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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

As primeiras (e provavelmente únicas) resenhas curtinhas para cinéfilos impacientes de 2012

V/H/S (2012, EUA. Dir: Matt Bettinelli-Olpin, David Bruckner, Tyler Gillett, Justin Martinez, Glenn McQuaid, Joe Swanberg, Chad Villella, Ti West e Adam Wingard)
A proposta de "V/H/S" é simplesmente genial: trata-se de uma coletânea de histórias curtas de horror que funciona como uma espécie de apresentação, ao grande público, de alguns dos talentos da nova geração do horror, ao mesmo tempo em que rende uma nostálgica homenagem ao formato do VHS - justificando os episódios estilo "found footage", gravados com câmeras amadoras. Infelizmente, o resultado final não poderia ser mais decepcionante e desconjuntado. Duas historinhas são bem legais: a primeira, de David Bruckner (diretor do excelente "O Sinal"), sobre jovens que topam com uma assustadora criatura depois de uma balada, e a terceira, de Glenn McQuaid (do divertido "Eu Vendo os Mortos"), que é uma bela brincadeira com o gênero slasher (não por acaso, o episódio se chama "Tuesday The 17th"!!!), sobre um misterioso assassino sobrenatural que fica invisível estilo Predador, e só pode ser captado por câmeras de vídeo. As duas também são as únicas em que se justifica o uso da "câmera amadora" o tempo inteiro pelos personagens, portanto percebe-se que houve um cuidado maior na concepção da narrativa. Infelizmente, todo o restante da coletânea vai do razoável ao muito ruim, incluindo a grande história que amarra o filme todo (sobre ladrões procurando uma fita VHS numa casa bem suspeita habitada apenas por um defunto bem suspeito). O pior episódio, disparado, é o segundo, sobre um casal em sua segunda lua-de-mel, ironicamente dirigido por um dos nomes mais celebrados entre os novatos, e que eu particularmente acho insuportável: Ti West ("The House of the Devil"). Além de os outros episódios não conseguirem convencer o espectador de que  os personagens têm motivo para ficar segurando a câmera ligada o tempo todo, eles ainda envolvem absurdos injustificáveis, como uma gravação de Skype via webcam que acabou... numa fita VHS? Aham, tá bom. E se o placar Histórias Fracas 4 x 2 Histórias Boas já não fosse frustrante o suficiente, fica claro para o espectador que, enquanto alguns diretores estão se empenhando para mostrar serviço, outros estão fazendo a coisa de qualquer jeito, sem respeitar sequer a proposta do formato em VHS, como se fosse apenas uma brincadeira entre amigos. Isso é visível principalmente no episódio de West e na "grande história" dos ladrões (dirigida por QUATRO caras, Bettinelli-Olpin, Gillett, Martinez e Villella!). Essa sequer tem uma conclusão ou justificativa para ser a "ligação" entre os outros episódios, e se resume a mostrar os sujeitos zanzando pela casa com as câmeras sempre ligadas - mesmo quando estão assistindo fitas na TV! "V/H/S" é um filme que não justifica o "hype", e cujo conjunto é bem decepcionante. Por isso, se era para ser uma espécie de apresentação da nova geração do horror, acho que não podemos esperar boa coisa no gênero pelos próximos anos... 


OS VINGADORES (The Avengers, 2012, EUA. Dir: Joss Whedon)
Agora que baixou a poeira do mega-lançamento nos cinemas e da luta titânica entre os fãs da Marvel e os da DC (por causa do terceiro filme do Batman, que saiu logo depois), nada como avaliar "Os Vingadores" pelo que ele realmente é: um filme de super-heróis bobo, divertido e barulhento, mas longe de ser genial, espetacular ou sequer memorável. Eu o vi na estreia (27/04/2012), e hoje, apenas seis meses depois, pensando no que escrever, juro que não lembro de quase nada do filme além da já antológica cena em que Hulk dá um couro em Loki. Mas isso são só uns 20 segundos num filme de 145 minutos. Afinal, o que acontece no resto? Não lembro! Ok, eu lembro o básico da trama (rasa) e de algumas cenas de ação, mas já não consigo mais lembrar por exemplo quem luta com quem e porquê - há várias "lutinhas" entre os personagens mais famosões, para justificar tanto super-herói num mesmo filme. Isso me fez pensar menos em "Os Vingadores" e mais em como os blockbusters de hoje carecem de originalidade e de carisma. Na infância, quando eu vi "Superman - O Filme", as cenas ficaram na minha memória por anos; o mesmo aconteceu com filmes tipo "Os Caçadores da Arca Perdida" e "Star Wars". Terá Hollywood desaprendido a fazer filmes-pipoca, considerando que eles gastam meio bilhão de dólares para fazer um filme e em alguns poucos meses você nem lembra mais o que viu, de tão pasteurizado e desprovido de alma que era o produto? Bem, falando/escrevendo assim pode parecer que achei "Os Vingadores" ruim, mas não achei, eu gostei da experiência e me diverti durante suas 2h25min. Até pensei que não ia funcionar juntar tantos heróis interessantes numa mesma aventura, mas os mais conhecidos (Homem de Ferro, Capitão América, Hulk e Thor) conseguiram sua cota de tempo em cena e pelo menos alguma contribuição importante/relevante para a história, enquanto a Viúva Negra ganhou até mais espaço no filme do que a personagem merecia - algo que é justificável apenas porque se trata da gostosona Scarlett Johansson numa roupa colante em um filme que praticamente só tem personagens masculinos! Quanto aos outros personagens (Gavião Arqueiro, Nick Fury, o vilão Loki, o cientista interpretado por Stellan Skarsgard), não há o que falar: não são personagens, mas sim bonequinhos inexpressivos jogados na narrativa, alguns sem nenhum carisma (tipo Loki, um vilão que sequer é ameaçador), outros pagando o maior mico (tipo o Gavião Arqueiro, relegado a capanga do vilão na maior parte do filme). E sim, "Os Vingadores" também tem efeitos especiais de encher os olhos e as melhores lutas e explosões que Hollywood pode produzir. Mas não vou mentir que achei tudo isso bem repetitivo, e que gostei mais da interação e da química entre os heróis como "super-grupo": as piadinhas do Homem de Ferro com o Hulk e o Capitão América, os diálogos espirituosos em que eles ironizam sua própria condição de "super", e até as lutinhas entre eles, lembrando aquelas aventuras descartáveis e bobonas dos quadrinhos, tipo "Secret Wars". A verdade é que eu devo estar ficando velho, pois o filme me pareceu muito longo com seus 145 minutos (pelo menos 30 a mais do que precisava). E pensar que o diretor Whedon pretende lançar uma "director's cut" com três horas de duração! Talvez "Os Vingadores" ficasse melhor como dois filmes independentes, o primeiro mostrando a união dos heróis como equipe, e o segundo com a invasão alienígena que ocupa todo o ato final aqui. Mas a moda hoje é ser megalomaníaco e abraçar o mundo num filme só. Sim, "Os Vingadores" funciona muito bem numa tela de cinema (principalmente se for Imax), e cumpre seu papel como diversão escapista. Mas desaparece da memória logo em seguida, e é difícil não bocejar depois da 95ª explosão em CGI. "E roteiro pra quê?", perguntará em uníssono a molecada extasiada com as lutas, explosões e com seus heróis todos reunidos na telona. Nesse caso, com certeza, o errado (e o chato) sou eu.


O ENIGMA DE OUTRO MUNDO (The Thing, 2011, EUA. Dir: Matthijs van Heijningen Jr.)
Em um momento do novo "O Enigma do Outro Mundo", que é uma prequel mostrando fatos anteriores ao clássico dirigido por John Carpenter em 1982, um sujeito crava um machado na parede para cortar no meio um tentáculo da "Coisa", e faz menção de arrancá-lo para continuar o serviço, mas a mocinha Mary Elizabeth Winstead ordena: "Não! Deixe isso aí!". Confesso que me peguei pensando no porquê do pedido (medo de contaminação pelo sangue da criatura no machado, talvez?), até perceber que o personagem só deixa o machado cravado na parede porque no filme de 1982 Kurt Russell encontra um machado cravado na parede na base norueguesa destruída!!! E é esse o tipo de imbecilidade que você verá no filme, uma desculpa patética para fazer um longa-metragem ("Vamos mostrar o que aconteceu aos noruegueses antes do filme do Carpenter"). Ora, eu já sei o que aconteceu aos noruegueses antes do filme do Carpenter: eles morreram todos! Portanto, essa é uma daquelas "pré-continuações" que já dão o tiro no pé desde a concepção, pois não há nenhuma tensão ou suspense quando você sabe que todos os personagens devem morrer no final, e sem fazer nada que comprometa os fatos mostrados no filme de 1982! Mas, vá lá, o troço até poderia ser razoavelmente divertido para os fãs do "Enigma do Outro Mundo" de Carpenter, pois os realizadores poderiam brincar, por exemplo, com a identidade do cadáver encontrado por McReady com a garganta e os pulsos cortados, ou a proveniência da criatura com duas cabeças encontrada queimada do lado de fora da base norueguesa no filme de 1982. Só que aí vem mais uma prova da incompetência do diretor van Heijningen e dos roteiristas dessa bomba: eles não conseguem criar momentos memoráveis nem mesmo a partir desses fatos marcantes da obra de Carpenter - o cara navalhado, por exemplo, sequer é um dos personagens principais, e sim um anônimo qualquer. A favor do diretor, conta a produção boa que recria o interior da base, como vista no filme de Carpenter, nos mínimos detalhes, e o fato de realmente usarem atores noruegueses feios e barbudos no elenco, ao contrário de jovens bobalhões (embora a escalação de Mary Elizabeth Winstead seja muito dura de engolir). Só que fica nisso: a história falha em criar qualquer suspense, tensão ou aquela sensação de paranóia do "Quem é a Coisa?"; os personagens não têm carisma e é até difícil diferenciá-los um do outro; cenas marcantes do filme de 1982 são recriadas sem convencer (por exemplo: o exame de sangue, uma das grandes cenas de horror de todos os tempos, aqui vira um patético exame dentário), e as "transformações" da Coisa em CGI são de lascar. Enquanto no filme de Carpenter as mutações aconteciam lenta e dolorosamente, com efeitos práticos que até hoje convencem, aqui a Coisa se revela em segundos graças à computação gráfica, e sem sangue ou gosma que chega para satisfazer os fãs do original. Sem contar que os bonequinhos em CGI são bisonhos (parece que a qualquer momento vai entrar aquele tosquíssimo Escorpião-Rei de "O Retorno da Múmia" para fazer companhia à Coisa). Enfim, é uma bomba daquelas, mas eu não esperava outra coisa. Triste é ver comentários da molecada nos fóruns internet afora, postando coisas do tipo "Ah, agora sim eu entendi o que acontece no filme original". Sério: haverá alguma cura instantânea para a burrice da geração atual, ou estaremos condenados a legar o mundo aos imbecis?

