sexta-feira, 20 de julho de 2012

LASER MISSION (1989)


Se Edward D. Wood Jr. não tivesse morrido de ataque cardíaco em 10 de dezembro de 1978, estivesse vivo lá pelo final da década de 80 e dirigisse um filme barato de ação direto para o mercado de vídeo, o resultado seria LASER MISSION. Simples assim: LASER MISSION é o "Plan 9 From Outer Space" dos filmes de ação.

Mas Ed Wood realmente morreu de ataque cardíaco em 1978, e não tem nada a ver com LASER MISSION. Seu realizador é Beau Davis (nome artístico: B.J. Davis), um sujeito que trabalha como dublê desde o começo dos anos 80, mas, volta-e-meia, arrisca-se como diretor. Fica a suspeita, entretanto: se estivéssemos num filme de ficção científica classe C dos anos 50, o cérebro de Wood teria sido transplantado no corpo de Beau Davis, tal as similaridades no trabalho inepto demonstrado pelos dois realizadores.


"LASER MISSION é tão trash assim?", pode perguntar-me o inocente leitor do FILMES PARA DOIDOS que nunca ouviu falar dessa tralha. Bem, vamos resumir assim: sabe aquela típica frase "Este filme é tão ruim que é divertido", habitualmente usada para descrever algumas das produções analisadas aqui no blog? Pois a expressão poderia ser atualizada para "Este filme é tão LASER MISSION"...

Aliás, repararam que em três parágrafos eu já citei o título LASER MISSION cinco vezes (seis, com essa última)? É porque é um puta de um nome legal e sonoro: LASER MISSION (sete)! Eu sempre fui um grande fã do título "Cobra Mission", usado por Fabrizio De Angelis num filme-podreira de guerra lá dos anos 80, mas hoje já acho LASER MISSION (oito) muito mais legal!


Ironicamente, não há nenhum laser em LASER MISSION (nove, e a partir de agora paro de contar). O mais perto que se chega disso é o raio azulado que "corta" o título do filme nos créditos iniciais (acima). A palavra "laser" também é usada inúmeras vezes durante a trama, mas nunca vemos raio laser algum durante os oitenta e poucos minutos de projeção. Pense num título enganoso...

Há, porém, uma missão. E, para realizá-la, o nosso herói Michael Gold, um ex-agente da CIA que atualmente trabalha como mercenário e é interpretado pelo finado filho de Bruce Lee, Brandon Lee (1965-1993). Todo mundo tem que começar por algum lugar, e Brandon tem em LASER MISSION seu primeiro papel como protagonista numa produção ocidental - antes, ele havia estrelado um filme em Hong-Kong e foi parceiro (e filho) de David Carradine na produção para a TV "Kung Fu - A Lenda Renasce".


Não faço a menor ideia de como o pobre Brandon Lee foi se envolver nessa canoa furada, mas pelo menos ele sempre pôde dizer algo como: "Sim, eu fiz LASER MISSION, mas o Ernest Borgnine também estava lá!".

É verdade, caros leitores: o pobre Borgnine, falecido este ano (2012), Oscar de Melhor Ator por "Marty", visto em clássicos como "Meu Ódio Será Sua Herança" e "Os Doze Condenados", também aparece em LASER MISSION num ingrato papel de coadjuvante, interpretando um cientista alemão cujo sotaque aparece e some de uma cena para a outra. Tinha setenta e poucos anos na época e, bem, você sabe, todos precisamos pagar nossas contas - e ele provavelmente só fez esse filme para ganhar uns trocados para pagar o plano de saúde!


Mas vamos por partes, porque uma maravilha da sétima arte (sim, foi ironia) como LASER MISSION praticamente implora para ser analisada mais detalhadamente...

Nossa aventura começa com vários takes de armas de grosso calibre sendo preparadas durante os créditos iniciais, e todo fã de cinema de ação sabe que essa é uma bela maneira de se começar um filme do gênero. Ao fundo, toca a música "Mercenary Man", de David Knopfler - irmão menos famoso e menos talentoso de Mark Knopfler, do Dire Straits.


Cantada com voz rouca e esganiçada, e aquela típica batida pop-rock melosa que grita anos 80 (e não dá a menor saudade daquela década), a música segue assim:

"In the violence of the night
Where you hear the sirens scream
He only knows where he's going to
Like a dream within a dream
His heart beats like a hammer
Like the backbeat of a song
And the fire burns within him
And he knows he don't belong
He must be strong
He's a mercenary man, mercenary man, mercenary man
Mercenary maaaaaAAAAAAAAAaaaaaan!
Yeah, a mercenary man."



