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quinta-feira, 5 de março de 2009

E quem quer saber de WATCHMEN?

Algumas adaptações de quadrinhos que eu REALMENTE estou morrendo de curiosidade para ver:


JONAH HEX (2010, dir: Jimmy Hayward)
Imagine um faroeste ultraviolento onde o "herói" é um pistoleiro sanguinário e rápido no gatilho que tem metade da cara desfigurada. Este é Jonah Hex, que está ganhando sua primeira adaptação cinematográfica - e que, dependendo do talento dos envolvidos e de um bom roteiro, tem tudo para ser ótimo. O casca-grossa Josh Brolin já foi confirmado como "a meia cara boa" de Hex, e o elenco também terá, segundo as primeiras informações, Megan Fox como mocinha e John Malkovich como vilão (um rico fazendeiro cujo filho é morto pelo pistoleiro e usa vodu para se vingar, o que promete o tom sobrenatural típico das histórias de Jonah Hex). O "senão" é o diretor confirmado, Jimmy Hayward. Este é seu primeiro filme com atores, sendo que antes ele trabalhou apenas em animações por computador para o público infantil (a última delas foi "Horton e o Mundo dos Quem"). Ou seja, não tem o perfil necessário para um filme destes, ainda mais considerando que os candidatos anteriores eram Lexi Alexander ("Punisher: War Zone") e a dupla Mark Neveldine e Brian Taylor ("Adrenalina").
• O que eu espero: Uma versão sombria e hiperviolenta do universo dos bons spaghetti western, com um anti-herói nada bonzinho lutando contra inimigos ainda piores do que ele.




DEAD OF NIGHT (2009, dir: Kevin Munroe)
A adaptação "oficial" do personagem italiano Dylan Dog (o "Detetive do Pesadelo") para as telas tinha tudo para ser um filmaço, mas as últimas notícias me deixaram meio cabreiro. Primeiro, trocaram o título de "Dylan Dog" para o genérico "Dead of Night". Depois, David R. Ellis foi substituído na cadeira de diretor por Kevin Munroe (que fez a animação por computador "As Tartarugas Ninjas - O Retorno"), e Munroe também assinará o roteiro do projeto. Resultado: apesar de a trama se inspirar numa das boas histórias do personagem ("O Despertar dos Mortos-vivos", lançada no Brasil ainda nos tempos da Editora Record), e trazer zumbis, que estão na moda, como antagonistas, Munroe já alertou sobre algumas mudanças burras em relação aos quadrinhos, como a mudança de local de Londres para os Estados Unidos, e a contratação de Brandon Routh (o Superman de Bryan Singer) como Dylan e Sam Huntington como seu eterno parceiro, Groucho. Hmmmm... Cheiro de "Constantine" no ar! Agora é esperar para ver de que jeito Munroe vai destruir uma história que, adaptada de forma razoável, pode render pelo menos um bom filme de terror. E sempre lembrando que Dylan Dog já foi levado às telas, de maneira "disfarçada", no excelente filme italiano "Pelo Amor e Pela Morte", de Michele Soavi, lançado em 1994. Embora interpreta um personagem chamado Francesco Dellamorte neste filme, o ator Ruper Everett estava idêntico ao Dylan Dog dos quadrinhos (foto abaixo), coisa que a versão norte-americana dificilmente conseguirá fazer.


• O que eu espero: Considerando as mudanças toscas já anunciadas, espero que pelo menos o diretor consiga manter o tom sangrento e de humor negro das aventuras dos quadrinhos. E eu sei que é difícil, mas se sair algo pelo menos perto de "Pelo Amor e Pela Morte" (que também tomava muitas "liberdades poéticas" em relação aos quadrinhos, já que não era uma adaptação oficial) já está bom demais!




THOR (2010, dir: Kenneth Branagh)
Uma adaptação de um herói da Marvel com um diretor realmente decente no comando? Hmmm, a última vez que eu vi isso o resultado foi o péssimo "Hulk" do Ang Lee... Mas eu levo fé no Kenneth Branagh, que não deve ter feito nem três filmes ruins numa carreira repleta de trabalhos interessantes. Branagh, por sinal, assumiu a cadeira vaga deixada por Matthew Vaughn. Ainda não há protagonista confirmado para viver o Deus do Trovão, mas já se sabe que o roteiro foi adaptado para poder se encaixar no universo do longa-metragem dos Vingadores (previsto para 2011). Anteriormente, a trama se passava totalmente na terra mágica de Asgard, o reino dos deuses onde vive o herói. Para criar uma "ponte" com o filme dos Vingadores e trazer Thor ao mundo real, entrou no roteiro a "versão humana" do herói, o médico Donald Blake. Será que vai funcionar? Pelo menos uma coisa é certa: Branagh não é do tipo que se deslumbra com efeitos especiais (é só ver sua versão de "Frankestein"). Assim, pelo menos, não teremos um Thor lutando o tempo inteiro contra monstros de CGI em cenários criados por computação gráfica, como faria um videoclipeiro qualquer.
• O que eu espero: Um filme de super-heróis mais sério e inteligente e menos colorido e barulhento, graças à direção de Kenneth Branagh.




THE FIRST AVENGER - CAPTAIN AMERICA (2011, dir: Joe Johnston)
As primeiras notícias me deixaram apavorado (principalmente aquela que dava como certa a participação de, argh!, Will Smith no papel-título), mas ultimamente o novo filme do Capitão América é o que eu espero com mais ansiedade. Ao que parece, ao contrário daquela bomba dirigida por Albert Pyun no início dos anos 90, o filme se passará mais durante a Segunda Guerra Mundial do que nos tempos atuais, mostrando como o soldado magrela Steve Rogers se transforma no Capitão América para lutar contra o nazismo. Claro, o final deve levar o herói à época atual, também para fazer a ponte com o filme dos Vingadores (o título, "O Primeiro Vingador", já diz tudo!). O que mais me deixa entusiasmado em relação a este projeto é que não será nenhum Zack Snyder na direção, e sim Joe Johnston, apadrinhado do Spielberg que, em 1991, fez uma fantástica adaptação de quadrinhos que quase ninguém viu, "Rocketeer", que também se passava durante a Segunda Guerra Mundial.
• O que eu espero: Que o diretor Joe Johnston consiga fazer um filme mais humano e nostálgico, como já havia feito com "Rocketeer", e mais perto do clima de "Homem de Ferro" do que de "O Cavaleiro das Trevas".




THE ADVENTURES OF TINTIN - SECRET OF THE UNICORN (2011, dir: Steven Spielberg)
Como toda uma geração, eu cresci lendo as coloridas e divertidas aventuras do repórter de topete Tintin, criadas e desenhadas pelo belga Hergé. Ainda não tenho certeza se Steven Spielberg era realmente a melhor escolha para transformar os quadrinhos num blockbuster (que será feito como animação em 3D). Mas um detalhe que me deixa animado é a participação do inglês Edgar Wright (diretor de "Shaun of the Dead" e "Chumbo Grosso") como um dos três roteiristas. E dois atores-fetiche de Wright também estarão no filme, os engraçadíssimos Simon Pegg e Nick Frost, que emprestam suas vozes para os "quase gêmeos" detetives Dupont e Dumont (na versão em inglês, Thomson e Thompson). Já Tintin ficará com as feições de Jamie Bell. Boas notícias são a escolha da trama ("O Segredo do Licorne" era uma das histórias preferidas do falecido Hergé) e a presença de John Williams na trilha sonora.
• O que eu espero: Que o Spielberg não invente demais, não deixe o George Lucas sequer chegar perto do set e retorne aos tempos de "Os Caçadores da Arca Perdida", sem ser infantil demais.




