quinta-feira, 31 de outubro de 2013

HALLOWEEN III - A NOITE DAS BRUXAS (1982)


HALLOWEEN III - A NOITE DAS BRUXAS é um filme que boa parte da humanidade aprendeu a odiar somente pelo título, que remete à série iniciada por John Carpenter em 1978, mas não tem absolutamente nenhuma relação com este ou com a sua primeira sequência, "Halloween 2" (1981). Porém, por causa do número 3 no título, muitos fãs de horror foram aos cinemas esperando rever os personagens dos dois filmes anteriores, principalmente o icônico vilão Michael Myers, e saíram decepcionados ao deparar-se com uma história original.

Pois a mim essa mudança de rumo nunca incomodou. Até porque eu dei a sorte de assistir HALLOWEEN III antes dos dois episódios anteriores da franquia, e assim não me decepcionei com a ausência de Jamie Lee Curtis ou do mascarado Myers. E por isso, neste Halloween, o FILMES PARA DOIDOS propõe um novo olhar sobre este filmaço injustiçado.


A gênese de HALLOWEEN III vem, claro, da maneira como o anterior "Halloween 2" terminava. Era aquele tipo de conclusão definitiva que não permitia mais continuar, já que mostrava o vilão Michael Myers morrendo após uma explosão provocada pelo seu psiquiatra e arquiinimigo Dr. Loomis (Donald Pleasence), que se sacrificava no processo. Antes, o psicopata mascarado tomou tiros nos olhos que o deixaram permanentemente cego, e um último take mostrava seu corpo e máscara queimando, para não deixar dúvidas de que estava mortinho da silva.

Ressuscitar Myers literalmente das cinzas nunca esteve nos planos de Carpenter, que àquela altura era produtor da série junto com Debra Hill. "Não havia mais história para contar, e só o que podíamos fazer era imitar 'Sexta-feira 13' e apenas repetir as cenas de ação e fazê-las mais sangrentas", disse ele, em entrevista ao livro "John Carpenter: Prince of Darkness".


Só que Carpenter e Debra tiveram uma ideia ambiciosa para que a franquia não acabasse ali: por que não continuar fazendo novos "Halloween", só que contando histórias independentes que envolvessem o Dia das Bruxas, ao invés de voltar àquela mesma trama do assassino mascarado perseguindo jovens na data fatídica? Dessa maneira, eles teriam um "Halloween" diferente todo ano, com bilheteria garantida graças ao peso do já consagrado título.

Irwin Yablans e Moustapha Akkad, que produziram os dois episódios anteriores, gostaram da ideia e investiram 2,5 milhões de dólares para o orçamento da Parte 3. E dois nomes de peso se juntaram ao projeto: Joe Dante, recém-saído do set de "Grito de Horror", seria o diretor, enquanto o inglês Nigel Kneale (criador do seriado de TV "Quatermass") foi convidado pelo seu fã declarado Carpenter para escrever um roteiro original cuja ideia foi sugerida pela produtora Debra: feitiçaria nos tempos da informática. Não tinha como dar errado.


Mas não demoraram para aparecer os problemas. Primeiro foi Dante que pulou fora do projeto. Para ocupar seu lugar, Carpenter convidou um amigo de longa data, Tommy Lee Wallace, que iria fazer sua estreia na função, mas já era "prata da casa" (foi ele que editou "Halloween" e "A Bruma Assassina"). Ironicamente, Wallace tinha sido convidado para dirigir "Halloween 2" no ano anterior, mas recusou e preferiu escrever o roteiro de "Amityville 2 - A Posessão", de Damiano Damiani.

Depois, Kneale não gostou das alterações que Carpenter e Wallace fizeram em seu roteiro e também deixou o projeto. Embora Wallace sustente que 60% do que se vê em HALLOWEEN III tenha sido escrito pelo inglês, sabe-se que ele abandonou a produção por não concordar com a inclusão de mais cenas de morte e de nojeira explícita criadas pela dupla, e inclusive exigiu a retirada do seu nome dos créditos (o único roteirista creditado na versão final foi Tommy Lee Wallace).


HALLOWEEN III começa com um homem correndo desesperado numa noite escura. Estará fugindo de Michael Myers? Não, mané; a história aqui é outra, esqueceu? Na verdade, o homem está tentando fugir de misteriosos e silenciosos adversários que se vestem como executivos, com terninho, gravata e cabelo engomado, mas que por baixo dessa aparência civilizada se comportam como verdadeiros Michael Myers - ou seja, são assassinos impiedosos, mudos e inexpressivos!

O homem consegue escapar, depois de esmagar um dos seus perseguidores entre dois carros, e pede ajuda num posto de gasolina. Dai, é levado ao pronto-socorro com olhar enlouquecido, segurando uma máscara de Dia das Bruxas numa das mãos e repetindo frases como "Eles vão matar todos nós!". 


Só que a polícia não tem muito tempo para interrogá-lo e saber quem vai matar todos nós, pois na mesma noite o sujeito é brutalmente assassinado em seu quarto (número 13, claro), por outro daqueles homens misteriosos de terno e gravata. O assassino depois comete suicídio no próprio estacionamento do hospital, ao incendiar e explodir o seu carro.

Preocupado com as duas mortes violentas ocorridas em seu hospital na mesma noite, o médico Dan Challis (Tom Atkins), resolve bancar o detetive. Ele se alia a Ellie Grimbridge (a gracinha Stacey Nelkin), filha do homem assassinado, para investigarem os últimos dias da vítima, e logo descobrem que alguma coisa aconteceu durante uma viagem que ele fez à pequena cidade de Santa Mira.


Pois é em Santa Mira que fica a gigantesca fábrica da Silver Shamrock (Trevo Prateado), responsável pelas máscaras de Halloween mais populares dos Estados Unidos, e que está prometendo "uma grande surpresa" para a noite do Dia das Bruxas. Claro que o Dr. Challis resolve esquecer quaisquer outros pacientes que precisem de seus cuidados para embarcar com Ellie numa viagem à cidadezinha em busca de novas pistas.

Não demora para eles descobrirem que há algo de muito errado por lá. A cidade e seus habitantes são controlados por câmeras e escutas telefônicas, e há até um toque de recolher à noite exigindo que todos saiam das ruas. O responsável pela vigilância é Conal Cochran (Dan O'Herlihy), o proprietário da Silver Shamrock. E o sujeito vive rodeado por aqueles homens de terno, que executam suas ordens fielmente - quaisquer que sejam as ordens.


