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sábado, 9 de maio de 2009

O TORTURADOR (1981)


Jece Valadão interpretando um mercenário que é a cara do Charles Bronson e tem Otávio Augusto como parceiro? Vera Gimenez, mãe da insuportável Lucianta Gimenez, emulando as mulheres fatais dos filmes noir, especialmente Rita Hayworth? Ary Fontoura como ditador de uma republiqueta sul-americana? Anselmo Vasconcellos como um mafioso disfarçado de padre que aproveita a deixa para cheirar cocaína em pleno altar? Paulo Villaça (o eterno "Bandido da Luz Vermelha" de Sganzerla) no papel de um general valentão que na verdade é homossexual? E Rodolfo Arena como um oficial nazista assessorado por um jovem Jorge Fernando???

Sim, amiguinhos, tudo isso está em O TORTURADOR, filme brasileiro dirigido por Antônio Calmon em 1981. A cada minuto que passava desta pérola, mais eu ficava surpreso e satisfeito com doideiras como estas que listei acima, e muitas outras que transformam esta em uma daquelas pérolas perdidas da cinematografia nacional. A cada minuto que passava, também, eu me pegava questionando por que não fazem mais filmes tão diferentes e divertidos hoje, quando o cinema brasileiro teoricamente tem mais recursos e mais qualidade técnica para isso.

Num comentário feito em outro blog, que encontrei quase acidentalmente no Google, um leitor opina que este talvez seja "o mais bizarro filme comercial" já feito no Brasil. Talez não seja "o" mais bizarro (considerando que o cinema brasileiro de antigamente também gerou pérolas como o clássico "Rio Babilônia", de Neville D'Almeida), mas certamente entra com louvor em qualquer Top Ten dos mais loucos filmes produzidos por aqui.


Escrito a seis mãos por Calmon, Jece e por Alberto Magno, O TORTURADOR tem como protagonista o capitão Jonas, interpretado por um Jece Valadão em estado de graça. Ele é um mercenário que acabou de ser libertado de uma prisão militar, por motivos ignorados, e está prestes a cometer suicídio, quando surge seu velho companheiro Chuchu (Otávio Augusto) com uma proposta irrecusável: um grupo de milionários judeus está pagando um milhão de dólares pela cabeça do ex-carrasco nazista Herman Stahl, que fugiu da Alemanha após a derrota na Segunda Guerra (mas não sem antes matar dois milhões de judeus nos campos de concentração).

Para pôr as mãos na valiosa cabeça, a dupla terá que infiltrar-se entre a segurança pessoal de Borges (Ary Fontoura), o ditador de uma república das bananas fictícia, já que o envelhecido oficial nazista agora é um dos homens de confiança do chefe de estado. O trabalho atual do coronel Herman, claro, é extrair "confissões" de presos políticos, motivo pelo qual ganhou a alcunha de "El Torturador" - e daí o nome do filme.

Depois que Jonas mata a saudade de mulher dando uma rapidinha ainda no hangar (uma cena hilariante), a dupla de mercenários embarca para o tal país sul-americano, onde a língua oficial é o espanhol, mas todo mundo fala português! São recepcionados pelo violento general interpretado por Paulo Villaça - que, apesar da pinta de machão, é gay e fica seduzindo os jovens do vilarejo -, e assumem o cargo de guarda-costas de uma cantora brasileira por quem Borges é apaixonado, Gilda (Vera Gimenez).


Como era esperado, Gilda também é um antigo amor de Jonas. E enquanto Jonas e Chuchu tentam conseguir a valiosa cabeça de "El Torturador", a revolução está para explodir no país, já que o povo cansou da sangrenta ditadura de Borges e começa a revidar com violentos atos de terrorismo.

O roteiro é aquela baboseira típica do cinema de ação norte-americano, e o filme, mesmo mantendo um forte tom de humor e sátira, tenta seguir fielmente esta cartilha, incluindo sangrentos tiroteios.

É divertido ver Jece andando para lá e para cá sempre com uma escopeta nas mãos, óculos escuros e cigarrinho no canto da boca, sem esboçar um único sorriso em uma hora e meia, repetindo seu tradicional papel de canalha insensível e comedor (ele pega três mulheres ao longa da película). Só por isso, O TORTURADOR já seria um filme, digamos, obrigatório.



