terça-feira, 8 de janeiro de 2013

"All-Colored Cast!": Um dossiê sobre filmes de faroeste estrelados por atores negros


"Só mesmo um gênio como o Tarantino para fazer um faroeste estrelado por um ator negro!"

Não lembro onde foi que li esta frase, se no Facebook de alguém, no Filmow ou nos comentários de algum site que divulgava o trailer de "Django Livre", o novo filme de Quentin Tarantino, estrelado pelo ator negro Jamie Foxx. Mas aquela sentença não me saiu da cabeça. Inicialmente, até imaginei que aquela ignorante declaração do anônimo fã de Tarantino logo seria superada por inúmeras outras bobagens que certamente irão varrer a internet neste mês de lançamento de "Django Livre" (enquanto escrevo essas dias, faltam exatos 10 dias para a estreia brasileira, marcada para 18 de janeiro de 2013).

Will Smith em "James West"
Mas logo em seguida apareceu uma sentença ainda pior, e em todos os sentidos, porque esta não saiu de um anônimo e ignorante fã do Tarantino, mas de um suposto jornalista e crítico de cinema. Entrevistando o diretor para o jornal Miami Herald, o crítico Rene Rodriguez disse ter ficado surpreso por ver um "cowboy negro como herói", já que viu um monte de westerns com cowboys negros, mas nenhum deles com um afro-descendente no papel principal!!!

Enfim, eu até entendo um anônimo e ignorante fã de Tarantino destilar suas abobrinhas publicamente, mas como pode um "crítico de cinema" não saber que Jim Brown e Fred Williamson, igualmente negros, estrelaram vários filmes de western nos anos 70, no auge do blaxploitation (aquele ciclo de obras produzidas especialmente para o público negro norte-americano)?

Guardadas as devidas proporções, porque estamos falando de uma comédia, como pode o "crítico de cinema" não conhecer "Banzé no Oeste" (1974), sátira de Mel Brooks que enfoca exatamente as dificuldades vividas por um xerife negro numa cidadezinha do Velho Oeste? Ou então, só para falar de uma produção mais recente, será que o "crítico de cinema" nunca viu ou pelo menos ouviu falar de "Posse - A Vingança de Jesse Lee" (1993), dirigido e estrelado pelo negro Mario Van Peebles?

Bill Pickett, o primeiro cowboy negro do cinema?

A dupla ignorância em relação ao assunto, tanto do anônimo fã de Tarantino quanto do "crítico de cinema" (que, sim, merece as aspas), me deixou curioso e me levou a pesquisar: qual terá sido, afinal, o primeiro cowboy negro do cinema?

Inicialmente, pensei que a honra caberia a Woody Strode ou ao já citado Jim Brown. Mas, quem diria, as raízes dos faroestes estrelados por negros são muito mais antigas: no começo do século 20, ainda nos tempos do cinema mudo, já existiam filmes do gênero estrelados por atores de cor! E um cowboy de verdade, que nasceu no Velho Oeste real, chamado Bill Pickett, pode ter sido o primeiro cowboy negro da história do cinema. Isso até não aparecer algum filme anterior que estava desaparecido, claro...

Harry Belafonte e Sidney Poitier em "Um por Deus, Outro pelo Diabo"

Para salvar outras pobres almas do inferno da falta de pesquisa, e de se embasarem nesses fãs apaixonados e "críticos de cinema" que pensam que o Tarantino inventou a roda mais uma vez, resolvi cavar bem fundo e desenterrar a história dos filmes de faroeste com negros, comprovando que eles já existiam quando o Tarantino ainda estava no saco do pai dele, e o pai dele no saco do avô dele.

É sobre isso este dossiê, provavelmente incompleto (sabe como é, ninguém viu todos os filmes já produzidos, muito menos eu!), mas que já servirá como uma bela base para que você possa tirar o sorriso do rosto daquele seu amigo cinéfilo mala que também acha que o Tarantino foi o primeiro a fazer um filme com um cowboy negro...



ANOS 20 E O CINEMA DA SEGREGAÇÃO
Na vida real, os negros tiveram participação expressiva nos Estados Unidos pós-fim da escravidão (1865). Estima-se que, entre 1620 e 1865, quase 600 mil africanos tenham sido "importados" para os EUA para trabalho escravo, o que corresponde a apenas 5% dos 12 milhões de escravos trazidos para as Américas - a maioria tinha como destino as plantações de cana-de-açúcar no Brasil e no Caribe.

Mas as famílias de escravos que se formavam já nos Estados Unidos logo aumentariam expressivamente este total: segundo o Censo realizado em 1860, naquele ano os negros somavam 4 milhões em território norte-americano.

Com o fim da escravidão nos EUA, os negros de lá seguiram caminhos diferentes. Eles continuaram enfrentando o racismo e a violência (com o surgimento da Ku Klux Klan, grupo extremista que pregava a supremacia branca), mas conseguiram transformar-se em cowboys e fazendeiros, principalmente nos estados do Texas e Oklahoma. Outros viraram homens de negócios, soldados e, claro, foras-da-lei. Historiadores estimam que 30% dos cowboys do Velho Oeste eram negros.

Anúncio divulgando um filme exclusivo para o público negro, orientando os donos de cinema a pensarem na "audiência de cor"

É por isso que, na década de 1920, não soava tão estranho ver um filme de faroeste cujo elenco era formado exclusivamente por atores negros. O Velho Oeste ainda não era tão velho assim na época, e a memória dos cowboys afro-americanos estava bem vívida.

Entretanto, o verdadeiro motivo para a realização dos primeiros faroestes estrelados por negros era o racismo: nos anos 1920, eles representavam pouco mais de 10% da população dos Estados Unidos (cerca de 10,5 milhões de pessoas), mas ainda sofriam graças ao racismo, e por causa dele com a segregação: havia banheiros, restaurantes e até cinemas separados para brancos e negros, e nos filmes eles geralmente eram representados por atores brancos com a cara pintada de tinta preta, além de ser relegados ao papel de escravos, criados ou vilões.

O clássico "O Nascimento de uma Nação" (1915), de D.W. Griffith, é um belo exemplo desta intolerante visão de muitos pioneiros do cinema pelos negros, já que a trama do filme (baseada num livro racista chamado "The Clansman: An Historical Romance of the Ku Klux Klan", de Thomas F. Dixon Jr.) glorifica as ações da Ku Klux Klan e demoniza a figura dos negros. Para piorar, todos os personagens negros que necessitam interagir com atores brancos são interpretados por brancos de rosto pintado, numa demonstração monstruosa de racismo! E nada disso impediu que o filme fosse um sucesso na época.

Para tentar contornar essa visão estereotipada e negativa, surgiu um mercado paralelo conhecido como "race movies" (filmes de raça), bastante popular nos Estados Unidos entre 1910 e o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Eram produções realizadas especialmente para o público negro, que também gostava de ver filmes, mas não podia entrar nos cinemas "dos brancos". Graças aos "race movies", eles podiam frequentar seus próprios cinemas separados para ver seus próprios filmes!

The Gem Theatre, cinema só para negros no Texas em 1940

Consta que os EUA chegaram a ter 800 salas só para negros neste período; só em 1929, existiam 460 em todo o país, a maioria nos estados do Sul e Sudoeste, como Texas, Washington e Mississippi. Estes cinemas eram identificados com grandes placas que diziam "Exclusive Colored Theater" (ou seja, "Cinema Exclusivo para Pessoas de Cor").

Exclusivamente para esse público marginalizado, foram produzidos filmes de todos os tipos - sem faltar, claro, o western, que era um gênero bastante popular na época. E estes filmes eram identificados por uma frase bem grande no cartaz: "All-Colored Cast", ou "Elenco Exclusivo de Pessoas de Cor" (em outras palavras, "Branquelo não entra!", diferente do ciclo blaxploitation dos anos 1970).

Um dos primeiros filmes de faroeste com e para negros foi "The Bull-Dogger", de 1921, ainda mudo e em preto-e-branco. A aventura era estrelada por um cowboy "de verdade", Bill Pickett, que nasceu em pleno Velho Oeste (o Texas de 1870), e era famoso por suas participações em rodeios, enfrentando touros ferozes à unha! Ele se apresentava ao lado de outro famoso cowboy da vida real, Tom Mix, e chegou a fazer turnês pelas Américas e pela Europa. Não por acaso, Pickett é considerado o primeiro astro negro de filmes de faroeste - quase 50 anos antes de Jamie Foxx nascer!

"The Bull-Dogger" foi dirigido e produzido por Richard E. Norman, um branco que percebeu que era lucrativo realizar filmes para as platéias afro-americanas, e sem estereótipos raciais, colocando seus protagonistas de cor para interpretar heróis românticos, não escravos, criados ou vilões selvagens, como eles eram retratados nas produções "para brancos".

Através do seu Norman Studios, na Flórida, o visionário realizador produziu várias obras estreladas apenas por atores negros, incluindo um segundo western, "The Crimson Skull", já no ano seguinte (1922).

Também mudo, "The Crimson Skull" apresenta um dos primeiros heróis mascarados negros, o Caveira Púrpura do título. Trata-se do cowboy Bob Calem (interpretado por Lawrence Chenault), que resolve usar uma roupa com o desenho de um esqueleto para enfrentar uma quadrilha de perigosos assaltantes.

Bill Pickett integra o elenco mais uma vez, mas agora como coadjuvante. O cowboy veterano morreria dez anos depois, em 1932, ao ser pisoteado por um cavalo.

Curioso é que o Caveira Púrpura apareceu 40 anos antes de um outro famoso personagem que vestia roupa de esqueleto muito parecida: o vilão Killing, que estrelou fotonovelas italianas nos anos 60 e deu origem a uma bem-sucedida série de filmes turcos na mesma época!

O uniforme do Caveira Púrpura, lembrando o posterior Killing

A Norman Studios também produziu um terceiro western com negros, "Black Gold", de 1928, sobre a rivalidade entre dois fazendeiros que exploram a extração de petróleo em suas propriedades. Lançado um ano depois do início do som no cinema - e portanto mudo, como os anteriormente citados -, o filme traz Laurence Criner como o herói Ace Brand, cowboy que ajuda um dos rancheiros contra o seu vilanesco rival.

Infelizmente, os três faroestes dirigidos e produzidos por Richard E. Norman hoje são considerados perdidos, embora ainda exista farto material publicitário (cartazes, press books e lobby cards) para registrar a existência desses trabalhos pioneiros.


Quando confirmou-se o sucesso dos westerns com e para negros, outros produtores começaram a explorar o filão. Um dos primeiros concorrentes de Norman foi Lawrence Goldman, da Monarch Productions, mas ele só conseguiu realizar uma única obra: o faroeste "The Flaming Crisis", de 1924, também mudo e em preto-e-branco, sobre um jornalista (não cowboy) preso injustamente, e que precisa fugir da cadeia para limpar seu nome. Nenhuma cópia do filme sobreviveu.