É somente no último ato que o Dr. Challis descobrirá o terrível plano de Cochran para o Halloween: todas as máscaras da Silver Shamrock (que, como já se sabe, são as mais vendidas do país) estão programadas para matar seus usuários no momento em que eles assistirem ao comercial com a "grande surpresa" que será exibido em rede nacional na noite do Dia das Bruxas. O objetivo do maléfico fabricante de máscaras é resgatar o clima do Samhain, a festa pagã que deu origem ao moderno Halloween, e que supostamente envolvia feitiçaria e sacrifícios humanos.

Começa, então, uma tensa corrida contra o relógio, já que o médico-detetive precisa não apenas escapar de Cochran e seus asseclas de terno, mas também impedir a exibição do comercial da Silver Shamrock e o genocídio de milhões de crianças e de seus familiares por todo o país às nove em ponto!


Como se percebe, HALLOWEEN III dispensa o conforto do "mais do mesmo" e foge da armadilha de recontar pela terceira vez a história de Michael Myers perseguindo vítimas inocentes na noite do Dia das Bruxas, e o faz em prol de uma trama "de investigação", em que o mistério vai se resolvendo aos poucos. Afinal, ninguém teria saco para ver mais um round de matanças perpetradas pelo psicopata da máscara branca, certo?

Bem, acontece que a resposta dos espectadores foi justamente o CONTRÁRIO! O público se sentiu enganado ao pagar para ver um filme chamado HALLOWEEN III que não tinha nem Jamie Lee Curtis, nem o vilão Michael Myers, e essas críticas se espalharam na propaganda de boca em boca (na época não havia internet, mas notícia ruim se propagava com a mesma rapidez). Assim, a bilheteria ficou bem aquém do esperado, e é uma das mais baixas da série - "apenas" 15 milhões de dólares, sendo que "Sexta-feira 13 Parte 3", lançado no mesmo ano e justamente um "mais do mesmo" como o que os produtores da série "Halloween" queriam evitar, arrecadou mais que o dobro disso.


A bilheteria aquém do esperado decretou o fim dos planos de Carpenter e Debra Hill de lançar um "Halloween" original por ano com histórias independentes. Mais do que isso, o fracasso de HALLOWEEN III provocou o desligamento total dos dois produtores da série. "O público odiou e todo mundo ficou puto comigo porque achavam que eu tinha destruído a franquia", lembrou Carpenter no livro "John Carpenter: Prince of Darkness", completando: "Eles tiraram a série das minhas mãos e começaram a lançar novos 'Halloween' de tempos em tempos, mas apenas xerocando a mesma fórmula".

Porque como as histórias independentes de Dia das Bruxas aparentemente não funcionaram, Michael Myers foi absurdamente ressuscitado seis anos depois em "Halloween 4" (1988), dirigido por Dwight H. Little, e a partir de então não morreu mais, voltando, tal qual um Jason ou Freddy Krueger, em mais quatro filmes e dois remakes, todos oscilando entre o fraquinho e o muito ruim.


O diretor Wallace sempre achou que parte da culpa pelo fracasso do filme foi do Universal Studios, que distribuiu HALLOWEEN III, mas não soube fazer uma campanha de marketing que vendesse a obra como uma produção não-relacionada aos dois capítulos anteriores. Porque embora Michael Myers não apareça no trailer, na época você só assistia trailers de filmes caso fosse ao cinema (e não a qualquer momento no YouTube, como acontece hoje).

"Muitas coisas poderiam ter sido feitas para preparar o público, mas tudo que a Universal fez foi colocar uma pequena tarja no canto do pôster dizendo 'All New!' (Totalmente Novo!), como se fosse um anúncio de pasta de dente. 'All New', o que isso significa?", questionou Wallace, em recente entrevista a um site.


O injusto da coisa toda é que não há muito a se criticar em HALLOWEEN III além da tão comentada ausência de Michael Myers ou dos personagens de Jamie Lee Curtis e Donald Pleasence, pois o que temos aqui é um ótimo filme de horror à moda antiga, com trama mirabolante, mortes escabrosas e várias surpresas. Além do mais, eu sempre achei ótima a ideia de matar Myers definitivamente no final de "Halloween 2" e tentar partir para histórias independentes.

Talvez o erro tenha sido manter o título "Halloween", o que muitos espectadores consideraram propaganda enganosa. Por outro lado, ninguém nunca reclamou quando outras séries de horror, tipo "Natal Sangrento" e "Prom Night", partiram para histórias independentes (principalmente esta última, em que cada um dos quatro filmes traz uma trama completamente nova e sem relação com as outras!).


No meu caso, não sei se foi por ter assistido HALLOWEEN III antes dos "originais", ou por ter gostado bastante da história, mas nunca me importei com o fato de ele tentar seguir por outro caminho. Inclusive prefiro essa solução a fazer continuações ruins com a mesma trama e os mesmos personagens do original, tipo os terríveis "O Massacre da Serra Elétrica 2" (1986) ou "O Exorcista 2".

Em todo caso, a franquia concorrente "Sexta-feira 13" também quebrou a cara ao tentar seguir novos rumos: como o vilão Jason Voorhees havia morrido "pra valer" no final de "Sexta-feira 13 Parte 4" (1984), os produtores da série transformaram o quinto filme num "whodunit?", em que o assassino não era Jason, mas sim um imitador usando sua máscara, e cuja identidade era revelada na última hora. Só que também não colou, e por isso os produtores tiveram que ressuscitar Jason na Parte 6 - e isso que "Sexta-feira 13 Parte 5" não muda a história tão radicalmente quanto HALLOWEEN III, sendo, basicamente, um "mais do mesmo" com outro matador no lugar de Jason.


O que eu gosto mais em HALLOWEEN III é sua coragem de  fugir dos clichês dos slasher movies que "Halloween" ajudou a popularizar, mas que já estavam batidos lá em 1982 exatamente por causa das muitas imitações do filme de Carpenter. Não há nenhum adolescente ou babysitter na trama, e a personagem principal mais jovem é a de Stacey Nelkin, mesmo assim já na faixa dos vinte-e-poucos anos. Já o "herói" é um adulto, distanciando este terceiro filme do tom dos dois anteriores e de franquias tipo "Sexta-feira 13". Ainda bem, diga-se de passagem: eu sinceramente não consigo imaginar o mesmo roteiro com adolescentes no lugar dos adultos...