Mas felizmente não fica só nisso: se a trama parece clichê, o roteiro compensa colocando na boca dos personagens principais alguns diálogos simplesmente impagáveis.

Jece é o campeão, claro. Afinal, o roteiro não perde a oportunidade de representá-lo como "o" fodão, e por isso o homem dispara pérolas como "Se você não voltar para mim, te dou um tiro no meio da cara!", ou "Toda mulher é puta. Menos, obviamente, as nossas mães", ou "Vou matar aquela vadia, pois ela é a única mulher do mundo que não me quer", ou ainda "Nasci pelado, tou vestido, tou no lucro!".

Em alguns momentos, eu me pegava rolando de rir sozinho no sofá da sala depois de ouvir estas e outras preciosidades. Sem contar que o saudoso Jece Valadão encarnando um pistoleiro durão - e, claro, cafajeste - é uma coisa mágica.


O diretor Calmon já havia feito um filme anterior estrelado pelo astro: o clássico esquecido "Eu Matei Lúcio Flávio", de 1979 (provavelmente um dos grandes exemplares do cinema exploitation brasileiro); no caso de O TORTURADOR, Jece também é produtor, além de co-roteirista.

Hoje mais conhecido como roteirista de novelas da Globo, já que não dirige nada para o cinema desde 1984, Calmon destila no filme uma grande cultura cinematográfica hollywoodiana (como também faz em suas telenovelas, entre elas "Vamp" e "O Beijo do Vampiro").

Isso vem desde os créditos iniciais, ao som da melancólica "Moonlight Sonata", de Beethoven - passando uma falsa idéia de que veremos um filme sério, e não uma aventura em tom de paródia.



Além de citações óbvias, como o nome Gilda em alusão à personagem de Rita Hayworth no clássico filme homônimo, há uma cena entre Jonas e Gilda num bar em que a moça pede ao pianista: "Toque outra vez, Sam", e este põe-se a dedilhar a música-tema do romance "Casablanca" (a própria frase da personagem remete a este filme).

Mais adiante, Otávio Augusto aparece cercado de putas nuas num bordel ao som da música-tema de uma das aventuras de James Bond, "007 Contra Goldfinger". A brincadeira remete a um diálogo anterior com Gilda, quando a moça diz: "Você se acha o James Bond, não é, Chuchu? Pois você é o James Bunda!".

E a situação principal da cabeça do nazista que vale ouro lembra outro clássico, "Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia", de Sam Peckinpah. Finalmente, num momento brilhante, Jonas é torturado com uma enorme lâmina em forma de pêndulo suspensa sobre seu peito nu, pronta para parti-lo em dois - exatamente como acontecia em "Mansão do Terror", de Roger Corman, por sua vez adaptação do conto "O Poço e o Pêndulo", de Edgar Allan Poe!


Também é muito engraçado ver Otávio Augusto, imortalizado na televisão em papéis humorísticos, aqui fazendo papel de assassino e inclusive distribuindo balaços em seus desafetos!

Sabe aquele clichê das duplas cinematográficas, que têm o cara durão e o engraçadinho? Pois é exatamente o que se vê aqui: Chuchu passa o filme inteiro fazendo piadinhas ou cantarolando músicas de Roberto Carlos para sublinhar as diferentes situações em que ele e Jonas se envolvem, seja "Você é meu amigo de fé, meu irmão camarada", para convencer Jonas a aceitar um último serviço, seja "Estou amando loucamente a namoradinha de um amigo meu", quando percebe as trocas de olhares entre Jonas e Gilda diante do vilanesco Borges, que é obcecado pela cantora.


Otávio Augusto também protagoniza duas cenas absolutamente antológicas. Numa delas, talvez o momento mais engraçado do filme, Chuchu, escondido no mezanino de um bar, grita para um pequeno grupo de soldados que invade o local: "Ô, sua bichona!". Quando todos os surpresos adversários olham para cima, atendendo ao bizarro chamado do pistoleiro, este responde com disparos de revólver e completa a piada: "Eu chamei só uma!".