Aparentemente, a produção de LASER MISSION era tão furreca que não tinha dinheiro para bancar uma trilha sonora inteira. Assim, Knopfler fez apenas essa maravilha chamada "Mercenary Man", que toca O FILME INTEIRO.

Não pense que é brincadeira: é só começar uma cena de impacto que lá vem aquela voz rouca e esganiçada cantando "In the violence of the night...".

(Ah, "Mercenary Man" toca nos créditos finais também. Pense em lavagem cerebral...)


Mas enfim... O filme começa e estamos numa galeria de arte, onde um montão de pessoas bem-vestidas participa de um evento badalado: a exposição do diamante Verbeek, "o maior diamante do mundo", uma pedrona com 526 quilates!

Em primeiro lugar, eu nunca vou entender por que uma galeria de arte está expondo um diamante. Em segundo lugar, eu nunca vou entender por que não existe um mínimo esquema de segurança ao redor daquele gigantesco diamante, exibido sobre uma almofadinha sem nenhuma redoma de vidro indestrutível como proteção ou ao menos seguranças armados para vigiá-lo.


Bom, eles pediram, eles levaram: bandidos fortemente armados disparam um gás no interior da galeria, fazendo todo mundo dormir (ou morrer, isso nunca é explicado). Com máscaras anti-gás, eles calmamente entram no lugar e roubam o diamante. Quer dizer, nem tão calmamente: um dos bandidos dispara sua espingarda em algo ou alguém fora do alcance da câmera. Como o diretor Davis não filmou o take subsequente, mostrando o que foi que levou o tiro, ficou só assim mesmo - um bandido disparando um tiro no nada!

Corta para nosso herói Michael Gold chegando ao aeroporto de Kobango, uma nação africana fictícia que é um verdadeiro samba do crioulo doido: o país tem habitantes negros que falam espanhol e soldados vestidos como se fossem revolucionários cubanos, mas os vilões são um austríaco e um militar russo; placas em edifícios e cartazes estão escritas numa bizarra mistura de espanhol com português!


Por causa dessa confusão toda, é comum ver reviews pela internet afora dizendo que a história se passa em Cuba. Na verdade, Kobango se parece muito com Angola, o que justificaria tanto os personagens falando espanhol quanto os textos em português, e a presença de militares cubanos e soviéticos - já que, historicamente, os dois países comunistas tentaram ocupar Angola na década de 80, em tempos de Guerra Fria.

Seja como for, Michael Gold chega a Kobango e já temos a primeira amostra de que o diretor Beau Davis não entende nada do ofício: o herói entra no aeroporto com um grupo de pessoas, o grupo se separa e a câmera absurdamente segue um grupo de figurantes sem importância enquanto o herói vai PARA O OUTRO LADO; percebendo a idiotice cometida, a câmera gira para então sim encontrar seu protagonista! É o tipo de coisa que você não vê nem num filme do pobre Ed Wood!


Logo descobrimos que o mercenário Gold está na África, a pedido da CIA, para encontrar um cientista alemão, o Professor Braun (Borgnine, coitadinho...), e convencê-lo a ir para os Estados Unidos. Acontece que Braun é um especialista em lasers (hahaha), e o governo norte-americano teme que os comunistas o encontrem antes e o obriguem a construir uma terrível arma de raios.

Opa, opa! Peraí, peraí! Se o governo norte-americano queria dar asilo político ao cientista, por que diabos contrataram UM MERCENÁRIO para fazer a proposta de viajar aos EUA, ao invés de agentes da CIA em missão oficial? Até que o rapaz se sai bem e consegue convencer o velhote, só que a negociação é interrompida quando aparecem uns vilões que atiram em ambos com dardos tranquilizantes!


Gold acorda no dia seguinte numa prisão, condenado à morte por espionagem. No "paredón", à moda cubana? Que nada: numa arcaica guilhotina (!!!), aparato que, salvo ignorância minha, nunca foi usado fora da França! É claro que ele eventualmente escapa, mas o Prof. Braun já foi levado sabe-se lá para onde pelos inimigos.

