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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Besouro Verde... e Amarelo


- Eu acho bom você resolver isso logo, Noca.
- Não vai ser fácil, coronel...
- E por quê?
- Porque ele voa!


Cada vez mais eu me convenço de uma coisa: crítico brasileiro de cinema é soda. Estou falando, claro, desses bananas que GANHAM GRANA para escrever besteira sobre filmes em jornais e revistas, e não de alguns idealistas e abnegados autores do mundo virtual que não ganham nem um puto para elaborar textos infinitamente melhores.

Fato é que toda crítica "oficial" sobre o cinema brasileiro, por exemplo, é invariavelmente igual: se o filme retrata a criminalidade urbana ou o miserê nordestino, os bananas reclamam que brasileiro só sabe contar a mesma história; agora, quando algum cineasta verde-amarelo tenta inovar e contar "outra" história, aí os bananas reclamam que é cópia do cinema de Hollywood.

Resumindo: não podemos ter filmes sobre favelas e nordestinos, porque aí é sempre a mesma coisa, e nem filmes com tiros, perseguições de carro ou lutas, porque aí estamos copiando o cinema dos outros países (não há uma "crítica banana" que não traga frases como "A perseguição de carro lembra o cinema de Hollywood", ou opiniões do gênero).


É impressão minha ou esses caras nunca estão satisfeitos com nada? Esquecem, talvez, que o bom cinema pode "canibalizar" o "cinema dos outros" e adequá-lo à sua própria realidade. Basta lembrar que alguns dos melhores westerns (um gênero tipicamente norte-americano) foram produzidos na Itália, e alguns clássicos filmes de artes marciais (coisa da cultura oriental) têm produção norte-americana, como "Operação Dragão", estrelado por Bruce Lee. Só brasileiro não pode, senão toma pau dos críticos.

Bem, tudo isso para falar sobre BESOURO, uma das mais criativas (se não únicas) tentativas recentes de se fazer um cinema brasileiro popular, voltado a outro público que não os pseudo-intelectuais. Não tem favela (embora até tenha um pouco de miséria), e é vendido como um filme brasileiro de pancadaria. Tem até mão-de-obra estrangeira na coreografia das cenas de luta: os produtores contrataram Huan-Chiu Ku, que participou de filmes como "O Tigre e o Dragão", para ajudar a dar uma "ar oriental" à pauleira brazuca.

A crítica "séria", claro, caiu matando. Porque filme brasileiro não pode parecer filme oriental, porque isso é um absurdo, porque a cultura nacional está sendo prostituída para ficar parecida com o cinemão hollywoodiano, bla bla bla. Poucos realmente se dignaram a analisar o filme considerando o que ele realmente é: uma rara tentativa de fazer uma produção de luta no país. Funciona? Considerando que é uma das poucas, funciona. Mas nem sempre tão bem como poderia.

Em 1991-92, já houve uma outra tentativa de fazer um filme de ação brasileiro na linha dos "Kickboxing" da vida. Pouca gente lembra, mas era o "A Gaiola da Morte", dirigido por Waldir Kopesky, produzido pelo Fauzi Mansur e estrelado por Paulo Zorello, que era campeão de alguma arte marcial. Descontando a pobreza da produção pré-Retomada, "A Gaiola da Morte" era um filme popular e bastante eficiente na sua proposta, no mesmo nível (se não melhor) de muita bobagem que a Bandeirantes costumava exibir nas noites de terça-feira daquela mesma época.


E quanto ao BESOURO? A idéia é originalíssima: enquanto em "A Gaiola da Morte" tínhamos um brasileiro lutando kickboxing, mas isso o Van Damme também fazia melhor lá em Hollywood, agora o filme dirigido pelo premiado publicitário João Daniel Tikhomiroff traz um montão de brasileiros, todos negros (quando foi a última vez que você viu um filme nacional em que o elenco era 90% formado por negros?), lutando/jogando capoeira, aquela luta/dança que é tipicamente nacional.