SAND SHARKS (2012, EUA. Dir: Mark Atkins)
Ok, caso o título não tenha deixado isso bem claro, "Sand Sharks" é um filme sobre uma rara espécie de tubarões que não vive/ataca na água, mas sim em terra firme! É o tipo de trama absurda e idiota que, nas mãos certas, poderia render um trashão engraçadíssimo, cheio de situações insólitas, mortes criativas, sangue e mulher pelada. Mas veja bem: "nas mãos certas". Não foi o que aconteceu aqui. E enquanto eu agonizava vendo essa bobagem, me peguei pensando em inúmeras soluções simples que poderiam ter feito "Sand Sharks" ficar legal, ou pelo menos divertido. Tipo uma cena em que os policiais gritassem "Entrem na água!" para o pessoal na praia, satirizando o clássico alerta de "Saiam da água!" da franquia "Tubarão". Ou mais situações curiosas envolvendo os tubarões que atacam em terra firme, já que estas são completamente sub-aproveitadas - e quando você tem tubarões que atacam em terra firme e não consegue aproveitá-los decentemente, é porque devia estar trabalhando como pedreiro ou atendente de lanchonete. Pois é assim: "Sand Sharks" tem uma única piada e não sabe como explorá-la. O primeiro ataque de um tubarão que sai da areia até surpreende o espectador pelo inusitado. Mas e depois? Não tem "depois": a piada simplesmente é repetida várias e várias vezes até cansar, porque os realizadores não têm capacidade de criar situações interessantes em cima do material! Não basta ter Brooke Hogan, a filha do Hulk Hogan, no papel principal para ser "cult", tem que oferecer algo diferente ao espectador. O engraçado é que se você mentalmente trocar "areia" por "água", vai perceber que "Sand Sharks" é exatamente igual a qualquer um desses filmes genéricos sobre tubarões assassinos, mudando apenas a ambientação para o lado de cá da praia, mas sem nunca explorar a capacidade de os bichos se locomoverem na areia. E antes que apareça alguém reclamando que levei o filme muito a sério, esclareço: não levei. A questão aqui é o filme ser divertido, original e de a piada funcionar, ou "não" para tudo isso. Talvez até pudesse funcionar com mais gore, nudez gratuita e essas coisas todas que valorizavam os filmes cretinos com monstros assassinos do passado. Mas não tem nem um peitinho de fora, enquanto o sangue é mantido num nível baixíssimo, com duas ceninhas mais elaboradas na parte final, e os efeitos, claro, são todos produzidos por computação gráfica tosquíssima. Eu já escrevi que quase todos esses filmes com monstros malucos feitos hoje (esse, "Sharktopus", "Mega Shark vs Giant Octopus"...) ficariam muito melhores como trailers falsos do que como longas, porque a criatividade da ideia maluca não se sustenta por um filme inteiro. É triste, mas os caras que fazem essas bombas não conseguem sequer criar situações legais com tubarões que atacam em terra firme! Aí eu pergunto: por que será que é tão difícil fazer um novo "Piranha 2 - Assassinas Voadoras", ou um novo "Humanoids From the Deep" nos dias de hoje? Talvez porque os realizadores são muito acomodados e acham que criar um monstro legal, ou ter a filha do Hulk Hogan no elenco, já faz valer o filme inteiro. Não, não faz, e tranqueiras como essa são o melhor argumento para comprovar minha afirmação.


SOB O DOMÍNIO DO MEDO (Straw Dogs, 2011, EUA. Dir: Rod Lurie)
Remakes: se não pode vencê-los, junte-se a eles! Mas se há uma coisa pior do que refilmagens desnecessárias (e quase todas as realizadas na última década foram desnecessárias), são as refilmagens feitas por pessoas que não entenderam o original e deturparam completamente o seu significado. Por exemplo, Zack Snyder não entendeu que o "Dawn of the Dead" de Romero era, acima de tudo, uma história sobre isolamento e crítica social, e transformou-o num simples filme de ação com zumbis. Agora é a vez de Rod Lurie destruir "Sob o Domínio do Medo", um dos grandes clássicos de um grande diretor, Sam Peckinpah. Ele até mantém certa fidelidade ao contar a história de um pacato roteirista de cinema (matemático, no original) às voltas com valentões na pequena cidade para onde se muda com a esposa. O problema é que o novo "Sob o Domínio do Medo" é um daqueles remakes cena a cena, repetindo até diálogos e ângulos de câmera do original, mas se acovarda justamente no ponto-chave do clássico de Peckinpah: no filme de 1971, quando a mulher do protagonista (interpretada por Susan George) era estuprada por um dos valentões, seu ex-namorado na juventude, ELA GOSTAVA DISSO! Interpretem como quiserem, seja pelo ditado popular do "Se o estupro é inevitável, relaxe e aproveite", seja por um viés machista (tipo "Ela finalmente encontrou um macho de verdade!"), mas é assim que acontece. É óbvio que neste remake um burocrata como Rod Lurie não faria nada sequer parecido. Assim, o estupro de Kate Bosworth é realmente um momento de violência do qual a garota não tira nenhum proveito (e, óbvio, sem mostrar peitinhos e sem a mesma crueza da mesma cena no filme original). Tudo que acontece a partir de então é relevante, porque você percebe que o diretor e também roteirista mudou a grande cena do filme de Peckinpah. E quando o protagonista James Marsden (substituindo Dustin Hoffman) despiroca na conclusão e começa a matar os bullies, a "vingança" não tem o mesmo sentido do filme de 1971. Sem contar que se você vai "atualizar" um filme desses sem quintuplicar a violência, não existe nenhuma razão do remake existir. É o que faz o cabeça-de-bagre Lurie: as cenas são idênticas às do filme de Peckinpah, nem mais nem menos sangrentas, tirando sequer a novidade de vermos efeitos mais elaborados e exagerados nas mortes - como Alexandre Aja fez ao refilmar "Quadrilha de Sádicos". Para piorar, tudo que Lurie acrescenta à trama é para piorá-la, como os diálogos expositivos que explicam o que são "straw dogs", a mudança de comportamento do protagonista e até um ridículo paralelo entre o sítio à residência do casal e a resistência dos russos em Stalingrado, durante a Segunda Guerra Mundial! Assim, quando os créditos finais finalmente começaram a subir, a única coisa em que eu pensava era: "Por quê?". Serve, porém, como constatação de como o cinema se acovardou num período de 40 anos, entre o original e esta refilmagem sofrível.


AMERICAN PIE - O REENCONTRO (American Reunion, 2012, EUA. Dir: Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg)
Eu gosto muito de "American Pie", o primeirão de 1999, porque ele tem umas tiradas fantásticas: o looser Jim, interpretado por Jason Biggs, é o que mais perto chega de catar a gostosona do colégio, a intercambista europeia Nadia, interpretada pela deliciosa Shannon Elizabeth, enquanto Finch, o garoto fracote (Eddie Kaye Thomas) que sofre bullying do sem-noção Stifler (Seann William Scott), vinga-se à altura transando com a mãe do inimigo. Mas aí vieram duas continuações bem fracas e outras ainda piores feitas direto para DVD e sem os mesmos personagens, e tudo isso pareceu enfraquecer aquela comédia adolescente bem realizada lá de 1999. O anúncio de um retorno da turma original 13 anos depois me deixou com boas expectativas. Afinal, eu sempre quis ver um novo "Porky's" ou "Clube dos Cafajestes" com aqueles mesmos personagens mais velhos e ainda aprontando. Infelizmente, "American Pie - O Reencontro" fica só na nostalgia e nas boas intenções. Para os fãs do primeiro filme, até que é divertido ver os mesmos atores e atrizes mais de dez anos depois, alguns estragados pela ação do tempo (como Shannon Elizabeth e, principalmente, Tara Reid, que aparece embagulhada). Pena que ficou nisso, no "reencontro", sem que se criassem novas e interessantes situações para jogar esses personagens. Pior: como todas as comédias da última década, esta também é irritantemente moralista. O legal do primeiro "American Pie" é que ele não tinha medo de pegar mais pesado. Tudo que veio depois caiu na vala do "romantiquinho", pregando a fidelidade, condenando a traição, o sexo casual e as trapalhadas sexuais tão comuns naquelas comédias dos anos 80, tipo "O Último Americano Virgem" e o já citado "Porky's". Nas continuações de "American Pie", tudo isso é representado como algo errado e passível de punição. Na minha ingenuidade, pensei que talvez esse novo filme corrigisse algumas bobagens das sequências. Por exemplo, teria Jim alguma nova chance com Nadia depois do filme original? Ora, é claro que não! Afinal, vivemos na era do politicamente correto! Situações como a da jovem vizinha gostosa que dá em cima de Jim só existem para demonstrar que "sexo casual é errado" e que "o amor está acima de tudo". Parece que o pessoal tem medo de dar "maus exemplos" nos filmes atuais, sendo que os personagens de "Porky's" e de outras comédias semelhantes dos anos 80 jamais deixariam passar a vizinha gostosa! Sem o apelo da sacanagem sem compromisso que era tão legal no filme original e sem piadas novas, "American Pie - O Reencontro" ainda consegue a façanha de estragar as piadas velhas: pois eis que Stifler agora dá o troco em Finch transando com a mãe dele, acabando assim com a única coisa em que o garoto franzino tinha conseguido vencer o eterno rival! Para completar a sucessão de equívocos, o roteiro dá um espaço muito grande ao pai de Jim, interpretado por Eugene Levy, mas esse é o tipo de personagem que só funciona em aparições esparsas, e não tem fôlego para segurar cenas inteiras, como acontece aqui. O filme até tem um outro momento divertido, e o pôster que reúne a galera toda nas mesmas posições do cartaz original de 1999 foi bem bolado, como diria o Silvio Santos. Mas, no final, fica aquela impressão de que "American Pie - O Reencontro" não tem nada a dizer, e só existe para resgatar - e dar uma rara oportunidade de trabalho - a um grupo de ex-jovens atores que não funcionou muito bem (ou nada bem, no caso de alguns) fora da franquia.


REPO CHICK (2009, EUA. Dir: Alex Cox)
Curto e grosso: "Repo Man - A Onda Punk" (1984) é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, uma história aloprada sobre punks, ladrões de carro e alienígenas, que a Globo passava em plena Sessão da Tarde naquela época desmiolada conhecida como "anos 80". Pois eis que mais recentemente o diretor-roteirista Alex Cox resolveu voltar a um dos seus trabalhos mais famosos com "Repo Chick", uma espécie de atualização/continuação de "Repo Man". Não sei o que aconteceu com Cox nestes 25 anos que separam o original desse novo filme - talvez ele tenha abusado das drogas e ficou com sequelas cerebrais graves. Fato é que "Repo Chick" é uma bomba de proporções monumentais, o tipo de coisa que você não acredita que foi dirigida pelo mesmo responsável por filmaços como "Repo Man" e "Walker - Uma Aventura na Nicarágua". As intenções de Cox até que são boas: se em 1984 ele tirou onda com os punks, aqui faz o mesmo com as playboyzinhas mimadas estilo Paris Hilton e com os reality shows. A trama se passa num futuro indeterminado, e a protagonista é a riquinha Pixxi (Jaclyn Jonet), que descobre que foi deserdada pela família e precisa trabalhar como "repo woman" para sobreviver, recuperando os carros dos proprietários que não pagam as prestações, como Emilio Estevez fazia no original. Para onde quer que vá, Pixxi é seguida por um séquito de amigos puxa-sacos e por um câmera que registra seu dia-a-dia para um programa de TV. Um de seus trabalhos é recuperar um trem (?!?) que, na verdade, faz parte do plano de um grupo de terroristas que planeja um atentado ao presidente dos Estados Unidos. Na linha do que os Irmãos Wachowski fizeram em "Speed Racer", "Repo Chick" tem os atores atuando 100% do tempo diante de uma tela verde, onde na pós-produção foram adicionados cenários e veículos feitos totalmente por computador. Oito atores de "Repo Man" aparecem interpretando outros personagens, e certamente Cox achou que isso e o título bastariam para divertir todos os fãs do filme de 1984. Só que passa longe disso: o filme é uma bagunça, um caos sem desenvolvimento de roteiro ou interação entre os personagens. E é estúpido, como se só a equipe envolvida estivesse achando graça naquilo (talvez nem mesmo eles). A história não leva a lugar nenhum, e mesmo o "charme" do mundo de mentirinha criado por computador logo perde a graça pela artificialidade. Muito fã de Alex Cox comprou a proposta, alegando que o filme é vazio e sem graça "de propósito", porque enfoca uma sociedade que também é assim (mais ou menos a mesma desculpa que deram os fãs do recente "Cosmopolis", de David Cronenberg). Comigo não colou. E, tudo considerado, "Repo Chick" é um verdadeiro insulto aos fãs de "Repo Man" - ironicamente, feito pelo mesmo realizador daquele filme, o que coloca Alex Cox no seleto grupinho de diretores que estragaram a própria criação, ao lado de George Lucas (com os novos "Star Wars") e os Irmãos Wachowski (com as sequências de "Matrix"). Esperemos que sossegue e não invente de fazer sequências de "A Caminho do Inferno" e "Walker"!


