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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O LIMITE DA TRAIÇÃO (1987)



Poucos cineastas levaram tão a sério a proposta "filme pra macho" quanto Walter Hill, o homem por trás de sucessos como "48 Horas" e "Warriors - Os Selvagens da Noite". Num mundo injusto como esse nosso, Hill anda sumido das telas já há um tempinho, talvez se recuperando do fracasso da bomba "Supernova", com James Spader.

E enquanto ele não volta em grande estilo, nada melhor do que fazer uma retrospectiva de sua obra. O LIMITE DA TRAIÇÃO, de 1987, é um dos seus filmes menos comentados, mas um dos melhores de um carreira cheia de filmaços. Uma imagem diz mais que mil palavras, não é verdade? Pois que tal cinco imagens:


Em primeiro lugar, O LIMITE DA TRAIÇÃO é interessante por ser um western contemporâneo, uma tendência de muitas produções dos anos 80 (veja também o clássico do SBT "McQuade, O Lobo Solitário", com Chuck Norris).

A ambientação na árida e empoeirada fronteira do Texas com o México é puro western, o personagem principal (um ranger durão e de poucas palavras) é puro western, há um duelo final entre herói e vilão que é puro western... Enfim, o filme é um western dos anos 80, em que o "xerife" usa uma pistola automática e os bandidos, metralhadoras.

Em segundo lugar, esta obra menos conhecida de Hill tem um dos maiores elencos "cult" já reunidos fora de um filme do Tarantino, com os durões Nick Nolte, Powers Boothe, Michael Ironside, Rip Torn, Clancy Brown, William Forsythe e Tommy "Tiny" Lister Júnior e UMA ÚNICA MULHER, a "vai ser caliente assim lá em casa" Maria Conchito Alonso. Enfim, é tanta cara de mau, barba por fazer e testosterona que transforma filmes tipo "Comando para Matar" e "Stallone Cobra" em comédia romântica!


A partir de uma história de John "Amanhecer Violento" Milius e Fred Rexer, o roteiro de Deric Washburn e Harry Kleiner começa apresentando um grupo de soldados ligados por um misterioso detalhe: todos foram considerados mortos em combate, apesar de estarem vivinhos da silva.

Liderados pelo major Paul Hackett (Ironside, caprichando na cara de malvado), os "soldados-zumbis" são interpretados por malucões tipo Clancy Brown, William Forsythe, Matt Mulhern, Larry B. Scott (o frutinha de "A Vingança dos Nerds", aqui em papel de machão) e Dan Tullis Jr. À medida que eles aparecem em cena, um letreiro informa o nome de cada um e a data e local da suposta "morte".


O destino do esquadrão secreto é a fronteira do Texas, onde quem dita as leis é o texas ranger Jack Benteen (Nolte), auxiliado pelo veterano xerife Hank Pearson (Rip Torn). A dupla já tem seus próprios problemas com o tráfico da cocaína vinda do méxico, responsabilidade de um poderoso traficante chamado Cash Bailey (Powers Boothe, um dos atores mais fodas da sua geração).

O detalhe é que o herói Jack e o vilão Cash são velhos amigos de infância que dividiram praticamente tudo na vida, da primeira vez na adolescência ao atual amor de ambos, a cantora Sarita (Maria Conchita), que antes foi mulher do traficante, mas agora está num relacionamento "chove não molha" com o ranger. Se Jack e Cash não querem bater de frente, mesmo de lados opostos da lei, será a única mulher da trama, Sarita, quem colocará fogo no barril de pólvora.


Finalmente, quando os soldados que deveriam ter morrido em combate chegam à cidadezinha, Jack descobre que eles têm um objetivo em comum: botar as mãos em Cash Bailey. Mas a trama, que parece simples, logo se revela um pouquinho mais complicada, e até o final fica difícil descobrir quem está do lado de quem e quem está traindo quem.

Poucos cineastas conseguiram seguir tão bem os passos do falecido Sam Peckinpah quanto Walter Hill, e O LIMITE DA TRAIÇÃO prova porquê: além da quantidade gigantesca de testosterona por metro quadrado, da violência sempre presente (e sempre brutal) e da trama sobre honra e amizade que remete aos "velhos tempos", este filme de Hill termina com um sangrento massacre em câmera lenta numa vila mexicana comandada por Cash, onde os personagens trocam tiros mesmo quando já estão repletos de buracos de balas, e tentam enfrentar sozinhos uma luta perdida contra um exército com dezenas de inimigos.