Os gringos até já tinham usado a capoeira em vários filmes de ação produzidos nos Estados Unidos, como "Esporte Sangrento" (1993), com Mark Dacascos, e "Desafio Mortal" (1996), do Van Damme, ambos trazendo como representante nacional o baiano César Carneiro, que é um mestre nessa arte. Mas BESOURO é a única produção brasileira, pelo menos que eu me lembro, a enfocar a capoeira dentro de uma proposta de filme de ação.

O roteiro de Tikhomiroff e de Patrícia Andrade (a roteirista de, ai!, "Salve Geral") começa no Recôncavo Baiano da década de 20, e diz-se inspirado numa suposta figura real - um lendário mestre de capoeira que atendia pela alcunha de Besouro (interpretado pelo estreante Aílton Carmo). Quando seu mestre (Macalé) é assassinado pelos homens do "coroné" que controla a região (Flavio Rocha), Besouro se retira para a mata, amargurado pela culpa, pois estava se exibindo em rodas de capoeira quando devia estar protegendo o mestre.

Resolve, então, se transformar numa espécie de super-herói 100% nacional, que, com a ajuda dos orixás do candomblé (como Exu e Iansã), ganha poderes sobrenaturais para lutar contra a tirania e contra a exploração dos negros, ainda forçados a trabalhar como escravos na colheita de cana-de-açúcar dos brancos, embora a escravidão já tenha sido abolida.


Embora BESOURO tenha essa cara de filme oriental de artes marciais (não falta nem o clichê do mestre assassinado), logo a trama toma rumos "brasileiros", incluindo uma cerimônia de candomblé para deixar o "corpo fechado" ("Atirando mal, todo corpo é fechado!", reclama o coronel) e o típico triângulo amoroso entre o herói e dois amigos de infância, Dinorah (Jessica Barbosa) e Quero-Quero (Anderson Santos de Jesus), incluindo uma inspirada cena em que Besouro e Dinorah fingem lutar, mas a capoeira ganha uma coreografia mais "erotizada" para que ambos possam consumar seus desejos.

Se há um grande problema na obra, é o de ficar no meio do caminho entre filme de ação popular, para o povão mesmo, e produção estilosa e "artística" para ganhar festivais de cinema Brasil afora. A fotografia é belíssima, as lutas muito bem coreografadas, os movimentos de câmera chegam a seguir o movimento de besouros e sapos por baixo d'água, e a presença dos orixás e de cenários baianos dão um brilho brasileiríssimo ao filme.

Só que às vezes todas essas firulas acabam atravancando a narrativa - que é o que importa no final das contas -, e principalmente atrasando as cenas de ação e pancadaria, a grande razão de ser da película, pelo menos considerando o trailer e o marketing.

Afinal, os caras trouxeram ao Brasil um especialista oriental e fizeram todo o marketing de BESOURO em cima disso. Eu, pelo menos, fui ao cinema esperando por um "O Tigre e o Dragão" verde-amarelo, mas o Besouro de Tikhomiroff e Patrícia Andrade é um herói muito mais "filosófico" do que casca-grossa. Na maior parte do filme, ele fica escondido dos seus inimigos no meio da floresta, treinando e em contato com seus orixás, raramente saindo no braço com os homens do coronel, preferindo inclusive agir na calada da noite para sabotar as plantações do seu inimigo.


Por isso, creio que muita gente vai se sentir enganada quando for ao cinema para ver um filme de pancadaria com poucas cenas de pancadaria, separadas por longas cenas de diálogos ou aquelas tomadas "artísticas" da belíssima paisagem natural da Chapada Diamantina. Portanto, o mais importante é saber que BESOURO não é um filme de pauleira "non-stop", mas uma aventura diferente, que tem inclusive toques sobrenaturais.

Feita esta ressalva, vamos ao que interessa: as lutas funcionam? Ô, e como! Não ficam nada a dever ao que se faz "lá fora", inclusive apelando para o uso de cabos para suspender seus atores, ajudando-os a fazer malabarismos impossíveis.

