segunda-feira, 6 de abril de 2009

Mais críticas rápidas para pessoas nervosas


GRAN TORINO (Gran Torino, 2008, EUA. Dir: Clint Eastwood)
Clint Eastwood velho e fantástico num filme que, do começo ao fim, me pareceu o tipo de produção que o saudoso Charles Bronson estaria fazendo hoje caso continuasse vivo (talvez o final fosse diferente, uma coisa mais "Desejo de Matar 3", mas vá lá...). Ora, se o Stallone revisitou Rocky e Rambo aos 60 anos de idade, se o Bronson encarnou pistoleiros comedores de garotinhas na casa dos 80, por que é que o eterno durão Clint não poderia entregar algo bem próximo de uma versão envelhecida e ainda mais ranzinza do seu Dirty Harry? Seu personagem em "Gran Torino", Walt Kowalski, aparece sempre carrancudo, ao ponto de rosnar em algumas cenas, e xinga tudo e todos (inclusive os filhos mercenários) como uma metralhadora. Mesmo assim, Walt acaba virando herói do bairro sem querer quando intercede a favor de um vizinho oriental (ironicamente, ele ODEIA os orientais, que combateu na Guerra da Coréia!). Resolve "adotar" o rapaz e cuidar para que ele tenha um futuro decente, mesmo com todas as dificuldades e a presença de uma gangue pelo caminho. Tudo desemboca na tradicional conclusão com redenção, mas o filme não é, de maneira alguma, aquela historinha para boi dormir que parece ser pelo resumo. É, isso sim, um filmaço, e não me lembro qual foi a última vez que ri tanto, e sozinho, numa sala de cinema, por conta dos comentários mal-humorados e xingamentos do estressado personagem de Eastwood. Só as conversas dele com o jovem padre da paróquia (nas palavras do protagonista, "um virgem de 28 anos que acabou de sair do seminário"), incluindo uma impagável confissão, já valem o filme. Sem contar que o astro, também diretor, opta pelo tom dramático, sem exagerar os "heroísmos" do seu personagem (ao contrário do que o Charles Bronson aparecia fazendo em seus filmes já do fim da vida). Paro por aqui: direto para a lista dos melhores do ano!




DIA DOS NAMORADOS MACABRO 3D (My Bloody Valentine 3D, 2009, EUA. Dir: Patrick Lussier)
Analisando friamente, este filme é horrível: apesar de tentar seguir os passos do original canadense de 1981, que era um slasher bem decente (principalmente em sua versão uncut), essa refilmagem erra o tom ao partir para o exagero e para o vale-tudo. Não há suspense ou tensão, o minerador Harry Warden aqui não é capaz de dar um mísero susto ou sequer parecer uma ameaça decente, e o final não tem aquela perseguição legal nos escuros túneis das minas - sem contar que a revelação da identidade do assassino não acrescenta nada. Mesmo assim, achei um passatempo bastante divertido, talvez porque foi a primeira sessão que peguei com esta nova tecnologia em 3D (e convenhamos que é muito legal ver picaretadas saindo da tela do cinema e mandíbulas arrancadas voando na direção da platéia!). Ou talvez porque consegui achar graça justamente no lado mais trash da coisa, principalmente nos absurdos erros factuais (como o "assassino" sabia onde estava enterrado o corpo de Harry Warden?) e nas burrices não-intencionais (tipo uma enfermeira ir checar o soro de um paciente e só depois disso perceber que ele não está mais na cama!!!). Além do mais, você até releva uma meia dúzia de bobagens só por causa daquela cena da loira totalmente pelada (a gostosa Betsy Rue) sendo perseguida pelo assassino - cena esta que inclui até o assassinato de uma anã, vejam se tem cabimento! E as mortes são todas exageradas e bastante sangrentas, ao contrário do novo "Sexta-feira 13", que falhou justamente neste quesito. Inclusive acredito que Harry Warden e sua picareta fariam picadinho do novo Jason. Bobo, tosco, feio e burro, mas divertido e engraçado - em 3D, bem entendido. Sem 3D, deve perder 80% da graça.




A LIGA EXTRAORDINÁRIA (The League of Extraordinary Gentlemen, 2003, EUA. Dir: Stephen Norrington)
Este passou seis anos na minha lista de "filmes que jamais vou ver", ao lado de "Van Helsing", da trilogia "Jurassic Park" e de muitos outros. Devia ter ficado outros seis anos, mas a curiosidade foi mais forte e eu quis ver o quanto tinham estragado a fantástica minissérie em quadrinhos escrita por Alan Moore e Kevin O'Neill. Bem, digamos que o resultado conseguiu ficar abaixo das minhas mais baixas expectativas. Como é que alguém consegue transformar um material tão inteligente num filme tão tosco e idiota? Neste caso, a culpa é tanta do diretor Stephen Norrington ("Blade"), que parece mais interessado em explodir cenários do que em contar uma história, quanto do roteirista de primeira viagem (e que continue assim!) James Robinson. A Liga, para quem não sabe, é um "supertime" formado por personagens famosos da literatura do século 19, como Mina Harker (do livro "Drácula"), Dr. Jekyll ("O Médico e o Monstro") e Allan Quatermain ("As Minas do Rei Salomão"). Mas a adaptação para o cinema aproveita apenas umas duas ou três falas dos quadrinhos, o resto é tudo novo - e ruim. A vampira Mina perde o cargo de líder da Liga para Quatermain; afinal, aqui ele é interpretado por Sean Connery. O personagem também é mostrado como um aventureiro em plena forma física mesmo na velhice, enquanto nos quadrinhos era um trapo viciado em ópio! Para piorar, o roteirista Robinson meteu no balaio outros dois personagens que não estavam na minissérie de Moore e O'Neill, o imortal Dorian Gray e o aventureiro norte-americano Tom Sawyer. O resultado é abaixo da crítica: fiquei tão revoltado com os excessos do filme (na verdade um videogame fuleiro) que comecei a usar a tecla FF a partir da cena em que Sawyer dirige um carro conversível (resquícios de Batmóvel?) em alta velocidade pelas ruas da Veneza do século 19, enquanto edifícios feitos por computação gráfica desmoronam pelo caminho (!!!). E não espere ver o Homem Invisível ou Mr. Hyde (a "parte má" do dr. Jekyll) matando seus inimigos violentamente, como acontecia nos quadrinhos. Aqui o show é todo de Quatermain e Sawyer, e os outros personagens são apenas figurantes. Não por acaso, Connery e o diretor Norrington brigaram durante toda a filmagem, num trabalho tão estressante que ambos abandonaram o mundo do cinema desde então. Enfim, uma aula de como destruir um texto inteligente, mastigando-o para a geração MTV.




RESSACA DE AMOR (Forgetting Sarah Marshall, 2008, EUA. Dir: Nicholas Stoller)
O título nacional babaca para "Esquecendo Sarah Marshall" quase me fez desistir de ver esta surpreendentemente divertida comédia romântica, mais uma do time do produtor Judd Apatow - e, como as outras, repleta de humor grosseiro para adultos. Jason Segel (também roteirista) leva um fora da namorada, uma atriz famosa chamada Sarah Marshall (Kristel Bell). Sem conseguir se recuperar do baque, mesmo após transar com inúmeras garotas, ele resolve tirar umas férias no Havaí para esquecer a ex. Mas a tarefa será bastante difícil, já que Sarah e seu novo namorado, um roqueiro inglês lesado (Russell Brand), estão hospedados no mesmo hotel. Seguem-se as confusões e piadas eróticas de praxe, aqui com direito a farta exibição de genitais masculinos (!!!). O filme se estende demais, por quase duas horas (um defeito comum nas comédias produzidas por Apatow), mas consegue fugir do lugar-comum das comédias românticas contemporâneas. Um dos pontos altos é a discussão sobre a ruindade de um filme de horror estrelado por Sarah, sobre celulares assassinos (provavelmente uma citação ao remake "Uma Chamada Perdida"). Mas vale destacar também as cenas da série policial de TV que Sarah protagoniza ao lado de William Baldwin (!!!), com direito até aos bordões infames dos seriados policiais televisivos reais! Enfim, ideal para quem procura uma comédia romântica para assistir com a namorada, mas sem se privar do direito de rir de piadas infames e sexistas.