Na embaixada norte-americana em Kabango, nosso herói toma a maior mijada dos agentes da CIA que o contrataram para a missão. Eles exigem que Gold resgate Braun, pois os russos querem obrigá-lo a construir uma arma laser de grande poder destrutivo usando aquele diamante colossal roubado no começo do filme.


Como ninguém sabe onde o cientista está, o herói precisa encontrar Alissa (Debi Monahan), a filha da vítima, e convencê-la a ajudar na busca. Resta saber o porquê disso além da obrigatoriedade de incluir um interesse romântico para o herói na história, considerando que a garota tampouco tem qualquer noção do paradeiro do pai!

E aí desenrola-se o restante de LASER MISSION: Gold e Alissa zanzando pelo país fictício, detonando militares que falam espanhol, explodindo coisas e seguindo em frente por puras conveniências de roteiro. Como a dupla não investiga porcaria nenhuma o filme inteiro, eles só conseguem ir do ponto A ao ponto B por causa dos vilões, que os obrigam a fugir o tempo todo ou aprisionam um para atrair o outro!


Escrito por duas pessoas (!!!), David A. Frank e Phillip Gutteridge (esse é o único crédito dos dois, algo plenamente justificável), LASER MISSION desenrola-se de maneira absurda e inverossímil, como se fosse uma paródia cartunesca do próprio gênero "ação".

Temos, por exemplo, o herói indestrutível interpretado por Brandon Lee, capaz de realizar as proezas mais ousadas e sair sem um único arranhão - ou nem ao menos despentear o cabelo. Michael Gold é tão fodão que sequer se protege durante os tiroteios, e a cena abaixo resume bem a "qualidade" do filme e a invulnerabilidade do herói.

Só os heróis têm mira boa



Mas nada pode preparar o espectador para a cena final, quando Gold leva um tiro na barriga (!!!), sente dor por uns 15 segundos no máximo e depois continua lutando, pulando e correndo como se não tivesse uma bala rasgando-lhe os intestinos. O tal tiro na barriga equivaleria ao clichê do "tiro de raspão no braço" em outros filmes, mas como em LASER MISSION tudo é mais exagerado e absurdo...

Não deixa de ser irônico que o herói indestrutível e imune a balas seja interpretado por Brandon Lee, esse pobre coitado que, na vida real, bateu as botas quando tomou um tiro de verdade que deveria ser de festim durante as filmagens de "O Corvo"!


Embora tenha feito filmes bem melhores depois, como "Rajada de Fogo" e "Massacre no Bairro Japonês", Brandon até que está simpático e divertido aqui, interpretando um personagem que pode ser considerado um 007 dos pobres. Infelizmente, não luta nada e prefere mandar bala nos inimigos.

Seguindo a cartilha do cinema de ação que emula com carinhoso exagero, LASER MISSION também tem dois vilões que são a epítome da maldade: um militar russo, o Coronel Kalishnakov (Graham Clarke, que está a cara do Sean Bean), e um caçador austríaco, Eckhardt (Werner Pochath, de "O Rato Humano").


Se eles são malvados? Bem, digamos que Eckhardt tem uma coleção de cabeças humanas (!!!) em sua fortaleza, e Kalishnakov é tão indestrutível quanto o herói, e às vezes parece mais um vilão de filme de terror. No duelo final, por exemplo, ele morre e volta umas 200 vezes, sobrevivendo a tiros, queda de precipício e explosões, até ser finalmente morto (pelo menos até sair uma continuação) por atropelamento!

Ainda seguindo aquela cartilha anteriormente citada, LASER MISSION tem a mocinha sedutora que passa o filme inteiro brigando com o herói, até que ambos percebem que estão apaixonados, trepam e tudo fica lindo e maravilhoso. O papel é de Debi Monahan, uma loira mais conhecida por participações em seriados de TV.


Ok, vou aproveitar o espaço e defender a Debi aqui: na maioria das críticas do filme encontradas internet afora, o pessoal diz que a mocinha é feia e isso não ajuda. Nananinanão: ainda que não seja nenhuma Sharon Stone, e tenha uma voz bem irritante (parece o cacarejar de uma galinha-carijó fanha), Debi Monahan é uma gracinha, e eu confesso que já peguei coisa bem pior e chamei de "Meu amor" (ou paguei).

E ela também tem um airbag de respeito, que exibe o tempo todo porque passa a maior parte do filme usando o mesmo vestido com um decotão gigante! O único problema é que ela exagera um pouco (tá, um muito...) nas caras e bocas estilo "Como sou gostosa" enquanto dirige ou atira, mas isso só torna tudo mais engraçado.


Finalmente, para fechar com chave de ouro os itens obrigatórios da cartilha da ação oitentista, LASER MISSION também está repleto de diálogos maravilhosamente toscos, já que os roteiristas tentaram dar frases de efeito ao herói Gold, mas falharam miseravelmente em todas as tiradas.

Um dos momentos mais brilhantes acontece quando Gold está fugindo dos vilões, atravessa o telhado de uma casa e cai bem no meio da sala de jantar, arrebentando a mesa posta para o banquete. Pois o herói se levanta, sai correndo em direção da porta, pára, olha sorridente para os donos da casa e diz: "Eu só passei para dizer... bon appetite!".


E há uma dupla de alívios cômicos, um casal de soldados cubanos, que é de morrer de rir. Mas não porque eles são engraçados, e sim por causa da FALTA DE GRAÇA dos personagens e das situações em que se envolvem; você ri da vergonha alheia, e não do que deveria estar rindo!

Se ficasse só nisso, LASER MISSION seria apenas o tradicional filme de ação classe B ou C direct-to-video do final dos anos 80 - nada muito diferente dos primeiros trabalhos de Van Damme ou Dolph Lundgren.


Mas LASER MISSION é pior, pavorosamente pior do que isso, e falha em tudo que se propõe, do começo ao fim.

As interpretações são pavorosas, o roteiro é medonho, o desenvolvimento da trama é risível, com um herói sem nenhum plano de ação que só se dá bem porque os vilões são muito mais burros do que ele. O já citado tiro na barriga que só provoca cócegas e o arquiinimigo indestrutível enterram qualquer esperança de que o filme sequer seja plausível, mas a ruindade também impera na parte técnica.


Beau, o dublê que pensa ser diretor, talvez seja um bom dublê nos filmes dos outros, mas não entende absolutamente nada de direção. As cenas de ação são patéticas (e olha que estamos falando de um dublê com uma câmera!), a câmera é posicionada de qualquer jeito e acontecimentos absurdos se sucedem diante dela.

Por exemplo, uma cena de perseguição no meio da cidade de repente é levada para a zona portuária (mera desculpa para vermos carros capotando e caindo na água), e ainda mais de repente o carro conduzido pelos nossos heróis está no meio do deserto (!!!). Geografia esquisita a desse país fictício...


Eles logo ficam a pé (depois de sobreviver a um tiro de bazuca disparado contra o veículo), mas atravessam quilômetros de deserto vestindo roupa de gala, sem nenhuma água e em plena luz do dia! A personagem de Debi Monahan caminha o tempo todo com sapatos de salto alto, e no final da travessia sequer está despenteada ou com a maquiagem borrada!

Esta cena do deserto também é hilária porque inimigos bizarros começam a aparecer de todos os lados sem muita lógica: primeiro um sujeito com um arco e flecha (!!!), depois um doido com um rifle de caça num cavalo, e finalmente o próprio diretor Beau Davis em participação especial - a luta dele com Brandon Lee é filmada por baixo das patas de um cavalo (!!!), num dos momentos mais surreais do filme!


Ainda nessa parte do deserto, Gold demonstra ser tão McGyver que enterra a si próprio na areia para pegar de surpresa um rival que por ali passava - e não interessa como ele conseguiu se cobrir de areia sozinho, como conseguiu respirar debaixo da areia e nem como ele adivinhou que o sujeito iria passar justamente por ali!

Algumas outras burradas até lembram o cinema de Ed Wood: numa cena, Gold e Alissa encontram-se para um "jantar às nove" (da noite, imagino eu, já que ninguém jantaria às nove da manhã), mas, ao sair do restaurante, é dia com sol a pino!


Outra idiotice que beira a comédia é o fato do herói demonstrar-se um "mestre dos disfarces" ao descobrir que está sendo perseguido pelo exército do país. Só que os disfarces de Gold lembram os do Inspetor Clouseau de Peter Sellers: ele se veste primeiro como general cubano (com bigodinho e tudo mais), e depois como mendigo corcunda (!!!). Inexplicavelmente, sabendo que está com a cabeça a prêmio, ele vai para o tal jantar com Alissa de cara limpa e sem nenhum disfarce!

Você acha que já está bom? Acredite, não cheguei nem na metade: se eu tivesse que ficar enumerando todos os erros e problemas de LASER MISSION, o Blogger iria proibir essa postagem por excesso de caracteres!


O filme tem mais um zilhão de problemas, sejam ofensas monumentais à lógica (como o presídio em que a sala de armas fica a poucos metros das celas, algo não muito seguro, digamos) ou erros grosseiros (a placa na porta da sala de armas diz "armadura", quando a palavra em espanhol para "armory" seria "arsenal"!!!).

O diretor Beau deve ter feito o filme inteiro com uma equipe de cegos (será que foi a inspiração para o "Dirigindo no Escuro", do Woody Allen?), já que ninguém viu coisas grosseiras como a carga de pólvora enrolada em papel na boca de uma arma falsa (abaixo), ou a torre de vigia do campo inimigo que desmorona quando o disparo da bazuca atingiu A PARTE DE CIMA da estrutura!!!


Mas é exatamente por causa de tudo isso que LASER MISSION é tão divertido! Como eu escrevi lá em cima, esse é o autêntico "Plan 9 From Outer Space" dos filmes de ação, com tantos erros e bobagens por minuto que torna-se praticamente impossível citar tudo - e a presença de gente conhecida como Brandon Lee e Ernest Borgnine só torna a coisa mais constrangedora e divertida!

O melhor é que a cada reassistida percebe-se novos problemas, como a sombra da equipe técnica refletida por toda parte ou figurantes morrendo antes mesmo que as armas sejam disparadas na direção deles!


LASER MISSION é aquele tipo de bizarrice que, num mundo perfeito, seria exibida uma vez por ano no cinema, para uma platéia de doidos varridos que se divertiria horrores dando sonoras gargalhadas com a quantidade colossal de bobagens. Fico imaginando como seria uma sessão dupla disso com o igualmente hilário "Deadly Prey", de David A. Prior. Coisa de internação em hospício, certamente.

O filme chegou pela primeira vez ao Brasil em VHS pela VideoBan, com o título em português "Missão Resgate" - um disparate, pois o original é muito melhor e mais sonoro! O nome de Brandon Lee não recebeu grandes destaques na capinha porque ele ainda era virtualmente desconhecido na época, e a distribuidora provavelmente nem sabia que ele era filho do Bruce Lee!


Mais recentemente, algum espertalhão descobriu que LASER MISSION tinha caído em domínio público. Ou seja: qualquer pessoa, incluindo eu e você, pode pegar uma cópia mais ou menos do filme, lançar em DVD e vender por aí sem precisar pagar direitos para ninguém!

Aí virou zona: nos Estados Unidos, LASER MISSION já foi lançado e relançado em DVD umas 30 vezes por distribuidoras diferentes, com todo tipo de capinha, fonte de título e cores (a maioria usando imagens de Brandon Lee feitas para o filme "Rajada de Fogo"!). Umas distribuidoras espertinhas também aproveitaram para jogar a produção em boxes e coletâneas de filmes de ficção científica, embora não exista absolutamente nada de ficção científica na trama!


Na foto acima, você vê algumas dessas edições pobretonas em DVD, e fica a minha sugestão para leitores malucos e endinheirados: que tal fazer uma coleção com as diferentes edições internacionais de LASER MISSION?

No Brasil também a galera aproveitou a moleza dos direitos autorais livres para tentar lucrar com o fato de ser uma aventura de Brandon Lee. Além do VHS da VideoBan, o filme saiu nada mais nada menos do que OITO VEZES por diferentes distribuidoras, e com três títulos diferentes: quatro vezes como "Missão Resgate", três vezes como "Missão Suicida" e apenas uma vez com uma tradução literal do título, "Missão Laser".

Por aqui também as capinhas são de uma pobreza atroz, e ironicamente a Continental, conhecida pelas suas péssimas edições em DVD, foi a única distribuidora a usar a arte original do pôster de LASER MISSION em sua capa. Destaque também para a picaretagem da Ocean, que colocou o filme como "bônus" em seu DVD de "Conexão Chinesa", título alternativo de "A Fúria do Dragão", estrelado pelo pai de Brandon, Bruce Lee!


