quarta-feira, 24 de março de 2010

O Livro de Eli... e do ódio


E lá se vão 10 anos desde que eu escrevi sobre o irregular "Constantine" (2005), de Francis Lawrence, lamentando o fato de que o filme seria incompreendido: um roteiro inteligentíssimo - sofisticado até - perdido numa embalagem chinfrim de blockbuster descerebrado, e que acabou não agradando nem quem foi ao cinema pela história, nem quem só queria ver os efeitos em CGI e o Keanu Reeves explodindo demônios.

Agora, a história se repete com O LIVRO DE ELI, dirigido pelos irmãos Albert e Allen Hughes, e atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros. O trailer dá uma idéia errada de que este é apenas mais um filme pós-apocalíptico com ação ininterrupta, mas não há ação suficiente para quem busca apenas isso; por outro lado, há idéias fantásticas e originais no roteiro de Gary Whitta, mas nem sempre utilizadas como deveriam.

O resultado é um filme híbrido e que também vem sendo incompreendido, como "Constantine" foi cinco anos atrás. Por exemplo, entre as muitas bobagens que li sobre a obra pela internet afora, estão comentários taxando o filme de passar uma mensagem cristã e de ser uma "história evangélica". E chamo isso de bobagens porque a mensagem passada pelo filme é justamente O CONTRÁRIO DISSO.


A trama do filme se passa num mundo devastado e desértico, 30 anos após uma misteriosa guerra que devastou o planeta (e sobre a qual não são dadas maiores informações, nem mesmo com um letreiro inicial, algo muito bem-vindo nestes tempos de "quero tudo bem explicadinho").

Um andarilho solitário chamado Eli, e interpretado por Denzel Washington, vaga rumo ao Oeste carregando na sua mochila o que pode ser o último exemplar existente da Bíblia Sagrada, já que todos os livros foram queimados depois da guerra (mais sobre isso em seguida). Enquanto lê e recita os salmos bíblicos, nosso "herói" vive de amputar membros e matar violentamente os inúmeros criminosos pós-apocalípticos que encontra pelo caminho.

Finalmente, Eli chega a uma cidadezinha - o mais próximo de um núcleo civilizado em quilômetros. O lugar é controlado por Carnegie (Gary Oldman, uma boa surpresa), vilão cuja missão de vida é justamente encontrar um exemplar da Bíblia para poder "dominar" mais facilmente os sobreviventes do apocalipse. Ao descobrir que Eli carrega o livro, Carnegie faz tudo para tomá-lo, dando início a uma caçada humana pelo mundo devastado.

Bem, não sei o que viram de mensagem cristã ou história evangélica num filme sobre um anti-herói errante que viaja pelo que restou do mundo lendo e recitando a Bíblia, cujas passagens já sabe de cor, mas ao mesmo tempo matando brutalmente quem quer que se coloque em seu caminho. Se esse é o ideal de um "herói católico", então podemos fazer uma analogia do Eli de Denzel Washington com vários outros homens que tomaram a "palavra de Deus" (ou de Alá, ou de qualquer outra divindade) como desculpa para a violência durante a história da humanidade - dos Cavaleiros Cruzados aos Inquisidores, dos homens-bomba muçulmanos aos sacrifícios humanos.


Aliás, a idéia pareceu familiar? E é! Até achei engraçado o fato de a nossa "imprensa especializada" estar muito ocupada comparando O LIVRO DE ELI com "Mad Max" e "Eu Sou a Lenda" (hã?!?) para esquecer que a principal fonte de inspiração do filme é a graphic novel "Apenas um Peregrino", de Garth Ennis e Carlos Ezquerra. Os quadrinhos contam a história de um peregrino errante num mundo pós-apocalíptico (devastado pela explosão do Sol), que intercala passagens da Bíblia e orações com a matança desenfreada dos "infiéis" - além de usar "inocentes" na sua Guerra Santa e descartá-los assim que não têm mais utilidade.

Pois há muito do Peregrino no Eli de Denzel Washington. Ambos perseguem cegamente suas próprias "missões religiosas", podendo ser facilmente comparados a fanáticos ou extremistas religiosos. No filme, nunca fica bem claro o objetivo de Eli ao preservar com tanta obstinação o livro sagrado, e é isso que o torna um anti-herói tão dúbio - nos quadrinhos, o Peregrino era um psicopata canibal arrependido e que "encontrou Jesus", mas não entendeu muito bem a sua mensagem. Eli também não, pelo jeito: tanto ele quanto o Peregrino são representados como egoístas que matam e deixam pessoas inocentes para morrer nas mãos dos bandidos. São, portanto, heróis imperfeitos e cheios de problemas morais, verdadeiros anti-heróis que não passam uma bela imagem de "soldados de Cristo", como certos cinéfilos carolas vêm propagando por aí...

O roteiro de O LIVRO DE ELI também é bem claro no juízo que faz do livro sagrado transportado por seu Mad Max negro: como diz o vilão Carnegie, "não é a porra de um livro, é uma ARMA!". E não o é até hoje? Conforme uma célebre frase cujo autor me escapa, "nenhum reino teve tantas guerras quanto o Reino de Deus". Dos primórdios da humanidade até o universo do filme dos irmãos Hughes, a religião (aqui na forma da última Bíblia existente) é a desculpa adotada por heróis e vilões para justificar a matança dos rivais.


Mensagem cristã ou evangélica? Pelo contrário: acho que fica muito claro, até a (surpreendente) revelação final de O LIVRO DE ELI, que o tom do roteiro não é "pró-religião", mas sim anti-religião. Aliás, o filme é radical ao mostrar que heróis e vilões estão se matando por uma Bíblia (no fundo, um livro!), num mundo em que ninguém sabe ler e em que há outras preocupações muito maiores do que "evangelizar" os sobreviventes. Até mesmo os capangas iletrados de Carnegie questionam a importância do livro para provocar tantas mortes.

Quando o roteiro revela que todas as bíblias foram queimadas, junto com outros livros, depois da misteriosa guerra que destruiu o mundo, é só ligar os pontos para chegar à conclusão que o conflito apocalíptico foi uma Jihad, uma Guerra Santa, cujo dramático resultado fez com que os sobreviventes se voltassem contra as religiões, queimando seus livros sagrados para que a "palavra" se perdesse e a história não se repetisse.

Ao preservar o último exemplar de uma Bíblia, Eli pode não ser exatamente um valoroso herói, mas justamente o homem que recolocará a humanidade na sua trajetória de destruição provocada pelo extremismo religioso. Não que o mundo apocalíptico sem religião seja melhor (o filme deixa bem claro que não é, com seus bandidos canibais e saqueadores nas estradas à la "Mad Max"), apenas não parece haver mais lugar para Deus, Alá, Buda ou quem quer que seja naquele universo pleno de outras prioridades.


Por sua vez, Carnegie conhece bem o poder da evangelização, de disseminar o medo entre seus comandados - os desesperançados sobreviventes do apocalipse -, fazendo-os acreditar numa força superior para que fiquem "sob controle". O roteiro também explica que pouquíssimos sobreviventes ainda sabem ler (Eli e Carnegie são duas das exceções), remetendo à Idade Média, quando quem detinha o poder sobre os livros (logo, sobre o conhecimento) era a Igreja.

Eu, pessoalmente, acredito que a religião é a raiz de todo o Mal, e isso também está nas entrelinhas de O LIVRO DE ELI. Com a Bíblia em seu poder, Carnegie poderia usar a "palavra de Deus" para dominar seus súditos a exemplo do que fazem hoje muitos sacerdotes e pastores evangélicos. Por isso o irônico comentário "não é um livro, é uma arma". Uma arma que vem sendo usada desde a aurora dos tempos, e é eficiente o bastante para fazer com que seres humanos explodam bombas no próprio corpo sonhando com um Paraíso repleto de virgens!

Ainda é possível fazer uma relação entre o vilão Carnegie e um certo ex-presidente norte-americano chamado George W. Bush, que usava Deus como desculpa para tudo, inclusive para bombardear o Iraque! Não que seja exclusividade dele, a julgar as atrocidades cometidas em nome de Alá e a eterna guerra entre palestinos e judeus.


Enfim, o que O LIVRO DE ELI procura deixar bem claro é que a Bíblia, por mais que represente a "palavra de Deus", foi escrita pelo HOMEM. E baseado nela, o próprio homem é capaz de cometer os piores atos de injustiça e violência, seja herói ou vilão, dependendo da forma como manipula/interpreta a sua mensagem. O filme usa a Bíblia, mas em seu lugar podia ser o Alcorão, a Torá ou qualquer outro texto sagrado tomado como "verdade absoluta e inquestionável" pelos seus seguidores, que a mensagem será a mesma.

Confesso que fiquei até imaginando, no final: SPOILER Será que Eli ditou uma versão decorada e integral da Bíblia ou inventou a sua própria (como também podem ter feito os monges copistas que registraram as primeiras Bíblias)? Afinal, os "fiéis" iriam segui-la do mesmo jeito, como fazem até hoje inspirados pelos evangelhos escritos por pessoas mortas há dois mil anos! FIM DO SPOILER

Descontando todo este aspecto religioso, O LIVRO DE ELI também é tecnicamente atrativo pela fotografia acinzentada, quase monocromática, que transporta o espectador àquele mundo destruído onde vivem os personagens. Os irmãos Hughes usam vários planos abertíssimos, revelando estradas desertas, carcaças de veículos, cidades destruídas e principalmente enormes crateras e marcas de explosões da tal guerra que destruiu o planeta.


Os irmãos também demonstram-se competentes nas cenas de ação, sem abusar da câmera epilética típica das produções modernas (embora os cortes rápidos na cena da luta no bar desorientem completamente o espectador). O grande momento do filme, disparado, é a câmera entrando e saindo do interior de uma casa durante uma feroz batalha entre os heróis e os vilões do lado de fora - não é um plano-seqüência, obviamente, mas a "maquiagem digital" engana e realmente parece que a cena não tem nenhum corte.

Pouca gente lembra que os Hughes têm pelo menos duas obras bem interessantes no currículo, o policial "Perigo Para a Sociedade" (1993) e a adaptação de HQ "Do Inferno" (2001), sobre os crimes de Jack, O Estripador. Mas O LIVRO DE ELI é disparado o seu melhor trabalho, com herói, vilão e ambientação que lembram um faroeste futurista - a vila de Carnegie até parece uma cidadezinha do Velho Oeste, e a briga no salloon só reforça a semelhança!

Há também o final espertíssimo com uma bela revelação-surpresa, e até participação especial do faz-tudo Malcolm McDowell, que parece ter abandonado definitivamente o universo dos filmes classe Z para virar coadjuvante de luxo em Hollywood. (O elenco excêntrico tem ainda Ray "Justiceiro" Stevenson, uma envelhecida Jennifer Beals e o músico Tom Waits)


Claro que há algumas bobagens típicas dos blockbuster hollywoodianos, como o fato de que todo mundo é feio e acabado no mundo pós-apocalíptico, mas a mocinha que acompanha Eli (Mila Kunis) é uma gata com cabelo lisinho e limpinho, apesar do racionamento de água e de não existirem mais comésticos naquele ambiente.

Muito pouco para desmerecer um blockbuster inteligente e cheio de atrativos como O LIVRO DE ELI, que pode ser definido como um clone de "Mad Max" onde o grande tesouro para os personagens não é a água ou a gasolina, mas sim a esperança proporcionada pela religião - ou o poder de manipulação da mesma.

Em tempos de "Avatar", sempre é bom ver uma história conhecida sendo contada de um novo jeito. Mas é uma pena que, como "Constantine", o filme dificilmente encontrará o seu público.

45 comentários:

Matheus Ferraz disse...

"You would do far more good if you just preached the gospel of Jesus rather than trying to get rid of Third World debt relief"

Stephen Baldwin para Bono Vox


A frase que melhor resume a estupidez da religião.

Júlio disse...

Como é possível falar tanta bobagem sobre religião em tão pouco espaço?
Já se deu ao trabalho de pesquisar como eram e ainda são as civilizações não-cristãs? O que seria o mundo atual sem a Igreja Católica para reconstruir a Civilização após a queda do Império Romano?
Experimente ler Daniel Rops, Will Durant, Regine Pernoud ou Paul Johnson para tentar fugir aos dicursos clichês. Como diagnosticou G. K. Chesterton, o mundo moderno é a Civilização Cristã virada de cabeça para baixo.

Leandro Caraça disse...

>O que seria o mundo atual sem a Igreja Católica para reconstruir a Civilização após a queda do Império Romano?

Teriamos pulado a Idade Média e seus mais de 1000 anos de fanatismo, civilizações destruídas, sujeira e ignorância.

Leandro Caraça disse...

>"Constantine" (2005), de Francis Lawrence, lamentando o fato de que o filme seria incompreendido: um roteiro inteligentíssimo - sofisticado até

É ruim, hein ???

Rudemangueboy disse...

Felipe, quem te acusa de ser um crítico parcial devia ler esse teu texto. eu pessoalmente ODIEI esse filme, e fiquei me perguntando o porquê. assisti com a galera que costumo fazer sessões de cinema (historiadores Ateus em sua maioria), e mal aguentamos ver esse filme atê o final. na verdade, quem trouxe a cópia abandonou a sessão. fiquei me perguntando se era meu anti-cristianismo que me fez o diar o filme, já que minha mãe adorou, inclusive passou ele numa sessão da igreja dela (assembleia de deus). Você pode ter visto o filme ser anti-cristão, mas elas viram uma afirmação de sua fê.

Acredito sim que o filme é cristão atê a medula, já que

SPOILER

A reconstrução da humanidade só seria completa com a bilia em versão inglesa. Não com um livro de filosofia ou de outra religião. Pelo menos foi isso que eu vi no filme.

FIM DO SPOILER

No geral eu achei o filme arrastado, chato mesmo, não lento como filme de arte e/ou oriental. Todos os defeitos que você postou eu achei ainda piores. foi dificel assistir atê o final.

Osvaldo Neto disse...

Assino embaixo as palavras do Leandro.

Felipe M. Guerra disse...

Sobre "Constantine", eu realmente acho que o filme tem algumas ótimas idéias (a maioria vinda da HQ) que foram mal-aproveitadas, como o fato do anti-herói ser um "exorcista freelancer" pouco convencional, a conversa com o Anjo Gabriel sobre o porquê das almas irem para o céu ou para o inferno, a cadeira elétrica que permite "viajar" para o mundo dos mortos, entre outras coisas. A participação do demo também é muito boa. Não vou negar que o filme erra bastante, mas tem esses detalhes bem inteligentes, ainda mais para um blockbuster dirigido por um videoclipeiro e estrelado pelo Keanu Reeves.

Sobre o final de O LIVRO DE ELI, quem garante que aquilo será a "salvação da humanidade"? SPOILER. Talvez o pessoal de Alcatraz tenha a mesma idéia do Carnegie: usar a Bíblia como instrumento de poder. Tanto que a mocinha decide nem ficar com eles e parte para virar uma "Mad Max errante" e sem religião. FIM DO SPOILER.

Valter Noronha disse...

Não gostei muito de Constantine. Ficou infeior demais as HQ's. Esse "O Livro de Eli" tb não chamou muita a minha atenção, mas sua resenha e as polemicas desse filme me deixaram curioso. Vou dar uma conferida!

Edu aurrai disse...

Guerra, novamente, estou completamente de acordo quanto a abordagem religiosa. A única coisa que me atrai nesse filme é poder conferir a fotografia.

disse...


"Eu, pessoalmente, acredito que a religião é a raiz de todo o Mal"


Qual a diferença entre esse tipo de ateu e os fanaticos religiosos que provocam guerras em nome de seu Deus?

Just Daniel disse...

Muito incomum o Denzel fazer dois filmes ruins, um seguido do outro. Ainda mais dois filmes de 3 bons diretores, Scott e Hugh Brothers.

Junior disse...

A biblia é um livro legal.

Tem até jumento que fala...

Gustavo Sanchez disse...

Gostei bastante do filme e não achei nada chato.
Acho que soube usar um pouco de ação com uma estória que realmente nos faz pensar. Coisa rara em grandes produções de hollywood.
Acho que o filme nos passa que a religião é realmente algo muito poderoso. Pode ser usada tanto para o bem como para o mal.
Quanto à violência do herói, é outra coisa que também nos faz pensar... Como ele poderia salvar o livro e a humanidade, se não utilizasse a violência?
Esse é um filme que gera diversas interpretações e opiniões, isso é um dos motivos de eu ter gostado.

Anônimo disse...

Esse é um filme que gera diversas interpretações e opiniões, isso é um dos motivos de eu ter gostado. [2]

Andre Santos disse...