PARANÓIA (Disturbia, 2007, EUA. Dir: D.J. Caruso)
Bem legal este suspensezinho inofensivo voltado ao público jovem que eu acabei vendo numa madrugada insone via TV a cabo (e acredito que este seja o melhor jeito de ver um programinha simplório como este). Basicamente, é "Janela Indiscreta" para a Geração YouTube: o novo galã Shia LaBeouf (ô nomezinho...) é um garoto rebelde obrigado a cumprir prisão domiciliar após agredir um professor. Como ele está nos Estados Unidos, e não no Brasil, a coisa funciona: ele recebe uma tornozeleira digital que emite um alarme à polícia no caso de ele mal colocar o pé fora da área da sua casa. Sem poder escapar da condenação, ele se dedica a espionar os vizinhos, principalmente a gracinha interpretada por Sarah Roemer, que acabou de se mudar para a casa ao lado. O problema é quando ele começa a desconfiar que o vizinho da frente, um esquisitão interpretado pelo ótimo David Morse, é um serial killer. O elenco tem ainda a "Trinity" Carrie-Anne Moss em participação que não fede nem cheira, como a mãe do rapaz. Me lembrou inclusive uma variação do "A Hora do Espanto" (rapaz espiona vizinho, desconfia dele, o vizinho percebe que está sendo espionado e começa a invadir a vida do rapaz, e por aí vai). Mas, e isso realmente me surpreendeu, o filme é bem feitinho e consegue prender a atenção até o final. Pena que não tem coragem de ir além: na conclusão, alguns personagens que pareciam mortos reaparecem para o "final feliz" obrigatório nestas produções comercialóides.




PAGANDO BEM, QUE MAL TEM? (Zack and Miri Make a Porno, 2008, EUA. Dir: Kevin Smith)
Vendo os últimos filmes do eterno nerd Kevin Smith, quem diria que ele já foi considerado a salvação do cinema independente lá atrás, nos anos 90, ao fazer filmes simples e inteligentes como "O Balconista" e "Procura-se Amy"? Eu já tinha desistido do sujeito há algum tempo, especialmente desde os muito ruins "O Balconista 2" e "Menina dos Olhos", mas resolvi esquecer o título nacional horroroso e arriscar, já que o tema deste seu novo trabalho me pareceu interessante (casal de amigos fica sem grana para pagar o aluguel e resolve fazer um filme pornô amador), e a dupla de protagonistas valia a pena (com o engraçado Seth Rogen e a delícia Elizabeth Banks). O resultado acertou na trave: continua anos-luz distante das coisas boas que Smith já fez, continua tão besta quanto suas produções mais recentes (difícil entender que tipo de público ele anda mirando, se são os "adultescentes" de antigamente ou a garotada desmiolada de hoje), mas tem lá seus momentos. O melhor é a primeira parte, principalmente a sátira pornô de "Star Wars" (Star Whores), e também porque Smith não cai na burrada de fazer um filme sobre a indústria pornográfica sem mostrar nudez ou sexo (erro cometido por comédias patetas e inocentes como "Quase Ilegal" e "Um Show de Vizinha"). Entretanto, e isso é uma pena, o que começa como uma comédia sacana e safada bem legal desmorona a partir da metade, quando se transforma em comédia romântica, e o filme pornô é simplesmente esquecido. E a Elizabeth Banks NÃO aparece pelada, o que é extremamente deprimente! Para piorar, a tradução das legendas é ridícula, deixando de fora 80% dos palavrões e termos de baixo nível tão necessários numa história como essa. Resumindo: até vale uma espiada, mas não é nada memorável. Atenção para as pequenas participações da ex-musa pornô Traci Lords (agora uma baranga de dar medo), e do novo Superman, Brandon Routh, aqui em papel de homossexual!




O RETORNO DOS MALDITOS (The Hills Have Eyes 2, 2007, EUA. Dir: Martin Weisz)
Falaram tão mal desta continuação do remake de Alexandre Aja para o clássico de Wes Craven que nunca me animei a ver, até agora. Puro exagero: trata-se de uma típica continuação caça-níquel para o mercado de DVD, tão comum quanto outras tantas, mas longe de ser esta ruindade que comentaram - a continuação "original", dirigida por Wes Craven em 1985, é que é um lixão indefensável. O roteiro desta seqüência foi assinado por Craven com seu filho Jonathan, e mostra um pelotão da Guarda Civil em uma missão de resgate naquela mesma área do deserto do Novo México onde a família Carter foi atacada no primeiro filme. Claro que ainda há muito mutantes canibais por lá (embora misteriosamente nenhum deles tenha dado as caras no primeiro filme...), e os monstrengos tratarão de aniquilar os soldadinhos de chumbo um a um. Há bastante sangue e mortes (com direito a cabeça esmagada com pedra EM CLOSE, saco esmagado a marretadas e lâmina de baioneta enfiada na boca), mas sem um pingo da tensão e do suspense do original de Craven ou mesmo do remake do Aja. Culpa do diretor alemão Weisz, mais interessado no visual do que na história. Mas vale para uma Sessão da Tarde gore para doidos. Sem contar que é divertido ver soldados tão burros quanto a média das jovens vítimas de slasher movies. Dá até para traçar um paralelo com a ocupação norte-americano no Iraque: como lá, aqui também temos jovens soldados bem equipados, mas mal-preparados, tentando tomar posse de um território que não é deles e sofrendo a sangrenta retaliação dos habitantes locais. Quem disse que só o George Romero pode fazer crítica social? Divertidinho, e nada mais.




UMA VIAGEM MUITO LOUCA (Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay, 2008, EUA. Dir: Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg)
Este filme é seqüência de uma comédia boba que tinha lá seus momentos ("Harold e Kumar Go To White Castle", lançada no Brasil como "Madrugada Muito Louca", por isso o igualmente tenebroso título nacional desta continuação). Infelizmente, os roteiristas cometeram a burrada de pegar estes poucos bons momentos do original e repetir aqui, pensando que teria a mesma graça. Não tem. Isso sem contar que a trama é bisonha: a dupla de maconheiros Harold e Kumar pega um vôo para Amsterdã, mas um mal-entendido a bordo, envolvendo um bong, faz com que eles sejam acusados de terrorismo e enviados a Guantanamo Bay (!!!). Está no título original, mas a cadeia se resume a uma ceninha de cinco minutos: logo a dupla foge e atravessa os EUA, com o Serviço Secreto no seu encalço. Acontece de tudo um pouco: eles invadem uma reunião da Ku-Klux-Klan, quase transam várias vezes, fumam maconha com o presidente George Bush (!!!), mas nada disso tem a menor graça. O único momento divertido, como já acontecia no filme original, é a participação do ator Neil Patrick Harris interpretando ele mesmo, e fazendo uma curiosa auto-crítica (é representado como um astro de Hollywood viciado em drogas e sexo com prostitutas). O desfecho de sua aparição, de tão absurdo, é o ponto alto do filme. O resto é bobagem e não provoca nem sorrisos amarelos. E nem mesmo o festival de gostosas peladas ajuda. Está na hora de os roteiristas de comédias debilóides aprenderem que peidos e pessoas cagando, por si só, não têm graça nenhuma, pelo menos para as pessoas normais. Pior: segundo o IMDB, um terceiro filme com Harold e Kumar vem aí...