Um dos grandes momentos é a luta entre Besouro e o "ex-amigo" Quero-Quero, no meio do bosque, com ambos subindo e descendo das árvores com a mesma agilidade dos personagens de "O Tigre e o Dragão". O confronto "sobrenatural" entre Besouro e o Exu no meio de uma feira também é muito bem coreografado, já que o orixá voa para cima de telhados para escapar dos golpes do herói.


É uma pena, portanto, que o filme prepare todo o clima para uma batalha final explosiva entre Besouro e os homens do coronel, armados até os dentes para dar um fim no herói, mas o que se vê na tela é uma lutinha muito rápida, com um "anti-clímax" até surpreendente. Na minha opinião, essa foi a grande pisada-de-bola dos produtores: faltou uma pauleira de uns 15 minutos em ritmo de capoeira na conclusão, e certamente é isso que o povão que vai ao cinema também esperava.

Talvez o Besouro que está na tela não seja, afinal de contas, o "super-herói brasileiro" que todo mundo queria ver. Como eu já escrevi antes, ele é um tipo mais "na dele", reflexivo, que prefere ficar escondido apelando para o candomblé, e só luta quando não tem outra alternativa. Bem diferente daqueles heróis orientais que saem descendo o braço em tudo que vem pela frente, não é? Dá até pra brincar dizendo que, por ser um herói baiano, ele tem uma preguiiiiiiiiiiça de lutar...

Mas se o herói é imperfeito e aquém das suas possibilidades, a reconstituição de época é primorosa, e os vilões são muito bem caracterizados - inclusive agem e se vestem como se fossem pistoleiros de western. O coronel não mete medo em ninguém, mas seu braço direito, Noca de Antônia (Irandhir Santos, ator "alternativo") é a melhor coisa do filme, e rouba a cena toda vez que aparece, disparando engraçadas provocações racistas antes de finalmente tomar o troco merecido. Numa delas, ele caçoa do negro que tem medo de tomar um copo de cachaça na sua companhia: "É bom mesmo não beber, porque misturar pinga com frango preto dá macumba!".


Com alguns erros e muitos acertos, BESOURO é um filme que merece reconhecimento do público, até por ser uma das raras experiências do cinema brasileiro moderno no gênero ação - e provavelmente a primeira que representa a capoeira como algo tão letal quanto o karatê ou o kickboxing.

E o filme tem tudo que qualquer pessoa de bom gosto gostaria de ver numa produção nacional: cenas e paisagens lindas, produção classe A, pancadaria e até sexo e mulher pelada. Pode faltar um pouco de ação, mas do jeito que está já fica vários pontos acima da maioria das produções nacionais que eu vi esse ano.

Portanto, esqueça os críticos bananas, passe longe das suas críticas estéreis sobre BESOURO nos jornais e revistas, e vá aos cinemas prestigiar na tela grande esse herói negro, tupiniquim, bom de briga e voador (!!!), que certamente seria uma opção muito melhor (e mais brasileira) para representar o país no Oscar 2010 do que o escolhido oficial, aquela bomba do "Salve Geral".

É só lembrar que "O Tigre e o Dragão" ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na sua época para perceber que talvez tenhamos perdido uma grande chance de mostrar aos gringos uma faceta da nossa cultura que eles definitivamente não estão acostumados a ver - e nem nós!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A MORTE PASSOU POR PERTO (1955)


Com um filmografia repleta de maravilhas da sétima arte, Stanley Kubrick nunca precisou provar nada para ninguém: é um dos grandes gênios do cinema, e ponto final.

Entretanto, mais do que suas obras consagradas, tipo "Laranja Mecânica" e "2001 - Uma Odisséia no Espaço", sempre é bom conhecer os primeiros trabalhos do diretor, aqueles sobre os quais os "cinéfilos de carteirinha" pouco ou nada escrevem, porque são produções classe B mais simples, e eles acham que poderiam "macular" a carreira do diretor.