Olá, Felipe. Gostaria que você visse o nosso filme, um blaxploitation, BAD VILSON, pois foi através do teu post sobre "Nínguem deve morre" e as citações a "Um pistoleiro chamado Papaco" que tomamos a decisão de filmar esse piloto, que está em teste de audiência. Abraços! http://www.youtube.com/watch?v=cqQX3507eYI

Anônimo disse...

O homem inventou a religião, para criar motivos, para matar uns aos outros.

Esse é um filme que gera diversas interpretações e opiniões, isso é um dos motivos de eu ter gostado. [3]

P.S. filmes inteligentes, não agradam muita gente.

Felipe M. Guerra disse...

Pois é, ilustre ANÔNIMO, a proposta inicial acho que era justamente o contrário (com o "Não Matarás" e a ameaça do inferno existindo para frear os instintos homicidas do pessoal), mas não demorou nada para os textos sagrados serem utilizados como justificativa para o massacre.

É o tal do "Eu só faço os buraquinhos de bala, quem mata é Deus!".

Interferência disse...

Gostei da análise do filme. Mas acho que Eli sair matando em nome de Deus pode ser considerado uma crítica não ao cristianismo propriamente dito, mas ao uso que se faz dele para justificar barbaridades (pode ser uma maldade inerente ao ser humano?). E isso é exemplificado sem muita sutileza pelo comportamento do personagem do Gary Oldman, que quer o livro apenas para manipulação, enquanto Eli quer usá-lo para dar esperança. É o que entendi.

Mas acho que a mensagem do filme é pró-religião mesmo. Não somente pelo final do filme, com Eli agradecendo aos céus pela missão cumprida enquanto o bar lá do Oldman é arrebentado pelo caos, mas também pelo fato de Denzel Washington ser um homem mto religioso e ser um dos produtores do filme.

Pra mim, poderiam ter trabalhado mais as dualidade da religião, que pode ser inspiradora sim, mas tb pode ser manipulação. Seria tb legal mostrar como a bíblia é cheia de contradições. Basta ver o Antigo e o Novo Testamento.

Alan Cosme disse...

Eu achei o filme bem pró religião também.
Pra mim a violência do herói não tem nada a ver com uma critica ao fanatismo religioso, mas sim ao simples fato de que seria difícil (ou impossível) fazer um filme de ação cujo herói fosse 100% da paz.

Ruggero70 disse...

O detalhe do livro com poder de arma é interessantíssimo e faz a diferença nesse filme que, de outra forma, seria mais uma cópia (ou versão) de Mad Max.

SPOILER

Vejo o final, com a Bíblia na "biblioteca de Alcatraz", como uma valorização da literatura e da cultura humanas, a despeito do uso que o homem faz dela. Algo tanto para o bem e para o mal - daí se achar que o filme tenha cunho religioso, para alguns, e ateísta, para outros.

Felipe disse...

Eu achei o filme bom porra.......o filme é otimo e o final melhor ainda.....Não é um filme religioso....O filme não é um filme biblico porra.....O filme é de ação e mostra por um lado a busca continua e fanatica pelo poder da religião e no outro lado com o Densel ja mostra uma fé que supera a violencia...Mas para um cara poder se defender ele presisa usar violencia ou morre....É isso porra....

Anônimo disse...

uma das críticas mais estúpidas que já li.

Felipe M. Guerra disse...

Que bom, eu sempre quis ser "um dos mais" em alguma coisa!!!

:-D

Anônimo disse...

boa, campeão.

Rê disse...

"Eu, pessoalmente, acredito que a religião é a raiz de todo o Mal"

Não concordo com o que foi comentado sobre essa citação do autor em um dos comentários. Mas como não gosto dessa coisa de generalizar que vejo tanto por aí: pessoalmente, acho que a intolerância e o radicalismo - seja em qualquer aspecto, inclusive religioso - são as tais raízes do Mal. Acreditar em alguma coisa se torna negativo quando há desequilíbrio ou distorção pessoal. Não é a crença, são as pessoas.

Fábio disse...

caramba, ainda bem que nem li 3 parágrafos de tanta besteira.

O que você falou do Constantine não tem embasamento nenhum...

Por isso blogs são tão nojentos.

Você procura uma coisa séria na Web e acha um babaca falando merda primeiro, só depois acha o que quer...

Felipe M. Guerra disse...

E volte sempre!

O "Filmes Para Doidos" agradece a sua preferência!

carlos dal disse...

Felipe,

esse filme ia passar batido por mim, justamente por que eu detesto proselitismo religioso e pelo que eu tinha lido e ouvido parecia mais um subproduto da onda "cristã-evangélica" que tem dominado o maistream estadunidense nos últimos anos, ainda mais tendo o dedo do Denzel Washington, um homem de fortes convicções cristãs...

Mas como achei teus comentários interessantes, e também porque adoro filmes em cenário pós apocaliptico desde que assisti "os guerreiros do Bronx" na Record no tempo em que o Edir Macedo só era pastor de funerária, decidi dar uma conferida.

Bom, o filme não me agradou. Gostei da fotografia e da caracterizaçao do mundo devastado, além do Gary Oldman estar ótimo no papel do tiranete com sonhos de grandeza. Mas foi só.

O filme é sim uma pregação religiosa cristã. Os irmãos Hugues sempre me pareceram uns patetões estadunidenses (os caras deram um final feliz pra "From Hell", porra!) e não creio que fossem capazes das sutilezas que vc leu no filme.

Ainda se fosse uma pregação bem feita, vá lá. Mas é tudo muito na cara, especialmente o final que faz questão de deixar bem claro que a "missão" dada pela "Voz" ao Eli era real, com oraçãozinha de agradecimento e música melosa pra reafirmar o óbvio

Além do amontoado de clichês, os coadjuvantes pra lá de fraquinhos e o final patético, não só pela oração de agradecimento, mas pelo surrado "castigo" dos maus e o destino patético da Solara - ela virou um novo Eli? (até os óculos e o facão eram os mesmos!)

Valeu a dica, mas um pós apocalipse bem mais interessante, e sem pregação cristã, pode ser visto em " A Estrada".

Abraço!

Anônimo disse...

Você prestou tanta atenção no filme que nem conseguiu perceber no final que ele sabia ler aquele Bíblia por ser cego.
Agora tente entender como que pode um cara atravessar milhares de km e conseguir lutar com as pessoas querendo salvar a Bíblia sendo que é cedo?
Voce conseguiu distorcer o filme todo com seu pensamento neo ateu

ANTONIO disse...

Nunca fui religioso. Mas confesso que culturalmente sempre fui ligado ao Catolicismo. Minha avó paterna era catolicissima, e foi quem me passou os primeiros preceitos morais. Não esqueça, meu amigo, e basta ler alguns clássicos da sociologia, que as sociedades se formaram baseadas na moralidade religiosa. Não foram os codigos civis que disseram não roubarás, não matarás etc ... Mas a religião. Baseados na religião estão milhares de constituições e codigos civis e penais. Outra coisa que o senhor repete como papagaio de pirata, o que é proprio de quem tem preguiça de pesquisar, são os conflitos que utilizam a religião como escudo. Não esqueçam que muitos homes e mulheres verdadeiramente religiosos tornaram-se arquétipos de seres humanos com "H maiúsculo". Cito um mais antigo, autor da bela oração conhecida como oração de S. Francisco. Cito outra mais moderna, Madre Tereza, que enfrentou o preconceito religioso indiano e tornou-se um exemplo arquetípico. Martin Luther King, que lutou contra o preconceito racial americano e tornou-se um martir pelo direitos civis dos negros americanos. Sem falar na revolução sem armas de Manhatma Gandi. Ou ainda posso citar os Dalai Lama, que sempre trazem mensagens de paz e concórdia. Sem falar em outras religiões que nos legaram grandes nomes. Então, imputar as guerras, conflitos conflitos de toda ordem a religião é puro cliché de ateu. Hitler era religioso? Mussoline era Religioso. Fatiar e colonizar as américas e africa e matar os nativos foi ato religioso? Não confundam os homens com as religiões. Jesus era judeu, mas nunca incentivou a segregação e o odio contra aqueles que não o eram. Deixou dois grandes exemples de fé não só para o seu povo mas também para a posteridade. O bom samaritano e uma samaritana. Além de um centurião romano. Gente odiada pelo seu povo. Dizer que o mundo seria melhor sem religião é desconhecer a experiência do comunismo soviético e outros, que suprimiram a religião e implementaram regimes tão duros ou mais do que aqueles em países ditos cristãos. Abçs

ANTONIO disse...

No final do filme, em alcatraz, o velho que recebe o Eli mostra para ele alguns tesouros que foram presevados para reconstruir uma nova humanidade. Uma coleção incompleta de Shakespeare, uma coleção de musicas de (se não estou enganado) Mozart,enfim, produtos do gênio humana. Neste contexto, podemos citar o Hindu Mahatma Gandi, que disse a certa altura da vida que se um dia todos os livros sagrados estivessem perdidos e se só restasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido. Meus amigos ateus, não descartem o produtos de milhares de anos de cultura religiosa dos povos porcausa dos crápulas que usaram a religião para benefício próprio. É como dizer que a política é a raiz de todo o mal só porcauda da nossa experiência com políticos corruptos. A política é uma instituição assim como a religião, o que fazem delas não as torna o lixo da humanidade, pelo contrário, são duas instituições imprencindíveis a constituição de uma sociedade.

Flamengo-RJ disse...

A Bíblia é a bússola para todo ser humano aqui na Terra. Através dela Deus nos deu orientações. A menina saindo no final e seguindo os mesmo caminho do Eli dá o sentido de que ela irá levar o que aprendeu, ou seja, a palavra de Deus, às outras cidades que estão conturbadas. A necessidade de se defender é notória, clara e evidente. Cristão não é bobo, é u mser humano e tem os seus ideais, a sua fé. Creiam em Cristo, apenas ele salva! É sério mesmo.

Anônimo disse...

Você gosta de demonstrar sua ignorância através de um blog? pega um megafone e vá dizer em uma praça publica.

você tem que morrer!

Felipe M. Guerra disse...

Eu vinha apagando os comentários mais agressivos e exaltados de certos "Anônimos" aqui neste post, mas a partir deste último resolvi deixá-los intactos, para que todos possam ver in loco alguns belos exemplos da intolerância dos religiosos extremistas bocós em relação a qualquer um que tenha idéias ou visões diferentes das deles. É triste, mas para certos ignorantes a Idade Média ainda não terminou...

Marcos Stocco disse...

Bom... na minha modesta opinião... o filme alcançou seu objetivo.. basta dar uma lida nos comentários existentes pela internet afora. Ele pode ter cunho religioso como não... depende da visão de cada um.
Até a questão do Eli ser ou não cego é algo que fica no ar... isso tudo torna o filme extremamente interessante, inteligente, já que consegue instigar em nós, seres humanos, o que temos de melhor, que é a capacidade de pensar.

Li um comentátio no qual dizia que os irmãos Hughes não seriam capaz dessas sutilezas todas no filme, bem, pra mim eles conseguiram.. concordo que em From Hell tb não fui muito fã do "happy end", mas o filme em si é uma boa adaptação.

Antes outros filmes e até programas de televisão conseguissem fazer o que o Livro de Eli conseguiu fazer com todos que o assistiram, pensar e refletir.

Por exemplo, o lance de o filme terminar em Alcatraz, qual o sentido disso!? Queria mostrar que os seres humanos estavam "presos" sem um livro sagrado, e que com a utilização estariam se libertando para um mundo novo!? Ou então queriam mostrar justamente o inverso, que com a publicação do livro sagrado iriamos voltar para trás das grades que bloqueiam nossos pensamentos? O Eli ter morrido no final e deixado uma "sucessora", será que não era pra representar que a fé cega, o fanatismo leva a isso? Sempre termina com a morte do seu discipulo, mas o fanatismo continua a se perpetuar por mei de outros? Lembremse que era era cética, aliás, sem sabia direito da existência de um Deus, e com o passar do tempo foi se deixando levar pela convivência com um fanático.

Enfim... acima da fotografia do filme, das lutas, dos cortes de cena e da própria estória em si do filme, gostei do que ele conseguiu fazer com as pessoas que o assistiram e não consigo achar que foi tudo por acaso... para mim uma grande sacada dos irmãos Hughes.. que existam mais filmes desse calibre em Hollywood.

Mauricio disse...