O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (The Curious Case of Benjamin Button, 2008, EUA. Dir: David Fincher)
Como é que um conto bem humorado e com meia dúzia de páginas escrito por F. Scott Fitzgerald se transforma num porre melodramático interminável com quase três horas de duração? Boa pergunta... Eu nem vou discutir aqui os aspectos técnicos do filme, a maquiagem perfeita e o talento de David Fincher como diretor, já demonstrado diversas vezes ao longo de uma carreira repleta de filmaços. Mas este "Benjamin Button" é muito chato, e falha principalmente por não conseguir tornar interessante o drama absurdo do personagem principal. Tudo bem, o Brad Pitt nasce velho e vai rejuvenescendo com o passar dos anos ao invés de envelhecer. Legal, interessante, mas a criatividade da situação se esgota depois dos primeiros 20 minutos, e ainda tem 140 pela frente! O maior problema é o roteiro de Eric Roth, que mais parece uma regurgitação do seu premiado trabalho anterior, "Forrest Gump" (são tantas semelhanças entre os dois filmes que nem vou perder meu tempo enumerando). E, estranhamente, os melhores momentos são justamente aqueles que não têm relação com a trama principal, como o velhinho que vive se lembrando de quantas vezes foi atingido por raios (eu ria alto a cada vez que os flashbacks mostravam o sujeito sendo atingido!), ou a história do relojoeiro que constrói um relógio cujos ponteiros andam para trás, na esperança de que o tempo volte e seu filho retorne vivo da Primeira Guerra Mundial. Já no caso da história sem graça do Benjamin Button - que, como Forrest Gump, participa sem querer de diversos fatos históricos -, a única parte realmente empolgante é a sua participação involuntária na Segunda Guerra Mundial. Mas quando a guerra acaba, e o ótimo personagem do Capitão Mike (interpretado por Jared Harris) some de cena, o filme se transforma numa xaropice interminável. Grande decepção que ainda estou tentando entender como ganhou tantas críticas positivas.




THE GIRLS REBEL FORCE OF COMPETITIVE SWIMMERS (Joshikyôei hanrangun, 2007, Japão. Dir: Kôji Kawano)
Mais um da série "O que será que tem na água que esses japas malucos bebem?". Rodada em vídeo digital, esta tosqueira bizarra bota no mesmo balaio extrema violência, tabus reprimidos, sacanagens das mais diversas, fetiches (japinhas vestidas como colegiais, japinhas tomando banho, japinhas de biquíni, lesbianismo entre japinhas), zumbis, vilões à la James Bond, raio laser saindo da perereca (!!!) e até uma super-assassina estilo Nikita. Como o filme tem apenas 78 minutos de duração, ou 1h18min, pouco ou nada deste tempo de projeção será utilizado para o desenvolvimento dos personagens. O que se sabe é que a bonitinha e tímida Aki (Sasa Handa) e a extrovertida Sayaka (Yuria Hidaka) se encontram num colégio, para onde a primeira foi transferida, bem no meio de uma invasão de zumbis. Sorte que elas são integrantes do time de natação do título, e o cloro da piscina garante imunidade ao vírus da zumbificação (!!!). Na verdade, é tudo uma grande bobagem, daquele tipo que não pode e nem deve ser levado a sério. Tudo, das interpretações (espere para ver as caretas dos atores que interpretam os zumbis...) aos efeitos especiais, é de segunda linha, o que às vezes até provoca alguma risadinha aqui e acolá pela produção miserável. Mas logo a piada perde a graça, pois lembra um filme amador, com imagem um pouco melhorzinha, gravado no quintal da casa de alguém. O que parece é que o diretor Kawano se perdeu por querer atirar para todos os lados, e acaba sem acertar em nenhum alvo: há gore, humor, bobagem e sacanagem em doses esparsas, mas não equilibradas, de maneira que o filme fica apenas vazio e muito chato, mesmo sendo curto.




NOSSO QUERIDO BOB (What About Bob?, 1991, EUA. Dir: Frank Oz)
Dos populares comediantes dos anos 80, Bill Murray talvez seja o único que mantenha uma carreira elogiável até hoje - já que Steve Martin, Eddie Murphy, James Belushi e Chevy Chase perderam a graça, John Belushi e Richard Pryor morreram e Dan Aykroyd hoje sobrevive de pontas em comédias sem graça, inclusive servindo de escada para o Adam Sandler! Portanto, sempre é bom redescobrir os filmes antigos do Murray, como esta pérola de humor negro chamada "Nosso Querido Bob", e que inacreditavelmente eu nunca havia visto. Ele interpreta um sujeito tão chato, mas tão chato, que faz aquele seu amigo mais xarope ou cunhado mais inconveniente parecerem anjinhos. É tudo que Jim Carrey tentou ser em "O Pentelho" e não conseguiu. O chatão chama-se Bob Wiley e é um paranóico e hipocondríaco cheio de manias, que transforma num inferno a vida de seu novo psiquiatra, o dr. Leo Marvin (Richard Dreyfuss, excelente). Desesperado por atenção médica, ele segue o doutor até o lago onde o psiquiatra está passando férias com a família. E, claro, transforma a vida do pobre homem num inferno - principalmente porque toda a família vê Bob como um sujeito simpático, menos, é claro, o psiquiatra, e o espectador! É aquele tipo de comédia em que as coisas só vão piorando, mesmo quando você pensa que o pior já aconteceu (excelente a maneira como Bob destrói a entrevista ao vivo que o psiquiatra está concedendo em rede nacional!!!). Humor negro de primeira, e realmente dá a maior pena do personagem de Dreyfuss.

46 comentários:

Allan Verissimo disse...

Comentários:

-Adorei Gran Torino,mas aquele jovem rapaz que ele tenta ajudar...bom, na primeira parte do filme, cheguei a pensar que ele era deficiente mental.Mas mesmo assim, concordo, é um filmaço;
-A LIGA EXTRAORDINARIA é um lixo mesmo, mas THE SPIRIT é bem pior;
-PARANÓIA é um bom filme, que prende a atenção graças as boas atuações. Se bem que aquele final feliz froçado foi horrivel;
-No final de VIAGEM MALDITA,fica insinuado que há mais mutantes no deserto;
-O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON é impecavel nos aspectos artisticos.Porém,é uma verdadeira cópia de FORREST GUMP,porém sem o mesmo charme.Razoavel e só.

Leandro Caraça disse...

Ainda gosto do Jim Belushi. Não perco um eposódio do ACCORDING TO JIM.

Allan Verissimo disse...

O Felipe esqueceu de citar o Paul Reubens.Eddie Murphy só está fazendo porcaris de uns tempos para cá, mas o Inspetor Closeau do Steve Martin até que é divertido.

Ronald Perrone disse...

Eu não consegui ver o Dia dos Namorados Macabros em 3D... humpf! Mas deu pra divertir. Paranóia que eu não vi graça alguma e Benjamin Button eu não achei tão chato assim... =)

Gran Torino é um dos melhores do ano sem duvida!!! só não entra na minha lista DESTE ano porque já entrou na do ano passado...

O restante ainda não vi...

Bruno ´Dolman´ disse...

Eu já achei Dia Dos Namorados bem melhor que Sexta-feira 13. Tirando uns furos horrendos e algumas mortes mal filmadas eu achei bem superior. Foi no Sexta Feira que achei que não tinha nenhum suspense. E Tom Atkins pode apontar uma arma pra minha cara em 3D quando quiser! hahaha


Van Helsing e A Liga Extraordinária são dois de meus guilty pleasures favoritos. :P

Thaís - MissLexotan6mg disse...

Adorei as dicas!
Já assisti a maioria deles, mas mesmo assim, já tenho uma ótima referência para os que eu não vi.

Allan Verissimo disse...

Dos filmes do David Fincher que eu assisti até o momento, achei ALIEN 3 muito ruim, SEVEN já pode ser considerado um clássico, CLUBE DA LUTA é o meu filme predileto dele, achei O QUARTO DO PÂNICO um filme divertido e O CURIOSO CASO DE BEJAMIN BUTTON apenas razoavel.
VIDAS EM JOGO e ZODIACO eu ainda não vi.Alguém pode me dizer se são bons?

Ibertson Medeiros disse...

Vidas em Jogo eu achei um filmão, assim como Zodíaco.
Fiquei interessado em assistir esse What about Bob. Ressaca de Amor é muito bom, assim como Gran Torino.
Paranóia é assistível e Benjamin Button eu gostei também, mas não tanto como esperava.

Kurt Breichen disse...