Eu já enxergo sob outro ponto de vista: nesses primeiros filmes, como A MORTE PASSOU POR PERTO, já é possível ver um gênio do cinema se formando.


Kubrick tinha apenas 27 anos quando dirigiu, escreveu, produziu, editou e fotografou (!!!) essa história da gângsters bem parecida com outros filmes B da época, mas diferente justamente pelas inovações estéticas e narrativas.

E é só parar para pensar no que VOCÊ estava fazendo com 27 anos para chegar à conclusão de que o jovem Kubrick já era fera, e dominava, mais do que alguns veteranos da área, aspectos primordiais da realização cinematográfica, como a iluminação e a composição de cada quadro.

Com apenas 67 minutos e um orçamento miserável de 40 mil dólares, A MORTE PASSOU POR PERTO é, oficialmente, o segundo longa-metragem do diretor, que nunca gostou muito do seu trabalho anterior, "Fear and Desire", de 1953, e nunca permitiu seu relançamento.


Rodado em belíssimo preto-e-branco, o filme começa com seu protagonista, Davey Gordon (interpretado por Jamie Smith), esperando ansiosamente por alguém numa estação de trem. A partir de então, enquanto Davey caminha nervoso de um lado para o outro, conta sua triste história, que é mostrada em flashback.

O rapaz é um boxeador decadente que saiu do interior para tentar a sorte na cidade grande, mas tem acumulado sucessivas derrotas nos ringues. Mora num edifício decadente, onde sua única companhia é um aquário com peixinhos (bem irônico para um boxeador brutamontes). E, através da janela, ele observa a bela moradora do prédio ao lado, a "femme fatale" Gloria Price (Irene Kane).


Pela mesma janela, Davey certo dia acompanha a agressão da moça pelo seu "namorado", um gângster muito mais velho que ela chamado Vincent Rapallo (Frank Silveira, que já havia aparecido em "Fear and Desire").

É óbvio que o boxeador de bom coração resolve proteger Gloria, e a loira de olhar frio demonstra-se perdidamente apaixonada por ele, embora se conheçam a apenas algumas horas. Resolvem, então, fugir juntos para longe de Rapallo e seus capangas, e ir morar na fazenda onde vivem os tios de Davey.

Só que o gângster deve um último pagamento a Gloria (ela trabalhava como dançarina no salão de baile de Rapallo), e a cobrança da conta começa a complicar a história, com direito a inocentes assassinados, tiros, seqüestro e até uma morte a machadadas!


A MORTE PASSOU POR PERTO é o último filme que Kubrick dirigiu a partir de uma idéia e história de sua autoria (roteirizada por Howard Sackler). Em seguida, por um motivo nunca justificado pelo próprio Kubrick, todos os seus filmes posteriores foram adaptações literárias, de "O Grande Golpe" (1956) ao derradeiro "De Olhos Bem Fechados" (1999).

Embora a trama realmente não traga grandes novidades ou reviravoltas, é a forma como Kubrick narra a aventura de Davy e Gloria que torna o filme tão atraente. A história é toda contada em flashback pelo protagonista, com direito ainda a um "flashback dentro do flashback", quando Gloria conta a trágica história de sua irmã bailarina. Na conclusão, a narrativa finalmente retorna ao "tempo presente", quando o espectador assiste ao desfecho da espera de Davey na estação de trem.


A história, porém, é o menos interessante de A MORTE PASSOU POR PERTO. Apenas um ano depois de "Janela Indiscreta" (o clássico de Hitchcock foi lançado em 1954), Kubrick novamente narra uma trama sobre problemas que surgem quando o protagonista fica bisbilhotando a janela alheia.

E é o espiar de Davey pela janela que rende alguns dos momentos mais incríveis do filme, como aquele em que o boxeador está em frente ao espelho e a janela de Gloria está refletida nele, permitindo que o espectador veja tanto o protagonista quanto os acontecimentos no outro prédio. Um toque de gênio, puro e simples.