ANOS 30 E OS COWBOYS CANTORES
A chegada do cinema sonoro (com "O Cantor de Jazz" em 1927) fez surgir uma nova febre: os faroestes musicais, produções baratas estreladas por cowboys cantores que soltavam a voz entre um tiroteio e outro, bastante populares entre a metade da década de 30 e o começo dos anos 50.

Pesquisadores consideram Ken Maynard o primeiro cowboy cantor do filão, logo seguido por outros astros desse novo gênero, como Tex Ritter, Bob Baker, Dick Foran, Gene Autry e, claro, Roy Rogers, que faziam a alegria da garotada nas matinês.

Herb Jeffries, o primeiro cowboy cantor negro

Era só questão de tempo para aparecer um cowboy cantor de pele escura, e a honra coube a Herbert Jeffrey, que depois ficaria conhecido pelo nome artístico de Herb Jeffries. Esse cantor de jazz, que começou a fazer shows ainda moleque (diz a lenda que um de seus primeiros shows foi num dos clubes de um tal de Al Capone), foi contratado como o primeiro representante negro entre os cowboys cantantes, e também teve a honra de estrelar o primeiro faroeste para negros sonoro, "Harlem on the Prairie", de 1937.

Produzido por Jed Buell e dirigido por Sam Newfield (um cineasta que fez quase 300 produções baratas como esta), "Harlem on the Prairie" era mais comédia musical do que faroeste, mas Jeffries demonstrou talento como cantor e boa presença de cena como o cowboy que ajuda uma bela garota a encontrar uma fortuna em ouro. Entre cenas de ação e correrias, ainda arranjava tempo para cantar quatro músicas. O elenco continuava formado totalmente por negros.

(Vale destacar que, no ano seguinte - 1938 -, o produtor Buell e o diretor Newfield voltaram a trabalhar juntos em "The Terror of Tiny Town", um escalafobético western estrelado exclusivamente por anões, comprovando que - com o perdão do trocadilho - eles eram especialistas em cinema com minorias!)

O sucesso de "Harlem on the Prairie" foi tão grande que Herb Jeffries transformou-se num dos grandes astros negros do período, e isso lhe garantiu um contrato para aparecer em mais quatro faroestes musicais. Seu segundo trabalho no cinema foi como coadjuvante em "Rhythm Rodeo" (1938), escrito, dirigido e produzido por George Randol, que havia atuado em "Harlem on the Prairie". Estrelado por Troy Brown Sr., o filme não teve a mesma repercussão e logo caiu na obscuridade.

"All Negro Cast", anuncia o lobby card para não deixar dúvidas!

Jeffries voltou ao estrelato no mesmo ano, e em papel duplo, com "Two-Gun Man from Harlem" (1938), escrito, dirigido e produzido por Richard C. Kahn, onde interpreta pela primeira vez o cowboy Bob Blake, um personagem que repetiria nas aventuras seguintes graças ao sucesso junto ao público.

Na trama, acusado por um crime que não cometeu, o herói é forçado a fugir e passar-se por um perigoso pistoleiro chamado Deacon, que é idêntico a ele (também interpretado por Jeffries). Além das cenas de ação de praxe, o cowboy negro mais uma vez solta a voz acompanhado dos grupos The Four Tones e Cats and the Fiddle.

Com "Two-Gun Man from Harlem", Jeffries e seu personagem Bob Blake transformaram-se em heróis dos garotos negros da época. Espertinho, o produtor-roteirista-diretor Kahn resolveu aproveitar a popularidade para fazer mais duas aventuras do herói, "The Bronze Buckaroo" e "Harlem Rides the Range", ambas filmadas às pressas em 1939.


A partir de "The Bronze Buckaroo", Blake ganhou um parceiro e alívio cômico chamado Dusty, interpretado por Lucius Brooks. Em sua segunda aventura, o cowboy investiga o desaparecimento de um rancheiro, sequestrado pelo vizinho ambicioso que quer extrair o ouro existente em suas terras; já na terceira e última, "Harlem Rides the Range", Blake e Dusty chegam a um rancho cujo proprietário desapareceu, e onde o herói é acusado de um crime que não cometeu - uma armação dos vilões interessados em ficar com a fazenda.

À época, Herb Jeffries era tão popular como astro de "race movies" que começou a receber convites para participar também de "filmes para brancos", inclusive alguns produzidos por grandes estúdios. Mas sempre recusou os convites, dizendo que preferia estrelar aventuras baratas com elencos exclusivamente negros a rebaixar-se ao papel de coadjuvante, ou criado dos protagonistas, em produções maiores.


Esta decisão acabou abreviando sua carreira cinematográfica, já que as produções exclusivamente para negros entraram em decadência a partir dos anos 40. Mas Jeffries continuou vivendo da música, gravando vários hits e fazendo shows na Europa. Ele engoliu o orgulho e participou de alguns episódios de séries de TV com elencos mistos nos anos 60 e 70 (entre elas, "Jeannie é um Gênio" e "Havaí Cinco-Zero").

Sua última participação no cinema foi em 1996, na comédia "The Cherokee Kid", que é justamente uma homenagem aos faroestes para negros dos anos 30 e 40. Nesse filme, Jeffries interpreta ele mesmo ao lado de um elenco estelar formado por James Coburn, Gregory Hines e Burt Reynolds. O homem continua vivo e, caso se segure mais um pouco, completará 100 anos em setembro deste ano (2013)!


Na década de 40, depois do sumiço do astro Jeffries, os faroestes musicais com negros também pararam de ser produzidos. O canto de cisne do subgênero veio com "Look-Out Sister" (1947), de Bud Pollard, estrelado pelo cantor Louis Jordan, e "Come On, Cowboy!" (1948), com a dupla Mantan Moreland e Johnny Lee.

Com o fim (ou diminuição?) da segregação e do preconceito, os negros passaram a frequentar as mesmas salas de cinema que os brancos, e os "race movies" e "Exclusive Colored Theaters" finalmente acabaram.


ANOS 60-70 E OS PRIMEIROS ASTROS
Entre as décadas de 40 e 50, os papéis para os atores de cor nos filmes de Hollywood voltaram a ser os tradicionais: gladiadores em filmes de época, selvagens em aventuras na selva ou escravos em dramas sobre os Estados Unidos do século 19, e sempre como coadjuvantes.

Alguns poucos conseguiam ultrapassar essa barreira e ganhar personagens mais desafiadores, como James Edwards e Woody Strode. E foi a este último, um ex-jogador de futebol americano, que coube a honra de ser o primeiro negro a estrelar um faroeste produzido por um grande estúdio de Hollywood: "Audazes e Malditos" (1960), dirigido por John Ford - ironicamente aquele mesmo cineasta que foi taxado de "racista" por Tarantino em polêmica entrevista recente.


Embora os créditos iniciais e o pôster exibam o nome de Woody em quarto lugar (depois dos brancos Jeffrey Hunter, Constance Towers e Billie Burke), o personagem negro sempre foi considerado o protagonista do filme, cujo título original inclusive é o nome do próprio personagem ("Sergeant Rutledge"), um militar afro-americano que é julgado pelo estupro de uma garota branca e pelo assassinato do seu pai. O antigo comandante de Rutledge, Tenente Cantrell (Hunter), é convocado para fazer sua defesa.

"Audazes e Malditos" abriu as portas para que Woody Strode fosse convidado para vários outros faroestes nos Estados Unidos e na Europa, como coadjuvante ou parceiro do mocinho (branco). Entre seus muitos trabalhos, vale destacar "Era Uma Vez no Oeste", de Sergio Leone, "O Homem que Matou o Facínora", novamente dirigido por John Ford, "Boot Hill", de Giuseppe Colizzi (onde foi sidekick de Terence Hill e Bud Spencer), e "Keoma", de Enzo G. Castellari.

Woody Strode como o polêmico "Sergeant Rutledge"

Seus dois últimos trabalhos no cinema também foram westerns: o já citado "Posse", de Mario Van Peebles, e "Rápida e Mortal", de Sam Raimi. Woody faleceu em 1994, aos 80 anos.

Como Woody Strode, Jim Brown também era um bem-sucedido jogador de futebol americano quando decidiu largar o esporte para investir no cinema. E se Strode abriu caminho para os protagonistas negros em westerns de Hollywood, foi Brown o primeiro grande astro afro-americano do gênero.

Ele estreou no cinema como coadjuvante no faroeste "Rio Conchos" (1964), de Gordon Parks, mas em 1969 já era o protagonista do western "Cem Rifles", dirigido por Tom Gries para a major Twentieth Century Fox.

Brown interpreta Lyedecker, o homem da lei encarregado de perseguir o mestiço Yaqui Joe (um ainda desconhecido Burt Reynolds!!!), que roubou uma fortuna com o objetivo de comprar rifles para seu povo se defender do "homem branco".

Além da distinção de trazer como herói um cowboy negro, "Cem Rifles" é geralmente lembrado por ser um dos primeiros filmes produzidos por um grande estúdio de Hollywood a mostrar uma cena de sexo interracial, entre Jim Brown e uma das maiores gostosas da época - ninguém menos que Raquel Welch!

O pegador Brown curtindo um clima com Raquel Welch

Brown continuou nessa pegada (sem malícia): em 1970, estrelou o fantástico western "El Condor", dirigido por John Guillermin, ao lado de um grande astro do gênero, Lee Van Cleef. Na trama co-escrita por Larry Cohen, o fugitivo Luke (Brown) e o garimpeiro Jaroo (Van Cleef) unem-se a um grupo de índios apache para atacar uma fortaleza mexicana que guarda milhões de dólares em ouro.

Nos anos 70, além de tornar-se um astro de ação do ciclo blaxploitation (já chegaremos lá), Jim continuou estrelando westerns, agora na Itália: em "Cavalgada Infernal" (1975), de Antonio Margheritti, ele volta a atuar ao lado de Lee Van Cleef, mas dessa vez acompanhado por vários "irmãos de cor", como Fred Williamson e Jim Kelly.

O filme conta a história de um pistoleiro encarregado de transportar uma fortuna até um rancho no México, tendo que atravessar um perigoso deserto. Além dos perigos naturais, ele será perseguido pelos homens do vilão (Van Cleef, é claro!).

A terceira e última parceria entre Brown e Van Cleef em westerns foi na produção norte-americana "A Vingança" (1977), dirigido por Joseph Manduke. Mas dessa vez ele não é o personagem principal, e sim o garimpeiro valentão que ajuda um garoto (Leif Garrett) a vingar-se dos malfeitores que mataram sua família (liderados por, adivinhem quem?, Lee Van Cleef!).