Ao mesmo tempo em que busca fugir das armadilhas típicas dos slasher movies, Wallace aproxima o filme do clássico "Vampiros de Almas" (1956), de Don Siegel, primeira das quatro adaptações do livro "Invasores de Corpos". Veja só: ambas as tramas se passam na fictícia cidade de Santa Mira, em ambos há seres humanos "replicados" e sem emoções (alienígenas em "Vampiros de Almas", robôs que se passam por humanos aqui), e ambos terminam com um close desesperado no rosto do protagonista tentando inutilmente alertar o resto da humanidade sobre a tragédia prestes a se desenrolar!


A tragédia em questão representa o ponto alto de HALLOWEEN III, quando Cochran dá uma de vilão de filme do James Bond e explica todo o seu plano para o aprisionado Dr. Challis, inclusive realizando uma pequena demonstração da "brincadeira de Dia das Bruxas" que preparou. Ocorre que o vilão conseguiu mesclar a feitiçaria do passado com a tecnologia da informática ao adicionar fragmentos de uma das pedras de Stonehenge (sim, aquele antiquíssimo círculo de pedras na Inglaterra) num microchip escondido sob a etiqueta da sua empresa e colado nas máscaras.

Na demonstração, uma pobre família inocente é morta quando o filho pequeno assiste à transmissão da Silver Shamrock usando uma das máscaras, sua cabeça inteira derrete e de dentro dela saem insetos, aranhas e serpentes venenosas, que atacam os pais! Você não leu errado: não apenas uma criancinha foi morta (verdadeiro tabu em filmes de horror), como ainda foi morta da forma mais cruel e tenebrosa possível! Quem viu essa cena quando moleque deve tê-la gravada na retina até hoje.


E só de imaginar isso acontecendo em escala global, a cena final de HALLOWEEN III é verdadeiramente desesperadora, (SPOILERS) com o Dr. Challis tentando impedir a exibição dos comerciais mortíferos da Silver Shamrock em cima da hora. Seu grito desesperado ao telefone ("Stop it!") encerra o filme e deixa a conclusão em aberto: será que a ameaça foi detida a tempo? Opto pelo final trágico, e só de imaginar a quantidade de crianças mortas pelo macabro plano de Cochran, já fico surpreso com a coragem dos realizadores de fugir de uma conclusão mais "agradável". (FIM DOS SPOILERS)

O curioso é que eu assisti HALLOWEEN III pouco antes de "Halloween 4" ser lançado no Brasil, e fiquei animadíssimo imaginando que o quarto filme começaria mostrando o que, afinal, aconteceu após a cena final do terceiro. Desnecessário dizer que HALLOWEEN III foi completamente ignorado no quarto episódio, o que não deixou de ser frustrante para o moleque aqui em busca de respostas...


Não bastasse a tenebrosa cena da cabeça do moleque derretendo, o filme ainda entrega outros impressionantes momentos de violência explícita, estes protagonizados pelos robóticos assassinos de terno comandados por Cochran. A morte do homem no hospital me dá um arrepio até hoje, já que o assassino enfia seus dedos nos olhos da vítima e quebra seu crânio com um movimento brusco!

Outras cenas bonitas incluem uma mulher atingida por um "disparo acidental" das máscaras, e de cujo rosto explodido saem aranhas, e a cabeça de um mendigo sendo torcida e arrancada sem o menor esforço pelos assassinos robóticos. Ou seja, Michael Myers e sua faca de açougueiro não fazem a menor falta aqui.


Mesmo os maiores críticos de HALLOWEEN III irão concordar que "herói" e vilão do filme entregam grandes e antológicas performances. O Dr. Challis é interpretado por Tom Atkins, à época um habitué dos filmes de John Carpenter (estrelou "A Bruma Assassina" e fez uma ponta em "Fuga de Nova York"), e um daqueles raros atores que são "cool" sem fazer o menor esforço, tipo Bruce Campbell ou Christopher Lambert.

Aqui, num lance involuntariamente cômico, Atkins interpreta O PIOR MÉDICO DA HISTÓRIA DO CINEMA, já que aparece o tempo inteiro fumando ou bebendo álcool, e a cada cinco minutos dispara um "Preciso de um drink". Ao embarcar com Ellie na viagem a Santa Mira, Challis não leva nenhuma mala com roupas, e sim um six-pack de cerveja! Relaxado que só, ele veste a mesma roupa durante três dias seguidos, e sequer usa cueca! Por fim, o doutor transa com Ellie, que tem mais da metade da sua idade, sem se preocupar com possíveis acusações de pedofilia.


Já o Cochran de Dan O'Herlihy (1919-2005) é aquele típico velhinho aparentemente simpático que esconde suas más intenções atrás de sorrisos sinistros. Sua origem e verdadeira identidade nunca ficam bem claras (rumores indicam que, no roteiro original de Nigel Kneale, ele seria um demônio com 3.000 anos de idade), mas torna-se óbvio que Cochran não é "deste mundo", até porque fala dos rituais de Samhain e dos antigos celtas como se tivesse vivido entre eles.

O curioso é que O'Herlihy não se envolve diretamente em nenhuma cena de violência ou morte, preferindo deixar o serviço sujo para seus capangas autômatos, e mesmo assim consegue compor um vilão legitimamente assustador. Numa entrevista à revista Starlog nos anos 1980, o ator disse que se divertiu muito com o personagem, pois também tem ascendência irlandesa, mas confessou que não gostou do filme.


Obviamente, HALLOWEEN III está longe de ser uma obra-prima. Aquele tipo de público que gosta de um mínimo de lógica mesmo em filmes de horror vai ficar puto com a maior parte da trama. Mas é curioso perceber que a trama já enfoca a morte vinda pela tela da televisão um ano antes de "Videodrome - A Síndrome do Vídeo" (1983) e 16 anos antes de "Ringu" (1998).

Há um momento particularmente divertido em que Cochran comenta, sobre a pedra roubada de Stonehenge e levada para a sua fábrica em Santa Mira: "Deu o maior trabalhão trazê-la para cá. Você não acreditaria em como fizemos". De fato, o público dificilmente iria acreditar que uma pedra de cinco toneladas pudesse ser levada da Europa para o interior dos EUA sem ninguém perceber, e por isso o roteiro preferiu nem tentar inventar uma explicação para isso, o que ficou muito engraçado!


