segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma chance para filmes boicotados - Parte 2


Gostei do retorno que teve o primeiro post desta "trilogia": além de descobrir que outros leitores do FILMES PARA DOIDOS concordam comigo e boicotaram os mesmos filmes (tipo "O Guarda-Costas"), também serviu como pontapé inicial para que os visitantes pudessem confessar quais são os seus próprios títulos boicotados. É bom saber que você não é o único que se recusa a ver algum filme por fatores bem especificos e pessoais. Por outro lado, sempre há tempo de dar uma chance para estas obras que foram jogadas para escanteio.

Nesta segunda parte, veremos mais algumas produções recentes cujo boicote é plenamente justificável (tenho certeza que todos vocês vão concordar comigo), e outras mais antigas que eu só não vi antes por pura preguiça e fui deixando de lado até agora. Algumas se revelaram decepcionantes, como era esperado.

A elas:



Tem gente que gosta da série "A Múmia", iniciada por Stephen Sommers em 1999, que traz o bobalhão Brendan Fraser lutando contra brochantes efeitos de computação gráfica. Eu vi o original e a primeira seqüência, "O Retorno da Múmia", e sinceramente achei ambos muito ruins - trazem tudo o que há de péssimo nas aventuras recentes, do excesso de CGI à falta de seriedade (e criatividade) nos roteiros. Por mim, inclusive, o terceiro filme da série, A MÚMIA: TUMBA DO IMPERADOR DRAGÃO (The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor, 2008, EUA/Alemanha. Dir: Rob Cohen) ficaria boicotado para sempre. Mas quando você está na praia em um dia de chuva, qualquer porcaria que passa na TV a cabo acaba ganhando a sua atenção. Mea culpa.

Bem, digamos apenas que os dois filmes anteriores quase ficam bons perto da bobagem que é este terceiro. O vilão agora é a múmia de um imperador chinês interpretado por Jet Li, mas ainda não consegui descobrir qual é a vantagem de ter um ator famoso na folha de pagamento e usá-lo apenas durante 10 minutos (no restante do tempo, a múmia não passa de um boneco deformado feito por computador). E se seriedade nunca foi o forte da série, esta nova aventura trata o espectador por idiota completo: ressuscitar uma múmia é a coisa mais fácil de engolir do roteiro, que traz ainda um ataque de abomináveis homens das neves (!!!), a mítica cidade de Shangri-lá (!!!), guerreiras imortais (!!!) e uma múmia que se transforma, sem explicação, num dragão de três cabeças (!!!!!!!!!!!!!!!!!!).

Tudo acaba naquela tradicional grande batalha "épica" entre bonequinhos de CGI (os soldados de terracota do vilão contra um exército de esqueletos "bonzinhos"), praticamente uma cópia xerox do final de "O Retorno da Múmia". Não há uma única piada ou cena que preste, e é uma pena ver a competente Maria Bello totalmente perdida no lugar de Rachel Weisz, que (muito sabiamente) pulou fora dessa seqüência após ter pagado mico nos dois filmes anteriores. O pior é saber que filmes como este são o mais perto que Hollywood consegue chegar, hoje, das saudosas aventuras de Indiana Jones. Salve-se quem puder!



Outra bobagem indefensável é O VIDENTE (Next, 2007, EUA. Dir: Lee Tamahori). Esse eu já imaginava que era uma bomba, pelas resenhas da época do seu lançamento. Só não podia prever que era TÃO RUIM! Partindo de uma premissa curiosa (baseada em conto de Philip K. Dick), o filme traz Nicolas Cage como um homem capaz de prever o futuro - mas apenas dois minutos à frente. Ele não usa seu dom para proteger a humanidade, e sim para roubar uma graninha dos cassinos ao prever o resultado dos jogos. Mas a coisa muda de figura quando o vidente começa a ser caçado por terroristas e pelo FBI, por causa de uma bomba nuclear escondida em solo americano.