GOD BLESS AMERICA (2011, EUA. Dir: Bobcat Goldthwait)
Quem diria que Bobcat Goldthwait, o Zed das Partes 2 a 4 de "Loucademia de Polícia", acabaria escrevendo e dirigindo uma das comédias de humor negro mais inspiradas dos últimos anos? Pois eis "God Bless America", uma mistura curiosa de filmes tão díspares quanto "Um Dia de Fúria", "Clube da Luta" e "Assassinos por Natureza", que brinca com a ideia do sociopata que reside dentro de todos nós. Afinal, quem nunca pensou em dar um soco no Faustão ou no Galvão Bueno para eles calarem a boca, ou em torturas atrozes para os mal-educados que falam alto e atendem o celular no cinema? Pois Frank, o personagem interpretado por Joel Murray nesse filme, é exatamente assim: um sujeito cansado dessas mazelas do dia-a-dia e do "emburrecimento" da sociedade moderna. "Por que ter uma civilização se já não temos interesse em sermos civilizados?", questiona, numa das grandes frases do filme. Odiado pela ex-esposa e pela filha, demitido do emprego somente por ter gentilmente mandado flores a uma colega de trabalho, e diagnosticado com um tumor no cérebro que lhe matará em poucos meses, Frank resolve passar seus últimos dias sobre a terra dando liberdade ao seu "sociopata interior", matando pseudo-celebridades, patricinhas mimadas, pessoas que estacionam na vaga para deficientes, jovens que falam alto no cinema, e todos esses alvos em potencial que todos nós também buscaríamos num "dia de fúria" (ainda que, para a maioria, só em pensamento). Ele é acompanhado por uma adolescente maluquinha (Tara Lynne Barr), igualmente enjoada com a idiotice reinante ao seu redor, e que pretende ajudar Frank a tornar o mundo um lugar mais "agradável". Sem medo de abordar um tema polêmico, e de ser cruel e politicamente incorreto numa época muito chata com isso, "God Bless America" nunca pisa no freio, nunca faz juízos de valor e nunca regenera seus personagens, adoráveis psicopatas com quem o público surpreendentemente simpatiza desde o início (pois, ao contrário dos dementes de "Assassinos por Natureza", eles são gente como a gente). Joel Murray, um ator que eu nunca tinha percebido até então, faz um trabalho fantástico, e o roteiro de Goldthwait lhe dá diversos "discursos" memoráveis, como quando ele diz que queria inventar um celular que explodisse quando seu usuário discasse para o número de programas de TV como "American Idol" ou "Big Brother". O filme perde um pouquinho a força no ato final, até porque é aquela típica comédia de uma piada só, e não há muito para onde ir depois da primeira dúzia de assassinatos. Mas é impossível não rir dos diálogos inspirados, como aquele em que Frank chama sua parceira de "Juno", citando o filme de Jason Reitman, e ela, ofendida, começa a detonar a obra! Aprovadíssimo, e uma ótima maneira de aliviar a fúria do dia-a-dia causada por moleques que falam no cinema, gente ouvindo funk sem fone de ouvido no metrô, motoristas que não param na faixa de segurança, etc etc etc...


BLITZ (2011, Inglaterra/França/EUA. Dir: Elliott Lester)
Alô, refilmadores obsessivos: se um dia vocês cogitarem fazer um remake de "Perseguidor Implacável", a primeira aventura do personagem Dirty Harry, saibam que já não é mais necessário. Afinal, esse "Blitz" é uma ótima refilmagem "não-oficial" do filme de Don Siegel, sem Dirty Harry (o herói aqui é um policial chamado Tom Brant, e o filme se passa em Londres), mas seguindo fielmente a história do policial durão que persegue um psicopata com sede de sangue que acaba protegido pelas leis - até que o herói resolve tomar a justiça nas próprias mãos. Jason Statham é o protagonista, mas não se engane: esse é um policial sério, pesado e violento, mais realista que a média recente, e bem diferente daquelas aventuras epiléticas e "videoclípticas" que o ator inglês se especializou em fazer. Também é anos-luz melhor do que tranqueiras como a refilmagem de "Assassino a Preço Fixo", que o pobre Statham estrelou no mesmo ano de 2011. Em "Blitz", Statham representa um policial que caminha sobre a tênue linha entre o herói e o anti-herói, já que tem um prazer sádico em arrebentar bandidos (na primeira cena do filme, ele espanca violentamente um grupo de ladrões de carro usando um taco de madeira, e, sim, há "excesso de força"). Quando Brant é escalado para investigar os crimes do serial killer Blitz, que se diverte matando policiais pelas ruas de Londres, fica óbvio desde o início que vai dar merda, pois o "herói" é tão violento quanto o vilão - e, para piorar, uma das vítimas do assassino era um amigão de longa data do policial. Infelizmente, o roteiro de Nathan Parker (baseado em um livro de Ken Bruen) desperdiça uma de suas melhores coisas, o policial homossexual interpretado por Paddy Considine, com quem obviamente o herói durão vai viver uma relação complexa de parceria, entre o ódio e o respeito. Mas é ótimo ver um filme policial moderno mais sério e sem medo de ousar, que não é ancorado apenas nos tiroteios e explosões. E o personagem de Statham é muito bom, daquele tipo com quem você simpatiza e discorda praticamente ao mesmo tempo (numa cena divertidíssima, ele agride e humilha um informante em busca de grana fácil). A conclusão violenta segue os passos de "Perseguidor Implacável", sem medo de parecer fascista nesses tempos tão xaropes. Na soma dos fatores, um filme bem acima da média das tranqueiras modernas, e também bem acima da média das produções que Jason Statham vem estrelando.


PUPPET MASTER - AXIS OF EVIL (2010, EUA. Dir: David DeCoteau)
A melhor coisa desse nono capítulo oficial da franquia "Puppet Master" é o início, em que o diretor DeCoteau recria justamente a cena inicial do primeiro filme da série (lançado aqui como "Bonecos da Morte", e dirigido por David Schmoeller em 1989), mostrando o suicídio do "mestre dos brinquedos" Andre Toulon em um hotel no litoral da Califórnia, antes de ser preso por oficiais nazistas que estavam indo buscá-lo. DeCoteau mescla imagens filmadas por Schmoeller lá em 1989 com outras gravadas em 2010, num belo trabalho de edição - embora substitua os dois figurantes com cara de alemães, que interpretavam os nazistas no original, por dois rapazes na faixa dos vinte e poucos anos! Infelizmente, a lista de "melhores coisas" acaba por aí, pois "Puppet Master - Axis of Evil" tem uma ideia mais ambiciosa que o seu orçamento permite desenvolver. A trama se desenrola durante a Segunda Guerra Mundial: o jovem Danny Coogan, que trabalha no tal hotel do litoral, encontra um baú escondido com os bonecos reanimados de Toulon, e resolve usá-los para lutar contra a ameaça nazista e japonesa. Como argumento é lindo, mas o que vemos na tela é meia dúzia de figurantes representando nazistas e japoneses, morrendo mortes sem nenhuma criatividade, e com uns efeitinhos bem toscos, que conseguem ser inferiores àqueles em stop-motion produzidos nos primeiros filmes da série, lá no começo dos anos 90! Como é possível uma franquia cair tanto de qualidade? Boa pergunta, mas já faz um bom tempo que as continuações da série não prestam e são lançadas apenas como caça-níqueis. O curioso é que o mesmo DeCoteau dirigiu um dos melhores filmes da franquia, o terceiro ("A Volta do Mestre dos Brinquedos", no Brasil), que também se passava durante a Segunda Guerra Mundial, e mostrava justamente Toulon lutando contra os nazistas com seus bonecos. Bem, parece que o diretor desaprendeu tudo de lá para cá, mas vamos combinar que o roteiro de August White não ajuda e que o orçamento do filme deve ser menor que o de muito videozinho de YouTube. O filme também apresenta um novo bonequinho, em formato de ninja, mas não faz muita coisa com ele - parece ser apenas uma desculpa para o produtor Charles Band ter mais um brinquedo para vender. E, fechando com chave de merda, a história sequer se conclui: é preciso esperar pelo próximo filme, o décimo (!!!) da série, "Puppet Master X: Axis Rising", lançado neste ano (2012). Será que ainda pode piorar mais?


A INVENÇÃO DE HUGO CABRET (Hugo, 2011, EUA. Dir: Martin Scorsese)
Ah, Scorsese dos velhos e bons tempos, cadê você? Como é que um cara que fez "Taxi Driver", "Depois de Horas" e "Os Bons Companheiros" hoje vive dessas parcerias fuleiras com o Leonardo DiCaprio, um remake prolixo ("Os Infiltrados"), um falso terror B ("Ilha do Medo") em que não sobra nada quando você tira música e fotografia, e, agora, essa vergonha-alheia chamada "A Invenção de Hugo Cabret"? O curioso é que todo mundo falou maravilhas de "Hugo". Maravilhas mesmo - teve até quem chamasse de obra-prima. E eu me esforcei para gostar, mas não consegui. Ou estou ficando muito exigente para filmes novos, ou o conceito de "obra-prima" anda sendo muito mal-utilizado. Não li o livro de Brian Selznick que deu origem ao filme, mas talvez lá tenha funcionado melhor a fábula envolvendo meninos órfãos, autômatos incompletos e o pioneiro dos efeitos especiais no cinema Georges Méliès. Só sei que no filme essa mistureba não funciona: o drama do pequeno Hugo, um órfão que vive na estação de trem parisiense, nunca convence, sua amizade com a filha adotiva de Méliès passa em brancas nuvens, e o mistério do autômato, que o garoto tenta resolver teimosamente na primeira metade da narrativa, parece ter caído de pára-quedas na história. O filme só funciona quando enfoca o passado de Méliès, recriando a filmagem de algumas de suas obras, e termina nostálgico com a figura do pesquisador de cinema apaixonado pela obra do diretor, e que o resgata da obscuridade. Infelizmente, estas cenas estão separadas por todas as outras já citadas, e ainda pelo caricatural Sacha Baron Cohen no papel do agente da estação, sempre perseguindo Hugo em cenas dignas de comédia-pastelão, mas sem o mesmo charme e sem nenhuma graça. O resultado é um filme visualmente maravilhoso, só que naquele estilo "Bonitinho, mas ordinário". A trama não leva a lugar nenhum, apesar de prometer uma grande aventura e/ou jornada do pequeno Hugo que simplesmente não existe. O resultado é um híbrido bem estranho, com dramalhão do mais rasteiro, toques de fantasia e ficção científica, romance, fábula infantil e a homenagem a um pioneiro do cinema num mesmo balaio! Nada me tira da cabeça que o roteiro deveria ter passado a borracha em todo o resto e enfocado apenas a vida e a carreira de Méliès, como Tim Burton fez com Ed Wood no excelente filme homônimo. Teria muita história para contar, e ficaria mais interessante que atirar para todos os lados, como aconteceu aqui. Para piorar, percebe-se claramente o desconforto de Scorsese dirigindo uma aventura "infantil", já que ele não sabe dosar os ingredientes e acaba sendo infantil demais para os adultos e complexo demais para a garotada. Também dirige no piloto automático: o filme está repleto de cenas RUINS de doer, como o flashback que mostra a morte do pai de Hugo (interpretado por Jude Law, em participação-relâmpago). Aquilo é tão rápido, gratuito e mal-filmado que parece que decidiram de última hora fazer a cena e mandaram o office-boy do estúdio filmar. Além de Jude Law, outro que aparece sem dizer a que veio é Christopher Lee. Para o leitor ter uma ideia, só lembrei que ele estava no filme porque vi isso agora no IMDB. Caramba, mas que tipo de diretor desperdiça uma lenda viva como Christopher Lee? Não vou dizer que "A Invenção de Hugo Cabret" é uma bomba completa porque as cenas com e sobre Méliès são ótimas, e o momento da exibição de "Viagem à Lua" é emocionante mesmo - tanto que até destoa do resto do filme. O grande problema é que Méliès não é o personagem principal, e sim o chatíssimo Hugo. Uma pena e um desperdício. E estou até agora me perguntando qual é a tal da "Invenção de Hugo Cabret", se o moleque pentelho não inventa (ou faz) absolutamente nada durante o filme inteiro!