O roteiro nada redondinho é bastante confuso quando a gente vê o filme pela primeira vez. Afinal, duas subtramas são apresentadas separadamente (a ação dos soldados "mortos em combate" e o duelo entre os ex-amigos de infância agora em lados diferentes da lei), e lá pela metade ambas acabam se cruzando, mas sempre revelando a conta-gotas as reais motivações dos personagens. É somente no desfecho que as coisas realmente começam a fazer sentido, e por isso as sucessivas revisões do filme acabam tornando-o ainda melhor.

Na verdade, O LIMITE DA TRAIÇÃO poderia muito bem dar origem a dois filmaços. O primeiro deles, claro, seria sobre o confronto entre Jack e Cash, que cresceram juntos e foram separados pelos lados opostos da lei. Já o segundo filme seria sobre a unidade especial secreta e sua operação impecavelmente organizada para chegar até o traficante.

Com duas tramas tão complexas se entrelaçando, infelizmente sobraram algumas pontas soltas. O personagem de Powers Boothe não aparece nem é tão desenvolvido quanto poderia ser. Ainda mais por ser um vilão "de responsa", sempre vestido de terninho branco e cheirando cocaína à la Tony Montana.

A apresentação do vilão é simplesmente brilhante: Cash pega um escorpião (de verdade!) com os dedos e fica brincando com ele antes de esmagá-lo com a própria mão - diz a lenda que um bichinho real foi esmagado pelo próprio Boothe!!!


A verdade é que os personagens e situações são tão interessantes que o filme parece até curto demais. Eu adoraria ver mais aventuras com o ranger Jack Benteen, interpretado por um fantástico Nick Nolte.

O herói é tão casca-grossa que não dá um único sorriso durante o filme inteiro, disparando frases feitas como "Eu não entrego minha arma sem que alguém se machuque", ou "Se você cruzar a fronteira, seu rabo é meu!". Perto dele, o McQuade de Chuck Norris não passa de um "aspira".

E eu também gostaria de ver mais do "esquadrão-zumbi" liderado por Ironside, tão organizado que faz com que dois de seus integrantes sejam presos apenas para descobrir a quantidade de telefones e de armas na delegacia da cidade! Como eu expliquei lá em cima, as motivações dos soldados não ficam bem claras até o final, mas achei muito interessante a idéia de militares simularem a própria morte para compor uma unidade secreta de combatentes. E os seus integrantes também fazem aquele tipo durão casca-grossa.


Como frase antológica pouca é bobagem, O LIMITE DA TRAIÇÃO ainda tem mais uma invejável coleção de pérolas, que deveria fazer os roteiristas de hoje terem um pouco de vergonha na cara. Entre elas, "A única coisa pior que um político é um pedófilo", ou "Música! E que seja boa, senão eu fuzilo a banda inteira!", ou "Estamos na Era Espacial e fomos presos por um cowboy da Idade da Pedra!". Ou o belíssimo "chega-pra-lá" que Nolte dá em Ironside:

- Eu espero alguma cooperação...
- E eu espero que você saia do meu caminho!


A única coisa inexplicável é o título nacional: afinal, qual é O LIMITE DA TRAIÇÃO numa história em que praticamente todo mundo fica se traindo? Mais interessante é o título original, "Extreme Prejudice", tirado da missão da unidade liderada pelo major Hackett: "Terminate [Cash Bailey] with extreme prejudice".

Com todas essas qualidades, e mais os sangrentos tiroteios que praticamente chacinam o elenco inteiro até a conclusão (lembre-se que estamos nos exagerados anos 80, e não no "politicamente xaropento" século 21), O LIMITE DA TRAIÇÃO é um daqueles Filmaços com F maiúsculo, um tesouro perdido nas nossas videolocadoras (só saiu em VHS pela Transvídeo, cuja capinha traz um resumo da trama repleto de erros, comprovando que nem a própria distribuidora entendeu a história).


Alguém deveria relançar o filme urgentemente em DVD, e principalmente em widescreen, que valoriza ainda mais a belíssima fotografia em cores quentes (lembrando, mais uma vez, os westerns). E como talento pouco é bobagem, a trilha sonora é assinada por ninguém menos que Jerry Goldsmith.

Assim, se o que você procura é uma aventura que tenha a frase "filme para meninos" estampada em cada fotograma, O LIMITE DA TRAIÇÃO é a melhor escolha, uma reunião de sujeitos durões que não faz feio em comparação a, por exemplo, "Sete Homens e um Destino" (que tinha Yul Brynner, Eli Wallach, Steve McQueen, Robert Vaughn, James Coburn E Charles Bronson) ou "Os Doze Condenados" (com Lee Marvin, Ernest Borgnine, Jim Brown, John Cassavettes, George Kennedy, Telly Savallas, Donald Shuterland E Charles Bronson de novo!).

