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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

BOOT HILL (1969)


Esta foi a terceira vez que vi BOOT HILL, western escrito e dirigido por Giuseppe Colizzi. Mas, se considerarmos a péssima qualidade das cópias anteriores (a primeira vez foi com um VHS da velha Poletel, e a segunda com um DVD tosquíssimo e cara-de-pau da Works/London Filmes), posso dizer que somente agora eu REALMENTE vi o filme.

Se antes tive que engolir péssimas versões em fullscreen com imagem granulada e cores lavadas, que transformam a experiência de ver o filme num tormento, agora finalmente peguei uma versão em letterbox e remasterizada, lançada pela distribuidora Flashstar com uma chamada equivocada na capinha, dizendo que é "o primeiro faroeste de Terence Hill e Bud Spencer" (não é o primeiro).

Nas fotos abaixo você pode comparar o contraste: a primeira foi capturada do DVD da Works; a segunda, do DVD da Flashstar.


Aqui no Brasil, BOOT HILL ficou popularizado com o título da época do videocassete, "Trinity e a Colina dos Homens Maus" (também foi este o título usado no relançamento pela Flashstar; só a Works adotou o original em inglês). Pois esta tradução é duplamente enganosa, já que não há Trinity na história e muito menos uma "colina dos homens maus".

Ocorre que, aqui no Brasil, todo e qualquer filme estrelado por Terence Hill passou a ter o nome Trinity no título, mesmo que o personagem interpretado pelo ator seja outro totalmente diferente, como acontece nesse caso. Já a tal colina é apenas uma tradução equivocada para a expressão "Boot Hill", o apelido em inglês para cemitério, equivalente ao nosso "colina dos pés-juntos".

Embora não tenha Trinity, o filme resgata um personagem já interpretado por Terence Hill em outros dois filmes do diretor-roteirista Colizzi, o pistoleiro Cat Stevens - mesmo nome de um famoso cantor e compositor britânico, a exemplo do Django de Sergio Corbucci, cujo nome foi inspirado no músico Django Reinhardt.


No western spaghetti, Cat já tinha aparecido anteriormente em "Deus Perdoa... Eu Não!" (1967) e "Os Quatro da Ave Maria" (1968), todos também dirigidos por Giuseppe Colizzi. Não vi nenhum dos dois, mas, pelo que pesquisei, a "trilogia Cat Stevens" é formada por aventuras com pouca relação umas com as outras, além da presença de Terence e do seu parceiro habitual, Bud Spencer, cujo personagem se chama Hutch Bessy nos três filmes. O resto é tudo novo. E o nome dos personagens nem ao menos é citado em BOOT HILL.

Embora essas três parcerias entre Colizzi e os dois atores sejam westerns sérios, sem o humor ingênuo e pastelão que passaria a predominar nas aventuras posteriores da dupla Hill-Spencer, aqui já se percebem algumas deslocadas tentativas de fazer graça, como uma animada pancadaria num saloon, quando Spencer distribui seus tradicionais safanões de mão aberta e ergue vilões acima da cabeça para atirar longe.


Bem, um dos grandes problemas de BOOT HILL é a narrativa extremamente truncada, defeito que talvez se explique pela versão lançada no Brasil ser a edição norte-americana, reduzida para 87 minutos. Segundo o IMDB, existem montagens de 97 minutos (na Espanha) e de 100 minutos (na França), onde provavelmente estão as explicações e fatos que não aparecem na cópia que eu vi. O engraçado é que, antes de ficar sabendo da existência dessas versões mais longas, sempre tive a impressão que faltava algo no filme: por exemplo, uma família sitiada pelos vilões numa cabana some de cena, e há um momento confuso em que o grande vilão aparece amarrado e, na cena seguinte, já está livre, sem que tenha sido mostrado como ele se soltou!

Basicamente, a trama de BOOT HILL mostra Cat Stevens fugindo de bandidos que querem matá-lo para que ele não tome posse de uma produtiva mina de ouro, que fica numa região explorada por um poderoso vilão, Honey Fisher (Victor Buono). Fisher e seus capangas forçam os mineradores a vender suas propriedades através de ameaças e violência, e os poucos que se recusam acabam mortos. Um dos capangas do vilão é o sádico Finch (Glauco Onorato).