NIGHT OF THE LIVING DEAD 3D - RE-ANIMATION (2012, EUA. Dir: Jeff Broadstreet)
Um filme de zumbis com Jeffrey Combs, o Dr. Herbert West de "Reanimator", e com a palavra "Re-Animation" no título, para não deixar dúvidas de que a intenção era atrair os fãs deste clássico dos anos 80. Caí na armadilha: já era tarde demais quando eu descobri que essa bomba é uma "pré-continuação" (mais uma!) do pavoroso "A Noite dos Mortos-Vivos 3D", cometida pelo mesmo diretor Jeff Broadstreet. Eu nem vi esse "original", e certamente não veria esse também se soubesse antes do que se tratava, mas o DVD estava rolando e pensei naquela velha máxima da Marta Suplicy, do "Relaxa e goza". Qual nada: depois de 10 atrozes minutos "disso", comecei a avançar o filme com o FF para ver se pelo menos melhorava no finalzinho, e se o Combs apareceria lutando contra zumbis "Herbert West style". Não, não melhora. Não, não luta. E, acredite se quiser, o negócio fica chato até quando "assistido" em fast foward x16! Sabe-se lá quem foi o cabeça-de-bagre que viu necessidade de explicar o que vem antes da trama de "A Noite dos Mortos-Vivos", mas é basicamente o que tentam fazer aqui (com a velha história da "contaminação por produtos químicos", é claro). Só que fica num bla-bla-bla infernal, com a contaminação contida numa agência funerária pertencente a Gerald Tovar Jr., personagem interpretado por Sid Haig em "A Noite dos Mortos-Vivos 3D" e por Andrew Divoff aqui. Nada acontece até os 55 minutos, e o que acontece a partir disso (a fuga dos zumbis somente na área da funerária, porque isso aqui é uma "prequel" e a trama não pode modificar os fatos mostrados no outro filme) tampouco vale o sacrifício. Os únicos 10 ou 15 minutos que vi em velocidade normal me deram náusea de tanta ruindade e amadorismo, principalmente a longa e inacreditável cena em que alguns jovens funcionários da funerária fumam maconha e têm alucinações (porque maconha provoca alucinação, sabe como é...). Fazem parte do programa mortes em CGI, maquiagens toscas e o desperdício de alguns atores conhecidos da série B (como Scott Thomson, da série "Loucademia de Polícia", e Denice Duff, da série "Subspecies"), em mais um filme ruim de zumbis igualzinho às centenas de outros filmes ruins de zumbis já feitos. Parabéns, pessoal: vocês conseguiram estragar um filme de mortos-vivos com o Jeffrey Combs e com "Re-Animation" no título!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Os filmes que eu vi no Fantaspoa - Parte 2

FASE 7 (Phase 7, 2011, Argentina. Dir: Nicolás Goldbart)
Imagine "REC" sem aqueles infectados que se transformam em zumbis/demônios; assim é "Fase 7", mais um filmaço vindo dos nossos vizinhos da Argentina, e um dos melhores que vi no Fantaspoa este ano. Inspirado no pânico provocado pelo surto de Gripe A anos atrás, o diretor-roteirista Nicolás Goldbart recria o início de "REC" sem sequer ter visto o filme espanhol, conforme garantiu: um velho edifício é colocado em quarentena pelos órgãos de saúde quando verifica-se um caso de uma gripe raríssima e mortal entre os moradores. Não há os zumbis-demônios de "REC", mas não demora para uma atmosfera de paranóia tomar conta dos residentes, que começam a lutar entre si para proteger suas famílias (por medo de que os vizinhos estejam infectados), ou simplesmente por egoísmo (para roubar víveres que estão em falta em casa). A situação evolui drasticamente até iniciar-se uma pequena guerra entre os andares do condomínio, quando entra em cena um malucão que durante anos vinha se preparando para um futuro apocalipse. Mas o mais legal de "Fase 7" é que, apesar do que o resumo da trama possa indicar, o filme tem uma pegada de humor negro e não busca ser tão sério quanto, por exemplo, "O Exército do Extermínio", de George A. Romero (uma das inspirações do diretor). Até porque o protagonista é um bonachão interpretado pelo astro argentino Daniel Hendler, ótimo no papel de um sujeito normal e covarde obrigado a se transformar em "herói" para proteger a esposa grávida. Um dos momentos mais hilários envolve a tentativa de dois sujeitos de pegar um terceiro numa emboscada sem perceber que um espelho na parede denuncia suas posições. E a trilha sonora é confessadamente inspirada em John Carpenter, o que torna o filme um deleite para os fãs do gênero. Com tantas qualidades, "Fase 7" também é um belo argumento de que ainda existem boas histórias para serem contadas a partir de argumentos batidos, dependendo apenas da criatividade dos realizadores. E Goldbart só comete uma pequena falha, que é a de esquecer a personagem da esposa grávida na segunda metade da trama. Fora isso, seu filme funciona que é uma beleza - e merecia ser mais conhecido.


RAIVA (Kalevet, 2010, Israel. Dir: Aharon Keshales e Navot Papushado)
Esta curiosa mistura de horror e comédia de humor negro vinda de Israel (!!!) é uma bela opção para quem acha que já viu de tudo e gosta de ser surpreendido. A trama começa como centenas de outras produções do gênero: um grupo de jovens pega um atalho errado, acaba numa reserva ambiental abandonada e descobre que há um psicopata à solta. Aí você começa a se ajeitar na poltrona, esperando pela tradicional enxurrada de clichês com uma sensação de "E lá vamos nós de novo". E é exatamente aí que "Raiva" começa a surpreender: o tal psicopata some da narrativa, vários outros personagens entram em cena (como um guarda florestal e uma dupla de policiais bananas), e o inesperado toma conta do filme. Movidos pela raiva do título, amigos se tornam inimigos mortais, desconhecidos se matam por puro acaso ou por uma simples interpretação equivocada ("Ah, pensei que ele fosse o psicopata!"), e torna-se completamente impossível prever para onde a história se encaminha - ou, mais especificamente, quem sobreviverá ao festival de mal-entendidos, se é que alguém escapará vivo! No fim, "Raiva" pode ser descrito como uma mórbida comédia de erros parecida com os melhores trabalhos dos Irmãos Coen, como "Gosto de Sangue" e "Fargo", em que os personagens cometem as maiores idiotices e o espectador se pega rindo de nervoso diante da estupidez geralmente seguida de violência. E os diretores-roteiristas Keshales e Papushado não poupam seus protagonistas: uma das grandes cenas, bastante incômoda inclusive, mostra um cadáver recente sendo enterrado enquanto a mensagem na caixa de recados do seu telefone celular anuncia que ele vai ser pai! Uma ótima recomendação para quem gosta de ver clichês sendo contornados com criatividade, muito sangue e algumas saborosas gargalhadas.


ESCALENO (Scalene, 2011, EUA. Dir: Zack Parker)
O que mais impressiona em "Escaleno", este pequeno grande filme dirigido e co-escrito por Zack Parker, é a sua simplicidade: conta-se uma mesma história a partir de três pontos de vista diferentes, e somente no terceiro e último ato percebemos que a coisa pode não ser como pensávamos que era lá no começo. Não é exatamente uma ideia original, mas a forma como ela é executada é que funciona bem: os três personagens centrais (uma mãe super-protetora, seu filho problemático e a adolescente que aceita a tarefa de cuidar do rapaz) são simbolizados por cores bem marcantes, e a transição de um "ponto de vista" para outro é assinalado pelo uso dessas cores em figurinos, cenários e objetos de cena. É um artifício muito melhor utilizado por Parker aqui do que, por exemplo, no pretensioso "Vermelho, Branco e Azul", de Simon Rumley, que também enfoca diferentes personagens usando três cores, mas de uma forma muito mais pedante. Com uma impressionante atuação de Hanna Hall (que estava péssima como irmã de Michael Myers no "Halloween" de Rob Zombie), "Escaleno" não é exatamente um filme de horror; está mais para um drama pesado, embora a surpresa da mudança de ponto de vista da metade para o final torne-o atraente também para quem gosta de thrillers e histórias de mistério. Também serve como impressionante demonstração de domínio da câmera pelo novato Parker, que usa takes longos e momentos de silêncio sem ser chato ou abusar do recurso, além de diferentes artifícios narrativos, da última cena no começo do filme à câmera assumindo a visão em primeira pessoa de um dos personagens. Sem contar que sempre é bom ouvir um cineasta iniciante, que fez um filme usando cores como elemento principal da narrativa, dizer que conhece o trabalho do italiano Mario Bava - conhecido justamente pela marcante fotografia multi-colorida dos seus clássicos. Vale a pena acompanhar os futuros trabalhos do cara.


CARNE CRUA (Carne Cruda, 2012, Espanha. Dir: Tirso Calero)
Duas divertidas comédias exibidas no Fantaspoa 2012 deram um novo olhar sobre temas já explorados "ad nauseam": enquanto o canadense "A Little Bit Zombie" (veja abaixo) buscou uma abordagem diferente dos filmes de zumbis (assunto que já está até ficando chato), o espanhol "Carne Crua" brinca com aquelas produções italianas sobre canibalismo, com citações abertas a "Cannibal Holocaust" e a reverência do diretor-roteirista Tirso Calero a mestres como Lucio Fulci e Mario Bava. A narrativa lembra muito a linguagem televisiva (o diretor trabalha na TV espanhola), numa comédia fanfarrona que conta a história de dois casais que topam com uma seita secreta de canibais na visita a um acampamento de férias abandonado. O protagonista é mordido por um deles e, algo como zumbi, começa a manifestar um desejo irresistível de provar carne humana - um novo hábito que gerará muitas confusões. O próprio Tirso declarou que seu filme foi feito exclusivamente para os fãs do gênero, os únicos que saberão captar o humor referencial e até metalinguístico (um dos personagens chega a cogitar seu retorno numa continuação, piada que até eu usei em "Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado"). Realmente, imagino que o espectador "comum" não pegará piadas como a participação especial do diretor espanhol Nacho Vigalondo, tentando vender a "última casa à esquerda na colina que tem olhos" (brincando com os títulos originais de "Aniversário Macabro" e "Quadrilha de Sádicos", de Wes Craven). Mas há algo de universal nas piadas calcadas em mulher pelada, baixaria e violência exagerada, que provavelmente funcionarão também com outros públicos - embora eu, particularmente, tenha curtido o filme por identificar-me com o tipo de humor escrachado e referencial do realizador.


UM POUQUINHO ZUMBI (A Little Bit Zombie, 2012, Canadá. Dir: Casey Walker)
O que "Tucker & Dale Enfrentam o Mal" fez pelos filmes sobre "caipiras psicopatas" anos atrás, o divertido "Um Pouquinho Zumbi" faz agora pelos filmes sobre mortos-vivos comedores de cérebros. Ok, eu vou confessar aos nobres leitores que já fui um apaixonado por filmes de zumbis, mas hoje não posso mais nem ouvir falar do assunto, tal a quantidade de produções do gênero (extremamente repetitivas e pouco originais) lançadas todo ano. Não é o caso aqui: com um roteiro inspiradíssimo em mãos (assinado por Christopher Bond e Trevor Martin), o diretor Walker realizou uma comédia despretensiosa com um pé na fantasia (graças à insólita dupla de caçadores de zumbis guiados por uma... bola de cristal!) e, o que importa, ENGRAÇADÍSSIMA! A trama acompanha dois casais passando o final de semana numa casa de campo. Um dos rapazes - um pateta que está prestes a se casar - é infectado por um vírus-zumbi e começa a manifestar bizarro gosto culinário por cérebros, preferencialmente frescos. Mas sua noiva, que não quer desmarcar o casamento nem que tenha que entrar na igreja com o noivo putrefato, resolve ajudá-lo a adaptar-se à "nova condição". Segue-se um festival de piadas de rolar de rir, como o ataque do protagonista "meio-zumbi" à mascote da noiva (um inocente coelhinho). E o veterano Stephen McHattie (o Coruja original de "Watchmen") rouba toda cena em que aparece como o troglodita caçador de zumbis. "Um Pouquinho Zumbi" guarda certas semelhanças com outro filme independente chamado "The Revenant" (2009), em que um morto-vivo de primeira viagem também precisava lidar com sua nova condição. Mas narra a história parecida com frescor e originalidade. O que me faz pensar: por que diabos continuam fazendo vinte filmes de zumbis iguais uns aos outros todo ano (incluindo personagens que precisam aprender que morto-vivo só morre com tiro na cabeça), se ainda é possível enfocar novas olhares sobre um mesmo tema, como vemos aqui? Um filme que mereceria um grande lançamento comercial.


VINGANÇA SEM LIMITES (The Girl from the Naked Eye, 2012, EUA. Dir: David Ren)
Esta aventura simples e divertida, que parece uma mistura de "Sin City" e "Drive" com os filmes de pancadaria made in Hong-Kong, foi outra das simpáticas surpresas do festival. Jake é um motorista calado e valentão (hmmm, onde já vi isso antes?), que transporta prostitutas de um cabaré local para seus programas, zelando também pela segurança das garotas. Quando uma delas é assassinada, e justamente aquela por quem o herói era apaixonado, a porrada rola solta numa sangrenta busca por vingança. O filme surpreende com sua atmosfera ora noir, ora comicamente exagerada e cartunesca, lembrando história em quadrinhos (tanto que o filme começa e termina com uma revista abrindo e se fechando, como se fosse uma legítima "pulp fiction" de ação barata). E o herói Jason Yee, também roteirista, luta pra caramba - anos atrás ele já tinha dirigido, escrito e estrelado (!!!) a aventura "Dragão Negro", que passou batida. Por sinal, uma das melhores coisas de "Vingança Sem Limites" é que as cenas de pancadaria são filmadas como deve ser: câmera imóvel em planos mais abertos, permitindo que o espectador enxergue (e entenda) o que se passa. A grande cena do filme é uma recriação de um plano-sequência de "Oldboy", em que o protagonista lutava contra vários oponentes ao longo de um corredor, sempre seguido pela câmera. Arrisco afirmar que a homenagem feita aqui ficou bem melhor que a cena original, com o pau comendo ao som de "Bolero", de Ravel - numa união perfeita de imagem e som. O resultado é uma aventura bem-realizada e sem frescura, que talvez só peque na insistência em tentar soar "moderninha" ao copiar os filmes que Guy Ritchie e Tarantino faziam nos anos 90 (e que já não são "modernos" há mais de uma década). Os personagens excêntricos com diálogos engraçadinhos parecem ter fugido do universo de "Snatch" ou "Pulp Fiction", algo que hoje pode até soar meio jurássico. Perdoando esse defeito (que para alguns pode até passar como qualidade), o filme funciona que é uma beleza. E não tem câmera tremida nas lutas. Precisa de mais algum argumento? Não leve a sério, divirta-se e olho vivo para reconhecer as pequenas participações da musa pornô Sasha Grey e da ex-Lolita Dominique Swain.


O INFERNO (El Infierno, 2010, México. Dir: Luis Estrada)
Você já viu "O Inferno" antes, só que ele se chamava "Traffic", "Scarface", "Profissão de Risco"... Há bem pouco de novo na história de um chicano que volta miserável ao seu país, depois de anos trabalhando como ilegal nos EUA, e precisa virar capanga de um poderoso traficante de drogas para conseguir viver. Seu irmão mais novo teve o mesmo destino alguns anos antes, mas acabou crivado de balas, portanto nosso protagonista herda não apenas a profissão e a esposa do finado (uma prostituta de bordel barato), mas também o provável mesmo destino. Considerando a falta de novidades na tradicional historinha de ascensão e queda de um bandido, é questionável a longa duração desse filme, que torna-se um tanto repetitivo ao longo de suas quase 2h30min de projeção. Mesmo assim, "O Inferno" não é nem um pouco desprezível e consegue manter-se um tantinho acima da média ao desmistificar o "trabalho" dos traficantes de drogas, usando um bizarro humor negro para retratar a sangrenta rotina dos criminosos - como na cena em que o protagonista e um colega dissolvem um cadáver em ácido às gargalhadas, e ao som de uma música festiva, como se aquela fosse uma tarefa corriqueira do dia-a-dia! Lembrando um Tarantino mexicano, o diretor-roteirista Luis Estrada põe seus traficantes e assassinos frios para falar bobagem e discutir amenidades, além de resgatar atores outrora conhecidos do cinema mexicano (como Mario Almada e Isela Vega) em pequenas participações. Só não pense estar diante de uma comédia; pelo contrário, Estrada às vezes pega pesado em cenas brutais que têm o impacto de um soco no estômago, como a execução de um informante com serra elétrica, numa citação mais do que escancarada a "Scarface". Ou o final irônico, em que praticamente todas as instituições sociais (Família, Igreja, Políticos, Forças Armadas) são chacinadas de uma única vez. Para quem não se assustar com a longa duração (que nunca se justifica, pois o filme podia tranquilamente ter uns 40 minutos a menos), é um passatempo divertido, engraçado e sanguinolento, que aborda um problema social sério - o narcotráfico nas pequenas cidades da fronteira mexicana - sem soar chato e pedante como uma aula de sociologia (ou como 90% das produções brasileiras sobre o mesmo tema).


ALUCARDOS - RETRATO DE UM VAMPIRO (Alucardos, 2010, México. Dir: Ulises Guzmán)
Misturando documentário e ficção através de imagens belíssimas, o mexicano Guzmán conta aqui os bastidores de um clássico do cinema de lá - "Alucarda" (1978), de Juan López Moctezuma -, a partir de duas linhas narrativas: a vida sui generis do seu diretor e a impressionante história real de Manolo e Lalo, dois amigos tão obcecados por "Alucarda" que chegaram a sequestrar Moctezuma do sanatório onde ele estava internado para ouvir do próprio cineasta o seu relato pessoal sobre a realização da obra. Para melhor apreciar ambos os temas, porém, é necessário ter um mínimo de conhecimento sobre "Alucarda", já que o filme é mencionado durante 80% do tempo - e a exibição de cenas-chave com os respectivos comentários pode estragar a surpresa de quem ainda não viu. "Alucardos" acaba sofrendo um pouco com o excesso de informação, já que tanto a trajetória bizarra de Moctezuma quanto a obsessão da dupla de fãs pela obra do diretor são histórias reais igualmente interessantes e renderiam seus próprios filmes separadamente. E como ambas são contadas de maneira intercalada - pulando o tempo inteiro do diretor para os fãs e então de volta para o primeiro, e assim sucessivamente -, às vezes a narrativa parece perder um pouco o foco. Mas fãs de horror em geral têm a obrigação de conhecer, seja pelas hilárias histórias dos bastidores de "Alucarda" e anedotas sobre a carreira do seu diretor, seja pelo amor incondicional de Manolo e Lalo pelo seu filme preferido - uma paixão cinéfila de emocionar.


CENTOPÉIA HUMANA 2 (The Human Centipede II - Full Sequence, 2011, Holanda. Dir: Tom Six)
O pior filme que vi no Festival, ao lado do patético "Shiver". Só para deixar claro desde o início: eu realmente achei o primeiro filme bem legal. Lá, o diretor-roteirista Tom Six teve uma ideia extremamente escrota, mas executou-a com certa elegância e muita sutileza - e acho que a situação ficou mais tensa e asquerosa dessa forma apenas sugerida. Aí chega o segundo filme e Six joga a sutileza no lixo, com direito a uma quantidade absurda de grosserias por minuto. Claro, para alguns espectadores é JUSTAMENTE ISSO que interessa, bem como a capacidade do sujeito conseguir ser mais e mais ofensivo. Para mim, soou menos como filme e mais como uma provocação infantil do diretor para aqueles que reclamaram que o primeiro não era tão explícito ("Ah é? Agora vocês vão ver!"). O resultado é um autêntico tiro no pé: as cenas que deveriam ser chocantes são apenas engraçadas, o exagero torna tudo ridículo, e a melhor ideia (a questão da metalinguagem, já que o psicopata aqui é obcecado pelo primeiro filme) é esquecida em segundos - até porque o título em si é uma armadilha, e o diretor precisa mostrar uma "centopéia humana" para não parecer propaganda enganosa, embora o mais interessante dessa continuação seja a forma como o filme original afetou o vilão, e não propriamente a criação do "bicho"! Isso sem contar a pretensão "artística" de filmar em preto-e-branco, algo sem qualquer justificativa, ou o final dúbio que permite pelo menos duas interpretações completamente diferentes - e ambas bem embaraçosas. Six sequer tem um roteiro para desenvolver, e prefere catalogar um asqueroso festival de agressões e mutilações perpetradas por um vilão gordo e escroto. Os personagens das vítimas não têm nomes ou prévia apresentação, e a maioria nem ao menos tem diálogos! Até as intermináveis continuações de "Sexta-feira 13" tinham mais história para contar. E confesso que também saí da sessão vendo "Centopéia Humana 2" como o ponto mais baixo que o cinema "comercial" já atingiu - e, sinceramente, se alguém quiser bater esse recorde, eu não estarei lá para ver. Os defensores de Six e dessa bobagem de mau gosto alegam que sua principal "qualidade" (tá certo...) é justamente a falta de vergonha na cara do diretor e a maneira como ele não se importa em pegar cada vez mais pesado (tipo o sexo anal com arame farpado enrolado no pinto). Tudo bem, só que esse argumento também autoriza qualquer um a fazer qualquer coisa. Confesso que esse não é o meu tipo de filme: eu gosto de um mínimo de narrativa e de propósito, não de uma mera sequência de tortura e morte, como a mostrada aqui. E Six já anunciou um terceiro filme para breve. Vem cá, cara, não está na hora de mudar de assunto, não?

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Os filmes que eu vi no Fantaspoa - Parte 1

INATO (Inbred, 2011, Reino Unido. Dir: Alex Chandon)
Uma das grandes surpresas do Fantaspoa 2012, e que eu ia deixar passar se não fosse a recomendação do Cristian Verardi. Para ir direto ao assunto, este aqui é o grande filme sobre caipiras psicopatas que o Rob Zombie tentou fazer duas vezes (com "A Casa dos Mil Corpos" e "Rejeitados Pelo Diabo"), mas cagou fora da panela. Já o diretor inglês Alex Chandon dá uma aula de conhecimento do tema e do gênero, citando uma infinidade de filmes dos anos 70-80 ao contar a história de quatro jovens problemáticos levados por seus tutores até uma cidadezinha da região rural da Inglaterra. Era para ser um final de semana de diversão, mas no momento em que o pessoal da cidade grande cruza com os caipiras, começa um banho de sangue que remete a clássicos como "Amargo Pesadelo", "O Massacre da Serra Elétrica" e "2.000 Maniacs". A exemplo dos clássicos citados, a história tem um desenvolvimento lento na primeira parte, descambando para o horror explícito apenas da metade para o final. E tome sangue, mutilações e tripas em cenas gráficas e exageradas (a câmera nunca desvia do alvo), produzidas ora com efeitos práticos (aleluia!), ora com uma ajudinha de retoques digitais. E é um caso raro em que a computação gráfica ajuda ao invés de comprometer: a lenta decapitação de um sujeito a golpes de cutelo é digna de figurar entre os melhores momentos do gênero desta década! Felizmente, "Inato" não é sério e pesado como as produções que reverencia, e Chandon prefere entregar um humor negro crudelíssimo, inclusive com uma asquerosa "homenagem" ao modismo do cinema 3-D. No fim, essa pérola é mais uma prova de que os estúdios não entendem porra nenhuma, pois funcionaria muito melhor como refilmagem de "2.000 Maniacs" do que aquele lamentável remake oficial feito pelo Tim Sullivan em 2005. Também demonstra a notável evolução do diretor Chandon num período de dez anos, considerando que ele foi o sujeito responsável pelo péssimo "Nascido do Inferno" (2001), aquele terror podreira estrelado pelo roqueiro poser Dani Filth. É uma evolução praticamente da água para o vinho, e eu espero MESMO que Chandon continue fazendo filmes de horror tão divertidos, descerebrados e sanguinolentos quanto este. E vê se aprende uma ou duas coisas com "Inato" antes de fazer um novo filme sobre caipiras psicopatas, Rob Zombie!


CELL COUNT (2012, EUA. Dir: Todd E. Freeman)
Em um lugar e em uma época não-identificados, um marido desesperado aceita submeter sua esposa acometida por doença terminal a um misterioso tratamento revolucionário que promete a cura instantânea. Mas, como estamos numa história confessadamente inspirada na obra do canadense David Cronenberg, é claro que a tal cura logo vai se revelar bem mais perigosa do que a doença... "Cell Count" foi o filme de encerramento do Fantaspoa 2012, e teve sua estréia mundial no festival gaúcho, o que criou um ar de forte expectativa pela obra do diretor-roteirista Todd E. Freeman (um sujeito muito simpático que participou do festival desde o primeiro dia). Apesar das referências explícitas a Cronenberg e a "O Enigma do Outro Mundo", o horror médico-científico orquestrado pelo jovem cineasta lembrou-me muito mais o filme australiano "Corrosão - Ameaça em Seu Corpo", de Philip Brophy, com o qual tem em comum a narrativa fragmentada que vai empilhando efeitos repulsivos de mutações dos personagens - todos submetidos à "cura" e mantidos em quarentena num laboratório de segurança máxima. Algumas cenas são visualmente impactantes, como a do sujeito que tem a cabeça toda coberta por uma segunda pele e vira uma criatura asquerosa (em destaque na arte do pôster). Freeman também acerta em fugir dos clichês, e mantém o espectador entre interessado e incomodado ao não explicar direito o que está acontecendo. Infelizmente, "Cell Count" tem uma conclusão de certa forma decepcionante, anunciando que a história continuará em uma futura Parte 2. Como nada é resolvido e não há sequer algo parecido com um desfecho - pelo contrário, a ação é interrompida literalmente no meio! -, não deixa de ser injusto com a audiência, a exemplo do que já havia feito, anos atrás, o filme espanhol "O Legado Valdemar" (que também parava na melhor parte e obrigava o espectador a esperar pela Parte 2). É algo tão brochante quanto coito interrompido. Mas, entre erros e acertos, o negócio agora é esperar (à força) pela conclusão da trama, já que Freeman promete que "Cell Count 2" será completamente diferente do primeiro e uma mistura de "Aliens - O Resgate" e "Mad Max 2". E, conversando com o sujeito, percebe-se claramente que ele usou este primeiro filme para apresentar as ideias que pretende desenvolver de maneira mais ambiciosa no próximo filme. Certamente estarei no cinema quando estrear.


A ESCALA DA AGRESSÃO (The Aggression Scale, 2012, EUA. Dir: Steven C. Miller)
Se "Esqueceram de Mim" tivesse sido dirigido por Wes Craven, o resultado seria algo bem próximo desse "A Escala da Agressão" - outra das boas surpresas do Festival. A trama é simples e vai direto ao assunto sem enrolação: Ray Wise (em participação minúscula) é um chefão do crime que manda um grupo de capangas truculentos atrás de um traidor que roubou seu dinheiro. Vários inocentes são mortos brutalmente, até que os bandidos chegam ao verdadeiro responsável. Só que eles também encontram um obstáculo inesperado: um garotinho problemático que começa a combater os sádicos criminosos de igual para igual, com muita esperteza e armadilhas cada vez mais tenebrosas. A "versão malvada" de Macaulay Culkin é Owen (Ryan Hartwig), um pequeno diabinho que faria a órfã do filme homônimo mijar nas fraldas de medo. E, felizmente, o roteiro de Ben Powell não tenta inflar o "heroísmo" do garoto e nem esconder o fato de que, na verdade, ele é um verdadeiro psicopata mirim, mais ou menos como se o Michael Myers moleque deixasse a série "Halloween" para invadir um outro filme. O diretor Miller não poupa na violência e na brutalidade (em cenas com participação direta da criança, sem frescura), de maneira que não fica absurdo quando os experientes bandidões (incluindo o gigante Derek Mears, o Jason do remake de "Sexta-feira 13") começam a ficar com medo do moleque. Uma curiosidade (e também uma bela surpresa) é a participação de um envelhecido Dana Ashbrook, ator medíocre que, aqui, está muito bem como Lloyd, o líder dos capangas, e quem mais sofre nas mãos do garoto. Temos, assim, dois atores do seriado "Twin Peaks" no mesmo filme: o pai (Wise) e o namorado (Ashbrook) de Laura Palmer. Despretensioso, sem lero-lero, rápido e rasteiro, "A Escala da Agressão" é um belo argumento para ficar de olho no trabalho de Steven C. Miller, que já havia chamado a atenção com o independente "Automaton Transfusion" e está terminando de filmar o remake de "Natal Sangrento" (com Malcolm McDowell no elenco!).


CALIBRE 9 (2011, França. Dir: Jean-Christian Tassy)
A estréia cinematográfica do diretor-roteirista francês Jean-Christian Tassy é uma aventura tão absurda e tão estúpida que, em vários momentos da projeção, eu realmente comecei a me questionar porque diabos estava assistindo aquilo. É necessário desligar o cérebro para poder engolir melhor a história de um burocrata do governo, Yann (Laurent Collombert), transformado da noite para o dia em super-assassino invencível quando encontra uma pistola possuída pela alma de uma prostituta assassinada!!! Não, você não leu errado: o cara encontra uma arma que contém a alma de uma mulher, e ela não apenas conversa o tempo inteiro com o herói (!!!), mas também pode obrigá-lo a fazer coisas, no estilo daquela velha comédia "Um Espírito Baixou em Mim". Esse "pequeno detalhe" fantasioso serviria para transformar "Calibre 9" em uma absurda comédia de humor negro, caso seus realizadores não levassem a piada muito a sério durante a maior parte do filme. E as cenas de ação são bem convencionais, resumindo-se ao mira-atira-faz sangue jorrar. Tudo embalado com uma irritante embalagem "moderninha" de cortes ultra-rápidos, câmera sacolejante, filtros coloridos e efeitos visuais de todos os tipos e tamanhos, remetendo a um videoclipe grosseiro de alguma banda do momento. Mas quem conseguir abstrair tudo isso encontrará um filminho razoavelmente divertido para tardes chuvosas, e que começa a ficar melhor na metade final, quando o diretor perde completamente a vergonha na cara e vai deixando a coisa cada vez mais exagerada - com direito a um tiroteio em que o vilão metralha, sem dó nem piedade, dezenas de vítimas inocentes, incluindo garotinhos que brincam num parque infantil! E o herói interpretado por Collombert até que funciona, lembrando muitas vezes uma cópia pobretona de Jason Statham na série "Carga Explosiva", com a mesma careca e o mesmo terninho sujo de sangue. Para públicos específicos, que não se importem com a imbecilidade da proposta (arma falante? pfffff...).


PEQUENOS MONSTROS (Little Monsters, 2012, EUA. Dir: David Schmoeller)
O retorno de David Schmoeller depois de 14 anos sem fazer um filme para cinema é uma bela surpresa. Para quem não lembra, o sujeito tem um passado repleto de preciosidades do horror barato feitas para as produtoras Empire e Full Moon, de Charles Band (entre elas, "Armadilha Para Turistas", "Bonecos da Morte" e "Catacumbas"). Em seu retorno às telas, ele preferiu explorar a maldade humana em uma produção mais séria e dramática a fazer outro horror barato e sanguinolento. A história de dois garotos de 10 anos que matam um menino de 3 anos sem motivo algum é inspirada num chocante episódio real, o assassinato do menino James Bulger, acontecido em Londres no começo dos anos 90. Schmoeller pula os detalhes macabros do crime e muda a localização da história para os EUA, dando assim a sua própria versão do que teria acontecido aos dois pequenos assassinos quando eles atingiram a maioridade e foram libertados da prisão com identidades falsas e novas famílias adotivas. A reintegração à sociedade não é tão simples, e um dos rapazes decide procurar pelo ex-colega de crime para "acertar as contas". Paralelamente, o roteiro critica o circo da mídia sensacionalista, na pele de dois repórteres de tablóide que recebem a missão de descobrir e revelar as novas identidades dos "pequenos monstros". A produção é barata até para os padrões de Schmoeller, que revelou não ter pagado nenhum dos atores - a maioria em seu primeiro filme. O diretor também não escapa de alguns clichês, como o garoto malvado que aparece sempre fumando e que exagera nos trejeitos de psicopata. E não dá a devida atenção a um personagem interessante: o homem que caça os dois rapazes com a intenção de matá-los para "tranquilizar" a opinião pública. Descontando esses defeitos, "Pequenos Monstros" é uma mistura eficiente de suspense e drama, curiosa também por resgatar um episódio trágico que estava quase esquecido, e com uma conclusão irônica que não faz nenhum julgamento. Pode até não ser o filme que se esperava do mesmo David Schmoeller que dirigiu "Armadilha Para Turistas" e "Bonecos da Morte", mas é um retorno bem decente ao cinema depois de mais de uma década de curtas e produções para a TV.


SHIVER (2011, EUA. Dir: Julian Richards)
Indiscutivelmente um dos piores filmes do Fantaspoa 2012, "Shiver" é uma produção extremamente convencional que narra, pela enésima vez, a história de um terrível assassino obcecado por uma jovem vítima, e que passa o restante do tempo de projeção enganando a polícia e perseguindo a pobre coitada. Ou seja, uma trama trivial mais apropriada para o Supercine do que para as salas de cinema. Só que o resultado consegue ser ainda pior graças ao roteiro do produtor Robert D. Weinbach (baseado num livro de Brian Harper), praticamente uma coletânea de todos os clichês mais batidos do gênero - do assassino que se disfarça de policial até o cobertor colocado nas costas da vítima que escapou de um ataque (e eu realmente queria saber se, na vida real, a polícia norte-americana distribui cobertores para as vítimas de crimes!). Parece que não pode piorar, mas a coisa só vai ladeira abaixo: o serial killer, auto-intitulado "The Griffon", é interpretado pelo australiano John Jarratt (o vilão de "Wolf Creek"), mas não tem como acreditar que um velhinho como ele possa fazer tanto estrago, com direito a uma cena final parecida com o ataque de Schwarzenegger à delegacia em "O Exterminador do Futuro". Isso sem contar que o vilão é tão chato que poderia matar suas vítimas de tédio. Já a mocinha em perigo é interpretada por Danielle Harris, que enfrentou Michael Myers quatro vezes (duas na série original e duas nos remakes de Rob Zombie), mas pelo visto não aprendeu nada, pois tem 200 chances de fugir e/ou matar o vilão, mas sempre as desperdiça. E, para arrematar, temos a presença de dois veteranos do cinema classe B, Casper Van Dien e Rae Dawn Chong (!!!), mas eles passam pelo filme como mero enfeite, sem fazer absolutamente nada que justifique suas presenças. "Shiver" é, portanto, um filme constrangedor, e a presença do próprio produtor e roteirista Weinbach no Fantaspoa tornou tudo mais surreal, pois ele falava do filme como se fosse a oitava maravilha do mundo! A direção do inglês Julian Richards ("The Last Horror Movie") é convencional, e algumas poucas cenas bastante violentas (como a vítima que tem o pescoço brutalmente cortado pelo vilão com um garrote) não salvam o projeto do fiasco. Não consegue nem mesmo ser divertido de tão ruim: é apenas ruim, e totalmente deslocado no tempo, já que talvez conseguisse atrair alguma atenção se fosse feito vinte anos atrás, na época de "O Silêncio dos Inocentes", e não hoje, depois de dezenas (quiçá centenas) de filmes idênticos sobre serial killers à solta...


A MEMÓRIA DO MORTO (La Memoria del Muerto, 2012, Argentina. Dir: Valentín Javier Diment)
Já virou clichê dizer que o cinema argentino está dando uma surra no cinema brasileiro. Quando o assunto é cinema fantástico, então, a surra passa a ser um autêntico linchamento: infelizmente ainda vai demorar um bom tempo para que o Brasil consiga produzir algo no nível de "A Memória do Morto", esta surpreendente fábula de horror dos hermanos, que cita desde o cinema europeu (no uso das cores em cenários e figurinos) até "Evil Dead" (nos frenéticos movimentos de câmera). O roteiro conta a história de uma viúva que reúne um grupo de amigos para honrar a memória do seu recentemente falecido marido, num casarão perdido no meio do nada. Quando a noite cai, ela confessa que tudo faz parte de um diabólico plano para trazê-lo de volta à vida. A partir de então, os convivas não podem mais sair da casa, pois serão atacados pela força diabólica que cerca o local, mas tampouco estão seguros lá dentro, onde começam a ser brutalmente assassinados um a um. A melhor coisa do filme é que ele escapa de ser apenas mais um slasher ao mergulhar personagens e espectadores num clima opressivo de pesadelo, fazendo uso de uma direção de arte fascinante que lembra muito os filmes de Guillermo del Toro. Numa das melhores cenas, aparece até uma pequena fantasminha sem olhos que é bem parecida com aquele famoso monstrengo de "O Labirinto do Fauno". E os hermanos não economizam na violência, promovendo um banho de sangue que inclui até cabeça decepada com serra elétrica! Para completar, a conclusão fecha o filme com chave-de-ouro, num final que não apenas é surpreendente, mas também tragicamente irônico. Resumindo: uma obra a ser conhecida - e lembrada com pesar toda vez que um novo "filme de horror brasileiro" chegar aos cinemas ou ao circuito alternativo. Dá até uma tristeza lembrar que ainda vai demorar bastante para atingirmos o nível de excelência demonstrado pelo diretor Diment e sua trupe aqui em "A Memória do Morto"...


PRAGA ZUMBI: REVOLUÇÃO TÓXICA (Plaga Zombie: Revolución Tóxica, 2011, Argentina. Dir: Pablo Parés, Hernán Sáez e Paulo Soria)
E se as produções profissionais made in Argentina já nos dão um baile (vide acima), o que dizer dos filmes independentes? Esse "Praga Zumbi" teoricamente é uma brincadeira feita por amigos no fundo do quintal e com alguns poucos trocados, mas parece superprodução hollywoodiana perto da maioria dos "independentes" brazucas. Trata-se da terceira parte de uma série de filmes de baixíssimo orçamento que começaram a ser produzidos pela mesma turma de amigos lá no começo dos anos 90 (o primeiro ainda filmado em VHS!). A diferença é que agora a produção é um pouquinho mais profissional, embora mantenha as piadas infames e escatológicas no nível das obras da Troma. A história começa exatamente onde a segunda parte (feita em 2001!!!) terminou, com o trio de heróis Max Giggs, Bill Johnson e John West descobrindo que os zumbis que invadiram sua cidade são, na verdade, hospedeiros de criaturas alienígenas. Agora, eles precisam destruir a nave-mãe que sobrevoa o local e impedir que os aliens dominem o mundo, utilizando para isso um "zumbi de Tróia" (!!!) com o bucho cheio de pólvora. O fiapo de história é mera desculpa para um festival de trapalhadas e gore cômico à la "Fome Animal". As piadas nem sempre funcionam, mas divesas delas são hilárias, como o agente do FBI que passa o filme sendo atacado e perdendo partes do corpo, ou a relação afetiva de um dos heróis com o "zumbi de Tróia". Talvez o filme seja longo demais (e os ataques de zumbis começam a ficar repetitivos e arrastados na segunda metade), mas é impossível não se surpreender com a qualidade do que é, na essência, uma produção independente e amadora. Destaque também para a fabulosa sequência musical, quando os heróis e os zumbis param tudo para dançar e cantar (e a musiquinha é daquelas grudentas, que o espectador se pega assobiando semanas depois de ter visto o filme). Uma grande bobagem, mas divertida e bem produzida, além de realizada com visível paixão.


THE ROAD (2011, Filipinas. Dir: Yam Laranas)
Um daqueles casos clássicos de "bonitinho, mas ordinário", esse curioso horror filipino conta uma história dividida em três partes interligadas. Começa na atualidade (no caso, em 2008), quando três jovens que roubam o carro dos pais de um deles se perdem numa estrada deserta e são assombrados por fantasmas. A partir daí, a trama começa a voltar no tempo para mostrar episódios acontecidos em 1998 e em 1988, e que explicam o porquê das assombrações da primeira parte, envolvendo um caso de desaparecimento nunca resolvido pela polícia. Segundo o diretor Laranas, que esteve no Fantaspoa, o roteiro foi baseado num crime real acontecido nas Filipinas e que também nunca foi resolvido pela polícia. O grande problema de "The Road" é que o filme é belissimamente fotografado (bonitinho), mas burocrático, sem surpresas e desprovido de emoção em seu desenvolvimento (ordinário). Além disso, nunca assusta ou surpreende o espectador, embora tente fazer isso várias vezes. A primeira história, principalmente, é tenebrosa no mau sentido, com uma quantidade absurda de clichês somada ao comportamente debilóide dos personagens. Já as outras duas eliminam um pouco o elemento sobrenatural para explicar os crimes que geraram a "maldição" e a própria infância e motivação do assassino, um dos pontos altos do filme, mas daí já é tarde demais para conseguir salvar o resultado final. A impressão que dá é que o diretor se perdeu nas curvas, podia ter enxugado o roteiro e enfocado a situação de uma outra maneira. Sem contar que o último episódio é tão melhor dirigido que os outros dois que até parece um outro cineasta comandando a câmera. No conjunto, um filme bem realizado tecnicamente, mas enfadonho e repetitivo (até tirei duas sonecas lá pela metade). E será particularmente irritante para quem já viu mais de um filme oriental sobre fantasminhas vingativos (tipo a franquia "Ju-On").


BAD ASS (2012, EUA. Dir: Craig Moss)
A grande piada de "Machete", de Robert Rodriguez, era colocar o feioso Danny Trejo, mais conhecido pelos seus papéis de vilão, como protagonista. Infelizmente, a brincadeira não passou disso e o resultado foi bem abaixo da média. Agora, "Bad Ass" repete o mesmo erro e também se demonstra um filme de uma piada só. Trejo interpreta Frank Vega, um veterano do Vietnã que, aos sessenta e poucos anos de idade, dá uma surra em dois neonazistas num ônibus e vira herói popular da noite para o dia graças ao YouTube. O mais bizarro é que o episódio foi baseado numa história verdadeira: em 2010, um coroa fortão de 67 anos chamado Thomas Bruso, usando uma impagável camiseta onde lia-se "I Am a Motherfucker", deu uma sova daquelas num rapaz negro que procurava confusão durante uma viagem de ônibus. O vídeo da surra, gravado com um celular, virou febre no YouTube (acompanhe toda a história do caso e da sua repercussão aqui). "Bad Ass" até é divertido e interessante em seus primeiros 20 minutos, quando enfoca o episódio real e a inacreditável transformação de Vega em herói do bairro. Sem contar que é curioso o fato de um filme basear-se num vídeo de sucesso do YouTube! Mas logo o diretor-roteirista Craig Moss perde a mão e transforma a história em mais um "Desejo de Matar" genérico e sem grandes ousadias ou reviravoltas. E nem dava para esperar coisa melhor de um cara que dirigiu duas comédias absurdamente ruins (uma delas é "A Saga Molusco: Anoitecer"!). As cenas de ação não empolgam, o roteiro é ridículo e cheio de furos (o que um velhote sem-teto faz com um pendrive contendo informações secretas envolvendo o prefeito da cidade?) e bons atores, como Ron Pearlman, fazem apenas participações especiais de poucos minutos. Tirando uma ou outra cena mais inspirada, como o sangrento interrogatório em que a mão do sujeito é colocada no triturador de lixo, o resultado é uma aventura burocrática que até diverte, mas some da memória tão logo os créditos finais começam a subir. Uma pena, considerando que, com um bom diretor e um bom roteiro, poderíamos ter uma curiosa variação de "Gran Torino" ou "Harry Brown", outras duas aventuras recentes com heróis geriátricos. Como não é o caso de bom diretor e de bom roteiro, até mesmo a idade avançada do herói é esquecida em poucos minutos! E se Trejo até se sai bem como protagonista, infelizmente "Bad Ass" cai nas mesmas armadilhas de "Machete" - e nosso herói novamente não aparece catando a mocinha bonita!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mais opiniões resumidas para cinéfilos apressados

PREMONIÇÃO 5 (Final Destination 5, 2011, EUA. Dir: Steven Quale)
A minha geração teve "Sexta-feira 13" e "A Hora do Pesadelo"; a atual tem "Jogos Mortais" e "Premonição". Essa última, que acaba de chegar ao quinto episódio, é a verdadeira "Sexta-feira 13" do século 21: as mudanças de um filme para outro, tanto na estrutura narrativa quanto nas situações, são mínimas, e as "continuações" parecem mais refilmagens descaradas do original do que sequências. Até aí tudo certo, considerando que os filmes do Jason não eram muito diferentes. E, em ambos os casos, você vai ao cinema apenas para ver as mortes criativas e cada vez mais violentas, e nada mais, esquecendo em segundos os nomes dos "personagens" e suas interações entre as mortes. Como todos os outros que o antecederam, "Premonição 5" começa com um desastre, neste caso o desmoronamento de uma ponte suspensa. Um rapaz vê a tragédia numa premonição e salva alguns dos seus amigos, mas, como o "plano da Morte" foi frustrado, ela começa a matá-los através de acidentes criativos copiados da série "A Profecia". A cena da ponte rende umas mortes sangrentas incríveis, principalmente se você assistir o filme em 3-D. E é uma pena que "Premonição 5" comece com uma cena tão foda que depois não consegue criar nada minimamente parecido. Em alguns casos, a falta de imaginação dos realizadores é vergonhosa, como na cena da morte da menina que vai fazer uma cirurgia no olho: o clima prepara o espectador para algo extremamente nauseante, mas na hora H o desfecho é bem sem graça. Claro que quem for ver um filme chamado "Premonição 5" já sabe o que esperar, e esse é o melhor da série depois do primeiro, principalmente pelo fantástico final que tem relação direta com o original. E pelo menos ninguém tenta maquiar o fato de não ter mais história para contar (como fizeram nas insuportáveis Partes 3 e 4), optando por uma narrativa dinâmica e sem enrolação, onde as cenas sangrentas se sucedem. Falta apenas um roteirista mais inspirado para criar umas mortes melhores e aproveitar decentemente personagens como o chefe da empresa (David Koechner, de "Serpentes a Bordo" e "Obrigado por Fumar", sempre engraçadíssimo). Mesmo assim, vale o preço do ingresso e entrega à molecada o que ela quer ver: tripas e sangue jorrando em 3-D, e sem precisar pensar muito. Com a conclusão "circular", ficaria ótimo se a série terminasse por aqui. Porém, considerando o sucesso de bilheteria, é bem improvável que isso vá acontecer, então prepare-se para mais mortes criativas, e nenhuma história para contar, em 2012 ou 2013!