E vale conhecer o filme agora até como uma preparação para "o grande filme de macho" dos últimos tempos, que estréia em 2010: "Os Mercenários", dirigido por Sylvester Stallone, que trará a explosiva combinação, num mesmo filme, de Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Mickey Rourke, Bruce Willis, Gary Daniels E Arnold Schwarzenegger!!! Ainda bem que testosterona não é uma substância ilegal (e só faltou mesmo Chuck Norris e Van Damme para completar a festa!).

Trailer de O LIMITE DA TRAIÇÃO



Teaser trailer de O LIMITE DA TRAIÇÃO


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Extreme Prejudice (1987, EUA)
Direção: Walter Hill
Elenco: Nick Nolte, Powers Boothe,
Maria Conchita Alonso, Michael
Ironside e Clancy Brown.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

...E PER TETTO UN CIELO DI STELLE (1968)


Quando eu li em algum lugar que ...E PER TETTO UN CIELO DI STELLE tinha uma das cenas iniciais mais lindas da história do western spaghetti, achei que era um pouco de exagero. Afinal, como alguém poderia fazer melhor que a maravilhosa introdução de "Era Uma Vez no Oeste", de Sergio Leone, por exemplo? Então resolvi conferir in loco. E o filme dirigido por Giulio Petroni (do clássico "A Morte Anda a Cavalo") começa assim...

...uma diligência cruzando uma planície desértica é atacada por um numeroso grupo de bandidos a cavalo. Os facínoras enchem o veículo de tiros, até que um deles consegue matar o condutor e parar a diligência. De dentro dela, tiram os cadáveres de um homem e de uma linda garota loira, e dão o tiro de misericórdia num segundo homem que ainda estava vivo. Mas os bandidos não tocam em nada, nem roubam nada. Esperavam encontrar alguém que DEVERIA estar na carruagem, mas não está. Furioso, o líder comanda a fuga, deixando para trás o cenário do massacre completamente inútil. A câmera então se aproxima lentamente da diligência cheia de buracos de bala, a música extremamente triste de Ennio Morricone (orquestrada por outro mestre, Bruno Nicolai) começa a tocar, e a cena - brilhante - termina num close do rosto sem vida da loira. Até que uma mão entra no quadro e limpa a areia do rosto da morta. É a mão de Giulianno Gemma, o homem que os bandidos esperavam encontrar na carruagem!


Sim, amigos, a cena inicial é belíssima, e só ela já valeria pelo filme inteiro. Felizmente, este western diferente tem outras qualidades que o colocam um pouco acima da média das produções do período.

O triste massacre inicial logo dá lugar ao encontro do personagem de Gemma, que se chama Tim Hawkins, com o do garimpeiro Harry (interpretado por Mario Adorf), que passava por ali minutos após o ataque à carruagem. Silenciosamente, os dois desconhecidos cavam sepulturas para os quatro mortos que nem conhecem, e então seguem até uma cidade próxima, onde acabarão se tornando parceiros de aventuras.

O que nem Harry e nem o espectador sabem, ainda, é que Tim é um grande trapaceiro, que pasará o restante do filme aplicando golpes no "amigo" garimpeiro e em outros personagens secundários. Após roubar as pepitas de ouro que Harry passou seis meses garimpando, os dois acabam o restante do filme juntos, com o pobre homem lesado forçando o espertalhão a reaver sua grana.


Mas, desde o começo, sabemos que o garimpeiro bonachão não é o único que quer a cabeça do simpático golpista: aquela violenta quadrilha que matou os inocentes ocupantes da diligência, liderada pelo sádico Roger Pratt (em excelente interpretação de Federico Boido, com direito a cicatriz em metade do rosto e tudo mais), está caçando obsessivamente o fora-da-lei. E qualquer pessoa vista em sua companhia, como Harry, é considerada cúmplice e passa a ser perseguida também. Assim, sem querer, o garimpeiro logrado torna-se também um fugitivo e precisa associar-se ao "rival" Tim para sobreviver à caçada humana.

O mais curioso é que, após aquele início brutalmente melancólico, ...E PER TETTO UN CIELO DI STELLE desenvolve-se como um western cômico, no estilo dos filmes da série Trinity. A própria associação Gemma/Adorf lembra muitas vezes a dupla engraçadinha imortalizada por Terence Hill e Bud Spencer.

Boa parte da trama cobre os golpes engraçados que Tim e Harry aplicam durante a fuga para conseguir algum dinheiro, o que envolve desde abrir um serviço de telégrafo com mensagens para todos os Estados Unidos (quando o aparelho nem ao menos tem fio!) até seduzir uma bonita viúva (a lindíssima Magda Konopka, de "Blindman"), na mesma tarde do funeral de seu marido! Mas, como Harry faz o tipo trapalhão estilo Bud Spencer, sempre arruína todos os golpes no final.


