessem sido incluídas de última hora no roteiro apenas para transformá-lo em mais uma aventura do gênero.

E é justamente isso que torna o filme hilário. O EXECUTOR FINAL já começa com a tradicional narração explicando como nosso mundo foi destruído por bombas nucleares - narração esta que se desenrola sobre o maior número de cenas de arquivo que os produtores conseguiram encontrar, de explosões atômicas a fotos de cidades devastadas na Segunda Guerra Mundial, e até a erupção de um vulcão! A coisa é tão bizarra que vale até postar aqui o vídeo do YouTube, para que vocês possam (re)ver e se emocionar:

O Apocalipse com cenas de arquivo


O narrador explica que a terra pós-apocalíptica acabou dividida em duas castas: uma com mais grana (claro!) vivendo nos subterrâneos, e outra lazarenta obrigada a viver na superfície, e contaminada pela radiação. Como uma forma de acabar com o problema dos humanos contaminados, explica o narrador, os ricaços lá do subterrâneo resolveram criar temporadas de caça. Você não leu errado: exóticos caçadores especializaram-se em subir à superfície para divertir-se caçando os humanos radioativos e acabando com a raça deles, para que não possam se reproduzir e continuar espalhando seus genes podres pela terra devastada.

Quando finalmente a história começa, encontramos o herói Alan Tanner, um cientista, sendo transportado do mundo subterrâneo à superfície. Alan é interpretado pelo austríaco William Mang, o mais próximo de um clone do Kurt Russell (em alta na época por causa dos filmes de John Carpenter) que os italianos conseguiram encontrar.

Descobriremos mais tarde que o herói é um cientista condenado injustamente a virar presa dos caçadores da superfície, assim como sua namorada (Cinzia Bonfantini). Ele descobriu que a contaminação terminou e que as pessoas da superfície não precisam mais ser exterminadas. Mas é claro que os fãs das caçadas humanas não querem que este "pequeno detalhe" chegue aos ouvidos do povo... Melhor mandar o cientista sabichão para a superfície como alvo!


Quando a trama sai do metrô para a superfície, o universo de "Mad Max 2" se mescla com o do clássico "The Most Dangerous Game", de 1932 (que influenciou, entre outros filmes, "O Alvo", de John Woo). Afinal, o herói e alguns outros humanos desafortunados servirão como caça para um grupo de exóticos caçadores vestindo o típico figurino pós-apocalíptico trash desse tipo de filme (muito couro preto, fitas na cabeça, adornos com pontas de metal...), ou mesmo as roupas que sobraram das obras anteriores da produtora (uma das moças usa um vestido que parece saído de algum épico sobre o Império Romano, por exemplo)

Os líderes dos caçadores são Edra (Marina Costa, no primeiro dos seus dois filmes) e Erasmus (Harrison Muller Jr.). Depois que os vilões cercam e exterminam um grupo de humanos, Alan e sua garota acabam capturados. Um dos caçadores estupra a moça, que depois é morta.


Já Alan foge e é atingido com um tiro, mas sobrevive e recupera-se nas mãos de um ex-policial chamado Sam (Woody Strode!). Pelos próximos 20 minutos, Sam dá uma de mestre Miyagi e treina Alan para a sua vingança. As cenas de treinamento, usando fogo e arame farpado, estão entre as melhores do filme.

Clássico da era de ouro do VHS no Brasil (saiu pela distribuidora Hipervídeo com uma capinha ridícula reaproveitada do pôster de "Assalto à 13ª DP", de Carpenter), O EXECUTOR FINAL é trash, absurdo, mal-dirigido e por isso mesmo engraçadíssimo. Embora não tenha a violência necessária, em comparação com outros clones italianos de "Mad Max 2", não faltam nudez e baixaria, com cenas de sexo, estupro e a nudez constante das estrelinhas Margit Evelyn Newton (que todos lembrarão de "Predadores da Noite", de Bruno Mattei) e Maria Romano (figurinha carimbada dos filmes italianos de mulheres na prisão).

O veterano Strode, nome conhecido dos western spaghetti (fez até "Era Uma Vez no Oeste"!), aparece em cena durante uns 15 minutos, e mesmo assim é a melhor coisa do filme.


