quinta-feira, 18 de abril de 2013

NINJA - O PROTETOR (1986)


Ano passado, na minha resenha de "Ninja Thunderbolt", apresentei aos nobres leitores do FILMES PARA DOIDOS o genial Godfrey Ho, cineasta de Hong-Kong que alcançou certa fama cult fazendo aventuras de ninjas a partir de outros filmes já prontos e que originalmente não tinham nada a ver com ninjas - ou seja, um "artista" cujas ações praticamente redefinem a palavra "picaretagem"!

E se em "Ninja Thunderbolt" a montagem funcionava razoavelmente bem, porque Ho pegou como base um outro filme que originalmente já era cheio de cenas de ação ("The Ninja and the Thief", de Tommy Lee Gam Ming ), hoje vamos ver o que acontece quando o diretor e seu comparsa, o produtor Joseph Lai, usam essa sua tática de gosto duvidoso para reaproveitar cenas de uma outra obra que originalmente não era um filme de ação. O resultado é uma monstruosidade chamada NINJA - O PROTETOR.


Em um dos muitos sites dedicados ao conjunto da obra de Ho e Lai, alguém se referiu às produções da dupla como "Filmes Frankenstein" - uma costura grosseira de cenas que nem sempre ou quase nunca têm relação entre si, mas que a magia da montagem cinematográfica trata de disfarçar razoavelmente bem para fechar o tempo de um longa-metragem. Esses filmes depois seriam desovados no mercado ocidental de cinemas vagabundos e videolocadoras, e estariam fadados ao esquecimento, caso não tivesse surgido a internet e um monte de desocupados que dedicou seu tempo livre a catalogar a analisar essas picaretagens.

Na famigerada "Série Ninja" que fez para o produtor Lai e sua IFD Films & Arts, Godfrey Ho usou os mais diferentes filmes de terceiros para incluir suas cenas com ninjas, torcendo para que o resultado final ficasse mais ou menos coeso. E isso significava transformar comédias, filmes de horror e até dramalhões em aventuras com ninjas - o que, no mínimo, exigiu muita criatividade (e cara-de-pau) do sujeito.


NINJA - O PROTETOR deve ter sido um dos casos que mais exigiu de Ho, criativamente falando. Porque se no anterior "Ninja Thunderbolt" ele só precisou separar as melhores cenas de ação do original e adicionar umas poucas ceninhas com Richard Harrison aqui e ali, agora ele estava trabalhando com um material original que praticamente não tinha ação, e absolutamente NENHUM NINJA!

Em todos esses anos trabalhando nessa indústria vital, eu nunca consegui descobrir qual filme Ho e Lai usaram para fazer NINJA - O PROTETOR. E como até sites muito mais completos sobre a "Série Ninja" da IFD usam apenas a expressão "taiwanese footage" para descrever as cenas originais que não foram filmadas por Godfrey Ho, tudo leva a crer que o filme taiwanês em questão nunca chegou a ser concluído ou oficialmente lançado (se alguém tiver mais informações sobre isso, favor informar via Comentários!).


As cenas originais parecem ter saído de um dramalhão policial sobre um sujeito (interpretado por Wa Lun) contratado para trabalhar numa agência de modelos muito suspeita, e que começa a passar o ferro na mulherada. Embora tenha namorada, ele cata a dona da agência onde trabalha e até a namorada de um bandidão (Tin Ming) que usa a agência para lavar seu dinheiro sujo.

Mas o modelo comedor também tem um irmão encrenqueiro (Lee Miu-Chan), que, durante uma briga com desafetos, acaba matando um deles acidentalmente. Para livrar-se da cadeia, o brigão é obrigado a fazer um acordo com aquele cara que foi corneado pelo seu irmão. O resultado é um complicado plano elaborado pelo corno nada manso para acusar o modelo comedor de assassinato!


