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quarta-feira, 25 de julho de 2012

ASSASSINO A PREÇO FIXO (1972)


Usualmente, mecânico é aquele cara que você chama sempre que o seu carro não sai da garagem, te deixa na mão em algum lugar ou apresenta aquele barulho estranho e irritante. Mas, na gíria da bandidagem dos Estados Unidos, um "mechanic" também é um matador profissional que age sempre sozinho e vende os serviços a quem pagar mais.

É por isso que ASSASSINO A PREÇO FIXO, chamado "The Mechanic" no original, não traz Charles Bronson todo sujo de graxa e trabalhando numa oficina rodeado de pôsteres de mulher pelada pelas paredes. Pelo contrário, as "ferramentas" do mecânico Arthur Bishop (o personagem de Bronson) são bem diferentes e letais. Citando a frase no cartaz do filme: "Ele tem mais de uma dezena de maneiras de matar, e todas elas funcionam".


Embora nenhuma nota fiscal com o valor dos "serviços" do mecânico Bishop seja apresentada para sabermos se ele cobra um preço fixo ou não, foi com este título songo-mongo em português que os brasileiros receberam este belo filme de ação produzido em 1972, uma das primeiras produções norte-americanas dirigidas pelo inglês Michael Winner, que pavimentava sua carreira rumo a filmes mais ousados e bem-sucedidos.

Winner não foi a primeira opção para ASSASSINO A PREÇO FIXO, porém. O diretor (hoje) cult Monte Hellman estava cotado para comandar o filme, e chegou a trabalhar na história junto com o roteirista Lewis John Carlino, que por sua vez escreveu o roteiro baseado num livro de sua autoria que não tinha conseguido publicar. Consta que atores como Cliff Robertson e George C. Scott (para o papel que ficou com Bronson) e um jovem Jeff Bridges (para o personagem depois encarnado por Jan-Michael Vincent) envolveram-se de alguma forma com o projeto em seus primeiros estágios.


Quando o roteiro trocou de estúdio e foi parar nas mãos da United Artists, Hellman foi substituído por Michael Winner e o diretor inglês chamou seu amigo Charles Bronson para estrelar. Este é o segundo de seis filmes que fizeram juntos, sendo que o primeiro foi "Renegado Impiedoso", no ano anterior.

No fim, Bronson revelou-se uma escolha acertada para o papel, já que ele usa seu olhar frio e hipnotizante e seu semblante inexpressivo a serviço de um personagem digno dessas qualidades de "representação". Porque Arthur Bishop é um matador extremamente sofisticado e profissional, mas ao mesmo tempo solitário, melancólico e silencioso, e o rosto sem expressão do astro lhe dá um tom acentuadamente triste.


Para Bishop, a morte não é só uma fonte de renda, mas uma verdadeira arte. Ele trabalha exclusivamente para uma organização criminosa (que, suspeita-se, seja a Máfia), da qual seu pai foi conselheiro; goza, portanto, de uma posição de respeito diante dos empregadores. Vive sozinho numa bela casa - que tem até um quadro original de Bosch na parede! -, onde passa os dias em silêncio, reflexivo e solitário, estudando minuciosamente os detalhes para a realização de cada serviço.

A rotina do mecânico funciona mais ou menos assim: seus contratantes enviam um arquivo completo do alvo (incluindo até relatórios médicos!), que ele decora lentamente enquanto ouve música clássica, fuma cachimbo e toma vinhos finos; depois, Bishop segue a vítima durante dias e até semanas, para descobrir tudo sobre os seus hábitos e horários. Só depois de tudo isso é que o assassino age e despacha seu alvo.


"Não seria mais fácil dar logo um tiro na cabeça?", pode questionar o nobre leitor do FILMES PARA DOIDOS. Claro que seria. Mas, como eu escrevi ali em cima, Arthur Bishop encara o "negócio" do assassinato como uma arte, e não como um serviço sujo qualquer. E sua filosofia é executar trabalhos limpos que pareçam acidentes, onde a presença de um mecânico jamais possa ser identificada.

Esse preciosismo do personagem me lembrou uma cena incrível da comédia "Matador em Conflito", que traz John Cusack no papel de um assassino de aluguel em crise. Num de seus trabalhos, ele precisa pacientemente escorrer gotículas de veneno por um barbante suspenso sobre a boca aberta de um alvo que dorme tranquilamente!


E é mais ou menos dessa maneira que Arthur Bishop é apresentado ao espectador na cena inicial de ASSASSINO A PREÇO FIXO, uma brilhante sequência de 15 minutos sem nenhum diálogo, o que apenas enfatiza a solidão e o jeitão silencioso do personagem. Durante esses 15 minutos, Bishop segue pacientemente uma vítima e depois põe em prática uma sequência extremamente complexa de detalhes que resultarão numa inacreditável "morte acidental". Um trabalho perfeito que deve valer cada centavo do pagamento do mecânico - seja preço fixo ou não!

Apesar da vida reclusa, Bishop tem um amigo de longa data, Harry McKenna (interpretado por Keenan Wynn). Certo dia, ele pede que o mecânico converse com os chefes da organização para limpar seu nome, já que McKenna anda sendo ameaçado por eles. No mesmo dia, Bishop recebe um pacote com as fotos de sua nova vítima: o próprio Harry!


Aí percebemos mais uma faceta do nosso mecânico: seu profissionalismo exige que ele seja completamente desprovido de sentimentos, e é claro que ele não vai deixar que as relações de amizade atrapalhem a realização do serviço. Ele então despacha o pobre Harry, que só no fim da vida descobre que seu velho amigo será também o seu algoz.

Durante o funeral do falecido, Bishop conhece Steve McKenna (Jan-Michael Vincent, vergonhosamente canastrão), o problemático filho adolescente do morto, que parece até estar contente com o destino do pai, já que herdou a mansão e a fortuna do velho.


Aos poucos, um vai se aproximando do outro: Steve vê em Bishop a figura paterna que nunca teve, enquanto o mecânico enxerga em Steve a sua própria juventude, pois ele também é frio, calculista e não tem medo da morte. Quando ambos presenciam a tentativa de suicídio de uma ex-namorada de Steve, que nem ao menos tenta impedi-la enquanto ela corta os pulsos, Bishop tem a confirmação de que o rapaz pode virar um bom mecânico e, quem sabe, ser o herdeiro que ele nunca teve.

Steve aceita a proposta e passa por um rápido treinamento antes de executar sua primeira missão. Desenvolve-se uma relação estilo Batman & Robin, incluindo o respectivo ar homossexual (já falaremos sobre isso). Mas a organização que comanda Bishop fica enfurecida, pois não concorda com a associação do matador que sempre agiu sozinho.


Logo, nosso "herói" começa a desconfiar que é o próximo alvo dos próprios empregadores. E, pior, que o seu jovem ajudante é o mecânico contratado para eliminá-lo, exatamente como ele fez com o seu pai! Justiça poética?

A partir dessa relação ambígua entre mestre e pupilo que não podem confiar 100% um no outro, ASSASSINO A PREÇO FIXO desenvolve-se menos como um filme de ação e mais como um thriller de suspense, em que o medo da morte é frequente e ninguém sabe em quem confiar. O crítico norte-americano Roger Ebert definiu a trama de maneira brilhante: "A verdadeira ação do filme é psicológica, com duas cobras circulando uma à outra".


Apesar de optar por um ritmo mais lento e dialogado, e por uma construção pausada da relação entre os dois personagens, ASSASSINO A PREÇO FIXO também traz belas sequências de ação que são bem a cara do início dos anos 70: tiroteios, explosões e perseguições de carros e motos são filmadas de maneira fluida, sem a câmera sacolejante e a edição videoclipeira que são as marcas registradas da ação desse nosso novo século.

A única coisa que realmente me incomoda no filme é Jan-Michael Vincent no papel de Steve. Além de ser um péssimo ator (que depois seria relegado a papéis menores em filmes classe Z), ele compõe o jovem mecânico como um sujeito irritante, pedante e mimado, por isso nunca se justifica a adoração que Bishop tem por ele e nem o porquê de ficar obcecado em treiná-lo como seu parceiro - além, é claro, de já estar velho e querer um herdeiro do seu legado.


Se Steve é um pentelho de marca maior, Bishop, por outro lado, é um personagem riquíssimo - talvez um dos melhores de Bronson. Como um samurai, e ao contrário do seu jovem parceiro, o mecânico veterano vive num mundo guiado por um rígido código de honra, que não permite traições ou falhas; enfim, aquele estereótipo do "bandido honrado" que é mais comum no cinema oriental. Para ele, "assassinato é apenas matar sem licença. Policiais matam, soldados matam".

Para ilustrar a vida solitária que Bishop leva, ASSASSINO A PREÇO FIXO tem uma cena que é simplesmente genial: o encontro do matador com uma garota que parece lhe amar perdidamente. Ela escreveu uma carta de amor que lê apaixonada, e os dois têm uma noite de prazer. Parece um amor intenso, mas Bishop depois levanta da cama e pergunta "Quanto lhe devo dessa vez?", e a garota dá o preço justificando: "É mais caro porque deu um trabalhão escrever aquela carta". Ou seja, vivendo uma vida reclusa, o mecânico precisa pagar para uma prostituta parecer apaixonada por ele e inclusive lhe escrever cartas de amor! Ironicamente, a prostituta é interpretada por Jill Ireland, que foi esposa de Bronson na vida real.


Claro que o relacionamento "mecânico" (trocadilho intencional) com uma prostituta também pode ser uma evidência da falta de jeito de Bishop com o sexo oposto, o que apenas confirmaria aquele tom homossexual que eu citei lá em cima - talvez o caso entre o mestre e o pupilo não seja apenas profissional, afinal de contas...

No filme essa suspeita fica apenas no ar, com o amor platônico entre Bishop e Steve sendo sugerido bem de leve numa história com raríssimas personagens femininas. Mas essa não é nem de longe a tônica da aventura. Originalmente, entretanto, a relação dos dois mecânicos seria explicitamente gay, algo que estava no roteiro de Lewis John Carlino.


Numa entrevista, o roteirista confirmou isso e ainda falou que ASSASSINO A PREÇO FIXO é uma das grandes decepções da sua vida, porque os produtores pediram que ele retirasse (ou amenizasse, se preferirem) o tom homossexual dos personagens para transformar o roteiro em uma típica aventura com dois machões heterossexuais bons de tiro - ou um "pseudo-James Bond", nas palavras do próprio Carlino.

Gay ou não, ASSASSINO A PREÇO FIXO é um filme bastante eficiente, mesclando suspense e ação com bastante profissionalismo, num clima bem diferente daquelas aventuras alopradas que Bronson faria, nos anos 80, para a Cannon Films. Vale lembrar que, na época em que interpretou Arthur Bishop, ele era um astro mais popular na Europa do que no seu país de origem. Um dos primeiros sucessos de bilheteria do ator nos Estados Unidos foi justamente seu trabalho posterior com Winner, "Desejo de Matar", em 1974.


Recentemente, em 2011, as "aventuras" do mecânico Arthur Bishop ganharam um upgrade com uma refilmagem que, no Brasil, ganhou o mesmo título em português da aventura de 1972. Comparar os dois "The Mechanic" é como chutar cachorro morto, mas também é uma boa maneira de comprovar a imbecilização do cinema de ação norte-americano moderno.

Enquanto o original tinha a direção refinada de Winner e um personagem vivido de maneira fria e comedida por Bronson, o "Assassino a Preço Fixo" do século 21 tem um cabeça-de-bagre como diretor (Simon West, de "Tomb Raider" e do novo "Os Mercenários 2") e, no papel de mecânico, o inglês Jason Statham, que está mais para novo Chuck Norris ou Steven Seagal do que para novo Charles Bronson, e esbanja "brucutuzice" no papel que o outro interpretou com tanta "finésse", correndo, atirando, surrando e explodindo coisas sempre em alta velocidade, como se estivesse acelerado pelo efeito de anfetaminas.


Um espaço de tempo de 40 anos separa os dois filmes e o roteiro é praticamente o mesmo, mas é incrível como a refilmagem é covarde e parece ter sido produzida para débeis-mentais.

Primeiramente, porque os alvos do mecânico Statham são pessoas malvadas e muito piores do que ele - e, portanto, merecem morrer, tornando o mecânico muito mais "heróico" do que o profissional que matava por dinheiro no filme de Winner. Segundo porque algumas mudanças no roteiro subvertem praticamente toda a história do original, que aqui vira uma simples e rasteira trama de vingança, onde não falta nem mesmo o momento (absurdo, por sinal) em que Statham descobre que foi manipulado pela organização em que trabalhava e parte para dar o troco nos patrões (algo que jamais acontecia no filme de 1972, muito pelo contrário!).


Mas o mais cretino e bunda-mole do remake é o fato de que eles alteram o corajoso e cínico final-surpresa do ASSASSINO A PREÇO FIXO original, e que eu não vou contar aqui, mas é um daqueles desfechos que deixam o espectador com um sorriso no rosto mesmo quando o filme é revisto pela décima vez. Sendo a refilmagem uma aventura anabolizada feita para um público imbecil, o final-surpresa ganha outros contornos e passa longe daquele encenado 40 anos atrás.

Finalmente, há uma ironia brutal na comparação entre os dois filmes: no original, o Arthur Bishop de Winner odiava "agir como cowboy", ou seja, matar o alvo da forma mais rápida possível, sem muito planejamento ou frescura. Lembre-se que o velho mecânico passava dias estudando suas vítimas e a melhor forma de fazer o serviço.


Pois o Arthur Bishop do século 21, claro, "age como cowboy" o tempo todo, explodindo prédios, carros e pessoas num festival de grosseria que insulta aquele trabalho limpo e refinado demonstrado por Bronson lá em 1972. E naqueles 15 minutos iniciais de silêncio do filme de Winner, o mecânico de Statham já matou ou arrebentou uns vinte inimigos!

Mas o que mais podemos esperar desse "novo cinema de ação" que conseguiu transformar até os outrora refinados James Bond e Batman em brucutus que "agem como cowboys" e explodem tudo antes para perguntar depois?

PS: Reparem na picaretagem do trailer abaixo, que tenta vender o personagem de Charles Bronson como um "herói" que extermina o crime organizado!

Trailer de ASSASSINO A PREÇO FIXO



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The Mechanic (1972, EUA)
Direção: Michael Winner
Elenco: Charles Bronson, Jan-Michael Vincent, Keenan
Wynn, Jill Ireland, Linda Ridgeway, James Davidson,
Frank DeKova, Lindsay Crosby e Tak Kubota.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

LASER MISSION (1989)


Se Edward D. Wood Jr. não tivesse morrido de ataque cardíaco em 10 de dezembro de 1978, estivesse vivo lá pelo final da década de 80 e dirigisse um filme barato de ação direto para o mercado de vídeo, o resultado seria LASER MISSION. Simples assim: LASER MISSION é o "Plan 9 From Outer Space" dos filmes de ação.

Mas Ed Wood realmente morreu de ataque cardíaco em 1978, e não tem nada a ver com LASER MISSION. Seu realizador é Beau Davis (nome artístico: B.J. Davis), um sujeito que trabalha como dublê desde o começo dos anos 80, mas, volta-e-meia, arrisca-se como diretor. Fica a suspeita, entretanto: se estivéssemos num filme de ficção científica classe C dos anos 50, o cérebro de Wood teria sido transplantado no corpo de Beau Davis, tal as similaridades no trabalho inepto demonstrado pelos dois realizadores.


"LASER MISSION é tão trash assim?", pode perguntar-me o inocente leitor do FILMES PARA DOIDOS que nunca ouviu falar dessa tralha. Bem, vamos resumir assim: sabe aquela típica frase "Este filme é tão ruim que é divertido", habitualmente usada para descrever algumas das produções analisadas aqui no blog? Pois a expressão poderia ser atualizada para "Este filme é tão LASER MISSION"...

Aliás, repararam que em três parágrafos eu já citei o título LASER MISSION cinco vezes (seis, com essa última)? É porque é um puta de um nome legal e sonoro: LASER MISSION (sete)! Eu sempre fui um grande fã do título "Cobra Mission", usado por Fabrizio De Angelis num filme-podreira de guerra lá dos anos 80, mas hoje já acho LASER MISSION (oito) muito mais legal!


Ironicamente, não há nenhum laser em LASER MISSION (nove, e a partir de agora paro de contar). O mais perto que se chega disso é o raio azulado que "corta" o título do filme nos créditos iniciais (acima). A palavra "laser" também é usada inúmeras vezes durante a trama, mas nunca vemos raio laser algum durante os oitenta e poucos minutos de projeção. Pense num título enganoso...

Há, porém, uma missão. E, para realizá-la, o nosso herói Michael Gold, um ex-agente da CIA que atualmente trabalha como mercenário e é interpretado pelo finado filho de Bruce Lee, Brandon Lee (1965-1993). Todo mundo tem que começar por algum lugar, e Brandon tem em LASER MISSION seu primeiro papel como protagonista numa produção ocidental - antes, ele havia estrelado um filme em Hong-Kong e foi parceiro (e filho) de David Carradine na produção para a TV "Kung Fu - A Lenda Renasce".


Não faço a menor ideia de como o pobre Brandon Lee foi se envolver nessa canoa furada, mas pelo menos ele sempre pôde dizer algo como: "Sim, eu fiz LASER MISSION, mas o Ernest Borgnine também estava lá!".

É verdade, caros leitores: o pobre Borgnine, falecido este ano (2012), Oscar de Melhor Ator por "Marty", visto em clássicos como "Meu Ódio Será Sua Herança" e "Os Doze Condenados", também aparece em LASER MISSION num ingrato papel de coadjuvante, interpretando um cientista alemão cujo sotaque aparece e some de uma cena para a outra. Tinha setenta e poucos anos na época e, bem, você sabe, todos precisamos pagar nossas contas - e ele provavelmente só fez esse filme para ganhar uns trocados para pagar o plano de saúde!


Mas vamos por partes, porque uma maravilha da sétima arte (sim, foi ironia) como LASER MISSION praticamente implora para ser analisada mais detalhadamente...

Nossa aventura começa com vários takes de armas de grosso calibre sendo preparadas durante os créditos iniciais, e todo fã de cinema de ação sabe que essa é uma bela maneira de se começar um filme do gênero. Ao fundo, toca a música "Mercenary Man", de David Knopfler - irmão menos famoso e menos talentoso de Mark Knopfler, do Dire Straits.


Cantada com voz rouca e esganiçada, e aquela típica batida pop-rock melosa que grita anos 80 (e não dá a menor saudade daquela década), a música segue assim:

"In the violence of the night
Where you hear the sirens scream
He only knows where he's going to
Like a dream within a dream
His heart beats like a hammer
Like the backbeat of a song
And the fire burns within him
And he knows he don't belong
He must be strong
He's a mercenary man, mercenary man, mercenary man
Mercenary maaaaaAAAAAAAAAaaaaaan!
Yeah, a mercenary man."



Aparentemente, a produção de LASER MISSION era tão furreca que não tinha dinheiro para bancar uma trilha sonora inteira. Assim, Knopfler fez apenas essa maravilha chamada "Mercenary Man", que toca O FILME INTEIRO.

Não pense que é brincadeira: é só começar uma cena de impacto que lá vem aquela voz rouca e esganiçada cantando "In the violence of the night...".

(Ah, "Mercenary Man" toca nos créditos finais também. Pense em lavagem cerebral...)


Mas enfim... O filme começa e estamos numa galeria de arte, onde um montão de pessoas bem-vestidas participa de um evento badalado: a exposição do diamante Verbeek, "o maior diamante do mundo", uma pedrona com 526 quilates!

Em primeiro lugar, eu nunca vou entender por que uma galeria de arte está expondo um diamante. Em segundo lugar, eu nunca vou entender por que não existe um mínimo esquema de segurança ao redor daquele gigantesco diamante, exibido sobre uma almofadinha sem nenhuma redoma de vidro indestrutível como proteção ou ao menos seguranças armados para vigiá-lo.


Bom, eles pediram, eles levaram: bandidos fortemente armados disparam um gás no interior da galeria, fazendo todo mundo dormir (ou morrer, isso nunca é explicado). Com máscaras anti-gás, eles calmamente entram no lugar e roubam o diamante. Quer dizer, nem tão calmamente: um dos bandidos dispara sua espingarda em algo ou alguém fora do alcance da câmera. Como o diretor Davis não filmou o take subsequente, mostrando o que foi que levou o tiro, ficou só assim mesmo - um bandido disparando um tiro no nada!

Corta para nosso herói Michael Gold chegando ao aeroporto de Kobango, uma nação africana fictícia que é um verdadeiro samba do crioulo doido: o país tem habitantes negros que falam espanhol e soldados vestidos como se fossem revolucionários cubanos, mas os vilões são um austríaco e um militar russo; placas em edifícios e cartazes estão escritas numa bizarra mistura de espanhol com português!


Por causa dessa confusão toda, é comum ver reviews pela internet afora dizendo que a história se passa em Cuba. Na verdade, Kobango se parece muito com Angola, o que justificaria tanto os personagens falando espanhol quanto os textos em português, e a presença de militares cubanos e soviéticos - já que, historicamente, os dois países comunistas tentaram ocupar Angola na década de 80, em tempos de Guerra Fria.

Seja como for, Michael Gold chega a Kobango e já temos a primeira amostra de que o diretor Beau Davis não entende nada do ofício: o herói entra no aeroporto com um grupo de pessoas, o grupo se separa e a câmera absurdamente segue um grupo de figurantes sem importância enquanto o herói vai PARA O OUTRO LADO; percebendo a idiotice cometida, a câmera gira para então sim encontrar seu protagonista! É o tipo de coisa que você não vê nem num filme do pobre Ed Wood!


Logo descobrimos que o mercenário Gold está na África, a pedido da CIA, para encontrar um cientista alemão, o Professor Braun (Borgnine, coitadinho...), e convencê-lo a ir para os Estados Unidos. Acontece que Braun é um especialista em lasers (hahaha), e o governo norte-americano teme que os comunistas o encontrem antes e o obriguem a construir uma terrível arma de raios.

Opa, opa! Peraí, peraí! Se o governo norte-americano queria dar asilo político ao cientista, por que diabos contrataram UM MERCENÁRIO para fazer a proposta de viajar aos EUA, ao invés de agentes da CIA em missão oficial? Até que o rapaz se sai bem e consegue convencer o velhote, só que a negociação é interrompida quando aparecem uns vilões que atiram em ambos com dardos tranquilizantes!


Gold acorda no dia seguinte numa prisão, condenado à morte por espionagem. No "paredón", à moda cubana? Que nada: numa arcaica guilhotina (!!!), aparato que, salvo ignorância minha, nunca foi usado fora da França! É claro que ele eventualmente escapa, mas o Prof. Braun já foi levado sabe-se lá para onde pelos inimigos.

Na embaixada norte-americana em Kabango, nosso herói toma a maior mijada dos agentes da CIA que o contrataram para a missão. Eles exigem que Gold resgate Braun, pois os russos querem obrigá-lo a construir uma arma laser de grande poder destrutivo usando aquele diamante colossal roubado no começo do filme.


Como ninguém sabe onde o cientista está, o herói precisa encontrar Alissa (Debi Monahan), a filha da vítima, e convencê-la a ajudar na busca. Resta saber o porquê disso além da obrigatoriedade de incluir um interesse romântico para o herói na história, considerando que a garota tampouco tem qualquer noção do paradeiro do pai!

E aí desenrola-se o restante de LASER MISSION: Gold e Alissa zanzando pelo país fictício, detonando militares que falam espanhol, explodindo coisas e seguindo em frente por puras conveniências de roteiro. Como a dupla não investiga porcaria nenhuma o filme inteiro, eles só conseguem ir do ponto A ao ponto B por causa dos vilões, que os obrigam a fugir o tempo todo ou aprisionam um para atrair o outro!


Escrito por duas pessoas (!!!), David A. Frank e Phillip Gutteridge (esse é o único crédito dos dois, algo plenamente justificável), LASER MISSION desenrola-se de maneira absurda e inverossímil, como se fosse uma paródia cartunesca do próprio gênero "ação".

Temos, por exemplo, o herói indestrutível interpretado por Brandon Lee, capaz de realizar as proezas mais ousadas e sair sem um único arranhão - ou nem ao menos despentear o cabelo. Michael Gold é tão fodão que sequer se protege durante os tiroteios, e a cena abaixo resume bem a "qualidade" do filme e a invulnerabilidade do herói.

Só os heróis têm mira boa



Mas nada pode preparar o espectador para a cena final, quando Gold leva um tiro na barriga (!!!), sente dor por uns 15 segundos no máximo e depois continua lutando, pulando e correndo como se não tivesse uma bala rasgando-lhe os intestinos. O tal tiro na barriga equivaleria ao clichê do "tiro de raspão no braço" em outros filmes, mas como em LASER MISSION tudo é mais exagerado e absurdo...

Não deixa de ser irônico que o herói indestrutível e imune a balas seja interpretado por Brandon Lee, esse pobre coitado que, na vida real, bateu as botas quando tomou um tiro de verdade que deveria ser de festim durante as filmagens de "O Corvo"!


Embora tenha feito filmes bem melhores depois, como "Rajada de Fogo" e "Massacre no Bairro Japonês", Brandon até que está simpático e divertido aqui, interpretando um personagem que pode ser considerado um 007 dos pobres. Infelizmente, não luta nada e prefere mandar bala nos inimigos.

Seguindo a cartilha do cinema de ação que emula com carinhoso exagero, LASER MISSION também tem dois vilões que são a epítome da maldade: um militar russo, o Coronel Kalishnakov (Graham Clarke, que está a cara do Sean Bean), e um caçador austríaco, Eckhardt (Werner Pochath, de "O Rato Humano").


Se eles são malvados? Bem, digamos que Eckhardt tem uma coleção de cabeças humanas (!!!) em sua fortaleza, e Kalishnakov é tão indestrutível quanto o herói, e às vezes parece mais um vilão de filme de terror. No duelo final, por exemplo, ele morre e volta umas 200 vezes, sobrevivendo a tiros, queda de precipício e explosões, até ser finalmente morto (pelo menos até sair uma continuação) por atropelamento!

Ainda seguindo aquela cartilha anteriormente citada, LASER MISSION tem a mocinha sedutora que passa o filme inteiro brigando com o herói, até que ambos percebem que estão apaixonados, trepam e tudo fica lindo e maravilhoso. O papel é de Debi Monahan, uma loira mais conhecida por participações em seriados de TV.


Ok, vou aproveitar o espaço e defender a Debi aqui: na maioria das críticas do filme encontradas internet afora, o pessoal diz que a mocinha é feia e isso não ajuda. Nananinanão: ainda que não seja nenhuma Sharon Stone e tenha uma voz bem irritante, além de talentos limitados no campo da atuação (embora ninguém no filme esteja realmente se esforçando neste quesito), Debi Monahan é uma gracinha. Como diz a sabedoria popular, "já peguei coisa bem pior e paguei".

E ela também tem um airbag de respeito, que exibe o tempo todo porque passa a maior parte do filme usando o mesmo vestido com um decotão gigante (uma estratégica decisão do responsável pelos figurinos)! Até por causa disso, ela exagera um pouco (tá, um muito...) nas caras e bocas estilo "Como sou gostosa" enquanto dirige ou atira, mas isso só torna tudo mais engraçado.


Finalmente, para fechar com chave de ouro os itens obrigatórios da cartilha da ação oitentista, LASER MISSION também está repleto de diálogos maravilhosamente toscos, já que os roteiristas tentaram dar frases de efeito ao herói Gold, mas falharam miseravelmente em todas as tiradas.

Um dos momentos mais brilhantes acontece quando Gold está fugindo dos vilões, atravessa o telhado de uma casa e cai bem no meio da sala de jantar, arrebentando a mesa posta para o banquete. Pois o herói se levanta, sai correndo em direção da porta, pára, olha sorridente para os donos da casa e diz: "Eu só passei para dizer... bon appetite!".


E há uma dupla de alívios cômicos, um casal de soldados cubanos, que é de morrer de rir. Mas não porque eles são engraçados, e sim por causa da FALTA DE GRAÇA dos personagens e das situações em que se envolvem; você ri da vergonha alheia, e não do que deveria estar rindo!

Se ficasse só nisso, LASER MISSION seria apenas o tradicional filme de ação classe B ou C direct-to-video do final dos anos 80 - nada muito diferente dos primeiros trabalhos de Van Damme ou Dolph Lundgren.


Mas LASER MISSION é pior, pavorosamente pior do que isso, e falha em tudo que se propõe, do começo ao fim.

As interpretações são pavorosas, o roteiro é medonho, o desenvolvimento da trama é risível, com um herói sem nenhum plano de ação que só se dá bem porque os vilões são muito mais burros do que ele. O já citado tiro na barriga que só provoca cócegas e o arquiinimigo indestrutível enterram qualquer esperança de que o filme sequer seja plausível, mas a ruindade também impera na parte técnica.


Beau, o dublê que pensa ser diretor, talvez seja um bom dublê nos filmes dos outros, mas não entende absolutamente nada de direção. As cenas de ação são patéticas (e olha que estamos falando de um dublê com uma câmera!), a câmera é posicionada de qualquer jeito e acontecimentos absurdos se sucedem diante dela.

Por exemplo, uma cena de perseguição no meio da cidade de repente é levada para a zona portuária (mera desculpa para vermos carros capotando e caindo na água), e ainda mais de repente o carro conduzido pelos nossos heróis está no meio do deserto (!!!). Geografia esquisita a desse país fictício...


Eles logo ficam a pé (depois de sobreviver a um tiro de bazuca disparado contra o veículo), mas atravessam quilômetros de deserto vestindo roupa de gala, sem nenhuma água e em plena luz do dia! A personagem de Debi Monahan caminha o tempo todo com sapatos de salto alto, e no final da travessia sequer está despenteada ou com a maquiagem borrada!

Esta cena do deserto também é hilária porque inimigos bizarros começam a aparecer de todos os lados sem muita lógica: primeiro um sujeito com um arco e flecha (!!!), depois um doido com um rifle de caça num cavalo, e finalmente o próprio diretor Beau Davis em participação especial - a luta dele com Brandon Lee é filmada por baixo das patas de um cavalo (!!!), num dos momentos mais surreais do filme!


Ainda nessa parte do deserto, Gold demonstra ser tão McGyver que enterra a si próprio na areia para pegar de surpresa um rival que por ali passava - e não interessa como ele conseguiu se cobrir de areia sozinho, como conseguiu respirar debaixo da areia e nem como ele adivinhou que o sujeito iria passar justamente por ali!

Algumas outras burradas até lembram o cinema de Ed Wood: numa cena, Gold e Alissa encontram-se para um "jantar às nove" (da noite, imagino eu, já que ninguém jantaria às nove da manhã), mas, ao sair do restaurante, é dia com sol a pino!


Outra idiotice que beira a comédia é o fato do herói demonstrar-se um "mestre dos disfarces" ao descobrir que está sendo perseguido pelo exército do país. Só que os disfarces de Gold lembram os do Inspetor Clouseau de Peter Sellers: ele se veste primeiro como general cubano (com bigodinho e tudo mais), e depois como mendigo corcunda (!!!). Inexplicavelmente, sabendo que está com a cabeça a prêmio, ele vai para o tal jantar com Alissa de cara limpa e sem nenhum disfarce!

Você acha que já está bom? Acredite, não cheguei nem na metade: se eu tivesse que ficar enumerando todos os erros e problemas de LASER MISSION, o Blogger iria proibir essa postagem por excesso de caracteres!


O filme tem mais um zilhão de problemas, sejam ofensas monumentais à lógica (como o presídio em que a sala de armas fica a poucos metros das celas, algo não muito seguro, digamos) ou erros grosseiros (a placa na porta da sala de armas diz "armadura", quando a palavra em espanhol para "armory" seria "arsenal"!!!).

O diretor Beau deve ter feito o filme inteiro com uma equipe de cegos (será que foi a inspiração para o "Dirigindo no Escuro", do Woody Allen?), já que ninguém viu coisas grosseiras como a carga de pólvora enrolada em papel na boca de uma arma falsa (abaixo), ou a torre de vigia do campo inimigo que desmorona quando o disparo da bazuca atingiu A PARTE DE CIMA da estrutura!!!


Mas é exatamente por causa de tudo isso que LASER MISSION é tão divertido! Como eu escrevi lá em cima, esse é o autêntico "Plan 9 From Outer Space" dos filmes de ação, com tantos erros e bobagens por minuto que torna-se praticamente impossível citar tudo - e a presença de gente conhecida como Brandon Lee e Ernest Borgnine só torna a coisa mais constrangedora e divertida!

O melhor é que a cada reassistida percebe-se novos problemas, como a sombra da equipe técnica refletida por toda parte ou figurantes morrendo antes mesmo que as armas sejam disparadas na direção deles!


LASER MISSION é aquele tipo de bizarrice que, num mundo perfeito, seria exibida uma vez por ano no cinema, para uma platéia de doidos varridos que se divertiria horrores dando sonoras gargalhadas com a quantidade colossal de bobagens. Fico imaginando como seria uma sessão dupla disso com o igualmente hilário "Deadly Prey", de David A. Prior. Coisa de internação em hospício, certamente.

O filme chegou pela primeira vez ao Brasil em VHS pela VideoBan, com o título em português "Missão Resgate" - um disparate, pois o original é muito melhor e mais sonoro! O nome de Brandon Lee não recebeu grandes destaques na capinha porque ele ainda era virtualmente desconhecido na época, e a distribuidora provavelmente nem sabia que ele era filho do Bruce Lee!


Mais recentemente, algum espertalhão descobriu que LASER MISSION tinha caído em domínio público. Ou seja: qualquer pessoa, incluindo eu e você, pode pegar uma cópia mais ou menos do filme, lançar em DVD e vender por aí sem precisar pagar direitos para ninguém!

Aí virou zona: nos Estados Unidos, LASER MISSION já foi lançado e relançado em DVD umas 30 vezes por distribuidoras diferentes, com todo tipo de capinha, fonte de título e cores (a maioria usando imagens de Brandon Lee feitas para o filme "Rajada de Fogo"!). Umas distribuidoras espertinhas também aproveitaram para jogar a produção em boxes e coletâneas de filmes de ficção científica, embora não exista absolutamente nada de ficção científica na trama!


Na foto acima, você vê algumas dessas edições pobretonas em DVD, e fica a minha sugestão para leitores malucos e endinheirados: que tal fazer uma coleção com as diferentes edições internacionais de LASER MISSION?

No Brasil também a galera aproveitou a moleza dos direitos autorais livres para tentar lucrar com o fato de ser uma aventura de Brandon Lee. Além do VHS da VideoBan, o filme saiu nada mais nada menos do que OITO VEZES por aqui em DVD por diferentes distribuidoras, e com três títulos diferentes: quatro vezes como "Missão Resgate", três vezes como "Missão Suicida" e apenas uma vez com uma tradução literal do título, "Missão Laser".

Por aqui também as capinhas são de uma pobreza atroz, e ironicamente a Continental, conhecida pelas suas péssimas edições em DVD, foi a única distribuidora a usar a arte original do pôster de LASER MISSION em sua capa. Destaque também para a picaretagem da Ocean, que colocou o filme como "bônus" em seu DVD de "Conexão Chinesa", título alternativo de "A Fúria do Dragão", estrelado pelo pai de Brandon, Bruce Lee!


A maioria dessas edições, tanto aqui quanto lá fora, são as tradicionais "VHS-Rip" vagabundex, cópias tiradas de fita cassete, em tela cheia e sem nenhum tratamento de imagem ou de áudio. Até onde pude apurar, todos os DVDs brasileiros trazem essa versão podre, embora já seja possível baixar cópias em widescreen.

Outra informação importante: embora não tenha grandes cenas de nudez ou violência, LASER MISSION sofreu dois cortes para eliminar um soldado inimigo sendo cortado ao meio na guilhotina e um vilão empalado nas pontas metálicas de uma cerca. Infelizmente, quase todas as versões que circulam aqui e nos EUA trazem essa versão censurada.


O engraçado é que o cara empalado na cerca (acima) é um dos vilões principais, e sua morte acabou praticamente cortada do filme! Uma das poucas cópias sem censura é a do VHS alemão. Você pode ver neste site imagens das cenas cortadas.

E eu poderia continuar aqui por horas e horas falando sobre como LASER MISSION é comicamente ruim e sobre a espantosa quantidade de erros e defeitos da película, mas acho sinceramente que nem a mais longa das resenhas faria justiça a essa obra-prima trash de Beau Davis, Brandon Lee e cia.


Assim, só há uma forma de curti-la decentemente: reunir os amigos na sala, com cerveja geladinha ou outros aditivos alcoólicos e/ou químicos, e literalmente mijar-se de rir - algo que pouquíssimas "comédias verdadeiras" conseguem fazer hoje em dia.

No final, por mais absurdo e implausível que seja este sentimento, dá a maior vontade de ver outras aventuras pobretonas e absurdas de Michael Gold, esse indestrutível James Bond de quinta categoria.


Aliás, é irônico constatar que as aventuras de 007 pós-1989 (o ano de LASER MISSION) não são muito diferentes das peripécias de Gold e sua turma, pois o agente também começa a usar mais força bruta, metralhadoras e explosões e menos a astúcia e a esperteza, como fazia nos filmes anteriores.

E vamos combinar que o enredo de LASER MISSION poderia muito bem virar uma aventura de 007, com os devidos milhões de dólares a mais, é claro - e talvez aí, quem sabe, nós víssemos a tal arma laser que aqui mal é citada por limitações orçamentárias.

Quem sabe Bond e Gold até formassem um belo time em algum universo alternativo! Com direito a David Knopfler na trilha sonora: "In the violence of the night..."

Trailer de LASER MISSION



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Laser Mission (1989, EUA)
Direção: Beau Davis
Elenco: Brandon Lee, Debi Monahan, Ernest Borgnine,
Werner Pochath, Graham Clarke, Pierre Knoessen,
Maureen Lahoud e um monte de desconhecidos.