Outro momento histórico para o faroeste negro aconteceu em 1967, quando Lola Falana tornou-se a primeira negra a estrelar um western, "Lola Colt" (nos cinemas brasileiros, "O Colt que Não Perdoa"), dirigido por Siro Marcellini.


Filha de um cubano com uma norte-americana, a moça era famosa à época como cantora e dançarina nos shows de Sammy Davis Jr. (com quem teve um breve affair). E ela fazia tanto sucesso na Itália que foi convidada para ser a protagonista do seu próprio western spaghetti!

Em "Lola Colt", ela interpreta uma dançarina de saloon que acaba tornando-se pistoleira para defender a cidade de um inescrupuloso homem de negócios, cujo plano é comprar as terras dos moradores à força para ganhar uma fortuna com a construção da estrada de ferro pelo local. Enquanto enfrenta os malvados, Lola ainda arruma tempo para ter um romance com um jovem (e branco) estudante de medicina.

A diferença de "Lola Colt" para, por exemplo, "Audazes e Malditos" é que em nenhum momento a cor da protagonista é mencionada ou torna-se motivo para qualquer tipo de preconceito por parte dos vilões do filme (pelo contrário, ela é tratada de igual para igual independente da cor da pele), numa bela lição dos realizadores italianos.

Inclusive Lola Falana poderia ter se tornado uma das primeiras e principais heroínas negras do cinema, se o filme tivesse chegado aos Estados Unidos na época em que foi feito. Infelizmente, "Lola Colt" só foi lançado nos EUA em 1976 (com o novo título "Black Tigress"), quando já existiam outras atrizes negras fazendo sucesso em papéis semelhantes, como Pam Grier, Judy Pace e Tamara Dobson.

Enquanto isso, de volta aos Estados Unidos, alguns faroestes estrelados por negros começaram a abordar as dificuldades vividas pelos ex-escravos após sua libertação no final do século 19, uma triste página da vida real que não era enfocada com tanta frequência no cinema na época, e que também não é exclusividade do novo filme do Tarantino!

Por exemplo, "The Red, White and Black" (1970, também conhecido como "Soul Soldier"), dirigido por John "Bud" Cardos, conta uma história envolvendo os "Buffalo Soldiers" (Soldados Búfalos), apelido dado pelos índios norte-americanos a tropas formadas exclusivamente por soldados negros.

Uma rápida lição de história: durante a Guerra Civil, existiram vários regimentos de "Colored Troops" (Tropas de Cor), formados por soldados negros. Com o fim da guerra, em 1865, o Exército resolveu criar quatro regimentos com os ex-escravos, dois de cavalaria e dois de infantaria, que atuavam garantindo a paz entre índios e brancos nos territórios onde havia guerras entre os fazendeiros e as tribos indígenas. Esta é uma parte polêmica da história norte-americana, já que muitos pesquisadores alegam que os Soldados Búfalo foram usados como peões pelos seus superiores (brancos, obviamente) para trabalhos sujos nas guerras indígenas. Mesmo assim, eles ficaram conhecidos pela sua extrema disciplina e fúria em batalha, que inclusive rendeu medalha de honra a 17 oficiais negros - um verdadeiro soco na boca dos muitos militares e políticos racistas do período.

Foto rara mostrando os verdadeiros "Soldados Búfalo"

Claro que em "The Red, White and Black" o foco é justamente a polêmica atuação dos soldados negros contra os índios. Na trama, o superior de um batalhão de Buffalo Soldiers é um oficial branco que odeia índios (Cesar Romero), e que obriga seus comandados a atacar e dizimar tribos pacíficas. Robert DoQui (mais lembrado como o Sargento Reed de "Robocop") é um recruta que começa a questionar as ordens e decide proteger os peles-vermelha.

(Os Soldados Búfalo reapareceram recentemente em um filme para a TV de 1997, dirigido por Charles Haid e estrelado por Danny Glover.)

Em 1971, o comediante Bill Cosby, que já era um sucesso na TV norte-americana com os seriados "I Spy" e "The Bill Cosby Show", estrelou "Man and Boy", de E.W. Swackhamer. Mais puxado para o drama, este faroeste conta a história de um escravo libertado (Cosby) que vive com a família numa pequena fazenda no Arizona. Quando seu único cavalo é roubado por ladrões em fuga, o cowboy e seu filho pequeno precisam arriscar a própria pele saindo à caça dos fugitivos, arriscando-se a encontrar brancos racistas que não concordam com o fim da escravidão.

Outro filme nessa linha foi lançado em 1972, e marca outra grande conquista para os artistas negros no gênero: Sidney Poitier, um dos atores afro-americanos de maior sucesso na época (já tinha estrelado "No Calor da Noite" e "Adivinhe Quem Vem Para Jantar"), assumiu também a direção do faroeste "Um por Deus, Outro pelo Diabo" quando o diretor original branco, Joseph Sargent, foi demitido.


Estrelado por três atores de cor (o próprio Poitier, Ruby Dee e Harry Belafonte), o filme se passa nos tempos pós-Guerra Civil, quando dois heróis (Poitier e Belafonte) lutam para fazer valer o fim da escravidão e libertar seus irmãos ainda explorados por alguns ricos fazendeiros.


OS COWBOYS "BADASS" DO BLAXPLOITATION
Por volta dessa mesma época, Melvin Van Peebles lançou seu "Sweet Sweetback's Baadasssss Song" (1971), que muitos pesquisadores de cinema consideram a pedra fundamental do ciclo blaxploitation - formado por filmes de exploração estrelados por negros, mas geralmente produzidos e dirigidos por brancos, que eram realizados para platéias urbanas afro-americanas (embora logo atraíssem também as atenções do público branco).

Diferentes dos "race movies" de um passado já distante, os filmes blaxploitation não se contentavam apenas em colocar negros nos papéis principais, mas também mostravam heróis e heroínas afro-americanas dando porradas e tiros em vilões branquelos, eliminando aquele ultrapassado conceito do "All-Colored Cast" - algo recebido com bastante entusiasmo por um público que ainda enfrentava preconceito nas ruas.

Não demoraram para surgir os faroestes blaxploitation. "The Legend of Nigger Charley" (1972) é considerado o pioneiro da safra.

Dirigido por Martin Goldman para a major Paramount, tem uma trama parecida com "Um por Deus, Outro pelo Diabo" (envolvendo heróis negros que lutam contra feitores de escravos após o final da Guerra Civil), mas um enfoque bem menos dramático e humanista, preferindo entregar o que o público negro queria ver: um herói de cor combatendo brancos racistas com os punhos e balas em inúmeras cenas de ação.

A honra coube a Fred Williamson, que logo se transformaria num dos grandes astros do cinema blaxploitation (além do mais ativo dos cowboys afro-americanos). No filme, ele interpreta o ex-escravo Charley, que sofreu horrores quando trabalhava nas plantações de algodão, e, com o fim da escravidão, resolve fazer valer o direito à liberdade de seus irmãos à força. Ao lado de dois outros ex-escravos (D'Urville Martin e Don Pedro Colley), ele combate caçadores de recompensa e caricaturais brancos racistas. A frase do cartaz já dava o tom do filme: "Alguém avise o Oeste que Nigger Charley não está mais fugindo!".

Fred Williamson, o mais ativo dos cowboys do blaxploitation

"The Legend of Nigger Charley" provocou certa polêmica na época porque o título usa uma expressão pejorativa, "nigger" (que poderia ser aportuguesada como "negão" ou "crioulo"). Mas isso não prejudicou o sucesso do filme, pelo contrário: com um orçamento de apenas 400 mil dólares, o tal primeiro faroeste blaxploitation faturou mais de 3 milhões nas bilheterias, dando origem a uma continuação já no ano seguinte.

Trata-se de "The Soul of Nigger Charley" (1973), desta vez dirigida por Larry G. Spangler, mas novamente com Williamson no papel-título.

Agora alçado a uma figura mítica, considerado um herói pelos outros ex-escravos, Charley precisa lutar contra um poderoso coronel sulista que continua traficando prisioneiros negros para trabalhos forçados em suas plantações no México.

A saga de Nigger Charley encerrou aí, mas Fred Williamson encarnou outros cowboys negros ao longo da década. Em 1975, ele fez o papel-título de "Boss Nigger", dirigido por Jack Arnold. "White Man's Town... Black Man's Law!", dizia a frase no cartaz.

A trama acompanha as aventuras de Boss Nigger (Williamson) e Amos (D'Urville Martin), dois ex-escravos que, com o fim da Guerra Civil, resolveram se transformar em caçadores de recompensas, principalmente para caçar brancos fugitivos e dar o troco nos ex-feitores. Atrás de um destes alvos, eles chegam à cidadezinha de San Miguel, repleta da pior escória de bandidos, e que está sem xerife desde que o último foi exterminado pelos foras-da-lei. Assim, Boss Nigger resolve assumir o posto e limpar a cidade.

Lobby card espanhol de "Boss Nigger"

Uma curiosidade: nestes tempos politicamente corretos em que vivemos, o filme foi recentemente relançado em DVD apenas como "Boss", para não criar polêmica com o uso da expressão pejorativa "Nigger" na capinha!

Depois de fazer "Cavalgada Infernal" ao lado de Jim Brown na Itália, Williamson voltou aos EUA para escrever, produzir, dirigir e estrelar (só para dar uma ideia da moral que o sujeito já tinha!) o western cômico "Adeus Amigo", de 1976.

Neste filme, ele ainda conseguiu a façanha de dar um dos primeiros papéis principais a um tal de Richard Pryor, que em seguida se transformaria num dos grandes humoristas negros do cinema americano. Ironicamente, Pryor foi um dos roteiristas da clássica comédia "Banzé no Oeste" (1974), dirigida por Mel Brooks, e que brincava justamente com a figura dos cowboys negros no Velho Oeste.

Brooks sempre disse que queria o próprio Richard Pryor no papel principal (que ficou com Cleavon Little), mas o estúdio (Warner Bros.) recusou-se a transformar um pouco conhecido humorista em protagonista. Bem, a vingança veio dois anos depois no filme de Fred Williamson.

"Adeus Amigo" é uma daquelas comédias sem muita história, apresentando uma série de esquetes onde Williamson faz escada para as gracinhas de Pryor. Fred interpreta Big Ben, preso injustamente pelos moradores racistas de uma cidadezinha do Velho Oeste. Durante o transporte do prisioneiro para uma penitenciária, a carruagem é atacada pelo assaltante Sam Spade (Pryor), e os dois acabam se tornando parceiros contra a vontade.

Williamson declarou, em entrevistas da época, que seu "Adeus Amigo" era uma espécie de "resposta negra" a "Banzé no Oeste", que ele considerava bobo e ofensivo. Ele queria fazer uma comédia sobre negros no Velho Oeste sem apelar para piadas nonsense e metalinguísticas, como Brooks fizera. O resultado ficou aquém do esperado e foi muito criticado, mas pelo menos serviu para Richard Pryor despontar para o estrelato.

Além de Jim Brown e Fred Williamson, outro astro blaxploitation que arriscou seus tirinhos num faroeste foi Richard Roundtree (mais conhecido como o herói da série "Shaft"). A diferença é que Roundtree era o único negro em "Charley-One-Eye" (1973), um western "existencial" dirigido por Don Chaffey para a Paramount.

Roundtree contemplativo no lobby card de "Charley-One-Eye"

Ao invés de tiroteios e cavalgadas, o filme se concentra na relação entre um negro (o ex-Shaft) e um índio (Roy Thinnes), que se refugiam na fronteira com o México para iniciar uma pequena fazenda em parceria e recomeçar suas vidas, mas que logo são ameaçados por uma violenta quadrilha de bandoleiros.

Vale destacar também um raro western blaxploitation com consciência social, "Thomasine and Bushrod" (1974), dirigido por Gordon Parks Jr. ("Super Fly") para a major Columbia Pictures. Espécie de versão negra da dupla de criminosos Bonnie & Clyde, Thomasine (Vonetta McGee) e J.P. Bushrod (Max Julien) são ladrões de banco simpáticos que roubam dos ricos para dar aos pobres nos EUA do começo do século 20. No caso, as vítimas são o sistema capitalista dos brancos, e os beneficiados são negros, latino-americanos e índios!

O último sopro de vida no faroeste blaxploitation, e o último cowboy negro interpretado por Fred Williamson, foi "Joshua" (1976), produzido e dirigido por Larry G. Spangler e escrito pelo próprio astro.

Williamson assume mais uma vez o papel-título, um soldado negro que retorna da Guerra Civil e descobre que sua mãe foi morta por uma quadrilha de malfeitores (brancos, claro). Joshua resolve fazer justiça pelas próprias mãos, caçando e matando cada um dos assassinos.


E OS COWBOYS NEGROS PERDEM O ESTRELATO...
Com a chegada dos anos 80 e o fim do ciclo blaxploitation, faroestes com negros ficaram mais raros - a bem da verdade, até os faroestes COM BRANCOS passaram a ser produzidos em menor número, principalmente depois que os italianos pararam com sua produção em série de western spaghetti, no final da década de 1970.

Nos poucos filmes do gênero produzidos por grandes estúdios a partir de então, os cowboys negros sumiram das telas. Dá para contar nos dedos os westerns em que atores afro-americanos aparecem pelo menos em papéis secundários, como Carl Weathers em "Perseguição Mortal" (1981, de Peter R. Hunt) e Danny Glover em "Silverado" (1985, de Kevin Reynolds), além de Scatman Crothers no faroeste contemporâneo "Bronco Billy" (1980, de Clint Eastwood).

Morgan Freeman ao lado de Eastwood em "Os Imperdoáveis"

Foi Clint Eastwood quem devolveu-lhes um lugar de destaque ao colocar Morgan Freeman como parceiro do protagonista no excelente e premiado "Os Imperdoáveis", em 1992. Mas foi no ano seguinte (1993) que os negros recuperaram seu lugar de destaque no Velho Oeste, quando Mario Van Peebles dirigiu e estrelou o já citado "Posse".

Este faroeste contemporâneo chamou a atenção pela quantidade de atores afro-americanos no elenco: o próprio Van Peebles no papel principal, Tommy "Tiny" Lister, Blair Underwood, Melvin Van Peebles (pai de Mario), Salli Richardson-Whitfield, Pam Grier, Isaac Hayes, Bob Minor, Sy Richardson, Robert Hooks e Woody Strode, entre outros, e muitos deles velhos ídolos do cinema blaxploitation.

Mario também escreveu e estrelou um obscuro western canadense (!!!) de 1997 chamado "Los Locos", dirigido por Jean-Marc Vallée, onde interpreta um pistoleiro chamado Chance, que recebe a missão de escoltar um grupo de pessoas através do deserto. Em alguns lugares, "Los Locos" foi lançado como se fosse uma sequência de "Posse", por causa da presença de Van Peebles no elenco!

Mas o cowboy negro de maior destaque nos anos 90 foi - quem diria! - Will Smith, que assumiu o papel de James West num blockbuster de gosto duvidoso chamado "As Loucas Aventuras de James West", dirigido por Barry Sonnenfeld em 1999.

Will Smith, que quase foi o Django do Tarantino!

Adaptação de um seriado de TV dos anos 60 (em que o personagem era interpretado por um branco, Robert Conrad), o filme custou 170 milhões de dólares e tem um elenco de astros (Kevin Kline, Salma Hayek, Kenneth Branagh como vilão) pagando mico numa trama frouxa. Não por acaso, foi massacrado pela crítica e boicotado pelo público, tornando-se um dos maiores fiascos de bilheteria dos últimos tempos.

(Ironicamente, Will Smith foi a primeira opção de Tarantino para interpretar o protagonista de "Django Livre", e foi substituído na última hora por Jamie Foxx porque preferiu estrelar "Homens de Preto 3" a voltar ao mundo do Velho Oeste, talvez com vergonha de ter "As Loucas Aventuras de James West" no currículo...)

Embora os críticos vivam anunciando a "morte" do gênero, filmes de western continuaram sendo feitos nos anos 2000 e até hoje, mas os cowboys negros se tornaram cada vez mais escassos e voltaram ao papel de coadjuvantes, como Usher Raymond em "Texas Rangers - Acima da Lei" (2001, de Steve Miner) ou Roy Lee Jones em "Bravura Indômita" (2010, dos Irmãos Coen).

Mas qual foi o último grande faroeste com um PROTAGONISTA negro? Será que a "honra" coube à tralha do "As Loucas Aventuras de James West"? Talvez por isso a molecada sem memória (e pouco afeita à pesquisa, mesmo que exista a facilidade do Google hoje em dia) pense que foi o Tarantino quem inventou o faroeste estrelado por um ator negro.

Mas uma coisa é certa: independente de "Django Livre" ser bom ou não, ao menos Quentin Tarantino já prestou mais um grande serviço à sétima arte, colocando novamente um cowboy negro sob os holofotes, e no papel principal de um filme de faroeste que leva o próprio nome do personagem. Algo que não acontecia desde "As Loucas Aventuras de James West", ou, para citar um exemplo melhorzinho, o "Joshua" de Fred Williamson lá em 1976...

"That's all, folks!"

63 comentários:

Leandro Caraça disse...

Agora é esperar pelas matérias tão informativas e bem escritas como essa que diversos veículos de comunicação farão sobre o filme nas próximas semanas.

Blob disse...

Parabéns Felipe, grande texto!
Só duas observações que não fazem diferença alguma ao seu brilhante texto:o Caveira Púrpura foi antecessor também do seriado do Espírito Escarlate 91946), aquele cujo a máscara do vilão virou garoto-propaganda da banda Misfits. E, sei que não era protagonista, mas me lembrei da Voneta McGee, a mocinha negra do Vingador Silencioso do Corbucci. Claro, nada de grande acréscimo ao seu brilhante texto. Mais uma vez, parabéns!

Jester disse...

PQP, que aula! Se bobear, esse é o texto mais útil que já li neste blog. Parabéns pela pesquisa, Felipe!

Anônimo disse...

Nada original esse Tarantino.
É só ver o título de "Bastardos Inglórios" que eu considerava porreta até descobrir através do blog que ele já nomeava outro filme.

Paulo Geovani

Felipe M. Guerra disse...

BLOB, bem lembrado sobre a Voneta McGee, que não é a protagonista, mas é uma negra com grande destaque na trama. Tem também a chanchada brasileira "Matar ou Correr" (1954), sátira de faroeste dirigida pelo Carlos Manga, embora tenha se convencionado que o Grande Otelo é mais um sidekick do Oscarito do que personagem principal. Agora, o seriado do Espírito Escarlate eu confesso que não conhecia, vou procurar.

elemesmo disse...

Felipe, em um supermercado perto de casa tem uma prateleirinha com várias produções obscuras dentre elas esse "Joshua" e um filme que o Ronald Perrone resenhou no DEMENTIA 13: "Inferno em Louisiana" do Walter Hill. Foram lançados em DVD pela Elite e pela Casablanca respectivamente. Você sabe se essas distribuidoras são boas?

Charles disse...

Puxa, é praticamente uma aula! Acho que os outros veículos da mídia vão usar este como referência.

Felipe M. Guerra disse...

CHARLES, tomara que sim. Eu não vou ganhar nem um centavo, mas pelo menos não vão escrever bobagem por aí! hehehe.

ELEMESMO, o "Inferno em Louisiana" eu tenho, que é o "Southern Confort" do Walter Hill, um filmaço. A imagem e o som estão bons, mas as legendas, para variar, são um cocô. Sem contar a capinha horrível do DVD. Eu recomendaria baixar, já que o disquinho não tem nenhum extra. Esse outro que você citou eu nunca vi por aí.

laurindo big boss disse...

Amigo Felipe: Estou eu em um peque intervalo em meu consultório, quando ao ver seu Blog, mais uma vez me causa um agradavel espanto ao ler e reler esta resenha. Seus comentarios sobre LOLA COLT,CAVEIRA PURPURA,o LENDÁRIO WOOD STROODE, o IMPAGAVEL FRED WILLIANSOM, o GRANDE SIDNEY POITIER, entre tantos outros, mostra que a presença do negro, no cinema, hoje bem mais valorizada, com os DENZEL, MORGAM,CUBA HALLE BARRY, entre outros, seja em Filmes de Guerra, Ação, Comedia, Drama, do que em uma epoca aonde um negro interpretar, era expor seus DOTES FISICO E A COR, não o seu talento, quase sempre posto a um segundo plano. Felipe, entre todas as resenhas suas que li, esta certamente seja uma das que mais me EMOCIONARAM, pelo seu conteúdo e a forma como foi passado para todos seus seguidores. PARABÉNS, PARABÉNS e PARABÉNS...Um Grande Abraço Laurindo Junior.
OBS: Acredito Que BILL PICKETT, tena sido o PRIMEIRO SIM.

Rafael Medeiros Vieira disse...

Texto fenomenal...

Marcelo Gama disse...

Acho que não verei o filme do Tarantino tão cedo... Todo esse oba-oba em cima dele me irrita.

Até mesmo nos quadrinhos, os brasileiros chegaram primeiro do que o Taranta: nos anos 80, tinha o Cyprus Hook, que li naquelas revistinhas HISTÓRIAS DO FAROESTE da Vecchi. A história era bem gore: mutilações, castração, vísceras expostas, etc e ele ainda tinha um índio como parceiro.

E "Duelo em Diablo Canyon"?

Blob disse...