No seu segundo momento impagável, Otávio Augusto está sendo torturado por Herman, amarrado a uma daquelas mesas que esticam os ossos, e, ao invés de responder as perguntas do seu inimigo, fica provocando-o com xingamentos. Depois, em meio à tortura, o pistoleiro bonachão fica gritando: "Abaixo o nazismo e viva o Mengo!". hahahahaha!


Por momentos como esses, mais os sangrentos tiroteios, cenas de tortura, decapitações e mulheres nuas, O TORTURADOR é um filme mais do que recomendado para fãs de ação que procuram uma hora e meia de diversão sem tratado de sociologia ou grandes pretensões com a seriedade.

E, óbvio, é um programa obrigatório para todos os leitores do FILMES PARA DOIDOS, pois talvez seja uma daquelas raras obras que se encaixa perfeitamente nessa descrição. E é brasileiro, gente! Brasil-il-illllll!!!!!!!!!

Embora seja muito difícil encontrar a velha fita VHS lançada nos primórdios das videolocadoras brasileiras, volta-e-meia O TORTURADOR é reprisado nas madrugadas do Canal Brasil. Apenas para deixar saudade, nos verdadeiros cinéfilos, de um cinema brasileiro extremamente criativo e popular, que há muito tempo não existe mais...


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O Torturador (1981, Brasil)
Direção: Antônio Calmon
Elenco: Jece Valadão, Vera Gimenez, Otávio
Augusto, Marta Anderson, Rodolfo Arena, Ary
Fontoura, Paulo Villaça e Anselmo Vasconcellos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

MASSACRE EM SAN FRANCISCO (1974)


O Internet Movie DataBase, maior fonte de informações para fãs de cinema na internet, afirmava categoricamente que "O Vôo do Dragão", filme escrito e dirigido pelo astro Bruce Lee em 1972, era o único em que o ator Chuck Norris interpretava um vilão. E foi aí que eu percebi como MASSACRE EM SAN FRANCISCO era realmente uma produção das mais obscuras, pois neste esquecido filme de ação made in Hong-Kong o lendário Norris, ainda bem longe da fama, também interpreta um malvadão. (A informação incorreta foi recentemente corrigida pelo IMDB, que agora informa que Norris interpretou dois vilões em sua carreira.)

"Oficialmente", MASSACRE EM SÃO FRANCISCO é de 1974, tornando-se assim o terceiro papel creditado de Chuck Norris no cinema. Mas esta produção barata da Golden Harvest foi muito mal-lançada, e depois ficou mofando nas prateleiras da produtora. Como alguns anos depois Norris estouraria como astro, ganhando seu primeiro papel de protagonista em "Comboio de Carga Pesada" (1977), a Golden Harvest sacou o filme do depósito onde estava mofando, mudou o título original de "Karate Cop" para "Slaughter in San Francisco" (apesar de não haver nenhum massacre no filme, seja em San Francisco ou em qualquer outro lugar), e rodou novos créditos iniciais com o nome de Chuck Norris em destaque para relançá-lo nos cinemas ocidentais!


Picaretagem total, não é? E isso que nem falei do novo trailer, que tentava vender Chuck como protagonista, ou do cômico novo pôster de cinema, que anunciava "Chuck Norris explode na tela", e trazia um desenho do ator em posição de combate cercado por policiais (cena que não existe no filme!), mas sem nenhuma menção ao verdadeiro protagonista do filme - o coreano Don Wong!!!

A picaretagem estendeu-se ao Brasil: quando a FJ Lucas lançou essa porqueira em vídeo, teve bastante criatividade para criar uma capinha completamente enganosa que levava o espectador a acreditar que Chuck Norris era o verdadeiro protagonista do filme, como você pode ver abaixo (fonte: Museu do VHS, de Bruno Martino):


Não é por nada que, em diversas entrevistas depois de famoso, Norris declarou que o único filme que se arrependeu de fazer foi MASSACRE EM SÃO FRANCISCO. Mais um motivo para conhecê-lo, não é mesmo? Até porque, ao contrário da hipócrita da Xuxa, ele nunca tentou tirar o filme de circulação.

Don Wong, cujo verdadeiro nome é Wang Tao, interpreta um policial oriental que patrulha San Francisco (o filme realmente foi rodado nos States) ao lado do parceiro John Summer (Robert Jones), um policial negro com uma vasta cabeleira black power, só para lembrar que estamos vendo uma produção dos anos 70 - aposto que uma instituição conservadora, como a polícia de San Francisco, iria adorar ter policiais com cabelo black power na corporação...