Embora traga algumas curiosas brincadeiras narrativas (como cenas inteiras que se revelam apenas premonições do herói, ou o momento em que ele se divide em vários "clones", representando suas muitas visões do futuro), "O Vidente" falha nos aspectos mais simplórios da construção de suspense e não consegue nem ao menos criar personagens parecidos com pessoa reais: os terroristas, por exemplo, parecem ter saído de uma sátira estilo "Todo Mundo em Pânico", Julianne Moore está ridícula como "agente durona" do FBI, e a ingenuidade da personagem de Jessica Biel, que dá carona e dorme com um completo estranho, é absurda.

Para piorar, o roteiro se acovarda e transforma a maior parte da trama NUMA VISÃO do protagonista. Aí não há saco que agüente, pois este é um dos truques mais revoltantes que um realizador pode utilizar para enganar o espectador (lembrou até minha frustração por "Femme Fatale", do Brian DePalma). E Lee Tamahori mostra ser um dos piores diretores em atividade hoje em Hollywood, anos-luz distante de seus primeiros filmes, como o ótimo "O Amor e a Fúria".



O INFORMANTE (The Insider, 1999, EUA. Dir: Michael Mann) é um daqueles casos atípicos na minha lista de boicote: eu só não tinha visto antes porque esqueci da sua existência. Mas antes tarde do que nunca, e como eu estou redescobrindo a filmografia de Mann (indiscutivelmente um dos melhores cineastas contemporâneos), chegou a hora de corrigir a injustiça.

E você sabe quando um diretor é bom quando ele consegue segurar a atenção do espectador contando uma história que, originalmente, não tem nada de surpreendente ou de tenso. O filme narra a luta do produtor do programa de TV "60 Minutos" (Al Pacino) para levar ao ar a entrevista com um executivo da indústria tabagista (Russel Crowe), contando que as empresas do ramo sabem que o cigarro faz mal à saúde, embora publicamente neguem. A alta cúpula da emissora acaba vetando a entrevista por interesses comerciais, e a vida do entrevistado sofre uma brutal reviravolta.

Tudo bem que as ameaças à vida do personagem de Russel Crowe não passam de "liberdade poética" para manter o espectador antenado, mas ainda assim Mann consegue a façanha de deixar qualquer um vidrado na tela apenas com o jogo de interesses nos bastidores. É uma trama difícil, sem heroísmos individuais ou finais felizes, mas transformada em um filmaço que faz questionar o papel da imprensa no mundo contemporâneo - sua exibição devia ser obrigatória em faculdades de comunicação. Eu só incluiria uma cena final mostrando o personagem de Pacino acendendo um cigarrinho após todos os problemas enfrentados. hehehe.



Se no capítulo anterior eu falei sobre minha "Sessão Dupla John Woo", chegou a hora de contar como foi a "Sessão Tripla Clint Eastwood", um outro diretor cuja obra eu estou aos poucos redescobrindo, principalmente após o excelente "Gran Torino". Vi de uma vez só três filmes recentes dirigidos e estrelados pelo veterano, e que antes não tinham me chamado a atenção. O primeiro foi justamente o mais fraco: DÍVIDA DE SANGUE (Blood Work, 2002, EUA. Dir: Clint Eastwood) traz o ator como uma versão envelhecida de seu Dirty Harry, um veterano agente do FBI chamado Terry McCaleb, que caça um serial killer obcecado por ele.

Após ter um infarto enquanto persegue o maníaco, o herói decide se aposentar e passar por um transplante de coração. Mas logo recebe a visita da irmã da doadora do órgão, que lhe pede para investigar o assassinato da moça. Sentindo-se em dívida com a "dona" do coração, McCaleb sai em busca do responsável pelo homicídio e descobre que é o mesmo serial killer que falhou em prender anos antes. E ele continua deixando uma pilha de corpos para provocar o herói.