Logo no início, quando essa trama toda ainda não foi bem explicada (acredite, isso só acontece na meia hora final!!!), Stevens é emboscado pelos homens de Fisher numa pequena cidadezinha. Os pistoleiros querem dar um fim no herói, mas só conseguem feri-lo gravemente com um balaço no ombro. Fora de ação, ele é obrigado a se refugiar na carroça de uma trupe esfarrapada de artistas de circo, que leva seu espetáculo de cidade em cidade. Estes acabam ajudando Cat, principalmente o trapezista e ex-pistoleiro Thomas (interpretado pelo saudoso Woody Strode).

Claro que os vilões dão o troco, matando um dos trapezistas durante uma apresentação e forçando os artistas a abandonarem o circo para seguir outras profissões. Mas Stevens e Thomas procuram pelo antigo colega do herói, Hutch, que vive aposentado numa casa à beira do lago, acompanhado pelo companheiro surdo-mudo "Baby Doll" (George Eastman!!!).


Finalmente juntos, os quatro pistoleiros partem para a cidade explorada por Fisher, dispostos a transformar a vida do vilão num inferno. Recebem a ajuda dos artistas de circo, que voltam a se reunir especialmente para se vingar dos pistoleiros malvados.

A trama parece simples lendo assim, mas as informações são liberadas ao espectador somente no final, de maneira que é muito mais fácil assistir BOOT HILL tendo lido previamente um resumo da história, como este que eu vos entreguei de mão beijada.

Sinceramente, gostaria de acreditar que algumas explicações e momentos mais interessantes estejam nas versões estendidas do filme, já que esta edição de 87 minutos é bem sem graça. Tudo se encaminha para um duelo final cheio de ação entre os quatro heróis e seus amigos do circo contra os pistoleiros de Fisher. Mas, quando chega a hora do embate, este é rápido e anti-climático, sem que nem ao menos os tiroteios valham a pena.


Stevens também parece ter uma conta pessoal a acertar com Finch, o braço-direito do vilão, mas o porquê disso nunca fica bem claro na montagem cortada que assisti, e até o duelo entre os dois é extremamente brochante - sem que se saiba se cenas foram removidas ou a edição que é desleixada mesmo. A própria queda do grande bandidão Fisher é bem sem-graça, com o vilão saindo de cena como se fosse um figurante. Só pode ter coisa cortada aí...

E o restante de BOOT HILL é burocrático, com uma narrativa muito lenta, em que o personagem principal passa os primeiros 30 minutos ferido e sem fazer praticamente nada, enquanto Spencer só entra na história na segunda parte do filme - até então, Terence faz dupla com Strode. Parece até dois filmes diferentes: a primeira metade, com Terence e Strode, é bem séria, naquela linha "homens em busca de vingança", enquanto a segunda metade (já com Spencer em cena) descamba para a comédia e para o humor pastelão.


Também há um excesso de cenas mostrando os bastidores do espetáculo circense. Em vários momentos, Colizzi intercala a ação dos protagonistas com os números do circo, o que acaba comprometendo a narrativa.

Sobra a belíssima fotografia, tão comprometida no VHS e naquele DVD vagabundo da Works (em tela cheia, há momentos em que o cenário fica praticamente vazio), a linda música de Carlo Rustichelli e o fato de Terence Hill estar fazendo um papel sério. Inclusive ele lembra muito Franco Nero ao aparecer de cara suja e mal-barbeada - no anterior "Viva Django/Preparati la Bara!", dirigido por Ferdinando Baldi em 1968, o ator já havia interpretado uma versão não-oficial de Django, e era praticamente um irmão gêmeo do Franco Nero!


Pena que, como eu expliquei, BOOT HILL tem duas metades muito distintas, e não se decide entre ser western sério ou aventura engraçadinha de Hill/Spencer.

O "Dizionario del Western All'Italiana", de Marco Giusti, tem uma pista para justificar esse contraste: parece que Colizzi assumiu o filme depois que outro diretor, Romolo Guerrieri (de "Johnny Yuma"), foi despedido, mas deixou diversas cenas filmadas que tiveram que ser reaproveitadas. Acabou ficando uma coisa híbrida, cujo trailer (veja abaixo) é MUITO MELHOR que o próprio filme!