A maioria dessas edições, tanto aqui quanto lá fora, são as tradicionais "VHS-Rip" vagabundex, cópias tiradas de fita cassete, em tela cheia e sem nenhum tratamento de imagem ou de áudio. Até onde pude apurar, todos os DVDs brasileiros trazem essa versão podre, embora já seja possível baixar cópias em widescreen.

Outra informação importante: embora não tenha grandes cenas de nudez ou violência, LASER MISSION sofreu dois cortes para eliminar um soldado inimigo sendo cortado ao meio na guilhotina e um vilão empalado nas pontas metálicas de uma cerca. Infelizmente, quase todas as versões que circulam aqui e nos EUA trazem essa versão censurada.


O engraçado é que o cara empalado na cerca (acima) é um dos vilões principais, e sua morte acabou praticamente cortada do filme! Uma das poucas cópias sem censura é a do VHS alemão. Você pode ver neste site imagens das cenas cortadas.

E eu poderia continuar aqui por horas e horas falando sobre como LASER MISSION é comicamente ruim e sobre a espantosa quantidade de erros e defeitos da película, mas acho sinceramente que nem a mais longa das resenhas faria justiça a essa obra-prima trash de Beau Davis, Brandon Lee e cia.


Assim, só há uma forma de curti-la decentemente: reunir os amigos na sala, com cerveja geladinha ou outros aditivos alcoólicos e/ou químicos, e literalmente mijar-se de rir - algo que pouquíssimas "comédias verdadeiras" conseguem fazer hoje em dia.

No final, por mais absurdo e implausível que seja este sentimento, dá a maior vontade de ver outras aventuras pobretonas e absurdas de Michael Gold, esse indestrutível James Bond de quinta categoria.


Aliás, é irônico constatar que as aventuras de 007 pós-1989 (o ano de LASER MISSION) não são muito diferentes das peripécias de Gold e sua turma, pois o agente também começa a usar mais força bruta, metralhadoras e explosões e menos a astúcia e a esperteza, como fazia nos filmes anteriores.

E vamos combinar que o enredo de LASER MISSION poderia muito bem virar uma aventura de 007, com os devidos milhões de dólares a mais, é claro - e talvez aí, quem sabe, nós víssemos a tal arma laser que aqui mal é citada por limitações orçamentárias.

Quem sabe Bond e Gold até formassem um belo time em algum universo alternativo! Com direito a David Knopfler na trilha sonora: "In the violence of the night..."

Trailer de LASER MISSION



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Laser Mission (1989, EUA)
Direção: Beau Davis
Elenco: Brandon Lee, Debi Monahan, Ernest Borgnine,
Werner Pochath, Graham Clarke, Pierre Knoessen,
Maureen Lahoud e um monte de desconhecidos.

18 comentários:

ageumm disse...

Cara só quero te dá os meus parabéns pelo seu trabalho nesse blog
é muita paciência e gosto fazer esses enormes textos.
Realmente como vc cita filme que quase ninguém conhece.

sou apaixonado por filmes também
Parabéns Cara.

>>>digigratis.com<<<

Tony Sarkis disse...

Felipe, ótima postagem cara!!!
Vc simplesmente sabe descavar cada pérola!!!
Me lembro da minha finada Vídeo Locadora cujo VHS possuia no acervo.
Lembro que indicava esse filme como se fosse um puta filmaço de ação e todo mundo que devolvia o filme ficava me xingando!!
Possuo uma cópia e preciso rever o mais rápido possível, não li todo o texto com receio de estragar a revisãodo filme.
Parabéns mais uma vez!!! e Obrigado pelo ótimo acervo de filmes comentados!!!

Daniel Dutra disse...

Ernest Borgnine embarcou em cada canoa furada nos anos 80 que dava pena.

Outra pérola dele dessa época é um filme que ele fez com o Daniel Greene do "Keruak - O exterminador de aço"(já resenhado aqui no blog).

O filme é "Comando De Resgate" , uma cópia de "Resgate no Inferno" com Gene Hackman (um filme habitual do Domingo Maior sobre um pai que vai resgatar o filho no Vietnã).

Eu achava "Comando de Resgate" uma m**rda, mas agora que descobri esse "Laser Mission" vi que Borgnine conseguiu fazer coisa pior( ou melhor, dependendo do ponto de vista).

Sobre a Debi Monahan, eu tbm não achei ela feia, não dá entender esses fóruns gringos.

elemesmo disse...