QUARENTENA 2 (Quarantine 2 - Terminal, 2011, EUA.
Dir: John Pogue)

Eis um caso esquisito: isso aqui é uma continuação de "Quarentena", a dispensável (e horrorosa) refilmagem norte-americana (e quadro a quadro) do excelente filme espanhol "REC". Os espanhóis fizeram uma sequência do seu filme, "REC 2", que dividiu opiniões. Os americanos não demoraram a dar continuidade também à versão ianque. Porém, considerando que os responsáveis pelo remake não tiveram colhões para manter os detalhes "religiosos" do filme espanhol, não faria sentido se "Quarentena 2" seguisse a narrativa de "REC 2". Foi necessário contar uma história "original", abandonando inclusive o estilo "câmera em primeira pessoa". Aqui, o vírus que transforma pessoas em zumbis se manifesta dentro de um avião em pleno vôo. Confesso que me surpreendi com o início dessa sequência: o diretor-roteirista John Pogue aproveita muito bem o ambiente claustrofóbico do avião, conseguindo até criar tensão e suspense. Só que aí a aeronave faz um pouso de emergência, a ação se transfere para dentro de um terminal de desembarque de bagagens isolado pelas autoridades, e todo aquele clima legal do início escoa pelo ralo. Se Pogue mantivesse o clima dos primeiros 25 minutos, dentro do avião, "Quarentena 2" seria um puta de um filme. Mas, infelizmente, a aeronave pousa e a história vira um simples repeteco do original (ou do primeiro "REC", se preferirem). Para piorar, os infectados tornam-se uma ameaça secundária diante de... ratos?!? Nem mesmo o cenário escuro e limitado é aproveitado, pois os personagens ficam perambulando de um lado para o outro e os zumbis parecem se esconder pelos cantos para atacar de surpresa (super-coerente, não?). Só sei que eu já vi tudo isso antes e melhor, do exército que tenta resolver a parada e só faz cagada aos personagens estereotipados. E o fato de o diretor estragar toda e qualquer cena com potencial para ser tensa também não ajuda! Até os críticos de "REC 2" vão ter que concordar que a situação é muito melhor desenvolvida no filme espanhol...


PUPPET MASTER - THE LEGACY (2003, EUA. Dir: "Robert Talbot" aka Charles Band)
O produtor barateiro Charles Band é um daqueles caras que não sabe quando parar. Criou franquias muito interessantes ("Trancers", "Puppet Master", "Subspecies"), somente para depois destruí-las lançando inúmeras continuações cada vez mais fracas, redundantes e apelativas. Para quem não sacou pelo título original, "Puppet Master" é aquela série dos bonequinhos assassinos, iniciada em 1989 com o excelente "Bonecos da Morte" e atualmente em seu décimo (!!!) episódio, e que eu particularmente sempre achei melhor que "Brinquedo Assassino". Bem, este "Pupper Master - The Legacy", o oitavo da série, é uma espécie de sonho de todo maluco que já tentou acompanhar as aventuras dos bonequinhos assassinos: um "filme-retrospectiva" que usa cenas dos episódios anteriores em ordem cronológica para tentar colocar ordem no caos. Afinal, cada continuação foi criando características próprias para a mitologia da série e dos próprios bonecos, e nem todas as mudanças foram positivas. Enfim, qualquer fã de "Puppet Master" teria condições de fazer um belo trabalho em cima disso, passando a borracha nas besteiras (como a situação "bonecos versus demônios" das Partes 4 e 5) e corrigindo erros grosseiros. Infelizmente, não foi o que aconteceu aqui: o produtor Band, escondido atrás de um pseudônimo, simplesmente filmou uns 10 minutinhos de cenas novas (com um "ator" e uma "atriz" conversando) para poder costurar cenas de todos os outros filmes, mas sem nenhum critério. Deixou de lado explicações importantes (como a cena que explica que a bonequinha das sanguessugas é a falecida esposa do Toulon, mostrada na Parte 3) e cenas marcantes; sem contar que a edição caótica lembra um videozinho amador feito por alguém que está aprendendo a mexer no Premiére. O resultado pode até servir como resumão (incompleto, infelizmente) dos sete filmes anteriores, mas como filme não funciona, é a "costura" das cenas reutilizadas é amadorística, sem critério, bastante picareta. Considerando-se que "isso" saiu do próprio mentor da série, Charles Band, é algo no mínimo questionável, mais um golpe baixo para tirar dinheiro dos fãs, como o babaca aqui, que chegou a comprar o DVD original. Proposta boa, mas execução primária e questionável. Da próxima vez que quiser fazer algo assim, Band, chame um fã da série para colocar pelo menos um pouco de interesse no resultado final!


DEMONIC TOYS 2 (2010, EUA. Dir: William Butler)
Certas coisas deviam ter permanecido no passado: Jason, Leatherface, Michael Myers e, agora, também os filmes com bonequinhos assassinos em stop-motion produzidos por Charles Band nos anos 80-90. Se você acha que depois do picareta "Pupper Master - The Legacy", resenhado aí em cima, a coisa não podia piorar, prepare-se para "Demonic Toys 2". Para quem não lembra, "Demonic Toys" é uma outra franquia com bonecos malvados produzida por Band, e que sempre ficou à sombra da série "Puppet Master" (que era realmente bem melhor). Em anos anterior, o produtor colocou seus "demonic toys" em crossovers com outros personagens da sua produtora, e agora aparece com essa tentativa questionável (e mais que tardia) de ressuscitar uma série já esquecida. Chamou um ator-diretor razoavelmente conhecido (William Butler, de "Madhouse - A Casa dos Horrores"), mas esqueceu de dar um mínimo de dinheiro para o coitado; também parece ter esquecido "detalhes" como roteiro, efeitos especiais e produção. Substituindo o stop-motion das antigas por CGI de quinta categoria, "Demonic Toys 2" aparentemente custou menos de um salário mínimo, e se alonga penosamente por insuportáveis 1h15min em que praticamente nada acontece além de um bando de personagens ridículos, interpretados por atores desconhecidos, perambulando por um velho castelo italiano e se tornando presas fáceis para os "brinquedos demoníacos". Não há uma única cena interessante ou morte criativa, a "história" não se sustenta e o sangue em CGI é tão ruim que parece o resultado de alguém brincando com animação em 3D no AutoCad (duvida? então dê uma olhada). E pensar que o "Demonic Toys" original, que não era nenhuma obra-prima (mas parece, comparado com esse lixo), havia sido escrito por David S. Goyer, atualmente roteirizando blockbusters como "Batman - O Cavaleiro das Trevas"...


RAMMBOCK (2010, Alemanha/Áustria. Dir: Marvin Kren)
Será que alguém podia criar uma lei proibindo novos filmes de zumbis, especialmente se esses filmes não têm nada de novo a acrescentar? Porque o que teve de histórias sobre mortos-vivos nos últimos anos não é brincadeira, e você percebe a gravidade da coisa quando até um país como o Brasil vive uma overdose de filmes de zumbis num curto período de tempo ("Mangue Negro", "A Capital dos Mortos", "Era dos Mortos" e "Porto dos Mortos", para citar quatro títulos conhecidos, saíram praticamente juntos com curtíssimo intervalo de tempo). E se nem um veterano como George A. Romero tem histórias novas para contar, o que esperar de uma produção independente vinda da Alemanha, como esse "Rammbock"? Se não tem nada para acrescentar, que pelo menos seja divertido, certo? Bem, infelizmente não é o caso aqui. O filme de Marvin Kren é extremamente repetitivo e desinteressante. Copiando uma situação básica já mostrada tanto no clássico "A Noite dos Mortos-vivos" quanto no recente "REC", narra o drama de uns personagens malas presos num prédio estilo cortiço durante uma infestação de mortos-vivos (do tipo maratonista, que virou moda depois de "Extermínio" e "Madrugada dos Mortos"). "Rammbock" tem o mesmo problema de "Quarentena 2", resenhado lá em cima: eu já vi tudo isso antes, então pelo menos que o filme fosse divertido para fazer valer o tempo perdido em frente à TV. Não é o caso: a narrativa é arrastada, insuportável, sem novidades e sem nenhum carisma. Tanto que a duração é inferior a 60 minutos, mas a sensação é de que o filme tem mais de duas horas. Para piorar, o "herói" é um fracassado, mas não um "looser" gente boa e engraçado, tipo o Ash da série "Evil Dead", e sim um completo panaca com quem o espectador nem ao menos consegue simpatizar. Logo, a única coisa decente de "Rammbock" é a conclusão estilo "Romeu & Julieta dos mortos", mas nem isso é original (considerando o final de "A Volta dos Mortos-vivos 3").


SHARKTOPUS (2010, EUA. Dir: Declan O'Brien)
Você pega para ver um filme com um pôster como o de "Sharktopus" e uma criatura metade tubarão, metade polvo. Dá play já preparado para o pior, mas esperando pelo menos dar umas boas risadas. Ao final, infelizmente, o que fica é uma pergunta: como é que os caras conseguem estragar algo tão simples (e com tanto potencial cômico) quanto "Sharktopus"? A verdade, amiguinhos, é que não se fazem mais bons filmes ruins como antigamente. É óbvio que não dá pra levar a sério uma produção baratíssima sobre um monstro mutante metade tubarão, metade polvo. Então por que diabos os caras que fizeram essa merda gastaramm tanto tempo tentando contar uma "história", e desenvolvendo personagens estúpidos com quem ninguém se importa? Eu esperava que "Sharktopus" fosse uma daquelas bobagens divertidas de tão ruins, mas nem isso os realizadores conseguiram fazer: o filme é apenas ruim mesmo, quase insuportável, tanto que só cheguei até o final passando com o FF. Meus parabéns a todos os realizadores dessa bomba por terem um monstro legal à disposição e não conseguirem mostrar uma única cena de morte decente ou pelo menos criativa. Pessoas cortadas ao meio? Decapitadas? Membros decepados? Que nada, todos os ataques do sharktopus são iguais: ou a vítima é abocanhada de primeira, ou a tela fica toda vermelha para não precisar mostrar nada. Não dava para esperar nada melhor do diretor Declan O'Brien (do pavoroso "Wrong Turn 3"), mas é vergonhoso ver o nome do veterano Roger Corman nos créditos (e numa participação especial), logo ele que foi responsável por produzir tantas tralhas maravilhosas, inclusive com monstros assassinos. Já esse "Sharktopus" não foge a uma regra cada vez mais evidente no cinema trash moderno: o trailer e a proposta são ótimos, mas a realização é lamentável - desperdiçando até o pobre Eric Roberts. Que saudade dos tempos de "Piranha 2 - Assassinas Voadoras" e das cópias italianas de "Tubarão"...