Já Tim faz aquele estilo vigarista simpático, com quem o espectador se identifica - mesmo sabendo que ele está lesando pobres pessoas inocentes. Não gosta de usar armas e deixa o trabalho pesado para o "colega" Harry, que protesta: "No Oeste, você vive pouco sem ter uma pistola". Mas Tim retruca: "Eu prefiro usar o cérebro".

Eu normalmente não gosto muito destes westerns cômicos (alguns pesquisadores do western spaghetti alegam que esse tipo de produção foi responsável pela morte prematura ao ciclo), mas ...E PER TETTO UN CIELO DI STELLE fica acima da média, e especialmente das aventuras mais leves e inocentes de Terence Hill e Bud Spencer. Isso porque, apesar de investir numa trama bem humorada, o filme ainda tem cenas bastante tristes e um tom melancólico, reforçado pela belíssima música de Morricone/Nicolai.


Embora Tim seja um protagonista simpático, logo fica claro que ele é encrenca para todas as pessoas que se relacionam com ele. Perto do final, um simpático casal de artistas, que apresenta um espetáculo de freakshow (uma falsa sereia), é impiedosamente morto pelos homens de Pratt, numa cena inesperada e bastante dramática, que arruína totalmente o clima de humor em que o filme investia até então.

É quando entra em cena o pai de Roger, Samuel Pratt (interpretado por Anthony Dawson, um dos vilões de "007 Contra o Satânico Dr. No"). Ele revela a verdade sobre Tim: o estelionatário do Oeste na verdade era um pistoleiro chamado Blly, que integrava a quadrilha dos Pratt. Rápido e mortal no gatilho, ele cansou da vida de crimes e resolveu "se aposentar".

Perseguido pelo patriarca Samuel, que não aceitou a "demissão", Billy/Tim matou dois dos filhos do criminoso na fuga, o que deu início à caçada sem trégua movida pelo único filho restante, Roger. Tudo se encaminha para o tradicional confronto final e uma conclusão que também é bastante triste, e somente valoriza ainda mais este belo filme.


Sempre é bom esclarecer a confusão dos títulos nacionais da obra: "Quem Dispara Primeiro?" é o título genérico e nada inspirado adotado pela distribuidora Ocean no recente relançamento do filme em DVD. Segundo uma troca de mensagens postadas na minha comunidade Bangue-Bangue à Italiana, no Orkut, o primeiro título do filme, quando foi exibido nos cinemas nacionais, também era genérico: "A Pistola é Minha Bíblia". Finalmente, em VHS (e posteriormente num primeiro DVD bagaceiro), a distribuidora CineArt optou por um terceiro título, este enganoso: "A Vingança de Ringo" (um personagem interpretado por Giuliano Gemma em outros filmes).

Vale ressaltar que todos estes três títulos ficam bem longe da poesia do original, "E Por Teto um Céu Cheio de Estrelas", que diz respeito tanto aos vários mortos que tombam ao longo da narrativa quanto às noites que Tim e Harry passam na velha cabana de um rancho herdado pelo garimpeiro, e cujo telhado tem um enorme buraco que permite ver o céu e as estrelas.

Bastante diferente de outros clássicos do western spaghetti, já que o protagonista aqui prefere usar mais a malandragem do que a pistola (e passa a maior parte do filme FUGINDO dos seus perseguidores ao invés de enfrentá-los, mesmo sendo um ás do gatilho), ...E PER TETTO UN CIELO DI STELLE vale ainda pelos ótimos tiroteios da metade para o fim - a primeira vez que o personagem de Gemma é obrigado a mostrar sua destreza no uso da pistola é sensacional e inesperada!


Por isso, mesmo aqueles que, como eu, não são lá muito chegados em westerns mais engraçadinhos podem arriscar, pois deverão encontrar boas qualidades nesse filme do Petroni. Especialmente quando o diretor surpreende ao quebrar o tom de humor para mostrar como era dura e violenta a vida do Velho Oeste. Quem procura por um western dos bons não pode deixar passar essa bela obra.

Dica: Vale a pena comprar o DVD Duplex lançado pela Spectra Nova. Normalmente, os DVDs de western spaghetti lançados no Brasil são um lixo, mas este surpreende por trazer uma imagem cristalina em letterbox e ainda, como programa duplo, o excelente "Blindman", de Ferdinando Baldi, cuja cópia também é em letterbox e sem cortes. Uma bela (e barata, cerca de R$ 9,90) aquisição para colecionadores do gênero.

Trailer de QUEM DISPARA PRIMEIRO?


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...E Per Tetto un Cielo di Stelle
(1968, Itália)

Direção: Giulio Petroni
Elenco: Giuliano Gemma, Mario Adorf,
Magda Konopka, Federico Boido, Anthony
Dawson e Julie Menard.