segunda-feira, 8 de março de 2010

Um Oscarizado Dia Internacional da Mulher


Quer homenagem melhor para o Dia Internacional da Mulher (8 de março) do que Kathryn Bigelow faturando todos os grandes prêmios na entrega do Oscar 2010, com seu "Guerra ao Terror"? Eu cantei a pedra ainda no ano passado, ao escrever que o filme não podia ficar de fora da entrega do Oscar, mas confesso que não esperava tantas estatuetas e nem a vitória desta bela cineasta de 59 anos nada aparentes.

Fazia muito tempo que eu não assistia a cerimônia, mas alguma coisa me fez ficar ligado na Globo ontem até madrugada, apesar da atrocidade que era aquela tradução simultânea titubeante (por que não tem tecla SAP para ouvir o original em inglês nessas horas?). Creio que o que me motivou a suportar o Oscar 2010 foi o desejo ardente de que "Guerra ao Terror" faturasse pelo menos alguns prêmios que todo mundo julgava já nas mãos de "Avatar".

Aliás, nunca torci tanto CONTRA um filme como neste caso (nem quando "Pulp Fiction" concorreu com "Forrest Gump"). Eu estava torcendo para que "Guerra ao Terror", "Bastardos Inglórios" e até "Distrito 9" rapelassem todas as estatuetas que muitos apostavam que ficariam com os bichinhos azuis do espaço sideral, representando a vitória do baixo orçamento e das boas idéias contra as superproduções faraônicas e descartáveis - enfim, esse cinema fast-food tão bem representado por "Avatar".

Amigos e amigas, confesso que foi de lavar a alma ver Kathryn arrasar James Cameron ao vivo, faturando quase todas as estatuetas. E até soltei um grito de felicidade quando "Guerra ao Terror" foi anunciado como Melhor Filme. Parecia até torcedor comemorando gol. Afinal...

* AVATAR - 500 milhões de dólares
* GUERRA AO TERROR - 11 milhões de dólares
* Ver a cara de pastel do megalomaníaco James Cameron enquanto sua ex-mulher faturava todos os principais prêmios da noite com um filme que custou uma mixaria - NÃO TEM PREÇO!

E é até irônico que a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Diretora esteja à frente de uma obra repleta de "filmes de menino", que nem parecem ter sido dirigidos por uma moça, como "Caçadores de Emoção", "Estranhos Prazeres" e o próprio "Guerra ao Terror" - aliás, a obra de Kathryn é digna de retrospecto.

(Só estou tentando entender como é que um longa quase que inteiramente feito por computador ganha o Oscar de Melhor Fotografia que deveria ficar no mínimo com "Bastardos Inglórios", mas assim é Hollywood!)

Pois bem, chega de Oscar. Fica aqui minha singela homenagem a outras mulheres que nunca receberam e provavelmente nunca receberão o Oscar (algumas por motivos óbvios). Se faltou alguma, podem me xingar através dos comentários.


AGNIESZKA HOLLAND
O Jardim Secreto (The Secret Garden, 1993, EUA)


AMY HECKERLING
Picardias Estudantis (Fast Times at
Ridgemont High, 1982, EUA)



AMY HOLDEN JONES
Slumber Party - O Massacre (The Slumber Party
Massacre, 1982, EUA)



BARBARA PETERS
Humanóides das Profundezas (Humanoids from
the Deep/Monster, 1980, EUA)



CARLA CAMURATI
Carlota Joaquina - Princesa do Brasil (idem, 1995, Brasil)


DEBORAH BROCK
Massacre 2 (Slumber Party Massacre 2, 1987, EUA)


JANE CAMPION
Fogo Sagrado (Holy Smoke!, 1999, EUA/Austrália)


JENNIFER CHAMBERS LYNCH
Encaixotando Helena (Boxing Helena, 1993, EUA)


JOAN MICKLIN SILVER
Loverboy - Garoto de Programa (Loverboy, 1989, EUA)


KRISTINE PETERSON
Criaturas 3 (Critters 3, 1991, EUA)


LENI RIEFENSTAHL
O Triunfo da Vontade (Triumph des
Willens, 1935, Alemanha)



LENI ALEXANDER
O Justiceiro - Em Zona de Guerra
(Punisher: War Zone, 2008, EUA)



LILIANA CAVANI
O Porteiro da Noite (Il Portiere di Notte, 1974, Itália)


LINA WERTMÜLLER
Por um Destino Insólito (Travolti da un Insolito
Destino Nell'azzurro Mare d'agosto, 1974, Itália)



MARLEEN GORRIS
A Excêntrica Família de Antonia (Antonia, 1995,
Holanda/Bélgica/Reino Unido)



MARY LAMBERT
Marcas de uma Paixão (Siesta, 1987, EUA)