Sobre o Espiríto Escarlate:
http://blogdoblob.zip.net/arch2011-04-24_2011-04-30.html

A merda é que é difícil encontrar uma cópia dele. Eu tenho o seriado completo, mas foi ripado de um vhs leproso. :(

Abraços.

FDP disse...

Felipe,
Como você salientou no post 300, é uma infelicidade tremenda não ter seus artigos comprados por endinheiradas mídias, principalmente estes dossiês, que transcendem o entretenimento e constituem, sem frescuragem, verdadeiros manuais de cinema e história, pois sempre extrapolam os limites do tema e acabam por abarcar toda uma esfera cultural adjacente, quando você nos contextualiza sobre os "porquês" e "comos".
É inacreditável que artigos com temas tão "vendíveis" como o realizado com Anselmo Vasconcellos, que além de externalizar uma figura fundamental ao nosso cinema, destaca um pouco da história do audiovisual do país, "não tenham espaço" nessa mídia tão frágil dos grandes jornais, revistas, portais, etc (Apesar de que, foda mesmo foi o dossiê do pornô 3D, pura cultura, apesar de que neste mundo cada vez mais chatocamente correto, possivelmente é dificílimo encontrar outros meios de difusão para a matéria).
Cara, enfim, é isso, grato demais por disponibilizar material do mais alto nível e desmistificar essas falácias de pseudo-jornalistas (o que as vezes, erroneamente, acaba refletindo negativamente nos realizadores), e que, no fundo, que bom que HÁ o blog, livre, onde HÁ espaço para todos estes materiais de pura qualidade e com os inconfundíveis chiliques do autor!!

Ah, um comentário idiota, mas que não consegui tirar da minha cabeça enquanto lia o artigo: ironia é que a grande estrela do faroeste blaxploitation tenha dividido a tela com o Quentin no Drink no Inferno.

J. Verneti disse...

Texto fantástico, mais um pra lista de melhores do blog.
Quanto ao Woody Strode, o ator tambem participou de "Os Profissionais" ao lado de Lee Marvin, Burt Lancaster e Claudia Cardinali.
Em 2009 foi a vez de Wesley Snipes emfretar mortos-vivos em pleno Velho Oeste no pouco conhecido "Gallowwalker".
Um abraço;

J. Verneti disse...

Errata: "enfrentar mortos-vivos".

Anônimo disse...

Existe um telefilme produzido em 1990,roterizado por John Carpenter e estrelado por Anthony Edwards(Gotcha!; A vingança dos nerds)como um professor que resolve resgatar uma das suas alunas das mãos do temível El Diablo(que da título a essa produção). Covarde como só, ele pede ajuda a um pistoleiro nada confiável.

Paulo Geovani

Anônimo disse...

O ator negro do filme "El Diablo" é o Louis Gosset, Jr.

Paulo Geovani

spektro72 disse...

texto fantastico!uma pena que nossos ridiculos meios de comunicacao esteja perdendo um talento com voce mestre Felipe,parabens novamente!tem muito idiota que paga pau para o Tarantino falando que o cara esta revolucionando o cinema pura balela,o cara faz um filme com um cowboy negro como protagonista ate eu sabia que isso não era novidade, pois eu assisti o " 100 RIFLES " & " BANZE NO OESTE "ate o famigerado "AS LOUCAS AVENTURAS DE JAMES WEST " tem gente que precisa estudar mas sobre cinema antes de entrevistar qualquer um e parar com esse negocio de puxar o saco pois isto inflama o ego ,logico o que não o seu caso ,mestre! Ohh, Grande Gênio É o senhor Tarantino um filme que me deixa irritado é "BASTARDOS INGLORIUS "Me incomoda ate agora que Hitler sendo morto no cinema todo mundo sabe que ele se matou no Banker(Reichstag) com um tiro na cabeça,não gosto que historia seja distorcida odeio isso,apesar que não seria má ideia ele ser metralhado no cinema,mas isso não aconteceu,por tanto o que aconteceu não pode ser mudado.Abraço de Spektro 72

marcelo disse...

Pior do que os cinéfilos que acham que o tarantino "inventou a roda" são os malas que ficam repetindo toda hora que ele copia tudo, como se isso fosse um crime.

Provavelmente Django Unchained será um dos melhores filmes do ano e fará muitas pessoas redescobrir o Django de 1966 e demais filmaços do Sergio Coburcci, como The Great silence.

Enquanto isso você vai continuar pagando de cult e desdenhando que o cara não é original, que puxam o saco dele e bla bla bla.

Júlio Daniel disse...

Prezado Felipe,

Excelente texto e claramente muito inspirado. Na minha memória, os heróis negros mais antigos do faroeste eram Jim Brown, Woody Strode e Sammy Davis Jr. Depois dessa verdadeira aula, vejo que havia uma área muito grande de informações que desconhecia.
Quanto aos críticos profissionais falando abobrinhas, isso é imperdoável mas, infelizmente, parece ser o padrão atual, onde esses sujeitos escrevem apenas para cumprir tarefa e não por amor ao cinema.

Cordiais saudações,

J Daniel

Anônimo disse...

Acho que não precisa acrescentar mais nada. rsrs

Ah, Felipe... me corrija se eu estiver errado. Apesar de toda a polêmica de "The Birth Of A Nation" do Griffith, antes desse filme o diretor fez vários (vários mesmo, acho que passa de 100) curtas. Eu já ouvi falar que em alguns desses curtas o Griffith usou atores negros MESMO. E que o motivo dele ter usado atores brancos pintados de negro no Nascimento de Uma Nação foi por motivos artisticos. Até a musa dele, a Lillian Gish, teria dito isso anos e anos depois do diretor vir a falecer. Só queria tirar essa dúvida porque a merda do IMDB não dá informações completas de todos os atores que tem fichados lá. E eu procurei entre os filmes do Griffith e não vi nenhuma informação a respeito dele ter usado atores negros de verdade antes de usar atores brancos pintados de negros (mas conheço cinéfilos que dizem que ele usou).

E só uma coisa.... apesar de "O Cantor de Jazz" ser o divisor de águas entre o cinema com som e o cinema mudo.... já existiam filmes com som antes.

Um ano antes, 1926, foi lançado Don Juan, da Warner Bros (apesar de não ter diálogos falados, a trilha do filme era gravada NA BITOLA, e não com pianistas ou orquestras tocando ao vivo durante a exibição do filme), no mesmo ano também teve "What Price Glory", usando MovieTone (além da trilha, o filme usava efeitos sonoros... tudo gravado na bitola), além de do sistema Tri-Egon criado em 1919 por 3 alemães!

Mas eu fiquei surpreso ao descobrir que em 1896 já tinha filmes com som, mas eram filmes gravados mudos e o som era gravado em vinil e depois sincronizados, numa experiência da Empresa de Thomas Edison. Tinha até no youtube o filme de poucos minutos de um violinista com o som do gramofone sincado com a imagem.

Bom, espero que o Django Livre seja bom pra caraleo.... porque o Tarantino de original não tem nada, mas ele tem filmes bons. O meu grande problema com o Tarantino não é ele... são OS FÃS BITOLADOS dele.

Porra, tudo o que o cara faz eles chamam de genial. Sendo que tudo o que ele faz é pegar coisas que já foram feitas e dar uma roupagem atual pra elas. Ele faz com méritos isso, mas pra mim isso não é genialidade! Talvez o meu conceito de genialidade esteja ultrapassado, mas pra mim os gênios são os que CRIAM.

Se bem que pro Steve Jobs os gênios eram aqueles que ROUBAVAM as idéias dos outros(kkkkkkkkkkk).


Abração!





Night Owl.

Felipe M. Guerra disse...

MARCELO, você pelo menos leu o que eu escrevi ou ficou só no primeiro parágrafo? Porque em nenhum momento eu falei mal do Tarantino (cujos filmes gosto muito) ou critiquei o "Django Livre". Pelo contrário, minhas reclamações foram unicamente contra críticos de cinema desinformados e fãs bitolados, dois grupos de pessoas que costumam propagar abobrinhas e informações incorretas. Quando foi que eu paguei de cult? Ou desdenhei do cara por não ser original? Toda vez que eu falo que o Tarantino não inventou isso nem aquilo, que certas coisas já tinham sido feitas décadas antes de ele dirigir "Django Livre", não estou criticando e nem desmerecendo o diretor, mas sim tentando abrir os olhos daqueles caras que creem piamente que foi ele quem inventou tudo isso (e acredite, não são poucos). O Tarantino está cumprindo o papel dele, de usar suas incontáveis referências como cinéfilo para fazer filmes, e faz isso muito bem, por sinal. Também acho que seria ótimo se o pessoal depois fosse atrás dos filmes que o inspiraram, como você citou "Django" e "O Grande Silêncio". Mas geralmente isso não acontece: os fãs, acomodados, preferem ficar pensando que foi o Tarantino mesmo quem inventou tudo, conforme você pode ler por aí.

Anônimo disse...

spektro72....

...concordo sobre essa coisa de distorcer a história. Mas por exemplo, "Três Homens Em Conflito" do Sergio Leone, pra muitos o melhor Western já feito, tem alguns erros históricos, e o filme não deixa de ser uma obra-prima.

No filme você vê o "Loirinho" e o "Tuco" usando revolveres modelos Colt Navy, e no estabelecimento de armas onde o Tuco "cria" seu revolver com partes de outros, aparece também um modelo Colt Army. Até aí tudo bem, mas outros personagens (e figurantes) usam modelos Colt SAA. Esse modelo de Colt só foi criado em 1873... e o filme se passa durante a Guerra Civil Americana (que terminou em 1865). rsrs

Outro erro é a região onde os alistados estão combatendo no filme. Eu não sou perito em história, mas acho que geograficamente o Sergio Leone cagou e andou pra isso. rsrs

Outra bizarrice no filme é o Tuco e o "Loirinho" colocando balas de SAA no tambor da Colt Navy. kkkkkkkkkkk. Isso é IMPOSSÍVEL. As Colt Navy e Army tinham que ter os tambores enchidos com pólvora e depois colocavam pequenas balas (menores que bolas de gude) de metal (não sei se eram de chumbo) nelas. Essas Colt (Navy e Army) eram difíceis de serem re-carregadas. Sem falar que elas precisavam ainda de umas chapinhas de cobre, ou algo assim, para dar a deflagração dos projéteis.

E mesmo com todos esses erros no filme, o mesmo continua uma obra-prima porque a trama do filme é tão legal, tão boa, que esses erros não comprometem a película.

E eu achei legal pacas o Sergio Leone fazer o personagem do Clint Eastwood usar uma Colt Navy até o final do filme (mesmo ele colocando balas de uma SAA no tambor do revolver, kkkkkkkkkkkkk). A Colt Navy é o revolver mais cRássico de toda a história do velho oeste REAL. No cinema é que outros modelos de Colt fizeram mais sucesso nos Westerns. E os Spaghetti Westerns visualmente são mais fiéis ao que foi o velho oeste real do que os filmes americanos feitos antes de "Por Um Punhado de Dólares" (1964).

Depois de "Por Um Punhado De Dólares" até os Westerns americanos começaram a ficar menos "bonitinhos" e mais sujões! (Mesmo assim eu gosto de vários filmes do John Ford, hehehe, mesmo com aquele visual irreal).

Então, "Três Homens Em Conflito" é visualmente bem próximo do que era o velho oeste real.... eu disse VISUALMENTE. Mas o filme tem alguns errinhos históricos. rsrs

E mesmo assim acho que é até hoje o Western que mais vezes assisti, porque eu não consigo enjoar do filme, hehehehe.



Night Owl.

Ferraz disse...

"pagando de cult".. isso é uma piada, ninguem "paga" as pessoas simplesmente são o não são... assim, acho que todos que leram este post até o fim, certamente tem essa sementinha cult dentro de si

Interessante observar que os Western Spaguettis por serem realizados por um olhar Italiano não possui a mesma tendência ultra direitista e conservadora americana dos dias de John Wayne... q reflete no tratamento de personagem Índios e Negros.

Quanto ao post, espetacular!!! mostra q no cinema, assim como na musica, nada e criado exatamente do zero.

Esse post me lembrou um outro Especial Temático que certa vez li na net, (talvez tenha sido ate seu) igualmente esclarecedor ele contava a historia que Antes de "Atividade Paranormal", Veio "A Bruxa de Blair", e antes "Cannibal Holocausto" e antes "The legend of boggy creek"

Marco A. S. Freitas disse...

Pôxa, está na hora de, antes de se usar uma expressão americana/inglesa, se saber o significado dela...CULT nada tem a ver com INTELECTALÓIDE, CULTO, CHIQUE ou SOFISTICADO (sentido q o Sr. Marcelo parece ter quisto transmitir), mas sim de algo com LONGEVIDADE no QUESITO ´legião de fãs´.
-triste foi quando lançaram o POSSE nos EUA, não sei como fizeram com o material gráfico aqui), apesar dos protagonistas serem negros (e ter sido realizido por um mulato de talento-um dos únicos clipeiros q prestam ao fazer longas, na minha opinião-, ainda assim, quem foi o primeiro creditado foi o (coadjuvante)braco, Stephen Baldwin (por sinal, casado com a filha de um dos papas da Bossa Nova).
03-Outro negro em faroeste q vc poderia ter citado (um ótimo ator, falecido de forma muito triste,e que participou de um dos mais viajantes longas no gênero), foi Harry Baird, no ótimo OS QUATRO DO APOCALIPSE (um dos gritos do Cisne em matéria de EuroWesterns)
04-apesar do karateca Jim Kelly estar no citado divertidíssimo longa de Margheriti, ele não faz o papel de um afrodescendente mas de um pele-vermelha (!)
05-O Scatman Crothers, apesar de estar no ´BYE BYE BRASIL norteamericano´, BRONCO BILLY (a semelhança entre o filme de Eastwood e do Diegues(filmado antes), no seu tema é enorme), não faz papel de cowboy e sim de MC e o filme tem vaqueiros mas não é um faroeste (poor sinal, nem se passa naquele época).
06-Quentin deu entrevista recentemente dizendo que conversou com Will, sugerindo q ele, como outros atores afrodescendentes foram considerados para o papel, mas disse que algo não clicou entre o ator e o personagem e acabou escolhendo o Foxx e não que ele havia sido escolhido e acabou fazendou outra produção.

Felipe M. Guerra disse...

Ótimas as colocações do MARCO ANTONIO.

- Por aqui, o "Posse" saiu com uma capinha que dava destaque ao elenco negro, se não me engano bem parecida com esse pôster de cinema lá dos EUA.

- Bem lembrada a ausência do Harry Baird. Não lembro se ele chegou a fazer algum filme como protagonista, mas teve papel de destaque em vários westerns produzidos na Itália, incluindo uma das incontáveis sequências não-oficiais de Sartana, em que ele faz o sidekick do herói. Mas como eu me desculpei já no início do texto, esse dossiê já nasceu incompleto, com certeza tem muitos outros atores negros em faroeste para se (re)descobrir...

- Pois é, "Bronco Billy" é um faroeste contemporâneo (por sinal, acho bem fraco o filme). Eu só o citei como exemplo por serem tão raros os westerns dos anos 80 e os negros nestes filmes!

- Essa história do Will Smith eu realmente não sabia. Mas peraí, não saíram várias reportagens sobre o Will Smith estar trabalhando no novo filme do Tarantino tempos atrás, ou minha memória está me pregando peças? Lembro até que o pessoal estava chiando e eu comentei algo como "Prefiro o Will Smith do que o DiCaprio", e esse último acabou ficando no elenco... hahaha.

Marco A. S. Freitas disse...

-No cartaz americano do POSSE o nome citado acima/à frente de todos foi o do Stepehen.
-Felipe, o BRONCO BILLY é um drama sobre artistas circenses que se apresentam em espeta´culos com um Western Motif mas o longa nada tem a ver com um western (trama, ´seting´, etc), pense bem (da mesma forma q BYE BYE BRASIL não se trata de um musical de rumba brazuca (apesar da personagem da Betty Faria fazer uma artista circense q se passa por dançarina hispana).
-Hás no Youtube uma entrevista quando do lançamento do Quentin em q o próprio (confiável q seja algum cmentário dele ou não)em q ele diz exatamente o q eu citei quando menciona o Will.

Robson disse...

Texto excelente!!!!!!! Sem mais

Rubens Matheus disse...

Parabéns pela aula!

marcelo disse...

Felipe, sim eu li o texto até o final e achei o mesmo muito bom e divertido, como sempre.

Costumo acompanhar o seu blog já há bastante tempo, mas percebo sempre essa pitada de ironia quando você comenta algo sobre o Tarantino ou sobre os seus fãs. Isso passa a impressão que você desdenha de todos os fãs do tarantino que não conhecem nem 10% de todos os filmes obscuros que você conhece. Com excessão da obra-prima conhecida OS IMPERDOÁVEIS, é realmente complicado encontrar cinéfilos "experts" em faroestes com protagonistas negros. Você é um estudioso em cinema e tem essa vantagem e os "meros fãs de tarantino", como você mesmo diz, são ignorantes neste assunto. Por isso percebi uma pequena ponta de arrogância em algumas colocações no texto, que me levaram a escrever o comentário anterior, mas provavelmente eu tenha me equivocado nesta impressão.

Tirando essa pequena discordância, continuarei acompanhando o seu blog. Um abraço.

Felipe M. Guerra disse...

MARCELO, não tenho absolutamente nada contra os fãs do Tarantino. O que me incomoda, sempre, é a ignorância - ou, neste caso, o sujeito que faz questão de continuar ignorante. Concordo com você, muita gente pode ver "Django Livre" sem jamais ter visto um western estrelado pelo Jim Brown ou pelo Fred Williamson, quem dirá por aqueles cowboys negros pioneiros dos anos 20-30. Agora, o mínimo que esta pessoa deveria fazer é se informar antes de falar bobagem por aí, PRINCIPALMENTE no caso do crítico de cinema em questão lá do jornal de Miami, que passou vergonha entrevistando o próprio Tarantino! Já diz um velho ditado: "Quem fala o que quer, ouve o que não quer". Você está certo, eu sou pesquisador e estudioso de cinema há muitos anos, tenho uma bagagem cinematográfica grande, mas quando comecei a me interessar pelo assunto não havia internet, e eu era obrigado a recorrer a livros e revistas como fonte. Hoje tudo é mais fácil, em cinco minutos no Google você tem acesso a uma montanha de informações sobre qualquer assunto, então não tem mais desculpa para as pessoas continuarem sendo ignorantes. Ao invés de ser achincalhado por dizer que o Tarantino inventou isso ou aquilo, o que custa dar uma pesquisadinha antes? Não machuca. É isso. Fica de lição para todos nós! :-D

Anônimo disse...

Marcelo, se estivessemos na década de 80 ou 90, eu concordaria que seria difícil saber sobre westerns com protagonistas negros, afinal a maioria dos westerns com negros no papel principal são filmes "obscuros".

Mas estamos nos tempos de "Googles da vida" (falo isso porque o Google não é a única ferramenta de procura na internet... mas é a melhor, rsrs).

Bom, vou dar uma dica e talvez isso sirva pra todo mundo.

Sabe o IMDB? Bom, procure por qualquer filme que você considere "obscuro". Vamos dizer.... "Street Trash". Quando abrir a página do IMDB mostrando a ficha completa desse filme, olhe no canto da tela na parte de "Listas Relacionadas".

Escolha "ver todas as listas relacionadas".

Tem muitas, mas muitas listas feitas por cinéfilos do mundo inteiro que estarão relacionadas com esse filme. Daí, você vá fuçando os títulos das lista, pode ser que você encontre algo como "Top 500 B Movies".... "Best Trash Movies Of All Time".... "Exploitation Cinema"..... entre tantas outras.

Da mesma forma que se você procurasse por "Avatar" você encontrará listas relacionadas a Blockbusters, ou grandes bilheterias, ou "melhores filmes de todos os tempos"(eu considero Avatar uma porcaria, mas não é raro achar listas onde nego o considere um dos melhores).

Enfim... todo filme que você procurar no IMDB, terá no canto da tela uma "sessão" de listas relacionadas.

Vários filmes que eu não conhecia eu achei fuçando essas listas.

Muito provavelmente, se você procurar por Django Livre no IMDB, terá várias listas de Westerns relacionadas, e pode ser que tenha listas só com filmes de Westerns com protagonistas negros.

Ou seja, hoje em dia, além do Google, não é tão difícil assim procurar informação sobre esses filmes mais "obscuros".

Nós aqui, por exemplo, citamos alguns Spaghetti Westerns... tem um database na internet dedicado a Westerns feitos na Itália (ou por italianos, não necessariamente rodados na Itália). Nesse database inclui não só o ciclo de Spaghetti Western que comeou em 1964, como filmes italianos do gênero feitos desde a primeira década do século XX.

Assim como também existe database de Slasher Movies, tem database só de filmes de zumbis, tem database de filmes de mulheres em prisão, etc....

Eu até cheguei a encontrar uma vez um site especializado em Brucesploitation (filmes exploitation com atores sósias do Bruce Lee).

Já vi site especializado em podreras turcas (Star Wars Turco, Superman Turco, Exorcista Turco, etc)

É só dar uma pesquisada que você vai ver que não é tão difícil achar informação sobre esses filmes não muito conhecidos.

PS: No meu último post eu tava falando dos revolveres usados nos filmes, né? Pois fuçando na internet eu achei um database de ARMAS em FILMES. É o IMFDB (Internet Movie Firearms DataBase). kkkkkkkkk. Viu, tem até database de ARMAS usadas em filmes.

Abração!





Night Owl.

Anônimo disse...

Tenho minhas dúvidas se essas cenas que o Tarantino emula fazem o pessoal mais novo procurar a fonte original. Conheço muita gente da geração "pós-pulp fiction" que nem ouviu falar ainda no City on fire, de 1987 e que serviu de base de inspiração para os Cães de Aluguel. O mesmo vale para os Bastardos Inglórios.

Rafael

Alvaro disse...

Descobri seu blog agora, muito bom! Faço questão de divulgar para meus amigos que curtem cinema também. Vida longa! Saudações de Manaus

spektro72 disse...

Night Owl ...
obrigado por concordar comigo sobre distorções sobre a historia ,não sabia " TRES HOMENS EM CONFLITO"tinha tanto erro assim ,eu lembro destas parte do filme citada por você eu não entendo nada de armas mas com você é perito nisso não vou discordar,realmente tem umas falhas historicas ali,mas concordo com você um grande western e merece ser apreciado por tudo que gostam do mundo de setima arte.
Tarantino ficou nervoso numa entrevista que não pode associar ao filmes dele á classe de " massacre" eita! mas o cara so coloca isso nos filmes dele com: CAES DE ALUGUES, KILL BILL,BASTARDO INGLORIUS é por isso que falo transformam hoje qualquer em gênio do cinema e quem são os outros para critica-lo,cuidado ao passar na jaula do leão !!! agora aguenta o Sr. Tarantini ( o gênio do cinema ,hum! )!!!abraço Spektro 72
o Taranta tem assunto vai ser o recorde do ano,aqui no filmes para doidos.
obs: ficaram sabendo o Spike Lee não gostou deste filme do "DJANGO LIVRE ".

Anônimo disse...

Valeu pela dica do IMDB, Night Owl.

Paulo Geovani

Anônimo disse...

Spektro72, calma lá, não sou tão perito em armas não. hahahahaha.

Eu conheço um monte de armas dos tempos do velho oeste (eu gosto de Westerns, mas depois de ver alguns documentários sobre o velho oeste real, eu fiquei realmente interessado nas armas daquele tempo).

Inclusive, olhando o IMFDB eu descobri que as Colt Navy usadas pelo Clint e pelo Tuco no filme "Três Homens Em Conflito" tiveram seus tambores adaptados para colocarem balas (de festim, óbvio) das Colt SAA. Acho que o Sergio Leone quis poupar o telespectador da demora que era recarregar esses revolveres (leva no mínimo uns 5 minutos pra recarregar, enquanto a Colt SAA você carrega em 5 segundos, ou menos).

Mas é aquela coisa, só quem conhece esses "detalhes" dos períodos do velho oeste é que vai perceber essas falhas do filme.


Porém eu repito, pra mim não altera em nada o resultado final da película, até porque o tema central do filme não é a Guerra Civil e nem a tecnologia das armas, e sim os 3 pistoleiros safados se enganando o filme inteiro em busca do tesouro escondido no cemitério.

Sem falar que a trilha sonora do Ennio Morricone é de tirar o chapéu (pra mim tão espetacular quanto as melhores trilhas do John Williams e do Basil Poledouris).

Abraços!



Night Owl.

Anônimo disse...

Pessoal, acabei de assistir a Django Livre.

Eu consegui baixar uma versão com boa imagem (não foi filmado por uma câmerazinha amadora ou celular como acontece quando botam na internet filmes que ainda estão no cinema).

Essa é uma daquelas versões pré-cinema (esqueci como chama). Mas acho que tá tudo completo: edição, efeitos, trilha sonora, etc....

Com essa discussão aqui eu não me aguentei de curiosidade.

Bom, não se preocupem, eu não vou dar nenhum spoiler.

Só quero dizer a minha primeira impressão:

Há partes do filme que achei boas pra karaleo.

Há outras partes que achei arrastadas demais e chatas.

O filme faz várias homenagens (como é de se esperar em filme do Tarantino).

O estilo de filmagem é um mix dos estilos do Sergio Leone e do Sam Peckinpah.

Ou seja, close nos rostos (Leone) e câmera lenta (Peckinpah).

A violência do filme são claramente citações aos westerns do Sam Peckinpah. (Enfim, se você espera ver um Western com BASTANTE SANGUE.... podem ficar tranquilos que aqui tem).

Há outras homenagens mais sutis, só prestando bastante atenção pra percebe-las.

Só tem um probleminha... boa parte do filme não funciona como um Western. Lembra mais filmes de época sobre a escravidão.

Ainda assim, achei o filme BOM!

Mas pelo que estavam falando, eu esperava mais.

Depois eu vou ver no cinema pra ver se a versão que eu assisti não está diferente da que está sendo exibida nas telonas.

Enfim, o filme é bom (na minha opinião) mas por tudo que falaram eu já o considero um pouco superestimado.

PS: Samuel Jackson tá impagável no filme, rsrs.


Abraços.



Nght Owl.

Júlio Daniel disse...

Pessoal,

Eu penso que as "falhas" e "erros" do Sérgio Leone devem ser vistos apenas como liberdade poética para manter o ritmo e o clima do filme. São Tomás de Aquino dizia que se um artista erra sem querer, é um mau artista, mas se erra de propósito visando o resultado final da obra, é um bom artista. Leone se orgulhava de conhecer bem o velho-oeste real, mas o objetivo dele era fazer um filme que empolgasse o espectador e não um documentário. Se não me engano, a cena em que Tuco, tomando banho, saca um revolver de dentro da banheira, foi questionada por Eli Wallach - Mas a pólvora vai molhar e não vou poder atirar. - e Leone respondeu - calma, é apenas um filme.

Cordiais saudações a todos,

J Daniel

spektro72 disse...

Night Owl...
Como você gosta de western ou sou fascinado pela segunda guerra, ja assisti tantos filmes deste genero que as vezes em algumas produções as capangas erram muito no uniformes alemaes da epoca,pequenos detalhes que as vezes me incomodam ou como mudança no curso da historia como fez o taranta,obrigado por vossa explicaçao amigo,outra coisa a trilha sonora desta filme tambem acho coisa do outro mundo, adoro trilha sonora de filmes, afinal! o que seria de um filme se não tive-sse isso, seria horrivel e sem emocão algumas da trilhas sonoras que gosto :ERA UMA VEZ NO OESTE,QUANDO EXPLODE A VINGANÇA,OS INTOCAVEIS,etc.. Acho que todas estas trilhas que mencionei são do Ennio Morricone cara um genio suas trilhas não saem da cabeça de que realmente aprecia a setima arte e nosso amigo Julio Daniel é verdade esta cena me deixa intrigado quando criança com a arma disparava depois de molhada seria possivel, hoje vejo que não.. coisas do cinema,não pense somente assista.
abraços
Spektro 72

Anônimo disse...

Julio Daniel.... isso é bem verdade.

Como eu disse antes, o Leone deve ter poupado o espectador de algumas coisas.

Afinal se o filme parasse pros personagens re-carregarem suas armas da maneira como essas armas eram realmente carregadas daria uma esfriada legal na trama, já que nesse filme (Três Homens Em Conflito) é praticamente uma reviravolta atrás da outra. Já que se trata de 3 caras que estão atrás do mesmo tesouro e eles ficam passando a perna uns nos outros, além de que o Tuco e o Loirinho se unem porque cada um tem uma informação preciosa para encontrar o tesouro (o Tuco sabe qual cemitério e o Loirinho sabe o nome da cova).

Por exemplo, nesse filme novo do Tarantino, se passa antes da libertação dos escravos. Todas as armas do filme correspondem a época. Tem Colts Navy e Army, e Remingtons (o Django inclusive usa uma Remington.... na verdade, ele usa Colt também, mas a arma de "cabeceira" dele no filme é uma Remington Army).

E o Tarantino respeitou essa coisa da "recarga" das armas.

Só que ele respeitou de uma forma absurda (não vou falar pra não dar spoilers)... tipo, só vocês vendo pra acreditar.

Só posso dizer que se ele respeita a parte histórica e a tecnologia das armas, ele força da forma mais hollywoodiana possível o jeito do Django se virar pra recarregar as armas sem demora (é que, na verdade o Django não recarrega.... bem, rsrs, não dá pra dizer.... quando o filme estrear nos cinemas assistam e tirem suas conclusões... só posso dizer que são cenas bem "James Bond", ou seja, o espectador vê e diz "caralho, que mentira", hahahaha).

O Tarantino respeita a tecnologia da época, mas não respeita a verossimidade das "ações" do protagonista. Afinal, é um filme, ele não tem obrigação de ser 100% realista.... mas também não precisava forçar em algumas cenas.

O que posso dizer é que são cenas no mesmo nível de mentira como o Rambo sozinho detonar um exército inteiro e nenhuma bala sequer o atinge! kkkkkkkk!

O engraçado é que as melhores cenas do filme são exatamente essas cenas forçadas! Hahahaha! É que o Tarantino bota uma boa dosagem de humor nessas cenas, sinal que ele não levou a coisa tão a sério assim.


Enfim, ASSISTAM! XD



Spektro72, eu por exemplo não perceberia erros históricos nos filmes da segunda guerra, tirando claro essa parte do Hitler se matar.... eu já vi uma porrada de documentários sobre a segunda guerra, e em todos dizem que o Hitler se matou com um tiro na cabeça, embora tenha alguns documentários que teorizam outros possíveis finais para o Hitler, mas essas "teorias" são meramente um exercício de imaginação que os documentários fazem, no final todos eles dizem que as evidências apontam para o suicídio do Führer.

Mas eu não vi tantos filmes fictícios sobre a segunda guerra (mesmo que sejam inspirados em fatos reais, quando digo "fictícios" é que não se trata de documentários), então não posso dizer se respeitam as táticas de guerra usadas na época, o armamento, as datas, os uniformes, etc... E os documentários que vi tratavam mais sobre a morte do Hitler e o Holocausto do que as táticas de guerra e o armamento em si.

Eu só sei o básico mesmo.


Por falar nisso, tava pra sair um filme bizarro que mistura Frankenstein com Nazistas e o próprio Hitler. Hahahaha.

É tipo: no momento em que o Hitler sente que vai perder a Guerra, ao invés de se matar ele acha o diário de Frankenstein e cria super soldados (todos baseados no Monstro de Frankenstein) pra ver se ainda consegue dar um último suspiro na Guerra.

Acho que o filme é "Frankenstein's Army", ainda não saiu (vai sair esse ano de 2013). Mas só pela sinopse do filme me parece algo bem absurdo como aquele filme que o Felipe resumiu aqui uma vez, dos tubarões que nadam na areia e não na água. kkkkkkkkkkk!