Quando Strode não está, resta ao espectador rir das cenas de ação frouxas e da pobreza geral da produção. Por falar nisso, percebi grandes semelhanças entre os cenários, figurinos e instrumentos usados no filme (inclusive as armas de quatro ou cinco canos usadas pelos vilões) com aqueles que aparecem no clássico trash "Ratos", do Mattei, filmado no mesmo ano de 1984. Será que foram rodados simultaneamente, reaproveitando os mesmos elementos de cena? Eu apostaria 10 centavos que sim.

Vale destacar que todas as cenas com Woody Strode foram reutilizadas, cinco anos depois, em outra bagaceirice da Terra da Bota, "Bronx Executioner", dirigido por Vanio Amici em 1989. Cerca de 50% desse filme é formado pelas cenas de O EXECUTOR FINAL. Inclusive Strode nem precisou pisar no set nesta filmagem de cinco anos depois, e foi apenas redublado! O tipo de picaretagem que os italianos adoravam fazer...


Mais divertido no início do que quando descamba para a batida trama de vingança, O EXECUTOR FINAL tem alguns elementos que só confirmam a fama trash que recebeu desde o seu lançamento, como o péssimo e afetado vilão interpretado por Muller Jr.

Os realizadores até tentaram lhe dar alguma sofisticação: ele está sempre vestido de negro da cabeça aos pés, tem uma motocicleta estilosa, uma espada samurai e até aparece jogando xadrez consigo mesmo em certa cena. Mas não adianta: a suspeitíssima echarpe branca que o sujeito usa, e seus discursos medonhos (chamando os humanos contaminados de "animais"), afundam qualquer tentativa de criar um vilão sério.


Isso, mais a quantidade absurda de imbecilidades e bobagens ao longo da trama (incluindo uma cena de "condicionamento mental" à la "Laranja Mecânica"), transformam o que era para ser um filme pós-apocalíptico numa bizarra comédia involuntária. Principalmente por causa da noite em que o quartel-general dos vilões é invadido por Alan, que mata um deles. Ao encontrar o cadáver, o nosso amigo da echarpe branca ordena aos companheiros: "Alguém invadiu a casa. Vamos dormir e amanhã procuramos por ele!". Isso sim que é avaliar as prioridades...

Não dá para não perceber, ainda, o excesso de câmera lenta nas cenas de ação, à la Enzo Castellari. A menção do nome do mestre não é gratuita: acontece que o diretor de O EXECUTOR FINAL, Romolo Guerrieri, é tio de Enzo.

Pena que, ao contrário do sobrinho, Romolo utilize o recurso sem qualquer critério ou noção de estilo, colocando em câmera lenta até mesmo o que não precisa. Isso sem contar as exageradas piruetas feitas pelos dublês em meio às explosões - coisa de circo, como você pode ver na imagem abaixo!


Ruim em vários sentidos, divertido em outros tantos, e até bem-feitinho em alguns momentos, O EXECUTOR FINAL é aquele legítimo FILME PARA DOIDOS que sempre acaba encontrando o seu público, mesmo que esteja muito abaixo do padrão dos clones italianos de "Mad Max 2". Como eu escrevi lá no começo, parece uma historinha qualquer adaptada de última hora para o universo do filme de George Miller, e isso se percebe claramente.

O negócio é relaxar e rir muito com a quantidade de bobagens, deleitar-se com as belíssimas italianas de peitos de fora (principalmente Margit, uma musa esquecida) e surpreender-se com a precariedade da vingança do herói incompreendido Alan, já que quase todos os vilões de quem ele quer se vingar são mortos por outras pessoas que não ele!!! Bela vingança, hein?

Melhor sorte em "O Executor Final 2"!

Treinamento ninja em O EXECUTOR FINAL


*******************************************************
The Final Executioner/L'Ultimo
Guerriero (1984, Itália)

Direção: Romolo Guerrieri
Elenco: Woody Strode, William Mang,
Marina Costa, Harrison Muller Jr., Margit
Evelyn Newton e Maria Romano.