Alguns críticos também reclamam que o plano de Cochran dificilmente iria funcionar pelo fato de os Estados Unidos terem diferentes faixas de horário, e portanto em alguns Estados o relógio só marcaria nove da noite uma hora depois que nos demais. Em defesa do filme, afirmo que em nenhum momento é anunciado que o comercial da Silver Shamrock será exibido às nove da noite EM TODOS OS ESTADOS UNIDOS (é possível que tenha sido marcado para outros horários em alguns dos Estados, a fim de manter o ataque simultâneo).

O único furo de roteiro que REALMENTE me incomoda é o fato de (SPOILERS) a Ellie transformada em robô não tentar impedir o Dr. Challis quando ele destrói a fábrica de máscaras no final, rebelando-se contra o herói apenas quando já estão longe de Santa Mira. Por sinal, a revelação de que a moça foi transformada em autômato é uma bela surpresa, e de certa maneira também uma ironia, já que a atriz Stacey Nelkin quase interpretou uma das Replicantes de "Blade Runner" no mesmo ano, mas sua personagem foi cortada da versão final do roteiro. (FIM DOS SPOILERS)


Mesmo saindo da "zona de conforto" das Partes 1 e 2, HALLOWEEN III traz várias referências cruzadas com os episódios anteriores, como se todos fizessem parte de um universo único.

Há citações escancaradas, como o comercial de TV anunciando a exibição de "Halloween 1" na noite de Dia das Bruxas, e também a participação especial de atores dos filmes anteriores, como Jamie Lee Curtis (que aqui empresta sua voz para a telefonista de Santa Mira), Nancy Keyes (esposa do diretor Tommy Lee Wallace e intérprete de Annie em "Halloween" 1 e 2, que aqui aparece como ex-esposa do Dr. Challis) e o dublê Dick Warlock (Michael Myers em "Halloween 2" e um dos homens de terno aqui).


O fato de os sinistros "homens de terno" serem robôs criados por Cochran e programados para matar também aproxima esses personagens de Michael Myers e a forma como ele se comporta em "Halloween"; ou seja, um verdadeiro autômato sem expressão, que caminha lentamente atrás de suas vítimas, mas sempre destruindo tudo o que vem pela frente e sem parar até alcançar seu objetivo. Curiosamente, os robôs de HALLOWEEN III lembram o pistoleiro robótico interpretado por Yul Brynner no clássico "Westworld - Onde Ninguém Tem Alma", e John Carpenter já declarou que este mesmo personagem foi a fonte de inspiração para o próprio Michael Myers!

Ainda no campo das semelhanças, a cena em que o Dr. Challis persegue o assassino que caminha lentamente pelos corredores desertos do hospital lembra a ambientação de "Halloween 2", os assassinos robóticos às vezes surgem da escuridão por trás dos personagens como Michael Myers nos outros filmes da série, e há até uma cena em que uma máscara jogada na lente de uma câmera de segurança cria um efeito muito parecido com a "visão em primeira pessoa" do jovem Michael na antológica sequência inicial de "Halloween"! 


Por último, mas não menos importante, vale destacar a fantástica trilha sonora composta pelo próprio John Carpenter em parceria com Alan Howarth. A música não deve em nada para o clássico tema composto para o "Halloween" original, dessa vez substituindo o piano do tema clássico de 1978 por sintetizadores. Inclusive é uma daquelas trilhas tão boas e climáticas que a gente até lamenta que só tenha sido usada uma vez...

Outros momentos sinistros envolvem o efeito sonoro tipicamente Carpenteriano (aquele "éééééééóóóóóónnnnn") sempre que um dos robôs de Cochran aparece de repente. Isso era garantia de diversos pulos de susto na minha infância, e certamente devem funcionar até hoje com quem for encarar HALLOWEEN III pela primeira vez.


Claro que não se pode falar sobre a música de HALLOWEEN III sem citar o inesquecível jingle da Silver Shamrock, repetido tantas vezes ao longo do filme que provoca uma verdadeira lavagem cerebral pela vida inteira. Composto em cima do ritmo de uma velha canção infantil chamada "London Bridge is Falling Down" (se não conhece, clique aqui), o jingle faz uma contagem regressiva para o Halloween, tipo "Two more days to Halloween / Halloween, Halloween / Two more days to Halloween / Silver Shamrock".

Publicitários do mundo inteiro deveriam estudar esse comercial fictício para aprender uma coisa ou outra, já que a música gruda na cabeça da vítim... ou melhor, espectador... durante décadas. (O diretor Wallace emprestou sua voz ao locutor do comercial, na parte em que ele anuncia: "It's almost time, kids").

"Eight more days to Halloween..."



E o que dizer das belas máscaras da Silver Shamrock? Aposto que todo mundo que viu o filme ainda criança sonhou em ter uma delas. São três modelos (uma bruxa, um esqueleto e a tradicional abóbora de Halloween, conhecida como "Jack O'Lantern" na gringa), todos eles produzidos pelo artista Don Post. A do crânio e a da bruxa já existiam e foram apenas adaptadas para o filme; somente a máscara da abóbora foi produzida especialmente para HALLOWEEN III. Nos EUA, essas máscaras chegaram a ser fabricadas em larga escala e vendidas na época de lançamento do filme, e inclusive vinham com o logotipo da Silver Shamrock! Acima, o leitor pode conferir um anúncio das máscaras numa velha edição da revista Fangoria de 1982. Hoje, alguns exemplares dessas máscaras ainda podem ser encontrados no E-Bay, ao preço médio de 50 dólares.

Concluindo, eu sempre achei HALLOWEEN III um filmaço injustiçado. Alguns críticos argumentam que ele seria melhor recebido se fosse lançado apenas com seu subtítulo "Season of the Witch" (no Brasil, "A Noite das Bruxas"), mas jura que você vai condenar uma produção inteira apenas pelo número no título? Dá um tempo, pô!

De minha parte, pelo menos, sempre defendi o filme, e lembro de ter comprado várias brigas por causa disso nos tempos das comunidades de cinema de horror no (quase finado) Orkut. Inclusive criei nessa rede social, só de birra, uma comunidade chamada "Eu Gosto de Halloween III", lá no longínquo ano de 2004. Nesta semana, quando fui checar, ainda havia 135 participantes no grupo!