Enfim, não tem muito espaço para ninjas nessa história, confere? Pois é aí que entra a criatividade (ou, novamente, cara-de-pau) de Godfrey Ho, um sujeito que deveria ser patrono de todos os cursos de montagem cinematográfica do planeta!

A nova história mirabolante criada por ele começa com uma reunião secreta do "Império Ninja", guerreiros malvados responsáveis por cometer toda espécie de crimes pelo mundo. O líder do grupo é o malvado ninja vermelho Bruce ("interpretado" por David Bowles). E dois personagens daquele velho filme de Taiwan - a dona da agência de modelos e o bandidão que leva corno, aqui rebatizados Susan e Albert - agora são ninjas que pertencem ao grupo de Bruce.

Não, é claro que os atores originais não foram convidados para filmar novas cenas: eles foram simplesmente substituídos por dublês usando máscaras ninjas que cobrem o rosto, Ed Wood stye! O que nem sempre é convincente, como você mesmo pode comparar nas imagens abaixo, que trazem os atores do velho filme de Taiwan e suas "versões ninja" gravadas por Ho...


A nova armação de Bruce e seus ninjas é espalhar milhões em dólares falsos por toda Hong-Kong, algo que chama a atenção do escritório oriental da Interpol. Quer dizer, pelo menos eu presumo que seja a Interpol, porque nas novas cenas filmadas por Ho tudo que aparece é uma mesa de madeira com uma bandeirinha da Inglaterra e um quadro da rainha no fundo!

O chefe da Interpol de Hong-Kong é o personagem de Richard Harrison, cujo nome aparece como "Gordon Anderson" em algumas sinopses e como "Jason Hart" em outras. Como eu não lembro de ele ter sido chamado assim em nenhum momento do filme, vamos chamá-lo de "Harrison" a partir de agora, em homenagem ao ator.


Harrison também é, secretamente, um mestre ninja. Ou seja, é o mesmo papel/personagem que o ator norte-americano fez em "Ninja Thunderbolt" e em praticamente todas as outras produções da IDF.

Nosso herói reúne seus agentes para explicar a "missão" - e, consequentemente, explicar ao espectador a nova história mirabolante criada por Ho. Mostrando uma série de fotografias dos atores daquele velho filme de Taiwan (tiradas, obviamente, dos próprios negativos do tal filme), o herói explica sobre os ninjas malvados e sobre como a dona da agência de modelos é uma ninja que usa seu negócio como fachada para espalhar o dinheiro falso. Genial, não?


Harrison também informa que colocou um agente infiltrado, Warren, dentro da agência, disfarçado como modelo, para poder investigar o esquema por dentro. Warren, claro, é Wa Lun no filme de Taiwan, e Harrison "interage" com ele apenas através de telefonemas, graças ao milagre da edição. Por fim, Harrison diz aos seus agentes que o agente disfarçado tem um irmão problemático, David (Lee Miu-Chan, ainda das cenas do filme de Taiwan), e que ele poderá trazer problemas à operação.

Tudo isso é narrado com a ajuda das tais fotos tiradas dos negativos do filme de Taiwan, para não deixar dúvidas sobre as origens e motivações daqueles personagens que originalmente, no outro filme, não eram nem agentes da Interpol disfarçados, nem ninjas. Talvez para torturar o espectador, Ho usa longos e repetitivos takes dos agentes da Interpol olhando as fotos e passando-as para o colega do lado olhar também!


Seguem-se, então, todas aquelas cenas do filme sobre o modelo papando geral a mulherada, seu irmão arrumando encrenca e o bandidão corneado providenciando sua vingança.

Para dar um mínimo de lógica a acontecimentos tão desconexos, Ho filmou diversas cenas no tal escritório da Interpol em que Richard Harrison comenta o "progresso" das investigações de Warren na agência de modelos, e também o fato de ele poder estragar tudo por se relacionar com toda mulher que aparece na frente!