O roteiro de Brian Helgeland começa bem, mas logo descamba para todos os clichês de "filmes de serial killers", desde o herói que encontra pistas de crimes acontecidos muito tempo antes (e que a policia, claro, nunca viu) até a tonelada de trilhas falsas seguidas pelo detetive, e que só existem para maquiar a identidade mais do que óbvia do vilão. Vale ressaltar que o serial killer se expõe tanto ao longo do filme que é um verdadeiro milagre não ter sido preso nos 15 minutos iniciais - e a revelação da sua identidade é tão inverossímil que quase provoca risadas, assim como o fato de o código do matador ser decifrado... por uma criança! Em todo caso, vale pelo talento de Clint como ator e diretor.



PODER ABSOLUTO (Absolute Power, 1997, EUA. Dir: Clint Eastwood) é melhorzinho, mas também fica aquém do seu potencial. O ponto de partida é absurdo, porém intrigante: Clint é um ladrão veterano que, numa noite de "trabalho", testemunha um assassinato cometido pelo próprio presidente dos Estados Unidos (Gene Hackman) e por dois agentes do Serviço Secreto (um deles é Scott Glenn, que quase rouba o filme). Ele foge e é caçado por homens acima de qualquer suspeita, envolvendo-se num jogo de gato e rato com o detetive que investiga o crime, interpretado por Ed Harris.

Eis um caso de filme que valeria apenas pelos atores (e se ver Clint, Hackman, Scott Glenn e Ed Harris dividindo a cena não é suficiente, tem ainda E.G. Marshall e Laura Linney). É uma pena, portanto, que o roteiro de William Goldman não aproveite a premissa interessante de um herói fora-da-lei caçado por pessoas que estão totalmente acima da lei: as situações de conflito entre eles são mínimas, e a trama logo descamba para o tradicional "vamos machucar a filha do protagonista para dar-lhe um motivo para se vingar".

A própria relação entre os personagens de Clint e Harris é menos desenvolvida do que poderia, e isso que o filme se estende por duas horas (podiam cortar um pouco da enrolação e do drama familiar envolvendo o ladrão e sua filha para criar mais situações de suspense). Mas é outro que vale só pelo astro, divertindo-se muito como um bandido boa-pinta e esperto, sempre um passo a frente dos seus perseguidores.



O melhor da "Sessão Tripla" acabou sendo CRIME VERDADEIRO (True Crime, 1999, EUA. Dir: Clint Eastwood). A trama também é meio absurda, mas funciona melhor que "Poder Absoluto": Clint é Steve Everett, um repórter encrenqueiro e mulherengo que, de última hora, é escalado para cobrir a execução de um assassino na câmara de gás. Mas Everett teima em achar que o acusado é inocente, e passa os 127 minutos do longa em busca das pistas para livrá-lo da iminente pena de morte.

A corrida contra o tempo desta vez é muito bem aproveitada pelo astro e diretor, principalmente na cena em que seu personagem é obrigado a fazer um "passeio-relâmpago" com a filha pelo zoológico para poder continuar suas investigações. Tudo bem, é difícil de engolir o fato de o protagonista descobrir fatos e pistas anos depois do crime ter acontecido, sendo que o caso foi investigado exaustivamente pela polícia. Assim, é preciso fechar um olho para a lógica e torcer para que o herói encontre as provas da inocência do acusado a tempo de impedir a execução.

"Crime Verdadeiro" também fica acima da média por mostrar com detalhes, paralelamente à investigação de Everett, a rotina de preparação do condenado para a pena de morte, sem demonizar a figura do diretor do presídio ou dos guardas responsáveis pelo trabalho ingrato. E Clint, novamente, está muito divertido como repórter durão e comedor, que aparece seduzindo moças 40 anos mais jovens do que ele. Suas cenas com James Woods, que interpreta o editor do jornal, são antológicas. Em resumo: toda a tensão e suspense que faltaram aos outros dois está neste filme, altamente recomendado para fãs do ator-diretor.



Fechamos esta segunda parte da minha lista de boicote com uma decepção: PECADOS DE GUERRA (Casualties of War, 1989, EUA. Dir: Brian DePalma), um dos trabalhos mais fracos e convencionais de um diretor cuja obra eu normalmente venero. Não vi o filme antes porque estava de saco cheio de histórias sobre a Guerra do Vietnã (já na época em que ele foi lançado havia uma overdose de filmes sobre este conflito). Mas vê-lo hoje parece ainda pior, já que ele envelheceu ainda mais.