A péssima recepção lá em 1982 representou um baque irrecuperável na carreira ascendente de Wallace. Tanto que ele ficou anos sem dirigir novamente, perdeu-se em produções para a TV e depois passou a assinar continuações fracas tipo "A Hora do Espanto 2" e "Vampiros 2 - Os Mortos" (sendo que esse último também é sequência de um filme de John Carpenter). Seu trabalho mais memorável, além deste terceiro "Halloween", é a minissérie de TV "It – Uma Obra-Prima do Medo" (1990), baseada no livro "A Coisa", de Stephen King.

Recentemente, HALLOWEEN III tem sido resgatado e reavaliado com outros olhos por uma nova geração, que, graças à internet, não compra mais gato por lebre e sabe que vai ver uma história independente sem Michael Myers. Tanto que há alguns anos, em 2010, o filme teve uma sessão especial em Los Angeles com a presença de Wallace, que ficou surpreendido com a quantidade de fãs da sua obra.


Até mesmo pesquisadores sérios têm se debruçado sobre a outrora maldita sequência e enxergado coisas que ninguém nunca viu antes. O historiador Nicholas Rogers, por exemplo, escreveu um livro chamado "Halloween: From Pagan Ritual to Party Night", onde defende HALLOWEEN III como um libelo anti-capitalista, já que a trama enfoca um homem de negócios bem-sucedido como vilão.

Nessa mesma pegada, o pesquisador Martin Harris apontou várias outras críticas ao sistema empresarial em seu artigo "You Can’t Kill the Boogeyman: Halloween III and the Modern Horror Franchise", como o fato de a Silver Shamrock ser uma megacorporação estrangeira (suas raízes são irlandesas) que se estabelece numa pequena cidade norte-americana, mas não emprega mão-de-obra local, e sim seus robôs importados com forma humana (que seriam uma metáfora à automatização do operário de fábrica, à la Charles Chaplin em "Tempos Modernos"). É mole?


Particularmente, eu acho uma pena que HALLOWEEN III tenha sido tão mal recebido lá atrás, na época do seu lançamento. Pois se esse aqui envolvia o genocídio de crianças através de máscaras de Dia das Bruxas, vocês já pararam para imaginar o que mais poderia sair das mentes de John Carpenter e Debra Hill nos próximos "Halloween" com histórias independentes que eles planejavam?

Não dá nem para imaginar, mas acredito que seriam histórias muito melhores do que o "mais do mesmo" que tomou conta da franquia. E certamente seríamos poupados de coisas como Michael Myers emo-chorão ("Halloween 5"), conspiração druida ("Halloween 6"), "Halloween" para a Geração "Pânico" ("H20") e Big Brother de Halloween ("Halloween, A Ressurreição").

PS: "A Colheita Maldita 3" (1995) plagiou vergonhosamente o plano de extermínio global da Silver Shamrock, apenas substituindo as máscaras de Dia das Bruxas por uma nova variedade de milho - mas com os mesmos "efeitos colaterais". Talvez o velho Cochran devesse mandar um dos seus advogados-robôs para conversar com esse pessoal aí...


Trailer de HALLOWEEN III



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Halloween III: Season of the Witch
(1982, EUA)

Direção: Tommy Lee Wallace
Elenco: Tom Atkins, Stacey Nelkin, Dan O'Herlihy,
Michael Currie, Ralph Strait, Jadeen Barbor, Nancy
Kyes, Jonathan Terry e Dick Warlock.

50 comentários:

João Ferreira disse...

Não sou lá muito fã da franquia Halloween, tanto que fora o primeiro, só devo ter visto o H20 (o de aniversário de 20 anos, não é?). Mas fiquei muito curioso em relação a esse H3 e sua mudança de rota na cinessérie (tanto vou procurar para assistir).

E também vou ver se acho A Bruma Assassina para assistir. Sempre ouvi falar desse filme, mas acho que nunca assisti (ou se vi, não lembro mais).

Ótima resenha, Felipe.

Marcos A. da Silva disse...

Excelente artigo Felipe. Sempre apreciei esta película e a defendo em qualquer discussão que envolva a franquia.

Marco A. S. Freitas disse...

Tbm vejo similaridades desse filme (foi o segundo-o primeiro foi o terceiro SMOKEY&THE BANDIT, q por sinal, só conta com o Bandit no fionalzinho e tbm fez muita gente se sentir enganada ao pagar para ver- q loquei piratão, ainda na época dos vídeoclubes0, com VIDEODROME.
Bom filme, assustador pacas e bela direção do pupilo do Carpenter.

bashir disse...

Venho defendendo este filme como 'o segundo melhor da franquia' (já que o primeiro é imbatível) ha algumas décadas. Bom saber que ha quem pense como eu!

Excelente (e muito informativo) texto!

Ismael Monteiro disse...

Concordo com você Felipe M. Guerra,acho H3 um excelente filme de terror,a ideia de usar uma historia totalmente original para continuar a franquia foi excelente,pena que não foi bem aceita pelo publico.E mesmos nos dias atuais,a minha opinião é que o filme ainda mantém sua qualidade.

Anônimo disse...

Muito oportuna essa resenha, eu vi esse filme várias vezes quando moleque no finado Cinema em Casa, e não achei ruim, só estranhei ser uma continuação dos outros dois sem nenhum personagem dos anteriores. Talvez se John Carpenter tivesse lançado esse filme com outro nome ao invés de se apoiar na franquia, o resultado teria sido melhor.

Allan Verissimo disse...

Realmente, "Halloween 3" é um filme que melhora bastante nas revisões. E é uma pena que ele fracassou, pois eu adoraria saber quais outras histórias o John Carpenter e a Debra Hill poderiam ter criado para mostrar em cada Halloween, já que seria bem melhor do que esse "mais do mesmo" no qual a franquia se transformou.

Anônimo disse...

Sobre esse livro do John Carpenter: Prince of Darkness, existe tradução em protuguês.

Rafael

Danilo disse...

Também acho a quarta parte injustiçada. Apesar de mudar os rumos estabelecidos nos dois primeiros filmes, tornando Myers indestrutível, tem várias cenas climáticas e tensas (incluindo o final, pra mim o melhor de toda a série). E Donald Pleseance, como sempre com um presença marcante.

spektro 72 disse...