A crítica do Guerra e os comentários me convenceram definitivamente a NÃO assistir ao Benjamin Button. Todos os receios que me levaram a resistir a ver o filme até agora (apesar de um monte gente estar babando e insistindo que o filme é "imperdível") parece que procedem: não passa de uma versão recauchutada do Forrest Gump, tecnicamente perfeita, mas com uma história desinteressante.
Quanto à Liga Extraordinária, é um caso clássico de filme com potencial que foi esculhambado pela inteferência do estúdio (tipo o Constantine), querendo deixar a história mais "acessível". O que mais me deixou puto quando vi esse filme é que os gibis são muito fáceis de se adaptar para o cinema. Acho que os dois primeiros volumes são as obras mais acessíveis de Alan Moore. Basicamente, bastava eles usarem os gibis como storyboards (tipo o Robert Rodriguez fez com Sin City) e pronto. Um elenco e um diretor decentes eles já tinham. Tem algumas exceções , claro, tipo o Hyde currando o Homem Invisível, (cena que que me fez morrer de rir, mas nem todo mundo tem meu senso de humor), mas, caso a FOX fizesse questão de deixar o filme PG-13, dava pra eliminar esses detalhes mais pesados e ainda assim fazer um filme muito bom e fiel à fonte. Eles, contudo, preferiram partir da premissa de que o público era retardado e fizeram um roteiro debilóide compatível com essa visão. Daí, "o público americano não vai assistir se só tiver estrangeiro" + "o público jovem não vai assistir se só tiver adulto no filme" = "vamos botar o Tom Sawyer pós-adolescente na história e focar o filme nele e no Quatermain. Daí, se o Connery cobrar demais pra participar da continuação, a gente coloca o Tom Sawyer pra ser o personagem principal. Ninguém gosta de herói velho mesmo.". Ou veja a Mina Harker. Ela não é vampira nos gibis e o final do livro "Drácula" deixa bem claro que ela NÃO virou e nem vai virar vampira. Na verdade, no gibi, ela é a lider da Liga em razão da inteligência e da capacidade de articulação que demonstrou em "Drácula", ajudando a traçar o plano que resulta na morte do vampiro. Raciocínio de quem escreveu o roteiro: "Tá certo que essa tal de Mina ajudou a arquitetar a morte do Drácula, mas isso é besteira, porque quem matou ele mesmo foram os caras. Melhor mesmo era se a gente botasse o Van Helsing no lugar dela. Aí ia ficar filé. Não, não, já tem macho demais nessa história. Já sei, ela tava em Drácula, Drácula era um vampiro, então vamos colocar que ela é uma vampira. Esse é o super-poder dela: ela consegue voar e comandar morcegos e um monte de coisa que vai dar pra fazer uns efeitos especiais massa. Bicho, esse filme vai ficar bom demais. Talvez fique até melhor que o Godzilla do Emmerich! Caramba, tive mais uma idéia: a gente pode até colocar a Liga Extraordinária pra enfrentar o Godzilla na continuação." O mais irônico nessa história toda é que "Watchmen", que todo mundo dizia que era infilmável (inclusive eu, que sempre achei que ia ficar um filme bem porcaria e, como o Guerra, sempre torci para que nunca chegasse a ser adaptado) acabou se tornando uma das adaptações de gibis (detesto esse negócio de "graphic novel", parece coisa de gente pedante que não gosta de admitir que lê história em quadrinhos) mais fiéis ao original, e LE, que eu sempre achei uma das obras mais mainstream de Moore, virou esse sanduíche de merda.
E "Nosso Querido Bob" realmente é uma pérola. Faz uns dez anos que eu assisti e só agora lembrei como aquele filme é hilariante. Ele saiu em DVD aqui no Brasil?

Allan Verissimo disse...

Sem falar que o Tom Sawyer é chato pra caramba, parece o Jar Jar Binks.E ainda por cima em 1899 ele já deveria estar idoso,não é?
O Homem Invisivel e o MR.Hyde são bonzinhos demais,e o unico personagem interessante foi o Dorian Gray.

Leandro Caraça disse...

Me convenci de uma vez por todas que esse negócio de filmar um gibi quadrinho por quadrinho não dá certo.

Felipe M. Guerra disse...

QUADRINHOS E CINEMA - Esta adaptação literal quadrinho a quadrinho é uma discussão tão polêmica quanto as refilmagens quadro a quadro de "Psicose" a "Viagem Maldita". Pessoalmente, eu acho que se é para adaptar um quadrinho para o cinema, a primeira regra é RESPEITO pelo material. Os Batmans do Tim Burton e o último do Christopher Nolan (não gosto do "Begins") são bem legais porque o estilo compensa a pouca fidelidade com os quadrinhos. O que eu fico puto é esses diretores de merda que põem suas mãos num material rico como "A Liga Extraordinária" e "Do Inferno" e não conseguem fazer uma coisa razoavelmente interessante a partir dele. Eu não acho que seja preciso filmar quadrinho a quadrinho, tipo o Snyder fez com "Watchmen" ou o Rodriguez com "Sin City", mas implodir um gibi legal num filme de merda é imperdoável - até porque o negócio teoricamente está pronto para filmar, dá até para seguir os quadrinhos comos storyboard, tipo fizeram Snyder e Rodriguez!

BENJAMIN BUTTON - Kurt, acho melhor você ver o filme e tirar suas próprias conclusões, porque até agora penso que fui o único a falar mal do filme do David Fincher. Estava até esperando comentários revoltosos em represália, mas felizmente os bem-educados visitantes do FILMES PARA DOIDOS preferem apenas discordar dizendo que gostaram de ver o Brad Pitt rejuvenescendo durante três horas. Na dúvida, sugiro que você leia a opinião de alguém que gostou muito do filme e faça uma média! hehehehe.

Kurt Breichen disse...

Allan, eu nem tinha atentado para esse detalhe, mas tem razão. Mais uma bobagem na conta do filme: o Sawyer, na verdade, devia ser mais velho que o Quatermain. E o personagem é mesmo muito xarope. Mas eu tenho certeza que quem escreveu os diálogos do cara achou que ele ia ser "cool" demais. É o que acontece quando algum roteirista ou executivo de meia-idade tenta se sair com um personagem "engraçado" para "fazer sucesso com a garotada" (parece que a intenção do Lucas com o Jar Jar "vou te fazer ter inveja dos surdos" Binks foi a mesma): eles acabam inventando um personagem tão irritante, tão artificial, tão sem graça que, se pisasse numa sala de aula de ensino médio, ia ser vaiado ou levar porrada dos alunos logo que soltasse sua primeira pérola humorística. O caso mais clássico disso é a "juventude rebelde" de "Drácula AD 1972" (com a diferença que, neste filme, os "jovens" são tão artificiais que acabam tornando a história hilariante). O Hyde virou só uma versão tosca do Hulk. Dorian Gray foi uma das poucas mudanças que poderiam ter tornado a história mais interessante (eu gostei da interpretação de Stuart Townsend e o "caráter" do personagem realmente foi fiel à sua origem literária), mas fiquei com a sensação de que a idéia por trás dele era: "o problema dessa história é que os personagens não tem muitos superpoderes. Vamos botar um Wolverine pra animar". Minha maior bronca com a LE é essa: mesmo quando há uma cena ou personagem interessante, você fica sempre com a sensação de que quem fez o filme estava subestimando sua inteligência.
Caraça, eu discordo. Em minha opinião, deu certo em Sin City e em Watchmen. Acho que o problema com Watchmen é que a necessidade de deixar o filme com uma duração inferior a três horas deixou o ritmo meio truncado e condensou muita exposição - se você não conhece a HQ e não prestar 100% de atenção, vários detalhes da história correm o risco de passar despercebidos. Eu já tinha lido a HQ várias vezes e adorei o filme, mas minha esposa, que nunca leu o gibi na vida, precisou ver o filme duas vezes para entender bem a história. A reação inicial dela foi "gostei, mas não entendi um monte de coisa". E eu nem atribuo a culpa disso ao Snyder, mas à mentalidade que o pessoal tem em Hollywood de que "filme longo demais não dá dinheiro" (apesar da maior bilheteria da história ser um filme com mais de três horas). Acho que essas falhas vão ser corrigidas quando sair o "Director's Cut".
O cerne da questão, na verdade, é o que o Guerra falou: não há necessidade de fazer uma adaptação literal da história, nem tratar o gibi como se fosse a Bíblia (para quem dá valor à Bíblia, claro; eu não teria o melhor problema em ver um filme bíblico com Moisés lutando wire-fu com os egípcios), desde que se respeite o material de origem. O "Dark Knight" de Nolan é o melhor exemplo disso: ele alterou uma porrada de coisas (o Coringa, a origem do Duas-Caras), mas as alterações tiveram o efeito de enriquecer a história. É um filme que não é fiel à letra, mas é totalmente fiel ao espírito dos gibis e chega até a aperfeiçoar a história e torná-la mais plausível. A título de exemplo, eu reli o "Long Halloween" depois que vi o Cavaleiro das Trevas e, francamente, fiquei com a sensação de que a origem do Duas-Caras no filme de Nolan foi muito mais convincente.
Guerra, meu problema com o Benjamin Button é que, na verdade, eu sempre achei a premissa do filme meio desinteressante e nunca tive interesse em assistir. Não li o conto de Fitzgerald, mas a premissa sempre me pareceu interessante para um conto ou um filme curta-metragem, não para um "épico" de quase três horas. Só cogitei porque tinha muita gente babando pelo filme. Minha reação sempre foi "Tá certo, o cara envelhece ao contrário, mas e daí?" Fã do filme: "Ele testemunha vários episódios importantes da história americana e tem uma história de amor e blábláblá". Eu: "Sei, tipo o Forrest Gump, que eu também nunca achei muito bom, mas todo mundo achou fascinante e eu acabei assistindo, não gostando e ficando com a sensação de que perdi meu tempo. Não estou motivado a ver o filme". Como minha opiniões sobre filmes geralmente costumam coincidir com as suas, sua crítica, mais os comentários do pessoal, só confirmaram o que eu já estava esperando. Foi, como dizem os americanos, "the final nail in the coffin".

Allan Verissimo disse...

Os dois BATMAN do Tim Burton e os dois do Christopher Nolan trazem muitas mudanças,mas que nem o Felipe falou,eles são bons porque respeitam o material original,ao contrário daquele imbecil do Joel Schumaccer.
Não vi DO INFERNO,só algumas cenas,mas a atuação do Johnny Deep é boa,pelo menos?Quais são os problemas desse filme?
Felipe,o senhor não gostou do BEGINS pelo fato de não ter ação?
E acredite,o senhor não é o unico que não gostou de BENJAMIN BUTTON.Os dois criticos nacionais famosos que o senhor detesta também não gostaram do filme,acredite se quiser.

Allan Verissimo disse...

E a respeito de A LIGA EXTRAORDINARIA,há de se dizer também:o negócio do idoso Allan Quartemain conseguir derrotar inumeros jovens que tem idade para ser netos deles;as cenas de ação são horriveis e os efeitos visuais pavorosos.

Kurt Breichen disse...

Allan, acho que o maior problema de "Do Inferno" é que o título não devia ser "Do Inferno".
Francamente, se você analisar o filme apenas como uma história de suspense/terror baseada nos crimes de Jack, o Estripador, trata-se de um longa acima da média. O roteiro é bem amarrado, as motivações dos personagens são plausíveis, as interpretações variam do razoável ao excelente (Heather Graham como uma prostituta irlandesa na Londres vitoriana é meio difícil de engolir, mas nada que comprometa irremediavelmente o filme; por outro lado, gostei muito das interpretações do Depp e, especialmente, de Robbie Coltrane e Ian Holm), a fotografia é excelente e a cenografia idem, o gore é considerável e (uma das coisas que eu mais gostei) o filme não tenta adocicar a história forçando um final feliz onde não tinha cabimento. Vá lá que aquela versão sobre a identidade de Jack não é das mais originais (é uma teoria que surgiu, se a memória não me falha, na década de 50) e já serviu de base para "Assassinato por Decreto".
Agora, se você analisar o filme como uma adaptação da HQ... Porra, a maior parte do gibi é contada sob o ponto de vista de Jack, o Estripador. Grande parte da HQ se ocupa com o que se passava na cabeça do assassino, cuja identidade é revelada logo no começo. Pode-se até dizer que o protagonista da história é o assassino. É por isso que Alan Moore, nas notas no final do gibi, diz, basicamente, que é irrelevante se aquela "teoria" sobre a identidade de Jack, o Estripador corresponde ou não à realidade: porque era irrelevante, já que ele não estava querendo fazer uma história de suspense. Logo no prólogo da HQ, o personagem que, supostamente, tinha "visões" (Robert Lees, que foi fundido com o personagem de Aberline no filme) revela que era um charlatão; o filme, por outro lado, passa boa parte do tempo explorando a "clarividência" de Aberline. É por isso que todo mundo que conhece a HQ detesta o filme: qual é o propósito de fazer uma adaptação de "Do Inferno" se você vai ignorar todo o ponto de partida do gibi? Colocasse outro título no filme e pronto, problema resolvido. Não ia haver nem complicação com direitos autorais, porque quase todos os personagens são históricos.
Então, se você não leu o gibi, provavelmente vai gostar do filme. Mas se leu, certamente vai ter raiva. Diferente da "Liga Extraordinária" ou de "Constantine", que, em minha opinião, são uma bosta sob qualquer perspectiva.

Felipe M. Guerra disse...

O filme "Do Inferno" deve adaptar uns 5% dos quadrinhos escritos por Moore, e olhe lá! Já o "Constantine", apesar de toda a lambança que fizeram, eu confesso que até gostei. Claro, o filme devia ter outro nome, pois do Constantine dos quadrinhos ele não tem quase nada, mas gostei que eles mantiveram aquelas discussões sobre Deus e o diabo da HQ original escrita por Garth Ennis, e vamos combinar que é preciso ser macho para manter a essência daquela história num blockbuster hollywoodiano.

Enfim, eu acho que essa discussão de quadrinhos no cinema dá muito pano pra manga, então podem discutir à vontade, porque eu só vou atualizar o blog segunda-feira.

Agora, gostaria de dar um pitaco: se é para fazer filme baseado em quadrinhos filmando quadro a quadro da história, estilo Snyder e Rodriguez, então faz desenho animado, porra. Ou nem faz. Qual é o objetivo?????

Ronald Perrone disse...

O objetivo é a pura e simples ganância desses executivos do cinema, vontade e ganhar dinheiro se aproveitando da popularidade desse tipo de material... é a maior razão que eu consigo enxergar.

Kurt Breichen disse...

Guerra, repare que eu só disse que acho que a adaptação quadro a quadro pode funcionar, não que é a única forma válida de adaptar HQ. Eu gostei muito de "V de Vingança", por exemplo, que é bem diferente do original. O filme "30 Dias de Noite", em minha opinião, é muito superior à HQ. Dito isto, discordo de você quanto à inexistência de propósito quando a adaptação é feita "quadro a quadro". Mesmo nesses casos, ela nunca fica idêntica ao original, nem perde a razão de ser, porque se trata apenas de uma interpretação da obra, no caso, a interpretação do roteirista, do diretor, dos atores, etc. Até a transição de uma cena para outra, de um quadro para outro, nas adaptações HQ-Cinema no estilo Snyder ou Rodriguez, são interpretações do original. Às vezes a interpretação coincide com a que você fez quando leu o original, às vezes não; quando não coincide, às vezes você pode considerar completamente idiota e, às vezes, você pode pensar "ficou bem melhor do que eu imaginei quando li original". Seja como for, a criatividade (ou falta de criatividade, dependendo do caso) de quem adaptou a obra sempre vai contribuir para resultar em algo distinto da experiência de ler o original. Isso ocorreria mesmo se, ao invés de fazer um filme, fizessem um desenho animado. A única maneira de o resultado ficar idêntico ao original é com algo como o DVD de "motion comics" de Watchmen, que lançaram antes de sair o filme (é basicamente uma versão digital do gibi, com a câmera passando de quadro a quadro e um cara lendo o texto; vá entender por que diabo alguém compraria isso, mas tem gosto pra tudo). E ainda assim, não fica idêntico (porque eu tenho certeza que a voz do narrador não corresponde à voz que se passa na cabeça do leitor quando ele está lendo o gibi). E acho que isso se aplica a qualquer adaptação, não só à adaptação HQ-Cinema. Se não fosse assim, o Uwe Boll poderia ter dirigido "O Bebê de Rosemary" e obtido o mesmo resultado, porque o roteiro é praticamente idêntico ao livro.
Quanto ao Constantine, eu até entendi as mudanças que fizeram para deixar o personagem mais "mainstream". Não gostei, mas achei compreensível. Como você disse, é preciso ter muito culhão para fazer uma adaptação fiel ao gibis, que realmente têm potencial para ofender a sensibilidade de 90% do público ou mais. Permanece a mesma bronca que eu tive quanto a "Do Inferno": já que acham o material original muito pesado, por que fazer um filme? E é um daqueles casos em que nem a ganância de executivos é um motivo lógico, pois a maior parte do "grande público" nunca nem ouviu falar em Hellblazer ou John Constantine. Por que não mudam logo o nome do personagem e pronto? Mas, enfim, a primeira vez que eu vi o filme, minha reação foi mais ou menos como a sua: "Ok, não tem praticamente porra nenhuma a ver com Hellblazer, mas até que, considerado individualmente, ficou legal". O problema é que, analisando melhor, todo o roteiro daquele filme é debilóide e superficial, permeado por aquela sensibilidade hippie/new age que Hollywood tenta vender como "espiritualidade". Teologicamente retardado, eu diria. Tudo bem, Constantine acredita no Deus cristão e mata demônios para serví-lo. Por que? Porque ele tentou se matar quando era criança e a única maneira de expiar esse "terrível pecado" e não ir pro inferno quando morrer é apagando demônios em nome de Jesus. Faz sentido, certo? Porcaria nenhuma. Qualquer criança que fez catecismo sabe disso. Pela lógica católica, bastava ele aceitar Jesus, ir se confessar, rezar o Pai-Nosso tantas vezes e pronto, tudo resolvido. Pela lógica protestante, bastava ele "aceitar Jesus como seu salvador e pedir perdão pelos seus pecados" e pronto, problema resolvido. O método que ele escolhe para se livrar do inferno, contudo, não faria efeito sob nenhuma perspectiva cristã - ele deixa bem claro, o filme todo, que acha Deus um escroto, então ele podia passar mil anos caçando demônios que não faria diferença. E o que eu acho mais cômico é que o próprio roteirista, em algum momento, percebeu isso. Se eu não me engano, tem um trecho no filme em que o anjo Gabriel fala basicamente isso a Constantine: que não dá pra ele "comprar" uma entrada pro céu. E como é que isso se resolve no final do filme? (SPOILERS, pra quem nunca viu o filme) Ele faz um acerto com Lúcifer para a alma da irmã da personagem de Rachel Weisz ir pro céu e ele ir pro inferno. E aí ele é perdoado por Deus, porque finalmente ficou demonstrado que Constantine é um cara altruísta e decente. É uma conclusão linda e edificante. E imbecil. Em que religião o Diabo pode mandar quem está no inferno para o céu? E, mesmo que fosse o caso, ainda assim Constantine iria pro inferno, pois ele não mudou a opinião dele sobre Deus. Isso é um daqueles negócios que Hollywood nunca assimila: no cristianismo, a coisa mais importante é a fé em Jesus. Você pode ser o cara mais legal do mundo que, se não tiver fé nem aceitar Cristo, vai pro inferno. Pode até parecer injusto (e, em minha opinião, é), mas não fui eu quem inventei essa religião idiota. E é por isso que eu detesto o filme. As cenas de ação são boas, os efeitos digitais são bem feitos, as interpretações são decentes (até o Keanu, pois o papel, da maneira com ficou no roteiro, realmente não exige muito do ator), mas o roteiro é, essencialmente, idiota. Já que a idéia era suavizar o personagem, descartar toda a mitologia dos gibis e colocar Constantine num universo cristão, que pelo menos fizessem isso com um mínimo de inteligência. Ou não colocassem num universo cristão. Colocassem o personagem num universo Kardecista, Hindu, Taoísta ou sei lá, desde que o fizessem com coerência. Mas essa baboseira de hippie? Como diria Eric Cartman, GAWDDAMMIT!

Allan Verissimo disse...

É legal que quando o assunto é sobre adaptação de história em quadrinhos,a gente pode colocar cinquenta comentários,mas mesmo assim,sempre há muito mais do que falar sobre o assunto.

Leandro Caraça disse...

Os dois Batman do Tim Burton funcionam perfeitamente dentro do universo do diretor. Aquilo é um mix do Batman dos anos 30, mais os filmes clássicos de horror da Universal e de gangsters. Só que em 1989 eu queria era ver uma coisa como CAVALEIRO DAS TREVAS do Nolan. Acho que na ocasião eu ficaria até mais feliz de visse um Coringa com a boca rasgada e maquiado do que o gordo do Jack Nicholson imitando Cesar Romero.

Pra mim o pior Batman é o primeiro que o Schumacher fez. Ô negócio mais chato ! Mas eu gosto sim de BATMAN E ROBIN. Vocês podem chiar e reclamar que não gostam , que é ruim. Mas é extremamente FIEL ao Batman dos anos 50 (HQ), do seriado do 60 e ao do desenho animado dos anos 70. Não vou dizer que é o meu Batman favorito - esse seria o Batman do Denny O'Neil e Neal Adam - mas também não vou jogar pedra só por causa disso. Eu também não gosto de ver um Batman usando armadura e me dei bem com o último do Nolan. Aliás, se CAVALEIRO DAS TREVAS não é perfeito, não é por causa do texto (finalmente um filme com cara de gibi do Batman) mas sim porque o diretor meteu os pés pelas mãos em várias cenas.

>então faz desenho animado, porra.

A melhor adaptação de uma obra do Alan Moore é a versão animada de "Para o Homem que Tem de Tudo" que apareceu na série LIGA DA JUSTIÇA SEM LIMITES.

Matheus Ferraz disse...

Estou com medo do filme do Dylan Dog, que é um personagem que eu realmente IDOLATRO. O filme já começou a feder, e acho que vou só fingir que ele não existe.

Eu realmente perdi a maior parte das esperanças com filmes de quadrinhos depois de ver o Spirit. Pior que conheço um cara que adorou. O mesmo que disse que 300 era o melhor filme de 2007. E ele amou Watchmen. Por isso, seguindo a lógica aristotélica, não animei a ver o filme do visionário até hoje.

deschampsfla disse...

Já tô baixando GRAN TORINO depois de tantos comentários empolgados por parte de tantas pessoas. Adoro personagens mal humorados, ainda mais sendo interpretado pelo Clint...
Já DIA DOS NAMORADOS MACABROS remake, ainda não vi pq nessa cidade ridícula ainda não tem cinema que passe filmes em 3D. E um filme cujo original já não era lá grande coisa, perder tempo com remake sem o diferencial, não dá...

Bruno C. disse...

>>>A melhor adaptação de uma obra do Alan Moore é a versão animada de "Para o Homem que Tem de Tudo" que apareceu na série LIGA DA JUSTIÇA SEM LIMITES.

Acho que eu vi! É uma em que o Mogul coloca tipo um alien no peito do Super? Eu não li a HQ... :)

Não é difícil adaptar. Os desenhos animados da Warner/DC estão aí pra provar.

Felipe M. Guerra disse...

>então faz desenho animado, porra.

Outro belo exemplo é o AKIRA, que agora um bando de manés está tentando transformar em filme "live-action". Mas por que, se já tem uma adaptação em desenho que é simplesmente perfeita????

E meu sonho é um dia ver o Cavaleiro das Trevas do Miller em desenho animado também, porque se virar filme vão transformar em bobagem.

Kurt Breichen disse...

Akira live-action? PQP! Parece que alguém conseguiu ter uma idéia mais imbecil do que refilmar "Suspiria"...

E O "Cavaleiro das Trevas" de Miller realmente é um negócio que eu também não consigo imaginar em live-action. Mesmo quando saiu um boato, há uns dez anos, que iam fazer uma adaptação dirigida por John Woo e com Clint Eastwood... ainda assim acho que ficaria ridículo. Já em desenho animado, tem potencial para ficar massa. Com a mesma equipe que fez "Mask of the Phantasm"...

Kurt Breichen disse...

Caraça, podes dar um exemplo de cenas do "Cavaleiro das Trevas" em que o Nolan, em sua opinião, meteu os pés pelas mãos? Só curiosidade. De cabeça, não me ocorre nenhuma, mas, às vezes, quando eu me empolgo positivamente com um filme, meu senso crítico fica comprometido.

Bruno C. Martino disse...

"E meu sonho é um dia ver o Cavaleiro das Trevas do Miller em desenho animado também, porque se virar filme vão transformar em bobagem."

"O VISONÁRIO" já tá de olho numa versão live-action. :(

Allan Verissimo disse...

Será que ele vai estragar a propria obra-prima que criou?Se for no mesmo estilo de THE SPIRIT,pode vir uma porcaria pior do que BATMAN E ROBIN!

Allan Verissimo disse...

Ah,perdão,você está se referindo ao Zack Snyder?Pensei que se referia ao proprio Frank Miller.

Kurt Breichen disse...

Ele está falando do Snyder, mas eu li em algum lugar (não sei se foi na IMDB ou no AICN) que o próprio Frank Miller fez uma declaração na linha de "Zack, se quiser adaptar 'The Dark Knight Returns', pode contar com minha benção."

Felipe M. Guerra disse...

Não sei o que o Caraça vai responder, mas vou dar a minha opinião sobre o filme do Batman: a primeira vez que você vê é uma maravilha, mas a partir da segunda você começa a reparar em problemas que não viu antes. Eu achei, por exemplo, que o filme é longo demais, meio que desperdiça o Duas Caras e mostra um excesso de "planos mirabolantes" do Coringa.

Aquela parte final das duas balsas e dos reféns presos no prédio, por exemplo, eu acho que está sobrando, bem como o "matem o Fulano senão vou explodir um hospital". Pô, é um excesso de situações envolvendo o Coringa, a história perfeitamente já tinha dado tudo que precisava dar até então, por que não pensaram em um único grande plano do Coringa (transformar Dent em vilão) ao invés de tantos "micro-planos" soltos ao longo da história?

Também acho que deveriam ter deixado o desfecho do Duas Caras para um próximo filme, pois assim acabou parecendo "amostra grátis" do vilão. E com o excesso de situações envolvendo o Coringa, certos detalhes interessantes (como a vigilância "politicamente incorreta" que Bruce Wayne faz de Gotham City) acabaram meio no ar.

E o filme tem um furo que até agora acho que ninguém percebeu: o mafioso interpretado por Eric Roberts procura o comissário Gordon dizendo que vai entregar o Coringa à polícia naquela tarde, e esse detalhe é simplesmente esquecido pelo roteiro depois! Nem sei por que não cortaram isso na edição...

Já do "Batman Begins" eu não gostei porque a história é chata, os vilões são sub-aproveitados, as cenas de ação (nem dá para chamar assim) são patéticas e mal-filmadas, e o final "megalomaníaco" com explosão de meia Gotham parece mais desculpa para usar efeitos especiais do que situação dramática.

Leandro Caraça disse...

>Acho que eu vi! É uma em que o Mongul coloca tipo um alien no peito do Super? Eu não li a HQ... :)

A HQ tem, claro, um texto mais elaborado e com mais situações, além da presença do Robin. Mas o básico é aquilo lá. Só fico com um pé atrás porque as adaptações da Warner em desenho são censura livre.

>Mas por que, se já tem uma adaptação em desenho que é simplesmente perfeita????

Amigos, esse é um caso raro para ser estudado. Otomo fez várias alterações om relação a HQ. Personagens importantes tiveram sua partiipação reduzida, enquanto outros sumiram por completo. Ou seja, o cara não fez uma cópia quadro por quadro, por que sabia ser impossível manter o nível de apenas pegasse o mangá e o levasse para o anime.

>E meu sonho é um dia ver o Cavaleiro das Trevas do Miller em desenho animado também, porque se virar filme vão transformar em bobagem.

DISCORDO. O último filme do Nolan prova que isso é possível. Mas tem que ter um cara mais capacitado na direção. Se eu for pensar que a obra do Miller é impossível de se adaptar, então daqui a pouco não se vai adaptar mais nada para o cinema. Justo agora que eles começaram a acertar com HOMEM DE FERRO, THE DARK NIGHT e INCRÍVEL HULK ?

Leandro Caraça disse...

O que o Felipe disse a respeito de DARK KNIGHT eu assino embaixo. O texto era rico e muito complexo. Só que era areia demais para o caminhãozinho do Nolan. O cara não domina por completo a maneira certa de se narrar uma história. Imaginem o que aconteceria om ERA UMA VEZ NA AMÉRIA e PODEROSO CHEFÃO caso Sergio Leone ou Coppola fossem do nível do Nolan ? Ele também se embanana na montagem, na edição de uma cena para outra. Pelo menos ele ouviu os críticos e aprendeu como se dirige uma cena de ação. Por outro lado, continua errando na ena onde Gordon, Dent e Batman se encontram no telhado. Aquela merda de câmera rodando é coisa de clipeiro. Ou então o momento em que Dent tem seu rosto queimado. A cena é tão mal encenada e gratuita que árece que foi feita pela equipe que trabalha nas novelas da Globo.

Não deixa de ser um filme muito bom, mas que não me venham dizer que é o melhor do ano, que está no nível de FOGO CONTRA FOGO ou PODEROSO CHEFÃO. Brincadeira tem hora.

Allan Verissimo disse...

Felipe,depois da cena do mafioso conversando com o Gordon,chega até a aparecer a policia se preparando para ir ao lugar e citando o contador chines que é executado pelo Coringa no lugar,mas ai veio o Coringa com a trama da explosão do hospital e a policia teve que resolver isso primeiro antes de ir ao lugar.Pode alugar o dvd que vai ver que essa cena explica tudo.
E todas essas cenas sobrando que o senhor citou dá mais tensão ao filme.E o Duas Caras tem importancia na história,principalmente no final onde o Batman vira um fora da lei por causa disso.
E mesmo com esses defeitos que o senhor citou a minha opinião se mantém,com todo respeito ao senhor:primeiro,Heath Ledger é fantástico.Segundo,O CAVALEIRO DAS TREVAS foi o melhor filme do ano.Até mesmo o senhor o colocou na lista dos melhores do ano no orkut pelo que eu me lembro.

Allan Verissimo disse...

Mas no nivel de O PODEROSO CHEFÃO já é exagero.Já FOGO CONTRA FOGO infelizmente ainda não tive chance de ver.

Leandro Caraça disse...

Mesmo com seus defeitos, continua um ótimo filme. Um blockbuster de primeira, que convenhamos é um artigo meio raro de se ver. Para mim é junto de HOMEM DE FERRO e do primeiro SUPERMAN, a melhor adaptação de um gibi Marvel/DC.

Allan Verissimo disse...

Realmente,tanto a DC quanto a Marvel estão se redimindo das porcarias do passado como SUPERMAN 4,BATMAN E ROBIN,a versão de 2004 de O JUSTICEIRO e ELEKTRA.Afinal,só em 2008,apareceram três filmaços que o Caraça citou,que foram HOMEM DE FERRO,O INCRIVEL HULK e O CAVALEIRO DAS TREVAS.WATCHMEN ainda não vi,mas estou meio nervoso com o lançamento de WOLWERINE daqui a algumas semanas.Gostei do Hugh Jackman nos dois primeiros filmes(o terceiro ainda não vi),mas achei que ficou meio bonzinho demais se comparado com o Wolwerine nervosinho dos quadrinhos e das animações.

Kurt Breichen disse...

Concordo com o Allan quanto ao excesso de planos do Coringa. Nunca fiquei com a impressão de que o filme estava enchendo linguiça ou se estendendo além do necessário: todas as tramas mirabolantes do palhaço, em minha opinião, surgiram de forma orgânica, contribuindo para criar uma atmosfera de desespero e caos crescente, culminando com o "mas quem tentar sair pelas pontes e túneis vai ter uma surpresa. Ha. Ha. Ha." e a situação das duas barcas.

Aquela cena do Marone falando ao Gordon que "isso foi longe demais; vou dedurar o Coringa" realmente não tem pé nem cabeça. Eu percebi, mas é uma daquelas coisas que não me incomodam muito. Foi só um caso de inépcia na edição que dá pra relevar.

Quanto ao Duas Caras... Embora a morte do personagem no final do filme realmente deixe a sensação de que foi mais um vilão subaproveitado, não imagino como seria possível concluir a história de forma satisfatória sem aquele desfecho, que considero perfeito. Caraça, no que tange à crítica de que a cena em que o Dent queima o rosto ficou muito mal encenada, gostaria que você explicasse melhor por que achou isso. Da maneira como você colocou, a única coisa que eu posso dizer é: "Não achei. O cara lambuzou metade do rosto de combustível, o prédio explodiu e o rosto pegou fogo. Faz sentido."

E aquela baboseira de câmera girando realmente já encheu o saco. Parece coisa de filme de Michael Bay. Toda vez que algum diretor faz aquilo, fico achando que vai aparecer uma bandeira americana ao vento e um soldado orgulhoso batendo continência.

De qualquer forma, colocar o filme no mesmo patamar que "O Poderoso Chefão" é o tipo de hipérbole que nem dá pra levar a sério. Considero "Dark Knight" excelente, pois os defeitos do filme são, em minha opinião, desprezíveis quando comparados com as virtudes; "O Poderoso Chefão" é um daqueles casos raros em que não dá pra encontrar nem um defeito, por mais insignificante que seja, e que ainda é tremendamente superior à obra em que se baseou.

Coloco, entretanto, o filme no mesmo patamar de "Heat". Este é, também, excelente, dirigido com muito mais perícia, mas tem uma incoerência no roteiro que acho muito mais difícil de engolir que qualquer dos defeitos já mencionados em "Dark Knight": como é que um criminoso profissional do calibre de Neil McCauley vai fazer um assalto com um imbecil psicótico como o Waingro? Fica implícito que ele aceitou o cara na quadrilha só com base em referências de terceiros e só o conheceu na hora de realizar a assalto, no início do filme. É um detalhe essencial ao desenrolar da trama e destoa completamente da astúcia demonstrada pelo personagem no resto do filme.

Quanto ao "Begins", até hoje não entendi por que todo mundo diz que as cenas de ação do filme são mal dirigidas. A única cena de ação que eu achei difícil de acompanhar foi a primeira aparição do Batman, no cais, quando o Falcone vai ver o motivo do barulho, se depara com seus capangas levando porrada e mal dá pra ver o que está acontecendo. E não acho que seja difícil de acompanhar porque foi mal dirigida. É difícil de acompanhar pois ela é vista sob a perspectiva dos bandidos que estavam sendo atacados e explica porque, depois daquilo, o Batman vira uma espécie de "bicho-papão" para o submundo de Gotham. É fortemente inspirada por aquele trecho do "Year One" em que o Flass, tenta explicar como foi atacado pelo Batman quando estava "efetuando uma prisão" no cais e acaba virando motivo de chacota, porque insiste que quem realizou o ataque "não podia ser humano".

Quanto ao plano de destruir Gotham... olha, em momento algum achei que aquilo foi uma desculpa que saiu do nada para mostrar explosões e efeitos especiais. No final do treinamento de Bruce Wayne, logo antes do quebra-pau entre ele e a "Liga das Sombras", o Ra's Al Ghul fajuto afirma claramente que planeja destruir Gotham. É indiscutível que o fundamento de tal plano é imbecil e só faz sentido na cabeça dele (é mais ou menos como o Figueiredo dizendo que a solução para o problema da favelização é bombardear as favelas), mas o sujeito é um fanático.

Meu maior problema com "Batman Begins" é a personagem de Rachel Dawes, que é TOTALMENTE desnecessária, foi incluída só por causa da fixação hollywoodiana de colocar um "interesse romântico" em qualquer história e ainda é interpretada por Katie Holmes, que não convence nem como estagiária de direito, quanto mais como promotora. Sinceramente, se aquela menina fosse feia, morria de fome. A personagem só se torna tolerável depois que você assiste à sequência, onde ela é interpretada por uma atriz muito mais convincente e realmente tem relevância para a história.

Allan, vi o workprint do "Wolverine" e achei a história medíocre pra caramba. Gostei do Liev Schrieber como o Dente-de-Sabre e a sequência de abertura do filme ficou muito boa, mas, fora isso... só um bando de explosões, clichês e cenas de ação manjadas. É aquele tipo filme que tinha potencial para ser muito bom, mas acabou na categoria de "dá pra assistir, na falta de coisa melhor".

Bruno C. disse...

"E o Duas Caras tem importancia na história,principalmente no final onde o Batman vira um fora da lei por causa disso."

Eu achei essa sacada fantástica ("ele matou o melhor de nós"), mas pô, tinham que usar o Duas-Caras? Não adianta adoro o Duas-Caras desde que vi a origem dele no desenho do Batman nos anos 90! E aqui desperdiçam ele.

Esse filme do Wolverine nem faço questão de ver. Nem entendo porque os fãs de X-Men babam tanto pelo Gambit que é chato pra dedéu e execram o Ciclope que é um dos mais legais.

Artur disse...

A liga extraordinaria não é um filme ruim, mas também não engoli o carro e os rôbos no filme, Gran Torino pretendo assisstir esse ano, o resto não vi e acho que não vou ver mas no no filme do Benjamim Button dei risada nesta parte: "como o velhinho que vive se lembrando de quantas vezes foi atingido por raios (eu ria alto a cada vez que os flashbacks mostravam o sujeito sendo atingido!)," hehehehe

Anny disse...

Ah, eu adoro Meu Querido Bob. Para mim, e um classico. Bill Murray esta muito bem, tambem concordo que Jim Carry tentou fazer o mesmo em 'O Pentelho' mas nao foi a mesma coisa. (Se bem que O Pentelho foi ate engracado)
Uma versao de segunda categoria, mas tudo bem. ao tem como ser igual a Bil Murray, nunca.
To com saudades, Felipe!

Felipe M. Guerra disse...

Anny, que honra ver você numa visita-relâmpago aqui no meu blog! Espero que sinta-se em casa e volte mais vezes! Beijão pra você!

Leandro Caraça disse...

>Nem entendo porque os fãs de X-Men babam tanto pelo Gambit que é chato pra dedéu e execram o Ciclope que é um dos mais legais.

Porque a maioria dos fãs dos mutantes conheceu a equipe através do (fraco) desenho dos anos 90 e da (péssima) fase desenhada pelo Jim Lee. Só assim para babarem ovo para aquilo. É coisa normal. Eu mesmo tenho preferência pela equipe da época que os conheci (fase Claremont/Byrne). Gambit foi criado pelo Claremont para ser um vilão e traidor. Mas caiu no gosto de Jim Lee e dos novos fãs e deu no que deu. Hoje é uma figura pouco usada na Marvel e há muito não faz parte de nenhuma (das muitas) equipes mutantes.

Bruno C. Martino disse...

Eu gostava do desenho, mas mesmo assim não gostava dele. hahaha

Anônimo disse...

O Retorno dos Malditos de fato é bem melhor que a sequência original do filme original. Não quer dizer que seja um filmão, mas puta merda, é um daqueles filmes que nego malha de forma exagerada sendo que há trocentas coisas piores atualmente. Fica parecendo que o filme é a pior merda já feita, mas está longe disso.

É um daqueles filmes pra se assistir apenas uma vez e dizer: "é... legalzim". E se um dia formos assistir de novo tem que ser uns 200 anos depois quando a gente nem mais se lembra que já assistiu.

Agora, a continuação original é daqueles filmes que você tem que assistir 20 minutos no máximo por dia... por que pra aturar aquela joça inteira e direta, não dá nem fodendo. E depois de assistir você SEQUER lembra o que aconteceu no filme. rsrs

Meu filme favorito é A Hora do Pesadelo (de 1984, claro, não essa bosta de remake que fizeram), mas nem por isso acho o Wes Craven essa coisa toda que muita gente fala. A maioria dos filmes do Craven são um cocô!

Wes Craven pra mim é tipo James Cameron... diretores bem superestimados.

Nem devia comparar porque o Cameron fez pouquíssimos filmes na carreira (apesar que alguns desses filmes são tão ruins que as vezes prefiro ver filmes do Bruno Mattei a esses filmes ruins do Cameron).

Agora, o Craven... se ele tem 30 filmes na carreira, 5 são ótimos e o resto é descartável. É brincadeira o endeusamento em cima dele.