A história, baseada em fatos reais, traz Michael J. Fox como um soldado certinho que testemunha o estupro e execução de uma jovem vietnamita pelo seu sargento (Sean Penn) e por homens do seu batalhão. Ele tenta de várias formas salvar a vida da moça, mas falha; passa, então, a ser perseguido pelos ex-colegas, que temem que ele revele o "segredo" e leve todos à corte marcial. Apesar da situação poder render um suspense tenso, a narrativa é convencional e desprovida de emoção.

A melhor cena acaba sendo a execução da jovem estuprada, filmada por DePalma com seu requinte habitual. Mas todo o resto parece um telefilme, com personagens exageradamente burros (interpretados por atores conhecidos como John C. Reilly, Ving Rhames e John Leguizamo), cenas de guerra nada empolgantes e uma resolução anti-climática - até a música de Ennio Morricone soa burocrática e nada memorável.

Na minha opinião, está entre os trabalhos mais fracos do diretor. E é irônico ver uma atuação afetada e exagerada de Sean Penn quando a gente sabe o excelente ator que ele se tornou depois. Veredicto: um pecado de DePalma, não da guerra.

27 comentários:

Thomas Alex disse...

Sobre a triologia Mumia, não vi e não gostei, detesto monstros em CGI e também o ator principal, o Bobalhão Brendan "Fresco".Vou ter que rever os filmes do Clint Eastwood que vc citou pra tirar minhas conclusões, já que quando eles passaram na TV a noite eu estava com muito sono e deixei de assisti-los.Quanto ao Informante, a trama não me agradou e vou boicota-lo, mesmo sendo fão do Al Pacino e Russe Crowe.Pecados de Guerra também sera dispensado de minha lista, pois estou de saco cheio de dramas sobre Guerras.

Ibertson Medeiros disse...

Segunda parte muito boa da trilogia. Não vi nenhum desses do Clintão, mas tenho vontade de conferi-los. A Múmia 3 é ainda pior que os dois anteriores. Vergonha alheia total. E vi essa bomba no cinema!

O Vidente também é outro dos meus boicotados. Não quero ver mesmo. O Informante é um caso interessante (Até rimou). Foi um dos meus primeiros DVDs que comprei, mas caí no sono na primeira vez que assisti. Ainda vou revisitá-lo um dia.

Pecados de Guerra também não assisti e, sinceramente, se não for uma história bem diferente sobre a Guerra do Vietnã, também não me sinto interesado. Já estou de saco cheio desses filmes com esse tema tão explorado. Ouvi falar que Redacted (Outro que não vi) é bem parecido. Por falar em filmes de guerra, outro que até tentei assistir, mas o DVD da locadora estava arranhado, foi Além da Linha Vermelha, do Malick. Algum dia vejo (Achei um sonífero o filme "O Novo Mundo", do mesmo diretor).

Ronald Perrone disse...

Caramba. Os filmes do Clint e Pecados de Guerra eu só vi depois de muito tempo também... no ano passado. Agora, alguns desses filmes comentados vou continuar a passar longe, como A Mumia 3 e O Vidente. Já O Informante é maravilhoso. Um dos meus preferidos do Mann...

Allan Veríssimo disse...

E percebam que esse A Mumia 3 copia muitos elementos da série Indiana Jones, e mesmo assim é uma merda. Os tres primeiros Indiana Jones não tinham CGI e mesmo assim eram emocionantes...

Não conheco os primeiros filmes desse Lee Tamahori, mas ele dirigiu 007 Um Novo Dia para Morrer, que eu considero mediocre e um dos piores filmes da série.

E Felipe, você deveria dar uma chance para O Incrivel Hulk com Edward Norton.

L.F. Riesemberg disse...

Desses eu só vi os dois primeiros A Múmia (que não gosto) e O Informante. Aliás, tenho certeza que li em algum lugar que foi filmada a cena final em que o Al Pacino acende um cigarro (ou pelo menos o ator sugeriu que fosse filmada, não estou muito certo).

duete.jorge disse...

Não concordo com vcs. O primeiro A Múmia é ótimo. O segundo eu vi no cinema e achei bom. Já o terceiro tanta gente falou que é ruim que não me desperta vontade em vê-lo.

O Vidente eu dispenso. Depois de O Sacrifício e Motoqueiro Fantasma, eu tenho medo de ver qualquer coisa do Nicolas Cage. Quanto ao Lee Tamahori, Allan Veríssimo, acho Um Novo Dia para Morrer o melhor dos Bonds, o mais divertido (e revi todos ultimamente, um por semana). E ele também dirigiu o ótimo No Limite, uma aventura com Alec Baldwin e Anthony Hopkins.

O Informante eu também preciso rever. Assim como Poder Absoluto e Dívida de Sangue (ambos eu gostei qdo vi). Já Crime Verdadeiro é, pra mim, um dos grandes Clint.

João do caminhão disse...

Enquanto o primeiro filme da múmia era uma bobagem divertida, o segundo foi uma merda e o terceiro sem comentários, a cena de menina controlando os Yetis é tão ridícula que dá vontade de chorar...
Bom O Vidente juntamente com Motoqueiro Fantasma foi responsável por eu não assistir mais nada que tenha Nicki Cage no elenco...
Desses filmes do Clint o único que vi foi Poder Absoluto, na época eu gostei, mas vou reve-lo qualquer hora...Os outros dois vou procurar para ver.
O Informante acheio tedioso ao cubo e nunca consegui sobreviver a primeira meia hora.
Pecados de Guerra vi uma vez, mas dúvido que volte a rever, nada memorável.

João Pires disse...

Felipe,

Achei esta segunda parte meio jogo sujo, pois já ouvi comentários seus elogiando o Eastwood e vc mesmo confessa que admira o trabalho do Brian De Palma e do Michael Mann...

Portanto acho que boicotados mesmos eram apenas a séria A Múmia, que concordo que são ruins, mas não me incomodam tanto assim, embora nao tenha visto o terceiro...

Carlos André Krakhecke disse...

Putz, Michael Mann, tem filmes legais, mas achei o último dele uma droga. Eu boicoto filmes com a Angelina Jolie, só fez sucesso porque é uma esquisita gostosa que faz caridade. Se vou ver um filme só por causa disso eu alugo um porno que saio ganhando.

Fábio P disse...

Justiça seja feita Shit! Ganhou o meu respeito por enaltecer o cinema maravilhoso de Michael Mann! Já A Múmia 3, eu vi no cinema e tinha me esquecido! Credo... horroroso esse filme. Curti a sessão Tripla de Eastwood!

Just Daniel disse...

A overdose de filmes de guerra do Vietnã, principalmente agora, me parecem uma das melhores overdoses da história do cinema. Na verdade não lembro de nenhum filme do tema ruim na época: Platoon, Nascido Para Matar e 4 de Julho, Hamburguer Hill e principalmente Pecados de Guerra, todos geniais. Acho Pecados um dos melhores trabalhos do De Palma, fácil. Melhor que tudo q ele fez de 98 pra cima, junto. E não q eu ache que convencional seja algo para desmerecer um filme, não mesmo, mas de convencional Pecados não tem NADA! Gostaria que mais filmes "históricos" fossem filmados de forma tão crua e realista como Pecados foi filmado.

Just Daniel disse...

"Na minha opinião, está entre os trabalhos mais fracos do diretor. E é irônico ver uma atuação afetada e exagerada de Sean Penn quando a gente sabe o excelente ator que ele se tornou depois."