Excelente post do filme " HALLOWEEN III" eu assisti este filme na sua primeira exibição no Brasil pela TVS-SBT na Semana 6 no dia 22-6-1988,o titulo do filme quando passou na TVS era " HALLOWEEN 3 - O NOVO DIA DAS BRUXAS " eu particularmente gosto muito deste filme que ao meu ver apresentou uma historia nova a sua franquia e que historia ate eu lembro decor a partes mencionadas neste post ( alias!bem escrito novamente ) ate hoje o filme me arrepia não gostaria de ter insetos saindo da minha cabeça e parte que a mulher mexe no emblema da mascara o raio acerta nela e começar sair insetos da boca dela ela ainda estava consciente pois vemos agonia dela e que agonia, não da para saber se realmente Sr.Cochran era um demônio ou um alienígena ? e o final enigmático nunca vamos saber se o plano dos caras deu certo ou errado .No Brasil o filme foi lançado em VHS como o titulo " NOITE DO TERROR " pela V.T.I NETWORK VIDEO. ultima vez exibido na TV Aberta no Corujão há 10 anos ou menos eu assisti nem deu para eu gravar foi derepente a GLOBO já nem anunciava os filmes desta sessão como faz hoje ainda .
Parabéns novamente Mestre Felipe por mais este post que venham outros post de filmes injustiçados.
Um Abraço de Spektro 72.
P.S- pena que qarota (Ellie ) tenha virando uma cyborg assassino é verdade já que ela virou um cyborg por que não matou o Dr.Challis antes dele destruir a fabrica isso ate hoje me deixa com a pulga atrás da orelha eita! faltou um roteirista bom.

Master Bates disse...

"Halloween H20" que era anunciado nos comerciais aqui no Brasil como "Halloween AGÁ DOIS Ó"!!!


Passa ano e nêgo num aprende a fazer uma divulgação decente de um filme!

Felipe M. Guerra disse...

DANILO, para mim "Halloween 4" é o último filme bom da série, mas não mostra nada que já não tenha sido mostrado melhor em Halloween 1 e 2. Por isso, acho o mais fraco dos quatro primeiros. Do resto da série, a partir do quinto filme, nada se salva, pelo menos para mim. Muito menos aqueles remakes pavorosos do Robinho Zumbi.

Danilo disse...

De fato, os remakes são ruins de doer. As sequências depois da quarta parte são fraquíssimas, mas para um "fanboy" como eu, H20 e o prólogo de A Ressurreição são assistíveis (por causa da Jamie Lee).

spektro72 disse...

ATENÇÃO : Uma correção da minha parte o filme " HALLOWEEN III" foi exibido na SEMANA 6 na TVS -SBT mas não em 1988 e sim 1987 ,ele passou em 22-06-1987 SEGUNDA - FEIRA.outros filmes exibidos ( Caso alguem tenha curiosidade em saber ) nesta Sessão de Filmes foram:
22/6/87-HALLOWEEN - O NOVO DIA DAS BRUXAS.
23/06/87 - O SUPER CARRO NEGRO.
24/06/87-A UNICA DOADORA.
25/06/87-O GRANDE BUFALO BRANCO.
26/06/87-A HISTORIA OFICIAL.
27/06/87- DISNEY SONHO.
28/06/87- 50 ANOS DA BRANCA DE NEVE.
A Minha memoria esta uma droga, mesmo! ja estou errado ate data de filmes.
um abraço de Spektro 72.
P.S - aqui vai outra curiosidade ja que o nosso mestre falou do filme ( A ILHA DOS HOMENS -PEIXES ) eu falei que passou na SEMANA 8 em 1987 pela TVS-SBT, aqui vai os filmes exibidos nesta semana:
17/08/87- TERROR EM AMITYVILLE
18/08/87-O SILENCIO DO AMOR.
19/08/87-A FUGA DE NOVA YORK.
20/08/87-ATRAS DA CORTINA DE GELO.
21/08/87-A ILHA DOS HOMENS- PEIXES.
22/08/87- A LENDA DE ZORRO.

Anônimo disse...

"Pare! Pare! Pare!"

Paulo Geovani

Anônimo disse...

Poxa spektro72, agora vc disparou a minha nostalgia ein. eu lembro dessas semanas de filmes do SBT! e em consequencia de toda a minha pré adolescência da época

Anônimo disse...

O Carpenter tem a sua responsabilidade sobre o fracasso do filme. Colocar o título "Halloween" com certeza foi pra ganhar em cima dos dois primeiros filmes. Esse filme é uma pérola, mas poderia ficar marcado pela sua história original e não por ser um capítulo em off da famosa série.

Paulo Geovani

Alexandre disse...

Esse furo da Ellie realmente incomoda e muito, pois é o tipo de furo que muda todo o rumo de uma história. E se ela tivesse matado o Dr. Chalis lá na fábrica, como seria o lógico? O final seria muito mais sombrio do que já é.
Mas tirando isso, é um filmaço!
Dá até raiva desses chorões que reclamam do filme porque não tem o Michael Myers. Quer dizer que, então, preferem ver mais um slasher vagabundo com uma historinha batida do que uma história original e adulta!

spektro72 disse...

fico feliz que o anonimo tenha gostado deste resgate em que coloquei,para falar a verdade são anotações pessoais minha da epoca ,quando esta Semana de Filmes foi anunciado pela a TVS eu decide anotar em caderno que tenho ate hoje as datas e filmes de 1987 a 1988 inclusive a Semana Serie que era exibido nos meses impares.Se Nosso Mestre alguns de seus discipulos quiserem eu colocarei um dia aqui esta sessão de filmes para matar a nostalgia da antiga TV Aberta.
Um Abraço de Spektro 72

laurindo Junior disse...

Amigo Felipe, muito boa resenha, desta tralha de filme, que cá entre nós, só aquela musiquinha irritante, já diz tudo, e ai me pergunto, o que na época, não fiz por uma namorada, ao ir ao cinema(Roxy, em Copacabana) e ver isso(bom vá lá teve suas vantagens). No mais a lamentar que esta famigerada frânquia, tenha sido o canto dos cisnes do ótimo ator ingles de teatro e cinema Donald Pleasence, que como você as vezes fala devia estar precisando de dinheiro para topar, esta empreitada, uma pena. Para terminar, quem sabe o amigo, um dia em meio a tantos pedidos de resenhas, não encontra um tempinho, para A BRUMA ASSASSINA, seria legal...Um forte abraço Laurindo(Big Boss) Junior.

P.S. Abraços também para o amigo Spektro 72.

João Ferreira disse...

Consegui assistir o filme. Bem divertido, é a famosa "Tosqueira do Bem".

Só uma observação, o jingle que toca praticamente no filme todo é bem conhecida aqui no Brasil por causa dos Três Porquinhos. É a clássica "Quem tem medo do Lobo Mau, Lobo Mau..."

http://www.youtube.com/watch?v=lzH9L880mNU

E a atriz Stacey Nelkin é uma gracinha. Mas parece ter sido uma atriz de um filme só. Pena...

Anônimo disse...

Stacey Nelkin também atou em "Up the academy" já resenhado aqui no blog.

Paulo Geovani

Felipe M. Guerra disse...

E em "Get Crazy", um dos melhores filmes de todos os tempos! ;-)

Anônimo disse...

Trabalhou também com Woody Allen em "Tiros na Broadway". O resto de sua carreira foi construída com papéis em séries de TV.
E Tom Atkins também participou de "Creepshow" e "Máquina Mortífera".

Paulo Geovani

João Ferreira disse...

Valeu galera, pelas respostas!

Alex H disse...

Felipe, você comprou esse livro do Carpenter, Prince of Darkness? Vale a pena?

Felipe M. Guerra disse...

ALEX H., este livro é apenas uma longa entrevista com o Carpenter sobre todos os seus filmes. Vale a pena para quem quer ler o autor falando sobre sua obra, mas não vale para quem quer saber algo mais sobre notas de produção ou a versão dos atores dos filmes, por exemplo. Só tenho a versão importada, a versão brasileira eu nunca vi para julgar.

Douglas disse...

Felipe,por que você apagou sua resenha do Undefeatable,do Godfrey Ho?

Felipe M. Guerra disse...

DOUGLAS, eu não apaguei, na verdade nunca escrevi essa resenha! hehehe.

Night Owl disse...

Halloween 3 é estranho pra mim.

Assistindo ele como um filme independente ele pra mim funciona.

Mas quando lembro que ele faz parte da mesma franquia iniciada com o filme de 1978, um filme divisor de águas na história dos slasher movies (para alguns pesquisadores é o filme que definiu de vez o que seria um slasher movie), ele não desce.

Aliás, nenhum filme da franquia, incluindo o 2, me desce direito quando lembro do primeiro filme. kkkkkkkkkkkk.

É estranho, mas o Halloween original funciona tão bem em tudo que é até injustiça considera-lo parte de um franquia que foi descendo ladeira abaixo (abaixo mesmo, pois estou contando com o remake e a sequência deste).

Eu acho que a ideia de fazer uma história, ou um evento, inéditos a cada sequência colaria se fizessem isso desde Halloween 2. Mas decidiram continuar com Michael Myers no segundo, o mesmo acabou virando um super-star dos filmes de terror.

Imagina, o primeiro Halloween ficaria com aquele final com aquele misticismo de "Michael Myers imortal?", "será que ele era uma assombração?", "será que era o bicho-papão?". Porra, iria ficar perfeito. Mas não, eles tinham que vir com uma sequência mostrando que a Laurie era sua irmã, e com aquele final onde ele morre mesmo. Final esse que foi mudado a partir da parte 4 que retoma o universo de Michael Myers.

Se o primeiro Halloween tivesse sido uma história única, eles podiam fazer sequências com eventos inéditos e personagens inéditos, cada filme sem conexão com o outro em termos de personagens. Mas resolveram fazer isso a partir do 3 onde Michael Myers já estava se tornando febre nos slashers movies.

Halloween 3 é um bom filme, mas sei lá... o primeiro é tão bom que eu simplesmente esqueço que qualquer sequência da franquia existe.

Abraços!

Fábio Batista disse...

Por falar em Joel Carpenter você já assistiu They Live, Felipe? Acho que a história sobre conspiração e alienígenas bem que merecia uma resenha mais completa dos que as escassas que vi por aí.

Franklin disse...

Assistir esse filme duas vezes e achei uma porcaria em todas as duas tipo Amityville 3-D(será cisma?), vou responder a mesma coisa que falei para Juvenatrix lá no Boca.
- O Carpenter estava fumado de maconha e você por ter achado esse filme ótimo.

Douglas disse...

Então devo estar louco,porque pensei ter visto essa resenha por aqui.
Você pretende um dia resenhar o "Replicante",do Van Damme?

Anônimo disse...

Felipe aproveitando o gancho, que tal uma resenha sobre um daqueles filmes da sessão da tarde da globo, por exemplo: Os. aventureiros do bairro proibido,crocodilo dundee, um tira da pesada, caçadores de emoção, e outros

Ferraz disse...

Otima lembrança... assiti a esse halloween antes de ter conhecimento da serie, que, se não me engano pertencia a Band. o filme é medio/bom mas o final sim é espetacular!! e SERIO... quando eu vi o post sobre esse filme lembrei imediatamente da musiquinha torturante que toca no comercial dentro do filme! hahahahah

Miguel Suarez disse...

Também gostei bastante desse filme, e dos filmes da série haloween só vi esse mais de uma vez e "haloween a ressureição" no cinema, e gostei bem mais desse. Curioso que se reclama que os grandes estudios só fazem fazer um filme cópia do outro sem nada original, mas taí uma das causas, parte do publico quer é isso mesmo, não gosta de um roteiro original.

Cristiano disse...

Concordo com o comentário do Miguel. Grande parte da culpa pela falta de originalidade no cinema atual é do público em geral, que sempre quer ver mais do mesmo.

Felipe, só um toque: na parte em que você disse que o Stacey Nelkin "tem descendência irlandesa", o correto é "ascendência" - do jeito que tá, os irlandeses são os filhos e netos do ator, e não os parentes antigos. O descendente de irlandeses é ele. ;)

Felipe M. Guerra disse...

Ooooops, falha nossa!

Eu ia escrever que ele era descendente de irlandeses e me embananei todo! Corrigido.

spektro 72 disse...

como diria um programa antigo da TVS " FILME PARA DOIDOS TAMBEM É CURTURA ( Claro ! que estou brincando é Cultura )".
frase de efeito para este blog (O FANTASTICO CINEMA UNDERGROUND , VOCE SO ENCONTRA AQUI ).
Abraço de Spektro72

Anônimo disse...

Eu imaginei aqui uma luta boa,crianças de poderes paranormais de Colheita Maldita vs agentes Roboticos de Halloween 3

asylum por favor faz uma coisa dessas

Anônimo disse...