Mesmo assim, BOOT HILL é um western no mínimo diferente, que tem muitos admiradores e deve ser conhecido por quem gosta de fugir da mesmice do gênero.

Como curiosidade, quando o filme foi lançado na Alemanha, nos anos 70, e as aventuras cômicas de Trinity já eram febre por lá, o distribuidor germânico redublou todos os diálogos para inserir piadinhas e gracinhas diversas, transformando um western "quase sério" em comédia!

Para encerrar, se alguém souber alguma coisa sobre o que há de diferente nas versões mais longas, por favor use o espaço de Comentários para iluminar esse leigo autor.

Trailer de BOOT HILL


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Boot Hill/ La Collina Degli
Stivali (1969, Itália)

Direção: Giuseppe Colizzi
Elenco: Terence Hill, Woody Strode,
Bud Spencer, Lionel Stander, Victor
Buono e Luciano Rossi.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

TUAREG - O GUERREIRO DO DESERTO (1984)


Quanto mais vezes revejo TUAREG - O GUERREIRO DO DESERTO (e só até esta semana foram umas 30, no mínimo), mais vezes me pergunto como é que esta produção ítalo-espanhola não se tornou um clássico do gênero. Afinal, fechando-se um olho para pequenos defeitos que revelam o baixo orçamento da película, o resultado é uma ambiciosa e bastante inspirada aventura épica, que consegue unir ótimas cenas de ação e violência (a especialidade do diretor italiano Enzo G. Castellari) com uma trama inspiradíssima e repleta de momentos poéticos (cortesia do escritor Alberto Vázquez Figueroa, autor do livro que deu origem ao filme). Pessoalmente, acho este o segundo melhor filme de Castellari, atrás apenas da obra-prima "Keoma".

Quem já leu o livro "Tuareg" sabe que é a história de Gacel Sayah, líder de uma aldeia de "tuaregs" (nome dado aos guerreiros que vivem no deserto), um personagem dúbio e originalíssimo: homem de honra, ele obedece, de maneira cega, às culturas e tradições milenares do seu povo (o que ele chama de "lei do deserto"), mas é completamente ignorante às leis da sociedade dita "civilizada". Em outras palavras, para ele, governo, exército, fronteiras entre países e outros tipos de "autoridade" não fedem e nem cheiram, bem como suas leis.


"Tuareg", o livro, não era de forma alguma uma história de ação. Pelo contrário, estava mais para um drama épico que narrava as terríveis provações de Gacel em uma terra dura (o deserto) e sua luta contra as injustiças dos civilizados, que não respeitavam suas tradições nem a sua cultura.

Infelizmente, nunca consegui encontrar nenhuma entrevista ou comentário de Figueroa sobre o filme de Castellari, mas acredito que o autor não deve ter gostado nada do que a italianada fez com sua obra, já que TUAREG - O GUERREIRO DO DESERTO adiciona uma boa dose de tiroteios e lutas à história original, criando algo que muitos críticos definiram como uma mistura de "Rambo" com "Lawrence da Arábia".

Gacel Sayah continua sendo o personagem principal, e confesso que sempre é um choque ver um guerreiro nômade do deserto com o rosto californiano e os olhos azuis do ator Mark Harmon (aquele mesmo que interpretou o professor boa-pinta no clássico da Sessão da Tarde "Curso de Verão").


Obviamente, Harmon aparece estrelando esta produção barata ítalo-espanhola anos antes da fama, quando só tinha feito alguns papéis secundários e participações em seriados de TV. Ele se tornaria astro nos EUA alguns anos depois (hoje estrela a série de TV "Navy NCIS"), e acredito que morre de vergonha desse seu início de carreira como guerreiro do deserto. É mais um ator que está na minha lista de "entrevistas que eu adoraria fazer algum dia", para questioná-lo sobre suas experiências no set do filme de Castellari, já que os repórteres "de verdade" não costumam fazer essa pergunta.

Passado o choque inicial, até que Harmon consegue convencer como um tuareg, já que passa a maior parte do tempo com o rosto todo coberto, ficando apenas com os belos olhos azuis à mostra.

Líder de uma pequena aldeia, Gacel Sayah é um dos guerreiros mais corajosos do deserto. No início do filme, um ancião conta a história da "grande caravana", com mais de mil homens, camelos e tesouros, que tentou cruzar um mítico deserto sem fim e desapareceu sem deixar rastros. Para espanto do ancião e dos seus ouvintes, surge nosso herói dizendo que atravessou a tal terra desolada sem fim não uma, mas duas vezes. Ou seja, o homem é foda!


Alguns dias depois, dois homens sedentos aparecem no acampamento. Gacel, honrando as milenares tradições de hospitalidade do seu povo (que dizem que ninguém pode negar abrigo a pessoas necessitadas cruzando o deserto), os recebe em sua aldeia. Mas logo surgem jipes do exército atrás dos dois hóspedes do tuareg.

Ele se recusa a entregá-los e tenta fazer valer a velha tradição, mas é claro que os soldados não a respeitam, dizendo que, ali, a lei são eles.

Os milicos então matam um dos homens e levam o outro com eles. Resultado: enfurecem o tuareg, que se sente desonrado e "indigno" por não ter conseguido proteger os "hóspedes". Segue-se 1h30min de um duelo solitário de Gacel contra todo o exército e até contra o governo do país!


Se TUAREG - O GUERREIRO DO DESERTO é um filmaço, parte do mérito se deve à força de seu herói: Gacel Sayah é um homem que não pára diante de nada, não tem medo da morte e não quer viver "desonrado", por isso lutará até o fim para libertar seu "hóspede" levado pelos militares.

Ele então descobre que o sujeito é Abdul El Kabir (Luis Prendes), presidente deposto do país, que estava fugindo do exílio.

Embora a luta sem trégua do tuareg ganhe a simpatia de um dos milicos, o capitão Razman (Paolo Malco, que trabalhou com Castellari em "Fuga do Bronx"), pois ele reconhece o guerreiro honrado que está enfrentando, o restante do exército sente-se humilhado pelas ações de Gacel e resolve caçá-lo e matá-lo a qualquer preço. Isso logo conduz às mirabolantes cenas de ação em câmera lenta, filmadas com a costumeira maestria maestria por Castellari.


Consta que o roteiro inicial de TUAREG - O GUERREIRO DO DESERTO teria sido escrito pelo próprio autor do livro, o espanhol Figueroa, junto com Vicente Escrivá. Mas Castellari garante que reescreveu a maior parte com a ajuda de seu colaborador de longa data Tito Carpi, mantendo apenas os diálogos de Figueroa.

Bem, para quem leu o livro, torna-se bastante óbvio que cenas como o ataque do tuareg à base onde Abdul é mantido prisioneiro só podem ser coisa de Castellari e Carpi!

Enquanto no livro Gacel penetrava silenciosamente na base, à noite, e cortava a garganta de todos os soldados enquanto eles dormiam, no filme temos uma mirabolante cena de ação onde Gacel encarna Rambo e sai fuzilando soldados em câmera lenta, além de usar galões de gasolina como se fossem explosivos para mandar metade da base para os ares!!!


Castellari também modificou o final original do livro, em que Gacel Sayah era morto pelo exército após cometer um crime que não pode ser explicado em detalhes aqui para não estragar a surpresa. O tal crime, porém, foi mantido no filme, garantindo um final trágico e bastante triste, que apenas realça a total ignorância do herói pelas "leis dos homens" (lembre-se que ele segue a lei do deserto).

Mas, ao invés de morrer, como nas páginas da obra literária, na telinha o tuareg absurdamente escapa com vida, e o filme ainda tenta dar um tom heróico à conclusão, quando na verdade é um desfecho totalmente irônico! Mas é bom ressaltar que essa nova conclusão acaba se encaixando perfeitamente no tom mais aventuresco adotado por Castellari no filme inteiro.