Além disso, há uma seqüência brilhante de montagem paralela, quando takes de Davey se preparando para entrar no ringue são intercalados com takes de Gloria se preparando para uma noite de dança no salão de Rapallo - como se ambos, Davey e Gloria, estivessem prestes a encarar uma luta.

E falando nela, a luta de boxe filmada pelo jovem Kubrick encontra paralelo nas cenas dos posteriores "Rocky, Um Lutador" e "Touro Indomável" (que também é em preto-e-branco), com um detalhe inovador: em determinado momento, a câmera de Kubrick transforma o espectador no rival de Davey (vemos apenas suas mãos socando o protagonista, como se fosse a visão em primeira pessoa do outro lutador), e logo depois no próprio Davey (quando a câmera cai, indo a nocaute).


Já está sem fôlego? Pois eu nem comecei a falar da fotografia belíssima, onde minúsculos pontos de luz criam sombras enormes e ameaçadoras, tornam os cenários assustadoramente escuros e realçam a sensação de perigo iminente (como o diretor faria posteriormente também em "O Grande Golpe").

O final, então, é uma obra-prima: eu poderia imitar esses críticos de cinema xaropes e ficar aqui matraqueando dezenas de metáforas para o que representa a violenta luta entre Davey e Rapallo num depósito de manequins, mas prefiro analisar a cena simplesmente pelo que ela é: uma cena belíssima, em que herói e vilão lutam ferozmente entre sinistros bonecos ou pedaços deles. Certamente, um resultado muito mais impressionante do que se o confronto fosse filmado em qualquer outro cenário.


E mesmo que o roteiro de A MORTE PASSOU POR PERTO não tenha nada de muito espetacular, é incrível a forma como Kubrick humaniza seus personagens. É o caso de Davey, o boxeador fracassado, que, na contramão de 99% dos heróis de Hollywood, realmente teme pela sua vida e procura ficar longe de encrenca.

Já Gloria é mostrada como a típica "femme fatale" dos filmes noir daquela época, e o espectador, como o protagonista, nunca sabe se pode confiar nela (estará a loira apenas usando Davey para se livrar do gângster, ou realmente gosta dele?).


Para completar, temos o gângster Rapallo mostrado como uma figura frágil e com sentimentos, ao contrário da forma como os vilões eram apresentados na maioria das produções da época. A cena em que ele leva um fora de Gloria é ótima, pois todo mundo espera por uma explosão de violência do implacável gângster, mas o sujeito acaba sofrendo um inesperado baque, comprovando que realmente era apaixonado pela moça.

Os próprios capangas anônimos de Rapallo, apresentados como figuras ameaçadoras quando vão espancar um desafeto até a morte (em outra belíssima cena filmada num beco escuro), depois se revelam pessoas "normais", que, como nós, não conseguem fazer malabarismos impossíveis e inclusive torcem o pé ao pular de uma altura um pouquinho maior.


Por detalhes interessantes como esse, e pela belíssima fotografia, A MORTE PASSOU POR PERTO é um filme que precisa ser conhecido não só pelos fãs puxa-saco do Kubrick, mas por todo amante de bom cinema, mesmo aqueles que costumam fugir de filmes antigos com a típica desculpa do "Não gosto de filme velho".

Pois o ritmo e a narrativa dessa obra de 1955 não ficam nada a dever a muito filme moderno (só lhe falta, talvez, a violência das produções atuais), e inclusive ele dá um banho em muito suposto veterano da atualidade.

E é lembrar que Kubrick tinha 27 anos quando fez praticamente tudo nesse filme para respeitar ainda mais o ótimo resultado final.

A luta de boxe de A MORTE PASSOU POR PERTO


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Killer's Kiss (1955, EUA)
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Jamie Smith, Irene Kane,
Frank Silveira, Jerry Jarrett, Mike
Dana e Felice Orlandi.