Só uma observação: o nome correto da atriz que fez a Annie é "Nancy Kyes" e não "Nancy Keyes". Abs.

Eduardo disse...

Trata-se de um clássico das noites do SBT nos anos 80, junto com "Lobisomem Americano em Londres", "Amityville 2" e outras pérolas do gênero. Infelizmente, e injustamente, foi subestimado pela critica. Mas dane-se! Este filme faz parte da minha DVDteca particular. rsrs
Agora a descrição do Dr. Challis levando apenas o "fardinho" de cerva para a viagem, não trocando de roupa por três dias e não usando cueca está impagável. Causou minutos de gargalhadas!
Parabéns pela ótima resenha, Felipe!

Guyana Zibahkhana disse...

Já que os estúdios Universal negaram a disponibilidade do Halloween II (o de 1981, o fecundo segundo) no acervo do Netflix brasileiro, que pelo menos nosso renegado Halloween III ressurja por lá, na calada da noite.

Guyana Zibahkhana disse...

Simplesmente, a mais completa resenha sobre o renegado "Dia das Bruxa 3" em língua portuguesa! Obrigado! Obrigado por manter viva a lembrança desse mais esse "objeto de culto á longo prazo" concebido pelo genial John Carpenter. Só não dá para nutrir a mínima saudade daquela versão censurada do Halloween III que a V. T. I.- Thorn E. M. I. lançou incompleta por aqui! Lembra? O surto de bitolação de um obscuro e inexpressivo funcionário pútrido, remunerado pela Censura Federal do ditador João Figueiredo, que suprimiu porcamente as cenas de violência mais gráficas do filme (a quebra da junção do nariz do pai da Nellie e o estrago feito pela rajada laser azul na boca da vendedora entediada), com uma capa que estampava a face de um ser meio-ectoplasma-meio-aurora-boreal alaranjado? Se não foi um dos casos de censura mais irritantes já constatado em nosso incipiente mercado de vídeo-cassetes, entrou na lista de menções desonrosas de muitos desavisados! Um daqueles pitorescos casos em que a versão dublada para a televisão aberta se revelava mais completa e satisfatória do que a versão para as vídeo-locadoras, que deveria prezar pela integridade das obras cinematográficas e televisivas acima de qualquer capricho pseudo-moralista. Se a versão simplória em D. V. D. da N. B. O. (lançada em dueto com um Halloween II também surpresas extras) está longe do ideal, pelo menos foi relançou o filme na íntegra. Boa noite, e boa sorte!

gustavo costa disse...

Graças a Deus Moustapha Akkad Salvou a Franquia é Incrivel Como o Criador Da Serie Consegue Destrui-la Assim Halloween 3 Nao é Um Lixo Mas Nao Chega Nem Perto Das Franquias Com Michael Myers Tambem Nao Pode Ser Chamado De Halloween Pois Nao Existe Halloween,Halloween 4 Foi o Renascimento Do Original,a Primeira Vez Que Assisti Halloween 3 Eu Assisti Esperando Ver o Que Já Tinha Visto Nas Outras Franquias Mas Me Deparei Com Um Terror Bobo e Fantasioso Nem Terminei De Assistir Passou Dos 40mins Eu Desliguei,Tenho Todos Os Filmes Da Franquia Menos o Terceiro e Se Nao Tirarem Rob Zombie Halloween Vai Se Tornar Um Lixo De Novo,Uma Pessoa Que Vai a Um Show Do Michael Jackson Espera Ver o Michael Jackson Agora Uma Pessoa Que Vai Ao Cinema Assistir Um Filme Chamado HALLOWEEN 3 espera Ver Michael Myers e Se Depara Com Uma Historinha De Fantasma.Nunca Achei John Carpenter Um Bom Diretor De Filmes De Terror a Maioria Dos Seus Filmes Sao Como Halloween 3 Ele Nao Tem Jeito Para Dirigir Um Filme Slasher Para Um Filmes Slasher De Primeira Tem Que Ser Dirigido Por Tobe Hooper,Steve Miner,Assista Halloween H20 e Veja a Diferença Com Halloween 3 Se Halloween 3 Tivesse Sido Dirigido Por Steve Miner Concerteza Estaria Entre Os Melhores Da Franquia Halloween É Só Ver Sexta-feira 13 Dirigido Por Ele é o Maior Classico Do Sexta-Feira 13,Há Outros Filmes Boms Que Vacilaram Feio e Que Nao Vale a Pena Assistir As Sequencias Como ´Natal Sangrento e Prom Night´

Anônimo disse...

Filmão! A ideia inaugural da franquia Halloween era possuir uma estória diferente para cada filme, e esse foi o único que obedeceu e esse critério.

"Halloween was actually intended to be an anthology series, with a different horror story for each film. After the first Halloween movie proved a huge success and Michael Myers became the next big thing in horror, the production team decided that they would do a continuation of his story with Halloween II, in which Myers was meant to have perished at the end. When Halloween III came out audiences hated Michael Myers being left out so, from that point on, Halloween became a series about Michael, beginning again with the aptly titled Halloween 4: The Return of Michael Myers. Halloween 6; The Curse of Michael Myers however tries to establish a tentative link, featuring a pagan cultist called Mrs Blankinship. In this film the villain at one point refers to having an appointment with a Mrs Blankinship."

marcio Valentim disse...

Ótima critica sou fã dessa pérola do terror pensava que era o único Parabéns

marcio valentin disse...

Parabéns é ótimo ver uma análise tão detalhada de um clássico que amo tanto, esse filme tem história

Leonardo Peixoto disse...

É uma pena a história de Halloween III não ter sido continuada :( Seria bacanudo ver Conal Cochran voltando com um novo plano , dizendo que o genocídio de milhões de crianças e seus familiares foi "apenas o começo" .

Jefferson disse...

Eu me lembro que a primeira vez que assisti esse filme, foi em um especial que estava passando todos os filmes do Halloween na sequência (não me recordo agora em que canal). Fiquei bastante surpreso e confuso pela mudança de história, mas confesso que foi pra mim um dos filmes mais assustadores, e perturbadores, principalmente pelo final, por não saber o que aconteceu de verdade. Mas com certeza foi um filme muito injustiçado, tanto é que nem se houve falar dele é nem nas madrugadas da TV a cabo, encontramos alguma reprise. Mas parabéns pelo texto, deu até vontade de rever o filme, que para mim, foi um dos melhores da franquia.