O filme foi escrito e dirigido por Lo Wei, o responsável pelos dois primeiros (e CLÁSSICOS, em maiúsculas mesmo) filmes de Bruce Lee, "O Dragão Chinês" e "A Fúria do Dragão". Aqui, infelizmente, ele não estava tão inspirado, inclusive assina com o pseudônimo "William Lowe".

Seu roteiro é uma autêntica confusão. Primeiro, a dupla de policiais heróicos está dirigindo sua viatura pela rodovia quando, miraculosamente, escuta os gritos de socorro vindos de um bosque a mais de um quilômetro dali. É uma garota oriental (Sylvia Chang) que supostamente está sendo estuprada por dois valentões. Mas, depois que os policiais acabam com ambos a golpes de karatê, a moça aparece na delegacia dizendo que foi tudo um mal-entendido e pedindo para libertar os "amigos".

Depois, o policial John cai numa emboscada e é empurrado para dentro de um caminhão repleto de bandidos (nunca identificados). Levado até a praia, toma vários catiripapos até ser miraculosamente localizado pelo amigo faixa-preta Wong, que salta como um tigre sobre os agressores e, furioso, acaba matando um deles. O chefe de polícia não pensa duas vezes e expulsa o "Bruce Lee cover" da corporação, fazendo com que ele vá buscar emprego como garçom num restaurante chinês - e onde mais um oriental poderia trabalhar em San Francisco?


E eis que finalmente a história começa a entrar nos eixos: surge o malvadão Norris, chamado simplesmente "The Boss", e que vem a ser o rei do crime da cidade. Sua primeira cena no filme é queimando a mão do herói com um charuto aceso, só para dar uma amostra da sua maldade. "The Boss" acaba gostando do ex-policial, aparentemente apenas pela sua capacidade de resistir à dor da queimadura do charuto, e teima em trazê-lo para sua organização. Mas Wong é honesto e não quer saber de virar a casaca.

Então, dias depois, John tenta frustrar um assalto e é morto pelos bandidos, obviamente chefiados por "The Boss". Mesmo afastado da polícia, o herói decide investigar o caso por conta própria e vingar-se dos responsáveis. E o faz da maneira mais cômica e absurda possível: simplesmente passa os próximos 20 minutos do filme invadindo a casa de elementos suspeitos da cidade (!!!) e batendo pra caramba neles (!!!) até encontrar, por mero acaso (!!!), um dos envolvidos no crime, que entrega todos os responsáveis, inclusive um homem misterioso que vem a ser o próprio chefe de polícia de San Francisco (argh!!!).

Isso tudo apenas para levar à luta final entre Wong e Norris, que em nada lembra aquele duelo com Bruce Lee no Coliseu em "O Vôo do Dragão", mas ainda assim é muito divertido - e, claro, tem aquele velho clichê da camisa do herói rasgando para ele lutar de peito nu!!!



O filme tem também uma absurda trama paralela em que um velho comerciante chinês é preso (sem qualquer prova) pelo assassinato do policial John, e a polícia ainda tenta arrancar uma confissão do velhinho na base da porrada.

Apesar do cartaz de cinema, de alguns títulos alternativos enganosos (como "Chuck Norris Versus Karate Cop") e do fato do nome do ator norte-americano aparecer por primeiro nos créditos iniciais do filme, MASSACRE EM SAN FRANCISCO não é, de maneira nenhuma, um filme de Chuck Norris.

As cenas com o futuro astro não chegam a somar dez minutos, e ele praticamente entra mudo e sai calado, interpretando aquele tipo de vilão que passa a trama inteira dando ordens para seus subalternos, sujando as mãos apenas no final. Tirando a luta da conclusão, só existe uma ceninha mixuruca com "The Boss" treinando karatê, para quem realmente quiser ver Norris em ação.

E se como filme de pancadaria MASSACRE EM SAN FRANCISCO não é lá grandes coisas (embora algumas lutas, especialmente a final, sejam muito boas), a produção torna-se mais do que recomendada pelo inevitável fator trash. Afinal:

* Este é o segundo dos dois únicos filmes em que você poderá ver "o mito" Chuck Norris realmente apanhando. E perdendo uma luta!