PREACHER (2011?, dir: Sam Mendes)
Será que dessa vez vai? Em janeiro, a revista Variety anunciou oficialmente Sam Mendes (argh!) como diretor de "Preacher", filme baseado nos quadrinhos de Garth Ennis. Para dar uma idéia da enrolação do projeto, fala-se em adaptar o personagem para o cinema desde 2001, quando James Mardsen faria o papel-título e Samuel L. Jackson o demônio conhecido como Santo dos Assassinos. Desde então, o roteiro passou por tantas mãos, diretores e atores que parecia fadado ao limbo dos projetos problemáticos de Hollywood. Como o Constantine de Alan Moore (que foi transformado num filme bem aquém de seu potencial), "Preacher" também não é fácil de adaptar, considerando que mostra Jesse Custer, um pastor com superpoderes, caçando Deus pelos Estados Unidos, acompanhado pela namorada ninfomaníaca e por um vampiro irlandês, enfrentando adversários excêntricos como o Santo dos Assassinos, uma seita de fanáticos religiosos que protege o último descendente da linhagem sagrada de Cristo e até um rapaz deformado chamado... Cara de Cu!!! Os quadrinhos são tão violentos e amorais que eu sempre pensei que o filme era inadaptável (ainda mais em forma de blockbuster), mas a entrada do roteirista John August no projeto dá uma certa esperança, já que ele é acostumado com bizarrias (ele escreveu três longas de Tim Burton, entre eles "A Noiva Cadáver").
• O que eu espero: Na verdade, espero um desastre, ainda mais com Sam Mendes na direção. Mas a esperança é a última que morre, e creio ser mais fácil eles engavetarem o projeto pela milésima vez.



E o filme que eu gostaria de ver antes de comer capim pela raiz:


TEX WILLER
Sim, o pistoleiro implacável criado pelo italiano Giovanni Luigi Bonelli é um dos personagens de quadrinhos que eu mais gosto e religiosamente acompanho. E tem uma longevidade invejável: embora suas aventuras no Velho Oeste volta-e-meia se tornem repetitivas, a revista é publicada ininterruptamente desde 1948! Por isso é uma pena que a única adaptação cinematográfica tenha sido o fraquíssimo "Tex e o Senhor do Abismo", dirigido por Duccio Tessari em 1985. A produção era pobre, o roteiro era ridículo (baseado numa aventura mais "sobrenatural" do ranger) e o astro do spaghetti western Giuliano Gemma não convencia no papel-título. Portanto, estão devendo uma adaptação decente para todos os fãs do personagem. O filme do Tex que eu queria ver seria uma apresentação oficial do personagem, mostrando como um fora-da-lei se transforma em ranger, o início de sua amizade com o também ranger Kit Carson e, principalmente, o arco de histórias em que casa com uma jovem índia navajo, Lylith, transformando-se no "chefe branco dos índios", Águia da Noite. O filme poderia terminar com o nascimento do filho de Willer, Kit, e a morte da amada de Tex, dando o gancho para as futuras continuações. Um diretor sério e um roteirista decente poderiam fazer miséria com as aventuras do personagem, e é uma pena que ninguém mais tenha se interessado em investir no projeto, ainda mais depois do fiasco do filme anterior de Tessari.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Críticas rápidas para pessoas nervosas


SEXTA-FEIRA 13 (Friday the 13th, 2009, EUA. Dir: Marcus Nispel)
Tudo de bom e de ruim sobre este remake (ou "reinvenção") de "Sexta-feira 13" já foi dito e escrito. O novo filme, na verdade, é uma grande bobagem, tão ruim quanto os originais (que muitos insistem em tratar como clássicos que não são), embora bem menos divertido. A culpa não é exatamente do roteiro simplório, melhor que muitas seqüências oficiais da série, mas sim do diretor-anta Marcus Nispel, o mesmo que cometeu a atrocidade de refilmar "O Massacre da Serra Elétrica". Aliás, o que parece é que Nispel não saiu do set do seu remake de 2003: este novo "Sexta-feira 13" tem fotografia tão "suja" e escura quanto aquele, câmera epilética nas cenas mais legais, e o Jason bombado com esconderijo subterrâneo mais parece primo distante do Leatherface do remake do que aquele personagem legal dos anos 80. Também faz falta a seqüência de mortes exageradas dos filmes antigos, já que, com raras exceções (tipo o churrasquinho de potranca pelada no saco de dormir), é o mesmo feijão-com-arroz de sempre. E apesar de mais algumas besteiras (o xerife interpretado por Richard Burgi é desperdiçado, a maneira como Jason arranja sua máscara é ridícula, quase não há citações à colônia de férias de Crystal Lake....), pelo menos esta "reinvenção" não inventa muito (como o pavoroso "Halloween" do Rob Zombie), e entrega ao povo exatamente o que ele espera: jovens imbecis e drogados sendo esquartejados, cenas gratuitas de sexo e nudez (com gostosas de alta calibre, vale ressaltar) e uma morte a cada cinco ou dez minutos. Trocando em miúdos: é legal, mas está longe de virar clássico e perde para qualquer um dos "Sexta-feira 13" entre as partes 1 e 6.



NICK AND NORAH'S INFINITE PLAYLIST (idem, 2008, EUA. Dir: Petter Sollett)
Quem diria, o "Alta Fidelidade" para os adolescentes do século 21 funciona também para os velhos resmungões, como este que vos escreve. O simpaticão Michael Cera (de "Juno" e "Superbad") é Nick, um jovem nerd que toca numa banda formada por gays - mas é hetero, embora nunca pegue ninguém. Há meses ele levou um fora da namorada vagaba, e passa as semanas choramingando e gravando CDs com coletâneas de rock para a moça. E enquanto a ex joga os discos no lixo sem cerimônia, a tímida Norah (Kat Dennings) recolhe e escuta, fascinada pelo bom gosto musical do rapaz. É claro que os caminhos dos dois irão se cruzar numa noite de rock-and-roll, quando ambos procuram pelo "show secreto" de uma banda do momento. O mais curioso desta divertida comédia romântica é que ela vale mais pela química e pelos diálogos do casal de protagonistas do que pela história propriamente dita (que é bem fraquinha e envolve até uma amiga bêbada perdida pela cidade). A geração de jovens roteiristas contemporâneos a Diablo Cody parece estar tentando dar um toque mais emocional e humano aos seus trabalhos, que em nada lembram aquelas comédias adolescentes debilóides dos anos 90. A julgar por "Juno" e por este, vem muita coisa boa pela frente... E Michael Cera aos poucos vem se firmando como o grande pegador da sua geração, apesar da cara de panaca!



SEGURANDO AS PONTAS (Pineapple Express, 2008, EUA. Dir: David Gordon Green)
Desde aqueles velhos clássicos da dupla Cheech & Chong, muita gente tentou, mas não conseguiu, fazer filmes engraçados sobre maconheiros (os mais recentes são aquelas duas comédias fraquinhas com a dupla Harold e Kumar). Demorou, mas finalmente apareceram o Cheech e o Chong do novo milênio: em "Segurando as Pontas", Seth Rogen é um oficial de justiça que adora puxar fumo e, certa noite, testemunha uma execução na casa de um violento traficante (interpretado por Gary Cole). Perseguido pelos bandidos e pela polícia, só resta a ele fazer uma dupla improvável com seu traficante de estimação, interpretado por um impagável James Franco, e enfrentar todos os perigos - sempre completamente chapados. O filme já começa inspirado, com um prólogo em preto-e-branco mostrando testes dos militares para conhecer os efeitos da maconha; já as aventuras vividas pela dupla de doidões inclui cenas de humor negro dignas dos Irmãos Coen (a barulhenta briga na casa de um outro traficante parece saída de "Arizona Nunca Mais"). É legal ver atores como Rosie Perez, Ed Begley Jr. e James Remar numa comédia, e há diversos momentos bastante divertidos, principalmente aqueles envolvendo James Franco. Metendo ainda no balaio tiros, explosões e perseguições de automóvel, o resultado é um "Máquina Mortífera" estrelado por Cheech & Chong - sem contar que aqui existe um roteiro, e nos velhos filmes do Cheech & Chong não havia! O único defeito de "Segurando as Pontas" é esticar demais algumas cenas, provavelmente fruto do improviso dos seus astros. Mas piada enrolada demais cansa, e isso acontece também aqui, principalmente no café-da-manhã do final (uma última cena perfeitamente dispensável).



ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO (Before the Devil Knows You're Dead, 2007, EUA. Dir: Sidney Lumet)
Qualquer filme que comece com o balofo Philip Seymour Hoffman comendo a gostosa da Marisa Tomei, e de quatro, já merece virar clássico instantâneo. E esse aqui tem muitas outras qualidades: é uma daquelas obras-primas obrigatórias que quase ninguém viu nem comentou. Dirigido pelo veteraníssimo Sidney Lumet, o roteiro de Kelly Masterson narra um mesmo episódio por três pontos de vistas, indo e voltando no tempo, o que não é propriamente uma novidade - mas mostra-se um recurso eficiente quando empregado sem frescura. A história começa quando dois irmãos endividados (Hoffman e Ethan Hawke) bolam um "crime perfeito" para faturar grana fácil: assaltar a pequena joalheria do pai (Albert Finney, ótimo). O problema é que o plano simples se revela um pouquinho mais complicado, e uma série de desastres leva a família inteira rumo ao inferno. Quando você pensa que nada de pior pode acontecer, o filme surpreende com uma nova e inesperada tragédia, lembrando filmes como "Gosto de Sangue" e "Fargo", dos Irmãos Coen. A conclusão é pessimista, um soco no estômago, e nem podia ser diferente; mas o filme é fantástico como poucos.



OS ESTRANHOS (The Strangers, 2008, EUA. Dir: Bryan Bertino)
Pode um filme ser igualmente assustador e bobo, interessante e superficial? A julgar por esta estréia cinematográfica de Bryan Bertino (também roteirista), pode. Reciclando e regurgitando clichês de "pessoas normais isoladas no meio do mato e às voltas com violentos psicopatas", o marinheiro de primeira viagem consegue criar um climão de arrepiar nos primeiros 25 minutos, quando gradualmente aparecem os "Estranhos" do título, com suas máscaras inexpressivas e as piores intenções, aterrorizando o casal de namorados interpretado por Liv Tyler e Scott Speedman. Infelizmente, a trama que começava promissora logo resvala para aqueles clichês idiotas de celular sem bateria e garota que machuca o pé quando foge dos vilões - isso sem contar o fato de os dois pombinhos se separarem a toda hora, ao invés de tentar resolver juntos o problema. Mas é interessante ver assassinos mascarados que realmente assustam, principalmente por não terem qualquer motivação além da pura maldade ("Vocês estavam em casa."). Logo, eles são o principal argumento para aquilo que eu tanto reclamei no "Halloween" do Rob Zombie ou nos novos "O Massacre da Serra Elétrica": não é preciso ficar explicando a origem do Mal, e nem mostrar o que está por trás da máscara, para assustar. Pena que aqui uma boa idéia para um curta-metragem de meia hora seja esticada para quase intermináveis 1h20min... Concluindo: é bom, mas se você nunca assistir não vai perder absolutamente nada!



MARATONA DO AMOR (Run, Fatboy, Run, 2007, Inglaterra. Dir: David Schwimmer)
É até melhor do que eu esperava esta estréia na direção do ator de "Friends", Schwimmer. A trama é óbvia e o final não traz grandes surpresas, mas este é o típico filme valorizado pela presença do protagonista - no caso, o inglês Simon Pegg, de "Shaun of the Dead" e "Chumbo Grosso". Pegg tem uma cara engraçada como poucos, e é só a câmera enquadrá-lo que já dá vontade de rir. Na trama, ele é o eterno perdedor que resolve participar de uma maratona em Londres, só para tentar provar à sua ex-namorada que mudou e está mais responsável, depois de abandoná-la grávida no altar. O cínico Hank Azaria aparece como um bundão que também cobiça a moça. Não vai ser fácil, claro, e o "treinamento" do obeso, sedentário e fumante protagonista rende as melhores risadas da trama. Vale mais pelo Pegg mesmo; provavelmente não ia ter a mesma graça se fosse Adam Sandler ou Rob Schneider no papel. E o final pelo menos não tenta ser hipócrita (é claro que o molenga não vai ganhar a maratona!), dando um exemplo de superação e força de vontade. Passatempo perfeito para as tardes de domingo.



TERROR EM MERCY FALLS (Frágiles, 2005, Espanha. Dir: Jaume Balagueró)
Uma história de fantasmas curta, grossa e sem frescura assinada pelo espanhol Jaume Balagueró antes da consagração popular com "REC". Calista Flockhart (da série "Amy McBeal") é uma enfermeira chamada para o turno da noite da ala infantil de um hospital chamado Mercy Falls, que está para ser desativado. Ali, uma força sobrenatural tem espalhado o pânico entre as crianças, fazendo com que seus ossos quebrem. Investigando o mistério, a protagonista descobre que tudo pode estar ligado a uma garotinha chamada Charlotte, que foi internada no mesmo hospital na década de 50, com uma doença que deixava seus ossos extremamente frágeis. Não há grandes novidades na trama nem na forma de contá-la, mas algumas cenas são realmente arrepiantes (como as desagradáveis fraturas provocadas pela fantasma, ou as andanças por um escuro andar desativado do hospital). O mistério também rende uma bela reviravolta final, com direito a uma criatura asquerosa que parece uma espécie de treino para a menina Medeiros de "REC". Entretanto, o ritmo é lento e às vezes convida ao sono. Recomendado para quem cansou dos filmes com fantasminhas orientais.



O PANACA (The Jerk, 1979, EUA. Dir: Carl Reiner)
Nunca tinha visto este que é o primeiro filme de Steve Martin, e que a crítica costuma colocar em toda santa lista de "comédias mais engraçadas da história". Então o meu senso de humor deve ser bem diferente da crítica, pois não consegui achar graça nenhuma nesta grande bobagem, que até parece interminável. Trata-se da história de um idiota e de suas idiotices: Navin Johnson (Martin) é um branco imbecil criado por uma família de negros, que, quando adulto, resolve se aventurar pelo mundo. No percurso, se apaixona, trabalha num posto de gasolina e no circo, é perseguido por um psicopata e acaba tornando-se milionário graças a uma ridícula invenção - um grampo colocado no nariz como suporte para óculos! Parece até um precursor de outros filmes idiotas sobre idiotas, como "Debi & Lóide", mas bem menos engraçado. Até tem alguns momentos divertidos (principalmente na parte em que o personagem fica ricaço), mas é mais comum ficar com sorriso amarelo. Teve uma seqüência em 1984, "The Jerk Too", dirigida por Michael Schultz e com Mark Blankfield no lugar de Steve Martin.



JOGOS MORTAIS 5 (Saw 5, 2008, EUA. Dir: David Hackl)
Sim, eu tenho uma certa simpatia pela série "Saw", mesmo que às vezes precise fechar um dos olhos para a lógica e para a qualidade dos filmes. No caso deste quinto capítulo, entretanto, seria preciso fechar os dois olhos, então percebe-se claramente os (muitos) defeitos de um roteiro absurdo, que tenta ser surpreendente, mas na verdade só tem uma razão de existir: costurar incontáveis pontas soltas deixadas pela Parte 4, inclusive utilizando intermináveis flashbacks para tentar fazer o espectador acreditar que certo personagem (o detetive Hoffman, interpretado por Costas Mandylor) faz parte de tudo desde o início, embora só tenha dado as caras oficialmente no terceiro (e ainda pior) filme da série. Se há uma qualidade neste quinto episódio é trazer armadilhas menos absurdas que as dos capítulos anteriores (a melhor é aquela em que pobres prisioneiros precisam se automutilar para retirar o sangue necessário para a abertura automática da sua prisão). Mas não dá para engolir o fato de o grande vilão Jigsaw, morto na Parte 3, ter deixado tanta coisa preparada com antecedência, e tudo ainda funcionar como um relógio. O filme também desperdiça seu protagonista, o agente do FBI Strahm (Scott Patterson), que após escapar à la McGyver de uma armadilha mortal, tem um desfecho fuleiro e bastante previsível. Anuncia-se que a inevitável Parte 6 será a última da série. A julgar por este quinto filme, já está mais do que na hora. Aliás, seria perfeitamente possível pular direto do quarto para o sexto filme, a julgar a total falta de conteúdo deste quinto capítulo.



O ROQUEIRO (The Rocker, 2008, EUA. Dir: Peter Cattaneo)
A capinha me deixou sem qualquer esperança, mas não é que é bem divertida essa história sobre rock e sobre as tradicionais diferenças culturais entre adultos e adolescentes? O personagem principal é Robert Fishman (Rainn Wilson), um jovem adulto que se recusa a envelhecer e ficar sério. Nos anos 80, ele era baterista de uma banda que o dispensou na véspera de fazer sucesso. Nos dias atuais, ele persegue sua segunda chance de tornar-se rockstar quando o sobrinho nerd o convida para assumir a bateria de uma banda emo que formou com seus amiguinhos. É uma pena que o roteiro se acomode nas brigas entre os jovens músicos e o velho irresponsável, e prefira investir em piadas mais inocentes sobre o mundo da música - nada de sexo ou drogas, por exemplo, o que me faz ter saudade dos tempos de filmes como "Rock'n'Roll High School" e "Get Crazy". Assim, fica parecendo uma versão cômica do "The Wonders", sem tirar nem pôr. Mas Rainn Wilson está muito engraçado tentando aproveitar a vida de roqueiro como se ainda estivesse na adolescência. Outro para ver, rir e esquecer duas horas depois.



OS REIS DA RUA (Street Kings, 2008, EUA. Dir: David Ayer)
Dá pra dizer que este policial escrito por James Ellroy é uma espécie de versão gringa do fenômeno nacional "Tropa de Elite". Canastrão como sempre, Keanu Reeves é o Capitão Nascimento deles, um policial estressado da Divisão de Homicídios de Los Angeles, que prefere executar sem piedade os criminosos que cruzam seu caminho, afogando o remorso no álcool. Mas quando um ex-colega descontente com seus métodos é executado a rajadas de metralhadora, o próprio "herói" torna-se suspeito do crime, e precisa investigar por conta própria suas motivações - chegando à já batida trama de corrupção policial, aqui encabeçada por Forest Withaker. Numa época em que os filmes policiais estão cada vez mais contidos, "Os Reis da Rua" não poupa o espectador de violência explícita e cadáveres bastante detonados; nem tenta amenizar a brutalidade do personagem de Keanu, que adora sentar a mão na bandidada e chega a atirar um suspeito no arame farpado para obter informações. O roteiro só peca por deixar muito na cara o envolvimento dos colegas do "herói" no rolo, o que fica evidente desde o início – ironicamente, só o próprio detetive não vê! Mas vale só para ver o insuportável Chris Evans (o Tocha Humana dos filmes do "Quarteto Fantástico") tomar um tirambaço à queima-roupa!