Sean Penn já era um atorzaço aclamado e venerado muito antes de Pecados. E sinceramente, quem não gosta da interpretação dele nesse filme, pra mim não gosta dele at all. Da sua essência como ator. Dead Man Walking, Carlito's e Pecados. São as 3 grandes atuações do Penn pra mim. E 3 das melhores atuações das últimas 3 décadas. E olha que ele tem coisas geniais ainda depois dessas como Poucas e Boas, Mystic River, 21 Gramas, Hurlyburly, Traição do Falcão, Assassinato do Presidente, Além da Linha Vermelha, etc.

E a trilha do Morricone é absurdamente genial! Uma das minhas favoritas tb! Burocrática?? Narrativa desprovida de emoção?? Jura que vc viu o mesmo filme q eu?

Felipe M. Guerra disse...

DANIEL, pelo jeito nossas opiniões não fecharam em nada nesse caso. Não sou muito fã dos filmes sobre o Vietnã feitos nos Estados Unidos durante os anos 80. Primeiro porque parecem só lavação de roupa suja, e depois porque não acrescentam nada aos filmaços sobre o conflito feitos na década anterior, como os obrigatórios Apocalypse Now e O Franco-Atirador.

Desses que você citou: Platoon nunca achei essa Coca-Cola toda, tanto que nem vi os outros dois filmes do Oliver Stone sobre o Vietnã, e Hamburguer Hill dormi na metade do filme e nunca vi inteiro. Dos anos 80, prefiro aquelas caóticas aventuras italianas sobre a Guerra do Vietnã como The Last Hunter.

Quanto ao Pecados de Guerra, reitero tudo que escrevi. E se o sargento gritalhão do Sean Penn é uma das três melhores interpretações dele, fico imaginando as piores! hehehehe.

Felipe M. Guerra disse...

Para me aprofundar nesta questão dos filmes do Vietnã nos anos 70 e nos anos 80: me parece (e eu posso estar errado, mas é o que me parece) que os filmes dos anos 70 existiam para contestar a tragédia que foi o Vietnã e a maneira como seres humanos eram destruídos física e mentalmente no confronto (como podemos ver em Apocalypse Now e O Franco-Atirador).

Ainda tem um pouco disso nos filmes do Vietnã dos anos 80 (especialmente em Nascido para Matar, do Kubrick), mas obras como Platoon me parecem mais uma espécie de justificativa da derrota norte-americana no Vietnã do que qualquer outra coisa. Tipo: "sim, estávamos em vantagem numérica, melhor equipados, com napalm e armamento moderno, mas tomamos uma surra de vietcongues que conheciam a selva e se escondiam em túneis subterrâneos".

Thomas Alex disse...

Sobre os filmes dos anos 80 sobre o Vietnã eu gostei mesmo do Rambo:Programado Para Matar, que é um filme de drama de um soldado que quando voltou ao lar descobriu que muitos civis americanos odiavam o retorno de soldados, e ele foi submetido à humilhação e constrangimento por ter hippies anti-guerra jogando lixo nele e chamando-o de "matador de bebês". Sua experiência no Vietnã e voltar para casa resultou em um caso extremo de estresse pós-traumático.

Felipe M. Guerra disse...

Bem lembrado, THOMAS. O primeiro Rambo é um daqueles poucos filmes a retratar o descaso e o preconceito pelos veteranos do Vietnã (afinal, eles PERDERAM, diferente dos veteranos da Segunda Guerra Mundial, que voltaram para casa como heróis). Pena que depois fizeram "Rambo 2" e foderam com o negócio, mandando o herói para vencer sozinho a guerra que tinha perdido anos antes...

Thomas Alex disse...

Pois é, Felipe, apesar de eu ter gostado das continuações do Rambo.
Falando em Silvester Stallone, estou ancioso para conferir Os Mercenários, que parece que já rolou uma Prévia desse filme para a imprensa e convidados, e parece que a crítica detonou o filme dizendo:
"Um filme perfeito... para 1985"
Puxa, com tanta porcaria que vemos hoje em dia, isso para mim, soa como um elogio...não uma crítica...rs...

Felipe M. Guerra disse...

Eu também gosto das continuações de Rambo, principalmente do "Rambo 4", mas todas destoam da proposta do primeiro (que, por sinal, é baseado num livro) e transformam o protagonista em super-herói, e isso não era a proposta do original.

Esquecendo este detalhe, porém, são aventuras oitentistas exageradas e violentas (inclusive o último).

Thomas Alex disse...

É por isso que eu gosto dos filmes de ação dos anos 80, por causa de suas exageradas cenas de "ação real"digamos assim, nada de CGI e tela verde por de traz dos cinários e lutas mirrabulantes no ar estilo Dragon Ball.

Anônimo disse...

Dos filmes de Clint Eastwood, só discordo de uma passagem, em Crime Verdadeiro, onde se levanta um paradoxo, pois os policiais DIZEM que o crime foi investigado exaustivamente, mas o que se vê de fato e que o próprio jornalista constata é uma mescla de fatos que dão a entender que ao mesmo tempo o crime foi muito investigado, e que o preconceito racial fez com que o excesso fosse tido como prova absoluta, quando na verdade algumas observações essenciais ao caso foram deixadas de lado, o que leva este detalhe à verossimilhança.

Anônimo disse...

e outra coisa, esse filme do J, Fox, me lembro de ser um dos primeiros que vi sobre o tema e gostei bastante sim.
Acho que o responsável pelas atuações exageradas "de telefilme" é o diretor mesmo. O Penn, no filme, interpreta mesmo é um estúpido e caricato superior, mas o que me parece mesmo é que ele teve que se colocar no "nível" do J. Fox, que não é ator desse tipo de filme.
Ou seja, um filme de guerra para atores dramáticos dá nisso. Não espere genialidades.

Felipe M. Guerra disse...

ANÔNIMO, quanto à "investigação exaustiva" no filme do Eastwood, sou obrigado a concordar com você no lance do preconceito, a polícia deve ter investigado "exaustivamente" no sentido de arranjar argumentos para prender o cara errado e "fazer justiça". Mas ainda assim é duro de engolir que o personagem do Clint entre na loja de conveniência pela primeira vez na vida e já saque o lance da prateleira de salgadinhos (que estava obstruindo a visão da testemunha). O colar que provoca o desenlace final também aparece na trama mais por conveniência do que por lógica. Ainda assim, achei um bom filme, ele consegue manipular muito bem o suspense e o tom investigativo.

Vagno Fernandes disse...

E tome filme boicotado, ahahaha. Guerra desses aí em cima, os dois casos mais graves, pelo menos pra mim é o do Nicolas Cage, (não consigo assistir nada desse cara), e A Múmia. Aliás gostaria até de (ab)usar de seu espaço aqui pra desabafar sobre esse A Múmia. A Tumba do Imperador, é do Rob Cohen, mas o causador disso tudo é o Stephen Sommers, na minha opinião aspirante à diretor de filmes de ação. Mas nem sei se a culpa é dele. Quando saiu o primeiro A Múmia todo mundo falava que ia ser o novo Indiana Jones, (quanta prentensão), os filmes de aventura estavam de volta, e aquela conversa toda, colocaram o cara num pedestal e ele se deu o direito de investir em continuações e superproduções furadas (Van Helsing, Comandos em Ação). Agora guenta, endeusaram o cara! Podem falar o que quiser, filmes desse Stephen Sommers, também não assisto! Ah e o Emmerich (Godzilla) tá indo no mesmo caminho também.

Takeo Maruyama disse...

Felipe, acabei de ressuscitar o ASIAN FURY. Dê uma passadinha por lá.

Felipe M. Guerra disse...

Demorou, hein TAKEO?

E por falar em "demora", amanhã finalmente teremos a última parte sobre os filmes boicotados. Aguardem!

Vitor disse...

sugestão:

o próximo filme a ser analisado no filme para doidos poderia ser um pistoleiro chamado papaco

http://www.youtube.com/watch?v=DRumw8gChgU

Jeferson Martins disse...

Bom concordo plenamente em relação ao 3º filme de A Múmia.. esse boicoto mesmo! Bom agora o resto tenho que assistir.. pois ainda nao vi nenhum...