Para compensar a mudança no desfecho, TUAREG - O GUERREIRO DO DESERTO traz todas as melhores passagens do livro de Figueroa, como a dramática travessia pelo deserto sem fim (com direito ao consumo de corcovas de camelo para dar energia!!!); o momento em que o tuareg é cercado pelos soldados e obrigado a ficar sem água e sem comida no meio do deserto, acabando por beber o sangue quente do seu camelo (argh!!!) para não morrer de sede ou inanição, e ainda o encontro com o que sobrou da "grande caravana" desaparecida!


São cenas belíssimas, que o próprio escritor deve ter aplaudido, realçadas pela maravilhosa fotografia de John Cabrera e sublinhadas pela linda trilha sonora épica do mestre Riz Ortolani. Em algumas cenas, parece ter sido usado um filtro vermelho na lente da câmera, criando um clima tão desértico e quente que chega a deixar o espectador com sede no conforto da sua casa!

Assim, quem espera ver um típico filme desmiolado de ação como os que Castellari fez aos montes nos anos 80 (estilo "Guerreiros do Futuro" e "Fuga do Bronx"), irá se decepcionar. Ação há, mas não em doses cavalares, como em outras obras do diretor italiano. Em TUAREG - O GUERREIRO DO DESERTO, ele prefere adotar um tom mais poético e contemplativo (certamente a herança do roteiro original de Figueroa), mais centrado nos momentos solitários do tuareg no deserto e em seus diálogos inspirados, que revelam a estupidez da sociedade "civilizada" - como quando ele tenta entender porque Abdul passou 22 anos na cadeia e apenas quatro no poder, e mesmo assim acha que o sacrifício valeu a pena.


Além de Mark Harmon e Paolo Malco, outros nomes conhecidos aparecem no filme: o espanhol Aldo Sambrell (figurinha carimbada nos westerns de Sergio Leone) é o sargento Malick, um dos milicos linha-dura que querem a cabeça do tuareg de qualquer jeito; o italiano Antonio Sabato (de "Fuga do Bronx") é o capitão que se dá mal ao questionar as tradições milenares do herói; Romano Puppo e Massimo Vanni, que aparecem em quase todos os filmes de Castellari, aqui são dois soldados; Ritza Brown (de "Ator, A Águia Invencível") é a esposa de Gacel, e o próprio diretor Enzo aparece como um soldado que comanda uma sessão de tortura do tuareg - e, claro, acaba mal.

Apesar de ser uma ótima aventura, e apesar de todos os pontos altos mencionados ao longo do texto, TUAREG - O GUERREIRO DO DESERTO foi um fiasco de bilheteria, por razões bem óbvias: não conseguiu encontrar o seu público. Afinal, quem buscava um épico no estilo "Lawrence da Arábia" não estava a fim de ver tiroteios, explosões e muito menos Mark Harmon no papel de um guerreiro árabe falando inglês; já quem queria ver justamente tiroteios e explosões ficou decepcionado com o tom poético da maior parte do filme (há ação de menos, ainda mais depois da comparação com a série "Rambo").


Anos depois de seu lançamento, a obra tornou-se uma espécie de cult movie, principalmente depois das suas inúmeras reprises na TV (até hoje você encontra, em fóruns da internet, pessoas querendo saber o nome do filme em que o herói bebe o sangue do seu camelo).

Embora tenha se feito justiça tardia a este belo filme de Castellari, ele ainda não recebeu o devido reconhecimento, já que os DVDs que circulam no Brasil e no exterior são ripados de VHS sem a menor vergonha na cara, arruinando a belíssima fotografia original. Continuo esperando uma versão decente com imagem remasterizada e em widescreen.

No fim, este foi o último grande filme de Enzo, que depois se perderia em aventuras mais rotineiras, como o divertido "Lightblast" e o péssimo "Striker".

O próprio cinema italiano começou a entrar em decadência, e a maioria dos cineastas foi obrigada a trabalhar na televisão - o que aconteceu com o próprio Castellari. Uma pena, porque hoje dificilmente veremos um novo TUAREG - O GUERREIRO DO DESERTO saindo da terra da bota...


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Tuareg - Il Guerriero del Deserto/
Tuareg - The Desert Warrior (1984, Itália)

Direção: Enzo G. Castellari
Elenco: Mark Harmon, Luis Prendes,
Paolo Malco, Antonio Sabato, Aldo
Sambrell e Ritza Brown.