* A dublagem dos personagens segue o padrão "filme de Hong-Kong" de qualidade: até Norris é dublado exageradamente e ganha sotaque inglês! Mas o cúmulo é quando um cão policial também aparece dublado: o bicho está lá quietinho, com a língua de fora, e mesmo assim algum energúmeno adicionou uma trilha de ferozes "au-aus"!!!

* O som das pancadas e do deslocamento de ar durante os golpes é tão exagerado que mesmo quando o herói e seu amigo John trocam uns tapinhas por puro fingimento (sem se acertar com força), a gente escuta algo do tipo POW! SOC! TUM!, como se ambos estivessem realmente se moendo na pancada!


* Todo mundo na polícia de San Francisco sabe lutar karatê - do policial oriental ao negro black power, passando até pelo chefe de polícia!!! -, e todos eles preferem dar bolachas nos bandidos a usar revólveres.

* Em que outro filme você vai encontrar um herói que, sem pistas para seguir, simplesmente sai dando porrada em todo mundo até que alguém confesse o que ele queria saber?

* Mesmo quando o protagonista está cercado por 15 sujeitos armados, os bandidos continuam atacando um por vez, para que cada um possa apanhar na ordem.

* O chefe de polícia parece ser um oficial da Gestapo: não só acusa um pobre velho oriental pela morte de um policial (APENAS porque o cadáver foi deixado no quintal da casa do coitado), como ainda espanca o SUSPEITO o tempo inteiro e manda prendê-lo, sem direito a fiança, mesmo que não existam provas contra ele!


* "The Boss" passa o filme inteiro tentando convencer o herói a fazer parte da sua organização, ao invés de matá-lo de uma vez. No final, Wong consegue infiltrar-se facilmente no QG do vilão e descobrir todos os seus negócios sujos APENAS dizendo algo do tipo: "Tudo bem, eu finalmente resolvi me juntar à organização". E o vilão acredita! Belo rei do crime...

* Num momento da luta final, Wong e "The Boss" caem dentro de uma fonte e ficam completamente molhados. Mas no take seguinte, ambos já estão sequinhos. Vai ver a alta temperatura da luta fez toda a água evaporar instantaneamente!

Filho do também ator George Wang (que era habitué em produções baratas de western e espionagem feitas na Itália nos anos 60 e 70), Don Wong até luta bem e convence. E não dá para relevar o fato de que ele ganha uma luta contra o Chuck Norris, caramba!


Mas a verdade é que Wong nunca fez mais do que isso, e ironicamente quem transformou-se em astro aqui foi o inexpressivo vilão do filme! Seu azar foi ter estrelado uma produção tão sem sal, em que a pobreza de recursos e de orçamento está mais do que evidente, inclusive pelo fato de o herói passar o filme inteiro com a mesma roupa (comprovando que higiene pessoal não é o seu forte).

O marketing da época tentou vendê-lo como "o tigre" (um dos muitos títulos alternativos é "Yellow Faced Tiger"), já que Bruce Lee era o dragão, mas não funcionou. Pelo menos em Hong-Kong ele continuou uma prolífica carreira que somou 40 filmes (nenhum deles fez grande sucesso), e encerrou em 1989.

Quem gosta dessas curiosidades do cinema de ação de Hong-Kong, ou simplesmente procura um filme bem ruim para dar risada, terá em MASSACRE EM SAN FRANCISCO um prato cheio. Pena que a fita VHS da FJ Lucas seja uma daquelas raridades disputadas a tapa por colecionadores, e a obra nunca tenha sido relançada numa versão decente em DVD.

Será que Norris toparia fazer uma faixa de comentário discutindo a "profundidade psicológica" do seu personagem na cena em que o vilão come uma maçã enquanto seus capangas apanham do herói?

Trailer de MASSACRE EM SAN FRANCISCO


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Slaughter in San Francisco/ Karate Cop/
Huang Mian Lao Hu (1974, Hong-Kong, EUA)

Direção: William Lowe (Lo Wei)
Elenco: Don Wong, Chuck Norris, Robert
Jones, Chuck Boyd, Sylvia Chang, Dan
Ivan e Ching-Ying Lam.