Daniel Dutra, o Ernest Borgnine tb pagou mico no "Sem trapaça não tem graça" que reunia o diretor de "Apertem os cintos, o piloto sumiu" e os criadores de "South Park" como atores principais.

O filme era pra ser um baita filme, mas acabou ficando "meia-boca", mas vale pela cena do Ernest cantando "I'm too sexy".

Rodrigo 1176 disse...

Oi Felipe; me lembro que no início dos anos 90, a Bandeirantes sempre fazia a propaganda deste vhs,assim : mais um lançamento vídeo band ,procure em sua locadora. Um abraço.

Anônimo disse...

Tenho que confessar com enorme vergonha alheia que eu já havia alugado esse filme junto á "Execução Sumária" com Michael Paré.
Felipe, você já viu um filme chamado "Bulletproof" com Gary Busey?

Paulo Geovani

Anônimo disse...

Fogo,só tu para conheceres estes filmes!Bom texto,parabéns!
Vitor Alves

Lauro disse...

Felipe, se não me engano voce ja falou sobre "Plan 9" ? Não consigo achar aquele post. Me ajuda !

Anônimo disse...

Lauro, aqui o Felipe não falou não do Plan 9. Eu espero que ele um dia faça uma maratona do Ed aqui no blog.

Paulo Geovani

Tonino disse...

"A maioria dessas edições, tanto aqui quanto lá fora, são as tradicionais "VHS-Rip" vagabundex, cópias tiradas de fita cassete, em tela cheia e sem nenhum tratamento de imagem ou de áudio.", coisa que não deixa de ser um registro da época, não é? Você vê como era o som e imagem daquele tempo.

www.futeboldigital.com disse...

Parabéns pelo blog ! Leio todo dia ! Abraço !

Anônimo disse...

Felipe,

Me permita indicar dois filmes para serem resenhados aqui.
Starcrash(1979) e Battletruck(1982).

Roberto Luís Almeida

Pinto disse...

Realmente, a primeira vez que ouvi falar em LASER MISSION, foi numa dessas coletaneas de ficcao cientifica (acho que era o unico filme colorido da coletanea, a mesma dos 50 Horror Classic Movies, que apesar da baixa qualidade, e' uma coletanea e tanto!).

Guilherme Drigo disse...

Felipe,
Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo blog. Descobri ele recentemente, mas já estou completamente viciado. Laser Mission e o Fallout Homossexual do Guerreiros do Futuro já estão no meu torrent.

Linkei o Filmes Para Doidos no meu blog: http://refrigerando.com. Apesar de ser completamente diferente, consigo notar uma certa semelhança abstrata entre os 2. hahahaha.

PS: Procurei aqui e não encontrei a minha pérola trash favorita: Jesus Christ Vampire Hunter. Certamente você já deve ter cruzado com ele, porém fica a dica.

Abraço e sucesso!

Robson disse...

Vi esse filme em vhs qdo garoto e detestei, achei muito tosco, acho q levei a sério demais! Anos depois, por volta de 2002/2003 o revi e achei muito divertido, já considerando como um filme Z só pra rir, infelizmente de lá pra cá não o revi mais!!!

Franklin disse...

Falando no Prior, A
acredito que Deadliest Prey vai superar machete!

http://bzfilm.com/photos/deadliest-prey-jaw-dropping-stills-from-the-upcoming-action-flick-exclusive/

Júlio César da Assunção Pedrosa disse...

Olá. De vez em quando visito seu blog. Suas resenhas são ótimas; o cinema trash nunca foi tão bem comentado...

Não vi este filme, mas lembrei de uma cena de um filme dos Trapalhões (não sei do nome, mas se passava na selva). Aparece um pessoal, e os Trapalhões, dando tiros de fuzil, e dá para ver, nas pontas dos canos das armas, uma peça vermelha rosqueada, usada para dar tiros de festim. Chamava atenção em contraste com as armas escuras.

Quem não conhece deixa passar batido, mas quem já fez serviço militar, percebe.

Totalmente trash! Valeu!

Leonardo Peixoto disse...

Aproveitando que filme esteve em uma coletânea de ficção científica , aproveito para pedir mais resenhas sobre o gênero . Sobre o motivo de Michael Gold e Coronel Kalishnakov serem indestrutíveis , em uma imaginária continuação seria revelado que ambos fizeram parte de um projeto secreto para aumentar a resistência dos soldados ... mas Gold não lembra disso .