terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Vincent Vega falou a verdade


Em "Pulp Fiction", antes de morrer metralhado no banheiro da casa de Butch, o assassino profissional Vincent Vega revelou algumas interessantes informações sobre sua passagem pela Europa. Todas elas, quem diria, são verídicas, conforme eu pude comprovar pessoalmente, atestando assim o talento do diretor-roteirista Quentin Tarantino em levar toneladas de cultura inútil à boca dos seus personagens. Com vocês, Vincent Vega:

"Em Amsterdam o haxixe é legal, mas não 100% legal. Quer dizer, você não pode sair de um restaurante, enrolar unzinho e começar a fumar ali mesmo. Você deve fazer isso em casa ou em certos lugares, como os bares de haxixe. É legal comprar, é legal ter e, se você for dono de um bar de haxixe, é legal vender."

Quem vai para Amsterdam, provavelmente a cidade mais famosa da Holanda (e uma das mais famosas da Europa), espera encontrar um ambiente digno de Cheech & Chong. Mas não é bem assim na prática. Certo, a cidade respira drogas e sacanagem, mas nada tão liberal quanto muita gente pensa.

Como muito bem explicou nosso amigo Vincent em "Pulp Fiction", o cara não pode chegar lá e fumar um baseado na rua. A lei é rigorosa e inclusive proíbe qualquer tipo de fumo na rua. O Vincent não falou, mas até cigarro comum é proibido por lá! Eu estava saindo da estação de trem com meu irmão e vi dois policiais abordando um outro turista e pedindo para ele apagar o cigarro que estava fumando na rua. E não era maconha, era cigarro normal de tabaco!

Mas estas drogas mais "leves", como maconha e haxixe, são toleradas pela polícia de lá com a devida discrição, e não tem como você caminhar pelas ruas de Amsterdam sem lembrar disso. Afinal, de cartões-postais a souvenirs, praticamente tudo traz o desenho da folha de maconha. Isso sem contar que os caras vendem qualquer produto que seja possível fabricar com Cannabis: chás, chocolates, pirulitos, sabonetes, xampus, perfumes e até licor feito de maconha...

O pessoal de lá ainda pode comprar sementes de Cannabis sativa para plantar sua própria mudinha no aconchego do lar. Claro que não dá nem para pensar em levar estas sementes para fora do país. A não ser que você queira ter uma conversinha com o pessoal da Polícia Federal.

Agora, quem pensa que vai encontrar toneladas de hippies chapados espalhados pelas praças e ruas de Amsterdam ou traficantes violentos em cada esquina está tendo uma idéia errada da cidade. Amsterdam, na verdade, é uma cidade "normal", bem séria e até careta na aparência. Isso porque fumar maconha e haxixe é um hábito concentrado aos chamados "coffee shops", que de café não têm nada: são bares estilo pub, escuros e com música, onde você entra para comprar e fumar o cigarrinho do diabo.

Estes bares têm menus com os tipos de maconha e haxixe à venda, como se fosse um cardápio de cerveja ou de drinks; você escolhe, fecha o baseado e fuma ali mesmo. Alguns bares têm ambientes separados: um para o fumacê, outro para quem quer apenas tomar sua cervejinha. Outros, mais especializados, oferecem até utensílios como narguilé.

O mais legal disso tudo é que o produto vendido nos coffee shops tem garantia de qualidade - até porque o preço vai lá nas alturas (uma quantidade irrisória da maconha mais barata custa 20 euros, quase 60 reais!). Mas pelo menos você sabe que a coisa é boa, sem semente, folha seca e bosta de vaca misturada, como os espertinhos costumam fazer aqui no Brasil. E é realmente o máximo você entrar num bar e comprar um baseado como se fosse a coisa mais comum do mundo, sem se preocupar em estar fazendo alguma coisa errada!

Entretanto, para quem está pensando em ir para Amsterdam para puxar um, fica a dica: procurem os coffee shops menores e mais "escondidos". Além do preço ser mais em conta, você pode fumar sossegado sem estar rodeado de turistas xaropes rindo, falando alto e fazendo bagunça só para mostrar que estão chapados.

E um alerta: se você não sabe fechar baseado ou tem preguiça, leve alguém que saiba. Não seja bobo de comprar os baseados já fechados vendidos nos coffee shops, pois eles não passam de cigarrinhos bem fracos com uns 15% de maconha e muito tabaco para fazer volume e fumaça. Sim, Amsterdam é bem longe do Brasil, mas lá também tem dessas malandragens...

Ah, e para quem duvida que a coisa lá é liberada mesmo, saibam que ao fazer o check-in em nossa pensão, eu e meu irmão ganhamos um saquinho com um pouco de maconha e haxixe como "oferta da casa". Alguns hotéis deixam um bombom como brinde para o hóspede; outros um chocolatinho. Em Amsterdam, vejam só que maravilha, você já ganha entorpecentes na chegada!!!


"Sabe o que é mais legal na Europa? As pequenas diferenças. A maior parte das merdas que a gente tem aqui, eles têm por lá. Só que são um pouco diferentes... Em Amsterdam, a gente pode comprar cerveja no cinema. E não em copo de papel, em copo de vidro. Em Paris, a gente pode comprar cerveja no McDonald's. E sabe como eles chamam o quarteirão com queijo em Paris? Royale with cheese. Porque eles têm outro sistema métrico."

Eu não fui no cinema em Amsterdam para saber se realmente vendem cerveja - seja em copo de vidro ou de plástico.

Mas em Paris e Roma, descobri que as salas de cinema têm bares na entrada. Não aquelas bomboniéres xaropes vendendo baldões de pipoca e Coca-Cola, como temos aqui, mas bares mesmo, onde você pode sentar e tomar uma cervejinha antes ou depois da sessão. E é costume do pessoal - na Itália, pelo menos - sair da sessão e parar ali para tomar cervejas discutindo o filme que acabaram de ver. Sabem como é, povo culto é outra coisa...

E sim, em Paris é possível comprar cerveja no McDonald's, bem como em outras partes da Europa (na Suíça também, mas estes foram os dois únicos McDonald's que entrei, por pura necessidade de sobrevivência). O problema é que a cerveja de lata vem quente, pelo menos nas duas lanchonetes que fui.

Finalmente, chegamos ao "royale with cheese". Quem diria, esta famosa frase do "Pulp Fiction" não é lorota, e lá em cima está a foto do cardápio de um McDonald's parisiense para provar.

Todos os outros nomes em inglês, como Big Mag e McFish, foram mantidos (e olha que os franceses realmente odeiam falar inglês, como diz a lenda). Mas, por causa do sistema métrico diferente (eles não têm "quarteirões" na França), eis que o sanduichinho foi rebatizado "royale com queijo", bem como nos informou o poliglota Vincent Vega!

Pena que eu não gosto de McDonald's, pois ia ser muito divertido entrar com a maior cara de John Travolta e pedir um "royale with cheese", ou quem sabe um "Le Big Mac".


"E sabe o que eles botam na batata-frita na Holanda? Maionese! Eu vi com meus próprios olhos, eles mergulham as batatas naquela merda!"

Sei que no Brasil também tem gente que gosta de colocar um pouquinho de maionese na batata-frita junto com o ketchup (sabe como é, mau gosto não se discute).

Mas na Holanda (e também na Bélgica), a coisa é feia: eles vendem estes conezinhos de papelão com batatas-fritas na rua, e sobre as batatas metem um montão de maionese, como vocês podem ver na foto ali em cima.

É o lanchinho típico dos caras, vai fazer o quê? Mas eu é que não quis experimentar essa gororoba!

13 comentários:

Final Cut Edições disse...

Cervejinha no cinema cai bem, mas com moderação... Idiotinhas chapados avacalhando o filme tá por fora... Batata Frita com Maionese é veneno dos bravos...

Ibertson Medeiros disse...

Excelente post e mostra que Quentin Tarantino não é qualquer zé mané que coloca diálogos sem sentido em seus filmes. Houve uma grande pesquisa antes por parte dele, mesmo que as conversas sejam inúteis hehehehehe
Batata frita com maionese? Deve ser horrível.
Muito interessante o modo de viver das pessoas em outros países.
Seria legal ver um filme do David Lynch e beber até ficar bebaço depois da sessão hahaha

Felipe M. Guerra disse...

O que eu acho é que o Tarantino foi para Amsterdam, talvez na época do boom do "Cães de Aluguel", se emocionou e depois achou legal falar sobre estas bobagens no "Pulp Fiction". Inclusive sempre que eu via o filme pensava comigo mesmo: "Pô, o cara foi para a Europa e só aprendeu essas bobagens de nome de hambúrguer?". Agora é que eu fui e voltei que entendo o Vincent Vega percebo como é divertido falar sobre cultura inútil e estas pequenas diferenças!!! hahahahaha.

Allan Verissimo disse...

Eu juro por deus que quando vi PULP FICTION pela primeira vez,eu achei que todo esse papo que o Vicent Vega falava para o personagem do Samuel L.Jackson era tudo lorota,mas também achei hilaria.Realmente,como o Guerra falou é divertido falar dessa cultura inutil e ridicula.
Quentin Tarantino é um gênio mesmo,mas infelizmente dos filmes dele só vi PULP FICTION,que adorei,e PLANETA TERROR que ele produziu.Depois dessa,agora sim que eu vou ver os outros filmes do Tarantino.Pena que infelizmente,A PROVA DA MORTE sera o seu unico filme que não poderei ver,pois não chegou no Brasil...

Kamen Rider disse...

Infelizmente não daria certo cerveja nos cinemas por aqui, se essa molecada já fica incomodando no cinema levando Coca 2 litros escondido e fazendo lanchinhos imaginem se eles ficam bebados por lá!

Quer uma parceria?

http://orider.blogspot.com

Thales disse...

Felipe deve ter botado fogo na babilonia la kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Leandro Caraça disse...

Eu gosto de batata-frita junto com maionese e ketchup.

artur disse...

ai cara vc puxou um cigarrinho em amsterdan? hahahaha, prefiro batatat-frita com ketchup do que maionese

Felipe M. Guerra disse...

Ora, ir para Amsterdam e não fumar um cigarrinho do demônio é o mesmo que ir pra Alemanha e não tomar cerveja. ;-)

artur disse...

pensava que cocê não fosse usuario desta coisa maldita, mas tudo bem, hahahahaha

Anteontem disse...

Ir pra Amsterdam e não fumar unzinho é como ir pro País das Maravilhas sem ver cartas de baralho desfilando.

Anônimo disse...

é claro que Tatantino nao ia falar mentiras ,nao é?na verdade,quem estava certo era ele proprio.

Caio Ferreira disse...

Eu já comi batata frita com maionese e não é ruim.