O ateu ou anti-cristão, que seja, trata todos que acreditam em Deus, Jesus e na fé como alienados e ignorantes. Cometem os mesmos erros de quem os considera a mesma coisa por não crerem em Deus. Já tive tantas demonstrações em minha vida que me é impossível duvidar de Sua existência. Sobre a religião, os seus problemas são relacionados aos mesmos que impedem regimes utópicos como comunismo e socialismo de serem nem perto do que apontam suas teorias: os seres humanos. Mas esta conversa fiada de que religião é o "ópio do povo" e causa dos males...sinceramente.
Esqueçam padres pedófilos e pastores picaretas e pensem nas palavras de Jesus, no Novo Testamento. Esqueçam o Antigo também, principal motivo de críticas dos ateus à Bíblia, e pensem em Jesus e seus ensinamentos. Se algum de vocês achar que ele falou algo para sermos piores do que somos, manda internar. Agora, se você é daqueles que acha que Jesus nem existiu, lamento por você.

Anônimo disse...

Isso é apenas um filme que visou bilheteria. Deus é muito mais do que isso. O verdadeiro Deus é amor e amor é um universo de bondade que só quem o vive o reconhece. Boa viagem a todos!

Anônimo disse...

vejam o que esta acontecendo no chifre da africa?mães carregando seus filhos pequenos(verdadeiros esqueletos humanos)por km de terra seca ate campos de refugiados.fome, miseria,seca,etc.por mais que queiran trabalhar,não da. e penso,se eu tivesse poder para mudar aquilo,deixaria ocorrer?
reflexão.nao preciso ler esse ou aquele autor-so preciso abrir meus olhos para a realidade

Anônimo disse...

Após ler a maioria das opniões e depois de ler a resenha posso concluir: o homem é mal por natureza e mata por causa de sua natureza. Antes que digam o contrário, quem nunca pensou em dar um simples tapa numa outra pessoa porque ela simplemenste discordou de uma convicção pessoal? Isso é ser bom ou a natureza de uma pessoa que se considera boa nunca pensou isso? O erro está em impor goela abaixo qualquer tipo de ideologia. Mas a Bíblia é SIM a Palavra de Deus direta para o homem, que infelizmente se esqueceu do criador buscando respostas na criatura e não junto ao criador. E os que se dizem ateus também tem uma crença: crêem que não existe Deus e têm fé nisso!

Quemel disse...

Caro colega, salve!

Excepcional sua analise do ponto de vista estético. Embora não concorde com algumas opiniões, mas mesmo assim êh 10 sua analise.

Braçado e boa $orte,
Quemel

Anônimo disse...

Vem um doido desses e vem querer falar de religião sem ao menos conhecer e ler a biblia, mano vai ler a biblia e te informa mais, pois se tu intendesse a palavra de Deus sabeira interpretar varias coisas do filme que estão escritas na biblia, ai sim vc saberia falar do filme, mas se não, vai procurar outra coisa pra te fazer cara.

Anônimo disse...

Obra prima esse filme!

"Ame uns aos outros como a si mesmo"





Danilo disse...

Constantine encontrou seu publico sim, entre os mais jovens. Pelo menos nao conheço um amigo meu que desgoste do filme, é claro que tem sempre um detalhezinho ali e outro aqui mas no geral, todos gostam.
Ja O Livro de Eli ganhou muito fãs cristãos que não souberam interpretar o filme e muitos inimigos anti-religão que também não entenderam nada hehehehe.

Anônimo disse...

Confesso que só agora depois de 5 anos tive a curiosidade de assistir o filme e sim a religião é uma arma muito perigosa para quem já leu sobre a inquisição sabe quantas vidas foram tiradas pela igreja católica justamente por não aceitarem que alguém tivesse outra crença e quantos líderes evangélicos estão enriquecendo usando apenas o trecho da Bíblia de que é preciso dar o dízimo, o filme retrata isso com perfeição o problema não estava na Bíblia, para quem reparou bem no final ela é colocada entre o Alcorão e o Torá..o problema é o uso que se faz do conteúdo de tais livros, na minha opinião o grande problema de todos é o homem, a criatura que Deus mais se arrependeu de ter criado.

Raul Melo disse...

Quanta bobagem... A própria Bíblia é um livro que critica os religiosos corruptos e os manipuladores. É isso que a história do filme mostra, a fé de um indivíduo e a pressão do poder institucional da região contra ele. Ainda dizer que ele mudou o texto? Muita desonestidade intelectual