PATRICIA ROZEMA
Quando a Noite Cai (When Night is Falling,
1995, Canadá)



PENELOPE SPHEERIS
Quanto Mais Idiota Melhor (Wayne's World, 1992, EUA)


PENNY MARSHALL
Quero Ser Grande (Big, 1988, EUA)


RACHEL TALALAY
Tank Girl - Detonando o Futuro (Tank Girl, 1995, EUA)


RANDA HAINES
Os Filhos do Silêncio (Children of a Lesser God, 1986, EUA)


SALLY POTTER
Orlando - A Mulher Imortal (Orlando, 1992,
Reino Unido/Holanda/França/Itália/Rússia)



SOFIA COPPOLA
Encontros e Desencontros (Lost in Translation,
2003, EUA/Japão)



SUSAN SEIDELMAN
Procura-se Susan Desesperadamente
(Desperately Seeking Susan, 1985, EUA)



SUZANA AMARAL
A Hora da Estrela (idem, Brasil, 1985)



PS: Eu ia colocar o MICHAEL CIMINO na relação só de sacanagem, mas me garantiram que aquela história de que ele teria mudado de sexo para viver como mulher em Paris é apenas lenda urbana...

17 comentários:

Leandro Caraça disse...

Eu não só quero que algumas das mulheres citadas NÃO GANHEM o Oscar, como quero que elas nunca mais façam nenhum filme.

Não faça parte da facção sandinista que detesta "Avatar". mas apesar de gostar do filme dos seres azuiz, estava torcendo pela Kathryn ou pelo Queixada.

Anônimo disse...

Eu sinceramente não entendo esse negocio de Oscar. Não vi e nem quero ver esse tal de Avatar, mas Guerra ao Terror eu vi, e o filme é o ruim pra caramba (minha opinião). Pelo amor de Deus, a cena que os dois soldados bebados estão lá se enfrentando feito grandes machos é digna de uma citação aqui no blog para doidos. O filme é ruim por si, mas qdo comparado com outros classicos de guerra, Platoon, Nsascido para Matar ou Apócalyse Now, então é covardia, é como surrar bebado na fresca, enfim se era para ser alternativo, porque não dar o Oscar a Bastardos Inglorius?

Anônimo disse...

Certamente, os fãs do Guerra ao Terror precisavam desses carequinhas de consolação. Felizmente, Avatar não precisa desse tipo de muletinha. E feliz com premiação fica o público que não tem confiança nas próprias opiniões.

Mesmo assim, parabéns para a ex-mulher de Cameron, que agora terá mais facilidade para levar seus projetos adiante e, talvez, consiga fazer um filme bom de verdade. Potencial ela tem, mas ainda falta muito.

Mas quem diria que mendigar votos fosse uma boa estratégia? ;)

Allan Veríssimo disse...

Eu sinceramente torcia pelos Bastardos Inglórios, mas fico MUITO feliz com a vitória de Guerra ao Terror.

Outros filmes que foram indicados e são INFINITAMENTE melhores do que Avatar foram Distrito 9 e Up.

Fiquei mais do que feliz com a vitória de Christoph Waltz, a de Up como Filme de Animação e Trilha Sonora e gostei daquela montagem de filmes de terror (teve espaço até para O Duende), mas foi horrivel ter sido apresentado pelo pessoal de Crepúsculo. Por que não cogitaram o Roger Corman para apresentar o prêmio?

E cheguei a comentar no meu Twitter durante a cerimônia sobre as reações do Camerons as vitórias de Guerra ao Terror. O cara deve ter ficado furioso....

E Forrest Gump não é tão ruim assim, mas ganhar do Pulp Fiction...

Allan Veríssimo disse...

E só para deixar tudo mais engraçado, parece que o REF não gostou da vitória do Guerra ao Terror...

Matheus Ferraz disse...

Pô, a Rachel Talalay entra na lista e a Valerie Faris não? Tem também a Julie Delpy, embora eu não tenha visto nenhum filme dirigido por ela ainda, mas dizem que fez um ótimo filme sobre a Condessa Sangrenta. E seria muito curioso ver Fraulein Riefenstahl ganhando um Oscar por O Triunfo da Vontade...

PS: foi demais o chilique do Rubinho dizendo que a Academia tinha dado um tiro no pé não premiando os Smurf-Cats do Cameron

PPS: falando em mulher, é impressão minha, ou a vovó Helen Mirren era a mulher mais gostosa na festa inteira?

Thomas Alex disse...

"* AVATAR - 500 milhões de dólares
* GUERRA AO TERROR - 11 milhões de dólares
* Ver a cara de pastel do megalomaníaco James Cameron enquanto sua ex-mulher faturava todos os principais prêmios da noite com um filme que custou uma mixaria - NÃO TEM PREÇO!'
Essa foi boa, Felipe...tô me matando de rir aqui.

Allan Veríssimo disse...

>Aliás, nunca torci tanto CONTRA um filme como neste caso (nem quando "Pulp Fiction" concorreu com "Forrest Gump")

Tivemos coisas piores, como Os Caçadores da Arca Perdida perdendo para Carruagens de Fogo e O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel perdendo para Uma Mente Brilhante.

Felipe M. Guerra disse...

Putzgrila, faltaram várias mulheres no mínimo interessantes (sem malícia por favor) e ninguém falou nada, vocês são foda mesmo!!!

Corrigindo a injustiça:

- BARBRA STREISAND (Yentl!, 1983, EUA/Reino Unido)

- KÁTIA LUND (co-diretora Cidade de Deus, 2002, Brasil)

- LAÍS BODANZKY (Bicho de Sete Cabeças, 2001, Brasil)

- NANCY MEYERS (Simplesmente Complicado/It's Complicated, 2009, EUA)

- NORA EPHRON (Sintonia de Amor/Sleepless in Seatlle, 1993, EUA)

- SANDRA WERNECK (Pequeno Dicionário Amoroso, 1997, Brasil)

Fábio P disse...

Porra Shittos, foi um belo post. Parabéns atrazado pelo dia da mulher. Em tempo, Loverboy é aquele filme do cara q entregava pizza de anchova? Bá assisti esse filme umas 200 vezes no SBT.

Skl disse...

Eu tambem dei um grito de felicidade quando Avatar levou tinta como melhor filme. Pela primeira vez fiquei quase 100% satisfeito com a academia. So achei que Bastardos Inglórios merecia ter levado mais estatuetas. De qualquer forma, Avatar é um filme muito bobalhão.

Elton Telles disse...

Olá Felipe, tudo certo?
Primeira vez que passo pelo seu blog. E de cara, me encontro com um post sobre diretoras e seus respectivos filmes. São filmes marcantes, com certeza (para o bem ou para o mal). Muito bom o levantamento da pesquisa - já nem me lembrava mais de Penelope Spherris e ela é rainha do trash inconsciente! =)


ABS!

Just Daniel disse...

Faltou Das Tripas o Coração da Ana Carolina.

E não existe nada mais sexy que uma mulher dirigindo...

Gustavo Ribeiro disse...

'A Excêntrica Família de Antonia' não ganhou o Oscar de filme estrangeiro?

BUTTZ disse...

Algumas diretoras interessantes que mereciam presença na lista: Doris Wishman, Claire Denis e a japinha Shimako Sato, especialista em filmes de horror. Tem também a brazuca Debora Waldman, que fez o bizarro curta KYRIE OU O INÍCIO DO CAOS.

sitedecinema@sitedecinema.com.br disse...

Não detesto o Jim Cameron (vi todos dele menos o Avatar), e também nunca curti a belíssima Bigelow. Acho nada a ver isso de torcer contra o diretor (como se ele representasse tudo de ruim no mundo) e a tratando como se ela fosse uma mera operária do cinema independente. A verdade é que AVATAR, apesar de multimilionário, é um filme independente de um diretor independente e autoral (nada a ver igualar independente com pobre e autoral como autobriográfico...George Lucas é independente-com sua LucasFilm e seus filmes também revelam gostos pessoais e sonhsos de infÂncia-...o ´filme das criaturas azuis´ foi um projeto pessoal dele e parcialmente financiado com recursos próprios, refletindo muita coisa BOLADA por ele. Já o filme de Bigelow, não contou com ela como uam das criadoras(roteiristas) do filme e chegou Às mãos da diretora por indicação de seu ex-marido, Cameron.
Quanto á direção dela no filme, vi vários vícios muderrnush de hoje: muita cÂmera na mão (camwraman com Maç de Prkinson), cortes abruptos ajudando na confusão do que ocorre na tela(mesmo considerando q se tenta mostrar a loucura do conflito bélico), fotografia desaturada e granulada, etc. A Diretora, nos seus filmes passados, me lembrava muito o esilo clipeiro e excessivamente picotado, com fotografia onanista de comercial de cigarrosde um dos diretores q eu mais detesto, Tony Scott (´pai em estilo´ de Michael Bay)

sitedecinenma disse...

Ela não é-nem nunca foi- uma ´autora de Cinema anti-Hollywoodiano´ como muitos desavisados que torceram por ela pensam (talvez exceto pelo primeiro longa dela, THE LOVELESS). Ela foi contratada para realizar esse filme de guerra e não vi nada de muito original na forma como a trama foi contada, muito pelo contrário.
Sobre o passado dela como ´clipeira´, basta ver BLUE STEEL, POINT BREAK e até o supervalorizado NEAR DARK.