Espero que seja algo divertido no mínimo.


Abração!




Night Owl.

Anderson disse...

Muito bom o texto, parabéns pela pesquisa.

Uma curiosidade tb é que o Will Smith recusou o papelo de Neo em Matrix por causa desta bomba do wild wild west.

spektro72 disse...

Night Owl..
Fico feliz por você novamente por me responder, sobre a morte de Hitler não questiono em nada pois ele se matou mesmo ,pois a guerra já esta perto do fim,filmes que consideram legais para assistir sobre este tema são: O PLANO PARA MATAR HITLER,A QUEDA - AS ULTIMAS HORAS DE HITLER (Este por sinal o melhor filme de reconstituição dos momentos finais do Führer ,uniformes ,armas e atuação do ator Bruno Ganz, impecavel),O BÜNKER - OS ULTIMOS DIAS DE HITLER. Dentre outros que não me lembro agora, tem um filme muito curioso baseado um livro chamado " NAÇÃO DO MEDO" Como seria se Alemanha Nazista tive-se ganhado á guerra ,caso os Estados Unidos não tive-se entrado nela ,passou no INTERCINE da GLOBO algum tempo,Segunda Guerra dá historia ate hoje ,nunca esqueceremos como foi horrivel ambição de homem em conquistar o mundo.
P.S - tem um filme lançado em DVD recentemente chamado " Deu á Louca nos Nazis " Os Nazista refugiados no lua no lado escuro dela.
Abraço de Spektro 72

Anônimo disse...

Esse site sobre armas no cinema, IMFDB (Internet Movie Firearms DataBase). kkkkkkkkk. Viu, tem até database de ARMAS usadas em filmes.
é sensacional, muito divertido!

Felipe M. Guerra disse...

Esse das armas foi de grande utilidade para identificar as que o Charles Bronson usou na série "Desejo de Matar", quando escrevi as resenhas dos filmes da série. Também tem um database de aviões usados nos filmes, e se tem de aviões provavelmente tem de carros também! É isso, a internet é uma fonte inesgotável de informação, basta não ter preguiça de pesquisar!

Anônimo disse...

Na entrevista concedida à Playboy desse mês, Tarantino diz que se inspirou em "Hitler Dead or Alive", um filme de 1942 para escrever "Bastardo Inglórios".

Paulo Geovani

Anônimo disse...

http://wp.clicrbs.com.br/blogerlerina/2013/01/13/monica-mattos-dos-gemidos-aos-gritos/?topo=13,1,1,,,13

Anônimo disse...

Mônica Mattos no filme do Felipe Guerra??????

Que legal XD!

Seguindo os passos da Brighitte Lahaie, Traci Lords, Marylin Chambers, hehehe. E até o Ron Jeremy (que já fez algumas participações em filmes não pornôs... alguns de Terror se não me engano).

Engraçado é que a Cicciolina e a Marina Hedman, e acho que a Karin Schubert, seguiram o caminho inverso, começaram em filmes não pornôs (pelo menos não pornôs hardcore) mas depois foram faturar com os filmes hardcore.


Spektro72, tem também um filme, acho que é norueguês, "Zumbis Na Neve". Que são zumbis de soldados nazistas atacando na neve. Humor Negro.


Abraços!



Night Owl.

Farofa disse...

Excelente matéria informativa. Deve ter dado um trabalhão de pesquisa!

Obrigado por mais isso!

spektro72 disse...

Night Owl..
Obrigado por essa dica deste filme vou procura-lo.
Paulo Geovani,eu pensei que nosso gênio do cinema havia criado o roteiro sozinho..hum! quando é que o Sr.Tarantino vai fazer um roteiro sozinho sem chupa-los de filmes antigos.. é preguiça ou ele uma farsa como muitos dizem,hein ?
Abraços Spektro 72

Anônimo disse...

Spektro 72,

Eu me pergunto quais seram os próximos projetos do Quentin.
Será uma homenagem à "Fugindo do Inferno" ou à Fuga Audaciosa"?

Paulo Geovani

João Ferreira disse...

Ótima matéria. Não duvido nada que ainda irão pipocar matérias "profiças" alegando que Tarantino estaria revolucionando o gênero Western com Django Livre...

Anônimo disse...

Grande Felipe, meus parabéns pela excelente matéria e pelo excelente blog. Acompanho o blog desde os primórdios e é muito satisfatório não somente ler suas matérias muito bem elaboradas, mas como também ter um referencial sério de cinema para ler ocasionalmente e se aprofundar na Internet. Meus parabéns. E apesar de muitas vezes não concordar com sua opinião (acho o Lars Von Trier um bom diretor, o Glauber Rocha superestimado, mas bom tb, enfim...), aplico aqui a sabedoria de Voltaire a estas divergências, afinal, quem tem conhecimento de causa pode se dar ao luxo de formar uma opinião. Continue primando pela qualidade dos seus textos e nos brindando com o que ha de melhor nos filmes para doidos. Por sinal, fica minha sugestão neste espaço que ja foi feita por outros colegas: uma forma de os leitores doarem a quantia que desejarem para colaborar com seu trabalho. Acho que o blog merece. Um abraço. Leonardo.

spektro72 disse...

Paulo Geovani..
espero que o Tarantino nem ousei estragar um classico de guerra como esse " FUGINDO DO INFERNO" e nem este outro filme fantastico mencionado por você " FUGA AUDACIOSA",ambos sumiram da TV Aberta ja muito tempo, Que Mr. Tarantino invente roteiros proprios não é ?
pois no cinema sempre precisa de renovação e não refilmagens toda hora,isso cansa o publico que vai ver um bom filme!
Abraço de Spektro 72.

Anônimo disse...

Spektro 72,

"Fugindo do Inferno" é um dos filmes favoritos do Quentin.
Quem sabe ele não decide fazer uma "homenagem"?

Paulo Geovani

Anônimo disse...

Por falar em TV aberta.... alguém lembra o nome do filme que passava no SBT (lá no início dos anos 90) sobre uma mulher que ia fazer cooper e era sequestrada por dois vagabundos?

Velho, eu adorava assistir ao filme só pra ver as pernas da mina, kkkkkkk.

Mas esqueci o nome! Ela era mantida refém dos caras. Se não me engano eles amarravam as mãos dela e puxavam a corda como se ela fosse um animal de estimação.

O filme era bem dramático. Tinha uma paisagem montanhosa (acho que ela ia fazer cooper numa estrada perto de umas montanhas ou algo assim).

Taí mais um filme que eu procuro há tempos e não acho.

Tem o da Loira pelada porrando meio mundo de capangas(que até agora não achei), e esse da mina sendo sequestrada (que eu lembre nesse não tinha nenhuma cena de nudez, mas o filme tinha uns momentos SÁDICOS).


Abraços.



Night Owl.

Anônimo disse...

Eu falando do filme da mina raptada, quando acho no Youtube isso daqui:

http://www.youtube.com/watch?v=Hk7dm111tCs

Tipo, agora eu fiquei com dúvida. rsrs

A história desse filme "Abducted" é IDÊNTICA a do filme que eu tô falando.

Nesse "Abducted" a mina tem as mãos amarradas e é puxada como se fosse um animal (igual ao que eu procuro).

Tem cenas bem sádicas no filme (igual ao que eu procuro).

A atriz é bem parecida com a do filme que estou falando (parecida mesmo).

Será que é esse???? rsrs


Fiquei com essa dúvida porque eu lembro da mulher do filme que falei estar usando um shortinho azul, mas nesse "Abducted" ela fica de calcinha lá pro final do filme, e não lembro disso no filme que falei, e nesse filme que procuro tem cenas em que ela é espancada e fica com a boca cheia de sangue, e nesse "Abducted" eu não vi nenhuma cena dela com a boca ferida!

Será que o filme que eu vi é um daqueles remakes que são quase 100% iguais ao original? rsrs

Velho, esse "Abducted" é MUITO parecido com o filme que estou falando... ou então é o próprio, mas deve ter tanto tempo que eu não vejo que nem lembrava desses detalhes. E talvez eu esteja confundindo cenas de outro filme com esse.

Bizarro!

Depois que o Felipe mostrou que o Último Americano Virgem era um remake quase idêntico ao original, eu não duvido que possa ter tido outros remakes nos anos 80 no mesmo estilo.



Night Owl.

Anônimo disse...

Night Owl,

Eu lembro de um filme chamado "A Fortaleza" com a atriz Rachel Ward.
Ela faz uma professora que é sequestrada junto com os seus alunos. Eles passam por maus bocados. Um dos sequestradores usa uma máscara do Papai Noel!

Paulo Geovani

Anônimo disse...

Paulo Geovani, esse que você diz eu acho que sei qual é. Acho que já vi. Mas vou dar uma procurada pra rever, tem uns filmes que eu só vi uma vez há muito tempo então fica foda tanto pra lembrar dos nomes e as vezes até como eram os filmes!


Valeu a dica.




Night Owl.

Anônimo disse...

Tava olhando com mais calma o filme do Youtube, "Abducted". E agora eu percebi, não é o filme que procuro. Lembrei que no filme que passava no SBT os dois caras morrem no final (esse acho que não tem problema de dar spoiler, ehehehehe, afinal é um filme que nem lembro o nome). Nesse do Youtube um dos caras mata o outro no fim.

É diferente... mas mesmo assim, a porra da história é praticamente idêntica. Pelo visto esse é mais um dos exemplos de filmes ou muito semelhantes, ou chupação total um do outro. kkkkkkkk!



Night Owl.

spektro72 disse...

Paulo Geovani..
Não diga isso nem sonhado,que fique com o terno de filme preferido,se ele fizer um remake vai fazer merda,deixa o filme original quieto no canto.
Ao nosso amigo Night Owl,sobre este filme talvez ate o nosso mestre te responda antes do que eu, por que preciso de datas especificas ( voce falou em anos 90) vou verificar ele foi exibido Ex: SESSÃO DAS DEZ,FIM DE NOITE etc,etc.. para ver tenho o nome dele anotado no meu caderno de filmes ,ai te falo o nome dele apesar que acho que o felipe ira falar primeiro ,O Filme da loira ninguem sabe nem eu, estou pesquisando e ate agora nada de acha-lo , mas vou continuar procurando e quer coisa passo informacoes se caso eu desvende este misterio .
abraços Spektro 72

João Ferreira disse...

Acompanharei a maratona de reviews, se possível tentando ir atrás de alguns dos filmes destacados. Agora, a maior putada essa história de sair tacando "Django" em tudo que era filme, hein?

Shahzam disse...

Caramba, gostei muito desse artigo, parabéns! Grande contribuição para que pesquisem antes de escrever certas coisas. Só não sei se alguém ja falou, mas o Herb Jeffrey não era bem negro, apenas se maquiava para parecer assim. Bom trabalho (: