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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

FORÇA CRUEL (1982)


Visualize a cena: estamos no final dos anos 80, e você entra numa videolocadora em busca de um filme para ver numa noite de sábado, com seus pais, sua namorada ou sua esposa. As videolocadoras da época eram templos repletos de preciosidades, onde você podia encontrar lado a lado produções do Spielberg e do Bruno Mattei. Uma das capinhas chama a sua atenção. Curiosamente, nada no título ou na arte da capa dá qualquer pista sobre o que é aquele filme. Mas você arrisca e leva de qualquer forma. Chegando em casa, você coloca a fita de FORÇA CRUEL no seu velho videocassete de quatro cabeças, e se acomoda no sofá com quem quer que seja a sua companhia. E, pelos próximos 86 minutos, você vê um pouco das seguintes coisas:

- Uma ilha misteriosa onde são sepultados os maiores mestres de artes marciais do planeta.
- Uma quadrilha de traficantes de escravas brancas liderada por um alemão nazista, que tem bigodinho de Hitler.
- Uma seita de monges canibais.
- Um cruzeiro repleto de campeões de kung-fu e mulheres nuas.
- Uma briga num puteiro, bem no meio de um montão de figurantes peladas.
- Zumbis que levantam dos túmulos para lutar artes marciais.


Pode parecer esquisitice demais para um único filme de 86 minutos... Mas, acredite, FORÇA CRUEL tem tudo isso e ainda muito mais - até ataques de piranhas em pleno mar, embora o peixe seja de água doce! E é claro que se você locou a fita para ver com os pais, com a namorada ou com a esposa, provavelmente vai ter apanhado deles muito antes de subirem os créditos finais. Mesmo assim, como era divertido o mercado de vídeo brasileiro dos anos 80...

FORÇA CRUEL é uma co-produção classe Z entre Estados Unidos e Filipinas. O cinema de ação bagaceiro filipino é uma das coisas mais exóticas (para não dizer sem pé nem cabeça) da face da Terra - que o diga quem já viu produções tipo "Lady Terminator" (em breve aqui no blog).

Este aqui obviamente não foge à regra, e ainda tenta bater o recorde filipino de cenas de pancadaria e quantidade de mulher pelada por minuto de projeção. Se você é daqueles que curte filmes mais, digamos, "normais", é melhor parar de ler por aqui. Afinal, estamos diante de mais um FILME PARA DOIDOS com louvor.


Escrito e dirigido por um débil mental chamado Edward D. Murphy (que me lembra um outro "Edward D.", cujo sobrenome era Wood...), FORÇA CRUEL conta a história da tal "Warriors Island", onde estão as sepulturas dos grandes guerreiros de artes marciais de todas as eras - e o motivo que leva essa gente a ser enterrada numa ilha remota é algo que foge à compreensão.

Além do montão de cadáveres, a ilha também tem habitantes humanos, ou quase: a tal seita de monges com hábitos alimentares bem diferentes, que costuma trocar pedras de jade por mulheres para a sua dieta alimentar (!!!). O "cardápio" é fornecido pela quadrilha do tal alemão nazista, o dr. Speer (Ralph Lombardi).

Enquanto os monges canibais fazem churrasquinho de mulheres nuas e os traficantes de escravas brancas pesam o jade que faturaram na última "entrega", um cruzeiro de luxo parte com destino às várias ilhas exóticas do sudeste da Ásia.


No navio estão garotas assanhadas que vivem tirando a roupa (entre elas Camille Keaton, a protagonista do clássico exploitation "A Vingança de Jennifer", numa participação rapidíssima - e pelada, claro!); uma gata (Jillian Kesner) que, acredite se quiser, é integrante da SWAT (!!!), e três campeões de kung-fu norte-americanos, Taylor, Schwartz e O'Malley (interpretados por Geoffrey Binney, John Dresden e John Locke).

Ah, e o capitão do navio é o Cameron Mitchell, completamente mamado em toda e qualquer cena que aparece (numa delas, chega a perder toscamente seu quepe de capitão, mas nem dá bola e continua "interpretando").

Quando o dr. Speer descobre que o cruzeiro está para visitar a "sua" Warriors Island, começa a temer que o pessoal descubra o que anda acontecendo por lá, e aí ele vai perder o grande negócio de trocar vagabas por jade.


A solução encontrada é enviar seus homens, um mais incompetente que o outro, para tentar aniquilar os passageiros, primeiro num puteiro, depois a bordo do próprio navio, quando rolam cenas toscamente coreografadas de artes marciais (assinadas pelo norte-americano Mike Stone, que trabalhou em filmes como "American Ninja" e "Ninja - A Máquina Assassina"). Em meio à pancadaria no convés, alguém acaba incendiando o barco, obrigando os sobreviventes a saltar para um bote salva-vidas e enfrentar as águas infestadas de tubarões.

E aí acontece justamente o que os bandidões tentavam evitar: nosso heróis chegam a Warriors Island. Eles são recepcionados novamente pelos homens de Speer, armados com bazucas e metralhadoras, mas estes voltam a perder a luta (pela terceira vez!), obrigando os monges canibais (ainda lembra deles?) a despertar os mestres das artes marciais das suas sepulturas para lidar com os intrusos.


Você não leu errado: no terceiro ato, os protagonistas enfrentam zumbis que lutam karatê!!! Pena que o rigor mortis comprometeu as habilidades dos tais "grandes mestres", e eles também apanham facilmente de todos os heróis - principalmente do cozinheiro do navio, o tradicional chinês bom de luta, interpretado por Rey King.

FORÇA CRUEL é o tipo de zorra total que só podia ser produzida nas Filipinas, onde o que vale é filmar porrada e nudez feminina, e o roteiro que se dane. A mistura de elementos tão diferentes quanto traficantes de escravas brancas, monges canibais, campeões de kung-fu e zumbis lutando artes marciais lembra outros "sambas do crioulo doido", como o clássico ítalo-brasileiro "Perdidos no Vale dos Dinossauros". Mas o filme de Murphy não é nem de longe tão divertido.


Momentos escandalosamente trash (como o vilão malvado que usa capacete com uma suástica, mas, ao tirar as calças para estuprar uma moça, revela ter uma cueca cheia de coraçõezinhos) e diálogos de rolar de rir (como o "Holy smokes! Who the heck is he?", dito por um sujeito ao ver um zumbi) ficam perdidos em meio a uma narrativa frouxa, com cenas de lutas mal-feitas ou muito escuras, que sempre descambam para atos de violência representados através de efeitos muito pobres (a exceção é a decapitação de um dos zumbis, com direito a sangue jorrando de mangueirinha e tudo mais).


Talvez o grande problema seja o diretor jamais decidir se faz um filme sério e involuntariamente trash ou uma bobagem de mau gosto assumido. Enquanto alguns dos heróis estão realmente levando a coisa a sério (menos Cameron Mitchell, que estava bêbado demais para sequer saber o que estava filmando), os intérpretes dos monges canibais e o sujeito que faz o dr. Speer obviamente representam como se estivessem numa comédia ou numa produção da Troma, e isso tira boa parte da graça da coisa - afinal, o "involuntariamente ruim" sempre é mais divertido que a coisa mal-feita de propósito!

Mas se há uma qualidade em FORÇA CRUEL, é o fato de que o espectador sempre acaba surpreendido de algum jeito. Quando você acha que o pior já aconteceu, eis que uma nova bobagem ainda pior aparece na tela, como os mortos-vivos interpretados por atores com o rosto pintado de tinta verde ou cinza (e que nem ao menos tentam "interpretar" zumbis), ou o tal ataque de piranhas em alto mar, encenado com a ajuda de takes obviamente retirados de algum documentário.


E nada pode preparar o espectador para cenas como a dos monges preparando uma garota para virar churrasquinho, sem esquecer nem mesmo de espalhar tempero pelo corpo da moça!!! (Sim, eles são monges, são canibais e vivem numa ilha deserta, mas isso não os impede de ter um paladar refinado, ora!)

Se tudo isso não basta para dar uma idéia do nível trash da coisa, vale destacar que o filme talvez tenha a maior coleção de mulheres feias (e nuas) da história do cinema, concorrendo de igual para igual com aqueles horrorosos pornôs dirigidos pelo José Mojica Marins, tipo "24 Horas de Sexo Explícito". E tudo é desculpa para tirar a roupa da mulherada: inclusive aquelas que são despidas "à força" pelos malfeitores nem parecem se importar muito com o fato de ficarem peladinhas.


Para completar, os heróis enfrentam todas as adversidades sem jamais se espantar, sejam os traficantes de escravas, sejam os monjes canibais (!!!), sejam os apodrecidos mortos-vivos lutadores de artes marciais (!!!!!). Eles nem ao menos parecem surpresos ou assustados, sentando porrada em qualquer inimigo que apareça pela frente, como se topar com zumbis karatekas fosse fichinha ou algo do dia-a-dia! Por isso, o melhor é desligar o cérebro e "divertir-se", se é que isso é possível. A propósito, o filme inteirinho está disponível no YouTube, para os corajosos que quiserem conferir.

Agora imagine-se de volta ao sofá da sua sala lá atrás, nos anos 80. O filme está quase acabando e você já apanhou dos seus pais, da sua namorada ou da sua esposa, que jamais te deixarão encarregado de escolher o filme para o sábado à noite outra vez. E é então que FORÇA CRUEL dá o golpe de misericórdia: na última cena, antes que subam os créditos finais, um dos heróis dá uma piscadinha para a câmera (ou seja, diretamente para você, nobre espectador), e entra um letreiro enorme dizendo: "TO BE CONTINUED..."!!!


Dá para acreditar? Quem em sã consciência iria encarar mais uma sessão de monges canibais, zumbis lutadores de kung-fu e traficantes de escravas brancas? Menos mal que até hoje, 27 anos depois, ninguém se animou a voltar para a Warriors Island e continuar a "aventura". Por via das dúvidas, é melhor não provocar...

PS: Não é nenhuma surpresa saber que o diretor Edward D. Murphy só fez mais um filme depois desse, "Vietnam - Sangue e Vingança" (1985), que eu infelizmente não tive o "prazer" de ver. Ultimamente, ele anda muito ocupado com sua carreira de ator. Entre 1991 e 2000, por exemplo, Murphy emprestou sua fuça para nada menos de 12 personagens diferentes em episódios do seriado "Law & Order"!

Review de FORÇA CRUEL (em inglês)


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Raw Force/ Kung-Fu Cannibals
(1982, EUA/Filipinas)

Direção: Edward D. Murphy
Elenco: Cameron Mitchell, Geoffrey Binney,
Hope Holiday, Jillian Kesner, John Dresden,
John Locke e Camille Keaton.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

FAR CRY (2008)


O diretor alemão Uwe Boll entrou para a história do cinema ruim pelas suas péssimas adaptações de jogos de videogame para a telona, como "House of the Dead" e "Alone in the Dark". E não aprendeu a lição, já que continuou fazendo filmes baseados em games ("Bloodrayne", "Dungeon Siege/Em Nome do Rei", "Postal") cujos roteiros têm pouco ou nada a ver com os jogos em questão. Isso rendeu até uma "piada interna" em "Postal", que mostra Uwe Boll, como ele mesmo, declarando que odeia videogames, pouco depois de ser atacado pelo próprio criador do jogo "Postal", furioso com o cineasta pelo que foi feito com sua obra!

Mas justiça seja feita: tenho 30 anos na cara e não consigo lembrar de uma adaptação cinematográfica de jogo de videogame que possa ser considerada interessante ou pelo menos fiel ao material em que se inspira, de "Resident Evil" a "Super Mario", de "Max Payne" a... argh!, "Street Fighter - A Última Ameaça". Talvez só o "Terror em Silent Hill", de Christopher Gans, tenha ficado acima da média, mas tem pouquíssimo a ver com o jogo, e seus pontos positivos são mais méritos do cineasta do que do game.


Voltemos a Boll: embora ele tenha se saído bem melhor com suas obras não-baseadas em games, como "Tunnel Rats" e "Heart of America", continua desovando filmes ligeiramente inspirados em jogos todo ano, até porque considera economicamente viável para um produtor independente explorar títulos conhecidos, como estes dos games, conforme ele explicou no ótimo documentário "Visiting Uwe".

E isso nos leva a FAR CRY, que por enquanto é a mais recente obra baseada em videogames dirigida por Boll. Como todos os outros "filmes de videogame" do cineasta alemão, este também toma muitas liberdades poéticas em relação à fonte, mas mesmo assim é o mais parecido com o jogo que o diretor já conseguiu fazer.

"Far Cry", o jogo, saiu em 2004 e fez relativo sucesso. É um daqueles games de tiro em primeira pessoa, cujo herói é um ex-militar chamado Jack Carver. Depois de levar uma jornalista investigativa até uma ilha tropical na Micronesia, Carver é atacado, tem seu barco explodido e precisa investigar por conta própria o que está acontecendo no lugar. À medida que o jogo avança, descobre que um cientista maluco, o dr. Krieger, criou um raça de mutantes para agirem como super-soldados.


No filme, alguns elementos se mantêm, embora bastante modificados: a ilha não é mais tropical, os super-soldados não são monstros mutantes, e sim "super-homens" com força amplificada e resistentes a tiros, e a jornalista vai à ilha não atrás de um furo de reportagem, mas para investigar o paradeiro do seu irmão, uma das cobaias utilizadas pelo cientista.

Além disso, se no jogo em primeira pessoa era você, como jogador, comandando o personagem principal, sozinhos contra todo o resto, no filme o herói já conta com a ajuda da tal jornalista, Valerie Cardinal (Emmanuelle Vaugier, de "House of the Dead 2"), e do tradicional alívio cômico, um gordo sem graça chamado Emilio (Chris Coppola, de "Shadow"), que consegue ser um parceiro pior e mais chato que Joe Pesci nos "Máquina Mortífera" ou do que o abominável Rob Schneider em "O Juiz" e "Golpe Fulminante".


Já Jack Carver é interpretado pelo ator alemão Til Schweiger, que está na ativa desde 2001 (apareceu até no segundo "Tomb Raider", outra bomba baseada em videogame), mas só conseguiu destaque este ano ao interpretar o sargento Hugo Stiglitz de maneira brilhante em "Bastardos Inglórios". E como faz diferença um bom diretor: em FAR CRY, dirigido sem muita noção por Boll, Schweiger está tão mau como herói de ação (e com um sotaque atroz) que eu jamais imaginaria ver o sujeito quase roubando a cena apenas um ano depois no filme de guerra do Tarantino.

Outro ponto positivo de FAR CRY, o filme, é o intérprete do cientista louco: ninguém menos que o alemão Udo Kier, que parece estar se divertindo muito ao adicionar mais um vilão para a sua carreira de cinema B. E já que estamos falando em "cinema B", o elenco traz ainda pequenas participações de Michael Paré e Ralf Moeller, atores-fetiche de Boll.


O grande problema é que FAR CRY é um produto deslocado de sua época, uma aventura classe B com todos (e digo todos MESMO) clichês do gênero, do herói ex-Forças Especiais transformado em alcoólatra ranzinza à mocinha que é jornalista abelhuda, passando pelo cientista louco (alemão, lógico) estilo dr. Moreau, e sem faltar nem mesmo o parceiro engraçadinho do herói para servir como alívio cômico.

"Deslocado de sua época" porque, embora seja produção de 2008, tem cara daqueles filmecos produzidos pela Cannon nos anos 80 e pela Nu Image nos anos 90, direto para o mercado das videolocadoras, e trazendo como astros aqueles galãs nem de segunda, mas de terceira linha. Se FAR CRY fosse feito 20 anos atrás, por exemplo, certamente teria Frank Zagarino ou Joe Lara no papel principal, e Martin Kove ou Richard Lynch no lugar do vilão.


No geral, este novo trabalho do alemão psicopata não foge do convencional; até já consigo visualizá-lo sendo exibido no Domingo Maior daqui uns anos. Boll segue fielmente a cartilha dos filmes de ação com pouca grana, sem inventar muito, e entrega tudo aquilo que o espectador espera ver: lutas, tiros, explosões, herói e vilão sem nenhuma profundidade, trama descomplicada e até uma pitadinha (bem inofensiva) de sexo.

E mulher bonita, claro: além de Emmanuelle, temos a gracinha polonesa Natalia Avelon interpretando uma malvada mercenária russa a serviço do vilão. As duas moças são um colírio para os olhos e compensam os muitos tempos-mortos do filme.


E embora seja rotineiro, FAR CRY pelo menos diverte, trazendo inclusive aquelas bobagens típicas do cinema do alemão maluco, como o fato de a mocinha não saber o que é uma granada (e nem para o quê serve ou como funciona).

Por outro lado, também tem algumas boas cenas que comprovam que Boll está melhorando como diretor (ou pelo menos parece longe das suas cagadas tipo "House of the Dead").

O início, em que uma equipe de soldados é atacada pelos super-soldados de Krieger, é muito bem filmado, com direito a uma cena de gore estilo "Cubo", em que a cabeça de uma vítima é praticamente atravessada numa cerca; o "miolo" do filme é meia-boca, mas o final compensa com farta quantidade de lutas, tiros e explosões, quando os super-soldados escapam de suas celas e começam um massacre na ilha, com direito a mais gore, incluindo um sujeito sendo partido ao meio por uma enorme serra circular.


Assim, posso recomendá-lo sem medo para os fãs de cinema de ação barato ou de filmes descerebrados movidos a tiros e explosões. Não é nenhuma maravilha e desaparece da memória em dois dias, mas em compensação não é uma atrocidade impossível de assistir, como outras adaptações de videogame, dirigidas por Uwe Boll ou não. Inclusive se tivesse sido dirigido na Itália nos anos 80, muita gente iria considerar um clássico nos dias de hoje.

Agora é esperar para ver "Bloodrayne 3" e "Zombie Massacre", novas adaptações cinematográficas de jogos de videogame que o famigerado cineasta alemão está prometendo para 2010 - no caso de "Zombie Massacre", ele já comentou que será uma mistura de Snake Plissken, personagem de Kurt Russell em "Fuga de Nova York", com zumbis.

Será que ele continuará "melhorando", ou vai voltar aos maus tempos de "House of the Dead" e "Alone in the Dark"? Bem, resta o consolo de que pior do que estes não tem como ficar. Ou será que tem?

Trailer de FAR CRY


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Far Cry (2008, Alemanha/Canadá)
Direção: Uwe Boll
Elenco: Til Schweiger, Emmanuelle Vaugier,
Udo Kier, Ralf Moeller, Michael Paré,
Chris Coppola e Natalia Avelon.