De tempos em tempos, o chefe da Interpol e mestre ninja inclusive dá uns telefonemas para seu agente infiltrado, advertindo-o a "se comportar". Para a sorte de Godfrey Ho, o filme original que ele remontou tinha várias cenas dos atores ao telefone, que lhe deram abertura para inserir os novos takes com Richard Harrison "interagindo" com eles.

Mas como o filme taiwanês não tinha ação suficiente e nenhum ninja em cena, Ho também teve que inserir diversas lutas entre ninjas na edição. Neste caso, o personagem de Harrison, usando uma tosquíssima roupa de ninja camuflada (!!!), enfrenta aleatoriamente outros ninjas pertencentes à organização de Bruce.


Essas lutinhas entre ninjas são obviamente o ponto alto de NINJA - O PROTETOR: Harrison sempre encontra seus oponentes em lugares públicos (parques, na maior parte do tempo), herói e vilão usam aquele velho truque de vestir-se magicamente com a explosão de uma bomba de fumaça (tipo super-herói), e trocam porradas rapidamente, sem nenhum lance muito mirabolante ou digno de nota. No final o herói vence (claro!), deixa seu desafeto algemado em algum lugar e então avisa seus agentes para prendê-los.

Aí aparecem umas cenas hilárias com os tais agentes ocidentais (Andy Chworowsky e Clifford Allan) encontrando os bandidos, e Harrison alegando que ninjas são "contos de fadas" para manter sua identidade secreta em sigilo, num joguinho meio Clark Kent/Superman. Eu nunca entendi porque o herói não assume de uma vez que é um mestre ninja (estilo "American Ninja") e prende os bandidos ele mesmo ao invés de ficar se bobeando. Em todo caso, as cenas entre os agentes rendem momentos divertidos, como quando Andy Chworowsky diz a Harrison: "Acabamos de prender mais um conto de fadas".


NINJA - O PROTETOR logo se encaminha para um grande duelo entre Harrison e Bruce, o ninja vermelho. Mas e quanto à trama secundária do "agente infiltrado na agência de modelos e seu irmão problemático sendo injustamente acusados de assassinato pelo bandidão corneado"? Bem, essa subtrama nunca termina na realidade, já que ela faz parte de um outro filme e já não interessa mais à trama principal de ninjas filmada por Ho!

Isso pode ser particularmente frustrante para quem não conhece o esquema de produção em série de Ho e Lai e fica esperando um desfecho decente para a aventura, quem sabe com Harrison e o personagem de Wa Lun finalmente se encontrando no mesmo take para enfrentar o grande vilão. Pois saiba desde já que isso nunca vai acontecer, simplesmente porque se tratam de filmes diferentes gravados em tempos diferentes com elencos diferentes, então perto do final convém esquecer todas as cenas com Warren, David, a agência de modelos e etc.


E é o duelo final entre Harrison e Bruce a grande cena de NINJA - O PROTETOR (o que, claro, não quer dizer absolutamente nada considerando o nível de ruindade da película). Godfrey Ho é um especialista em cenas sem-noção, e eu não duvidaria se alguém me dissesse que ele fez todos esses filmes para a IFD Films & Arts sob efeito de drogas. Pois eis que a conclusão envolve o confronto entre herói e vilão... sobre motos!!!

E não qualquer moto, mas duas Kawasaki Ninjas (!!!), o que torna a cena ainda mais hilária porque se percebe que nem mesmo o diretor está levando aquilo a sério. Herói e vilão aceleram um contra o outro e batem suas espadas quando estão bem próximos, até finalmente desistirem das motos para lutar no mano a mano. E, sinceramente, dá vontade de rir só por ver dois manés vestidos com roupas ninjas estilo militar e vermelha lutando em plena luz do dia, quando o objetivo dos trajes ninjas originais, aqueles de cor preta, era justamente o de camuflar-se na escuridão da noite!


Dos filmes de ninjas da dupla Ho/Lai que já vi, considero NINJA - O PROTETOR um dos mais fracos. Como a obra que eles usaram na montagem não tem ação suficiente, o espectador acaba sendo enrolado com cenas de sexo softcore, o dramalhão envolvendo a tentativa de suicídio da namorada de Warren quando ela descobre que foi traída, a desinteressante reviravolta envolvendo o irmão encrenqueiro, e por aí vai.

Mesmo que Ho intercale isso tudo com várias (e rápidas) lutas entre ninjas, o custo-benefício não compensa porque a trama secundária é muito chata e deslocada. Diferente, por exemplo, da trama policial cheia de ação de "Ninja Thunderbolt", que se encaixa melhor na proposta. Ho e Lai fariam montagens bem piores, mas esta com certeza está entre as mais fraquinhas. Logo, a qualidade do filme "roubado" faz toda diferença na montagem!


De qualquer jeito, ainda é possível achar momentos involuntariamente engraçados na dublagem criminosa que os realizadores tiveram que fazer nas cenas do outro filme para dar sentido à trama. Numa delas, Bruce (David Bowles, nas cenas filmadas por Ho) "conversa" com a dona da agência de modelos (nas cenas do filme antigo) por telefone. O vilão conta que "Tigre", um dos ninjas do grupo, foi morto, e a interlocutora aparece rindo nas cenas do outro filme, como se estivesse falando de um assunto qualquer do dia-a-dia.

Outro diálogo dublado hilário acontece quando a mesma dona da agência encontra Albert no corredor. Nas cenas originais do filme taiwanês, os personagens deviam estar conversando sobre amenidades, mas, na redublagem imposta por Ho e cia., a garota fala, toda sorridente: "Ah, Bruce mandou avisar que Tiger morreu, está bem? Falamos depois, tchau". Assim mesmo, como quem está dando um recado banal, tipo "Bruce mandou dizer que não vem para o jantar"!!! Aliás, quem diabos concluiu que "Bruce" era um nome decente para um grande mestre ninja???


Há diversas informações conflitantes sobre a obra. Os créditos iniciais indicam a presença de Jackie Chan no elenco, mas não vi ninguém sequer parecido com ele no filme, nem mesmo fazendo figuração. É possível que seja mais uma pegadinha de Ho, pois ele também havia colocado "Jackie Chan" nos créditos iniciais de "Ninja Thunderbolt", ou talvez seja outro Jackie Chan, pois acredito que seja um nome artístico bastante comum na Ásia (tipo as imitações de Bruce Lee, como Bruce Le e Bruce Li).

Mas algumas distribuidoras, principalmente norte-americanas, foram na onda e tascaram o nome de Jackie Chan bem grandão na capa, como fosse um filme estrelado por ele! Outras usaram até fotos e imagens do astro na arte de seus DVDs, tornando a propaganda ainda mais enganosa!


Outra coisa esquisita é em relação à duração do filme. A versão que eu vi pela primeira vez, lançada em DVD no país pela Líder FIlmes (mais um nome-fantasia da famigerada Works), dura exatos 68 minutos e quase não chega a ser um longa-metragem. Mas a versão "oficial" do filme tem 84 minutos de duração. Quem cortou 16 minutos? Boa pergunta, mas essa versão curta de 1h18min também está no YouTube.

Claro que se o filme já é arrastado demais nessa versão reduzida lançada aqui, com quase 90 minutos é praticamente insuportável! Mas eu gosto sempre de ver as produções na íntegra e fui atrás da mais longa para saber o que foi cortado. Bem, nesses 16 minutos adicionais temos um pouco mais intriga naquela trama das cenas de arquivo, outra cena de sexo (abaixo), uma nova reunião do clã de ninjas malvados e mais uma pancadaria entre Richard Harrison e algum vilão aleatório! Nada que mude a ruindade do filme, mas ainda assim são 16 minutos de coisas acontecendo!


Por sinal, esse DVD nacional é de chorar: além de trazer a versão curta e com imagem pior que VHS-Rip, o pessoal da distribuidora nem devem ter assistido ao filme, pois o resumo no verso da capinha fala que os ninjas malvados possuem "um vírus mortal com o qual pretendem chantagear o mundo" (???), quando na verdade são apenas falsificadores de dólares. Também diz que o agente infiltrado na agência de modelos é um ninja (não, não é), que "usa suas capacidades para proteger as indefesas garotas" (não, não usa).

O golpe de misericórdia é a frase final do resumo do DVD da Works: "Dirigido pelo especialista (???) Godfrey Ho, um dos grandes nomes (???) das produções asiáticas". Picaretagem lá e cá, como vocês podem perceber. (Destaque também para a magistral tradução das legendas: quando Warren diz, em inglês, que não quer fazer teste do sofá, a legenda traduz como: "Não quero ficar me encostando no sofá"!!!)


É claro que NINJA - O PROTETOR é aquele tipo de filme que não pode e nem deve ser visto por espectadores comuns, aqueles que salivam de emoção vendo "Avatar" ou "Transformers". Como toda a obra de Godfrey Ho, essa bomba aqui também é para públicos bem específicos, que conheçam a proposta e - principalmente - se divirtam com tamanha ruindade.

De minha parte, eu defendo que professores de cinema com a cabeça aberta exibam produções de Ho para a garotada, principalmente em aulas sobre montagem cinematográfica. Porque vendo as saborosas picaretagens que esse diretor safado fazia com cenas de arquivo, dá a maior vontade de fazer o seu próprio "Filme Frankenstein".

Inclusive eu mesmo já exercitei minha "veia Godfrey Ho" com o curtinha de brincadeira "Michael Myers Vs. Chuck Norris", que fiz costurando cenas de outros filmes e que você pode ver clicando aqui!


Trailer de NINJA - O PROTETOR



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Ninja The Protector (1986, Hong-Kong / Taiwan)
Direção: Godfrey Ho (e alguém não-creditado)
Elenco: Richard Harrison, David Bowles, Clifford Allen,
Andy Chworowsky, Phillip Ko, Wa Lun, Lee Miu-Chan
e mais um monte de desconhecidos.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Ajude-nos a terminar o curta-metragem independente "O Estripador da Rua Augusta"!


Ok, eu sempre fui um péssimo vendedor, e os leitores fiéis do FILMES PARA DOIDOS (ou mesmo os anteriores, que acompanhavam meu trabalho no site Boca do Inferno) sabem que eu nunca ganhei um tostão furado com meus textos, por mais gigantes que fossem. Eu também nunca fiz questão de pedir dinheiro ao leitor para continuar escrevendo, algo tipo uma taxa mensal para manter o blog, como já me sugeriram certa vez. Mas agora serei obrigado a passar o chapéu e pedir uma ajudinha para quem tiver uns trocados sobrando...

Ocorre que estou em meio à finalização do meu novo curta-metragem, chamado "O Estripador da Rua Augusta", uma história de horror estrelada pela ex-atriz pornô Monica Mattos. Para quem não entende muito do mundo do pornô (ou finge que não entende, hehehe), Monica é uma das grandes musas do cinema adulto nacional, e a única atriz latino-americana a ganhar o AVN, prêmio considerado "o Oscar dos filmes pornôs". Que currículo, não?


Eu faço filmes independentes desde 1995, mas sempre foi uma coisa improvisada, com o material que eu tinha à mão e principalmente sem atores ou técnicos profissionais, empregando meus amigos e parentes para estas finalidades. Por isso, meus custos eram relativamente baixos. Não foi o caso em "O Estripador da Rua Augusta".

Pela primeira vez em minha "carreira", resolvi fazer algo realmente bem-feito, da maneira certa, com equipamento bom, equipe profissional e atores de verdade (além de Monica, temos no elenco Henrique Zanoni, um elogiado novo talento do teatro e cinema). O filme também foi co-dirigido por Geisla Fernandes, que, ao contrário de mim, estudou Cinema e pôde consertar algumas das bobagens que eu geralmente faço.


Claro que tudo isso demanda custos. E se antes eu conseguia fazer filmes quase caseiros com custo zero, agora a história foi diferente: precisamos de R$ 6.500,00 para bancar as despesas com o curta e o cachê da equipe, já que quase todos trabalharam de graça esperando receber algo futuramente.

Para a maioria dos brasileiros (e inclusive para mim!), R$ 6.500,00 é uma puta grana. No mundo do cinema, entretanto, não é nada: curtas "profissionais" custam a partir de R$ 30,000.00, e daí para cima! Nós fomos econômicos porque realmente não tínhamos dinheiro, e nunca foi nossa intenção participar de editais do Governo nem de leis de incentivo à cultura - primeiro pela burocracia que isso exige; depois por entendermos que o Governo tem coisas muito mais importantes para investir o dinheiro público do que filmes.


Logo, a única alternativa para não passarmos o resto do ano mendigando na esquina para pagar as contas é apelar para os amigos, para os fãs de cinema de horror e para aqueles abnegados incentivadores do cinema independente brasileiro, através do chamado "crowdfunding", ou financiamento coletivo.

Para quem não sabe, esta é uma ferramenta que permite que pessoas do mundo inteiro contribuam com qualquer soma em dinheiro para o seu projeto, tipo uma vaquinha. Se você conseguir atingir o total proposto (no nosso caso, R$ 6.500,00), o site de crowdfunding nos repassa o dinheiro; se não conseguirmos, as doações voltam para quem contribuiu. Simples e seguro, não?

Colocamos nosso projeto no Catarse, um conceituado site de financiamento coletivo, e já conseguimos quase a metade do valor necessário, recebendo até doações de cineastas norte-americanos.

Fiquei honrado ao constatar que mesmo lendas do cinema fantástico mundial, como David Schmoeller, o famoso diretor de "Armadilha para Turistas" e "Puppet Master", se compadeceram dos nossos esforços e ajudaram a divulgar nosso projeto no Facebook (veja a postagem dele acima).

O caso é que faltam quase 20 dias para terminar nosso prazo e ainda precisamos de uma boa grana para atingir os R$ 6.500 necessários. Já passei o chapéu em vários sites e blogs, e agora chegou a vez do FILMES PARA DOIDOS! Muito humildemente, peço aos leitores interessados que acessem o nosso projeto no Catarse (através deste link) e leiam direitinho a nossa proposta. Se gostarem, podem contribuir com o valor que julgarem adequado, por depósito bancário, boleto e até PayPal.


A contribuição mínima é de 10 reais, mas a partir de R$ 25,00 os doadores ganham recompensas simbólicas, que vão de ter o nome citado nos créditos até camisetas, DVDs e história em quadrinhos do curta, e até objetos de cena e figurinos para quem doar somas mais expressivas.

Vale repetir: toda ajuda é boa, mesmo que for dos 10 reais que sobraram do troco da padaria! Porque, se não conseguirmos atingir a meta até o começo de maio, os quase 2.000 que já ganhamos voltam para seus legítimos donos, e aí eu e a pobre co-diretora Geisla ficaremos com nossas finanças comprometidas até 2014!


Enfim, eu realmente não gosto de pedir dinheiro, nem sei direito como se faz isso, mas acredito que os verdadeiros interessados e admiradores do gênero ficarão até felizes de colaborar com nosso projeto, ajudando assim a levar às telas e festivais de cinema um trabalho completamente independente e apaixonado como o nosso!

A propósito, as imagens dessa postagem são todas das cenas ainda não-finalizadas do nosso curta, para dar uma ideia do que estamos preparando. Sem censura, só com o filme pronto!

(Mas que fique registrado que, apesar da alta carga de sensualidade, nosso curta NÃO É PORNOGRÁFICO. Ouviram bem, punheteiros? hehehe).

LINK DO NOSSO PROJETO NO CATARSE: